Ferreira Gullar regurgita maio de 1968!
Maio de 1968 tá em tudo quanto é lugar: em livros, em debates, em suplementos de jornais, etc. Como o povo adora uma data redonda, resolveram agora comemorar os 40 anos de maio de 1968. Pelo jeito, uma data que nunca vai ser datada...
No domingo passado, O Globo publicou um suplemento bem interessante sobre maio de 1968, com o título: 68 - O ano da revolução pela arte.
Em uma matéria contundente, Arnaldo Bloch faz uma entrevista com Ferreira Gullar, o demolition man da arte. Ferreira Gullar, nesta ótima caricatura do William ,é um crítico de arte corajoso, além de um dos melhores poetas vivos do país.
Algumas declarações do bardo, que me deixaram com a pulga atrás da orelha:
"A chamada contracultura, das drogas, dos hippies, do rock, que contestava a sociedade de consumo, acabou se tornando predominante através desta mesma sociedade de consumo, convergindo para a sociedade do espetáculo que hoje triunfa e na qual os valores do indivíduo e da arte se diluem ou são postos no lixo."
"No frigir dos ovos, aquela contracultura americana foi completamente absorvida e anulada. Ora, ela contestava a sociedade de consumo, mas a sociedade de consumo tornou-se mais forte do que era, a ponto de transformar contestação em chiclete."
"A diluição dos valores, do indivíduo criador, da arte, exarcebou-se, a contracultura virou cultura dominante, e a impressão que dá é de que não há saída. O que é que a gente vê contestando alguma coisa? As grandes bandas e cantores são velhos senhores consagrados e não há nada que surja para afrontá-los."
É por isso que cada vez mais eu fico esperto com a alta-rotatividade do que é novo!...


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