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Eu já tinha visto há bastante tempo, mas estávamos tão concentrados na série sobre a CoP15 que achei melhor esperar. Dona Joaninha já anunciou no blog dela, mas o Faça também quer um ano novo pra mudar o mundo.

É isso: os cartões de Natal e Ano Novo do Fábio Yabu estão de volta. As mensagens são dicas de como cada um pode fazer a sua parte, e o autor disponibiliza os cartões gratuitamente para envio eletrônico ou impressão (em papel reciclado, claro, como ele gosta de lembrar).

Está esperando o quê? Vai lá! E feliz 2010 sustentável pro mundo. Se os "grandes líderes mundiais" preferem fingir que mudar o mundo não é urgente, a gente discorda. E continua estimulando cada um a fazer a sua parte, em vez de esperar com os braços cruzados que eles decidam nosso futuro.

Eventos importantes para a questão ambiental devem ser divulgados:

O Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo (SASP) e a Federação Nacional dos Arquitetos (FNA) promovem em São Paulo, dias 11 e 12 de novembro, o "Seminário Internacional: Sustentabilidade e Produção em Escala de Habitação de Interesse Social: Projetando o Futuro". O evento acontecerá no auditório do MAC, no Parque do Ibirapuera, durante a 8ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo.

Idealizado em parceria com o Instituto de Arquitetos do Brasil - Departamento de São Paulo (IAB-SP) e o Laboratório de Habitação e Assentamentos Humanos da Universidade de São Paulo (LABHAB da USP), o objetivo do seminário é discutir o desafio da produção em escala de habitação social com sustentabilidade, além de situar a contribuição dos arquitetos e urbanistas pela qualidade do desenvolvimento territorial urbano e da produção habitacional.

Com um déficit estimado em 8 milhões de moradias, planejar habitação de interesse social no Brasil se constitui em um dos principais desafios para os profissionais de arquitetura e urbanismo.

Com a aprovação do Estatuto da Cidade (2001), a criação do Ministério das Cidades (2003), do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (2006) e do programa Minha Casa, Minha Vida (2008), a questão avançou, a partir de mecanismos para viabilizar novas construções.

A discussão, além da produção em grande escala, passa também pela qualidade do projeto. "É fundamental conceber projetos de arquitetura e de urbanismo de habitação de interesse social, bem como construções com criatividade, qualidade e sustentabilidade ambiental", afirma Daniel Amor, presidente do SASP.

O seminário foi dividido em cinco painéis: Sustentabilidade do Desenvolvimento Territorial; Sustentabilidade do Projeto Arquitetônico e Urbanístico na Produção em Escala de HIS - Habitação de Interesse Social; Tecnologia, Materiais e Sistemas Construtivos na Produção de HIS e Sustentabilidade; Sustentabilidade no Desenvolvimento e Gestão Social e Plano Nacional de Habitação de Interesse Social e a Lei Federal 11977 - Minha Casa,Minha Vida.

Para discutir estas questões, o seminário contará com a participação de arquitetos nacionais e da América Latina que contribuirão com o debate a partir de suas experiências e práticas bem sucedidas em habitação social.

Entre os brasileiros estão a arquiteta e urbanista Ermínia Maricato, professora da FAU-USP e ex-ministra-adjunta do Ministério das Cidades; a arquiteta e urbanista Raquel Rolnik, professora da FAU-USP e relatora da ONU para o direito à moradia; o arquiteto e urbanista Demetre Anastassakis, especialista em planejamento urbano e que representa as Américas no Grupo de Trabalho do Habitat da UIA - União Internacional de Arquitetos e o arquiteto e urbanista Maxim Bucaretchi, professor da PUC de Campinas e especialista em sistemas construtivos que visam a sustentabilidade do ambiente e da construção, entre outros.

Os convidados estrangeiros são: o arquiteto Juan Carlos Garcia Bocanegra, da Colômbia, especialista em desenvolvimento urbano participou dos projetos de renovação urbana de cidades colombianas, como Medellin; a arquiteta uruguaia Teresa Buroni do Centro Cooperativista Uruguaio, onde assessora cooperativas de moradias; e o arquiteto argentino Ruben Pesci do Fórum Latino-Americano de Ciências Ambientais.

O Seminário é destinado a arquitetos, engenheiros, profissionais da área tecnológica que trabalham para o poder público ou na iniciativa privada, bem como representantes de movimentos populares por moradia.

O evento conta o apoio da Caixa Econômica Federal e do Confea - Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia.

As inscrições podem ser feitas pelo site www.saspensa.com.br.

Seminário Internacional: Sustentabilidade e Produção em Escala de Habitação de Interesse Social: Projetando para o Futuro

Data: Dias 11 e 12 de novembro

Local: Auditório do MAC, Parque do Ibirapuera, São Paulo

Programação:

Dia 11/11

8h às 9h - Credenciamento

9h às 9h45 - Abertura

9h45 às 10h30 - Do Quitandinha à Lei da Assistência Técnica - Avaliação da Luta das entidades de Arquitetos e Urbanistas em prol do Desenvolvimento Territorial e da Habitação Sustentável

Palestrante: Arquiteto e urbanista Ângelo Arruda, presidente da FNA.

1º Painel

10h30 às 12h30 - Sustentabilidade do Desenvolvimento Territorial

Coordenação: Arquiteta e urbanista Rosana Ferrari, presidente do IAB-SP

Relator: Arquiteto e urbanista Afonso Celso Bueno Monteiro (Brasil - SP) SASP

Palestrantes:

Arquiteta e urbanista Ermínia Maricato (Brasil - SP)

Arquiteto Juan Carlos Garcia Bocanegra (Colômbia)

2º Painel

14h30 às 17h - Sustentabilidade do Projeto Arquitetônico e Urbanístico na Produção em Escala de HIS - Habitação de Interesse Social

Coordenação: Arquiteto Daniel Amor, presidente do SASP

Relator: Arquiteto Silvio Antonio Dias

Palestrantes:

Arquiteto e urbanista Luiz Fernando de Almeida Freitas (Brasil -RJ)

Arquiteto e urbanista Demetre Anastassakis - (Brasil - RJ)

Arquiteto e urbanista André D. S. de Moura (Brasil)

Engenheiro João Abukater - Secretaria de Habitação do Estado de São Paulo - CDHU (Brasil-SP)

3º Painel

17h15 às 19h45 - Tecnologia, Materiais e Sistemas Construtivos na produção de HIS e Sustentabilidade

Coordenação: Engenheiro Francisco Kurimori - CREA-SP (Brasil-SP)

Relator: Arquiteto e urbanista Eduardo Caldeira Brant (Brasil)

Palestrantes:

Arquiteto e urbanista Maxim Bucaretchi (Brasil - SP)

Arquiteta e urbanista Maria Henriqueta Arante Ferreira Alves (Brasil - MG)

Engenheiro Luiz Henrique Ceotto (Brasil - SP)

DIA 12/11

4º Painel

9h às 11h30 - Sustentabilidade no Desenvolvimento e Gestão Social

Coordenação: LABHAB

Relator: Arquiteto e urbanista Clênio Plauto da S. Farias ( Brasil - Acre)

Palestrantes:

Arquiteta e urbanista Raquel Rolnik (Brasil-SP)

Arquiteta Teresa Buroni (Uruguai)

Arquiteta e urbanista Maria Lúcia Refinetti Martins (Brasil - SP)

Arquiteto Ruben Pesci (Argentina)

5º Painel

11h30 às 13h30 - Plano Nacional de Habitação de

Interesse Social e a Lei Federal 11977 - Minha Casa,

Minha Vida

Coordenação: Engenheiro Carlos Eduardo Xavier Marun - Fórum dos Secretários de Habitação e Desenvolvimento Urbano (Brasil)

Relator: Arquiteto e urbanista Éder Roberto da Silva (Brasil - SP)

Palestrantes:

Arquiteto e urbanista Nabil Bonduki (Brasil - SP)

Ministério das Cidades - Inês Magalhães - Secretária de Habitação (Brasil)

Representante dos Movimentos de Moradia (Brasil)

Deputado Federal arquiteto e urbanista Fernando Chucre (Brasil)

Texto:Isabel Cristina Munhoz Silvares


A Cybele Meyer chamou e cá estamos nós para convocar os leitores. Entre 24 e 30 de agosto teremos uma blogagem coletiva sobre Consumo Consciente em que o objetivo é compartilhar experiências, sonhos e pensamentos para um mundo mais sustentável.
Basta ir ao blog, copiar o selo e publicar o seu post daqui a duas semanas.

Ando me policiando para reduzir o desperdício de alimentos, através do planejamento mais cuidadoso do que fazer, bem como o aproveitamento de eventuais sobras antes que estraguem. Além disso, também procuro reduzir o lixo reciclável e não orgânico/não reciclável que geramos na cozinha.

Para isso, tenho procurado fazer em casa biscoitos, por exemplo. Em vez de comprar no mercado biscoitos naquelas embalagens que nem recicláveis são, eu os faço em casa. Além de reduzir a quantidade de embalagens que vai pro lixo (reciclável, mas quem garante que esteja sendo reciclado corretamente?), ainda permite que selecionemos ingredientes mais saudáveis.

A receita testada e mais do que aprovada é de biscoitos doces. Já corri atrás de uma salgada e ainda vou testar. Por ora, deixo aqui a receita aclamada pela opinião pública (ao menos a que frequenta a minha casa).

Ingredientes

2 xícaras de chá de aveia em flocos finos
1 xícara de chá de gotas de chocolate/passas/nozes/castanhas/ou o que der na telha (minha última inovação foi biscoito de passas com linhaça em grão, ficou muito gostoso - usei meia xícara de cada)
1/2 xícara de chá de manteiga
1 xícara de chá de farinha (uso metade branca, metade integral ou branca/centeio)
1 xícara de chá de açúcar (uso meia de açúcar demerara orgânico, e substituo por mel sempre que tem)
1 colher de chá de fermento em pó
2 ovos

Modo de fazer
Juntar tudo e trabalhar até a massa ficar homogênea. Fazer formas ou bolinhas achatadas. Levar ao forno pré-aquecido (180ºC) em forma untada e enfarinhada por cerca de 25/30 minutos.

Fácil, fácil. Em geral, dobro a receita e/ou faço vários sabores diferentes no mesmo dia, assim aproveito o forno já aquecido. Atenção: o tempo de assar diminui um pouco a cada fornada subsequente, fique de olho. Na primeira vez, queimei a segunda fornada.

O próximo passo é pegar o jeito de fazer bolos.

E você? Tem alguma eco-receita pra compartilhar?

plasticoverde

A Braskem realizou o lançamento da Pedra Fundamental do Projeto de Polietileno Verde, no Pólo Petroquímico de Triunfo, Rio Grande do Sul, dando início às obras da primeira unidade industrial do mundo a utilizar etanol de cana-de-açúcar para a produção em escala comercial de eteno e polietileno de origem 100% renovável.

O plástico verde é fabricado a partir do etanol da cana de açúcar, e 100% baseado em mateira prima renovável. Com esta tecnologia é possivel absorver o CO² da atmosfera e transformá-lo em plástico. Além dos aspectos ambientais, o plástico verde possui propriedades idênticas às do plástico tradicional e tem aplicação em mercados como o automobilístico, indústria de brinquedos, embalagens para alimentos e produtos de higiene , entre outras.

A quantidade imensa de plásticos descartada no meio ambiente, por não ser biodegradável, leva séculos para se decompor na natureza. Essa realidade tem preocupado os ambientalistas e as pessoas que se importam com a saúde do planeta. Tomara que o plástico verde seja realmente uma viabilidade.

Imagem: daqui

biodiesel

A respeito de meus posts sobre o hábito de comer proteína de soja, o querido amigo Valter Ferraz enviou-me um de seus comentários questionadores e inteligentes:

"Você já pensou em quantas toneladas de Co2 são despejadas na atmosfera para se produzir uma tonelada de farelo de soja? Pois a cultura da soja é totalmente mecanizada. Haja diesel para o maquinário!"

Pois bem, em relação ao questionamento do Valter, felizmente já existe a preocupação de algumas empresas, como a Alpro, que produzem a soja, em diminuir o impacto ambiental. É possível sim, diminuir a quantidade de caminhões que fazem o transporte da soja. Com embalagens recicláveis que ocupam menos espaço, basta um caminhão para transportar material suficiente para quase um milhão de embalagens de cartão de 1 litro. Desta forma, todos os anos a empresa Alpro evita que cerca de 10.000 caminhões circulem nas estradas.

De acordo com o Ministério da Agricultura, há um programa de plantação do dendê para a recuperação de áreas devastadas. O dendê utilizado para a fabricação de biodiesel protege o solo além de ser uma atividade que gera mais empregos. No Brasil e no mundo, se utiliza o biodiesel misturado ao diesel comum, em variadas proporções. O governo federal brasileiro desenvolveu o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel, e espera-se que o Brasil triplique sua produção anual do biocombustível até 2012.

Da mesma forma, há também empresas comprometidas com o reflorestamento visando a diminuir o impacto provocado pelo desmatamento. O cultivo de grãos na Amazônia, entre eles a soja, intercalado com o plantio de árvores, a fim de promover o reflorestamento, é uma alternativa para a recuperação de áreas já degradadas da floresta.

Continuo defendendo a ideia de que a proteína vegetal de soja é uma alternativa para obter um grande impacto positivo no ambiente por vários motivos. A soja requer dez vezes menos terreno para sua plantação e necessita de cem vezes menos de água. Ajuda a combater o aquecimento global, pois cada kg de proteína animal que deixo de consumir são menos emissões de CO2 lançadas no ambiente, equivalentes ao percurso de um carro por 100 km. É uma dieta mais saudável e mais solidária com o ambiente natural e animal.

A propósito, estou há 14 dias sem comer carne alguma. O desafio 30 dias sem carne continua...

imagem: daqui

cacau283

Nós, chocólatras assumidos, também nos preocupamos com o impacto que as plantações causam ao meio ambiente. É importante lembrar que existem fazendas de cacau que têm tal preocupação: o reflorestamento, a criação de florestas produtivas e sustentáveis, a recuperação da mata através do plantio do próprio cacau e de outras árvores nativas, como o jacarandá.

As florestas de cacau são centenárias e como a qualidade das árvores é importante para a qualidade do produto final, pode-se dizer que um bom chocolate é resultado de uma floresta preservada. Esta é uma boa notícia para os fãs deste manjar dos deuses, não é não? O cacau é naturalmente sustentável.

O projeto Fazenda de Chocolate, desenvolvido pela Universidade Livre da Mata Atlântica -UMA, em parceria com o Worldwatch Institute, na Bahia, foi adotado pelo PNUD como integrante das Metas do Milênio e mostra como a força da economia do chocolate pode ajudar a resgatar a floresta.

Bom seria se todas as fazendas de chocolate cumprissem sua parte e observassem os padrões de agricultura sustentável, de proteção do solo, dos cursos de água e dos animais que habitam na floresta. Essa deliciosa iguaria, o chocolate , pode sim ser sustentável. Comer chocolate proveniente de cacau certificado tem um gosto de consciência tranquila.

imagem: daqui

Uma animação do pessoal do Free Range Studios, que já nos deu Homeland Guantanamo (sobre as prisões de imigrantes nos EUA), The Story of Stuff (sobre sustentabilidade) e Meatrix (sobre as fazendas industriais), entre outras:






(e pensar que pra muita gente esse pescador aí é considerado um loser...)

Cada vez que descartamos um produto eletrônico, estamos criando um sério problema ambiental. Pra onde vai aquela TV, aparelho de som ou computador que já não nos serve, cheia de componentes químicos e tóxicos? O Greenpeace tem pesquisado a fundo esse tema e denunciado a exportação de lixo eletrônico europeu, americano e japonês para países pobres, principalmente na África e Ásia. A organização ambientalista fez um teste: levou uma TV detonada, praticamente inútil, para ser reciclada na Inglaterra. Resultado? O aparelho foi 'exportado' para a Nigéria. Picaretagem pura. Confira abaixo:

Mais detalhes aqui.

Ou no vídeo abaixo:



Pois é,

Entre os dias 7 e 18 de dezembro deste ano ocorre a 15ª Conferência das Partes (COP15), da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, na capital do Reino da Dinamarca, Copenhague.

Tri-legal, D. Afonso, que bom saber disso. Afinal, eu sequer sabia que já ocorreram outras 14 dessas tais convenções. Mentira, né? Uma pelo menos todos conhecem: a COP3. Tá, talvez conheçam mais pelo resultado dela, o tal famoso Protocolo de Quioto, ou Kyoto como é mais conhecido. Aliás, diga-se de passagem, o filho se tornou mais conhecido que a mãe (a Convenção) e que a avó (a RIO92). Da bisavó (ESTOCOLMO, 1972) seque há que falar, de tão esquecida que anda...

Dizem que quem sai aos seus não degenera. Não é o caso. Bem que o menino tentou crescer e vingar. Até contou com a ajuda de um monte de tios e amiguinhos, mas não houve jeito. Está fadado à morte por inação dos seus grandes irmãos. Ou, melhor dizendo, por asfixia causada pelos grandes.

Pensando bem, acho que o guri não degenerou. Afinal, nem  a bisa, a avó e nem mãe deram certo na vida. Só para relembrar (os menos preguiçosos podem ler o texto integral no link acima) os ensinamentos da bisa que, parece, foram para o brejo preparar o terreno para o netinho, cito o princípio 6, que tem tudo a ver com a COP15:

"Princípio 6 - Deve-se por fim à descarga de substâncias tóxicas ou de outras matérias e à liberação de calor, em quantidade ou concentrações tais que não possam ser neutralizadas pelo meio ambiente de modo a evitarem-se danos graves e irreparáveis aos ecossistemas. Deve ser apoiada a justa luta de todos os povos contra a poluição".

Uma breve pausa para uma continha elementar: 1972 - 1982 - 1992 - 2002 - 2012 = 40 anos.

Putz, metade dos meus cinco leitores - não, é melhor achar que tenho seis, senão vai dar quebrado, né? - sequer tem essa idade. E devem estar se perguntando: PQP, tiveram 40 anos para melhorar e só fizeram piorar?

É véio, a bisa falou e disse! Pena que poucos deram bola pra ela. Mas a bisa queria porque queria preservar o sangue da família. Mocinha crescida, já com seus vinte anos, casou e teve uma filhinha, a ECO92. Beleza de filha. E não poderia ter nascido em melhor lugar: a cidade maravilhosa, símbolo dos símbolos da natureza. E a filhinha, bem educada que foi, repetia os ensinamentos da mamãe Estocolmo. De tanto falar, deu à luz a mais uma mulher: a Convenção para o Clima (dentre outras maninhas: a Carta da Terra, a Convenção sobre Biodiversidade e a Convenção sobre Desertificação, além de uma filha enjeitada, a Agenda 21).

Parece que o Reino das Boas Intenções Humanas estava fadado a não ter um filho varão. Mas eis que a Convenção para o Clima, a mais rebelde das filhas da ECO92, resolveu por um fim nessa longa cadeia feminina que parecia não estar dando certo. Fuçou, fuçou com as partes até que no terceiro encontro gerou seu filho macho: o Protocolo de Quioto.

Eis a breve história do futuro defunto (se bem que alguns sempre disseram que era um nati-morto).

Querem saber a moral da história? É que para dezembro esperamos o parto do filho do Protocolo de Quioto. Ou ao menos que ele arranje uma namorada até lá e que possamos, em 2012, ter um sucessor à altura do Reino.

E que preste! Senão...

Os sinais estão aí, só não vê quem não quer. Mas mais do que ver, há que fazer. Como por exemplo, acompanhar as ações, notícias, sites, blogs e tudo o mais que estaremos divulgando por aqui.

Essa é a importância do título: COP15. Nosso futuro!


 

Na fila da padoca, ontem à noite, fiquei na dúvida entre comprar um azeite na promoção e a última edição da Superinteressante, que traz na capa a atual situação deplorável dos oceanos do planeta. Acabei optando pela revista, o que acabou sendo uma boa escolha, não pela matéria de capa, que nada mais é do que um grande cozidão do que vem se falando sobre o tema há meses (quiçá anos). Folheando o material hoje de manhã, o que mais me chamou a atenção foi a entrevista com Tim Jackson, professor de desenvolvimento sustentável da Universidade de Surrey, em Londres, primeira instituição da Inglaterra a criar um departamento específico sobre o tema.

Jackson afirma categoricamente que o crescimento ininterrupto da economia global (um dos pilares do capitalismo moderno) é imcompatível com a sustentabilidade do planeta. Não é comunista, nem petralha, nem antiamericano, apenas mais um da crescente geração de pessoas que acredita num outro mundo possível, sob as regras da economia verde. Já foram ridicularizadas e agora são atacadas. Falta pouco para que sejam consideradas arautos do óbvio.

Enquanto governos e iniciativa privada não se mexem e continuam dando de ombros para o que se avizinha, como vimos em Poznan ou Marraquesh, cabe a nós, indíviduos tomarmos medidas diárias, pouco a pouco, pra ver se lá na frente algo muda. Alguns passos básicos, segundo Jackson, são:

Comprar menos, ser mais eficiente no uso da energia, viajar menos de carro e avião, economizar, fazer investimentos éticos e protestar!

Se for pra ir pro saco, que seja de botas calçadas!

(Este foi meu 100o. post no Ecoblogs!)

Lembro de ter ficado bastante intrigado quando descobri, ao cobrir a edição de 1996 da tradicional corrida de calhambeques London-Brighton, que os primeiros automóveis do mundo - basicamente carruagens sem os cavalos - eram modelos elétricos! O primeiro foi inventado em 1830. Em 1920, 90% dos taxis de Nova Iorque eram movidos a bateria, época em que todos os bondes das cidades eram elétricos também - leia mais aqui.

Pensei: "Ora, como não desenvolveram a idéia desde então?" Bem, até desenvolveram, mas meio que em segundo plano, já que os motores a diesel e gasolina eram muito mais lucrativos. O petróleo era baratinho, fácil e abundante, e coisas como poluição do ar e doenças respiratórias, denunciadas por proto-ambientalistas ao longo do século 20, eram externalidades aceitáveis pelo bem do progresso.

Pois bem, quase um século depois, voltamos ao ponto de partida. O modelo de negócio baseado em carrões movidos a petróleo sofreu um grande baque com a crise financeira americana e o carro elétrico volta a ser uma opção - desta vez, até onde eu tenho lido, pra valer. As grandes fabricantes de carros dos EUA - Chrysler, GM e Ford - abriram o bico, estão na lona, implorando mais de US$ 30 bilhões para continuarem existindo. A população americana se diz contra o empréstimo, e muitos congressistas também. Eles sabem que, sem uma contrapardida equivalente, é jogar dinheiro no lixo. Muito dinheiro. Agora, qual seria uma contrapartida justa e viável? Certamente não estamos falando da baboseira de ver os altos executivos dessa indústria recebendo salários anuais de US$ 1...

Ou essas empresas mudam pra valer, ou têm mais que ir pro buraco. Sim, porque se continuarem a tocar o negócio da forma como o fazem hoje, vão quebrar mais dia menos dia. Por que não, então, investir no futuro? Em projetos como Better Place, de um empresário israelense, que já despertou o interesse de países como Dinamarca, Austrália e Israel, além de alguns estados americanos, como a Califórnia e Havaí.

A idéia é criar uma extensa rede elétrica para alimentar os veículos por todo o país, com ênfase no transporte público. Mas quem quiser ter seu carrinho elétrico, sem problemas. Vai ser até mais fácil: você pagará pela quantidade de eletricidade que usar. E só. O carro pode ser até dado de graça. Um sistema semelhante ao que vem sendo adotado com sucesso na telefonia celular hoje. Só compra celular quem quiser algo exclusivo. A maioria, no entanto, vai adotar os modelos mais populares. Eu não compro um celular há quatro anos e ainda assim consegui ter bons aparelhos - hoje tenho um modelo smartphone razoavelmente bom. Genial, não? E o melhor: temos toda a tecnologia necessária para por esse projeto em prática.

Aí, GM, Chrysler e Ford! Querem mesmo sair do buraco? Então pensem com a sustentável cabeça de amanhã, não com a gananciosa e poluidora de ontem. Vai ser bom pra vocês e pra gente também!

A Califórnia segue dando o exemplo. A Comissão de Proteção ao Oceano do estado americano está propondo três medidas para reduzir a quantidade de lixo que acaba poluindo o mar: banir as embalagens de isopor para alimentos, cobrança de taxas para o uso de sacolas de papel e/ou plástico, e (a principal delas, a meu ver) tornar os fabricantes responsáveis pela coleta e reciclagem das embalagens de seus produtos. É isso ou ver o mar se transformar numa imensa sopa de lixo!

Segundo a Comissão, essa última exigência já funciona em 33 países no mundo, encorajando a redução de material usado, reduzindo o peso final dos produtos, permitindo o uso de materiais recicláveis e obrigando os fabricantes a redesenharem seus produtos e embalagens. Na Alemanha, após quatro anos do início do programa, o lixo produzido por embalagens foi reduzido em 14%. É pouco ainda.

As empresas são contra, claro. Dizem que é melhor incentivar a reciclagem e ameaçam com desemprego. O velho discurso da indústria, mesquinha toda vida. Reciclar é bom, mas produzir menos lixo é ainda melhor. Reciclar gasta muita energia e recursos materiais e humanos. Ninguém em sã consciência acha confortável a quantidade de papel, plástico, isopor e quetais que acompanha um brinquedo, TV ou aparelho de som recém-comprado na loja. Repara só na pilha de lixo que se forma no Natal após a abertura dos presentes. É vergonhoso!

Lixo é um dos grandes problemas mundiais do século 21.

Pra mim, toda e qualquer empresa deveria ser responsável pela coleta e correta eliminação do produto que fabricou, seja uma embalagem, celular ou carro. Haveria exceções, claro - móveis por exemplo. Medidas como essa evitariam absurdos como a exportação de lixo eletrônico para países de Ásia, causando a intoxicação de milhares de pessoas.

O rápido avanço da tecnologia tem sido de mão-única, com o desenvolvimento de produtos cada vez mais modernos e eficientes, mas o uso de substâncias tóxicas na sua fabricação e a falta de preocupação com o seu destino final - o lixo - põe tudo a perder. Sem falar na tal obsolescência planejada...

Veja o caso dos Estados Unidos: em fevereiro do ano que vem, com a adoção da TV digital por lá, estima-se que cerca de 10 milhões de aparelhos antigos sejam dispensados no país, gerando um problema monstro. Apesar disso, poucas empresas têm programas amplos de reciclagem para atender a essa demanda e evitar que esse lixo contamine pessoas e o meio ambiente - provavelmente na Índia, China ou Paquistão. Para pressionar grandes fabricantes como Sony, Samsung, LG e Toshiba, entre outras, a evitarem essa catástrofe, ONGs americanas formaram a Electronics TakeBack Coalition e deram início à campanha Take Back My TV.

Os consumidores também têm seu papel nessa história toda. Na hora da compra, dê preferência a produtos que tenham pouca embalagem e que tenham sido fabricados de forma sustentável e responsável. Se informe na loja, ligue para o fabricante pelos serviços de atendimento ao consumidor, exija seu direito de saber o que está comprando. E questione sobre programas de reciclagem, principalmente de aparelhos eletrônicos. Quanto mais pessoas encherem os SACs (serviços de atendimento ao consumidor) das empresas, mais elas se sentirão pressionadas a tomar alguma medida. De tanto levar bica nas canelas, uma hora terão que se mexer.

A Bovespa acabou de anunciar que a Petrobras, Aracruz Celulose, Companhia Paranaense de Energia (Copel), CCR Rodovias, Copel, Iochpe-Maxion, Petrobras e WEG foram excluídas da lista das empresas do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bovespa. Esse índice é composto de ações de companhias que apresentam alto grau de comprometimento com a sustentabilidade e responsabilidade social. No lugar delas entraram a TIM, Telemar, Unibanco, Celesc, Duratex e Odontoprev.

No caso da Petrobras, é resultado direto do esforço de ONGs e secretarias estaduais de Meio Ambiente, que vinham há tempos denunciando a estatal por descumprir resolução de 2002 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) para diminuir a partir de 2009 a quantidade de enxofre no diesel que vende no Brasil. Apesar de ter tido sete anos para se adequar à resolução, a Petrobras e a Anfavea (da indústria de automóveis) afirmam que não tiveram tempo para tal e se recusaram a cumprir a determinação.

Apenas na cidade de São Paulo, o ar poluído mata de 12 a 14 pessoas por dia, segundo estimativa de Paulo Saldiva, professor de medicina da USP (Universidade de São Paulo) e uma das autoridades no debate sobre os efeitos da emissão de poluentes na saúde. "Embora abasteça 10% da frota do país, o diesel é responsável por 45% da emissão de partículas em São Paulo e quase metade das mortes causadas pela poluição", calcula Saldiva. (fonte: CMI)

Segundo o professor Saldiva, os dados mostram que a poluição do ar mata mais do que a aids e o trânsito juntos na cidade de São Paulo.

O blog Daily Travel & Deal, do L.A.Times, publicou anteontem a lista dos vencedores do "Responsible Tourism Awards" de 2008, um prêmio mantido pelo ResponsibleTravel.com e dedicado a realçar as empreitadas inspiradoras e animadoras dentro da indústria do turismo sustentável.

A revista completa que detalha os méritos de cada um dos ganhadores você encontra aqui - o link é lindo e inspirador, recomendo a leitura com carinho.

Quem sabe um dia o Brasil emplaca um nessa lista, não?

- UPDATE merecedor de nota: O hotel Kiaroa, na Bahia, foi escolhido pelo World Travel Awards como o mais sustentável do mundo. Li isso atrasadamente agora lá no blog Vida Verde, que viu no Blog do Planeta.


Arnold Schwarzenegger pode estar bem cotado para ser o homem da energia de Obama, mas não corre sozinho nessa disputa. Outro nome meio óbvio é o de Al Gore. Após a derrota pro Bush Jr. em 2000, ganhou destaque mundial explorando o tema convenientemente e hoje tem uma das propostas mais audaciosas quando o assunto é remodelação da forma como produzimos e consumimos energia para enfrentar as mudanças climáticas, o projeto Repower America. Em linhas gerais, prevê a geração de 100% da energia consumida nos EUA por meio de fontes renováveis - basicamente eólica (27%), solar (16%) e eficiência energética (28%) - num prazo de 10 anos. Biocombustíveis e energia geotérmica teriam seu espaço também, com 3% cada. Nenhuma hidrelétrica ou usina nuclear seria construída no período, ficando as atuais com 23% do novo cenário. Em 2019, nada de petróleo ou carvão. Não é fraco não.

O projeto é bem próximo ao proposto pelo Greenpeace e Conselho Europeu de Energias Renováveis, o [R]evolução Energética, tecnica e politicamente, já que vê uma imensa oportunidade na crise gigante que surfamos sabe-se lá como.

Se os americanos são bons mesmos em fazer dinheiro, mesmo quando ele é escasso, a hora é essa. As ações de empresas do setor estão fervilhando. Na ressaca da orgia do capital especulativo, talvez testemunhemos novos tempos de investimentos voltados prioritariamente à produção do bem, que permitirá gerar empregos e renda. A ONU já cantou a pedra: milhões de empregos podem ser gerados até 2030 com investimentos em energias verdes. A recessão já vem provocando o curioso movimento de deixar algumas empresas mais verdes - como tem feito com a indústria de eletrônicos.

Seja com Schwarzzie ou Gore, quero ver as doletas verdinhas salvando o planeta, não apenas depredando-o em benefício próprio. Compartilho da utopia promovida pelo pessoal do Yes Man, quero ver um NYT recheado de boas notícias - o que não significa que serão fáceis. Nem perfeitas. Que sejam honestas, já basta.

Quem quiser conferir a íntegra da edição fake do NYT, só com notícias que gostaríamos de ver publicadas, acesse nytimes-se.com.

No vídeo abaixo, vc saberá como foi engendrada essa ação genial, bem como verá um representante do NYT ficar putinho (1min22s) ao ser questionado sobre Judith Miller, quando defendia a posição do jornal na cobertura da guerra do Iraque.


New York Times Special Edition Video News Release - Nov. 12, 2008 from H Schweppes on Vimeo.

"Em primeiro lugar, queria agradecê-lo por ter escrito O Tao da Física. Assim que terminei de ler pensei que tinha que fazer isso e agora tenho a oportunidade. Obrigado, sr. Capra." O deslumbramento do jovem que sentava imediatamente atrás de mim no Teatro Eva Herz, da Livraria Cultura da Paulista, era evidente e, por que não, comovente. Muitos dos que o aplaudiram provavelmente queriam fazer o mesmo e rolou uma identificação imediata. O rapaz foi aplaudido por uma gente sorridente, bonita, harmoniosa, em comunhão - entre si e com com Fritjof Capra, que deu palestra sobre seu livro A Ciência de Leonardo da Vinci (lançamento da editora Cultrix).

Eu logo me identifiquei e relaxei um pouco. Estava tenso por ter que entrevistar Capra para a revista e o site do Greenpeace e também por voltar à rua depois de tempos para exercitar como se deve o ofício de jornalista. Uma coisa influênciou na outra, mas na hora H, foi que foi. Dei até sorte, porque os outros dois jornalistas que compartilhariam comigo os escassos 30 minutos disponíveis para entrevista não apareceram. Pude gravar tranquilo minhas 7 perguntas sobre ecologia, meio ambiente, sustentabilidade, as quais ele respondeu sem rodeios e com firmeza, não deixando transparecer nenhum incômodo por falar de coisas que não eram bem a razão dele estar ali. Se bem que em termos. Capra é ecologista de longa data e Da Vinci, idem.

Ao contrário da trupe do bem que enfrentou chuva e engarrafamento para ouvi-lo falar, Capra é sisudo, circunspecto, um tanto quanto impaciente, mas sempre elegante e atencioso. Conheço bem o tipo, já tive chefe austríaco no Greenpeace. Me atendeu prontamente quando fui apresentado e respondeu com calma e prestatividade às minhas indagações feitas num inglês inseguro. Da mesma forma atendeu a uma dupla de ciclistas que, pouco antes da palestra começar, entregou a ele um favo de mel, e ouvi atentamente como fazia para degustar aquilo. "É colocar na boca e mastigar de leve como chiclete. Mas dá pra engulir, sem problema, é só cera", explicou um deles. Tirou fotos com alguns, autografou dezenas de livros (com um simples "Para fulano", mas enfim...) para a legião de estudantes, artistas, leitores casuais, empresários, escritores e até uma policial militar que lotaram o teatro.

Em uma hora de palestra, com uma apresentação de slides trazendo citações e desenhos de Leonardo da Vinci, o escritor de 69 anos revelou aspectos ambientalistas no artista toscano que eu sinceramente desconhecia solenemente. O próprio Capra disse ter se surpreendido ao achar a seguinte frase nos alfarrábios consultados :

As virtudes da grama, das pedras e das árvores não se encontram em seu ser porque os seres humanos as conhecem... A grama é nobre em si própria sem a ajuda de linguagens ou letras humanas.

É bom observar que as anotações nas quase 6 mil páginas estudadas por Capra fora feitas pelo gênio renascentista em italiano da época e escritas da direita para a esquerda, como os árabes fazem - Da Vinci era canhoto e inovou até na hora de por seus pensamentos no papel. Imagina a dificuldade para quem tem que destrinchar os textos hoje.

Enfim, o que chamou a atenção de Capra foi que Da Vinci antecipou em séculos o que se chama hoje de deep ecology: todos os seres vivos fazem parte de uma grande teia de vida, vivemos numa imensa gaia, e nenhuma espécie é mais importante do que outra. A ciência deve andar em harmonia com a natureza, não dominá-la.

Para Fritjof Capra, físico teórico e escritor que há anos promove a educação ecológica, principalmente para crianças e adolescentes, foi um achado e tanto. A investigação sobre o mestre italiano lhe mostrou que os desenhos dele eram complexos diagramas científicos, porque para estudar a natureza, era preciso desenhá-la; e para desenhá-la, era preciso estudá-la. Combinou ciência, estética e ética como ninguém, quase sempre orientada por uma filosofia ecológica lato sensu. Dá o que pensar saber que Da Vinci ficou obscuro por séculos. Que seja fonte de inspiração nesses novos tempos que se avizinham, com mudanças importantes acontecendo no mundo. Obama na Casa Branca, sustentabilidade e ecologia na ordem do dia, todo mundo pensando no que pode fazer para contribuir.

As perguntas da platéia, ao final da palestra, refletiram essa consciência coletiva de que algo precisa ser feito para mudar o estado das coisas e Capra acabou discutindo ali muito do que falou em nossa entrevista: Obama, o papel da sociedade civil na consolidação desse outro mundo possível, as chances de termos um mundo realmente sustentável. Publico aqui assim que sair a revista do Greenpeace, valeu?

Enquanto isso, curta uma das aventuras do Riuston, o valente entregador da livraria Cultura. O blog é divertido também. Descobri navegando pela internet, pra juntar essa coleção de links deste blog...

O que significa a eleição de Barak Obama para as políticas de combate às mudanças climáticas e reforma da matriz energética - americana e mundial? É o que tenta responder Adam Stein, co-fundador da Terra Pass, organização focada em reduzir nossa pegada de carbono no planeta, em artigo publicado em seu site e replicado por vários outros pela internet. Segundo ele:

Obama tem sido frequentemente apontado como o primeiro político pós-racial. Quando nós um dia avaliarmos sua gestão, podermos vê-lo na verdade como o primeiro presidente pós-ambiental, o líder que foi capaz de conectar os pontos dos temas energia, economia e segurança de uma forma a elevar esses assuntos acima dos interesses de certos grupos e colocá-los no centro da agenda política.

A íntegra do artigo de Stein pode ser lida aqui.

Obama terá um trabalho danado para consertar os estragos feitos por oito anos de administração Bush Jr. na imagem dos Estados Unidos mundo afora. Se der o impulso necessário às políticas adequadas para equilibrar o saldo entre desenvolvimento e conservação ambiental, vai novamente fazer história - e ganhar ares de divindade. Apesar de ser um pouco cético em relação a isso, espero sinceramente que Obama aproveite a oportunidade para mostrar que os EUA podem sim liderar o planeta, mas de uma forma benigna.

Tá rolando agora, ao vivo, no site do programa Roda Viva, a entrevista com o economista inglês Nicholas Stern autor do relatório Stern que avalia o impacto das mudanças climáticas na economia mundial. Dá pra mandar perguntas e tudo. Eles estão gravando provavelmente para passar na próxima segunda-feira na TV Cultura.

ATUALIZANDO: Acabou a transmissão ao vivo... mas o site tá lá, com imagens feitas in loco, de bastidores, e mais os desenhos do Chico Caruso. Além dos comentários da galera que participou.

O Stern estará amanhã também num seminário promovido pela Fiesp sobre economia de baixo-carbono (ou seja, livre de fontes poluentes de energia) e hoje ele publicou um artigo na Folha de São Paulo, Caminho Verde ao Crescimento.

E por fim tem uma longa entrevista (devidamente picotada em séries de vídeos de no máximo 3 min, divididas por temas) com o economista no Youtube, gravado pelo pessoal que o trouxe ao Brasil.

Um trecho do artigo:

Os países desenvolvidos precisam ser capazes de mostrar ao mundo em desenvolvimento que o crescimento econômico com baixa emissão de carbono é possível, que os fluxos financeiros aos países em desenvolvimento podem ser substanciais e que as tecnologias de baixo carbono serão economicamente viáveis, disponíveis e compartilhadas.

Que o famigerado stand-by sugava energia pacas, eu já sabia. Mas não tinha idéia do quanto até ver esse vídeo. É assustador. Uma régua de energia, daquelas que tem várias tomadas e pode ser desligada quando os aparelhos não estiverem em uso, já ajuda a conter esse desperdício.





Esta semana foi pra lá de corrida pra mim no Greenpeace, por conta de uma coletiva que ajudei a organizar para divulgar o relatório Ciclo do Perigo, sobre os impactos da produção do combustível nuclear no Brasil. Mas valeu à pena: o evento rolou hoje e foi um sucesso, com ampla divulgação.

O relatório trouxe uma denúncia de contaminação da água potável de Caetité, no sertão baiano, por urânio, minério que é extraído da região pela estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB). Os casos de câncer e outras doenças são altíssimos por lá e a empresa diz que tá tudo bem (novidade...). O caso ganha ainda mais importância se levarmos em conta que o governo Lula pretende ampliar o programa nuclear brasileiro, construindo não só Angra 3 mas também outras dezenas de usinas pelo país, o que ampliaria a mineração de urânio no país - principalmente no interior da Bahia e no Ceará.

A denúncia do Greenpeace mostra que a energia nuclear é suja do início (mineração de urânio) ao fim (lixo nuclear), e que os defensores dessa tecnologia não estão nem aí para o bem-estar das pessoas e do meio ambiente.

Mas se o bom-senso não tem força para interromper essa loucura nuclear, a crise financeira provavelmente terá. Os sinais de que o tal renascimento da indústria nuclear em todo o mundo não passa de um grande esforço de marketing são cada vez mais evidentes. A própria Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) já admite isso. Semana passada, um economista da instituição aconselhou o governo do Quênia a estudar melhor as necessidades energéticas de longo prazo do país antes de construir usinas nucleares, afirmando que poderá "encontrar muitos problemas em financiar uma planta nuclear devido às delicadas condições financeiras internacionais".

Já o secretário de Energia dos Estados Unidos, Samuel Bodman afirmou durante visita à França que a crise financeira global pode ter impacto no tal "renascimento nuclear". Segundo ele, projetos de longo prazo como a construção de usinas atômicas "são aqueles que serão os mais difíceis de financiar".

Para entender porque a energia nuclear não é solução para as necessidades energéticas do mundo, ainda mais agora em tempos de recessão mundial, sugiro a leitura do artigo Nuclear isn't necessary (Nuclear não é necessário), de Arjun Makhijani, presidente do Instituto para Pesquisa em Energia e Meio Ambiente, publicado no início de outubro no site da Nature. Makhijani é também autor do livro Carbon-Free and Nuclea-Free: A Roadmap for US Energy Policy (Sem Carbono e Sem Nuclear: um Mapa do Caminho para a Política Energética Americana).

A hora de pressionar políticos e empresas é agora! O dinheiro vai ficar cada vez mais curto e desperdiçá-lo em projetos que nada contribuem para o nosso desenvolvimento sustentável não é admissível.




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Meus caros amigos,

Para aqueles absortos pelo período eleitoral, Parece que o sol volta a brilhar novamente.

infelizmente o céu está nublado, e uma tormenta aponta no horizonte...e atingirá a todos. Sem palavras para descrever tal horizonte de eventos, recorro para um de meus mestres mais queridos.

WWW.adital.com.br

O abalo dos muros

FREI BETTO

O programa Bolsa-Fartura de Bush reúne quantia suficiente para erradicar a fome no mundo. Mas quem se preocupa com os pobres?

NO PRÓXIMO ano, completam-se 20 anos da queda do Muro de Berlim, símbolo da bipolaridade do mundo dividido em dois sistemas: capitalista e socialista. Agora assistimos ao declínio de Wall Street (rua do Muro), na qual se concentram as sedes dos maiores bancos e instituições financeiras.
O muro que dá nome à rua de Nova York foi erguido pelos holandeses em 1652 e derrubado pelos ingleses em 1699. Nova Amsterdam deu lugar a Nova York.
O apocalipse ideológico no Leste Europeu, jamais previsto pelos analistas, fortaleceu a idéia de que fora do capitalismo não há salvação. Agora, a crise do sistema financeiro derruba o dogma da imaculada concepção do livre mercado como única panacéia para o bom andamento da economia.
Ainda não é o fim do capitalismo, mas talvez seja a agonia do caráter neoliberal que hipertrofiou o sistema financeiro. Acumular fortunas tornou-se mais importante que produzir bens e serviços. A bolha especulativa inflou e, súbito, estourou.
Repete-se, contudo, a velha receita: após privatizar os ganhos, o sistema socializa os prejuízos. Desmorona a cantilena do "menos Estado e mais iniciativa privada". Na hora da crise, apela-se ao Estado como bóia de salvamento na forma de US$ 700 bilhões (5% do PIB dos EUA ou o custo de todo o petróleo consumido em um ano naquele país) a serem injetados para anabolizar o sistema financeiro.
O programa Bolsa-Fartura de Bush reúne quantia suficiente para erradicar a fome no mundo. Mas quem se preocupa com os pobres? Devido ao aumento dos preços dos alimentos, nos últimos 12 meses, o número de famintos crônicos subiu de 854 milhões para 950 milhões, segundo Jacques Diouf, diretor-geral da FAO (Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação).
Quem pagará a fatura do Proer usamericano? A resposta é óbvia: o contribuinte. Prevê-se o desemprego imediato de 11 milhões de pessoas vinculadas ao mercado de capitais e à construção civil. Os fundos de pensão, descapitalizados, não terão como honrar os direitos de milhões de aposentados, sobretudo de quem investiu em previdência privada.
A restrição do crédito tende a inibir a produção e o consumo. Os bancos de investimentos colocam as barbas de molho. Os impostos sofrerão aumentos. O mercado ficará sob regime de liberdade vigiada: vale agora o modelo chinês de controle político da economia, e não mais o controle da política pela economia, como ocorre no neoliberalismo.
Em 1967, J.K. Galbraith chamava a atenção para a crise do caráter industrial do capitalismo. Nomes como Ford, Rockefeller, Carnegie ou Guggenheim, exemplos de empreendedores, desapareciam do cenário econômico para dar lugar à ampla rede de acionistas anônimos. O valor da empresa deslocava-se do parque industrial para a Bolsa de Valores.
Na década seguinte, Daniel Bell alertaria para a íntima associação entre informação e especulação e apontaria as contradições culturais do capitalismo: o ascetismo (= acumulação) em choque com o estímulo consumista; os valores da modernidade destronados pelo caráter iconoclasta das inovações científicas e tecnológicas; lei e ética em antagonismo quanto mais o mercado se arvora em árbitro das relações econômicas e sociais.
Se a queda do Muro de Berlim trouxe ao Leste Europeu mais liberdade e menos justiça, introduzindo desigualdades gritantes, o abalo de Wall Street obriga o capitalismo a se repensar. O cassino global torna o mundo mais feliz? Óbvio que não. O fracasso do socialismo real significa vitória do capitalismo virtual (real para apenas um terço da humanidade)?
Também não.
Não se mede o fracasso do capitalismo por suas crises financeiras, e sim pela exclusão -de acesso a bens essenciais de consumo e direitos de cidadania, como alimentação, saúde e educação- de dois terços da humanidade. São 4 bilhões de pessoas que, segundo a ONU, vivem entre a miséria e a pobreza, com renda diária inferior a US$ 2.
Há, sim, que buscar, com urgência, um outro mundo possível, economicamente justo, politicamente democrático e ecologicamente sustentável.

(CARLOS ALBERTO LIBÂNIO CHRISTO , o Frei Betto, 64, frade dominicano e escritor, é autor de "Calendário do Poder" (Rocco), entre outros livros. Foi assessor especial da Presidência da República em 2003-2004).

Fim do segundo ato.

O grande final, fica a cabo de cada um de vocês.

Começa nesta quarta-feira a versão paulista do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica). Boa pedida pra quem curte documentários ligados à sustentabilidade e meio ambiente. A versão paulista da mostra criada em 1999 em Goiás traz para a Sala Crisantempo, na Vila Madalena, (rua Fidalga, 521), os vencedores do 10o. festival que aconteceu em junho em Goiás Velho (GO) - terra da poeta Cora Coralina.

O evento vai até sexta-feira (dia 10 de outubro) e conta com produções do Brasil, França, Grécia e Dinamarca - são oito filmes (curtas, médias e longa metragens) com temas diversos:o papel dos madeireiros e fazendeiros nas queimadas na Amazônia; a poluição e crimes causados pela exploração de petróleo na Nigéria; a parceria de uma tribo africana com insetos; a transformação urbana da região do rio Yangtze (China) após a construção da hidrelétrica de Três Gargantas.


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Beverly Ng é uma designer industrial que se inspira na poesia da vida cotidiana para produzir seus produtos. Especializada em desenvolvimento sustentável, aplica seus conhecimentos para criar produtos que as pessoas adoram usar. Eu adorei!


Vejam que beleza esta moderna luminária que ajuda a conservação da energia em casa! É realmente um modo simples e moderno de ter em sua casa um estilo de vida sustentável. A Spark lamp é uma ferramenta que ajuda a família a estar mais consciente de seu consumo energético, pois ela é um guia para a obtenção de um estilo de vida mais sustentável.


Como ela faz isso? Recolhendo a energia solar durante o dia, como um elegante vaso de planta, e, de noite, tornando-se uma lâmpada ou abajur chiquérrimo! E, de acordo com a quantidade de energia consumida pela casa durante o mês, a luminária apresenta uma cor diferente, que vai do vermelho, passando pelo amarelo até chegar ao verde. Assim, a família pode se conscientizar a respeito de seu consumo mensal de energia. Fantástico, não?


imagem: daqui


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Já há algum tempo, nós temos pensado em ter uma hortinha em casa, para pelo menos algumas coisas básicas. Em São Paulo, conseguimos manter em vasos manjericão, alecrim, orégano e hortelã. Há ainda no quintal uns pés de cebolinha, alguns de café, um pé de limão e um de amora, que garante boa geléia. Tentamos plantar tomate e rúcula, mas não foram pra frente - provavelmente erramos em algum passo. A idéia geral, entretanto, é no futuro ter uma horta decente.

Eis então que viajando por Bonito tive uma ótima surpresa ao me deparar em algumas das fazendas de ecoturismo com hortas próprias. As fazendas estão abraçando a sustentabilidade cada vez mais e isso é bom. Entusiasta de hortinhas, fui xeretar na horta alheia para aprender um pouco mais.

Das fazendas em que estivemos para passeios em Bonito, visitamos 2 hortas: a da Rio da Prata e da Estância Mimosa. Na horta da fazenda Rio da Prata, passamos mais tempo mallificando perguntando curiosidades ao biólogo Samuel, que nos guiou pelo que chamei secretamente de "tour da sustentabilidade" - modalidade que deveria ser incorporada ao dia-a-dia do turismo em geral. Primeiro, visitamos os montes de compostagem, onde o lixo orgânico gerado pelos turistas que frequentam a fazenda é colocado para decomposição natural. Cada monte de compostagem pode chegar a 70ºC em seu interior, indicação de alta atividade metabólica de bactérias e outros seres degradadores. Depois de um tempo, quando a temperatura abaixa, o produto da compostagem é levado ao minhocário.

No minhocário, o material orgânico é misturado ao solo e as minhocas fazem seu trabalho de aeração e adubação, tornando a terra mais fértil, fofa e preparada para o plantio. Depois que as minhocas atuaram, o solo aerado e adubado é peneirado para facilitar o manuseio e levado para a horta. É nesse solo que são plantados todas as verduras consumidas na fazenda pelos turistas e funcionários. São várias fileiras de alface, rúcula, manjericão, espinafre, beringela, tomatinho, saião, cebolinha, coentro, endro, quiabo, beterraba... e é tudo tão verde-intenso-natural, que dá vontade de comer salada imediatamente.

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Olha a qualidade dessas verduras...

A horta é toda orgânica, sem nenhum uso de agrotóxicos ou defensivos químicos. Perguntei como eles evitam pragas sem usar pesticidas. A resposta foi simples: plantam em locais estratégicos vegetais que "espantam" as pragas comuns, como a citronela, o tabaco, a arruda e a pimenta (só o sabiá come a pimenta). Além disso, plantam lado a lado vegetais que se ajudam no combate às pragas. Um sistema muito interessante e facilmente aplicável em pequena escala como ali.

As verduras da horta vão depois de crescidas para a refeição das pessoas que visitam a fazenda. E eu preciso dizer que nunca comi alface com gosto tão bom como aquela. Era alface com gosto de alface fresca de verdade, não de folha de papel como as que compramos em mercados por aí. Fora as beterrabas, super-doces e suculentas.

Mas nem só da horta orgânica vive uma fazenda sustentável. O Samuel cuida também do viveiro de mudas de espécies nativas, que são enviadas para áreas onde estão sendo reflorestadas. São centenas de potinhos com mudas de aroeiras, perobas, jaracatiás, ingás, ipês... todas grandes árvores, que daqui a algumas décadas mudarão positivamente a paisagem do local. Em linhas beeeem gerais, horta no curto prazo; floresta a longo prazo; mas sempre pensando no ambiente saudável.

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O minhocário, onde as minhocas são as trabalhadoras "braçais". No chão do minhocário, a terra já peneirada pronta para ser usada na horta. Ao lado, as mudinhas de árvores para reflorestamento.

Na fazenda da Estância Mimosa, depois de ver as mudinhas de árvores, terminei plantando uma aroeira no fundo do quintal. A aroeira é uma madeira nobre, motivo pelo qual foi bastante dizimada da região para virar móveis. Hoje é proibido matar uma aroeira nativa para coleta da madeira. Espero imensamente que meus netos, bisnetos ou afins voltem daqui a uns 100 anos na Estância e encontrem a árvore que eu plantei bonita e frondosa.

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As mudinhas de aroeira, que depois plantei no quintal da Estância Mimosa. Um dia atrasada nas homenagens práticas ao dia da árvore.

Mas Mato Grosso do Sul não é Mato Grosso do Sul se não tiver gado. A pecuária é uma das maiores fontes de renda do estado e imensas áreas de pasto são vistas em todas as fazendas da região, inclusive as dedicadas ao ecoturismo. Aliás, antes de explorarem o ecoturismo, eram todas pecuaristas - e eu chamaria o turismo nessa região de agroecoturismo, já que o ecoturismo é uma porcentagem da área total das propriedades rurais ali e já proporciona mais renda que o gado em algumas fazendas. Por lei, cada propriedade deve manter 20% de área nativa (e se não tiver mais, deve reflorestar). A maior parte das fazendas está em déficit ambiental com as regras do governo, entretanto.

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Vacas por todo o lado: eis a cena mais comum do Mato Grosso do Sul, o centro pecuarista do Brasil. Ao lado, fazendo a Cavalgada pelos pastos enquanto ouvia as histórias pantaneiras...

Como todos sabem também, gado não combina muito com sustentabilidade. Vale ressaltar que no Mato Grosso do Sul o gado não é confinado (cria-se em média 1 cabeça por hectare) e a abundância de água minimiza os impactos gerais da atividade ali - mas mesmo assim, ver tanto pasto incomoda em minha visão de ecoturista. O problema é, entretanto, muito mais complexo: a pecuária já é uma característica cultural daquela região, desde os tempos que o Paraguai ainda era o dono dessas terras. Tirar a pecuária dali é algo como tirar o samba do Rio de Janeiro, um fator gerador não só de impacto econômico como também de um impacto cultural complicado de se lidar. Há de se minimizar o impacto ambiental, portanto, sem deixar de lado questões humanas.

Com essa visão na cabeça, foi ótimo numa tarde sair para a Cavalgada pela fazenda do Rio da Prata. Confesso que eu não sou muito fã de cavalos e se dependesse de ser amazona estava no sal completo, mas é uma forma de lançar novas perspectivas a uma paisagem tão batida. Circulamos entre enormes áreas de pasto, num sobe e desce de grama sem fim, ao lado de inúmeras vaquinhas. Depois entramos num pedaço da RPPN (área de ecoturismo) e temos uma sensação muito diferente ao fazer uma trilha de mata em cima de um cavalo. A copa das árvores está mais próxima, o animal pára toda hora para comer (afinal, às vezes o bicho me controlava) e é possível ver detalhes "altos" da floresta ciliar muito interessantes.

Nosso guia de cavalgada era o Fábio, um típico pantaneiro. Conversamos bastante durante as 2 horas de cavalgada. Ele nos contou diversas histórias e estórias que envolviam pecuária e as diferentes "querelas" pecuaristas com politicagens e problemas indígenas, mostrou um lado da cultura pantaneira fascinante e suas palavras simples mas cheias de conhecimento prático deixaram um monte de novas questões sócio-ambientais para reflexão. Nem só de horta afinal vivem as atitudes ecoconscientes.

E se um "tour de sustentabilidade" não deixasse essas questões, não teria valido tanto a pena - pelo menos para mim.

O artista plástico Mark Jenkins, autor de instigantes esculturas construídas com fitas adesivas, promoveu um divertido protesto na capital americana semana passada em parceria com o Greenpeace local, para protestar contra a falta de ação do governo Bush para frear as emissões de gases do efeito estufa. Jenkins espalhou ursos polares pela cidade com cartazes pedindo ajuda, no estilo 'sem-teto' - veja abaixo a galeria de fotos:

Há outras fotos também no Flickr e um filme da atividade no Youtube:

O urso polar entrou recentemente para a lista de espécies ameaçadas de extinção por conta dos efeitos do aquecimento global em seu habitat natural que é o Pólo Norte. Mas mesmo com a Suprema Corte americana batendo o martelo em abril de 2007 para exigir que o governo americano levasse em conta o aquecimento global como grave problema climático, Bush e companhia deram de ombros para o problema. E está claro que se John McCain e Sarah Palin forem eleitos na eleição deste ano, a tendência é termos mais do mesmo - leia aqui um pouco do histórico ambiental da candidata a vice na chapa republicana. Palin foi governadora do Alasca nos últimos dois anos (justamente a terra dos ursos polares) e defende com unhas e dentes a reabertura das prospeções de petróleo no Refúgio Nacional de Vida Selvagem do Ártico - além de não acreditar que o aquecimento global seja provocado pelas atividades do homem no planeta.

Eu sinceramente não sei o que é pior: os futuros chefões do país mais poderoso do planeta fazerem pouco do aquecimento global e apoiarem a destruição de um dos últimos refúgios selvagens do planeta ou a população em geral dizer que está preocupada, mas pouco ou nada faz para mudar o status quo. E pior: coloca toda a responsabilidade em cima do governo, no bom e velho estilo de tirar o corpo fora. Os EUA e a Rússia querem explorar minérios e petróleo no Ártico, o Brasil tem o pré-sal, a França vende usinas nucleares pelo mundo como grande panacéia... é, tá difícil...

Mas vamo q vamo!

Saiu o novo ranking do Guia de Eletrônicos Verdes do Greenpeace. A lista traz a Nokia como líder, seguida de perto pela Samsung, Fujitsu Siemens, Sony e Sony Ericsson. A Nokia alcançou a liderança graças à sua política de reciclagem de lixo eletrônica. Na rabeira do ranking estão fabricantes de jogos eletrônicos como Microsoft e Nintendo.

Apesar de ter anunciado uma nova linha de iPods livre de substâncias tóxicas como PVC e mercúrio, a Apple ainda está na modesta 13a. posição, porque precisa melhorar em suas políticas de eficiência energética e reciclagem.

Mas no geral, a lista mostra que as empresas estão se mexendo para melhorar suas práticas, produzindo aparelhos menos poluidores e adotando políticas de reciclagem. O negócio é manter a pressão para que as melhorias não parem por aqui.

Veja aqui a lista completa.

O meio ambiente obteve duas belas vitórias nesta quarta-feira, que sinalizam importantes mudanças no paradigma de desenvolvimento em voga até o momento. Nos Estados Unidos, a Apple anunciou uma nova linha de iPods que traz como principal novidade o fim do uso de substâncias tóxicas como PVC, mercúrio e retardantes de chamas a base de brominato. Na Inglaterra, a Justiça absolveu seis ativistas do Greenpeace que bloquearam em 2007 uma usina termelétrica a carvão sob a alegação de que eles agiram em defesa do meio ambiente.

São vitórias significativas. A Apple há tempos vinha sendo criticada por ambientalistas por não dar atenção necessária à questão do uso de substâncias tóxicas em seus produtos e à necessidade de se criar um programa global de reciclagem. Steve Jobs chegou a dizer que a preocupação dos ambientalistas era bullshit, mas se mexeu e exatos dois anos depois do lançamento da campanha Green My Apple, do Greenpeace, mostra todo orgulho ao mundo seus iPods verdes. Clique aqui para ver as principais críticas ambientais feitas aos produtos Apple e aqui para ver os compromissos ambientais assumidos pela empresa.

Com o anúncio de hoje é bem provável que a Apple suba algumas posições no Guia de Eletrônicos Verdes do Greenpeace - na oitava edição, lançada em junho passado, ficou numa modesta 11a. posição, em 18 possíveis.

O caso da decisão da corte inglesa de absolver os ativistas do Greenpeace que bloquearam a usina termelétrica a carvão de Kingsnorth, em Kent, é ainda mais emblemático dos novos tempos guiados pelo respeito ao meio ambiente que deveríamos seguir daqui pra frente. Foi a primeira vez que a alegação de prevenção de danos provocados pelas mudanças climáticas foi usada em um tribunal. A defesa dos ambientalistas acusados de invasão e danos à propriedade privada contou com depoimentos de cientistas como James Hansen, diretor da Nasa que auxiliou o ex-vice-presidente americano Al Gore na produção do filme Uma Verdade Inconveniente.

Hansen explicou à corte que mais de um milhão de espécies serão extintas por causa das mudanças climáticas e que só a usina de Kingsnorth, que emite 20 mil toneladas de CO2 por dia, seria responsável pelo fim de aproximadamente 400 delas. O professor disse também que concorda com Al Gore quando o ex-presidente afirma que todos deveriam se acorrentar às usinas de carvão para impedir o seu funcionamento. "Alguém tem que começar a dizer basta às centrais elétricas de carvão", afirmou o professor durante seu depoimento.

Para Emily Hall, uma das ativistas que se acorrentou às chaminés da usina de Kingsnorth, o resultado do julgamento foi histórico. "Não éramos os únicos na cadeira dos réus, as usinas a carvão também estavam sendo julgadas e elas foram condenadas."

Ok, são duas vitórias em meio a um monte de derrotas - Angra 3, aprovação de algodão transgênico, EUA e Rússia querendo prospectar petróleo no Ártico, soja e gado invadindo a Amazônia - mas se é pra morrer, pelo menos que seja com as botas calçadas.

Li com atraso no World Changing que a revista Canadian Geographic aceitou um desafio supimpa: fez sua edição de junho com 60% de papel feito a partir de trigo. Aparentemente, os leitores não notaram a diferença, e a sensação do papel era a mesma do papel feito com a celulose do eucalipto.

A idéia de fazer papel a partir de trigo é extremamente interessante, a meu ver. Por 2 motivos: 1) utiliza-se o "galhinho" do trigo que é normalmente jogado fora pelos produtores - que aproveitam apenas o grão para suas vendas - dando portanto função a um "lixo" agrícola; 2) tira um pouco da pressão enorme que a monocultura tenebrosa plantação de eucalipto gera no ambiente [link via GReader do Tiagón].

Eu cresci no Espírito Santo, um dos maiores produtores de celulose do país (devido à presença da Aracruz Cellulose, talvez a empresa mais greenwashed que já vi). Nos quase 20 anos que vivi por lá, entre incontáveis descargas poluentes que a indústria liberava na calada da noite (o cheiro podre chegava na minha casa com frequência), muitas modificações no ambiente (e em outras "cositas") decorreram da produção em demasia de celulose do eucalipto. Eu ainda era criança, mas lembro do biólogo Augusto Ruschi dizendo nos jornais que o estado sofreria um grave problema hídrico se as plantações de eucalipto continuassem no ritmo que estavam - Ruschi já morreu, mas suas "previsões" foram acertadas: o Espírito Santo hoje tem uma área de 220 mil hectares considerada "deserto verde" (e crescendo...), onde só há eucalipto, lençóis freáticos secam a uma velocidade estarrecedora e o abastecimento de água é problemático.

Dado o gigantesco impacto que o eucalipto produz no ambiente, a notícia de reutilização de um subproduto do trigo para produzir papel é, a meu ver, muito esperançosa. Claro, melhor seria se economizássemos papel, ponto. Mas como na vida real a burrocracia humanidade em geral ainda insiste em existir no papel, tudo que posso dizer é: tomara que as dificuldades técnicas ainda existentes a produção via trigo sejam superadas, que se torne logo economicamente mais viável usar o trigo para fazer papel, e que em breve toda vez que a gente precisar usar papel, este seja de preferência com uma tecnologia mais ecoconsciente como esse de trigo parece ser, para aliviar um pouco o avanço desastroso do eucalipto pelo planeta.



A Toshiba exibe os mais recentes avanços de produtos e tecnologias ecologicamente conscientes na IFA 2008, em Berlim, Alemanha,até o dia 3 de setembro.


A Toshiba publicou a sua Visão Ambiental 2050, em novembro de 2007 e está promovendo vários programas, como melhorar o valor e a co-eficiência dos seus produtos e processos de negócios e reduzir o dióxido de carbono emitido pelos grupos de produtos Toshiba no equivalente a 117,7 milhões de toneladas por ano no ano fiscal de 2025 comparado com o ano fiscal de 2000.


Entre os produtos com tecnologias ecologicamente conscientes, a Toshiba apresenta a TV LCD, um modelo de baixo impacto ambiental , o 42XV515D, qom um controle avançado de brilho do monitor que reduz o número de iluminação contra-luz e pesa 19% menos que o modelo equivalente de 2006, o que reduz as emissões de CO2 em 173 g por dia, comparado com o modelo de 2005.

A Toshiba exibe também o modelo futurístico que integra um novo painel para conter o consumo de energia em 20% ,comparado ao modelo 42XV515D de 2008, equivalente à redução das emissões de CO2 de 216 g por dia, comparado com o modelo de 2005.


A Toshiba exibe também , a tecnologia da iluminação LED, que transforma diretamente energia elétrica em energia óptica e pode reduzir as emissões de CO2 sem nenhuma perda no desempenho ou brilho. Estas lâmpadas, E-CORE 60, possuem uma vida útil de 40.000 horas e consomem apenas um sexto da energia equivalente a uma lâmpada incandescente, reduzindo, assim, o impacto ambiental.


Outra novidade são os notebooks da marca "Excellent ECP" , série Portégé R500 , o modelo mais leve do mundo, na categoria de notebook com widescreen de 12,1 polegadas, a partir de 5 de junho de 2007. Sua tecnologia aumenta a eficiência e corta as emissões de CO2 em 69 g por dia, comparado com o modelo dynabook 2650 de 2000 . Também têm um gabinete feito com material que oferece resistência e durabilidade e duração da vida útil da bateria de até 7,5 horas.

Uma outra novidade é a SCiB, bateria de íons com supercarga, que recarrega até 90% da capacidade em menos de cinco minutos, e possui uma vida útil de mais de seis mil ciclos de carga-descarga, mesmo quando sujeitas a carga rápida.


Tomara que outras empresas tomem também esta iniciativa que visem a proteger o ambiente e não apenas a lucro desenfreado e irresponsável.


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Coming soon... from Greenpeace on Vimeo.

O Rainbow Warrior vai navegar entre setembro e dezembro deste ano pelo Mar Mediterrâneo em campanha contra a queima de carvão para a produção de energia. A ele se juntará o Artic Sunrise, outro barco do Greenpeace. O carvão é a principal fonte de energia da Europa e responsável direto pelo aquecimento global. A expedição tem como objetivo fazer campanha para que o mundo deixe de usar essa fonte energética altamente poluidora e invista na Revolução Energética que tem como base soluções mais baratas e limpas como eólica, geotérmica e solar, entre outras.

Por falar em geotermia, o pessoal do Google pretende investir US$ 10 milhões para produzir esse tipo de energia. Na página da divisão filantrópica do grupo, o Google.org, há detalhes do projeto, que tem enorme potencial. Na Islândia, por exemplo, a energia geotérmica garante 30% da eletricidade do país e 90% do aquecimento das casas e da água das residências.

Ok, a Islândia é um país micro com demanda por energia infinitamente menor do que os Estados Unidos ou Brasil, mas a geotermia tem potencial para providenciar eletricidade 24 horas por dia, sete dias por semana, a um preço mais baixo do que o do carvão - e sem os problemas ambientais deste. E está disponível em praticamente todas as regiões do planeta. Saca só o tamanho do recurso geotérmico disponível nos Estados Unidos.

A entrevista abaixo com Hermínia Maricato, professora, arquiteta e ex-secretária de Habitação da prefeitura de São Paulo (gestão Luiza Erundina, PT), foi feita para um jornal da grande imprensa mas acabou engavetada. Como quem tem amigo não morre pagão, caiu nas minhas mãos e faço questão de publicar. Só não entendi porque o material não foi aproveitado no site do jornalão...

Maricato vai direto ao ponto: a gente dá muita atenção para soluções cosméticas, como a Lei Cidade Limpa, enquanto coisas muito mais importantes ficam em segundo plano.

A professora lembra que, enquanto brincamos de limpar as fachadas da cidade (o que na prática é totalmente falso...), mal conseguimos nos locomover, respiramos ar poluído, bebemos água podre e ignoramos a situação de 1 milhão de pessoas que moram em favelas construídas em áreas de proteção ambiental simplesmente por não terem onde morar na cidade. Priorizar a retirada de anúncios das fachadas no meio de tudo isso é "ridículo", diz Maricato.

Como é ridícula também a falta de coragem dos políticos de tomar medidas duras para resolver alguns desses problemas. Veja o Kassab, por exemplo: ensaiou o envio de um projeto de lei à Câmara Municipal de SP instituindo o pedágio urbano na cidade, como parte da Política Municipal de Combate às Mudanças Climáticas, mas já desistiu - em ano de eleição, provavelmente ficou com medo de perder votos dos milhões de motoristas paulistanos. Faz tempo que acho que a medida é uma das melhores medidas para diminuir o tráfego de automóveis particulares pela cidade - juntamente com o rodízio ora em voga. Em Londres rola desde 2003.

Mas enfim, vamos à entrevista:

A professora e arquiteta e ex-secretária da habitação da prefeitura de São Paulo na gestão Luiza Erundina (PT), Hermínia Maricato fala nessa entrevista sobre a Lei Cidade Limpa de São Paulo. Segundo ela, é ridículo a cidade colocar essa limpeza como prioridade enquanto outras limpezas, como a do ar e da água, e outras necessidades, como a mobilidade, ficam em segundo plano.

No começo deste ano Hermínia lançou o livro "Brasil, Cidades: Alternativas para a Crise Urbana", publicado pela Editora Vozes. Ela é professora da Faculdade de Arquitetrua e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP).

Como a sra. avalia a Lei Cidade Limpa?
A questão vista isoladamente evidentemente é muito virtuosa. A lei se propõe a fazer uma despoluição visual na cidade, na paisagem urbana. E é interessante. Claro que, até mesmo olhando isoladamente, nós não deveríamos nos ater apenas aos anúncios, mas a toda instalação elétrica, que é ultra poluidora, à quantidade de fios, postes, o próprio calçamento, enfim normatizar um pouco muros, cercas, calçadas. O problema é quando, no contexto da cidade, essa lei ganha prioridade. É simplesmente ridículo.

Por que ridículo?
Porque você tem metade da cidade na ilegalidade. Então ele é um programa por excelência que segue uma orientação na gestão urbana no Brasil, que dialoga com a cidade legal, com a cidade da elite, com a cidade formal. Quando você tem metade da cidade na ilegalidade, acho que é preciso discutir como vai se aplicar a lei. Como você vai aplicar a lei só nas fachadas e numa parte da cidade? E se tenho 10% da população morando em favelas, por exemplo.

Mas aí questão não se torna mais difícil, mais complexa?
Claro que é uma tarefa complexa. Não é uma tarefa para uma gestão. Mas quando nós vamos ter uma lei efetiva em cidades como as nossas? Porque torná-la efetiva apenas nas fachadas, apenas em relação aos anúncios? Eu diria que é um governo de fachada, uma sociedade de fachada. Não que a gente não deva se preocupar com as fachadas. As fachadas são importantes em várias cidades do mundo e também no Brasil. Se você for para São Luiz do Paraitinga, existe uma recuperação que aumenta a auto-estima dos moradores, não só recuperação de fachada. A recuperação de fachada na França é matéria constitucional.

As fachadas são importantes mas há outras questões mais importantes?
Não quero dizer que isso não é importante, que não é objeto de uma política pública. Mas é ridículo quando isso é a prioridade. Principalmente em uma cidade onde os mananciais estão ocupados por uma população gigantesca, mais de 1 milhão de pessoas, morando em áreas de proteção ambiental simplesmente porque não conseguem morar na cidade. E a prefeitura está tendo uma atitude muito ruim com esses moradores porque ela está derrubando as casas e acusando-os de crime ambiental. Crime ambiental é da sociedade, que não provisionou essa população de moradia, que não tinha onde morar e acabou indo para os mananciais. Crime ambiental todas as gestões fizeram na hora que permitiram que essa população se instalasse ali. E ali o poder de polícia sobre o uso do solo é de diversas entidades dos governos federal, estadual e municipal. Então, quem cometeu o crime ambiental não é o sujeito, coitado, que está morando lá, em condições muito ruins, por sinal. A discussão, então, é um programa evidentemente classista. É uma visão da cidade de que a prioridade é cuidar das fachadas.

Nessa visão que a sra. critica a beleza, a limpeza, fala mais alto?
Não é propriamente beleza. Se você pega o exemplo do Time Square de Nova York, do qual todo mundo fala, é uma poluição bárbara. Agora, é um padrão. Um padrão que seria impossível em São Paulo com essa tolerância zero aí. Precisa ficar muito claro isso: essa lei não está sendo aplicada na cidade toda. Até porque se eu considerar uma parte da cidade, não são os anúncios que estão ilegais, são as ruas, as casas, tudo... É tudo! Se não encara essa fratura urbana, vai encarar o quê? A limpeza das fachadas? Mesmo considerando que ela é necessária. Não estou de forma alguma dizendo que ela não é importante, não é necessária. O que estou dizendo é que é um absurdo ela se tornar a prioridade e você não discutir as questões de fundo. Aliás, em uma cidade onde não se consegue nem respirar e onde a questão dos automóveis não está sendo enfrentada. E ela, sem dúvida, é uma prioridade.

Na visão da sra. a prioidade de São Paulo é outra?
Sim, a questão da mobilidade na cidade. A mobilidade por meio do automóvel é predominante. E isso novamente não é tarefa de uma gestão. Mas se essa sociedade e esses governos não encararam o problema da matriz baseada na circulação automobilística, essa cidade está absolutamente condenada. Aliás, moro aqui e está cada vez mais insuportável. Como você estabelece prioridades?

A cidade é limpa nas fachadas mas não cuida da limpeza do ar que respira?
Do ar que você respira! Da água que a gente bebe! Dos mananciais que estão ocupados por mais de 1 milhão de pessoas! É incrível essa nossa capacidade de botar a cabeça em um buraco que nem um avestruz e ignorar os problemas centrais. Incrível! E todo mundo bate palma! 'Tá bom, mas pelo menos...' Não tem pelo menos! Tem coisas que são prioritárias. São delas que nós temos que cuidar como prioridade. As fachadas nós vamos cuidar com a importância que elas têm.

A sra. acredita que o prefeito pode usar esse projeto Cidade Limpa como candidato à reeleição?
Ele usa muito. Foi um programa que fez um sucesso. E, diga-se de passagem, várias gestões tentaram aplicar a lei de anúncios e não conseguiram. Acho a lei exagerada. Não é necessário uma intolerância tão grande para que a paisagem urbana fique despoluída. Estou na rua e vejo, na mesma esquina, um poste de iluminação, um postinho que dá suporte às placas com os nomes das ruas, um outro postinho que sustenta a placa do trânsito, tudo isso na mesma esquina. E cheio de fios. Quer dizer, então está bom, vamos tentar começar um processo de despoluição não só dos anúncios. Realmente, é uma coisa de factóide mesmo e marketing. A despoluição é necessária, mas nem ela foi levada muito a sério.

Mas esse 'factóide', essa peça de 'marketing', como a sra. classifica, tem virtudes?
Não há dúvida de que há uma virtude no foco da coisa. Mas nós temos que abrir esse foco e falar: 'bom, em que nós temos que jogar nossa energia?' Diria que a questão da mobilidade em São Paulo é a número 1. Já tem técnico hoje fazendo cálculo do prejuízo para toda a sociedade. O fato é que esse prejuízo é distribuído. São as horas paradas das pessoas, profissionais, nos transportes. O preço de todo o suporte de ruas, de recapeamento, de sinalização de trânsito e, principalmente, como alguns professores da USP, meus colegas, estão apontando, o problema do custo na saúde. Nos dias piores os hospitais se enchem, principalmente de crianças e pessoas da terceira idade, porque o ar está irrespirável na cidade. Tenho um jardim com horta em casa e é impressionante. Você pega uma folha de couve, ela está coberta, negra. Se eu não regar, cuidar, aquilo vira uma casca em cima da planta. E é isso que vai para os nossos pulmões. E ainda tem os acidentes, que diminuíram mas ainda continuam muito altos... Os custos com combustíveis... Que contribuição estamos dando para o planeta? O que é mais importante? Alguém pode falar: 'mas ele está fazendo outra coisa, fez isso pelas fachadas'. Então, a lei dos anúncio adquiriu principalidade.

O pessoal da comunidade Permacultura lá do Orkut acaba de dar um presentão pra gente: a versão brasileira do filme A História das Coisas, da ativista Annie Leonard, que já foi visto por mais de 3 milhões de pessoas em mais de 200 países!

Os autores da façanha mantêm um site bem legal, o Permear, que vale a visita. Valeu, galera!

Sem mais delongas, aqui está o filme dublado!


(O pessoal da Hesperian Foundation se voluntariou para produzir DVDs do filme e distribui-los. Se você está interessado, manda um email para stuff.for.allison@gmail.com e pede o seu!)

Demorou mas Rex Weyler enfim atualizou sua série sobre as origens do ativismo, ambientalismo e do Greenpeace, publicando dois novos textos no site do grupo. E que textos!!

Estamos no limiar de grandes mudanças de paradigmas de desenvolvimento e sociais, e o que Rex faz com propriedade é nos alertar para estarmos preparados. Ou nos mexemos agora, priorizando a sustentabilidade, o consumo responsável e o respeito ao meio ambiente, ou vai ser um baita barata-voa no meio do caos.

O primeiro texto, O Fim do Preço (aqui a íntegra, em inglês), começa assim, numa tradução livre minha:

Nos anos 80, pescadores capturaram a última beluga no Mar de Azov, fonte do valioso caviar, e o peixe selvagem do Mar Cáspio fracassou em se reproduzir. A captura desse tipo de peixe despencou em 95% e o custo do caviar disparou. Tal crescimento extraordinário no preço é conhecido como 'hiperinflação', ou como o economista Eric Sprott diz, "a síndrome do caviar".

Isso pode soar trivial, mas a hiperinflação se torna crítica quando se trata de commodities como óleo, gás, cobre, zinco, água ou madeira, todas elas cada vez mais raras em escala global. A civilização industrial já prospectou o melhor e mais acessível desses recursos. Belugas podem se recuperar se deixarmos elas em paz, mas cobre e óleo não se reproduzem.

Conforme a humanidade vasculha as regiões mais inóspitas do planeta por recursos, entramos em um novo período histório em que algumas commodities vitais não mais terão seu tradicional preço de mercado ligado à demanda, mas sim ao custo do acesso a elas.


Vale ressaltar um outro trecho do primeiro texto:
Os custos ambientais e sociais de se fazer negócios nunca aparecem nos orçamentos operacionais de empresas bilionárias. Dinheiro público e lagos tóxicos não aparecem nos balanços financeiros. Por que? Porque não seria rentável. Investimentos do setor público e da natureza não ganham opções de ações, apesar dos magos do mercado livre precisem desses investimentos para evitar o choque contra a parede. A estratégia do mercado livre para evitar o muro é: socializar os custos, privatizar os lucros.

E para garantir os recursos necessários para a vida perdulária que vivemos hoje, os países estão dispostos a partir pra porrada. Ou, segundo as palavras de Zhng Wenmu, pesquisador do Instituto de Relações Internacionais Contemporâneas da China, citado por Weyler, "uma grande potência é aquela que controla mais recursos e nunca houve um caso na história onde isso é obtido por meio da paz."

E conclui:

Vemos agora que nossas economias galopantes dependem de dívidas enormes, guerra, abuso, desperdício. Os rios morrem, espécies são extintas, florestas desaparecem, desertos crescem e pessoas sofrem. Esse estado das coisas sinaliza uma disfunção social em escala global. O mundo industria revela um comportamento sociopata e 'ecopata'. Cidadãos inocentes às vezes parecem traumatizados, mesmo quando fazem o seu melhor para permanecerem otimistas e aplicam soluções criativas.

Daly, Henderson, Ayers, Mark Anielski, Nicholas Stern e muitos outros economistas descreveram teorias econômicas mais acuradas que reconhece o valor natural e a autêntica qualidade de vida. O que a sociedade tem que aprender é:

A ecologia é a economia.

Tudo que usamos, toda inovação tecnológica, todo empreendimento humano ou simples prazer depende do planeta. Economistas ignoram a ecologia, para o nosso perigo. O fim do preço convencional coloca a ecologia e a natureza em perspectiva apropriada: não tem preço.


No texto mais recente, Pico do Petróleo Muda Tudo (aqui a íntegra, em inglês), Rex discorre sobre as mudanças que teremos na moderna sociedade de consumo devido aos custos cada vez mais altos dos recursos naturais e energéticos (petróleo, por exemplo) necessários para prover economias em desenvolvimento como Brasil, China e Índia.

Ou nas palavras dele:

Pico do óleo não é uma teoria, mas uma simples observação de uma ocorrência comum natural. Pico do óleo é apenas um sintoma de um crescimento populacional exponencial, com demandas exponencialmente crescentes, alcançando os limites mundiais de todos os recursos.

"O pico do óleo tem sido uma realidade há tempos para a indústria do petróleo", afirma Anita M. Burke, ex-consultora da Shell sobre Mudanças Climáticas e Sustentabilidade. Em 2007, Dr. James Schlesinger, ex-secretário americano de Defesa e Energia, afirmou: "Se você conversa com os líderes da indústria, eles admitem... estamos enfrentando um declínio dos combustíveis líquidos. A batalha terminou."

E o que vem por aí?

A era pós-pico do óleo vai requerer novos padrões de desenvolvimento humano e estratégias que se alinhem aos limites do crescimento. A humanidade não tem novos continentes para explorar ou planetas para ocupar. Nações industriais podem perfurar o Ártico e cavar em areias sujas de alcatrão, mas nada disso vai aumentar ou mesmo equiparar a abundância passada de combustível líquido barato que já consumimos. No entanto, o atual momento em que a produção de óleo chega a um teto é menos relevante do que nossa preparação para o impacto...

... Nossas economias foram construídas com óleo barato. Desenvolvimento mal planejado deixou para trás florestas arrasadas, lagos tóxicos, erosão do solo, espécies perdidas para sempre, ar poluído, rios mortos, aquíferos contaminados e desertos em expansão.

A solução? Algumas dicas:

Relocalizar: Pensar globalmente, consumir localmente. Se vai estudar finanças internacionais, talvez seja interessante fazer alguns cursos de permacultura também.

Preservar fazendas: Cidades dependem da produção de alimentos e por isso é uma boa idéia ter fazendas por perto. Canberra, capital australiana é assim: fazendas ficam entre os bairros! Alguns parques também.

Mudança no padrão da comunidade: Toda distribuição da atividade pública, espaço público e áreas residênciais devem ser adaptadas para o uso de menos combustível e consumo de recursos.

Espaços urbanos verdes e produtivos: Mais áreas verdes, mais transporte público, mais ciclovias.

Viva o transporte público: Automóvel só para o essencial. Mesmo. Para muitas coisas, é melhor andar, ir de bicicleta, pegar um ônibus ou trem. Cidades inteligentes têm que ser planejadas para evitar ao máximo o deslocamento motorizado.

100% de reciclagem: A natureza recicla tudo. Nós também podemos. É possível viver num mundo sem lixo. Experiências nesse sentido já podem ser vistas no Japão e na Escócia, por exemplo.

A dica light de leitura para esse fim de semana é de um post do Going Green Travel, onde se sugerem dicas para fazer uma viagem de mergulho mais ecologicamente saudável.

Mergulho é uma atividade relaxante que te põe em contato direto com a natureza, e onde você aprende muito sobre limites: seus e do ecossistema. Eu viajo bastante pra mergulhar, e sei que às vezes não dá pra escolher o serviço a ser utilizado - em locais remotos muitas vezes só há uma operadora de mergulho, um hotel, etc. Mas se você tem opções, faça através de uma empresa que apresente um serviço mais verde. Investigue, procure, pergunte, esclareça.

E o meio ambiente agradece no final das contas a escolha menos impactante das suas férias. :)

Os banbanbãs do mundo se reuniram no Japão para discutir mudanças climáticas, crise alimentar e comércio mundial, e mais uma vez decepcionaram. Disseram que topam reduzir 50% de suas emissões de CO2, mas só em 2050 e sem abrir mão de termelétricas a carvão! Ainda tentaram desfibrilar a cadavérica agenda nuclear, num claro deboche aos anseios do planeta por um desenvolvimento sustentável e baseado em fontes renováveis de energia.

No quesito agricultura, insistem no sistema industrial, que serviu a um propósito no século passado, mas a um custo muito alto - poluição do solo e dos rios, uso excessivo de produtos tóxicos, concentração da produção e distribuição de alimentos. O que mais espanta é que o discurso do G8 no Japão ignora solenemente a avaliação feita por especialistas reunidos pela ONU na África do Sul no início deste ano, de que a agricultura industrial faliu, está num beco sem saída, e não é a solução para a crise de alimentos.

Veja o agronegócio brasileiro. É praticamente todo voltado à exportação de grãos, para alimentar animais lá fora, que são consumidos por uma ínfima parte da humanidade. O que sustenta a barriga do brasileiro é a agricultura familiar, responsável por 70% da produção de alimentos do país. E o relatório produzido pela reunião da ONU (uma espécie de IPCC da agricultura) aponta justamente essa agricultura familiar - e a agroecológica e orgânica - como solução para produzir mais e melhores alimentos.

Mas o que esperar de gente como Bush ou Berlusconi? O primeiro, aliás, é um dos principais responsáveis por toda essa crise alimentar, com suas guerras, incentivos à indústria do petróleo e à insana produção de etanol com milho e quetais - até o Banco Mundial atestou, em relatório sigiloso, que esse tipo de biocombustível é responsável direto pelo aumento nos preços dos alimentos. Se não fosse pelo jornal The Guardian, o documento não sairia da gaveta... A ONU já tinha avisado em maio sobre a possibilidade do caos acontecer e titio Fidel também (aliás foi o primeirão).

Em suma: no que depender desses caras do G8, o status quo do desenvolvimento mundial continuará o mesmo. Pelo menos nas próximas décadas. Mas a gente é chato pacas e vamos continuar na cola. Eles podem enganar muitos durante muito tempo, mas não todos por todo o tempo.
Todo mundo já conhece (ou deveria conhecer) o desenvolvimento sustentável e o consumo consciente. Mas, será que existe um consumidor realmente consciente, daquele que busca encontrar o equilíbrio entre atender suas necessidades básicas e o impacto do seu consumo no meio ambiente?


Uma professora referiu-se a esta questão como sendo "coisa de velho gagá; besteira". Será que o fato de uma tonelada de pedacinhos de papel reciclados poderem substituir o corte de 15 a 20 árvores é besteira? Será que uma pessoa que tem consciência de que seus atos de consumo afetam não só a ela mesma, mas a todos que vivem neste mundo e, principalmente, às futuras gerações, é um "velho gagá"?

É óbvio que há consumidores engajados, que se esforçam para economizar os recursos naturais, mas não radicalmente. E eu me incluo neste grupo. Ainda não pratico amplamente o consumo consciente. Utilizo muito o carro, por força das circunstâncias, e sei que contribuo para aumentar o lançamento de gases na atmosfera. Ainda não consegui reciclar ou reaproveitar todas as embalagens que trago para casa. Mas tenho procurado diminuir o consumo de alimentos de origem animal; levo minha sacola às compras e reutilizo as que eventualmente traga para casa; não tenho eletrodomésticos, como aspirador de pó, ar condicionado; utilizo gás natural no fogão e no chuveiro; e outras atitudes relacionadas ao consumo de água e energia, por exemplo.

Há também aqueles que praticam o consumo consciente, apenas para evitar desperdícios, por economia mesmo. Esses nem têm a opção de consumir desenfreadamente. Para eles o reaproveitamento de materiais e a reciclagem é até uma questão de sobrevivência. Estão conscientes de que seus aparelhos em stand by são responsáveis por até 15% do valor da conta de luz, por exemplo. E, ao pensarem em seu bolso, beneficiam o ambiente em conseqüência de suas necessidades econômicas.

Porém, o pior de todos é o consumidor indiferente, como aquela professora, que não se importa nem um pouco em rever seus hábitos de consumo por julgar que qualquer ação seja ineficaz para diminuir o impacto nocivo de suas emissões sobre o planeta, e que tais atitudes são besteira de "velhos gagás", que acumulam cacarecos e ficam remendando as coisas para reaproveitá-las.

E você, é um consumidor consciente, que considera todas as suas práticas importantes para diminuar o impacto ambiental; ou um consumidor engajado, que se esforça para economizar, mas não é tão radical, como deixar seu carro em casa e trocar uma bela picanha por lentilhas; ou é um consumidor indiferente a questões ambientais e também nos considera "velhos gagás"?

Que tipo de consumidor é você: consciente, engajado ou indiferente?

Para aquela professora, eu sou uma velhinha bem gagá...

imagem: daqui

Eis que um termo relativamente novo (pelo menos para mim...) vem aos poucos chegando à mídia: greenwashing (Amigos publicitários: existe uma palavra em português para isso?). Seu significado é simples: a propaganda de uma empresa com o intuito de (tentar) ser ecologicamente correta mas que não o é de fato. Ou seja, propaganda ambiental enganosa, omissa ou incoerente com o valor ambiental do negócio gerido.

O greenwashing veio na cola da onda verde e do aumento médio da preocupação das pessoas por questões ambientais e da saúde do planeta. Foi a reação das indústrias ao aparecimento de um novo tipo de consumidor, o "engajado verde". Num texto da Business Ethics, encontrei um exemplo didático de greenwashing: a Ford lançou a SUV Hybrid em 2004, que usava o combustível de forma mais "verde" - mas "esqueceu" de avisar aos consumidores na propaganda que só produziria 20,000 unidades por ano, quando sua produção da nada ecológica linha das F-1000 e afins era de mais de 80,000 por ano. Ou seja, o "carro verde" da Ford era apenas uma parte da história publicitária, a parte que lhe convém mostrar e que joga para debaixo do tapete todo o péssimo posicionamento em emissão de carbono que seus carros possuem. A Ford produziu na verdade uma ação marketeira de greenwashing, pura e simples.

(Parênteses: Há quem diga que capitalismo e proteção ambiental são excludentes. Eu prefiro acreditar no caminho do meio, de que é possível se preservar e levar uma vida mais ecologicamente saudável pressionando-se o sistema a mudar um pouco. Suas bases mais profundas são insustentáveis, mas pequenas mudanças na visão capitalista podem ser feitas, em minha opinião, para abocanhar uma parcela de benfeituras verdes. Fim do parênteses.)

Devemos sempre se lembrar que o mínimo de consumo é a melhor ação ecológica atual pelo planeta, mas há momentos infelizmente em que o consumo não dá para ser evitado - pelo menos para a média da população. Por exemplo, quando você tem um bebê, é praticamente impossível não comprar fralda (de pano ou plástica). Você precisará consumir um desses 2 tipos de produto, e é aí que o melhor a fazer é verificar o comportamento da empresa que está lhe oferecendo tal produto. É exatamente nesse momento também que você precisa ficar atenta ao greenwashing que as empresas andam adotando.

Felizmente, já existem alguns sites e fóruns pela rede que auxiliam o consumidor a detectar se está sendo "greenwashed". E avisam quando não está, ou seja, quando a empresa é coerente e realmente se compromete com a questão ambiental. O primeiro que cito é o Evo.com, uma espécie de portal que avalia diferentes produtos do nosso dia-a-dia e que traz também vários guias para a compra consciente desses produtos. O Greenwashing Index , por sua vez, permite aos usuários logados avaliarem os comerciais vistos nos diversos meios de comunicação atribuindo a eles um índice, que vai de "good ad" até "totally greenwashed", além de agregar notícias sobre greenwashing. Vale ressaltar que certos nichos empresariais, como bancos, embora se esforcem com "cartões de crédito verde" e afins, parecem nunca conseguirem bons índices. ;)

No Brasil, poucos sites se dedicam a detectar buracos no discurso vazio das propagandas. Muito ainda depende da consciência crítica pessoal de cada um, e sem possuir uma ferramenta que integre toda a informação publicitária de "sustentabilidade", fica mais difícil separar o joio do trigo na publicidade. Passeando pela rede, encontrei no blog da Sustentabilidade e no portal Propaganda Sustentável um pouco dessa discussão. Mas adoraria imensamente conhecer novos endereços com a mesma finalidade, para deixar aqui como referência a todos, e aumentar o leque de opções ao consumidor que quer ser verde de verdade, e não greenwashed. Dicas são muito bem-vindas.

Destaques da nova edição do Guia de Eletrônicos Verdes, do Greenpeace:

* Palmas para a Sony, que lidera o ranking por ter eliminado praticamente 100% das substâncias tóxicas de seus produtos e por ser altamente eficiente energeticamente.

* A Apple vem melhorando significativamente nos diversos critérios que compõem o ranking - substâncias tóxicas, eficiência energética, impacto da produção da empresa no clima. Steve Jobs esperneou adoidado quando o Greenpeace colocou o dedo na ferida, com a campanha Green My Apple, mas como não é bobo nem nada, foi à luta e começou a prestar mais atenção à produção sustentável.

* O uso de energia renovável pelas empresas tem aumentado significativamente. A Nokia é líder no quesito: 25% da eletricidade usada pela empresa vem de fontes renováveis.

* Microsoft e Nintendo continuam na rabeira do guia, já que pouco ou nada fazem para tornar seus produtos - Xbox e Wii - mais verdes. Ainda usam muitas substâncias tóxicas, não têm programas de reciclagem e a produção dos consoles tem alto impacto no clima.

Das 18 empresas presentes no ranking, apenas duas marcaram acima dos 5 pontos - Sony e Sony Ericsson. E nenhuma delas teve um desempenho equilibrado nos três quesitos avaliados: lixo eletrônico (reciclagem), uso de substâncias tóxicas e impacto no clima (eficiência energética na fabricação dos produtos). E quem sofre mais com isso são os países em desenvolvimento, principalmente os asiáticos, que recebem boa parte do lixo eletrônico (celulares, computadores e eletrodomésticos) dos países ricos. Estima-se que hoje sejam produzidas 50 milhões de toneladas desse lixo - ou 5% de todo o lixo produzido pela humanidade.

Sinceramente? Essa questão do lixo eletrônico - aliás, de qualquer tipo, PET, sacolas plásticas, automóveis, etc - só será resolvida quando algum governo ou legislador tiver peito o suficiente para peitar a indústria e obrigá-la a se responsabilizar por todo e qualquer lixo que seus produtos gerarem. Quem sabe aí os caras se empenhem em investir numa produção sustentável pra valer? O consumo é um grande vilão ambiental, mas a mudança nos hábitos das pessoas tem que vir acompanhada de uma produção industrial mais responsável. Esse é o caminho para a desejada mudança de paradigma, de uma sociedade acumuladora de bens para usuária de serviços - como vem ocorrendo na internet.

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Volta e meia alguém vem com o papo de que o Greenpeace defende os interesses dos países ricos, europeus principalmente, e por isso fica enchendo o saco no Brasil para impedir que o país se desenvolva. O argumento é tosco per se, mas fácil de rebater. É só mostrar que o grupo atua em 41 países, vários dos quais ricos - EUA, Holanda, Alemanha, Inglaterra, Japão, etc. O cansativo é ficar catando links das páginas do Greenpeace desses países com as ações contra crimes ambientais que rolam por lá, pra mostrar que o grupo enche o saco aqui, ali, acolá, em todo lugar, pelo meio ambiente.



Pois eis que surge um site que reuniu tudo num espaço só, Greenpeace Online, criação do blogueiro Pepijn Koster. Toda notícia atualizada na página do Greenpeace EUA, Suécia, França, Canadá, México, Argentina e outros aparece nela também, graças ao tal do RSS. O Brasil ainda tá de fora, por problemas técnicos, mas já já será incluído.



Koster é editor da página My Favourite Places, dedicada a notícias sobre o mar, biodiversidade marinha, conservação e uso sustentável dos recursos do mar. É de lá essa imagem abaixo, sobre o total de reservas marinhas existentes hoje no mundo. Pouco, né?


Por falar em proteção dos mares, o Greenpeace lançou recentemente uma lista vermelha das espécies marinhas que sofrem com a pesca predatória e cujas populações podem entrar em colapso muito em breve. A idéia é conscientizar as pessoas para que não comprem esses peixes, crustáceos e afins.

Na lista estão o atum, o salmão do Atlântico, o bacalhau do Atlântico, tubarões (como bem lembrou minha colega de blogagem Lucia Malla), o peixe-espada, o marlin e o camarão tropical, entre outros. No Brasil, a corvina, badejo, sardinha e tainha são algumas das espécies que beiram o colapso.

Portanto, quando for à peixaria, supermercado ou restaurante, tente não comprar essas espécies. Se informe sobre os problemas que elas enfrentam, converse com seus amigos e familiares sobre o problema e seja consciente nas escolhas. Em vez de pastinha de atum, porque não de azeitona? O temaki não precisa necessariamente ser de salmão e o bacalhau da Páscoa pode ter sua história milenar religiosa, mas do jeito que a coisa tá, vai virar lenda rapidinho...

Sou publicitário. Pouco entendo de biologia, ecossistemas ou conservação da natureza além do que vejo e leio em textos e jornais diariamente. Contudo, através dos olhos de quem conhece a teoria da comunicação e sabe até que ponto ela pode - e, com efeito, consegue - interferir na capacidade decisória das pessoas, eu vejo a questão da degradação do planeta por um outro prisma. Fala-se muito da vontade política - ou da falta dela - como fator preponderante na conscientização das populações quanto às questões relacionadas ao meio ambiente. Tudo, sob esse aspecto, é trabalhado ao nível da macro-economia, da macro-energia, da macro-produção de alimentos... e na verdade, isso tudo é uma ilusão. Porque quem degrada o meio ambiente e o planeta não é o macro, e sim o micro. 

Por exemplo, fala-se muito na questão da poluição causada pela queima de combustíveis fósseis e em sua possível mudança para a queima de biocombustíveis, mais limpos e menos agressivos. Vamos lá, quem consome esse combustível todo? Automóveis, certo? Não, não apenas. Automóveis, caminhões, navios, trens a diesel, indústrias... tudo isso consome combustível. Tudo começou, na verdade, com trens, navios e indústrias e o consumo de carvão, na época da Revolução Industrial do século XIX. Dois séculos depois, há tecnologia suficiente para que motores à explosão não fossem mais necessários. Por que eles ainda são fabricados? Por causa do lobby da lucrativíssima indústria de petróleo, certo? Não. Quem afinal consome o que é produzido pela indústria de petróleo? Quem usa. E quem usa? Indústrias, transportadores e... donos de automóveis. Agora vem a questão primordial. Interessa à indústria ou a grandes transportadores que tipo de energia move suas máquinas? Sim, mas pelo custo. Se mover tudo à eletricidade fosse mais barato e eficiente que mover tudo a gasolina e diesel, a indústria e os transportadores mudariam de foco, é óbvio. Mas não os donos de carros. Afinal de contas, quem de nós já sonhou com uma Ferrari elétrica que chegasse a fantásticos... 110 km/h, quando uma a gasolina puríssima de alta octanagem pode chegar próximo aos 400?

Isso é um exemplo que pode ser transposto a dezenas de áreas de atuação do mercado. Roupas, equipamentos eletrônicos, material esportivo, brinquedos, alimentos. É o glamour da exclusividade, a exacerbação dos desejos incutidos na população pela publicidade o que torna quase impossível, por exemplo, que um governo se atreva a banir certos produtos e indústrias nocivos ao ambiente. O mercado colocou na cabeça do ser humano que ele pode tudo, bastando apenas pagar por isso. 

Bem, eu concordo: cerceamento de liberdade é algo abominável. Mas, falemos a verdade: ninguém precisa andar a mais de 110 km/h numa rua da cidade ou mesmo numa rodovia. A tecnologia para que os automóveis fossem limitados eletronicamente a velocidades limites em determinadas vias existe desde o tempo da primeira guerra. Porque não se usa? Por que não se faz isso e se salva milhares de vidas por ano? Ora, porque as pessoas compram carros potentes para poderem usufruir de sua potência, para deixar fluir a testosterona e a libido mostrada nos anúncios por suas veias. Queimar gasolina em grandes quantidades é um símbolo de status e poder, muito associado aos americanos e suas banheiras de oito cilindros, mas plenamente compartilhado com o resto do planeta. Ninguém quer abrir mão: quem compra o carro, quem fabrica o carro, quem constrói a rodovia e quem produz o combustível.

O mundo é movido, em grande parte, pelo desejo do luxo, pelo desejo do supérfluo, pelo desejo do conforto. Eis a China e sua nova economia como prova cabal disso. Se o planeta produzisse somente o necessário, a demanda ainda seria excessiva. Mas o que ocorre é o contrário: o planeta produz em excesso e a população é levada a querer consumir muito mais do que precisa. E isso, no final das contas, é luxo, e é o luxo que move o mundo e é o luxo que destrói cada dia mais este mundo que já não pode se dar tanto ao luxo de tamanho desperdício.

(Texto escrito pelo caríssimo Marcos VP, e enviado por email. Marcos VP também quer fazer a sua parte na disseminação da idéia de vida verde. Adoramos que ele teve a iniciativa de escrever para a gente, muito valiosa. Obrigada, Marcos! Se você quiser também enviar um texto para ser publicado no Faça, o email do blog é: facaasuaparte ARROBA gmail PONTO com. Aguardamos com carinho!) 

UPDATE: A discussão sobre esse texto está supimpa lá na caixa de comentários do Marcos. A viagem até lá é recompensadora.

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"Um pequeno passo para o homem, mas um grande passo para a humanidade"...pois é, cresci com a conquista espacial, a chegada do Concorde, do TGV, do transplante de coração, da popularização dos eletrodomésticos e com a idéia de que a ciência e sua filha a tecnologia traziam resposta a tudo e que seu objetivo bem-estar e a felicidade. Tornei-me cientista, aprendi a experimentar e analisar e principalmente manter a mente aberta...e paradoxalmente foi daí que vieram alguns sinais de alerta sobre a concepção do mundo adotada por mim e pela minha geração.

Tudo começou quando conheci a filosofia de Gandhi e sua visão sobre a educação e sobre a tecnologia. Ele apregoava que se deveria ensinar nas escolas trabalhos manuais e artesanais de forma que todas as pessoas e comunidades se tornassem autônomas em relação à própria subsistência simplesmente com o trabalho de seus próprios braços. Na época, isto foi visto como mais uma forma de resistência ao modelo econômico do ocupante ocidental e ele nunca foi adotado na Índia. Mas isto me conduziu à reflexão : "Realmente se cada um pudesse subsistir simplesmente com seu trabalho manual em seu próprio campo, não haveria fome no mundo nem tanta desigualdade".

Mas será que o ser humano se contenta em simplesmente sobreviver? Depois de satisfazer suas necessidades básicas, ele não encontrará sempre outras mais sofisticadas que, se não estão ao alcance do trabalho de suas mãos, ele vai desenvolver "máquinas" para realizá-las?  Então negar o advento da "máquina" não seria negar o próprio intelecto humano? E não é este, fruto de seu cérebro super-desenvolvido em relação aos outros animais, que a espécie humana, que não foi dotada pela natureza de força, ou de garras, ou de pelos para se proteger do frio, conseguiu sobreviver neste planeta? E no momento que pela primeira vez ele acendeu o fogo, ou utilizou a roda, ou se sedentarizou construindo habitações para se abrigar das intempéries, ele já estava usando seu intelecto e criando ciência e tecnologia. Esta criatividade é inerente ao ser humano, não podemos simplesmente impedir o cérebro de funcionar e procurar soluções...

O problema não é a tecnologia em si, mas a utilização que é feita desta, as soluções por ela proporcionadas podem se tornar problemas em função do contexto. Muitas vezes a engenhosidade se alia à sede de dominação para causar estragos enormes, como todas essas guerras que pontuam a história. E esta ânsia de poder e de prazer levou a espécie humana a não respeitar os limites existentes em relação aos recursos do planeta e ao espaço vital das outras espécies presentes nele, nem mesmo de outros seres humanos, o que criou um desequilíbrio perigoso. E se este continua no ritmo atual, a sobrevivência do homem na Terra e o seu modelo de desenvolvimento são incompatíveis. Não por causa da ciência ou da tecnologia em si, mas do modo como são empregadas. Estará então a espécie humana condenada a desaparecer?

É aqui e agora que devemos decidir isto, para as próximas gerações será muito tarde. Acredito que a solução pode vir da ciência e da tecnologia sim. Elas só precisam incorporar em suas realizações o conceito da sustentabilidade, remediar os erros  já cometidos contra o planeta (quando ainda for possível) e ter em mente que não existe outra alternativa. É uma nova equação para a ciência e para o intelecto humano e de sua solução depende o futuro da humanidade. Estaremos à altura para resolvê-la?

BXK13856_cerrado800 cópia.gifNa narrativa da Arca de Nóe, por ocasião do dilúvio, em determinado dia êle soltou uma pomba e a mesma retornou com um ramo de uma árvore. Era a vida de volta ao mundo!
Na história geológica, só houve surgimento de vida após um período de evolução química, quando surgiram os microorganismos e as primeiras rochas sedimentares. Era o início da vida? Não se sabe, pois na época em que estes primeiros organismos apareceram não havia nenhum oxigênio livre, como há agora, mas uma atmosfera composta de metano, gás carbônico, e hidrogênio. Os microorganismos deste período utilizaram metano ou hidrogênio no lugar do oxigênio no metabolismo, estes então eram organismos de metabolismo anaeróbico; eram heterótrofos, apenas tempos depois apareceram os organismo autótrofos.
Mas vamos deixar estes "bichos" estranhos de lado.
 E daí? O que tem a ver com florestas? Ufa! Tudo!
Pesquisadores já concluiram que há 20 milhões de anos não existia a Floresta Amazônica, nos padrões atuais. Tudo por aqui era um clima árido demais para suportar uma exuberante floresta tropical. Então, ela só foi existir há 6 milhões de anos, após idas e vindas do mar e com as bençãos da pródiga natureza.
Significaria que por ela não existir anteriormente, os exploradores e moradores locais tem o direito de desflorestar e transformar o ambiente amazônico em um local árido e de futuro restrito?
Não acredito que esta seja a melhor solução. Esta floresta é um depósito de energia mundial. É o nosso "sumidouro de carbono".
Mas, mesmo que tentem transformar esta região em um imenso cerrado, a ação intempestiva demoraria alguns milhões de anos para se transformar nessa catástrofe. E se chegar a ser um cerrado degradado, não teria as mesmas condições de biodiversidade que um cerrado original, uma savana riquíssima em biodiversidade.
As oportunidades de exploração devem ser iguais para todos os que habitam e usam as florestas para fins comerciais, esportivos, de lazer, agropecuários ou conservacionista.
Então,  se eu quicopaiba1.jpgser "ceder" minha parte de floresta para alguém explorar está correto? E se eu não der a permissão e um explorador usar isto indevidamente ele deveria ser punido?
Infelizmente, o nosso processo democrático permite que deixemos nas mãos (nem sempre limpas) dos parlamentares (que muitas vezes nem elegemos ou votamos) e dos executivos deste país, o desejo e a satisfação de poucos.
'Tá certo que necessitamos satisfazer as necessidades e, por isso apelamos para as florestas para explorar as riquezas naturais. Agropecuária, mineração, exploração florestal são alguns dos itens que são extremamente importantes e economicamente disputados pelos homens.
Mas, com o olhar desenfreado de cobiça dos exploradores acontece a devastação das riquezas naturais das florestas. E ela se "vinga" com o desaparecimento de rios e córregos, com  a "invasão" dos animais selvagens nas zonas urbanas, com o excesso de chuvas ou secas demoradas...
garimpo.jpg Os garimpeiros, para alcançar  o aluvião  aurífero, promovem o desmatamento desenfreado ao redor dos igarapés e, sem se preocupar com o seu e nosso amanhã, por desconhecimento ou por ambição vão "matando" suas fontes de subsistências naturais. Nas associações garimpeiras existem poucos técnicos dedicados a usar seus conhecimentos em prol da causa ambiental. Assim, ainda não conseguimos transmitir os programas de sustentabilidade ambiental para a classe. Mas já existe a preocupação sobre este tema e está sendo desenvolvido paulatinamente em Itaituba, pela AMOT.
Um pesquisador (meu irmão) florestal me mostrou que os gestores municipais nunca se preocuparam em adornar as avenidas e ruas com os espécimes bonitos que ocorrem na floresta amazônica. Preferem trazer palmeiras imperiais aos taxizeiros ou samaumeiras, plantam acácias ao invés de visgueiros, deixam de trazer conhecimento (pela plantação) ao povo urbano sobre mogno, ipê,  louro e tantas outras espécies amazônicas. Misturar estas a palmeiras amazônicas, como tucumã, inajá, buritirana, pupunha, açaí e outras espécies de classificação desconhecida foram muito pouco ou nada utilizadas para o paisagismo, que traria a beleza natural ao ambiente amazônico urbano.
Os indígenas mais velhos sabem que uma floresta em pé gera mais recursos naturais que se ela for derrubada para criação de pastos, mas os mais novos, com o aumento da população indígena promovem a derrubada de árvores para aumentar os pastos de bovinos e a agricultura de subsistência.
E à medida que aumenta a população indígena, seus valores de sustentabilidade vão diminuindo. Muitos já se dedicam a garimpagem aurífera, sem estudo geológico ou planejamento mineral, vão destruindo as matas ciliares e sua fonte de vida (os igarapés) vão diminuindo paulatinamente. E alguém poderia argumentar que antes do "domínio branco" existiam milhões de indígenas no Brasil e não havia a destruição das florestas? Não podemos esquecer que eram milhões de indígenas e nenhum branco por aqui. Também não existia um desejo irremediável de usufruir das atuais benesses da civilização: rádio, televisão, geladeira, fogão a gás, celulares etc. Para isso tem que fazer parceria com os civilizados, que detém o poderio economico para comprar equipamentos de alto poder escariante (no caso de garimpagem em rios) ou equipamentos de desflorestamento contínuo e rápido.
E seus valores também vão pelo ralo...
A biodiversidade da floresta amazônica, que responde por quase 40% das reservas de florestas tropicais úmidas ainda existentes no planeta, corresponde a mais de 20% de todas as espécies vivas do planeta. Mas avançamos demais na devastação e ainda há tempo de reverter este quadro preocupante.
No entanto, pFloresta3.jpgor ser um ecosistema extremamente frágil necessita de atenção redobrada na sua exploraçã o, uma vez que a retirada de sua vegetação, que retém os nutrientes, transformaria, provavelmente, a floresta em uma área desertificada, que afetaria  o equilíbrio ecológico e aumentaria o efeito estufa.
Então, quando vamos começar a nos preocupar seriamente com a preservação equilibrada de nossos recursos naturais  finitos? Quando juntaremos os cacos e faremos um belo adorno em torno do desenvolvimento? Da vida?
E pra não esquecer: hoje  deveríamos celebrar o Dia da Mata Atlântica. Existe razão para festejar sobre aquela que cobria todo o litoral brasileiro e hoje está reduzida a 7% da porção original?
Faça a sua parte!

Fontes de pesquisa:
http://www.brasilescola.com/geografia/floresta-amazonica.htm
http://www1.folha.uol.com.br/folha/publifolha/ult10037u351813.shtml
O feio não tem vez.

Neste país de estéticas importadas, onde todos sabem o que é e o que come um coala, mas ninguém sequer ouviu falar na cuíca - a não ser como instrumento de carnaval; no qual seus infantes ainda desenham "natureza" com graminha aparada, uma casinha, uma árvore de tronco liso e reto, um jardim florido, elefantes, ursos e gatinhos; Onde seus habitantes entendem Meio ambiente como um lugar "sem nada", a ser ocupado com "alguma coisa".

Neste contexto, o  que será do nosso seco, torto e feio cerrado?

Esta é a paisagem mais característica deste ambiente: árvores pequenas de troncos ásperos e tortos devido à presença de alumínio no solo; Ambundante vegetação gramínea e arbustiva, que grande parte do ano permanece ressecada pela ausência de chuvas característica do clima da região; solo vermelho-amarelado quase sempre exposto e poerento, alternando com emaranhados de arbustos espinhosos quase intransponiveis.

A primeira vista, nada elegante.

Ou seja: é realmente mato! Foi assim que os primeiros habitantes europeus o chamavam: Mato sujo ou campo sujo, que depois passou parra campos cerrados e mata cerrada. Isso explica por que o estado de Mato Grosso Chama-se "mato grosso"!
     
O Cerrado é ambundante como a Amazônia, mas destruído como a Mata Atlântica; Foi incluído recentemente no rol dos ecossistemas de maior biodiversidade do planeta. E ainda assim é o espaço vazio para onde se expandiu a nossa pecuária e mais recentemente - nos últimos dois séculos - a agricultura.


Mas voltando ao assunto: O fato de o cerrado não o mesmo apelo ambiental de outros tipos de vegetação faz com ele seja destruído descriminadamente. E, por incrível que possa parecer, ele naturalmente já fazia isso com ele mesmo...

Uma das mais controversas características desse ambiente é a ocorrência natural do fogo como um dos fatores mais importantes desse processo de regeneração. muitas sementes e plantas só se desenvolvem depois que o fogo queima suas grossas cascas e o solo é "adubado" com os sais minerais remanescentes nas cinzas. Isso quer dizer que há um cilco natural de fogo, assim como há um  ciclo natural de chuva. Com esse pressuposto, como pode ele sobreviver?

Segundo alguns especialistas, deixando como está. Com intenso processo regenerativo, apenas parando com a destruição já seria possível ter um retorno de até 80% da vegetação. Possui uma curiosidade, um processo bem interessante e fácil de se verificar.

Querem ver? É só deixar o terreno vazio sem cortador de grama por uns...15 anos. Inicialmente, o primeiro "mato" represetado pelas gramíneas cresce até atingir mais ou menos meio metro e frutifica - isso mesmo! - nos vulgarmente conhecidos "carrapichos" que prendem nas nossas roupas e nos pêlos dos animais ou são levados pelo vento; a grama se multiplica e cresce, criando uma região de humidade entre o solo e a vegetação favorecendo o desenvolvimento do segundo "mato": as plantas arbustivas. A maioria absoluta de todos os chás, remédios e temperos do mundo inteiro vem desse "mato" (também chamado de erva daninha, é aquele que, mais adaptado à região, ocupa e elimina nosso jardim florido...). Por sua vez, os arbustos fazem sombra abaixo, o que impede o crescimento da grama. o solo exposto favorece o crescimento do terceiro tipo de mato: a vegetação arbórea, que cresce e ocupa alguns dos espaços. E todo essa mato estava apenas "adormecido" ou dormente, esperando as condições certas para acordar...

Esse é o processo que chamamos de sucessão ecológica, no qual o cerrado é craque.

Esse seria o quintal observado por matogrossenses, goianos, brasilienses, mineiros, baianos do sul e paulistas do noroeste. Infelizmente, cada vez mais amazoninos estão presenciando esse efeito (com as mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento do globo somado ao desmatamento intensivo, muitas regiões de floresta amazônica estão se transformando em cerrado...).

E isso seria possível se pudéssemos considerá-lo como o vemos - feio, torto e sujo -  e, ao valorizarmos a cultura nacional transformá-lo como realmente é - com a beleza dos Ipês, quaresmeiras, e guapuruvus floridos, uns no início, outros no final da época das chuvas.

E se parássemos de vê-lo como lugar vazio, pronto para o desenvolvimento energético e alimentício do país.

Esse é o desafio.     

Fralda descartável é bom? Sem dúvida!

Fralda descartável é ruim? Sem dúvida!

Fralda de pano é bom? Sem dúvida!

Fralda de pano é ruim? Tenho minhas dúvidas. Aliás, não as tenho. Como pai que trocou, lavou e passou muitas fraldas de pano da filha, creio que falo sentado na experiência e não apenas no achismo, tão comum em algumas das mulheres de hoje. Dos homens sequer falo, pois boa parte sequer as descartáveis deve trocar.

O foco deste post não será a praticidade, o menor preço, ou sequer o mal que, comprovadamente, as fraldas descartáveis causam ao meio ambiente. O problema causado ao meio ambiente pelas fraldas descartaveis, por exemplo, é facilmente contornável a partir do momento em que a indústria se sentir pressionada, ou quando - e isso é o que importa no final das contas - a produção de fraldas descartáveis biodegradáveis tornar-se economicamente interessante para elas. Ponto. Não é a natureza que preocupa.

O que realmente preocupa é o como as pessoas se colocam diante de uma alternativa. Temos, aí, um problema muito mais sério do que se possa imaginar, pois diz respeito ao modo como as pessoas foram doutrinadas a viver. E a grande maioria sequer se dá conta de que foi doutrinada, tomando para si argumentos vendidos pela publicidade. E não falo da publicidade de produtos, mas da publicidade que vende "estilo de vida". Sim, pois por trás de cada produto, como se sabe, o que se vende é um "modo de ser", um "pertencer" a certa classe, um "colar na própria testa" uma etiqueta com os dizeres "sou moderno(a)" e, com isso, satisfazer um ego já enfraquecido pela falta de uma educação, que permita estabelecer valores próprios, e um ego necessitado de apoio social. Carência, essa, também vendida em abundância pela mídia...

Falta de tempo? Trocar uma fralda de pano gasta quase o mesmo tempo se a pessoa souber se organizar. Uma passadinha na descarga para tirar o grosso (n. 2) e molho. Depois o trabalho é das máquinas de lavar e secar. Passar é uma barbada. Sequer precisa deixar de ver a novela (é, tem gente que reclama da falta de tempo, mas passa muito tempo na frente da televisão sem fazer mais nada... como disse, o problema não está nas fraldas...).

Talvez um grande problema a ser enfrentado esteja nas creches. Mas até esse, com uma boa conversa, se resolve. O que não se resolve - ou é muito difícil de resolver - é a falta de consciência ambiental das pessoas.


Há quem diga que fraldas de pano é coisa do passado. Eu mesma as usei quando bebê, e, antes de ser mãe, a idéia que eu tinha das tais fraldas era o trabalho incansável da minha mãe, lavando dezenas de fraldas de xixi e cocô e aquele varal cheio de fraldas brancas. Naquela época, e no meu caso, o motivo era alergia à fralda descartável, que se mostrou a grande amiga das mães desde meados do século XX.

Acontece que essa "grande amiga" tem trazido consequências muito sérias para o meio ambiente. Pesquisas mostram que uma criança usa, em média, mais de cinco mil fraldas descartáveis nos primeiros dois anos de vida. Pra isso, são derrubadas 5 árvores por criança. Multiplique pelas milhares de crianças que usam fraldas descartáveis e você vai ter um número alarmante de desmatamento. Somado a isso, a fralda descartável leva quase 500 anos para de decompor.

Se o apelo ambiental não é suficiente, com certeza o econômico pode ajudá-lo a ponderar sobre a questão. Uma família gasta entre 3 e 4 mil reais em fraldas descartáveis, para cada filho, nos primeiros 2 anos de vida. E aí, já te convenci?

Grávida do meu segundo filho (ou filha, ainda não sei), estou pesquisando sobre o uso de fraldas de pano. As de hoje são muito mais fáceis de usar do que aquelas que a minha mãe usou comigo. Não precisa mais de alfinete, nem curso de origami pra aprender a fazer a dobra da fralda.

Existem vários modelos de fralda, que são fáceis de serem lavadas e duram muitos anos, podendo ser usadas por mais de uma criança da família. No Reino Unido, o uso dessas fraldas quadruplicou nos últimos anos, devido a famílias preocupadas em diminuir seu impacto no meio ambiente.

No Brasil, o site Baby Slings vende as fraldas de pano. Vale a pena dar uma passada no blog do site pra ver os depoimentos das mães que estão optando por uma escolha mais consciente na criação dos seus filhos.

Parte um: qual o tipo de representação que queremos?

É bastante difícil resumir em poucas palavras todas as impressões deste grande encontro. Podemos dividir em três momentos: a aprovação do regimento; os grupos de trabalhos e a plenária final. O regimento é o conjunto de regras da conferência, elaborado pela comissão organizadora e que deve ser referendado em plenária. 

O primeiro conflito: aceitar ou rejeitar os critérios de aprovação de moções, da revisão das propostas, da participação e da aprovação do texto final.  Para isso, o texto é lido item por item, e discutido com toda a plenária. É um processo lento, cansativo, que demanda horas e paciência de todos os presentes - Delegados eleitos nos processos municipais e estaduais.

Com tanta diversidade, é claro que é um procedimento sujeito a problemas...  

Um exemplo: uns dos itens mais polêmicos foi o fator quórum mínimo - sempre presente no processo democrático.

O regimento apresentava como proposta de quórum mínimo 50% mais um dos inscritos na conferência. Devido ao processo extenso, nem todos conseguem permanecer até o final; o que acontece: nos momentos decisivos, apenas poucos estão presentes.

O que fazer? Por um lado, realmente não é representativo que, de 1200 delegados, menos de 50 decida pelos rumos da conferência. Por outro lado, se apenas essas poucas pessoas estão interessadas no processo, por que as outras 1000 vieram? Devemos invalidar o processo? Claro que o processo fica prejudicado, mas ele acaba sendo levado adiante, seguindo o preceito de que a "plenária é soberana".

A legitimidade é o fator mais importante a ser analisado em uma conferência. É ele que vai dizer se tudo o que está sendo feito ali deve ser levado em consideração ou não. Mesmo sendo aclamado como uns dos principais exemplos de democracia participativa, ainda são representantes eleitos em suas comunidades que participam do processo. Como não há um fator eqüitativo desse processo, cada comunidade escolhe em si os critérios de representação. Alguns parâmetros já são universalizados - como as categorias de representação: gênero, tipo de organização, unidade federativa, bacia hidrográfica; movimentos representativos - mas os procedimentos locais são independentes.

Deste modo, como podemos garantir a qualidade da representação?   

Como veremos mais adiante, esse é um dos grandes problemas e ao mesmo tempo a principal qualidade desse tipo de processo democrático...

 

Parte dois: a maravilhosa essência do processo

São cerca de mil pessoas, de todos os estados da União, eleitas democraticamente em seus municípios como representantes da sociedade civil organizada, do poder público e do setor empresarial local para decidir os caminhos da política pública de mitigação e adaptação das ações do ser humano às mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global.

Mais de 500 propostas tiradas dos estados são debatidas nos grupos de trabalho para a produção do texto a ser aprovado na plenária final. A partir daí, o processo continua com a apresentação das propostas ao governo federal, que deverá levar em consideração para a elaboração do Plano Nacional de Mudanças Climáticas.

Povos indígenas, representante de quilombos, povos caiçaras, caipiras e sertanejos de todo país; homens e mulheres de todas as cores, etnias, movimentos e ideologias imagináveis; estudantes, sindicalistas, donas de casa, lavradores, pequenos empresários, líderes comunitários, políticos e intelectuais - todos se identificando apenas como ambientalistas - deste país participando da elaboração dos caminhos ambientais do Brasil.

A sensação de poder popular exala de todas as conversas nos almoços, nos transportes, nos bares como uma ilha espaço-temporal dentro do gigantesco poder político e econômico dominante na capital da nação. A não ser por raríssimas exceções, o consenso domina todas as discussões; as votações são, em sua maioria, por aclamação; não há realmente nenhuma crítica formal ao processo; Todos estão interessados na construção coletiva e participam nesta direção.

Para compreendermos a relevância desse processo, Destaco aqui um trecho de uma nota publicada na Folha online de ontem - 10/05/2008:

 

"Brasil atrasa plano contra aquecimento global

AFRA BALAZINA
Enviada especial da Folha de S.Paulo a Brasília

O Plano Nacional de Mudanças Climáticas, aguardado para meados deste ano, só deve ser concluído em novembro. A afirmação é da secretária nacional de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Thelma Krug. O atraso contraria determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O decreto 6.263, de novembro de 2007, estabeleceu que a versão preliminar do plano deveria estar pronta até o último dia 30, o que não ocorreu.

O plano vem sendo prometido desde setembro de 2007, quando Lula anunciou nas Nações Unidas que o país o adotaria. Porém, de concreto até agora só se sabe que ele terá quatro eixos: adaptação, mitigação, pesquisa e desenvolvimento e divulgação e capacitação.

Uma de suas maiores novidades, a idéia de usar dinheiro do Fundo de Compensação do Petróleo em ações de mitigação e pesquisa, está em discussão no Executivo, mas também não tem data para ser enviada ao Congresso. Krug diz que a mudança na lei não deve ocorrer antes da conclusão do plano.

Segundo ela, para que o plano seja de fato nacional --e não federal, fruto de decisões apenas dos ministérios-- é necessário abrir espaço para a participação regional, de Estados e municípios. Com isso, o processo é mais demorado.

"Um plano federal você pode construir através dos ministérios. E é claro que vai ter essa visão no plano. Mas, para torná-lo nacional, é preciso trazer essas regionalidades", diz ela."

Atraso perfeitamente justificado - ponto para o governo.

O ambiente - e o meio ambiente também - é tomado por uma maravilhosa e impressionante sensação: a vitória da Democracia Participativa.    

 

Parte três: a lógica da desordem

O saudoso Milton Santos marcou os estudos do desenvolvimento urbano identificando de forma exemplar a dinâmica social dos agrupamentos urbanos, usando como objeto de estudo a cidade de São Paulo. Arrisco aqui cometer certos erros teóricos, mas gostaria de usar este exemplo para ilustrar o desenvolvimento da plenária final, o ponto alto de todo encontro.

Assim como é impossível controlar todos os processos de urbanização de uma cidade, devido à dinâmica social extremamente mutável, do mesmo modo não é possível controlar todos os processos de debate em torno da formulação de políticas públicas. Por quê? Porque o ser humano é uma curiosa invenção em desenvolvimento!

Muitos consideram esse processo de conferência uma farsa: um encontro de ignorantes aparelhados por entidades vinculadas a interesses políticos específicos. Há suspeitas de irregularidades de todos os tipos: pessoas que participam no lugar de outras; preferencialismo; mau uso do dinheiro público; falsificação de assinaturas em atas e moções. O regimento possui brechas que permitem desrespeitá-lo à todo momento; muitas decisões são resolvidas no grito, e debates quase se transformam em agressões físicas; a maioria dos delegados passam mais tempo passeando e se divertindo que participando das discussões - atitude até certo ponto justificada pelo fato de as discussões se tornarem verdadeiros martírios mentais intermináveis (imagina corrigir de um texto de 500 páginas junto com outras dezenas de pessoas? Até parece feito de propósito para afastar as pessoas); complementando esse fato, no final umas poucas pessoas se legitimam a decidir por todos os ausentes - claro que ignorando o quórum mínimo. Desde as conferências locais esses problemas se repetiram, assim como se repetem na esfera da democracia representativa - quando elegemos vereadores, deputados, prefeitos, governadores e presidentes.

Alguns são problemas graves; outros nem tanto. Não tenho a intenção, de forma alguma, fazer denúncias ou desqualificar o processo, até porque, mesmo que quisesse, não teria poder para tal; mas é importante fazer uma avaliação sincera do processo para se entender a origem dos problemas e se buscar a solução. Na política infelizmente não temos processos perfeitos, assim como em todas as esferas - das sociais às pessoais - está presente a corrupção. E isso inclui a todos. O diferencial está na capacidade de reconhecermos nossas falhas pessoais e sociais em busca do melhoramento constante. É assim que o ser humano evolui em sociedade - ou pelos menos poderia ser assim. Isso, por si só, já justifica e qualifica positivamente todo o processo.

A Conferência Nacional é o ponto alto do processo de conferências, que começou nas discussões locais em cada município (em alguns casos em cada bairro). A plenária final é o clímax do encontro, onde todas as qualidades positivas e negativas se tornam evidentes - como não poderia deixar de ser.

É verdade: A plenária é realmente soberana.

Para todos os participantes, são três dias de extremo cansaço, mas de uma satisfação extasiante - a relação íntima com o processo democrático. Qualquer semelhança com qualquer é mera coincidência.     
Não dá para ficar parado. Você vai ficar?

Enquanto nós ficamos parados, outros planejam, sorrateiramente como sempre fazem, mais uma onda de destruição das nossas florestas. Está em votação o Projeto de Lei 6424/2005, de autoria do Deputado Flexa Ribeiro (PSDB-PA) que autoriza um dos maiores crimes ambientais a ser cometido na história do Brasil.

Você vai ficar parado?

Enquanto nós ficamos parados, outros colocam no mercado produtos contendo transgênicos sem aviso no rótulo, em total desacordo com as leis. Ferem mortalmente nosso direito a um consumo consciente.

Você vai ficar parado?

Enquanto nós ficamos parados, outros tantos sequer aceitam que o aquecimento global é uma realidade. Alegam que os estudos não são conclusivos, que "não é bem assim", e seguem, em prol do crescimento das suas economias, produzindo GEE. Afinal, o que vale é o "aqui e agora". O futuro que se dane!

Você vai ficar parado?

Quer mais exemplos? Crescimento populacional descontrolado? Roubo da nossa flora e fauna? Há uma lista interminável de exemplos...

Nós, do Faça a sua parte, não ficaremos parados. E queremos que você se mexa. Que mexa os dedos e participe da 1º edição da série "Debates Ambientais do Faça a sua parte". Todo ano, no período de 22 de maio a 14 de junho, o Faça a sua parte promoverá debates sobre as questões do meio ambiente. E, no dia 5 de junho, acontece a blogagem coletiva para comemorar o Dia Mundial do Meio Ambiente.

Uma blogagem coletiva inédita. Serão duas semanas para preparar, com debates, a blogagem coletiva para comemorar o Dia do Meio Ambiente. Participe com seus comentários ou posts em seu blog sobre algum dos temas propostos. Debata, converse, troque idéias. Participe. Mas lembre-se: no dia 5 de junho não deixe de participar da blogagem coletiva do Dia Mundial do Meio Ambiente.

Mas não pára por aí. Do dia 6 até o dia 14 continuaremos debatendo, agora com as diversas contribuições realizadas no dia 5.

Veja a programação para 2008:

MAIO

22 e 23: Biodiversidade: sem flora e sem fauna?
24 e 25: Cerrados: bioma ou necroma?
26 e 27: Florestas, até quando haverá uma?
28 e 29: Educação Ambiental: a quem educar?
30 e 31: Aquecimento Global: mito ou realidade?

JUNHO

01 e 02: De quem é a culpa: do Legislativo, do Executivo, ou nossa?
03 e 04: Meio Ambiente Humano: somos parte da natureza?
05 e 06: Blogagem coletiva sobre o Dia Mundial do Meio Ambiente
07 e 08: Mar: Origem da vida?
09 a 12: Tecnologia e Meio Ambiente: há futuro na ciência?
13 e 14: Consumo sustentável: o que e como fazer?


Participe conosco. Traga suas idéias e conhecimentos. Faça a sua parte ou...

Você vai ficar parado???

Em jornalismo, não é incomum a gente ver títulos de matérias que pouco ou nada têm a ver com seu conteúdo. Muitas vezes, o texto não traz informação que renda um bom título, ou o editor tem uma grande sacada e resolve dar o que chamamos de esquentada no título, pra atrair a atenção do leitor. Foi o que fizeram com a pesquisa da revista National Geographic, o Greendex 2008: Escolha do Consumidor e Meio Ambiente

O tal Greendex consultou, pela internet, consumidores de 14 países sobre seus hábitos de consumo, transporte, habitação e  alimentação, e apontou brasileiros e indianos como os mais verdes do mundo, seguidos dos chineses, mexicanos, húngaros, russos, ingleses, alemães, australianos, espanhóis, japoneses, franceses, canadenses e, por fim, americanos.

A impresa, com aquela profundidade de um pires que lhe é característica, cravou: brasileiros e indianos são os que mais respeitam o meio ambiente. Nada mais falso. Ora, está claro que países em desenvolvimento aparecem na frente não porque seus habitantes têm maior consciência ecológica, mas pelo simples fato de que eles não têm o mesmo padrão de consumo dos países desenvolvidos. Um indiano não gasta menos energia elétrica que um japonês, um chinês não come menos produtos industrializados que um inglês, um brasileiro não compra menos bugigancas que um americano por ser mais ambientalmente responsável. Essa afirmação é falsa. Eles, isso sim, causam é menos impacto ambiental com seus hábitos de consumo, porque seu atual nível sócio-econômico não lhes permite ter o mesmo padrão de vida que os europeus, americanos e japoneses. Se lhes for dada a chance - e a tal globalização vive pregando isso - consumirão tanto ou mais. E o planeta que se vire para sustentar tudo isso! A questão não é apenas a quantidade do que se consome, mas a qualidade desse consumo.

O site Story of Stuff, da ativista Annie Leonard, traz um dado interessante: 99% do que o americano compra vai pro lixo após apenas seis meses de uso! Não é de se estranhar. A base da economia americana é diretamente ligada ao consumo - tanto que, para resolver o problema da atual recessão, o presidente Bush está enviando cheques de até US$ 600 para cada americano que ganha até um X por mês para que ele gaste em compras. O padrão lá é: compre o quanto puder para que a economia americana não afunde. Não tá funcionando a contento e, pior, vai acabar afundando o planeta inteiro!

A propósito: recebi por email uma série de fotos que revelam de maneira bem interessante como é o consumo alimentar em uma semana de famílias típicas de nove países diferentes - Alemanha, Estados Unidos, Itália, México, Polônia, Egito, Equador, Butão e Chade. Não sei de onde veio essa série, mas as (belas) fotos falam por si:

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(Alemanha: Família Melander de Bargteheide. Despesa com alimentação em 1 semana: 375.39 Euros / $500.07 dólares)

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(Estados Unidos da América: Família Revis da Carolina do Norte. Despesa com alimentação em 1 semana: $341.98 dolares)

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(Italia: Família Manzo da Secília. Despesa com alimentação em 1 semana: 214.36 Euros / $260.11 dolares)

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(México: Família Casales de Cuernavaca. Despesa com alimentação em 1 semana: 1,862.78 Pesos / $189.09 dólares)

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(Polónia: Família Sobczynscy de Konstancin-Jeziorna. Despesa com alimentação em 1 semana: 582.48 Zlotys / $151.27 dólares)

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( Egito: Família Ahmed do Cairo. Despesa com alimentação em 1 semana: 387.85 Egyptian Pounds / $68.53 dólares )

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(Equador: Família Ayme de Tingo. Despesa com alimentação em 1 semana: $31.55 dólares )

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( Butão: Família Namgay da vila de Shingkhey. Despesa com alimentação em 1 semana: 224.93 ngultrum / $5.03 dólares )

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( Chade: Família Aboubakar do campo de refugiados de Breidjing. Despesa com alimentação por semana: 685 Francos / $1.23 dólares)

Andando pelas ruas de Belém e vi a cena que é comum em muitas cidades: um jovem fumante, carona, acendeu seu último cigarro (do maço) e, com o braço do lado de fora do carro, lentamente começou a amassar a embalagem vazia até que a mesma se tranformou em uma bola de papel. Então deixou-a cair lenta e disfarçadamente de sua mão, como se esperasse que o gesto passasse despercebido por todos.
Tive vontade de sair do carro e ir lá interpelá-lo. Ou oferecer um saco de plático para colocar o lixo dentro. Mas, depois refleti que não era prudente.
As pessoas acreditam que a rua é de ninguém; assim ninguém precisa cuidar delas. A não ser os garis que são pagos para isso. E, assim não percebe que haverá necessidade de gastar mais verbas na contratação de pessoal e menos para escolas e saúde, principalmente.

Ele deve agir da mesma forma na sua casa, largando o lixo em qualquer lugar, porque terá uma empregada para arrumar sua bagunça. E se não tivesse ninguém para fazer isso? Sua morada iria se tranformar num chiqueiro (com o perdão da comparação aos porcos). E os visitantes iriam se enojar com o estado dela (se ele tivesse a coragem de convidar alguém para ir lá).
Será que o jovem aceitaria que alguém chegasse em sua casa e deixasse o lixo espalhado em sua sala ou em seu quarto, sem reclamar?

Acredito que a ação deveria fazer parte da educação ambiental.

Não adianta somente proibir ou multar os madeireiros pela devastação das florestas; tem que obrigá-los a plantar as árvores tiradas.

E quem transforma os rios em uma enorme lixeira pública deveria ser penalizado a coletar, nas praias, os restos jogados ao léu.

Os mineradores que já deixaram os buracos e modificaram a paisagem deveriam ser obrigados a repor o ambiente original.

Assim como quem joga o lixo na rua deveria ser obrigado a coletar, durante determinados dias, a sujeira produzida, mesmo que não fosse a dele.

Restaurantes, fábricas de sorvetes, produtores de out-door, supermercados, lojas e muitos outros segmentos empresariais deveriam passar, eventualmente, por um ciclo de educação ambiental de seus colaboradores e funcionários para , no mínimo, promover a diminuição da poluição ambiental.

Mas acredito que a pena maior deveria recair sobre o gestor municipal que não providenciar a arborização natural de, pelo menos, uma extensa e concorrida avenida durante seu mandato. Ou construir um parque municipal durante seu mandato.

Mas, quando isso já aconteceu por aqui, apesar das constantes e flagrantes ocorrências?
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O dia 22 de abril está aí. Não será apenas mais um dia de postagem coletiva do Faça a sua parte. Nem deveria. Afinal, pisamos nela todos os dias. A questão é: como pisamos?

Nesse 21 de abril, véspera do Dia da Terra, apesar de ser feriado, levante cedo, como sempre faz em dias de trabalho. Mas experimente fazer algo diferente: antes mesmo da higiene ou de tomar o café da manhã, molhe um pouco de terra, um vaso que seja. Respire fundo e sinta o aroma. Pegue um pouco da terra molhada com as mãos. Esfregue. Sinta nos dedos, na palma das mãos. Passe no rosto; sinta como se fosse um beijo.

Coloque um pouco na língua. Não tenha receio! Lembre-se da infância, de quando isso era natural; de quando nada dessa nossa cultura ainda havia sido colocada em você! De quando a natureza e você eram uma coisa só. De quando você e sua mãe eram uma coisa só!

Estranho, né? Pois é assim que somos em relação à Terra. Estranhos. Como num país cuja língua e costumes não entendemos. Nesse feriado, aproveite para sentir a Terra. E depois escreva um post sobre isso. Publique no dia 22.

Escreva sobre a Terra, o que quiser, mas tente escrever, também, sobre os seus sentimentos, sobre o quanto você se sente afastado ou integrado a ela.

Como você pisa na Terra?

Comece agora a planejar o que fará naquele dia e lembre-se de convidar seus amigos, parentes, alunos, colegas de trabalho ou de escola e a sua comunidade a fazerem o mesmo. Apresente uma pesquisa, debata o assunto, prepare uma apresentação ou escreva algo que provoque à reflexão.*

Aproveite o dia 22 de abril para economizar todo tipo de energia e evite qualquer tipo de desperdício ou poluição. Desligue os eletrodomésticos e as luzes; escove os dentes com apenas um copo d'água; não fume nem acenda fogo; alimente-se de frutas e verduras cruas; beba apenas água; não faça compras; deixe o carro na garagem e aproveite para caminhar, possivelmente descalço, sobre a Terra que nos hospeda. Aja lentamente e respire com calma, fale baixo. Use o dia para meditar e descubra as atitudes que podem ajudar a preservar a Terra. E lembre-se: Você faz parte dela.*

Consulte o Calendário Verde do Faça a sua parte. Além de farto material sobre a Terra, você encontrará os posts que foram escritos para o dia da Terra em 2007.

* colaboração do Allan.

Estão participando:

Aline (Sotaque Mix)
Allan (Carta da Itália)
Ana Cláudia Bessa (O futuro do presente)
Andréa N. (Brazil Nut e In other worlds)
Danilo (Tkgeo)
Rede Jornal de Bordo

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O dia 22 de abril está quase aí. Não será apenas mais um dia de postagem coletiva do Faça a sua parte. Nem deveria. Afinal, pisamos nela todos os dias. A questão é: como pisamos?

Nesse 21 de abril, véspera do Dia da Terra, apesar de ser feriado, levante cedo, como sempre faz em dias de trabalho. Mas experimente fazer algo diferente: antes mesmo da higiene ou de tomar o café da manhã, molhe um pouco de terra, um vaso que seja. Respire fundo e sinta o aroma. Pegue um pouco da terra molhada com as mãos. Esfregue. Sinta nos dedos, na palma das mãos. Passe no rosto; sinta como se fosse um beijo.

Coloque um pouco na língua. Não tenha receio! Lembre-se da infância, de quando isso era natural; de quando nada dessa nossa cultura ainda havia sido colocada em você! De quando a natureza e você eram uma coisa só. De quando você e sua mãe eram uma coisa só!

Estranho, né? Pois é assim que somos em relação à Terra. Estranhos. Como num país cuja língua e costumes não entendemos. Nesse feriado, aproveite para sentir a Terra. E depois escreva um post sobre isso. Publique no dia 22.

Escreva sobre a Terra, o que quiser, mas tente escrever, também, sobre os seus sentimentos, sobre o quanto você se sente afastado ou integrado a ela.

Como você pisa na Terra?

Comece agora a planejar o que fará naquele dia e lembre-se de convidar seus amigos, parentes, alunos, colegas de trabalho ou de escola e a sua comunidade a fazerem o mesmo. Apresente uma pesquisa, debata o assunto, prepare uma apresentação ou escreva algo que provoque à reflexão.*

Aproveite o dia 22 de abril para economizar todo tipo de energia e evite qualquer tipo de desperdício ou poluição. Desligue os eletrodomésticos e as luzes; escove os dentes com apenas um copo d'água; não fume nem acenda fogo; alimente-se de frutas e verduras cruas; beba apenas água; não faça compras; deixe o carro na garagem e aproveite para caminhar, possivelmente descalço, sobre a Terra que nos hospeda. Aja lentamente e respire com calma, fale baixo. Use o dia para meditar e descubra as atitudes que podem ajudar a preservar a Terra. E lembre-se: Você faz parte dela.*

Consulte o Calendário Verde do Faça a sua parte. Além de farto material sobre a Terra, você encontrará os posts que foram escritos para o dia da Terra em 2007.

* colaboração do Allan.

Terça-feira que vem é o Dia T na França. Os parlamentares franceses vão decidir se mantêm ou não a proibição ao milho transgênico MON 810, da Monsanto, que tantos problemas vêm causando mundo afora. Além da França, outros sete países europeus baniram esse milho de suas terras - o último deles foi a Romênia. O MON 810 é acusado de causar problemas de sáude às pessoas, à fauna silvestre e ao meio ambiente. E a população francesa demonstrou no último fim de semana ser a favor da proibição. Vinte e cinco mil pessoas foram às ruas protestar contra a possibilidade de se dar novamente à Monsanto permissão para plantar e comercializar o milho transgênico. Os políticos franceses vão ter que decidir: ou ficam com o desejo popular (e científico, bien sur), ou se dobram ao poderoso lobby da Monsanto.

A votação na assembléia é uma prova de fogo e tanto para a França, que viveu dias de intensa mobilização ambiental na última semana. Além de protestos contra os transgênicos, o país discutiu medidas a serem tomadas para resolver problemas ambientais, promover projetos que dão ênfase ao desenvolvimento sustentável e sensibilizar as pessoas sobre a importância de se mudar hábitos na hora de se consumir produtos. 

O que me incomoda é ver tantos países e cidades se mobilizando para tomar decisões importantes e necessárias para tornar nossa vida mais sustentável e o Brasil patinando nesse assunto. Acho que as pessoas ainda não se deram conta da urgência disso tudo. Galera, o planeta tá aquecendo pacas e podemos em breve atingir o ponto de não-retorno. Aí, babau, talvez seja tarde demais pra se tomar alguma atitude. Eu sei que o Brasil é o país da fartura, da abundância, mas sempre lembro de um provérbio que minha avó dizia: "Dia de muito, véspera de pouco". 

Ah, e por falar em Monsanto, olha só que beleza (sic) essa matéria da revista Vanity Fair. Relata como a empresa pressiona e ameaça agricultores nos Estados Unidos (país onde ela reina absoluta no plantio e comercialização de sementes transgênicas) a pagar royalties de seus produtos. Só que muitas vezes esses agricultores são vítimas de contaminação genética. Como num conto de Kafka, o cara começa a ser perseguido justamente pela empresa causadora do problema! O mesmo vem ocorrendo no Brasil (com a soja transgênica e, em breve o milho, o mesmo MON 810 banido em várias partes da Europa) e em outros países. 

A matéria da Vanity Fair (cuja edição de maio é toda dedicada a temas ambientais) traz ainda um histórico da empresa, desde os tempos em que fabricava produtos químicos e tóxicos que contaminaram seriamente diversas cidades americanas (como o agente laranja usado na guerra do Vietnã). Mas isso é passado. Hoje a empresa se dedica a produtos mais modernos, como o Posilac (hormônio de crescimento dado a vacas leiteiras) e aos transgênicos. Tudo da mais alta qualidade. Se são seguros? Bom, a Monsanto diz que sim. Alguém acredita?

Conhecendo-se um pouco do perfil da Monsanto, não é de se estranhar nada disso.

E são matérias como essa da Vanity Fair que nos faz perceber que, no Brasil, o jornalismo está dando lugar cada vez mais às relações públicas. Sim, porque nas matérias publicadas recentemente por aqui em revistas como Exame e IstoÉ sobre a Monsanto, nenhuma linha sobre essas práticas da empresa, nem de seu passado atroz de poluição química, danos à saúde de populações inteiras nos EUA, promiscuidade com órgãos como a FDA americana, etc...

Texto de Pat Feldman, do blog Crianças na Cozinha

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Sim, uma alimentação saudável é com certeza uma alimentação "ecológica", que faz bem para o meio ambiente e para a saúde do nosso planeta.

A base de uma alimentação saudável se compõe de alimentos livres de agrotóxicos, cultivados em solos ricos em minerais e carnes de animais criados soltos, pastando, como sempre foi na natureza. Plantações tendem a cansar o solo. Plantações "regadas" a agrotóxicos esgotam o solo e tudo à sua volta. Animais criados em regime de confinamento estão condenados à falta de saúde absoluta, além de contribuírem para o desequilíbrio no meio ambiente.

O caminho para a saúde inclui a busca por esse tipo de alimento, a exigência por condições mais humanas para a criação de animais, plantações sem agrotóxicos em propriedades auto-sustentáveis - as fazendas orgânicas costumam funcionar dessa forma. O preço pode ser um pouco maior do que os alimentos produzidos com a ajuda de tantos aditivos químicos e sofrimentos, mas com certeza esse valor é muito menos do que o necessário para nos curarmos de doenças e menos ainda do que o necessário para depois tentar consertar o enorme estrago no mundo e na natureza. O fazendeiro que se preocupa com o meio ambiente, e não só com lucros cada vez maiores, merece a recompensa!

Podemos fazer a nossa parte no negócio não só buscando os orgânicos, mas também buscando muito mais os produtos artesanais, caseiros e evitando, desprezando os produtos altamente industrializados, que não fazem bem à nossa saúde e muito menos ao meio ambiente. Temos que deixar de lado o preconceito de que um alimento artesanal pode fazer mal para a saúde ou estar contaminado. Procurando um pouco, você sempre encontrará um fornecedor de confiança!

O processamento mínimo, que mantém integralmente o valor nutritivo dos alimentos, é algo que pode ser feito na própria fazenda produtora - do leite se faz o iogurte, se obtém queijos, creme de leite e manteiga. Dos grãos se obtém farinhas moídas na hora, extremamente frescas e nada oxidadas, além de integrais - completas em todos os sentidos. Com diversos legumes e verduras o fazendeiro pode artesanalmente preparar as mais variadas e saborosas conservas e caldos. Com carnes - aquelas carnes do gado feliz - o nosso fazendeiro ecológico prepara salsichas, embutidos, carnes secas e defumadas - sem nenhum aditivo, o fazendeiro é sábio e usa métodos tradicionais, não agressivos ao nosso corpo e ao nosso meio ambiente. E com a higiene que se pode ter hoje em dia, seu risco é praticamente igual a zero no que diz respeito a contaminações.

Todos os "alimentos" que vemos hoje em dia engarrafados, enlatados, congelados, disponíveis em todo lugar e em qualquer época do ano - salgadinhos, bolachas, biscoitos, misturas prontas para bolos e pães, margarinas, refrigerantes - fazem a fortuna de poucos, agridem o meio ambiente e o nosso organismo...

As nossas escolhas na mesa determinam não só o que será da nossa saúde, mas determinam fortemente a saúde do nosso planeta, do nosso meio ambiente.

A tecnologia atual facilita enormemente anossa vida diária, é verdade,e a idéia é que a tecnologia facilite cada dia mais, porém é bom lembrar que se toda essa tecnologia não for usada com sabedoria, em breve não teremos um futuro para aproveitá-la. Use a tecnologia a seu favor, mas use com sabedoria e sem desrespeitar a mãe natureza. 

Já está virando moda as empresas associarem seus produtos a ações sociais e de defesa do meio ambiente, com o objetivo de sensibilizar os consumidores e construir uma imagem de empresa responsável. Mas será que tais empresas desenvolvem realmente ações importantes para o meio ambiente? Ou será que estão usando a questão ambiental como campanha de marketing? Esta 'maquiagem verde' aplica-se a empresas que não realizam, de fato, ações efetivamente úteis ao meio ambiente, mas 'aparentam' uma atitude sócio-ambiental. Basta observar as propagandas que tais empresas divulgam.

Há as que afirmam estarem investindo no jovem, pois este investimento gera retorno em sustentabilidade. Na realidade, algumas empresas investem em educação pública, o que é muito interessante, pois proporciona a estes jovens melhores oportunidades de qualificação para o trabalho. Mas, na prática, não há uma ação ou projeto ambiental da empresa que traga benefícios ou resultados para o meio ambiente. No entanto, a empresa transmite a imagem de que investe em sustentabilidade.

Há, também, os bancos que investem em preservação de áreas florestais para compensar o CO² emitido pelos veículos e casas de seus clientes de seguros. Ao proteger seu automóvel ou casa, o segurado passará a preservar, por meio do banco, uma determinada área de mata nativa, que irá reter o equivalente ao que foi emitido na residência ou pelo veículo. Não seria mais apropriado que tais bancos criassem incentivos para induzir o cliente a mudar seus hábitos e reduzir suas próprias emissões. Não é uma maravilha? Eu posso emitir CO² à vontade, pois estou pagando. Cômodo, não é. E todos, clientes e empresas, transmitem a bela imagem de responsabilidade e sustentabilidade.

Felizmente, porém, o 'marketing' verde é, realmente, a divulgação de atitudes socioambientais de empresas que, de fato, contribuem para a preservação dos recursos do planeta. Entre as ações de responsabilidade social, há as parcerias com a Fundação SOS Mata Atlântica, por exemplo, responsável pelo plantio de milhões de mudas nativas. Louvável também, são as atitudes de reaproveitamento e reciclagem do próprio material utilizado pelas empresas, como usar seu próprio papel reciclado em materiais de comunicação internos e externos, envelopes de correspondência ou em seu material de propaganda. Interessante também, é a atitude de empresas que promovem campanhas de uso racional de água e energia; investem em projetos de educação ambiental de forma efetiva, útil, funcional.

O ideal seria que, na prática, todas ações das empresas fossem realmente eficientes para conter a emissão de CO² e preservar o meio ambiente. Em muitos casos, infelizmente, tais ações não passam de marketing verde. Não há um incentivo para que se economize ou se use conscientemente os recursos naturais, de modo a diminuir o impacto ambiental. Parece muito cômodo: "você polui, então pague."

Fontes: Bancários do Rio , Eu cuido do Planeta
Imagem original daqui

As substâncias químicas estão presentes em vários setores da vida cotidiana (alimentação, cosméticos, outros produtos do dia a dia), participando do desenvolvimento econômico nos padrões atuais nos setores da indústria e da agricultura. No entanto, a fabricação destas substâncias tem implicado até agora em gastos de recursos naturais caros, limitados e não renováveis,  à produção de moléculas tóxicas e à geração de poluição do meio ambiente. Resumindo, a indústria química é considerada como vilã na batalha contra a degradação do planeta.

Conscientes desta situação, os responsáveis pelas pesquisas na área química, resolveram implementar uma série de procedimentos para evitar os efeitos nocivos desta indústria sobre o meio ambiente, e estabeleceram uma série de princípios visando a criação da “Química Sustentável”.

 

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Os 12 Mandamentos da Química Verde*

1. A prevenção da poluição na fonte evitando a produção de resíduos.

2. A economia de átomos e de etapas que permitam realizar, com gasto mínimo, a incorporação de funcionalidades nos produtos pesquisados sempre limitando os problemas de separação e de purificação.

3. A concepção de sínteses menos perigosas graças à utilização de condições suaves e a preparação de produtos pouco ou não tóxicos para o homem e o meio ambiente.

4. A concepção de produtos químicos menos tóxicos com o desenvolvimento de moléculas mais seletivas e não tóxicas, resultando em progresso nos domínios da formulação e da vetorização dos princípios ativos e dos estudos toxicológicos em escala celular e ao nível do organismo.

5. A pesquisa de alternativas aos solventes poluentes e aos auxiliares de síntese.

6. A limitação dos gastos energéticos com o desenvolvimento de novos materiais para a estocagem de energia e a pesquisa de novas fontes de energia com baixo teor de carbono.

7. A utilização de recursos renováveis ao invés de produtos fósseis. As análises econômicas mostram que os produtos oriundos da biomassa representam 5% das vendas globais e poderia atingir 10 a 20% em 2010. Mais de 75% da indústria química global seria então originária de recursos renováveis.

8. A redução do número de derivados diminuindo a utilização de grupos protetores ou auxiliares.

9. A utilização de processos catalíticos preferindo-os em relação aos processos estequiométricos, com a pesquisa de novos reagentes mais eficientes, e minimizando os riscos em termos de manipulação e de toxidez. A modelagem dos mecanismos pelos métodos da química teórica deve permitir a identificação dos sistemas mais eficientes a serem realizados (incluindo os novos catalisadores químicos, enzimáticos e/ou microbiológicos).

10. A concepção dos produtos visando sua degradação final em condições naturais ou forçadas de modo a minimizar a incidência sobre o meio ambiente.

11. O desenvolvimento das metodologias de análise em tempo real para prevenir a poluição, controlando o trancorrer das reações químicas. A manutenção da qualidade do meio ambiente implica em uma capacidade de detecção e se possível medida da presença de agentes químicos e biológicos considerados tóxicos em nível de traços (amostragem, tratamento e separação, detecção, medida).

12. O desenvolvimento de uma química fundamentalmente mais segura para prevenir acidentes, explosões, incêndios e emissões de compostos perigosos.

Tudo o que desejamos é que eles sejam seguidos à risca!

 

*Paul T. Anastas e John C. Warner, Green Chemistry : Theory and Practice, Oxford University Press, New York, 1998 p. 30.

Fonte :

Colóquio do CNRS sobre a "Química para o Desenvolvimento Sustentável"

Uma das maiores dificuldades que enfrento na minha tentativa contínua de ser uma pessoa menos poluidora do mundo ocorre durante as minhas viagens. No conforto do meu lar, é muito mais fácil manter controle de uma vida mais verde. Quando pisamos na rua - e mais ainda, quando viajamos para um lugar desconhecido - o controle diminui drasticamente, e me sinto meio que nas mãos de outros, que podem ou não ser ecoconscientes. É claro, há medidas pessoais mesmo fora do seu lar que você pode fazer para minimizar lixo e poluição, mas em média, essas são muito menos eficientes que dentro do seu habitat natural. De qualquer forma, estou sempre atrás de informações e dicas que me mostrem como posso melhorar essa situação e ser uma viajante mais "verde".


Nessa busca incessante, achei recentemente um artigo no Brave New Traveler que dá sugestões de como tornar suas viagens mais ecoeficientes, deixando para trás menos sujeira, mas sem perder a graça e o prazer da jornada. Algumas das dicas:


- Desligue todos os aparelhos da tomada ao sair de casa.


- Evite comprar souvenirs - a princípio, eu não entendi essa dica, porque sempre gosto de contribuir com o comércio local, e acho que isso melhora a vida das pessoas. Mas lendo o texto, entendi por que o autor assim sugere. 


- Alimente-se de comida local - uma dica duplamente eco: ecológica e econômica.


As demais dicas estão e o artigo terá mais duas partes, que já estou no aguardo. Deixo aqui o link inicial como dica de leitura especial aos amigos que viajarão nessas festas e nas férias de janeiro, e que também se importam com o ambiente em que vivemos e com as mazelas que ele vem sofrendo. Que tal aplicar alguma das idéias que o texto sugere? 


O ambiente agradece.

O Colin Beavan, do No Impact Man, entrou numa fase interessante do projeto. Como já falamos aqui, ele se propôs a, junto com a família (esposa, filha e um cachorro), viver sob regras bastante rígidas para zerar seu impacto sobre o meio ambiente. A duração prevista para o projeto era de um ano. A fórmula básica usada por ele é "impacto negativo + impacto positivo = impacto zero". O objetivo dele, mesmo depois do fim da fase punk do projeto, é, no mínimo, não causar nenhum dano adicional à Terra por conta do seu modo de vida. Para isso, ele procura compensar as atitudes que têm um impacto negativo com outras que tenham um impacto positivo. Pois bem. No fim de novembro, acabou a fase cheia de regras do projeto. Agora ele entrou num processo de avaliar o que volta a ser como antes e o que pode e deve mudar para se viver uma vida sustentável. E talvez essa seja a parte do projeto mais interessante para nós, reles mortais. Ele já falou sobre a questão da eletricidade: voltou a usar a máquina de lavar (sem água quente), mantém a temperatura da geladeira no mínimo possível, apaga as luzes que não estão sendo usadas e tira da tomada os aparelhos que não estão sendo usados. Decidiu abolir a TV e o ar condicionado, além de ter optado por religar a energia da casa com uma opção verde de energia eólica. Mais uma vez, dicas sobre as quais a gente pode pensar e idéias que a gente pode copiar ou adaptar.
Segundo seu presidente, a França deseja ocupar no mundo a liderança na luta contra o aquecimento global e pelo desenvolvimento sustentável. Para isto, durante três meses o poderoso Ministério do Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável, Energia e Transportes promoveu a "Grenelle* do Meio Ambiente" reunindo representantes de ONGs, sindicatos, coletividades locais, empresas e políticos visando propor e discutir as medidas necessárias para atingir este objetivo. O público também foi consultado via Internet, respondendo a um questionário sobre quais medidas estaria disposto a aceitar. O programa resultante é ambicioso e foi apresentado dia 25 de outubro último pelo presidente Nicolas Sarkozy em um discurso, na presença de Al Gore. Segundo ele, toda decisão governamental deverá ser analisada em relação ao impacto causado sobre o meio ambiente e a biodiversidade. Prevê também um investimento de 1 bilhão de euros em 4 anos na pesquisa e formação, sem aumento de impostos e sem sacrificar o crescimento do país. Considerando irreal que as pessoas aceitem se sacrificar nos nossos dias para assegurar as condições de vida das gerações futuras, estabelece que para cada mudança efetuada neste sentido, uma alternativa deve ser proposta, visando manter o conforto atual. Pois o programa toca em hábitos arraigados, como os modos de transporte, diminuindo o investimento nos transportes rodoviários e aéreos, e aumentando no ferroviário, fluvial e marítimo. Um dos pontos críticos da discussão foi a questão energética. O governo fez pé firme para conservar a energia nuclear, responsável atualmente por 80% da energia elétrica produzida na França, logo o novo reator EPR será mantido...mas informou que não haverá construção de outros parques nucleares. E as medidas prevêem o investimento paralelo nas energias renováveis : para cada euro investido na energia nuclear, um euro será investido nas energias alternativas. Algumas das propostas dizem respeito aos outros países, como por exemplo, "os produtos oriundos dos países que não respeitam o protocolo de Kyoto devem sofrer sobretaxas no mercado francês", ou "nas etiquetas dos produtos devem ser escrito quanto CO2 foi produzido para sua produção e seu transporte até o consumidor". A França deseja difundir estas idéias na Europa e no mundo, e nisto tem o apoio de Al Gore que declarou que seria necessário um "Grenelle mundial". Todas estas propostas passarão pelo Parlamento para serem votadas. Apesar do aval do mais eminente defensor francês do meio ambiente Nicolas Hulot, alguns temem que certos "lobbies" bloqueiem a aprovação das medidas. Mas se passarem, será a primeira vez que um país orienta suas decisões em função do impacto sobre o meio ambiente. Será que desta vez vai? A caixa de Pandora verde estaria aberta? Saberemos em breve.

Foto acima : Al Gore com Jean-Louis Borloo (minsitro do meio ambiente, desenvolvimento sustentável, energia e transportes da França)

Discurso de Nicolas Sarkozy com as conclusões do Grenelle - texto (francês, inglês, espanhol, alemão) e vídeo Video da televisão francesa sobre o discurso acima Site "Grenelle do Meio Ambiente"

*A palavra Grenelle faz referência aos acordos sociais de Grenelle que puseram fim às greves de 1968.

Atualmente fala-se muito em casa ecológica. Mas o que é? Dizem que uma casa ecológica é construída com materiais locais, naturais, que sofreram o mínimo de transformações. Por exemplo, um igloo, as casas dos índios, uma casa de palha...

A casa sustentável seria uma casa que apresenta o conforto da vida moderna, mas já incluindo os critérios de respeito ao meio ambiente, como a utilização de materiais ecologicamente corretos, uma minimização do consumo de energia e baixo teor de emissão de CO2.

Recentemente ouvi uma terceira definição para este tipo de residência: a casa econômica!A economia consistiria na minimização da água e da energia fornecida pela rede pública e das emissões de CO2. No entanto, o argumento de venda junto ao público é a economia em ...dinheiro. "Economize 800 libras na tua conta de luz por ano comprando esta casa."

Esta casa (foto acima) faz parte de um conjunto de casas populares que serão construídas pelo governo britânico, das quais 10% são casas "econômicas", com baixo teor de emissão de CO2. O projeto que venceu a concorrência pública integra os ítens já tradicionais das casas sustentáveis tais como painéis solares fotovoltaicos, mini-turbinas eólicas, vidros triplos que absorvem a radiação solar em função da estação do ano, reutilização da água dos banhos e das pias para a descarga do banheiro e recuperação da água da chuva (veja o diaporama).


Veja também o VÍDEO do jornal televisivo francês apresentando esta casa.

Trata-se de apenas 10% das novas casas a serem construídas, mas acho que isto demonstra que os governos dos países industrializados começam a levar a sério o problema do aquecimento da Terra e adotar medidas concretas para combatê-lo.


No Brasil, também existem projetos para a construção de casas sustentáveis, como a "Casa Verde" (à esquerda) e a "Casa Sustentável", cujos protótipos integrando os princípios da arquitetura bioclimática e materiais certificados foram apresentados recentemente em São Paulo e no Rio Grande do Sul, respectivamente.

E também idéias originais e inusitadas como as casas com estrutura de bambu e com argamassa de raspas desta planta e de pneus, construídas em Três Rios (RJ) e Maceió (AL). Aliás, a utilização de materiais de construção provenientes da reciclagem, é um dos pontos inovadores da arquitetura ecológica, como pode ser visto na casa do arquiteto Sérgio Pamplona, em Brasília (DF), na qual pneus usados são preenchidos com terra e usados como degraus das escadas.

Existem também iniciativas interessantes para casas populares como o projeto para comunidades carentes, com métodos construtivos e características ecológicas do Instituto Habitat, e também o projeto de habitação sustentável voltado às comunidades de baixa renda em São Leopoldo (RS).

O importante é constatar que a procura de soluções para a construção de habitações auto-sustentáveis em energia, com aproveitamento máximo da água e com limitações nas emissões de CO2 já está sendo incorporada na mentalidade coletiva. Parece que as pessoas são menos reticentes em relação à mudança ao seu modo de morar que ao de se locomover, pois o uso do automóvel até agora não encontrou substituto "aceitável".

Leia mais :

Noções sobre a Arquitetura Sustentável
Tecnologias diminuem gastos de energia e água
6 Idéias para uma casa ecológica
Conselhos do Greenpeace para cada cômodo da casa
O bom e o barato da casa ecológica


A dependência do petróleo por parte da economia mundial, assusta. Há quem aposte suas fichas nos biocombustíveis, e há quem decidiu eliminar os riscos de uma nova dependência.

Transition Towns é o nome de um movimento que começa a ganhar força na Inglaterra. Acreditando ser tarde demais para encontrar fontes alternativas de energia, com disponibilidade imediata e em quantidade suficiente para atender a demanda mundial, Rob Hopkins e seus seguidores resolveram antecipar o futuro e começam a aprender a viver sem o conforto da tecnologia.



Para as comunidades que decidem aderir à filosofia, tudo tem início com a transição da produção e do consumo. Cada bairro ou cidade se organiza para tornar-se independente e utilizar cada vez menos o transporte de mercadorias – pelo menos as mercadorias que podem ser produzidas localmente ou que podem ser substituídas por produtos alternativos. Mas eles estão apostando tudo em uma mudança de estilo de vida, decididos a abrir mão de alguns itens de conforto.

A educação para a nova geração – a primeira em muitos anos a viver sem o petróleo – conta com palestras em escolas, filmes e ensina atos simples, como a troca de lâmpadas normais por aquelas de baixo consumo, ou a substituição dos aquecedores domésticos a óleo, gás ou eletricidade por aquecedores a lenha. O mel local tomará o mercado do açucar, assim como o chá, do qual os ingleses não abrem mão, deverá ser transportado por navios, e não mais por via aérea. Adeus à geladeira: irão comer chucrute, alimentos desidratados, salgados ou conservados com banha, além de frutas e verduras frescas.



A coleta de água da chuva para armazenamento em cisternas é uma das saídas encontradas para evitar um duro racionamento, e a água do banho será reutilizada para regar jardins e hortos caseiros.

O último estágio prevê o uso de moedas locais. Será o fim da globalização? E se for, isso precisa ser negativo?
Volta e meia, visito o No Impact Man (O homem do impacto zero, em uma tradução livre) para ver o que ele anda aprontando. Aliás, o projeto dele é bem legal: ele se propôs a, durante um ano, zerar o impacto da família (ele, esposa, filha pequena e um cachorro) sobre o meio ambiente, morando em Nova York. Ele quer provar que é possível viver em uma grande metrópole e ser legal com o meio ambiente ao mesmo tempo. Claro que, na sua experiência, ele toma algumas medidas radicais, tipo mandar cortar a luz do apartamento, mas a proposta dele diz respeito a descobrirmos o que podemos fazer para minimizar o impacto sobre o meio ambiente, ajudando-nos a descobrir o que é viável dentro da realidade de cada um. Mas esse cara merece um post à parte, porque nem eu mesma consegui explorar todas as informações disponíveis por lá.

Enfim, no post de hoje, ele fala sobre a relação entre economia e a felicidade do povo. E apresenta a New Economics Foundation (Fundação pela Nova Economia, em tradução livre), que elaborou o Happy Planet Index (HPI ou Índice da Felicidade do Planeta). Esse índice mede a eficiência da economia de um país em termos de saúde e felicidade por tonelada de gases de efeito estufa emitida. Cada país ganha pontos pelos níveis de satisfação e expectativa de vida e perde pontos pelo tamanho da pegada ecológica média de seus cidadãos.

Entre 178 países, o Brasil figura em 63º lugar, com um HPI de 48,6, considerado médio. Segundo a fundação, nem mesmo o país com o índice mais alto (Vanuatu) é perfeito, e está longe de ter um índice considerado desejável. Eles também explicam que os países mais bem colocados não são necessariamente os mais felizes do mundo (nenhum dos países ganhou nota alta em todos os três aspectos medidos), mas que seus habitantes são bem-sucedidos, vivem muitos anos e são felizes sem abusar demais dos recursos naturais. Segundo eles, o alto consumo de recursos não está diretamente relacionado a altos níveis de bem-estar.

Se quiser calcular o seu HPI (em inglês), clique aqui. Meu total deu 47.7 (mais ou menos a média do Brasil, ou seja, tenho um longo caminho pela frente), e achei legal responder ao questionário porque pode me ajudar a refletir sobre meus hábitos e o que posso mudar (eles inclusive dão dicas sobre o que podemos fazer para melhorar).

Vai começar o leilão de carbono. E a HandCase não perdeu tempo. Usuários de Palm já têm freeware à vista: CO2Global. Para descer o programa, clique em Freeware e faça o download...
Diz o release que é possível gerenciar a compra e venda de créditos de carbono, fazer o planejamento das ações sustentáveis e de controle de emissão, organizar os certificados comprados ou vendidos, estabelecer índices de adicionalidade, emissão, redução.... E ainda tem tabela de índices para cálculo de créditos de carbono e relação de links importantes sobre créditos de carbono e desenvolvimento sustentável. Mão na roda pra deixar tudo verdinho.
O tema foi uma sugestão da Silvia Schiros, nossa querida colaboradora, ao comentar um post que fiz no meu blog. Vou direto à conclusão. Poupo, assim, o tempo do leitor. Não haverá sustentabilidade enquanto a ideologia publicitária for essa que está aí: consumo acima de tudo.

A razão é simples. Só o "mãozinha", da Família Adams, é capaz de mexer-se sozinho. As demais precisam de um braço que as faça mexer, inclusive a "mão invisível" do mercado. E de um cérebro que envie comando a este braço. Pois bem, a publicidade é o cérebro que faz mexer esta mão invisível e todas aquelas outras que se mexem avidamente nos supermercados, lojas, etc. Alguma dúvida?

Talvez se possa pensar que o cérebro sejam as organizações produtoras de bens. Vejamos o que nos diz o psiquiatra Cláudio Costa, em um comentário ao post que citei:

"creio que o fundamento da 'propaganda' (mantenho o nome) é mesmo a descoberta de que somos "seres de desejo", e não "seres de necessidade". Há enorme diferença, tanta que ousaria dizer: o que nos constitue como 'humanos' é o Desejo. Animais são seres "de necessidade" e não mais que isso. Ser-desejante nos faz 'seres-da-falta": daí, buscamos eternamente algo que nos falta (e jamais saberemos bem o que) e aí, tchan-tchan-tchan!, somos atraídos pelo imaginário, matéria prima do marketing bem feito. Não adianta fazer propaganda: "Coma!". Comer é uma necessidade, sob pena de morrermos caso não o façamos. Mas comer o que? Aí aparece o desejo: "quero comer tal coisa e não outra coisa". O cachorrinho não escolhe: estando com fome come qualquer alimento (atraente para sua espécie, claro). Não adianta falar com ele que tal marca de ração é usada por 9 entre 10 estrelas-cadelas, ele traça a que tiver! Eis o preço que pagamos por não sermos cachorro: comemos o mais caro, o desnecessário, o que não precisamos e até o que faz mal."

Me arrisco numa seara que não é a minha - o entendimento da mente humana -, ao dizer que o papel da publicidade/propaganda (continuarei usando o termo publicidade, mais amplo, visto que propaganda é apenas o produto final) é justamente esse: fazer com que percamos a noção da diferença existente entre desejo e necessidade. E é pelo campo da necessidade que a publicidade ataca. Transformando desejo em necessidade, ela nos faz consumir todo tipo de quinquilharia produzida pelos braços. É o tal consumismo.

Não erro muito ao estimar que 70% de tudo o que é produzido no mundo não é necessário e sequer desejamos. Mas acreditamos que sim, que não mais podemos viver sem as "maravilhas modernas" que nos empurram cotidianamente.

Vamos introduzir a sustentabilidade no assunto. Sustentabilidade é um conceito que busca uma visão sistêmica, holística, da existência humana (e aqui falo de uma visão "sistemica" e não de uma visão "integradora". Há uma diferença, conforme vamos perceber). Das quatro esferas da existência humana, a sustentabilidade se ocupa de três: a social, a ambiental e a econômica. Deixa de lado, infelizmente, a mais importante, que é a esfera individual. E é nessa esfera, a individual, que a publicidade se faz valer. E é por essa razão que não conseguimos deixar hábitos que são social, ambiental e economicamente nocivos.

Pela influência da publicidade moldamos, ou melhor, determinamos, nosso comportamente econômico, social e ambiental. Nos fazendo acreditar que desejamos mais do que necessitamos, produzimos mais lixo, mais violência, e, por óbvio, mais lucro para os braços que movem a mão invisível.

O interesse da publicidade é o lucro, para si e para os braços (sem dúvida, não há aqui uma generalização. Mesmo porque, as coisas boas também são divulgadas pela publicidade). Mas tudo o que produz lucro, também produz lixo. Esse é o cerne da ideologia: nós (aqui tomados, agora, individual e socialmente falando) e o ambiente ficamos com o lixo; eles com os lucros.

Einstein dizia: "Não dá para resolver um problema com o mesmo raciocínio que o causou".

A maior parte das soluções apresentadas e/ou em desenvolvimento para resolver o problema do meio ambiente falham exatamente na idéia do Einstein: são soluções ainda no modelo econômico vigente e que, portanto, conitunuarão a exigir uma publicidade dentro da ideologia vigente. É o caso dos chamados biocombustíveis. Trocar petróleo por cana-de-açucar, ou milho, dá na mesma, pois apenas trocaríamos uma Exxon por uma Copersucar (só para citar dois exemplos que vieram imedatamente à cabeça), ou seja, seis por meia dúzia.

E o que faz a publicidade? Não importa se petróleo ou cana, vamos continuar vendendo. Vou apenas trocar o combustível do meu automóvel: gasolina por alcool. Mas não vou andar de transporte coletivo, de bicicleta ou mesmo ir caminhando para o trabalho. Por quê?

(talvez o exemplo mais paradgmático, modernamente, dessa ideologia, seja o celular: pra que trocar de aparelho a toda hora? Por que desejamos mais do que simplesmente conversar, o que, para a publicidade, não passa de uma mera necessidade? Mas necessidade de conversar não vende, né? Pecisamos mais do que isso, afinal? Notícia de hoje nos diz que as trocas superam as vendas de novos aparelhos:

"A indústria brasileira de telefonia móvel vai inaugurar em 2007 um movimento que trará mudanças consideráveis no modelo de negócios de operadoras e fabricantes de aparelhos. Pela primeira vez, o mercado de reposição de celulares superará o de novos usuários... " sigam lendo)

Só teremos preservação do meio ambinte quando duas coisas ocorrerem:

1. o conceito de sustentabilidade incorporar a dimensão individual, e
2. a publicidade parar de transformar necessidade em desejo.

Ambas de difícil solução. Não que incorporar a individualidade em um conceito seja difícil (a sugestão está dada, afinal), mas porque, para mudar a forma como consumimos o mundo, se faz necessária a segunda.

Publicidade e sustentabilidade: caminhos diferentes? Não necessariamente...
O tema "etanol" segue na pauta. Impõe-se a leitura. Há opiniões para todos os lados: a favor, contra e os que são "nem tanto...". Selecionei alguns textos que li essa semana. Leiam. Afinal, informação ainda é o melhor meio de defesa do meio ambiente, por mais que possa parecer cansativo.

As contradições do etanol

Trecho:

"Já os impactos ao meio ambiente estão sendo ignorados pelos que defendem a substituição do peltróleo pelo álcool combustível como medida para reduzir o aquecimento global. Um dos processos de produção mais comuns é a queima da palha do canavial, para facilitar o corte manual e aumentar a produtividade do cortador de cana. Essa prática reduz custos de transporte e aumenta a eficiência das moendas nas usinas. No entanto, a queima libera gás carbônico, ozônio, gases de nitrogênio e de enxofre (responsáveis pelas chuvas ácidas) e provoca perdas significativas de nutrientes para as plantas, além de facilitar o aparecimento de ervas daninhas e a erosão. Como opção às queimadas, responsáveis por boa parte das mortes dos cortadores por meio da inalação de gazes cancerígenos, a mecanização pode ser extremamente prejudicial ao solo, pois o comprime, não permitindo a entrada de oxigênio."


leia todo o texto completo:

http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/nacional/as-contradicoes-do-biocombustivel


O mito dos biocombustíveis

Trecho:

"A propaganda do "combustível verde" ou "energia limpa" tem sido amplamente difundida no Brasil. "Usados em substituição aos derivados de petróleo, tanto o etanol quanto o biodiesel se convertem em ferramentas capazes de deter o aquecimento global", afirma texto da revista Globo Rural (Novembro, 2006).

Por outro lado, já existem diversos estudos que contradizem essa idéia. Especialista em genética e bioquímica, a professora Mãe-Wan - Ho, da Universidade de Hong Kong, explica que "os biocombustíveis têm sido propagandeados e considerados erroneamente como ´neutros em carbono´, como se não contribuíssem para o efeito estufa na atmosfera; quando são queimados, o dióxido de carbono que as plantas absorvem quando se desenvolvem nos campos é devolvido à atmosfera. Ignoram-se assim os custos das emissões de CO2 e de energia de fertilizantes e pesticidas utilizados nas colheitas, dos utensílios agrícolas, do processamento e refinação, do transporte e da infra-estrutura para distribuição". Para a pesquisadora, os custos extras de energia e das emissões de carbono são ainda maiores quando os biocombustíveis são produzidos em um país e exportados para outro."

Leia o texto completo:

http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/analise/o-mito-dos-biocombustiveis


Etanol: combustível da exploração do trabalho no campo

Trecho:

"Crescem os negócios e diminuem os direitos. O argumento dos empresários e dos países ricos para o aumento da produção do etanol é o de aliviar, de uma só vez, dois grandes males do século 21: a escassez do petróleo e o efeito estufa. Além das contradições deste discurso (leia mais aqui), essa proposta não parece nada "sustentável" do ponto de vista da situação dos "corta-cana" - trabalhadores dos canaviais. "Historicamente, a produção de açúcar está associada com o trabalho escravo de índios e negros", afirma Plácido Júnior, coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Pernambuco."

Leia o texto completo:

http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/etanol-combustivel-da-exploracao-do-trabalho-no-campo


Etanol o mundo quer. O Brasil tem

Trecho:

"O álcool entrou na agenda de governantes, empresas de tecnologia e, principalmente, de investidores interessados nas grandes oportunidades que o setor tende a oferecer daqui para a frente. O homem mais rico do mundo, Bill Gates, fundador da Microsoft, comprou 25% da Pacific Ethanol para produzir álcool de milho nos Estados Unidos. Especula-se que Gates esteja prestes a concretizar a aquisição de uma usina de etanol no Brasil. Larry Page e Sergey Brin, do Google, estiveram em janeiro no interior de São Paulo para conhecer a produção local e analisar oportunidades. Outro bilionário, o investidor húngaro George Soros, fechou em fevereiro a compra da usina Monte Alegre, em Minas Gerais. Em 2006, o setor de etanol deve receber investimentos de 9,6 bilhões de dólares, entre construções de novas usinas, aquisições e expansões."

Leia o texto completo:

http://portalexame.abril.uol.com.br/revista/exame/edicoes/0870/negocios/m0082575.html


Etanol é ´ameaça disfarçada de verde´, dizem ambientalistas

Trecho:

"Metade da matéria-prima utilizada pela União Européia para produzir biocombustível é originária do Brasil, ele afirmou. Em 2005, o país exportou 50% das 538 mil toneladas de óleo de soja e palmeira que a UE comprou para este fim.

"Não entendemos o entusiasmo brasileiro em relação aos biocombustíveis, porque o Brasil tem grande experiência no tema, e conhece os efeitos negativos de uma má gestão da selva amazônica, que é um patrimônio da humanidade", disse Kucharz."

Leia o texto completo:

http://www.estadao.com.br/ciencia/noticias/2007/abr/19/124.htm

Aos poucos, vamos evoluindo... Porto Alegre segue fazendo a sua parte.


Primeiro a PUCRS; depois, os restaurantes da cidade poderão contribuir. Por fim, a Prefeitura poderá instalar postos de coleta pela cidade e aí cada um poderá fazer a sua parte, coletando o óleo utilizado em casa. É um começo...

"Convênio viabiliza produção ecológica de combustível

Amanhã, 1º de junho, às 10h, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam) assina convênio com a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) para produção de biodiesel com óleo de cozinha. O ato ocorre na Faculdade de Química, prédio 12, com as presenças do secretário Beto Moesch e da professora Jeane Dullius, coordenadora do Projeto. No ato de assinatura, será feita uma demonstração dos resultados do trabalho utilizando-se o biodiesel produzido em um trator de pequeno porte da Smam.

O aparelho reator que faz a produção do óleo tem capacidade para produção de cinco litros diários. A matéria-prima utilizada é proveniente dos restaurantes da universidade. Inicialmente, o projeto piloto prevê a utilização do biodiesel nos carros que recolhem lixo nas praças e parques. Numa segunda etapa, toda frota da Smam deverá receber o combustível. “Motores à diesel não precisam ser adaptados, o que torna o processo muito mais fácil”, explica Moesch.

O biodiesel é biodegradável e não tóxico, sendo também mais seguro do que o diesel de petróleo. Seu uso contribui para a diminuição do efeito estufa, proporcionando um ganho ambiental para todo o planeta pela diminuição da poluição atmosférica. É constituído de carbono neutro, ou seja, o gás carbônico gerado pela queima do biodiesel é reabsorvido pelas oleaginosas e, combinado com a energia solar, realimenta o ciclo, neutralizando suas emissões."


Fonte: http://www2.portoalegre.rs.gov.br/cs/default.php?reg=74573&p_secao=3&di=2007-05-31
Eu tenho uma certa preocupação com o meio ambiente e, de uns tempos pra cá, tenho procurado mudar a minha forma de me relacionar com ele, contribuindo para um futuro mais sustentável. Tanto, que participei da equipe que colocou este blog no ar, mas com essa correria de mudança e tantas outras coisas que estão ocupando o meu tempo agora, acabou que não tenho conseguido me dedicar ao blog. O bom é que a rede de colaboradores cresceu tanto e o blog está ficando bem conhecido na blogosfera brasileira.

Faz tempo que eu queria escrever sobre como a questão do meio ambiente está presente aqui em Vancouver. É impressionante a preocupação do governo, e da população, com esse tema. Praticamente todos os dias tem notícia sobre o meio ambiente ou sobre a mudança climática nos jornais e na televisão. Vocês não tem noção a quantidade de publicações que existem sobre desenvolvimento sustentável, vida saudável, orgânicos, etc. Só no mês passado eu peguei duas revistas gratuitas com diversas matérias sobre como ajudar o meio ambiente, as pequenas ações que podem fazer a diferença.



É disso também que trata o site One Day Vancouver. O objetivo do projeto é fazer da cidade a mais limpa, verde e saudável do mundo. E olha, eu não duvido que isso aconteça. Agora eles estão fazendo um projeto piloto com os ônibus, usando combustível alternativo, mais verde. A cidade tem a fama de ter o ar mais limpo do Canadá. As pessoas são incentivadas a não andar de carro, ou quando andar, procurar fazer o máximo possível, para não ter que sair de novo. Eles também são incentivados a fazer grupos de carona, ou andar de bicicleta. Tem muita gente que vai pro trabalho pedalando, as ruas têm faixas exclusivas para ciclistas.

Aqui todo mundo recicla o lixo. Eu ainda vou tirar fotos das caixas especiais que ficam nas ruas, só com lixo para ser reciclado. Quando você compra uma lata de refrigerante, por exemplo, parte do valor é para pagar a lata. E você recebe esse dinheiro de volta quando entrega a lata de volta no mercado. São poucos centavos, mas todo mundo junta suas latinhas, caixas de papelão e garrafas de vidro pra levar no mercado e ter de volta seus centavinhos. Eu acho que isso funcionaria muito bem no Brasil, já que por vontade própria ninguém separa lixo nenhum.

Eu estou muito feliz em morar num lugar que tem essa preocupação com o futuro da sua população. E a cultura é geral, todo mundo tenta fazer a sua parte por aqui. Eu também tenho procurado fazer a minha.

publicado também no Simples Assim.
Este é o novo site da Abril. Com apoio do Banco Real, da Bunge e da CPFL, o Planeta Sustentável tem muito conteúdo e reflexões sobre sustentabilidade. Um tema que merece discussão e tratamento sério. Na equipe de produção, minha colega, Ana Carmen Foschinni. Espero que todos curtam muito.
Quem está preocupado com o sumiço das matas e o aquecimento global tem como obrigação usar madeira certificada. O selo foi criado pelo FSC-Brasil (Conselho Brasileiro de Manejo Florestal) e garante que a madeira usada no móvel - ou nos muitos compensados que se utilizam em uma obra - não detonou nenhuma floresta.
No site, além de notícias, você encontra a relação das empresas que usam madeira certificada, o processo de certificação e todos os detalhes.
Aqui em São Paulo o destaque é para a Leo Madeiras que já tem uma loja só com madeira certificada há pelo menos cinco anos. Acabo de descobrir, no site, que eles atendem outras regiões do Estado e também outros Estados. Sem grandes pirotecnias, a empresa segue promovendo consciência ambiental e desenvolvimento sustentável.