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Nos Estados Unidos, a deputada democrática Rosa DeLauro apresentou uma proposta de lei ao congresso, que deverá ser analisada em breve. Conhecida como Food Safety Modernization Act of 2009 e patrocinada por lobistas dos grandes conglomerados como MONSANTO, CARGILL, ADM (Archer, Daniels e Midland) e mais 35 grandes empresas agroalimentares, na prática, se aprovada, a tal lei deverá acabar com a agricultura biológica, considerada insana. Do modo em que foi redigida a malfadada proposta os hortos caseiros também seriam banidos.
O objetivo, segundo a deputada, teria como finalidade criar uma nova agência dentro do Department of Health and Human Services, chamada Food Safety Administration (FSA), para proteger a população da gestão perigosa dos alimentos e criar um standard para a segurança alimentar que atinja, inclusive, alimentos importados. Desse modo, ao FDA restaria somente o controle de medicamentos.

Apesar de não existir no projeto de lei nenhuma indicação desfavorável à cultivação para o próprio consumo e a palavra "biológico" jamais ter sido usada, também não existe nenhuma indicação favorável. O projeto de lei foi redigido de maneira a permitir interpretações e determina que as disposições de segurança alimentar que consistem no uso de agentes químicos, serão adotados um muito genérico "mecanismo de produção de alimentos" e em "qualquer empresa agrícola, ranchos, hortos, vinhedos e qualquer instalação ou local usado para cultivar". Ou seja, presumivelmente seriam incluídos cultivações biológicas e hortos caseiros. Pobre Michelle Obama. Se a lei passar, ela terá que arrumar outro passatempo.

A dica veio do blog Nosso Planeta. A culpa do acordo ridículo que saiu de Copenhague é da China.

O ambientalista Mark Lynas, que participou do encontro a portas fechadas de onde saiu o "acordo", afirmou, em artigo publicado no The Guardian, que foi a China quem melou as negociações em Copenhague. Disse que todos os outros países estavam prontos para definir metas ousadas, mas que a China bateu o pé e boicotou todas as metas concretas sugeridas por eles.

Mas eu me pergunto: como assim? Tá certo que não entendo nada de política, mas se um país, apoiado por mais dois ou três gatos pingados, diz que não está bom, o resto todo aceita fazer um acordo vergonhoso? Os chineses têm tanto poder assim? Pois se o Protocolo de Quioto foi assinado por diversos países mesmo sem a adesão dos EUA, por que um Acordo de Copenhague decente não foi assinado por todo mundo que discordava da China? Como isso funciona? Potências como EUA e os países da União Européia se curvaram às exigências dos chineses? O mundo depende tanto assim deles? Gente, alguém me dê uma luz, porque fiquei perdida. E pê da vida porque ninguém teve coragem de virar para eles e dizer: "OK, não assinem o acordo e façam feio perante o mundo. Mas nós vamos assumir compromissos concretos e tomar medidas, quer vocês queiram, quer não."

Mark Lynas diz que o mundo mordeu a isca: botou a culpa nos países desenvolvidos, principalmente os EUA, e a imagem da China permaneceu intacta. Ele diz que todos tinham metas ousadas, mas a China, que mandou um representante de segundo escalão, vetou todas. Peraí. Se eu acredito em um determinado objetivo, não vou esperar meu vizinho concordar comigo. Vou agir e pronto. E é isso que me irrita: um ficar esperando o outro agir. Que tire suas metas do papel por conta própria. Tenha vergonha na cara. Não espere até que todos tenham agido para fazer a sua parte.

Ô, raiva! Sério, essa desculpa não cola para mim. E os outros países seriam tão tolos a ponto de deixar a China manipulá-los dessa forma, e ainda fazer com que levassem a culpa pra casa? Será?

Aqui tem uma versão em português do artigo de Lynas. Por mais que a China tenha boicotado as negociações, continuo achando que a culpa é de todos.

Sancionada a LEI Nº 12.187, DE 29 DE DEZEMBRO DE 2009, que institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima - PNMC.

A lei estabelece, dentre outras coisas, conceitos (art. 2º), princípios (art. 3º), objetivos (art. 4º), diretrizes (art. 5º), instrumentos (art. 6º), além de metas de redução de emissões até 2020 (art. 12).

Vale a leitura. E que aquilo que a humanidade não conseguiu para o meio ambiente em 2009 possa ser conseguido em 2010.

Se você já faz, siga fazendo; se não faz, comece agora. Sempre é tempo de fazer a sua parte!

Enquanto o resto do mundo se prepara para a grande discussão que ocorrerá em Copenhague em dezembro, hoje o primeiro escalão do governo federal das Maldivas anunciou o início de sua campanha engajatória "350", cujo objetivo principal é ter como meta uma atmosfera com menos de 350 ppm de CO2 emitidos (já estamos em 384.72 ppm - and counting).

CO2PerCapita- 2006
Gráfico das emissões de CO2 per capita no mundo feito pela ONU (e retirado do site deles). Embora o Brasil esteja "clarinho", isso é apenas reflexo de como esses dados foram gerados: não levam em conta emissão de CO2 fruto de queima de biomassa, principal contribuição de CO2 para a atmosfera que o Brasil faz; apenas consideram emissões derivadas de indústrias, produção de energia e transporte. Portanto, não temos motivo para comemorar.

Para atingir tal meta, o documento pede a colaboração de todos os países do mundo para que determinem um limite de menos de 350ppm de emissões. O detalhe mais bacana e criativo é que a reunião para assinar a campanha e torná-la oficial foi feita debaixo d'água, simbollizando o que pode vir a acontecer num futuro próximo com o país.

Maldivas gabinete sub
(Foto da AFP - Getty, tirada do NYTimes.)

Durante a semana, os políticos maldivenses treinaram mergulhos com dive masters do arquipélago e hoje puderam finalmente descer ao fundo da laguna e ter seu dia oficial sub sem maiores problemas. O Presidente Nasheed mais a cúpula ministerial, todos debaixo d'água. Sem dúvida, é um dia histórico para as Maldivas, e (deveria ser...) alarmante para nós, população humana que compartilha o mesmo planeta com eles. Afinal, serão alguns centímetros de elevação que poderão fazer o país desaparecer, e há previsões que indicam que isso acontecerá em menos de 100 anos.

gabinete oficial maldivense
Ministros e presidente, antes da reunião oficial sub.

O gabinete sub
O gabinete sub.

Presidente maldivense Nasheed
Presidente maldivense assinando o documento oficial da campanha "350". (As 3 fotos acima foram retiradas do press release da campanha, encontrado aqui para download gratuito.)

Das palavras do Presidente Nasheed:

"'What we are trying to make people realize is that the Maldives is a frontline state. This is not merely an issue for the Maldives but for the world.''

Ou seu discurso em setembro passado na ONU:

As Maldivas há tempos vêm lutando mundialmente por uma postura mais rígida de emissão de CO2. Mostrando preocupação pungente, criaram em novembro passado um fundo monetário para comprar terras em outros países para seus refugiados climáticos. Isso porque o país será dos primeiros, junto com Tuvalu, a ser inundado pelo aumento do nível dos oceanos (causado pelo derretimento das calotas polares).

Por mais que eu adore mergulho, ver o gabinete todo embaixo d'água é uma cena que me surpreende, pelo tanto que ela significa. E pelo tanto que eu gostaria que a gente acordasse para não deixar isso acontecer. Porque acontecendo, significa que não só as Maldivas foram pro fundo do mar: nossa capacidade de contornar um problema grave também foi jogada aos tubarões - se até lá eles ainda existirem... Triste.

aquecimento_global.jpg"Pensar globalmente, agir localmente."

Consagrado lema da atuação local em prol do desenvolvimento sustenável do planeta, surgiu a partir da Eco 92 como indicação da necessidade de uma agenda de ações e compromissos interdependentes entre diferentes setores da população nos âmbitos internacional, nacional, regional, estadual e municipal para a resolução dos problemas ambientais mundiais identificados até então - daí o nome "agenda 21" para o documento base principal para a elaboração desses compromissos.

Claro que, para a eficácia desta agenda, foi necessário ultrapassar barreiras ideológicas, políticas, de método e de conhecimento científico e tecnológico - que nos últimos anos retardaram em muito a obtenção de resultados em práticas de políticas públicas em planejamento ambiental - de modo que desenvolvemos uma pequena perspectiva de mudança nos padrões de produção e consumo - fator essencial que sempre incomodou ambientalistas e educadores ambientais...


Já defendi neste mesmo espaço - e dividi a mesma angústia de - a necessidade de se ter uma "agenda 21 pessoal', de modo que possamos individualmente nos responsabilizar por essa mudança de padrão e, através de nossas "ações de formiginha" (outra frase consagrada para o mesmo contexto!) desepenharmos um papel melhor no mundo e na condução deste mundo para as mudanças.

Impressionante foi - e é - a difilculdade de ser um marciano, de falar para as paredes, de se sentir ignorado e menosprezado pelos tomadores de decisão no mundo enfrentada por todos aqueles que bradavam aos quatro ventos a necessidade de mudança. E, mais ainda, da inserção no pensamento das pessoas comuns - a "comunidade" - de que, quer queiram ou não, fazem parte de uma estrutura maior e são responsáveis pela manutenção - assim como pela transformação - desta mesma estrutura!

Até o advento do conhecido relatório do IPCC.

Sigla em inglês para Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, apresentava diagnóstico bastante contundende da contribuição humana em nível mundial para intensificação do processo de aquecimento global e consequentemente nas mudanças climáticas que tanto afligem a própria humanidade. Mas o IPCC não surgiu do nada; foi apenas a confirmação e aceitação pública de uma verdade comprovada por inúmeros marcianos, faladores solitários, pensadores antes menosprezados e ignorados que não arrefeceram perante as dificuldades e continuam sua agenda pessoal de mobilização em prol de um mundo melhor - colocando em cada uma de suas ações a total interconexão entre o global e o local, entre o individual e o coletivo, entre o privado e o público.

Claro que estou sendo profundamente romântico neste tipo de pensamento, mas...

Benditos aqueles que, pensando globalmente, agiram localmente!!


Pena que a situação ambiental tenha que chegar a tal ponto quase irreversível - para que a sociedade se mobilize em função do tema.

Mas sinto agora a coisa ambiental já tão inserida no imaginário popular - a ponto de ser apelo midiático tema de vários filmes épicos e populares - que passou a ser uma necessidade eleitoral o investimento de mais tempo e mais dinheiro para "resolver o aquecimento global" (como se isso fosse possível).

Mesmo assim, sinto no mundo - desde os moradores de rua até os grandes políticos mundiais - a sensação de a água está batendo nas partes baixas (às vezes literalmente!) e que tem-se que tomar alguma atitude. Não digo que é geral - não estamos todos plantando árvores e abandonando os carros na rua - mas há um sentimento de resistência muito menor ao tema do que antes - muitos políticos já estão se perguntando intimanente: "tá, tá bom, acredito. mas por onde começo, sem afetar minhas atuais ambições de poder?" ou mesmo "puxa vida: se não aprender logo sobre esse negócio vou me dar mal nas próximas eleições".

(Tudo bem. Não é o pensamento adequado, mas é um começo.)

Muitas políticas públicas locais têm sido desenhadas para integrar as soluções dos mesmos problemas de antes - pobreza, enchentes, poluição, moradia, saúde e assim por diante - dentro do mesmo guarda-chuva emergencialdo das "políticas mitigatórias dos efeitos e consequências das mudanças climáticas" na comunidade local.

(O tema tem atraído investimentos - com boas ou não tão boas intenções.)

acredito que, finalmente, podemos ter um pequeno vislumbre do que significaria a concretização da da agenda 21:

  • a inseparabilidade do pensamento local do global;
  • a interconexão plena das ações locais na resolução dos problema globais.

Em outras palavras:

Pensar localmente passará a ser agir globalmente!

Sempre me disseram que grandes tragédias trazem grandes movimentos de mudança em relação a novas esperanças.

Estou começando a acreditar nisso.

E viva o aquecimento global.

Reproduzo aqui a mensagem enviada pelo grupo Avaaz sobre a Medida Provisória 458, que prevê a privatização de partes da Amazônia.

"O Presidente Lula tem só até esta quinta-feira para vetar partes da MP que irá privatizar a Amazônia. A pressão popular é fundamental nestes momentos decisivos até a MP ser assinada. Vamos mostrar ao presidente Lula que os brasileiros se importam com a Amazônia!

Mande uma mensagem pro Lula agora!

Precisamos ajudar a salvar milhões de hectares da Amazônia do desmatamento e destruição: HOJE é o prazo final para o Presidente Lula decidir se vai vetar alguns pontos da Medida Provisória que irá privatizar partes da Amazônia pertencentes à União.

Há duas semanas a Avaaz enviou um alerta sobre a Medida Provisória (MP) 458 e mais de 14.000 pessoas congestionaram as linhas telefônicas do Gabinete Presidencial pedindo o veto das partes mais perigosas da MP. Em 48 horas, o Presidente declarou publicamente que iria vetar os pontos criticados pela campanha. Porém, desde então o Presidente vem sofrendo uma forte pressão da bancada ruralista do governo, fazendo declarações preocupantes sobre o desenvolvimento da região Amazônica.

Nosso prazo para persuadir o Presidente a manter a sua palavra está acabando. Neste momento crítico em que o Lula está decidindo o que vetar, a pressão popular poderá ter um papel decisivo para a proteção da Amazônia. Clique aqui para enviar uma mensagem para o Lula AGORA, leva só dois minutos para registrar a sua participação!

A Medida Provisória 458 não é toda ruim, ela foi concebida para proteger pequenos agricultores que precisam do título legal das terras que ocupam. Porém, a MP foi manipulada pelos interesses do agronegócio, muitos dos quais são responsáveis pela ocupação violenta e ilegal de terras amazônicas. Se a MP for assinada na sua forma atual, os que mais tem serão os maiores beneficiários do programa do governo.

Nosso apelo para o Lula é:

- Vetar a ocupação e exploração indireta, para que apenas as pessoas que moram nas terras tenham suas propriedades regulamentadas.
- Vetar regularização para empresas privadas, somente pessoas físicas devem ter direito à regularização.
- Proibir a comercialização das terras regularizadas por 10 anos, ao invés dos propostos 3 anos, evitando assim a especulação comercial das terras."

Vamos ajudar!

Cerejas japas
Foto: Lucia Freitas

Do Blog da Amazônia por Altino Machado
O projeto apresentado pelo ministro da Agricultura, Reynhold Stephanes, que prevê, entre outras medidas, anistia aos desmatadores e redução da reserva legal na Amazônia para 30%, forçou as principais organizações ambientalistas que atuam na Amazônia a anunciarem em nota que vão se retirar das negociações sobre o Código Florestal.
As organizações consideram a proposta apresentada pelo Ministério da Agricultura e Frente Parlamentar da Agropecuária "uma verdadeira bomba-relógio para fomentar novas situações como aquelas de Santa Catarina, legalizando e incentivando a ocupação de áreas ambientalmente vulneráveis".
Não é possível discutir e negociar com um ministério que, em detrimento do interesse público, se preocupa apenas em buscar anistias para particulares inadimplentes. Para ter credibilidade, o processo de negociação sobre código florestal deve ser vinculado à obtenção do desmatamento zero, conforme assumido pelo presidente da república, e ao cumprimento da legalidade em todo o território nacional - afirmam as entidades.
A nota é assinada por Amigos da Terra - Amazônia Brasileira, Conservação Internacional, Greenpeace, Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), Instituto Centro de Vida (ICV), Instituto Socioambiental (ISA), Instituto de Pesquisas da Amazônia (IPAM), TNC Brasil e WWF - Brasil.
Além de se retirar das negociações sobre o Código Florestal, as entidades ambientalistas pedem ao presidente Lula seriedade por parte do governo. Leia a nota na íntegra:
"Enquanto o Presidente Lula assume metas para redução do desmatamento e das emissões de gases de efeito estufa no Brasil - e Santa Catarina contabiliza centenas de mortos, milhares de desabrigados e bilhões em prejuízos, decorrentes da ocupação irregular e consentida de áreas que deveriam ser de preservação permanente - o Ministro Reynhold Stephanes da Agricultura, em proposta já acordada com parte da bancada parlamentar ruralista no Congresso Nacional, se empenha em aprovar, ainda em dezembro, um pacote que ofende o interesse público, a legalidade e os agricultores que cumprem com a mesma. Vejamos:
1) Anistia geral e irrestrita para as ocupações irregulares em Área de Preservação Permanente existentes até 31 de julho de 2007 - incluindo topos de morros, margens de rios, restingas, manguezais, nascentes, montanhas, terrenos com declividade superior a 45º. Isso comprometeria não apenas os recursos hídricos, mas até mesmo os próprios ocupantes de áreas de risco, em função de enchentes e desmoronamentos como aqueles vistos em Santa Catarina.
2) Redução dos percentuais de reserva legal na Amazônia sem a realização do zoneamento ecológico-econômico, instrumento previsto por lei para garantir a adequação das ocupações do solo rural, um dos poucos elementos de consenso entre ruralistas e ambientalistas até o momento. Enquanto o Plano Nacional sobre Mudanças Climáticas propõe a necessidade de recuperação de mais de 100 milhões de hectares de pastos abandonados ou degradados, o Ministério da Agricultura cogita a consolidação de ocupações independentemente da confirmação da aptidão do solo.
3) Escambo de áreas desmatadas na Mata Atlântica ou no Cerrado por floresta na Amazônia, quebrando por completo a lógica prevista na Lei da equivalência ecológica na compensação de áreas e permitindo a consolidação de grandes extensões de terra sem vegetação nativa, o que se agrava com a consolidação de todas as ocupações ilegais em área de preservação permanente até 2007 e citada acima.
4) Possibilidade, para os estados, de reduzir todos os parâmetros referentes às áreas de preservação permanente, acabando com o piso mínimo de proteção estabelecido pelo código florestal, o que pode ensejar mais desmatamento em todos os biomas no Brasil e a competição pela máxima ocupação possível.
A proposta apresentada pelo Ministério da Agricultura e Frente Parlamentar da Agropecuária é uma verdadeira bomba-relógio para fomentar novas situações como aquelas de Santa Catarina, legalizando e incentivando a ocupação de áreas ambientalmente vulneráveis.
Não é possível discutir e negociar com um ministério que, em detrimento do interesse público, se preocupa apenas em buscar anistias para particulares inadimplentes. Para ter credibilidade, o processo de negociação sobre código florestal deve ser vinculado à obtenção do desmatamento zero, conforme assumido pelo presidente da república, e ao cumprimento da legalidade em todo o território nacional.
As organizações ambientalistas abaixo assinadas acompanharam as duas primeiras reuniões do grupo de trabalho formado pelos Ministérios da Agricultura, do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Agrário acreditaram na seriedade e no compromisso do grupo para com a produção agrícola sustentável no país e propuseram soluções viáveis de interesse geral. Agora, em respeito à sociedade nacional, às vitimas atuais e futuras do desflorestamento e aos produtores rurais que vêm cumprindo a lei, se retiram do referido grupo e denunciam mais uma iniciativa unilateral e desprovida de base técnica e jurídica. O fato que esta iniciativa seja oriunda do próprio poder executivo federal, contrariando o anúncio do chefe do executivo, requer que o Presidente crie condições para discutir, com legitimidade e equilíbrio, como aprimorar e implementar melhor o código florestal, para que possa mais efetivamente contribuir para o desmatamento zero.

Amigos da Terra - Amazônia Brasileira
Conservação Internacional
Greenpeace
IMAZON
Instituto Centro de Vida (ICV)
Instituto Socioambiental (ISA)
IPAM
TNC Brasil
WWF - Brasil"

Detalhe: a história já está no senado e a lutadora Marina Silva foi vista, na última semana, no Entre Aspas, programa da Mônica Waldwogel na GNT, debatendo com um deputado ruralista (o nome não importa...) que defendeu o trem com unhas e dentes. Ou bem a gente mexe os dedinhos - lembrem que senadores têm e-mails e são NOSSOS representantes, não dos lobistas - ou bem vamos continuar a fazer feio no quesito desmatamento. Hora de agir.

A Ilha

Aos poucos a terra foi desaparecendo até que só restou aquela tripa no meio do oceano. O povo que ali vivia se dividia entre 'de esquerda' e 'de direita'; entre sul e norte, ainda que fosse impossível identificar onde fosse seja o norte que o sul. As poucas bússolas giravam sem referência; o sol e as estrelas a cada dia nasciam em uma direção. Havia-se a impressão de que o último pedaço de terra deste mundo flutuava sobre um lento vórtice.

Eles a chamavam "Nossa Terra", pois tinha sido proibido referir-se ao lugar como uma ilha - era uma ilha - e todos eram orgulhosos da própria cultura. "A única sociedade que sobreviveu", diziam. De resto, discordavam de tudo. Nada era decidido, todos objetavam e denunciavam complôs. Até mesmo quando decidiram construir a nave discordaram e se acusaram mutuamente de plágio, espionagem e processaram-se em uma disputa pela autoria da ideia, que não chegou a conclusão alguma. Foi só porque todos se sentiam donos do projeto que o navio foi construído. [E porque - dizia-se à boca miúda - a ilha também iria desaparecer.]

Construíram um imenso estaleiro flutuante, capaz de suportar o navio que abrigaria toda a população. Áreas de lazer, atividades produtivas e, é claro, muito conforto. Para evitar novas acusações e espionagem, a estrutura foi dividida à metade, direita e esquerda, e um tapume escondia o que cada parte fazia. A esquerda caprichou na biblioteca, no salão de debates e nos diversos bares para onde convergiriam as muitas facções partidárias. A direita, no suntuoso e único restaurante, no salão de festas e no palanque eleitoral. O tempo foi passando e a barulheira era infernal, vinte e quatro horas por dia. Na data marcada a grande nave estava pronta. Coberta, mas pronta. A direita desejava fazer uma grande festa, mas a esquerda achou um desperdício e começou a derrubar o tapume. O povo foi subindo aos poucos, deixando aquela tira de terra que começava a alagar. Como previsto, o peso fez a estrutura ceder e o navio começou a flutuar.

Os líderes das duas partes se encontraram no meio do navio e tiraram as últimas peças que dividiam a nave. Finalmente todos no mesmo barco. A direita logo apresentou seus planos de navegação, mas a esquerda discordou:
-- Iremos na direção em que aponta a proa. Fácil!

A direita deu de ombros:
-- A proa aponta para a direita. Iremos pra lá.

-- Fomos nós que construímos a proa. - Retrucou a esquerda - Pilotamos nós o navio. Para a esquerda!

Só então se deram conta de terem construído duas proas. O navio não tinha popa nem motores ou leme.

-- Vocês tem os operários e a matéria-prima. Por que não fizeram a popa e os motores? - Questionou a direita.

-- Mas se as indústrias e os engenheiros estão nas mãos de vocês... - Acusou a esquerda.

-- Mas se as fábricas estão no sul, a parte pobre e esquerda da ilha...

-- Mas se são vocês que tem o projeto nas mãos... Blá, blá, blá

-- Acontece... Blá, blá...

-- Blá...

A terra começava a desaparecer, a nave flutuava à deriva e a discussão ameaçava não ter fim. As vozes iam desaparecendo na imensidão daquele oceano único, azul-escuro como a noite que começava a cair. No horizonte grossas nuvens se formavam. E eles rumavam para a tempestade.

-- Blá, blablá, blá!

-- Blá, blá...

gal_samerica.jpg

Por que o ambiente fica sempre em segundo plano nas plataformas políticas?

Principalmente em período de eleição, os candidato fogem dos ambientalistas como o diabo foge da cruz. Dizem que "meio ambiente não dá voto". Poucos são os corajosos que arriscam-se a realmente propor ações em prol do desenvolvimento ambientamente sustentável.

Pronto, está exposta a dialética ambiente versus desenvolvimento.

Construir isso, ampliar aquilo - desenvolver, no sentido de políticas públicas - foi sempre considerado como sinônimos para melhor qualidade de vida da população. Isso se deve ao fato de que, com obras de infraestrutura e com desenvolvimento industrial, é possível facilmente gerar emprego e renda nas localidades mais "atrasadas" o que diretamente afeta a qualidade do meio ambiente. Naturalmente, a reação dos ambientalistas é de dificultar esse processo, resultando na tradicional denominação de inimigos do desenvolvimento.
Assim temos PAC disso, PAC daquilo, e a eterna briga entre a Casa Civil ou o Ministério do Desenvolvimento Agrário e o solitário ministro (ou ministra) do meio ambiente - por um lado, sem contar com a guerra que se trava entre governo (sempre na direção errada) e sociedade civil (sempre a paladina da justiça).

Problema: o modelo de desenvolvimento que é largamente defendido desde o inicio do processo de urbanização, este que sempre significou crescimento econômico aliado à ampliação da infraestrutura urbana das cidades. Apesar de o modelo de associar a qualidade de vida ao acesso às cidades estar assumindo - ainda que lentamente - a compreensão de que a esse crescimento econômico acelerado soma-se o uso também acelerado dos recursos naturais, a falta de informação torna insipiente o movimento de recusar o desenvolvimento a qualquer custo - considerado desde os anos 70 como contracultura (lembram-se dos "hippies"?).

.Fala-se muito em desenvolvimento sustentável, mas na prática é pouco aplicado, pois para isso seria necessário um crescimento controlado, que não convém a este modelo desenvolvimentista - lembrando que é desta forma de produzir e consumir que depende a nossa qualidade de vida.

Solução: aliar o discurso do desenvolvimento com o da proteção ambiental. os ambientalistas já têm suas respostas, desenvolvidas através de seus modelos socioambientais, sustentáveis e de garantia do equilíbrio ecológico; há mais de trinta anos têm-se discutido novos modelos de desenvolvimento; diversos documentos foram assinados estabelecendo compromissos dos países com relação à conservação. De forma geral, há consenso no meio ambiental sobre o que deve ser feito. Mas na hora das decisões, a inércia do poder público se fixa em construir estradas, investir na agricultura extensiva, na industria poluidora, no desenvolvimento dos parques tecnológicos para gerar emprego e melhorar a economia facilitando o aumento da produção.

Infezlimente, propagar o atual modelo de desenvolvimento que exaure os recursos naturais do planeta atrai mais a atenção e apoio da população. "Vitória" da população, que recebe acesso ao urbano; "vitória" dos políticos, que recebem seus votos. E, no final, perdemos todos.

Este cenário é apenas um reflexo de um modelo político mundial ainda embasado na defesa de interesses fragmentados em setores, em detrimento do interesse comum. São estudantes, metroviários, bancários, engenheiros, médicos, músicos, empresários, sem-terras e...ambientalistas: cada um defendendo para si uma parte do bolo do poder, estabelecendo seus argumentos de que seu setor é um dos mais importantes para o desenvolvimento do país. Essa fragmentação se reflete nos políticos, que buscam representar um desses setores - quando muito - e não conseguem atingir um consenso ao bem comum tanto almejado.

Do mesmo modo, países disputam entre si o direito de poluir mais, comprando créditos ambientais de outros como se isso diminuísse o impacto da poluição.

Assim, meio ambiente (e educação, cultura, saúde) que deveria ser de interesse comum e consenso de todos, passa a ser tema de disputa política onde cada lado quer impor sua forma de resolver o problema, que de tão complexo acaba por não ser resolvido de forma nenhuma e é empurrado de um lado para o outro como problema de ninguém.

E continuamos perdendo.

Todas essas perspectivas levam a seguinte conclusão: sabe-se da necessidade de mudar esse modelo, mas esse processo passa necessariamente por uma mudança interna nos valores da sociedade, na visão estabelecida de qualidade de vida e desenvolvimento. A sociedade mostra aos políticos o que é realmente importante ser defendido e propagado: ambiente e desenvolvimento, não ambiente x desenvolvimento. Não pode haver antagonismo num contexto de necessidade comum, assim como não pode haver interesses pessoais em detrimento do interesses de todos.

Esse é contexto da cidadania planetária: estabelecer a idéia de cooperação e co-responsabilidade para um futuro comum.

Isso significa questionar: qual o modelo de indústria que utilizamos? E de agricultura? Como podemos adaptar esses modelos tradicionais ao contexto de desequilíbrio ambiental vivido atualmente? É pela busca destes novos modelos que o movimento ambientalista direciona seus esforços.

É claro que, aparentemente, se coloca contra o modelo desenvolvimento vigente - é o trabalho de quem tem que reduzir o ritmo da destruição e ao mesmo tempo encontrar alternativas em tempo hábil. Mas, em essência, a luta não é contra do desenvolvimento, é contra a ignorância que perdura em considerar a questão ambiental como um setor separado - propriamente um obstáculo - e não como a base que sustenta o todo. Em analogia com o corpo humano: que capacidade social, econômica e política pode ser desenvolvida se este corpo não for mantido alimentado e descansado? Desta mesma forma nenhuma sociedade pode desenvolver-se sem considerar a sua sustentabilidade ambiental. É como esgotar todos os alimentos disponíveis e começar a comer a própria carne...
Ano que vem será novamente um ano eleitoral, e podemos todos começar a fazer a nossa parte: cobrar de nossos candidatos como aliar desenvolvimento com sustentabilidade sem hipocrisia. Este será o momento em que as plataformas ambientais passarão a ser obrigatórias e servirão como base a todo e qualquer desenvolvimento - pondo fim a essa irresponsabilidade evitável.


E por esse processo de mudança de visão somos todos - inevitavelmente - responsáveis.



Arnold Schwarzenegger pode estar bem cotado para ser o homem da energia de Obama, mas não corre sozinho nessa disputa. Outro nome meio óbvio é o de Al Gore. Após a derrota pro Bush Jr. em 2000, ganhou destaque mundial explorando o tema convenientemente e hoje tem uma das propostas mais audaciosas quando o assunto é remodelação da forma como produzimos e consumimos energia para enfrentar as mudanças climáticas, o projeto Repower America. Em linhas gerais, prevê a geração de 100% da energia consumida nos EUA por meio de fontes renováveis - basicamente eólica (27%), solar (16%) e eficiência energética (28%) - num prazo de 10 anos. Biocombustíveis e energia geotérmica teriam seu espaço também, com 3% cada. Nenhuma hidrelétrica ou usina nuclear seria construída no período, ficando as atuais com 23% do novo cenário. Em 2019, nada de petróleo ou carvão. Não é fraco não.

O projeto é bem próximo ao proposto pelo Greenpeace e Conselho Europeu de Energias Renováveis, o [R]evolução Energética, tecnica e politicamente, já que vê uma imensa oportunidade na crise gigante que surfamos sabe-se lá como.

Se os americanos são bons mesmos em fazer dinheiro, mesmo quando ele é escasso, a hora é essa. As ações de empresas do setor estão fervilhando. Na ressaca da orgia do capital especulativo, talvez testemunhemos novos tempos de investimentos voltados prioritariamente à produção do bem, que permitirá gerar empregos e renda. A ONU já cantou a pedra: milhões de empregos podem ser gerados até 2030 com investimentos em energias verdes. A recessão já vem provocando o curioso movimento de deixar algumas empresas mais verdes - como tem feito com a indústria de eletrônicos.

Seja com Schwarzzie ou Gore, quero ver as doletas verdinhas salvando o planeta, não apenas depredando-o em benefício próprio. Compartilho da utopia promovida pelo pessoal do Yes Man, quero ver um NYT recheado de boas notícias - o que não significa que serão fáceis. Nem perfeitas. Que sejam honestas, já basta.

Quem quiser conferir a íntegra da edição fake do NYT, só com notícias que gostaríamos de ver publicadas, acesse nytimes-se.com.

No vídeo abaixo, vc saberá como foi engendrada essa ação genial, bem como verá um representante do NYT ficar putinho (1min22s) ao ser questionado sobre Judith Miller, quando defendia a posição do jornal na cobertura da guerra do Iraque.


New York Times Special Edition Video News Release - Nov. 12, 2008 from H Schweppes on Vimeo.

O que significa a eleição de Barak Obama para as políticas de combate às mudanças climáticas e reforma da matriz energética - americana e mundial? É o que tenta responder Adam Stein, co-fundador da Terra Pass, organização focada em reduzir nossa pegada de carbono no planeta, em artigo publicado em seu site e replicado por vários outros pela internet. Segundo ele:

Obama tem sido frequentemente apontado como o primeiro político pós-racial. Quando nós um dia avaliarmos sua gestão, podermos vê-lo na verdade como o primeiro presidente pós-ambiental, o líder que foi capaz de conectar os pontos dos temas energia, economia e segurança de uma forma a elevar esses assuntos acima dos interesses de certos grupos e colocá-los no centro da agenda política.

A íntegra do artigo de Stein pode ser lida aqui.

Obama terá um trabalho danado para consertar os estragos feitos por oito anos de administração Bush Jr. na imagem dos Estados Unidos mundo afora. Se der o impulso necessário às políticas adequadas para equilibrar o saldo entre desenvolvimento e conservação ambiental, vai novamente fazer história - e ganhar ares de divindade. Apesar de ser um pouco cético em relação a isso, espero sinceramente que Obama aproveite a oportunidade para mostrar que os EUA podem sim liderar o planeta, mas de uma forma benigna.

Há alguns dias um braço-de-ferro entre a Itália e Bruxelas (sede da Comunidade Econômica Europeia) tem recebido menos atenção da imprensa de quanto deveria: o governo italiano ameaça não ratificar o acordo que prevê a redução de emissão de gases do efeito estufa.

A Itália não apresentou nenhuma solicitação formal para a revisão do tratado, mas sugeriu que os dados sobre a redução sejam revistos sob uma ótica de custo x benefício. Ou seja, o governo italiano não acha justo que países como a Itália - cujo parque industrial é predominante para a formação do PIB - devam ter como objetivo o mesmo percentual de redução de gases que os países que transferiram a produção industrial para zonas periféricas, normalmente no terceiro mundo. Lembra, ainda, o governo italiano, que a atual crise financeira irá reduzir o poder de investimento das indústrias em atividades que não gerem receitas.

A discussão promete ser abafada e terminar em pizza, e o compromisso de reduzir em 20% a emissão de gases até 2020 na área euro vai ficar na intenção. O governo italiano propõe que áreas "adotadas" sejam consideradas no cálculo da redução [por exemplo: financiar um programa que mantenha um pedaço de selva asiática livre de projetos comerciais ou industriais. Ou seja: pagar para que a floresta continue sendo floresta]; em Bruxelas já há quem entenda que os países do terceiro mundo que hospedam indústrias europeias também devam entrar no cálculo. Como o limite de tempo é o mês de Dezembro, quando o acordo que prevê a redução dos gases deve ser ratificado, podem ir preparando a mozzarella.

Com a língua afiada, a cômica Luciana Littizzetto resumiu em uma frase o resultado da posição do governo italiano: "Em dez anos teremos empresas saudáveis mas nós estaremos podres."

Desmatamento gera mais perdas para economia do que mercados, diz estudo

RICHARD BLACK
da BBC News

A economia global está perdendo mais dinheiro com o desaparecimento das florestas do que com a atual crise financeira global, segundo conclusões de um estudo encomendado pela União Européia.

A pesquisa, "A Economia dos Ecossistemas e Biodiversidade" (Teeb, na sigla em inglês), foi realizada por um economista do Deutsche Bank. Ele calcula que os desperdícios anuais com o desmatamento vão de US$ 2 trilhões a US$ 5 trilhões. O número inclui o valor de vários serviços oferecidos pelas florestas, como água limpa e a absorção do dióxido de carbono.

O estudo tem sido discutido durante várias sessões do Congresso Mundial de Conservação, que está sendo realizado em Barcelona.

Em entrevista à BBC News, o coordenador do relatório, Pava Sukhdev, enfatizou que o custo com a degradação da natureza está ultrapassando o dos mercados financeiros globais. "O custo não é apenas maior, ele é contínuo", disse Sukhdev. "Enquanto Wall Street, segundo vários cálculos, tenha perdido entre US$ 1 trilhão a US$ 1,5 trilhão, estamos perdendo capital natural no valor de pelo menos US$ 2 a US$ 5 trilhões todos os anos".

Pobres

O relatório foi iniciado na Alemanha quando o país ocupava a presidência rotativa da União Européia, com fundos da Comissão Européia.

A primeira, concluída em maio, apontou que as perdas com a destruição das florestas equivalem a 7% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Segundo o economista, para entender as conclusões do estudo é preciso saber que à medida que as florestas são destruídas, a natureza pára de fornecer serviços que normalmente oferecem de graça.

Como conseqüência, o homem tem de passar a produzir tais serviços, seja pela construção de reservatórios ou de estruturas para seqüestrar dióxido de carbono ou áreas para o plantio que antes estavam disponíveis naturalmente. Ainda segundo os dados do Teeb, os gastos com a degradação do ambiente recaem mais sobre os mais pobres, que tiram boa parte de seu sustento diretamente da floresta, principalmente nas áreas tropicais.

Para as nações do Ocidente, as maiores gastos se refletiriam com as perdas dos elementos absorvedores naturais dos gases poluentes.

O relatório tomou como base o Stern Review, um estudo divulgado em 2006 na Grã-Bretanha, que analisa o impacto econômico do aquecimento global e afirma as mudanças climáticas podem causar o mais profundo e extenso dano à economia mundial já visto.

"Os dados divulgados no Stern Review fizeram com que os políticos acordassem para a realidade", afirmou Andrew Mitchell, diretor do Programa Global Canopy, uma organização que canaliza recursos financeiros para a preservação florestal. "O Teeb terá o mesmo valor, e mostrará os riscos que nós corremos se não os avaliarmos corretamente".

Alguns participantes do evento esperam que o novo estudo será uma nova forma de convencer legisladores a criar políticas que financiem a proteção da natureza em vez de permitir que o declínio de ecossistemas e espécies continue.

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Meus caros amigos,

Para aqueles absortos pelo período eleitoral, Parece que o sol volta a brilhar novamente.

infelizmente o céu está nublado, e uma tormenta aponta no horizonte...e atingirá a todos. Sem palavras para descrever tal horizonte de eventos, recorro para um de meus mestres mais queridos.

WWW.adital.com.br

O abalo dos muros

FREI BETTO

O programa Bolsa-Fartura de Bush reúne quantia suficiente para erradicar a fome no mundo. Mas quem se preocupa com os pobres?

NO PRÓXIMO ano, completam-se 20 anos da queda do Muro de Berlim, símbolo da bipolaridade do mundo dividido em dois sistemas: capitalista e socialista. Agora assistimos ao declínio de Wall Street (rua do Muro), na qual se concentram as sedes dos maiores bancos e instituições financeiras.
O muro que dá nome à rua de Nova York foi erguido pelos holandeses em 1652 e derrubado pelos ingleses em 1699. Nova Amsterdam deu lugar a Nova York.
O apocalipse ideológico no Leste Europeu, jamais previsto pelos analistas, fortaleceu a idéia de que fora do capitalismo não há salvação. Agora, a crise do sistema financeiro derruba o dogma da imaculada concepção do livre mercado como única panacéia para o bom andamento da economia.
Ainda não é o fim do capitalismo, mas talvez seja a agonia do caráter neoliberal que hipertrofiou o sistema financeiro. Acumular fortunas tornou-se mais importante que produzir bens e serviços. A bolha especulativa inflou e, súbito, estourou.
Repete-se, contudo, a velha receita: após privatizar os ganhos, o sistema socializa os prejuízos. Desmorona a cantilena do "menos Estado e mais iniciativa privada". Na hora da crise, apela-se ao Estado como bóia de salvamento na forma de US$ 700 bilhões (5% do PIB dos EUA ou o custo de todo o petróleo consumido em um ano naquele país) a serem injetados para anabolizar o sistema financeiro.
O programa Bolsa-Fartura de Bush reúne quantia suficiente para erradicar a fome no mundo. Mas quem se preocupa com os pobres? Devido ao aumento dos preços dos alimentos, nos últimos 12 meses, o número de famintos crônicos subiu de 854 milhões para 950 milhões, segundo Jacques Diouf, diretor-geral da FAO (Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação).
Quem pagará a fatura do Proer usamericano? A resposta é óbvia: o contribuinte. Prevê-se o desemprego imediato de 11 milhões de pessoas vinculadas ao mercado de capitais e à construção civil. Os fundos de pensão, descapitalizados, não terão como honrar os direitos de milhões de aposentados, sobretudo de quem investiu em previdência privada.
A restrição do crédito tende a inibir a produção e o consumo. Os bancos de investimentos colocam as barbas de molho. Os impostos sofrerão aumentos. O mercado ficará sob regime de liberdade vigiada: vale agora o modelo chinês de controle político da economia, e não mais o controle da política pela economia, como ocorre no neoliberalismo.
Em 1967, J.K. Galbraith chamava a atenção para a crise do caráter industrial do capitalismo. Nomes como Ford, Rockefeller, Carnegie ou Guggenheim, exemplos de empreendedores, desapareciam do cenário econômico para dar lugar à ampla rede de acionistas anônimos. O valor da empresa deslocava-se do parque industrial para a Bolsa de Valores.
Na década seguinte, Daniel Bell alertaria para a íntima associação entre informação e especulação e apontaria as contradições culturais do capitalismo: o ascetismo (= acumulação) em choque com o estímulo consumista; os valores da modernidade destronados pelo caráter iconoclasta das inovações científicas e tecnológicas; lei e ética em antagonismo quanto mais o mercado se arvora em árbitro das relações econômicas e sociais.
Se a queda do Muro de Berlim trouxe ao Leste Europeu mais liberdade e menos justiça, introduzindo desigualdades gritantes, o abalo de Wall Street obriga o capitalismo a se repensar. O cassino global torna o mundo mais feliz? Óbvio que não. O fracasso do socialismo real significa vitória do capitalismo virtual (real para apenas um terço da humanidade)?
Também não.
Não se mede o fracasso do capitalismo por suas crises financeiras, e sim pela exclusão -de acesso a bens essenciais de consumo e direitos de cidadania, como alimentação, saúde e educação- de dois terços da humanidade. São 4 bilhões de pessoas que, segundo a ONU, vivem entre a miséria e a pobreza, com renda diária inferior a US$ 2.
Há, sim, que buscar, com urgência, um outro mundo possível, economicamente justo, politicamente democrático e ecologicamente sustentável.

(CARLOS ALBERTO LIBÂNIO CHRISTO , o Frei Betto, 64, frade dominicano e escritor, é autor de "Calendário do Poder" (Rocco), entre outros livros. Foi assessor especial da Presidência da República em 2003-2004).

Fim do segundo ato.

O grande final, fica a cabo de cada um de vocês.

Escrevi sobre a emergência do lixo em Nápoles aqui e ali. Após algumas medidas e muita polêmica, achei que era hora de atualizar a informação.

A verdade é que o problema é antigo, com mais de 14 anos, que virou uma emergência há cinco. Sempre foi objeto das campanhas políticas locais. Sob os holofotes de Bruxelas, virou promessa da campanha deste ano, que elegeu Silvio Berlusconi como primeiro-ministro. O problema realmente ficou sério, com escolas fechadas e um delegado que temia uma revolta popular. E tudo indicava que a história acabaria mal.

A primeira reunião ministerial do novo governo, aconteceu em Nápoles, onde Berlusconi reafirmou o compromisso e garantiu que a cidade estaria limpa para a chegada dos turistas, no verão. Tomou medidas impopulares, como reabrir aterros sanitários fechados; mandar o exército às ruas para patrulhar esses mesmos aterros, bloqueados por moradores por estarem saturados (os aterros e os moradores); pressionar os governadores de outras regiões para que aceitassem receber parte do lixo da região Campania. Além disso, acertou com o governo alemão a utilização dos icineradores desativados próximos à fronteira com a Itália. Depois, voltou à cidade anunciando o sucesso da empreitada. Mas há quem afirme que a verdade não é bem assim. Como não poderia deixar de ser, há quem aprove e quem discorde, gerando uma enorme polêmica, com direito a vídeos de ambas as partes:



Mas onde está a verdade?
Partidarismo à parte, a verdade é que Nápoles está muito mais limpa, com focos resistentes do problema na periferia. A emergência está sendo resolvida, mas o verdadeiro problema, não. A região foi abandonada por anos e não é auto-suficiente para coletar e tratar os dejetos que produz. Muitas propostas foram apresentadas e devidamente esquecidas. Os napolitanos não estão habituados à coleta diferenciada pelo simples motivo que descobriram, há muito, que todo o lixo acabava indo parar no mesmo lugar. Os incineradores alemães usados no combate a emergência estavam desativados por falta de lixo: a Alemanha recicla, em média, 67% do lixo produzido, contra 5% de toda a região Campania. A diferença é que na Alemanha a coleta diferenciada serve para alimentar as indústrias de reciclagem. Ou seja: de nada adianta ensinar a população a separar o lixo se no final não existe uma estrutura que utilize tais resultados.

No momento, a única coisa a fazer é esperar - e vigiar - que o governo cumpra uma outra promessa de campanha: criar as estruturas necessárias para que o problema não tenha apenas sido varrido para baixo do tapete eleitoral.

A entrevista abaixo com Hermínia Maricato, professora, arquiteta e ex-secretária de Habitação da prefeitura de São Paulo (gestão Luiza Erundina, PT), foi feita para um jornal da grande imprensa mas acabou engavetada. Como quem tem amigo não morre pagão, caiu nas minhas mãos e faço questão de publicar. Só não entendi porque o material não foi aproveitado no site do jornalão...

Maricato vai direto ao ponto: a gente dá muita atenção para soluções cosméticas, como a Lei Cidade Limpa, enquanto coisas muito mais importantes ficam em segundo plano.

A professora lembra que, enquanto brincamos de limpar as fachadas da cidade (o que na prática é totalmente falso...), mal conseguimos nos locomover, respiramos ar poluído, bebemos água podre e ignoramos a situação de 1 milhão de pessoas que moram em favelas construídas em áreas de proteção ambiental simplesmente por não terem onde morar na cidade. Priorizar a retirada de anúncios das fachadas no meio de tudo isso é "ridículo", diz Maricato.

Como é ridícula também a falta de coragem dos políticos de tomar medidas duras para resolver alguns desses problemas. Veja o Kassab, por exemplo: ensaiou o envio de um projeto de lei à Câmara Municipal de SP instituindo o pedágio urbano na cidade, como parte da Política Municipal de Combate às Mudanças Climáticas, mas já desistiu - em ano de eleição, provavelmente ficou com medo de perder votos dos milhões de motoristas paulistanos. Faz tempo que acho que a medida é uma das melhores medidas para diminuir o tráfego de automóveis particulares pela cidade - juntamente com o rodízio ora em voga. Em Londres rola desde 2003.

Mas enfim, vamos à entrevista:

A professora e arquiteta e ex-secretária da habitação da prefeitura de São Paulo na gestão Luiza Erundina (PT), Hermínia Maricato fala nessa entrevista sobre a Lei Cidade Limpa de São Paulo. Segundo ela, é ridículo a cidade colocar essa limpeza como prioridade enquanto outras limpezas, como a do ar e da água, e outras necessidades, como a mobilidade, ficam em segundo plano.

No começo deste ano Hermínia lançou o livro "Brasil, Cidades: Alternativas para a Crise Urbana", publicado pela Editora Vozes. Ela é professora da Faculdade de Arquitetrua e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP).

Como a sra. avalia a Lei Cidade Limpa?
A questão vista isoladamente evidentemente é muito virtuosa. A lei se propõe a fazer uma despoluição visual na cidade, na paisagem urbana. E é interessante. Claro que, até mesmo olhando isoladamente, nós não deveríamos nos ater apenas aos anúncios, mas a toda instalação elétrica, que é ultra poluidora, à quantidade de fios, postes, o próprio calçamento, enfim normatizar um pouco muros, cercas, calçadas. O problema é quando, no contexto da cidade, essa lei ganha prioridade. É simplesmente ridículo.

Por que ridículo?
Porque você tem metade da cidade na ilegalidade. Então ele é um programa por excelência que segue uma orientação na gestão urbana no Brasil, que dialoga com a cidade legal, com a cidade da elite, com a cidade formal. Quando você tem metade da cidade na ilegalidade, acho que é preciso discutir como vai se aplicar a lei. Como você vai aplicar a lei só nas fachadas e numa parte da cidade? E se tenho 10% da população morando em favelas, por exemplo.

Mas aí questão não se torna mais difícil, mais complexa?
Claro que é uma tarefa complexa. Não é uma tarefa para uma gestão. Mas quando nós vamos ter uma lei efetiva em cidades como as nossas? Porque torná-la efetiva apenas nas fachadas, apenas em relação aos anúncios? Eu diria que é um governo de fachada, uma sociedade de fachada. Não que a gente não deva se preocupar com as fachadas. As fachadas são importantes em várias cidades do mundo e também no Brasil. Se você for para São Luiz do Paraitinga, existe uma recuperação que aumenta a auto-estima dos moradores, não só recuperação de fachada. A recuperação de fachada na França é matéria constitucional.

As fachadas são importantes mas há outras questões mais importantes?
Não quero dizer que isso não é importante, que não é objeto de uma política pública. Mas é ridículo quando isso é a prioridade. Principalmente em uma cidade onde os mananciais estão ocupados por uma população gigantesca, mais de 1 milhão de pessoas, morando em áreas de proteção ambiental simplesmente porque não conseguem morar na cidade. E a prefeitura está tendo uma atitude muito ruim com esses moradores porque ela está derrubando as casas e acusando-os de crime ambiental. Crime ambiental é da sociedade, que não provisionou essa população de moradia, que não tinha onde morar e acabou indo para os mananciais. Crime ambiental todas as gestões fizeram na hora que permitiram que essa população se instalasse ali. E ali o poder de polícia sobre o uso do solo é de diversas entidades dos governos federal, estadual e municipal. Então, quem cometeu o crime ambiental não é o sujeito, coitado, que está morando lá, em condições muito ruins, por sinal. A discussão, então, é um programa evidentemente classista. É uma visão da cidade de que a prioridade é cuidar das fachadas.

Nessa visão que a sra. critica a beleza, a limpeza, fala mais alto?
Não é propriamente beleza. Se você pega o exemplo do Time Square de Nova York, do qual todo mundo fala, é uma poluição bárbara. Agora, é um padrão. Um padrão que seria impossível em São Paulo com essa tolerância zero aí. Precisa ficar muito claro isso: essa lei não está sendo aplicada na cidade toda. Até porque se eu considerar uma parte da cidade, não são os anúncios que estão ilegais, são as ruas, as casas, tudo... É tudo! Se não encara essa fratura urbana, vai encarar o quê? A limpeza das fachadas? Mesmo considerando que ela é necessária. Não estou de forma alguma dizendo que ela não é importante, não é necessária. O que estou dizendo é que é um absurdo ela se tornar a prioridade e você não discutir as questões de fundo. Aliás, em uma cidade onde não se consegue nem respirar e onde a questão dos automóveis não está sendo enfrentada. E ela, sem dúvida, é uma prioridade.

Na visão da sra. a prioidade de São Paulo é outra?
Sim, a questão da mobilidade na cidade. A mobilidade por meio do automóvel é predominante. E isso novamente não é tarefa de uma gestão. Mas se essa sociedade e esses governos não encararam o problema da matriz baseada na circulação automobilística, essa cidade está absolutamente condenada. Aliás, moro aqui e está cada vez mais insuportável. Como você estabelece prioridades?

A cidade é limpa nas fachadas mas não cuida da limpeza do ar que respira?
Do ar que você respira! Da água que a gente bebe! Dos mananciais que estão ocupados por mais de 1 milhão de pessoas! É incrível essa nossa capacidade de botar a cabeça em um buraco que nem um avestruz e ignorar os problemas centrais. Incrível! E todo mundo bate palma! 'Tá bom, mas pelo menos...' Não tem pelo menos! Tem coisas que são prioritárias. São delas que nós temos que cuidar como prioridade. As fachadas nós vamos cuidar com a importância que elas têm.

A sra. acredita que o prefeito pode usar esse projeto Cidade Limpa como candidato à reeleição?
Ele usa muito. Foi um programa que fez um sucesso. E, diga-se de passagem, várias gestões tentaram aplicar a lei de anúncios e não conseguiram. Acho a lei exagerada. Não é necessário uma intolerância tão grande para que a paisagem urbana fique despoluída. Estou na rua e vejo, na mesma esquina, um poste de iluminação, um postinho que dá suporte às placas com os nomes das ruas, um outro postinho que sustenta a placa do trânsito, tudo isso na mesma esquina. E cheio de fios. Quer dizer, então está bom, vamos tentar começar um processo de despoluição não só dos anúncios. Realmente, é uma coisa de factóide mesmo e marketing. A despoluição é necessária, mas nem ela foi levada muito a sério.

Mas esse 'factóide', essa peça de 'marketing', como a sra. classifica, tem virtudes?
Não há dúvida de que há uma virtude no foco da coisa. Mas nós temos que abrir esse foco e falar: 'bom, em que nós temos que jogar nossa energia?' Diria que a questão da mobilidade em São Paulo é a número 1. Já tem técnico hoje fazendo cálculo do prejuízo para toda a sociedade. O fato é que esse prejuízo é distribuído. São as horas paradas das pessoas, profissionais, nos transportes. O preço de todo o suporte de ruas, de recapeamento, de sinalização de trânsito e, principalmente, como alguns professores da USP, meus colegas, estão apontando, o problema do custo na saúde. Nos dias piores os hospitais se enchem, principalmente de crianças e pessoas da terceira idade, porque o ar está irrespirável na cidade. Tenho um jardim com horta em casa e é impressionante. Você pega uma folha de couve, ela está coberta, negra. Se eu não regar, cuidar, aquilo vira uma casca em cima da planta. E é isso que vai para os nossos pulmões. E ainda tem os acidentes, que diminuíram mas ainda continuam muito altos... Os custos com combustíveis... Que contribuição estamos dando para o planeta? O que é mais importante? Alguém pode falar: 'mas ele está fazendo outra coisa, fez isso pelas fachadas'. Então, a lei dos anúncio adquiriu principalidade.

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Estamos na reta final das eleições americanas e o mundo está atento ao que os dois candidatos têm proposto para o meio ambiente. Afinal, os EUA são o maior poluidor do planeta e passaram os oito anos da administração Bush ignorando os apelos mundiais por respostas diretas ao desafio das mudanças climáticas. Mas vendo as propostas dos dois candidatos, está claro que isso deve mudar.

O que diz Barak Obama?

Seu plano está totalmente focado no estabelecimento de metas. Quer redução de 10% nas emissões de CO2 dos veículos até 2020 e mais 1% por ano a partir daí. Todas as empresas terão que comprar permissões de CO2, para levantar recursos a serem investidos em energia limpa. Prevê a redução das emissões de CO2 do país em 80% até 2050 (que é a mesma posição dos cientistas do IPCC da ONU). As empresas terão também que usar 25% de energia renovável (solar, eólica e geotérmica, entre outras) até 2025, prevendo investimento de US$ 150 bilhões por parte do governo nos próximos 10 anos nessa área (Al Gore acha que dá pra ser mais ambicioso).

E McCain?

Evita falar em metas e muito menos em novas taxas para empresas, deixando praticamente tudo nas mãos do mercado. Em vez de impôr mudanças aos fabricantes de carros e produtores de energia, propõe redução de taxas para consumidores de carros com baixa emissão de CO2 e pretende oferecer um prêmio de US$ 300 milhõespara quem inventar a bateria de carro do futuro, que não polua. Não cita, em seu programa de governo, qualquer incentivo às energias renováveis. Mas aposta na icógnita do carvão limpo e adora nuclear: quer mais subsídios a essa indústria, propondo a construção de 45 novas usinas até 2030.

As cartas estão na mesa.

Este post faz parte do ciclo Debates Ambientais do Faça a Sua Parte.


Picada de cobra se cura com veneno de cobra.

Consumo consciente e atitudes eco compatíveis são fundamentais a uma necessária nova política ambiental, mas o comportamento humano é moldado aos poucos e produz uma forte resistência às mudanças. Sem o intervento da ciência será impossível reverter a atual situação de degrado e poluição.

Como instrumento, a ciência não pode ser a vilã da devastação dos recursos naturais, nem da crescente pobreza e marginalidade de boa parte da população mundial. Um crescimento que vem acompanhado de novos e equivocados padrões de consumo e produção, o que só faz aumentar o desperdício dos recursos, além de gerar resíduos e substâncias poluentes. O problema se dá porque ciência e tecnologia não são politicamente neutras. Mas não só: a atual dinâmica de competição, com ganhadores e perdedores, só faz aumentar a crise sócio-ambiental, transferindo todas as reservas e esforços à busca do crescimento econômico.

Na situação que vivemos de desigualdade social, onde uma minoria consome a maior parte dos recursos naturais, reflete uma distribuição heterogênea de renda e de ativos produtivos e acaba restringindo as políticas de desenvolvimento dos países pobres. Esse problema não pode ser resolvido com soluções tecnológicas. É preciso ação política. E é nesse ponto que podemos fazer a diferença, debatendo, propondo - exigindo! - o fluxo de tecnologia e pressionando os regimes políticos atuais, fortemente orientados na lógica do mercado e ao crescimento a qualquer preço. É necessário que o poder político retome para si a responsabilidade do crescimento, que hoje encontra-se nas mãos de agentes externos.

A ciência terá grande participação nessa nova ordem mundial que começa a se formar, aprimorando e difundindo o correto manejo dos recursos disponíveis. Para tanto, o sistema de competição deve ser substituído por um outro, o da cooperação. De pouco tem servido as intermináveis reuniões internacionais sobre o meio ambiente. A despeito da argumentação dos donos do poder econômico, de que faltam inequívocas evidências científicas do efeito da produção sobre os problemas ambientais, o meio ambiente não pode ser excluído dos conceitos econômicos, políticos e sociais. O desenvolvimento sócio-econômico depende exclusivamente de quem controla os recursos disponíveis e não do volume desses recursos. Isso está errado.

A ciência sem política é uma ciência para poucos.

Domingo de manhã. A chuva em São Paulo nos faz lembrar que estamos na terra da garoa. Primeiro dia da semana do meio ambiente, e estou indo participar de um dos vários eventos ambientais que um político e ambientalista como eu precisa participar.

Precisa? Por que "precisa"?

Parte de mim hoje quer ficar dormindo o dia inteiro, namorando, tomando chá e vendo televisão, olhando a chuva pela janela; parte de mim quer resolver todos os problemas ambientais, sociais, econômicos e políticos do planeta.

Duas coisas impossíveis para esse domingo de manhã.

Assim como eu entro nessa crise quase todos os dias de manhã - principalmente quando está chovendo - a humanidade também vive essa questão, numa amplitude diferente: como podemos definir qual é a nossa participação nesse contexto sócio-político-econômico-ambiental-mundial-etc?

Eu já fui professor, jardineiro, mergulhador, aventureiro, fotógrafo, guia de trilhas. Trabalhei pela conservação dos recursos naturais, pela preservação da biodiversidade, pela educação ambiental. Participei de conferências nacionais e internacionais, grupos de trabalho para definições de políticas públicas municipais estaduais e federais.

Mas o que significa tudo isso? Será que para sermos "ambientalistas" precisamos de tudo isso?

Sei que esse processo autobiográfico parece ridículo, e que o texto em primeira pessoa pode ser um pouco pessoal demais.


Mas eu realmente quero usar esse momento para confessar uma coisa: a culpa é minha.


É minha culpa querer abraçar o mundo todo e não conseguir.

É minha culpa não ter conseguido como educador transmitir o real conceito da importância ambiental para meus alunos.

É minha culpa deixar que a televisão nos entretenha tanto a ponto de nos fazer pensar que está tudo bem, que o problema não é nosso;

É minha culpa eleger políticos que não estão nem um pouco preocupados com as verdadeiras questões do meu país;

É minha culpa permitir que as pessoas dêem mais valor a seus problemas pessoais que aos problemas mundiais.

Afinal, todos temos que pagar contas, não é mesmo? Temos manter nossos empregos, pagar a escola das crianças, os livros da faculdade, tomar aquela cervejinha no final do dia - que ninguém é de ferro - e, é claro, viajar final de semana ou nas férias, para descansar um pouco da nossa vida agitada.

O tempo é curto. Não dá para fazer tudo. Minha vida é mais importante, não dá para querer resolver tudo!

Eu faço coleta seletiva em minha casa; planto árvores em um sítio de uma ONG ambiental sempre que posso; alterno ir trabalhar de carro e de bicicleta; tomo cuidado com meus gastos de água, energia e com consumo de produtos em geral, sempre atento ao que é realmente necessário.

Mas também sou humano. Quero meus prazeres; gosto de ir ao cinema (se bem que atualmente a quantidade de trabalho não tem permitido...), de roupas bonitas e ouvir música; um bom vinho, é claro, e livros, muitos livros - mesmo que não os consiga ler: sou um "livromaníaco", daqueles que sente orgasmos em bibliotecas antigas (alguém já foi na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro? É de cair o queixo...)

Ou seja: onde eu quero chegar com tudo isso?

Quero dizer que é minha responsabilidade que o mundo esteja desse jeito.  Existem diversas formas de participação,  e eu tenho que escolher a minha.  e ser eficiente em minha escolha. e acompanhar de perto os processos,  as propostas e os projetos de  resolução de problemas. 

Temos oficialmente três poderes no país: o executivo, o legislativo e o judiciário. Temos já um quarto poder informalmente estabelecido: o domínio da informação.

Mas temos um que permeia todos esses: o poder da ação pessoal.

E esse é o maior de todos, e exercê-lo só depende de mim.

(PS: E já estou atrasado: este post era para ter saído ontem...)

BXK13856_cerrado800 cópia.gifNa narrativa da Arca de Nóe, por ocasião do dilúvio, em determinado dia êle soltou uma pomba e a mesma retornou com um ramo de uma árvore. Era a vida de volta ao mundo!
Na história geológica, só houve surgimento de vida após um período de evolução química, quando surgiram os microorganismos e as primeiras rochas sedimentares. Era o início da vida? Não se sabe, pois na época em que estes primeiros organismos apareceram não havia nenhum oxigênio livre, como há agora, mas uma atmosfera composta de metano, gás carbônico, e hidrogênio. Os microorganismos deste período utilizaram metano ou hidrogênio no lugar do oxigênio no metabolismo, estes então eram organismos de metabolismo anaeróbico; eram heterótrofos, apenas tempos depois apareceram os organismo autótrofos.
Mas vamos deixar estes "bichos" estranhos de lado.
 E daí? O que tem a ver com florestas? Ufa! Tudo!
Pesquisadores já concluiram que há 20 milhões de anos não existia a Floresta Amazônica, nos padrões atuais. Tudo por aqui era um clima árido demais para suportar uma exuberante floresta tropical. Então, ela só foi existir há 6 milhões de anos, após idas e vindas do mar e com as bençãos da pródiga natureza.
Significaria que por ela não existir anteriormente, os exploradores e moradores locais tem o direito de desflorestar e transformar o ambiente amazônico em um local árido e de futuro restrito?
Não acredito que esta seja a melhor solução. Esta floresta é um depósito de energia mundial. É o nosso "sumidouro de carbono".
Mas, mesmo que tentem transformar esta região em um imenso cerrado, a ação intempestiva demoraria alguns milhões de anos para se transformar nessa catástrofe. E se chegar a ser um cerrado degradado, não teria as mesmas condições de biodiversidade que um cerrado original, uma savana riquíssima em biodiversidade.
As oportunidades de exploração devem ser iguais para todos os que habitam e usam as florestas para fins comerciais, esportivos, de lazer, agropecuários ou conservacionista.
Então,  se eu quicopaiba1.jpgser "ceder" minha parte de floresta para alguém explorar está correto? E se eu não der a permissão e um explorador usar isto indevidamente ele deveria ser punido?
Infelizmente, o nosso processo democrático permite que deixemos nas mãos (nem sempre limpas) dos parlamentares (que muitas vezes nem elegemos ou votamos) e dos executivos deste país, o desejo e a satisfação de poucos.
'Tá certo que necessitamos satisfazer as necessidades e, por isso apelamos para as florestas para explorar as riquezas naturais. Agropecuária, mineração, exploração florestal são alguns dos itens que são extremamente importantes e economicamente disputados pelos homens.
Mas, com o olhar desenfreado de cobiça dos exploradores acontece a devastação das riquezas naturais das florestas. E ela se "vinga" com o desaparecimento de rios e córregos, com  a "invasão" dos animais selvagens nas zonas urbanas, com o excesso de chuvas ou secas demoradas...
garimpo.jpg Os garimpeiros, para alcançar  o aluvião  aurífero, promovem o desmatamento desenfreado ao redor dos igarapés e, sem se preocupar com o seu e nosso amanhã, por desconhecimento ou por ambição vão "matando" suas fontes de subsistências naturais. Nas associações garimpeiras existem poucos técnicos dedicados a usar seus conhecimentos em prol da causa ambiental. Assim, ainda não conseguimos transmitir os programas de sustentabilidade ambiental para a classe. Mas já existe a preocupação sobre este tema e está sendo desenvolvido paulatinamente em Itaituba, pela AMOT.
Um pesquisador (meu irmão) florestal me mostrou que os gestores municipais nunca se preocuparam em adornar as avenidas e ruas com os espécimes bonitos que ocorrem na floresta amazônica. Preferem trazer palmeiras imperiais aos taxizeiros ou samaumeiras, plantam acácias ao invés de visgueiros, deixam de trazer conhecimento (pela plantação) ao povo urbano sobre mogno, ipê,  louro e tantas outras espécies amazônicas. Misturar estas a palmeiras amazônicas, como tucumã, inajá, buritirana, pupunha, açaí e outras espécies de classificação desconhecida foram muito pouco ou nada utilizadas para o paisagismo, que traria a beleza natural ao ambiente amazônico urbano.
Os indígenas mais velhos sabem que uma floresta em pé gera mais recursos naturais que se ela for derrubada para criação de pastos, mas os mais novos, com o aumento da população indígena promovem a derrubada de árvores para aumentar os pastos de bovinos e a agricultura de subsistência.
E à medida que aumenta a população indígena, seus valores de sustentabilidade vão diminuindo. Muitos já se dedicam a garimpagem aurífera, sem estudo geológico ou planejamento mineral, vão destruindo as matas ciliares e sua fonte de vida (os igarapés) vão diminuindo paulatinamente. E alguém poderia argumentar que antes do "domínio branco" existiam milhões de indígenas no Brasil e não havia a destruição das florestas? Não podemos esquecer que eram milhões de indígenas e nenhum branco por aqui. Também não existia um desejo irremediável de usufruir das atuais benesses da civilização: rádio, televisão, geladeira, fogão a gás, celulares etc. Para isso tem que fazer parceria com os civilizados, que detém o poderio economico para comprar equipamentos de alto poder escariante (no caso de garimpagem em rios) ou equipamentos de desflorestamento contínuo e rápido.
E seus valores também vão pelo ralo...
A biodiversidade da floresta amazônica, que responde por quase 40% das reservas de florestas tropicais úmidas ainda existentes no planeta, corresponde a mais de 20% de todas as espécies vivas do planeta. Mas avançamos demais na devastação e ainda há tempo de reverter este quadro preocupante.
No entanto, pFloresta3.jpgor ser um ecosistema extremamente frágil necessita de atenção redobrada na sua exploraçã o, uma vez que a retirada de sua vegetação, que retém os nutrientes, transformaria, provavelmente, a floresta em uma área desertificada, que afetaria  o equilíbrio ecológico e aumentaria o efeito estufa.
Então, quando vamos começar a nos preocupar seriamente com a preservação equilibrada de nossos recursos naturais  finitos? Quando juntaremos os cacos e faremos um belo adorno em torno do desenvolvimento? Da vida?
E pra não esquecer: hoje  deveríamos celebrar o Dia da Mata Atlântica. Existe razão para festejar sobre aquela que cobria todo o litoral brasileiro e hoje está reduzida a 7% da porção original?
Faça a sua parte!

Fontes de pesquisa:
http://www.brasilescola.com/geografia/floresta-amazonica.htm
http://www1.folha.uol.com.br/folha/publifolha/ult10037u351813.shtml
O feio não tem vez.

Neste país de estéticas importadas, onde todos sabem o que é e o que come um coala, mas ninguém sequer ouviu falar na cuíca - a não ser como instrumento de carnaval; no qual seus infantes ainda desenham "natureza" com graminha aparada, uma casinha, uma árvore de tronco liso e reto, um jardim florido, elefantes, ursos e gatinhos; Onde seus habitantes entendem Meio ambiente como um lugar "sem nada", a ser ocupado com "alguma coisa".

Neste contexto, o  que será do nosso seco, torto e feio cerrado?

Esta é a paisagem mais característica deste ambiente: árvores pequenas de troncos ásperos e tortos devido à presença de alumínio no solo; Ambundante vegetação gramínea e arbustiva, que grande parte do ano permanece ressecada pela ausência de chuvas característica do clima da região; solo vermelho-amarelado quase sempre exposto e poerento, alternando com emaranhados de arbustos espinhosos quase intransponiveis.

A primeira vista, nada elegante.

Ou seja: é realmente mato! Foi assim que os primeiros habitantes europeus o chamavam: Mato sujo ou campo sujo, que depois passou parra campos cerrados e mata cerrada. Isso explica por que o estado de Mato Grosso Chama-se "mato grosso"!
     
O Cerrado é ambundante como a Amazônia, mas destruído como a Mata Atlântica; Foi incluído recentemente no rol dos ecossistemas de maior biodiversidade do planeta. E ainda assim é o espaço vazio para onde se expandiu a nossa pecuária e mais recentemente - nos últimos dois séculos - a agricultura.


Mas voltando ao assunto: O fato de o cerrado não o mesmo apelo ambiental de outros tipos de vegetação faz com ele seja destruído descriminadamente. E, por incrível que possa parecer, ele naturalmente já fazia isso com ele mesmo...

Uma das mais controversas características desse ambiente é a ocorrência natural do fogo como um dos fatores mais importantes desse processo de regeneração. muitas sementes e plantas só se desenvolvem depois que o fogo queima suas grossas cascas e o solo é "adubado" com os sais minerais remanescentes nas cinzas. Isso quer dizer que há um cilco natural de fogo, assim como há um  ciclo natural de chuva. Com esse pressuposto, como pode ele sobreviver?

Segundo alguns especialistas, deixando como está. Com intenso processo regenerativo, apenas parando com a destruição já seria possível ter um retorno de até 80% da vegetação. Possui uma curiosidade, um processo bem interessante e fácil de se verificar.

Querem ver? É só deixar o terreno vazio sem cortador de grama por uns...15 anos. Inicialmente, o primeiro "mato" represetado pelas gramíneas cresce até atingir mais ou menos meio metro e frutifica - isso mesmo! - nos vulgarmente conhecidos "carrapichos" que prendem nas nossas roupas e nos pêlos dos animais ou são levados pelo vento; a grama se multiplica e cresce, criando uma região de humidade entre o solo e a vegetação favorecendo o desenvolvimento do segundo "mato": as plantas arbustivas. A maioria absoluta de todos os chás, remédios e temperos do mundo inteiro vem desse "mato" (também chamado de erva daninha, é aquele que, mais adaptado à região, ocupa e elimina nosso jardim florido...). Por sua vez, os arbustos fazem sombra abaixo, o que impede o crescimento da grama. o solo exposto favorece o crescimento do terceiro tipo de mato: a vegetação arbórea, que cresce e ocupa alguns dos espaços. E todo essa mato estava apenas "adormecido" ou dormente, esperando as condições certas para acordar...

Esse é o processo que chamamos de sucessão ecológica, no qual o cerrado é craque.

Esse seria o quintal observado por matogrossenses, goianos, brasilienses, mineiros, baianos do sul e paulistas do noroeste. Infelizmente, cada vez mais amazoninos estão presenciando esse efeito (com as mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento do globo somado ao desmatamento intensivo, muitas regiões de floresta amazônica estão se transformando em cerrado...).

E isso seria possível se pudéssemos considerá-lo como o vemos - feio, torto e sujo -  e, ao valorizarmos a cultura nacional transformá-lo como realmente é - com a beleza dos Ipês, quaresmeiras, e guapuruvus floridos, uns no início, outros no final da época das chuvas.

E se parássemos de vê-lo como lugar vazio, pronto para o desenvolvimento energético e alimentício do país.

Esse é o desafio.     

Parte um: qual o tipo de representação que queremos?

É bastante difícil resumir em poucas palavras todas as impressões deste grande encontro. Podemos dividir em três momentos: a aprovação do regimento; os grupos de trabalhos e a plenária final. O regimento é o conjunto de regras da conferência, elaborado pela comissão organizadora e que deve ser referendado em plenária. 

O primeiro conflito: aceitar ou rejeitar os critérios de aprovação de moções, da revisão das propostas, da participação e da aprovação do texto final.  Para isso, o texto é lido item por item, e discutido com toda a plenária. É um processo lento, cansativo, que demanda horas e paciência de todos os presentes - Delegados eleitos nos processos municipais e estaduais.

Com tanta diversidade, é claro que é um procedimento sujeito a problemas...  

Um exemplo: uns dos itens mais polêmicos foi o fator quórum mínimo - sempre presente no processo democrático.

O regimento apresentava como proposta de quórum mínimo 50% mais um dos inscritos na conferência. Devido ao processo extenso, nem todos conseguem permanecer até o final; o que acontece: nos momentos decisivos, apenas poucos estão presentes.

O que fazer? Por um lado, realmente não é representativo que, de 1200 delegados, menos de 50 decida pelos rumos da conferência. Por outro lado, se apenas essas poucas pessoas estão interessadas no processo, por que as outras 1000 vieram? Devemos invalidar o processo? Claro que o processo fica prejudicado, mas ele acaba sendo levado adiante, seguindo o preceito de que a "plenária é soberana".

A legitimidade é o fator mais importante a ser analisado em uma conferência. É ele que vai dizer se tudo o que está sendo feito ali deve ser levado em consideração ou não. Mesmo sendo aclamado como uns dos principais exemplos de democracia participativa, ainda são representantes eleitos em suas comunidades que participam do processo. Como não há um fator eqüitativo desse processo, cada comunidade escolhe em si os critérios de representação. Alguns parâmetros já são universalizados - como as categorias de representação: gênero, tipo de organização, unidade federativa, bacia hidrográfica; movimentos representativos - mas os procedimentos locais são independentes.

Deste modo, como podemos garantir a qualidade da representação?   

Como veremos mais adiante, esse é um dos grandes problemas e ao mesmo tempo a principal qualidade desse tipo de processo democrático...

 

Parte dois: a maravilhosa essência do processo

São cerca de mil pessoas, de todos os estados da União, eleitas democraticamente em seus municípios como representantes da sociedade civil organizada, do poder público e do setor empresarial local para decidir os caminhos da política pública de mitigação e adaptação das ações do ser humano às mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global.

Mais de 500 propostas tiradas dos estados são debatidas nos grupos de trabalho para a produção do texto a ser aprovado na plenária final. A partir daí, o processo continua com a apresentação das propostas ao governo federal, que deverá levar em consideração para a elaboração do Plano Nacional de Mudanças Climáticas.

Povos indígenas, representante de quilombos, povos caiçaras, caipiras e sertanejos de todo país; homens e mulheres de todas as cores, etnias, movimentos e ideologias imagináveis; estudantes, sindicalistas, donas de casa, lavradores, pequenos empresários, líderes comunitários, políticos e intelectuais - todos se identificando apenas como ambientalistas - deste país participando da elaboração dos caminhos ambientais do Brasil.

A sensação de poder popular exala de todas as conversas nos almoços, nos transportes, nos bares como uma ilha espaço-temporal dentro do gigantesco poder político e econômico dominante na capital da nação. A não ser por raríssimas exceções, o consenso domina todas as discussões; as votações são, em sua maioria, por aclamação; não há realmente nenhuma crítica formal ao processo; Todos estão interessados na construção coletiva e participam nesta direção.

Para compreendermos a relevância desse processo, Destaco aqui um trecho de uma nota publicada na Folha online de ontem - 10/05/2008:

 

"Brasil atrasa plano contra aquecimento global

AFRA BALAZINA
Enviada especial da Folha de S.Paulo a Brasília

O Plano Nacional de Mudanças Climáticas, aguardado para meados deste ano, só deve ser concluído em novembro. A afirmação é da secretária nacional de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Thelma Krug. O atraso contraria determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O decreto 6.263, de novembro de 2007, estabeleceu que a versão preliminar do plano deveria estar pronta até o último dia 30, o que não ocorreu.

O plano vem sendo prometido desde setembro de 2007, quando Lula anunciou nas Nações Unidas que o país o adotaria. Porém, de concreto até agora só se sabe que ele terá quatro eixos: adaptação, mitigação, pesquisa e desenvolvimento e divulgação e capacitação.

Uma de suas maiores novidades, a idéia de usar dinheiro do Fundo de Compensação do Petróleo em ações de mitigação e pesquisa, está em discussão no Executivo, mas também não tem data para ser enviada ao Congresso. Krug diz que a mudança na lei não deve ocorrer antes da conclusão do plano.

Segundo ela, para que o plano seja de fato nacional --e não federal, fruto de decisões apenas dos ministérios-- é necessário abrir espaço para a participação regional, de Estados e municípios. Com isso, o processo é mais demorado.

"Um plano federal você pode construir através dos ministérios. E é claro que vai ter essa visão no plano. Mas, para torná-lo nacional, é preciso trazer essas regionalidades", diz ela."

Atraso perfeitamente justificado - ponto para o governo.

O ambiente - e o meio ambiente também - é tomado por uma maravilhosa e impressionante sensação: a vitória da Democracia Participativa.    

 

Parte três: a lógica da desordem

O saudoso Milton Santos marcou os estudos do desenvolvimento urbano identificando de forma exemplar a dinâmica social dos agrupamentos urbanos, usando como objeto de estudo a cidade de São Paulo. Arrisco aqui cometer certos erros teóricos, mas gostaria de usar este exemplo para ilustrar o desenvolvimento da plenária final, o ponto alto de todo encontro.

Assim como é impossível controlar todos os processos de urbanização de uma cidade, devido à dinâmica social extremamente mutável, do mesmo modo não é possível controlar todos os processos de debate em torno da formulação de políticas públicas. Por quê? Porque o ser humano é uma curiosa invenção em desenvolvimento!

Muitos consideram esse processo de conferência uma farsa: um encontro de ignorantes aparelhados por entidades vinculadas a interesses políticos específicos. Há suspeitas de irregularidades de todos os tipos: pessoas que participam no lugar de outras; preferencialismo; mau uso do dinheiro público; falsificação de assinaturas em atas e moções. O regimento possui brechas que permitem desrespeitá-lo à todo momento; muitas decisões são resolvidas no grito, e debates quase se transformam em agressões físicas; a maioria dos delegados passam mais tempo passeando e se divertindo que participando das discussões - atitude até certo ponto justificada pelo fato de as discussões se tornarem verdadeiros martírios mentais intermináveis (imagina corrigir de um texto de 500 páginas junto com outras dezenas de pessoas? Até parece feito de propósito para afastar as pessoas); complementando esse fato, no final umas poucas pessoas se legitimam a decidir por todos os ausentes - claro que ignorando o quórum mínimo. Desde as conferências locais esses problemas se repetiram, assim como se repetem na esfera da democracia representativa - quando elegemos vereadores, deputados, prefeitos, governadores e presidentes.

Alguns são problemas graves; outros nem tanto. Não tenho a intenção, de forma alguma, fazer denúncias ou desqualificar o processo, até porque, mesmo que quisesse, não teria poder para tal; mas é importante fazer uma avaliação sincera do processo para se entender a origem dos problemas e se buscar a solução. Na política infelizmente não temos processos perfeitos, assim como em todas as esferas - das sociais às pessoais - está presente a corrupção. E isso inclui a todos. O diferencial está na capacidade de reconhecermos nossas falhas pessoais e sociais em busca do melhoramento constante. É assim que o ser humano evolui em sociedade - ou pelos menos poderia ser assim. Isso, por si só, já justifica e qualifica positivamente todo o processo.

A Conferência Nacional é o ponto alto do processo de conferências, que começou nas discussões locais em cada município (em alguns casos em cada bairro). A plenária final é o clímax do encontro, onde todas as qualidades positivas e negativas se tornam evidentes - como não poderia deixar de ser.

É verdade: A plenária é realmente soberana.

Para todos os participantes, são três dias de extremo cansaço, mas de uma satisfação extasiante - a relação íntima com o processo democrático. Qualquer semelhança com qualquer é mera coincidência.     
Não dá para ficar parado. Você vai ficar?

Enquanto nós ficamos parados, outros planejam, sorrateiramente como sempre fazem, mais uma onda de destruição das nossas florestas. Está em votação o Projeto de Lei 6424/2005, de autoria do Deputado Flexa Ribeiro (PSDB-PA) que autoriza um dos maiores crimes ambientais a ser cometido na história do Brasil.

Você vai ficar parado?

Enquanto nós ficamos parados, outros colocam no mercado produtos contendo transgênicos sem aviso no rótulo, em total desacordo com as leis. Ferem mortalmente nosso direito a um consumo consciente.

Você vai ficar parado?

Enquanto nós ficamos parados, outros tantos sequer aceitam que o aquecimento global é uma realidade. Alegam que os estudos não são conclusivos, que "não é bem assim", e seguem, em prol do crescimento das suas economias, produzindo GEE. Afinal, o que vale é o "aqui e agora". O futuro que se dane!

Você vai ficar parado?

Quer mais exemplos? Crescimento populacional descontrolado? Roubo da nossa flora e fauna? Há uma lista interminável de exemplos...

Nós, do Faça a sua parte, não ficaremos parados. E queremos que você se mexa. Que mexa os dedos e participe da 1º edição da série "Debates Ambientais do Faça a sua parte". Todo ano, no período de 22 de maio a 14 de junho, o Faça a sua parte promoverá debates sobre as questões do meio ambiente. E, no dia 5 de junho, acontece a blogagem coletiva para comemorar o Dia Mundial do Meio Ambiente.

Uma blogagem coletiva inédita. Serão duas semanas para preparar, com debates, a blogagem coletiva para comemorar o Dia do Meio Ambiente. Participe com seus comentários ou posts em seu blog sobre algum dos temas propostos. Debata, converse, troque idéias. Participe. Mas lembre-se: no dia 5 de junho não deixe de participar da blogagem coletiva do Dia Mundial do Meio Ambiente.

Mas não pára por aí. Do dia 6 até o dia 14 continuaremos debatendo, agora com as diversas contribuições realizadas no dia 5.

Veja a programação para 2008:

MAIO

22 e 23: Biodiversidade: sem flora e sem fauna?
24 e 25: Cerrados: bioma ou necroma?
26 e 27: Florestas, até quando haverá uma?
28 e 29: Educação Ambiental: a quem educar?
30 e 31: Aquecimento Global: mito ou realidade?

JUNHO

01 e 02: De quem é a culpa: do Legislativo, do Executivo, ou nossa?
03 e 04: Meio Ambiente Humano: somos parte da natureza?
05 e 06: Blogagem coletiva sobre o Dia Mundial do Meio Ambiente
07 e 08: Mar: Origem da vida?
09 a 12: Tecnologia e Meio Ambiente: há futuro na ciência?
13 e 14: Consumo sustentável: o que e como fazer?


Participe conosco. Traga suas idéias e conhecimentos. Faça a sua parte ou...

Você vai ficar parado???
Um comichão nos dedos indicadores teve início logo após efetuar a postagem anterior.
Não podia deixar passar a oportunidade de continuar escrevendo sobre o assunto, antes que alguém fizesse um comentário.
Parece que joguei a culpa da degradação ambiental, de todas as formas, simplesmente nos moradores e visitantes dos ambientes naturais. E não é nada disso que acontece por aqui.
Vejam bem: a gente mora em locais inóspitos, de precário desenvolvimento escolar e de menor interesse público, então não devemos simplesmente nos culpar sobre o que acontece por aqui.
Se fazemos as coletas de latas descartáveis, de sacos plásticos, de embalagens, de papéis ou de qualquer item reciclável não podemos encaminhar aos centros de reaproveitamento.
As ONG's vem de fora e por aqui fazem movimentos de pirotecnia, mas não desenvolvem nenhum trabalho de logística para que os materiais possam ser reutilizados pelos habitantes locais.
Os órgãos de treinamento passam pelas aldeias indígenas e deixam um montão de cursos e nada de continuidade empresarial. São cursos de apicultura (mas as aldeias não tem abelhas produtoras ou é tão longe da cidade que o mel não pode ser vendido), piscicultura (em uma aldeia levaram os alevinos híbridos e os índios comeram e ...acabou), manejo de resíduos alimentares (como fazer reaproveitamento de sobras que não existem?) etc.
Enfim, tudo o que se pode fazer é estimular para que sejam desenvolvidos produtos locais (artesanato, criação de peixes, criação de caprinos e de bovinos, agricultura de subsistencia) que tratem do corpo, do moral dos que ouvem palavras bonitas e pouquíssimas atitudes.
De tanto ver porcarias sendo lançadas no leito do rio Tapajós (outrora cantado como o mais belo do mundo) lancei uma campanha "Salvem o Tapajós!". Mas ninguém se habilitou a contribuir.
No entanto, nada fará com que eu pare de chamar a atenção de meus pares, gritar neste deserto de emoções ambientais e me esgoelar para ter um futuro mais agradável para meus descendentes (por enquanto são só  mulheres...)
Andando pelas ruas de Belém e vi a cena que é comum em muitas cidades: um jovem fumante, carona, acendeu seu último cigarro (do maço) e, com o braço do lado de fora do carro, lentamente começou a amassar a embalagem vazia até que a mesma se tranformou em uma bola de papel. Então deixou-a cair lenta e disfarçadamente de sua mão, como se esperasse que o gesto passasse despercebido por todos.
Tive vontade de sair do carro e ir lá interpelá-lo. Ou oferecer um saco de plático para colocar o lixo dentro. Mas, depois refleti que não era prudente.
As pessoas acreditam que a rua é de ninguém; assim ninguém precisa cuidar delas. A não ser os garis que são pagos para isso. E, assim não percebe que haverá necessidade de gastar mais verbas na contratação de pessoal e menos para escolas e saúde, principalmente.

Ele deve agir da mesma forma na sua casa, largando o lixo em qualquer lugar, porque terá uma empregada para arrumar sua bagunça. E se não tivesse ninguém para fazer isso? Sua morada iria se tranformar num chiqueiro (com o perdão da comparação aos porcos). E os visitantes iriam se enojar com o estado dela (se ele tivesse a coragem de convidar alguém para ir lá).
Será que o jovem aceitaria que alguém chegasse em sua casa e deixasse o lixo espalhado em sua sala ou em seu quarto, sem reclamar?

Acredito que a ação deveria fazer parte da educação ambiental.

Não adianta somente proibir ou multar os madeireiros pela devastação das florestas; tem que obrigá-los a plantar as árvores tiradas.

E quem transforma os rios em uma enorme lixeira pública deveria ser penalizado a coletar, nas praias, os restos jogados ao léu.

Os mineradores que já deixaram os buracos e modificaram a paisagem deveriam ser obrigados a repor o ambiente original.

Assim como quem joga o lixo na rua deveria ser obrigado a coletar, durante determinados dias, a sujeira produzida, mesmo que não fosse a dele.

Restaurantes, fábricas de sorvetes, produtores de out-door, supermercados, lojas e muitos outros segmentos empresariais deveriam passar, eventualmente, por um ciclo de educação ambiental de seus colaboradores e funcionários para , no mínimo, promover a diminuição da poluição ambiental.

Mas acredito que a pena maior deveria recair sobre o gestor municipal que não providenciar a arborização natural de, pelo menos, uma extensa e concorrida avenida durante seu mandato. Ou construir um parque municipal durante seu mandato.

Mas, quando isso já aconteceu por aqui, apesar das constantes e flagrantes ocorrências?
Eis que Al Gore, depois de ganhar o Oscar e o Nobel, contina sua maratona tentando conscientizar as pessoas do problema iminente das mudanças climáticas. Seu novo vídeo demonstra uma tentativa de ir um passo a mais nessa luta, e mesmo que você não concorde, merece ser visto e discutido. Está no site da TED: corre lá pra assistir. (Está em inglês, mas os gráficos são fáceis de entender.)

UPDATE medianamente relacionado: E o candidato à presidência americana Barack Obama garante que Al Gore terá um lugar em seu gabinete, caso eleito. Na carona da popularidade verde de Al Gore, todo candidato quer embarcar... (Via Ecorazzi)


O Ibama disponibilizou a consulta pública de áreas embargadas.  Andreia Fanzeres, do site "O Eco", fez um artigo que vale a pena ler.

Políticos, empresários, governo, não sobra ninguém... Como diz Andreia "Do pequeno sitiante aos políticos, empresários, empresas multinacionais e instituições públicas. Agora ficou mais fácil verificar se os supostos compromissos de sustentabilidade anunciados por aí são mesmo confiáveis."

Apenas mais um trecho (o resto leiam nos links indicados) sobre a hipocrisia humana que acaba com o meio ambiente:

"Em Mato Grosso, a lista revela nomes bastante conhecidos por quem monitora o desmatamento na Amazônia. O senador Jaime Campos responde por três áreas embargadas em Alta Floresta, sendo uma superior a 1.200 hectares. No mesmo município o deputado estadual Ademir Brunetto é responsável por outra área, mas o sistema não informa mais detalhes. Desse mesmo jeito são registrados embargos dos deputados Humberto Bosaipo, em Porto Esperidião, e de Dilceu Dal Bosco, em Sinop. Na semana passada, aliás, este último proferiu discurso na Assembléia Legislativa defendendo que produtores ilegais precisam de punição. "Toda economia de Mato Grosso acaba sendo penalizada por causa das ações desses empresários. Vamos fazer o possível para que eles sejam punidos", falou, enquadrando-se na categoria. "


Como dizia o Chico Buarque:

" Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá"

A roda-viva está no Congresso, nas Assembléias, nos governos, nas empresas que se dizem socio-ambientalmente responsáveis...
O dilema: natureza versus ações sócio-educativas.

O que acontece quando uma personalidade famosíssima resolve cometer um crime ambiental? E se essa personalidade convida o Prefeito de uma capital também famosa para inaugurar o crime ecológico e ele aceita e comparece? E o que dizer quando o Governador do Estado comparece?

Mais, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente já havia alertado a 'famosíssima personalidade" de que estava cometendo um crime e o Chefe (Prefeito) mesmo assim comparece?

Pode parecer coisa de primeiro mundo, mas não é! Aconteceu aqui em Porto Alegre. Vejam:

"Instituto Ronaldinho Gaúcho terá que reparar danos ambientais

Por Ulisses A. Nenê, da Ecoagência

Acordo entre o Ministério Público e o Instituto determina compensações para os danos causados pelas obras da entidade, inclusive em Área de Preservação Permanente.

Porto Alegre, RS - O Instituto Ronaldinho Gaúcho e o Centro Ronaldinho Gaúcho, entidade filantrópica e empresa esportiva do jogador do Barcelona, respectivamente, terão que reparar os prejuizos ao meio ambiente causados pelas obras de suas instalações, na Zona Sul de Porto Alegre. O primeiro foi inaugurado em 27 de dezembro de 2006 (foto) e o segundo estava em obras que foram suspensas ano passado com a intervenção do Ministério Público.

Nas duas áreas, no Instituto e no Centro, ocorreram "cortes de vegetação nativa, drenagens de banhado, canalização de curso d'água, corte de vegetação exótica, tudo sem licença ambiental", relatou hoje à tarde a promotora de Justiça e Defesa do Meio Ambiente de Porto Alegre, Ana Maria Moreira Marchesan.

"A pior agressão foi o corte de mata nativa no Morro da Tapera e a construção em uma Área de Preservação Permanente (APP)", acrescentou. Meio hectare de árvores nativas e exóticas foram derrubadas no morro.

A promotora disse que Ronaldinho e seu irmão, o ex-atleta Roberto de Assis Moreira, diretor do Instituto, foram alertados pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam) de que estavam infringindo a Lei dos Crimes Ambientais. O órgão chegou a autuar o Instituto e o Centro por diversas vezes, expedindo multas que totalizaram R$ 115 mil, mas as obras prosseguiram.

O Ministério Público foi acionado por denúncia anônima, ao mesmo tempo em que recebia os autos de infração da Smam, em julho do ano passado. Foi aberto inquérito civil e procedimento investigatório que resultaram no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado hoje com os representantes de Ronaldinho.

Além da execução de projetos para reparação dos danos envolvendo cortes de vegetação nativa, drenagens e canalizações não licenciadas, o acordo prevê a doação de uma área para o município de Porto Alegre e a implantação de uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), por conta do Instituto e do Centro.

A multa ficará em 10% do valor inicial. Mas o acordo não impedirá o processo criminal na Justiça Comum, pois a promotora adiantou que apresentará a denúncia nos próximos dias com com base na Lei 9.605 (Lei dos Crimes Ambientais).

"Eles contrataram um arquiteto e um empreiteiro e com muita pressa tudo foi feito, sem qualquer licença ambiental. A Smam ainda tentou interditar mas eles continuaram a obra, mesmo com as autuações, até que o MP entrou em ação, só aí cessaram as intervenções na área", contou.

Construído em área de 12 hectares, o Instituto foi criado para oferecer a crianças carentes atividades como futebol, tênis, vôlei, vôlei de praia, atletismo e jogos de mesa, além de oficinas de teatro, línguas, música, informática, aulas de reforço escolar e cursos profissionalizantes .

Também oferece atendimento médico e odontológico e companhamento da situação familiar de cada aluno. A inauguração festiva teve a presença do próprio Ronaldinho e de muitas autoridades, como o prefieto, José Fogaça, e o então governador, Germano Rigotto.

"O meio ambiente tem que ser respeitado em qualquer situação, mesmo (a entidade) de cunho filantrópico e de grande valor socio-educativo, com envolvimento do município, tudo tem que ser feito com sustentatibilidade ambiental", alerta a promotora.

A EcoAgência tentou mas não conseguiu localizar o advogado Sérgio Queiroz, que representa os irmãos Ronaldinho e Assis Moreira no caso.
"

Gente, o que são meia dúzia de hectares de mata nativa frente a tudo de bom que estou fazendo pelas criancinhas carentes? Já imagino que a personalidade deva estar pensando isso...

O Prefeito e o ex-Governador pensam assim pelo visto...

solar_mojave.jpgA Califórnia é o estado mais poluído dos Estados Unidos. No entanto, a chegada do preço do petróleo a $100 o barril deu um empurrãozinho na consciência ecológica e agora eles desejam ser um exemplo em termos de revolução verde.

 

O objetivo fixado é ambicioso, o governador Arnold Schwarznegger deseja obter uma redução de 25% das emissões de CO2 até 2020. Para indicar a firmeza de suas intenções, fez um gesto simbólico forte : apresentou queixa na justiça contra os maiores fabricantes de carros pour "atentado à saúde pública". Não se sabe no que vai resultar, mas o sinal está dado.

 

Os cientistas são céticos e acham as medidas adotadas por ele insuficientes, eles estão conscientes de que seria necessário uma revolução ecológica em nível nacional, passando por investimentos maciços nas infraestruturas das energias e transportes. Seria necessário reconsiderar o próprio "american way of life". Além disto, o aumento da população californiana de 14% ao ano, com todas as necessidades em moradia, transportes e produção de alimentos que isto acarreta, se constitui em um obstáculo para se atingir as metas fixadas.

 

Dois pontos importantes a serem tratados segundo os cientistas são o consumo de gasolina e a produção de eletricidade. Em relação ao primeiro, embora o combustível utilizado nos carros possua uma porcentagem de 4% de etanol, "os carros híbridos ainda não são suficientemente numerosos para fazer a diferença". Quanto à eletricidade, a Califórnia já apresenta campos de eólicas e uma superfície de painéis solares superior à média nacional americana. Mas existem problemas na transmissão da eletricidade gerada pelas eólicas, que necessitariam investimentos para serem resolvidos. Uma grande "fazenda solar" (foto acima)também foi implantada no deserto de Mojave, mas a produção destes 2 tipos de energia não são suficientes para responder à demanda. Muitos são adeptos da energia nuclear, que seria barata, eficiente e não produz gases que contribuem para efeito estufa. Resta o problema dos rejeitos que ainda não foi solucionado.

 

A população também se mobiliza e várias ONGs ecologistas apareceram visando desenvolver a consciência ecológica e são responsáveis por iniciativas como o plantio de árvores e a construção de casas sustentáveis.

 

Esta postura de um estado americano em relação aos problemas do meio ambiente é animadora. Será que o Terminator vai conseguir virar Hulk na terra do Zorro e torná-la verde? Tomara!

 

Fonte : Revista Le Point 10/01/2008

Eis que há alguns dias, a China decidiu banir de vez todas as sacolas plásticas finas em lojas do país. Não é o primeiro país a fazê-lo: Uganda, Coréia do Sul e Irlanda já são também áreas livres de sacolas gratuitas no comércio. Nos Estados Unidos, a rede Whole Foods Market também decidiu acabar com as sacolas plásticas dadas no ato da compra e pede a seus clientes que tragam suas próprias sacolas. Já é um bom começo de conscientização por aquelas bandas

Mas devido às proporções populacionais e consumistas da China, o impacto da decisão na terra de Mao é marcante. A partir de 1º de junho, todas as lojas da China, pequenas e grandes, não mais poderão fornecer sacolas plásticas com seus produtos Atitude radical (como quase tudo que vem de lá), mas fundamentada num currículo de poluição deprimente que precisa ser melhorado - principalmente às vésperas das Olimpíadas de Beijing. O país não quer que o mundo saiba o quão sujas as cidades chinesas estão, e quer dar o melhor de si para apagar essa imagem da sujeira.

É claro, a maior parte da poluição chinesa é atmosférica ou da água, e para lidar com esse problema, trazer sua própria sacola de casa não ajudará muito. Mas, mesmo não sendo a maior questão poluidora da China, a medida para banir sacolas plásticas já é um primeiro passo numa boa direção, porque demonstra preocupação por parte de um governo com um tipo de poluente que abunda e não se degrada. Pior: acumula-se em lixões, praias, cidades, matas e qualquer outro lugar que se pode imaginar. Gera poluição visual e prejudica o ambiente de diversas formas. Com a proibição, estima-se que a China economizará 37 milhões de barris de petróleo por ano, já que é o país que mais consome sacolas plásticas no mundo. É muita economia, mesmo para um gigante econômico.

Se os chineses vão mesmo acatar a medida, é outra história. Mas a mensagem do governo chinês que fica é clara: que o mundo saiba que nós estamos pelo menos tentando fazer a nossa parte para um planeta mais limpo e melhor de se viver. Jogada política ou não, o ambiente no final das contas, agradece a consideração.

*"Bù" - uma das formas de se dizer "não" em mandarim.
Esbarrei dia desses no ranking feito pela Scientific American das cidades mais poluídas do mundo. A lista foi compilada pelo Blacksmith Institute e levou em consideração a toxicidade do(s) contaminante(s) local(is) e o número de pessoas afetadas por ele, entre outros critérios. O tenebroso título de cidade mais poluída do mundo ficou com Sumqayit, no Azerbaijão, que teve o índice de câncer aumentado em 51% entre sua população. 

Vale notar que das 10 primeiras cidades do ranking da sujeira, 2 estão na China, 2 na Índia e 2 na Rússia. Acho que só essa última informação já diz muito do processo de crescimento econômico desenfreado e sem preocupações ambientais que os 3 países vêm tendo. China, Índia e Rússia deveriam olhar um pouco para o exemplo de uma certa cidade brasileira que na década de 80 ostentava o título que pertence em 2007 a Sumqayit e que hoje é, de acordo com a ONU, a cidade-símbolo da recuperação ambiental.
Estou repassando este email que recebi do grupo Recursos Hídricos, do qual faço parte, sobre a greve de fome do Frei Cappio, há mais de 15 dias, em virtude do problema da Transposição do Rio São Francisco que o Governo Federal já está implantando ao invés de optar pela REVITALIZAÇÃO.

Por Prof. Dr. Sérgio Vilas Boas
Doutor em Geociências e Meio Ambiente na área de Bacias Hidrográficas
Educador Sócioambiental

Por eu ser Engenheiro Agrônomo e Doutor em Geociências e Meio Ambiente com TESE na área de Bacias Hidrográficas, compartilho com os colegas cientistas da área de recursos hídricos que subsidiam suas análises e pareceres com dados técnicos e focados num verdadeiro compromisso social e ambiental, optando por medidas mais simples, locais e eficazes.

Assim opto, como optei em Setembro de 2005, pela REVITALIZAÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO, e sou CONTRA a Transposição.

Talvez a maioria de vocês não saibam, em Setembro de 2005, dois dias após o início da primeira greve de fome do Frei Cappio, recebi um email de um dos colegas da Rede Sócioambiental por Emails (então com menos de 30 dias que eu a havia criado). Repassei ao grupo (contava com aproximadamente 90 pessoas) e dois dias após, recebi um email de um sobrinho do Frei agradecendo-me pela mobilização pela Internet (sendo que a mídia convencional e tendenciosa não havia anunciado até então, por motivos óbvios, o que passou a ser feito somente no final daquela semana no programa "Fantástico"), convidando-me inclusive para uma reunião da família em São Paulo, onde estava sendo articulada uma mobilização com a opinião pública. Percebi o poder do projeto mobilizador da Rede Sócioambiental por Emails que eu havia criado, uma vez que eu não conhecia o sobrinho do Frei (alguém da minha rede repassou o meu email à ele).

Da mesma forma, agora reinicio a mesma mobilização, uma vez que o governo federal insiste em não ouvir a Comunidade Científica nacional, o povo brasileiro e instituições sociais e ambientais que já se manifestaram majoritariamente CONTRA a Transposição com alternativas muito mais baratas e viáveis.

Entrem no site da mobilização nacional e se interem dos fatos. Não esqueçam de assistir aos clipes que constam no site:
http://www.umavidapelavida.com.br/

A água vem sendo encarada como Commoditie (ver link http://www.labjor.unicamp.br/midiaciencia/article.php3?id_article=121 e água virtual, isto mesmo, a estamos exportando diariamente e a sociedade nem percebe isto) nos últimos anos e há uma articulação mundial dos Cartéis da Água que visam única e exclusivamente interesses econômicos em contraposição à manutenção da vida, dados os números absurdamente insanos de mortes que ocorrem no mundo todo pela ausência do líquido ou pela ingestão de água contaminada.

De qualquer forma, penso que cada um de nós é responsável pelo senso crítico que desenvolve diariamente em suas vidas, ditando como conseqüência o seu Futuro e o de seus descendentes. Cabe à mim apenas apresentar-lhes algumas informações que sirvam de subsídio para que vocês componham uma opinião à respeito.

Assim, estou anexando logo abaixo uma palestra que vem muito bem a calhar para reflexão à respeito da questão da água na América Latina e entender como vem se dando este encaminhamento dos Cartéis da água aos quais me refiro. É de fonte confiável, pois conheço o trabalho do Prof. Wagner que faz a abertura e apresentação do palestrante, o que penso que irá oferecer à todos vocês, subsídios para compor suas próprias opiniões sobre o tema.

PALESTRA: Lutas Sociais pela Água na América Latina

Ciclo de Conferências Mudanças Globais e Gestão da Água
Lutas Sociais pela Água na América Latina - IEA - USP - 6 de agosto de 2007
http://www.iea.usp.br/iea/online/midiateca/mudglobais/v070806b_100/Web/Script/index_IE.htm

Coloco também alguns links, uma vez que a mídia está abafando o caso.  A Folha de São Paulo tem oferecido matérias com uma certa constância nos últimos dias, com relação às manifestações de solidariedade de entidades civis, sindicais e da comunidade acadêmica, terceiro setor e científicas à campanha do Frei Cappio.

Notícias 10 de Dezembro de 2007 - 11:12
(http://www.bahiaemfoco.com/noticia/2323/mais-de-6-mil-pessoas-na-romaria-de-apoio-a-frei-cappio)

FOLHA -  http://busca.folha.uol.com.br/search?site=online&q=Frei+Cappio

Site da mobilização nacional e link para a carta entregue pelo Frei ao Presidente Lula em 04/10/07)
        http://www.umavidapelavida.com.br
       http://www.umavidapelavida.com.br/carta_brasil.html

Acreditem... os acontecimentos e desdobramentos que vêm ocorrendo nos últimos anos quanto a ÁGUA aqui no Brasil e na América Latina como um todo é muito mais GRAVE do que a maioria da população brasileira tem conhecimento (observem o que ocorreu no México-vide comentário na palestra anexada).

Enfim, pessoal. Os que porventura, após assistirem a palestra e lerem as matérias nos links que anexei e acharem importante tal mobilização, assinem o abaixo assinado (cujo link insiro logo abaixo e o qual acabo de assinar sob o nº12775) e encaminhem o email às suas listas de contato o mais rápido possível, pois afinal hoje já é o 19º dia de greve de fome do Frei.     


Os que quiserem se aprofundar um pouco mais no assunto, sobre como as grandes corporações estão se apoderando da água doce do nosso planeta, recomendo que leiam o livro:     "OURO  AZUL"- Maude Barlow e Tony Clarke - Editora M. Books -2003

Forte abraço à todos.

Por um Brasil MAIS JUSTO e SOLIDÁRIO.

Prof. Dr. Sérgio Vilas Boas
Doutor em Geociências e Meio Ambiente na área de Bacias Hidrográficas
Educador Sócioambiental
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PARTICIPAR É SINAL DE CONSCIÊNCIA

Você que é consciente, sofre a repressão de informação, pois há mais de 15 dias o D. Luiz Cappio faz jejum e oração e a grande maioria da população não está sabendo porque nossa imprensa escrita e falada não está noticiando. Vamos fazer nossa parte enquanto sociedade civil. Participe agora do abaixo assinando  a petição e envie a toda sua lista, se quiser mais informações sobre o projeto e tudo o que está acontecendo acesse o www.umavidapelavida.com.br.
Recebi esta carta da Avaaz, uma organização não-governamental cujo objetivo é fazer com que a vontade da população mundial seja conhecida por aqueles que detêm o poder. Eles estão em Bali, e as coisas, como vocês devem saber, não estão progredindo como deveriam. Eis o apelo da Avaaz:

Caros amigos,
Os EUA, Canadá e Japão estão boicotando o encontro da ONU em Bali - veja nossa petição de emergência para salvar as negociações, assine automaticamente clicando abaixo!
"Pedimos com urgência que os Estados Unidos, o Canadá e o Japão parem de bloquear as metas de redução de emissões para 2020. E que os outros países se recusem a aceitar qualquer proposta inferior."
Estamos aqui em Bali para o encontro da ONU sobre mudanças climáticas e infelizmente nossas notícias não são boas. A princípio tudo parecia bem, os negociadores estavam chegando a um consenso de que os países desenvolvidos deveriam se comprometer a metas pós-Kyoto de redução de emissão de CO2 até 2020. Esse seria um passo crucial, segundo os cientistas do Painel Intragovernamental sobre Mudanças Climáticas, para se evitar sérias catástrofes relacionadas ao aquecimento global. Mas hoje a má notícia chegou: os Estados Unidos, Canadá e Japão rejeitaram qualquer menção aos cortes de emissão no tratado pós-Kyoto. Agora, os outros países estão em cima do muro e a todo momento as diretrizes do novo tratado mudam. Não podemos deixar que três governos boicotem um processo pelo qual o mundo todo está aguardando. Por isso estamos lançando uma petição de emergência para pressionar os negociadores antes que o encontro chegue ao fim essa sexta-feira. A equipe da Avaaz em Bali irá entregar essa mensagem de toda forma possível – diretamente ás delegações presentes, em espaços públicos do encontro e através de um anúncio no principal jornal da Indonésia – o Jakarta Times. A petição pede que os Estados Unidos, Canadá e Japão aceitem as metas do acordo pós-Kyoto e que o resto do mundo não se contente com nada menos do que isso. Tome um minuto do seu tempo e clique no link para ver e assinar a petição de emergência para os Estados Unidos, Japão e Canadá:
Hoje se completa 10 anos desde a assinatura do Protocolo de Kyoto. Não podemos deixar que os Estados Unidos, o Japão e o Canadá levarem a melhor. Milhares de membros canadenses da Avaaz lançaram uma campanha pedindo para seu governo não os traírem, os membros japoneses estão escrevendo para seus líderes e os americanos estão enviando mensagens para Bali. O Al Gore e outros membros do Congresso Americano também estão chegando á Bali dizendo para os negociadores ignorarem a delegação oficial dos Estados Unidos pois ela não os representa. De todos os cantos do planeta todos nós podemos nos mobilizar para fazer parte do encontro de Bali ao assinar essa petição de emergência. Nossa equipe fará de tudo para representar a voz global em Bali e pressionar os negociadores por um tratado que tanto esperamos. Mobilize-se agora e espalhe a notícia para seus amigos, só temos até sexta-feira.
Com esperança e determinação Paul, Ricken, Galit, Ben, Iain, Graziela, Milena e toda a equipe da Avaaz
PS. A Avaaz foi a única organização a ganhar permissão para marchar dentro do espaço do encontro sábado passado. Enquanto centenas de milhares de pessoas marcharam ao redor do mundo nós trouxemos mais de meio milhão de assinaturas colhidos pela nossa mobilização virtual para o coração das negociações. Carregamos com orgulho as faixas e as bandeiras representando os membros de todos os países que apóiam a campanha. Também estamos sediando o Prêmio Fóssil do Climate Action Network – uma rede de ONGs ambientais presentes em Bali – veja o vídeo da premiação - http://www.avaaz.org/fossils (não traduzido para o Português).

A Terra pede socorro.
(Imagem do site da Avaaz.)
Segundo seu presidente, a França deseja ocupar no mundo a liderança na luta contra o aquecimento global e pelo desenvolvimento sustentável. Para isto, durante três meses o poderoso Ministério do Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável, Energia e Transportes promoveu a "Grenelle* do Meio Ambiente" reunindo representantes de ONGs, sindicatos, coletividades locais, empresas e políticos visando propor e discutir as medidas necessárias para atingir este objetivo. O público também foi consultado via Internet, respondendo a um questionário sobre quais medidas estaria disposto a aceitar. O programa resultante é ambicioso e foi apresentado dia 25 de outubro último pelo presidente Nicolas Sarkozy em um discurso, na presença de Al Gore. Segundo ele, toda decisão governamental deverá ser analisada em relação ao impacto causado sobre o meio ambiente e a biodiversidade. Prevê também um investimento de 1 bilhão de euros em 4 anos na pesquisa e formação, sem aumento de impostos e sem sacrificar o crescimento do país. Considerando irreal que as pessoas aceitem se sacrificar nos nossos dias para assegurar as condições de vida das gerações futuras, estabelece que para cada mudança efetuada neste sentido, uma alternativa deve ser proposta, visando manter o conforto atual. Pois o programa toca em hábitos arraigados, como os modos de transporte, diminuindo o investimento nos transportes rodoviários e aéreos, e aumentando no ferroviário, fluvial e marítimo. Um dos pontos críticos da discussão foi a questão energética. O governo fez pé firme para conservar a energia nuclear, responsável atualmente por 80% da energia elétrica produzida na França, logo o novo reator EPR será mantido...mas informou que não haverá construção de outros parques nucleares. E as medidas prevêem o investimento paralelo nas energias renováveis : para cada euro investido na energia nuclear, um euro será investido nas energias alternativas. Algumas das propostas dizem respeito aos outros países, como por exemplo, "os produtos oriundos dos países que não respeitam o protocolo de Kyoto devem sofrer sobretaxas no mercado francês", ou "nas etiquetas dos produtos devem ser escrito quanto CO2 foi produzido para sua produção e seu transporte até o consumidor". A França deseja difundir estas idéias na Europa e no mundo, e nisto tem o apoio de Al Gore que declarou que seria necessário um "Grenelle mundial". Todas estas propostas passarão pelo Parlamento para serem votadas. Apesar do aval do mais eminente defensor francês do meio ambiente Nicolas Hulot, alguns temem que certos "lobbies" bloqueiem a aprovação das medidas. Mas se passarem, será a primeira vez que um país orienta suas decisões em função do impacto sobre o meio ambiente. Será que desta vez vai? A caixa de Pandora verde estaria aberta? Saberemos em breve.

Foto acima : Al Gore com Jean-Louis Borloo (minsitro do meio ambiente, desenvolvimento sustentável, energia e transportes da França)

Discurso de Nicolas Sarkozy com as conclusões do Grenelle - texto (francês, inglês, espanhol, alemão) e vídeo Video da televisão francesa sobre o discurso acima Site "Grenelle do Meio Ambiente"

*A palavra Grenelle faz referência aos acordos sociais de Grenelle que puseram fim às greves de 1968.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse neste sábado que a Amazônia está "sendo sufocada", ao encerrar a reunião do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), em Valência. Ele afirma que o governo brasileiro avança no combate ao desmatamento e tem promovido o gerenciamento sustentável da floresta. Mas teme que o aquecimento global já esteja minando estes esforços. De acordo com a previsão do IPCC, grande parte da selva amazônica se transformará em savana. "Toda a humanidade deve assumir a responsabilidade em nome das gerações futuras", declarou Ban.

O texto que foi divulgado oficialmente neste sábado pelo secretário-geral não menciona a Amazônia ao listar ecossistemas onde já se percebem evidencias "fortes" de impacto da mudança climática. Mas os negociadores incluíram um quadro mais "suave" em que, entre vários exemplos, afirmam que "até meados do século, aumentos de temperaturas associados à redução do nível de água no solo devem ocasionar uma substituição gradual da floresta tropical por cerrado no leste da Amazônia".

Além disso, eles enfatizaram que terras semi-áridas do continente sul-americano - como o sertão nordestino - tendem a ser substituídas por vegetação árida.O alerta dos cientistas eleva a pressão para que os governos tomem medidas concretas contra o aquecimento global. O atual Protocolo de Kyoto, que estabelece metas de emissões de CO2 para nações desenvolvidas até 2012, vem sendo descumprido por vários países e sequer foi ratificado pelos Estados Unidos.Segundo ele, os países em desenvolvimentos devem ser ajudados em três frentes: com fundos para financiar a tecnologia de energias limpas; através de "correntes financeiras para adaptação"; e por uma maior cooperação em pesquisa e desenvolvimento científico, assim como a transferência de tecnologias limpas.

Sabemos que a maior concentração de fontes de emissão de CO2 está em países que rejeitaram ou não ratificaram o protocolo de Quioto, que visa à redução do aquecimento global. Como a mudança climática afetará mais efetivamente os países em desenvolvimento e o degelo provocará inundações em zonas montanhosas e escassez de água na Ásia meridional e na América do Sul, cabe aqui reiterar o fator humano por trás do aquecimento e a necessidade de reduzir as emissões de gases do efeito estufa, especialmente pela queima de combustíveis fósseis. Segundo o relatório há possibilidades "reais e acessíveis" para combater essas mudanças.

Eu quero acreditar nisso.

Fonte imagem

A Universidade de Queensland, na Austrália, publicou hoje um documento chamado "Declaração de consenso sobre o futuro dos recifes de corais". Compilado por mais de 50 cientistas do Centro de Excelência em Estudos de Recifes de Corais, traz uma imagem nada bonita da situação dos mares do mundo. Entre os diversos tópicos citados, muitos infelizmente de difícil realização na atual conjuntura da humanidade. Destaco aqui os tópicos que mais me chamaram a atenção (tradução livre minha):

- Conclamamos a sociedade e os governos a diminuírem substancial e imediatamente as emissões dos gases de efeito estufa. Sem essas reduções, o dano decorrente do aquecimento global sobre os recifes de corais será em breve irreversível.

- Mudanças climáticas, pesca em escala industrial e poluição continuam a causar declínios elevados e rápidos na abundância das espécies de recifes de corais e mudanças globais no mesmo ecossistema. Mesmo recifes bem-monitorados e remotos estão correndo perigo com as mudanças climáticas.

- O mundo tem uma janela de oportunidade para salvar os recifes de corais da destruição causada pelas mudanças climáticas. Redução global substancial das emissões de gases de efeito estufa devem ser iniciadas imediatamente, não daqui a 10, 20 ou 50 anos.

- A ação local pode ajudar a reconstruir os recifes de corais e promover sua recuperação. É extremamente importante que evitemos os booms de algas nos recifes, reduzindo a descarga de sedimentos e protegendo os estoques de peixes herbívoros.


Leia o resto aqui. E faça a sua parte pelo mar, esse tesouro tão ameaçado por nós humanos.

Coral reef

(Via Blue Beyond.)
Vai começar em Nova Iorque nessa semana uma "discussão informal" sobre mudanças climáticas e aquecimento global. Organizada pela ONU, essa mini-conferência vai tentar delinear os pontos mais importantes a serem amplamente discutidos em dezembro, quando haverá em Bali uma conferência sobre mudanças climáticas que, tudo indica, será das mais impactantes já realizadas.

É a ONU mobilizando governos para a realidade do aquecimento. Será que a mensagem chega aos mais poluidores?

A Comissão Européia decidiu em fevereiro último adotar um enfoque global para alcançar o objetivo da União Européia de 120 g/Km (contra os atuais 160 g/Km) de emissões médias de dióxido de carbono (CO2) proveniente de carros novos daqui até 2012, para lutar contra a mudança climática e reduzir a poluição atmosférica. Em outras palavras, em média, as emissões dos carros novos vendidos nos 27 países da Europa não deverão ultrapassar 120 g CO2/km daqui até 2012 ou seja, um consumo de 4,5 litros de óleo diesel ou 5 litros de gasolina por 100 Km.

Para alcançar este objetivo, a Comissão Européia conta com as melhorias das tecnologias da indústria automobilística para permitir de reduzir a 130 g CO2/Km. Para as 10 g/Km suplementares, ela conta com as medidas complementares relativas aos pneus, ao uso de biocombustíveis e aos sistemas de ar condicionado.

O tráfego rodoviário é a fonte de cerca de um quinto das emissões de CO2 da União Européia, dos quais cerca de 12% são devidos aos carros particulares. Mesmo se a tecnologia dos automóveis melhorou bastante durante os últimos anos, principalmente em relação ao rendimento dos combustíveis, as reduções das emissões de CO2 que estas melhorias acarretaram não foram suficientes para contrabalançar os efeitos do aumento do tráfego e do tamanho dos carros. Enquanto entre 1990 e 2004, os países da Europa reduziram de cerca de 5% as emissões globais de gases responsáveis pelo efeito estufa, as emissões de CO2 provenientes do transporte rodoviário aumentaram de 26%, apesar da redução média de emissões de CO2 dos carros novos de 12,4% entre 1995 e 2004. Por meio desta estratégia, a União Européia espera acabar com o crescimento das emissões de CO2.

Uma reunião entre representantes da indústria automobilística, as ONGs e as associações de consumidores ocorreu dia 11 de julho último em Bruxelas, além de uma consulta pública pela Internet, tendo como objetivo a coleta de idéias em relação à elaboração do conjunto de medidas legislativas necessárias à execução desta estratégia.


Fonte : Comissão Européia : Redução das emissões de CO2 dos veículos automóveis

Uma reportagem do NYTimes de hoje comenta sobre o uso da energia solar como alternativa energética (pelo menos nos EUA), em tons de realidade nua e crua. Fato: para tornar a energia solar uma escolha generalizada da população e da economia, é preciso mais investimento em ciência & tecnologia, para que seja aumentada a eficiência da conversão dos raios solares em eletricidade, traduzida em números razoáveis econômicos. Iniciativas individuais (os painéis caseiros) não devem ser desincentivadas, mas para fazer grandes indústrias e cidades inteiras utilizarem a energia solar ao invés da termelétrica, é preciso muito mais que os painéis que hoje temos no mercado. Pensando em macroescala, a tecnologia adequada ainda precisa surgir.
O tema "etanol" segue na pauta. Impõe-se a leitura. Há opiniões para todos os lados: a favor, contra e os que são "nem tanto...". Selecionei alguns textos que li essa semana. Leiam. Afinal, informação ainda é o melhor meio de defesa do meio ambiente, por mais que possa parecer cansativo.

As contradições do etanol

Trecho:

"Já os impactos ao meio ambiente estão sendo ignorados pelos que defendem a substituição do peltróleo pelo álcool combustível como medida para reduzir o aquecimento global. Um dos processos de produção mais comuns é a queima da palha do canavial, para facilitar o corte manual e aumentar a produtividade do cortador de cana. Essa prática reduz custos de transporte e aumenta a eficiência das moendas nas usinas. No entanto, a queima libera gás carbônico, ozônio, gases de nitrogênio e de enxofre (responsáveis pelas chuvas ácidas) e provoca perdas significativas de nutrientes para as plantas, além de facilitar o aparecimento de ervas daninhas e a erosão. Como opção às queimadas, responsáveis por boa parte das mortes dos cortadores por meio da inalação de gazes cancerígenos, a mecanização pode ser extremamente prejudicial ao solo, pois o comprime, não permitindo a entrada de oxigênio."


leia todo o texto completo:

http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/nacional/as-contradicoes-do-biocombustivel


O mito dos biocombustíveis

Trecho:

"A propaganda do "combustível verde" ou "energia limpa" tem sido amplamente difundida no Brasil. "Usados em substituição aos derivados de petróleo, tanto o etanol quanto o biodiesel se convertem em ferramentas capazes de deter o aquecimento global", afirma texto da revista Globo Rural (Novembro, 2006).

Por outro lado, já existem diversos estudos que contradizem essa idéia. Especialista em genética e bioquímica, a professora Mãe-Wan - Ho, da Universidade de Hong Kong, explica que "os biocombustíveis têm sido propagandeados e considerados erroneamente como ´neutros em carbono´, como se não contribuíssem para o efeito estufa na atmosfera; quando são queimados, o dióxido de carbono que as plantas absorvem quando se desenvolvem nos campos é devolvido à atmosfera. Ignoram-se assim os custos das emissões de CO2 e de energia de fertilizantes e pesticidas utilizados nas colheitas, dos utensílios agrícolas, do processamento e refinação, do transporte e da infra-estrutura para distribuição". Para a pesquisadora, os custos extras de energia e das emissões de carbono são ainda maiores quando os biocombustíveis são produzidos em um país e exportados para outro."

Leia o texto completo:

http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/analise/o-mito-dos-biocombustiveis


Etanol: combustível da exploração do trabalho no campo

Trecho:

"Crescem os negócios e diminuem os direitos. O argumento dos empresários e dos países ricos para o aumento da produção do etanol é o de aliviar, de uma só vez, dois grandes males do século 21: a escassez do petróleo e o efeito estufa. Além das contradições deste discurso (leia mais aqui), essa proposta não parece nada "sustentável" do ponto de vista da situação dos "corta-cana" - trabalhadores dos canaviais. "Historicamente, a produção de açúcar está associada com o trabalho escravo de índios e negros", afirma Plácido Júnior, coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Pernambuco."

Leia o texto completo:

http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/etanol-combustivel-da-exploracao-do-trabalho-no-campo


Etanol o mundo quer. O Brasil tem

Trecho:

"O álcool entrou na agenda de governantes, empresas de tecnologia e, principalmente, de investidores interessados nas grandes oportunidades que o setor tende a oferecer daqui para a frente. O homem mais rico do mundo, Bill Gates, fundador da Microsoft, comprou 25% da Pacific Ethanol para produzir álcool de milho nos Estados Unidos. Especula-se que Gates esteja prestes a concretizar a aquisição de uma usina de etanol no Brasil. Larry Page e Sergey Brin, do Google, estiveram em janeiro no interior de São Paulo para conhecer a produção local e analisar oportunidades. Outro bilionário, o investidor húngaro George Soros, fechou em fevereiro a compra da usina Monte Alegre, em Minas Gerais. Em 2006, o setor de etanol deve receber investimentos de 9,6 bilhões de dólares, entre construções de novas usinas, aquisições e expansões."

Leia o texto completo:

http://portalexame.abril.uol.com.br/revista/exame/edicoes/0870/negocios/m0082575.html


Etanol é ´ameaça disfarçada de verde´, dizem ambientalistas

Trecho:

"Metade da matéria-prima utilizada pela União Européia para produzir biocombustível é originária do Brasil, ele afirmou. Em 2005, o país exportou 50% das 538 mil toneladas de óleo de soja e palmeira que a UE comprou para este fim.

"Não entendemos o entusiasmo brasileiro em relação aos biocombustíveis, porque o Brasil tem grande experiência no tema, e conhece os efeitos negativos de uma má gestão da selva amazônica, que é um patrimônio da humanidade", disse Kucharz."

Leia o texto completo:

http://www.estadao.com.br/ciencia/noticias/2007/abr/19/124.htm

A diretora geral da OMS, Dra. Margaret Chan, fez uma declaração especial para o Dia Mundial do Meio Ambiente

Da Redação Atmosfera Feminina com informações da OMS


O foco do Dia Mundial do Meio Ambiente, este ano, é o impacto das mudanças climáticas nas calotas polares, seus ecossistemas e comunidades, bem como as conseqüências disso para o mundo inteiro.

Existe uma relação complexa e muito próxima entre saúde, segurança da saúde e as mudanças climáticas. Limitar o impacto destas mudanças significa salvar vidas e nosso sustento, tanto quanto proteger o meio ambiente. Mais de 35 mil pessoas morreram na onda de calor de 2003 na Europa, enquanto em 2005, o Furacão Katrina causou morte e destruição nos Estados Unidos. Estima-se mais de 60 mil mortes relacionadas com desastres naturais relacionados ao clima todos os anos, a maioria nos países em desenvolvimento.

Mesmo estes números dramáticos não mostram com apuro o impacto indireto das mudanças climáticas sobre a saúde. A maioria dos males que mais matam no mundo são altamente sensíveis às condições climáticas. Malária, diarréia e desnutrição matam milhões de pessoas todos os anos, a maioria crianças. Sem uma ação eficiente para reduzir e evitar o aquecimento global, o sofrimento destas doenças será maior – e elas serão mais difíceis e caras de controlar.

Conforme o mundo esquenda, as calotas polare e glaciares derretem e o nível do mar sobe. Isso ameaça a saúde de todos os que vivem em áreas costeiras e também os que moram em cidades onde a única fonte de água potável vem do derretimento previsível das geleiras. Ao mesmo tempo, a chuva se torna menos previsível e a evaporação aumenta, reduzindo a quantidade e a qualidade da água potável e com certeza resultando em seca. Juntas, estas mudanças afetam a saúde de milhões de pessoas.

Existem duas atitudes que podemos e devemos tomar para enfrentar este desafio. Primeiro, devemos fortalecer os sistemas de saúde públicos, que são a primeira linha de defesa contra os riscos de saúde relacionados ao clima. Em segundo lugar, precisamos lembrar que a prevenção é tão importante quanto a cura. Os benefícios para a saúde virão tanto de reduzir o aquecimento global quanto de nossa adaptação ao meio. Muitas das ações que são necessárias para reduzir o nosso impacto sobre a natureza podem também reduzir a poluição e salvar vidas agora.

Reduzir nosso impacto sobre o ambiente exige que pessoas, comunidades e governo mudem seus comportamentos e políticas – como usar fontes de energia e sistemas de transporte limpos – que trarão benefícios imediatos à saúde da população.

Juntos, podemos agir para reduzir o aquecimento global e melhorar a saúde da população e do planeta.

Numa das proposições mais interessantes dos últimos tempos na China (pelo menos, a meu ver), o arquiteto modernista Ma Yansong quer transformar o símbolo máximo da política comunista chinesa, a Praça da Paz Celestial em Beijing (onde fica o painel com a foto de Mao Tsé-Tung), num grande parque ou bosque. Suas razões para tal são consideráveis: a área, que recebe a visita de milhares de turistas anualmente, quase não é visitada pelos próprios habitantes da cidade, que a consideram "feia e desagradável". E eu concordo com os moradores de lá: é, realmente, um monte de prédios cinzas caixotões com inúmeras bandeiras vermelhas. O que salva é a entrada para a Cidade Proibida numa das pontas da praça, mas mesmo lá, aquela foto do Mao vigiando todos que por ali passam é meio assustadora. Se mais verde houvesse por ali, os moradores de Beijing poderiam considerá-la uma área a mais de lazer na cidade, que já anda tão pobre delas - estima-se que apenas 2.8% de Beijing seja verde. E estariam de certa forma trocando o statement político comunista, que é o que a praça representa hoje, por um statement mais ambiental na ativa China.

Acho que eu apóio essa mudança radical (mesmo!) em Beijing. Mas a questão de verdade é se o governo apóia também... pelo que o artigo do Guardian conta, parece que não.


©Tianamen2©Tianamen1
Praça da Paz Celestial, Beijing, umbigo político da China: hoje, vermelha comunista; amanhã... verde? Sonhar não custa nada...
Via Boing Boing, chega-me a notícia de que uma vila inteira no Alasca, Shishmaref, está literalmente caindo no mar, como consequência do aquecimento global. A vila tem uma geografia peculiar, entre um lago e o mar, e alguns moradores já foram forçados a se mudar por causa dos efeitos do aumento da temperatura sobre o mar. Mas o mais interessante no post do Boing Boing é o comentário de uma moradora do Alasca sobre a posição do governador do estado perante tal situação. O governador insiste que "A ciência do aquecimento global é inconclusiva". Ok, governador, então explique isso para esses 600 moradores de Shishmaref (e os outros tantos de comunidades do Alasca em situação parecida), que já são refugiados do fenômeno.

Veja fotos da gelada vila de Shishmaref aqui.
Saiu o relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas), órgão da ONU, sobre o clima mundial. A notícia em inglês bem explicada está aqui, e em português aqui. Uma visão mais geral do que poderá acontecer com o Brasil pode ser lida aqui. O relatório sai a cada 5 anos (em média), e é provável que esse seja discutido bastante pelos próximos anos, e sirva de base para várias decisões políticas, sociais, econômicas e - por que não? - científicas.

Em todo caso, vale ressaltar: aquecimento global causado pela humanidade nos últimos 50 anos JÁ É consenso na ONU. Os países mais pobres serão os mais afetados pelas mudanças do clima que virão pela frente. Agora é tentar minimizar essa mudança. Como? Só com melhores leis ambientais, cortes de emissão de CO2 pelos países industrializados, conscientização das pessoas de que esse é um problema de cada um de nós. As decisões políticas entre governos deveriam se encarregam de melhorar esse cenário. Mas, enquanto elas não vêm (e alguns governos altamente poluidores, como a China, se recusam a cortar emissões), que nós pelo menos façamos a nossa parte.
Nestes últimos dias tenho lido muita coisa sobre as mudanças climáticas e seus efeitos. Como acontece com qualquer assunto, existem opiniões divergentes e pontos de vista radicais. Alguns anunciam o fim do mundo enquanto outros pedem calma e acusam o alarmismo dos primeiros. Há quem espera pela materialização de uma liderança no cenário mundial, alguém dotado de qualidades carismáticas, de autoridade científica e ética suficientes para atrair todos os esforços dispersos no caos que tais mudanças vêm causando. Assim como há quem acredita que a biosfera é um organismo e que a humanidade é o câncer que deu nela.

Não sou cientista. Sou apenas um pai de família assustado com as perspectivas ambientais, que prefere participar do esforço conjunto em manter o planeta em que vivemos, em vez de cruzar os braços esperando que alguém o faça por mim. Sei que pode parecer ingenuidade, mas realmente acredito que a soma de pequenas ações podem fazer diferença. Após ler sobre as afirmações do Paul Kring, diretor da campanha “One Planet Living”, do WWF britânico, me sinto muito menos ingênuo. Aliás, vale a pena ler todas as matérias desta edição especial da BBC.

E eis que surge a questão: como conciliar a atual ordem econômica mundial com as mudanças necessárias? Se alguém tiver a resposta, deixe um comentário em letra de forma.

Para sobreviver, as empresas necessitam vender sempre e mais. Há uma guerra para descobrir novas necessidades e transformá-las em produtos, que logo serão substituídos por modelos mais inovativos, criando um ciclo vicioso e perigoso do qual não conseguimos escapar. Somos consumidores. Jamais acessei o Orkut e talvez só por isso ele não me faz falta. Mas já não sei viver sem internet, fax e celular. Tenho procurado consumir alimentos de estação produzidos localmente, pois sei que isso incentiva os agricultores locais, reduz quilômetros de transportes e poluição e ainda mantém o cinturão verde em torno da cidade. Mas é impossível agir assim com tudo. O que fazer?

As empresas não sobreviverão ao planeta, assim como é utópico projetar um mundo sem empresas. Pelo menos por mais um bocado de anos. A saída é conciliar as duas partes e buscar alternativas que reduzam o impacto do atual processo industrial. Como? Bom, a idéia das pequenas ações pode ser ampliada. Ou melhorada. O consumo responsável penaliza quem polui ou não respeita o meio-ambiente. Mas é preciso que o consumidor faça a sua parte. E o consumidor somos nós. Temos o hábito de não ler etiquetas e de dar pouca importância aos certificados de manejo sustentável dos produtos que consumimos. Exigimos das empresas responsabilidade social mas nos esquecemos de verificar como agem as empresas que produzem o pão-nosso de cada dia. Pois bem, a responsabilidade social é nossa, também. Ou as nossas exigências perdem valor. Se nos empenharmos, podemos criar as condições necessárias para uma verdadeira revolução do sistema produtivo que chamamos “modelo econômico”.

Só para citar um exemplo de que não vale a pena esperar pelo tal líder carismático, um cidadão italiano escreveu uma carta com uma sugestão ao seu deputado, após ler uma reportagem. Como a idéia não era das piores, a sugestão acabou virando lei, em 2006, e o resultado é que a partir de 2010 os sacos de compras dos supermercados italianos não poderão usar o polietileno como matéria-prima, mas deverão ser produzidos com material biodegradável a partir do milho. Outros países europeus já estão adotando a proposta. Consumidor e revolucionário.

Estou doido para começar a ler coisas mais amenas sobre o futuro da Terra.
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A lei que institui a Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 6.938/81) estabelece, no seu artigo 2°, os princípios que informam a atuação dos entes públicos e privados na defesa do meio ambiente. Dentre eles, diz o inciso X:

"educação ambiental a todos os níveis de ensino, inclusive a educação da comunidade, objetivando capacitá-la para participação ativa na defesa do meio ambiente".

Por seu turno, os Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN, sugerem que os temas Ética, Saúde, Meio Ambiente, Pluralidade Cultural, Orientação Sexual (1ª a 8ª séries) e Trabalho e Consumo (5ª a 8ª séries) sejam tratados como Temas Transversais, isto é, devam ser ensinados em todas as disciplinas. Segundo o PCN, eles foram escolhidos "por envolverem problemáticas sociais atuais e urgentes, consideradas de abrangência nacional e até mesmo de caráter universal. A grande abrangência dos temas não significa que devam ser tratados igualmente; ao contrário, exigem adaptações para que possam corresponder às reais necessidades de cada região ou mesmo de cada escola."

Em 1999 foi editada a Lei 9.795 para dispor sobre a educação ambiental e instituir a Política Nacional de Educação Ambiental. Seguindo o princípio da transversalidade - e da interdisciplinariedade que envolve o meio ambiente -, a lei desaconselha, expressamente, que as escolas criem uma disciplina específica para tratar do meio ambiente (Art. 10, § 1° - A educação ambiental não deve ser implantada como disciplina específica no currículo de ensino.), abrindo exceção apenas para cursos de pós-graduação, extensão ou em áreas voltadas para o aspecto metodológico da educação ambiental (Art. 10, § 2°).

O tema é muito abrangente e extenso para um único post. Cada um deve fazer a sua parte, mas nunca esquecendo que a solução deve, necessariamente, passar pela educação. Somente a educação é capaz de transformar o ser humano. Somente a educação ambiental será capaz de transformar o atual ser-humano-destruir do meio ambiente em um ser-humano integrado ao meio ambiente.

Em outros posts pretendo desdobrar e aprofundar os temas ligados à educação ambiental.