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Entrevista com Bjorn Lomborg no Planeta Sustentável.

Apesar de não concordar com a fala do "consumo" (subtítulo da matéria: "O principal representante dos céticos, Bjorn Lomborg, diz que o combate ao aquecimento global tem de se basear em tecnologia, e não em mudanças no consumo"), o resto aqui.

Com esse título, Leonardo Boff faz uma análise da COP15 (aqui). O texto foi publicado no portal da ADITAL - Agência de Informação Frei Tito para América Latina.

Algumas frase pinçadas (leiam o texto todo):

"E que agora somos também responsáveis, cada um em sua medida, do controle do aquecimento para que não seja catastrófico para a natureza e para a humanidade. A consciência da humanidade nunca mais será a mesma depois de Copenhague. Se houve essa consciência coletiva, por que não se chegou a nenhum consenso acerca das medidas de controle das mudanças climáticas?"

Parece que reforça nosso argumento: faça a sua parte, "cada um em sua medida".

"Por isso que ecologia e capitalismo se negam frontalmente. Não há acordo possível. O discurso ecológico procura o equilíbrio de todos os fatores, a sinergia com a natureza e o espírito de cooperação. O capitalismo rompe com o equilíbrio ao sobrepor-se à natureza, estabelece uma competição feroz entre todos e pretende tirar tudo da Terra, até que ela não consiga se reproduzir. Se ele assume o discurso ecológico é para ter ganhos com ele."

Competição capitaneada pelo consumismo exacerbado (é redundante, eu sei!). Tenha mais e troque mais rápido. Você já está fora de moda desde ontem. Vai ficar assim até amanhã? Concordo com Boff: não há acordo possível. Ou nos colocamos frontalmente contra o consumismo, fazendo campanhas mais acirradas pelo consumo consciente, ou ...

Bom, leiam todo o texto no site original, aqui.


"Não existe aquecimento global", diz representante da OMM na América do Sul

Daqui
e

Para especialista, nova classe C ignora sustentabilidade

Daqui.

A questão da existência ou não do aquecimento global - e se ele tem sido causado predominantemente pela interferência humana, como diz o IPCC - é um debate que não tem sido levado muito a sério pela mídia. Não há dúvidas de que a mídia passou a divulgar as questões do meio ambiente tão somente por ter percebido que seu público consumidor (quem tem $$$ para consumí-la) desejava isso. E o fez tão somente porque o aquecimento global traz, em si, uma dose de terror, de medo, de tudo quanto desperta as pessoas para assistirem ou comprarem jornal.

A par do objetivo de lucro, esperava-se um aumento no interesse pelas questões ambientais (o efeito colateral positivo). Não é o que mostra a segunda entrevista, que coloca um aspecto importante para a questão do meio ambiente: acessibilidade.

Um modo de viver ambientalmente sustentável deve ser, antes de tudo, um modo de viver acessível para as pessoas.

O erro está no uso errado da lógica de funcionamento da coisa toda. Supermercados que pretendem "parecer" verdes, implantam a cobrança das sacolas de plástico como forma de "ajudar". Na mais errado. Primeiro, trata-se de uma cobrança dupla. O custo das sacolas já está embutido no preço das mercadorias. Fazem-nos de trouxas. Segundo, sustentam uma das mais poderosas indústrias que existe: a do petróleo e seus derivados.

Uma sacola de pano tem sido vendida por R$2,00 em média. Poderia sair ao mesmo preço de uma de plástico se os supermercados comprassem toda a produção das cooperativas (em geral são cooperativas que fabricam). Aumento de demanda, preço em queda. Sacolas simples, sem logos estampados (marcas tendem a tornar o produto mais caro), resolveriam todos os problemas.

É simples. Mas não querem resolver.

Somos uma humanidade da destruição. É um ciclo vicioso: construimos para destruir; tentamos reciclar para novamente destruir. Oitenta por cento de tudo que fazemos, plantamos ou criamos, vira lixo.

Demasiada energia é gerada para simplesmente amassarmos tudo. Embalagens, embrulhos e os próprios objetos do desejo. A grande máquina da humanidade não é o computador, mas o compactador, ou, no caso desse filme, o cortador.

Rasgamos o passado. Colocamos o que fomos (ou queremos que tenhamos sido) no lixo, como se isso resolvesse não apenas os nossos problemas (esquecendo que a única coisa que carregamos por toda a vida somos nós mesmos) mas os problemas sociais e do meio ambiente.

Fazer papel picado para comemorar a despedida de um ano livra nossa alma. Jogando a foto da(o) "ex" no triturador aproveitamos para espiar a culpa com o meio ambiente.

Isso é o ser humano moderno: um animal capaz de produzir memórias e de depois jogá-las fora. E é por isso que não sabemos lidar com o meio ambiente: se não sabemos lidar com a nossa própria vida, como lidar com a vida do planeta?

A indústria e a mídia, que vende a indústria, não têm culpa. Elas simplesmente nos dão a desculpa para aquilo que somos: seres que desperdiçam a vida, a alma, pensando que jogar tudo fora nos trará o paraíso.

Que picotar 2009 fará de 2010 um ano melhor. Que ter picotado 2008 tenha feito de 2009 um ano melhor.

Somos o que somos. E enquanto não mudarmos o que somos, continuaremos a ser o que somos: seres que destroem.

Eis a primeira barreira cultural: falta infra-estrutura para apoiar as mudanças. Precisamos de ciclovias, metrô, sistemas confiáveis de certificação, incentivos (talvez até fiscais) para reduzir a produção de lixo, para captar água da chuva, para usar energias alternativas. Precisamos de leis que obriguem fabricantes a reutilizarem ou reciclarem suas embalagens para evitar a extração de matéria-prima para produzir embalagens novinhas em folha. Precisamos mudar nosso modo de pensar. Essa é a segunda barreira: as pessoas resistem a mudanças. Aquilo com que estão acostumadas (carros estacionados nas ruas, tomando o lugar que poderia ser de pedestres, ciclistas, praças e árvores) está OK, não atrapalha. Faz parte do dia-a-dia. Mas um ciclista "atrapalha" o trânsito. Enfim, há um longo caminho pela frente. Espero que consigamos mudar nossos hábitos e nossas idéias a tempo.

O post que inspirou esta nota é antigo, do Colin Beavan. Uma vizinha reclamou que as bicicletas da família dele estacionadas na calçada criavam um problema estético, deixando o bairro feio e consequentemente reduzindo o valor de mercado dos imóveis.

Enquanto as pessoas não abrirem suas mentes, fica difícil mudar de verdade.

Recentemente entrei num debate sobre absorventes reutilizáveis para contar a minha experiência, porque um blog fez um post falando sobre os absorventes de pano e o retrocesso que representavam. Falei sobre minha experiência e apresentei também os coletores menstruais. Não só não adiantou como uma revista de grande circulação fez uma matéria falando sobre os radicalismos dos movimentos pelo meio ambiente e de proteção animal, usando o depoimento da autora do blog para ilustrar o quanto eles são irracionais. Disseram que as pessoas que fazem escolhas ecológicas não respeitam aqueles que preferem não fazer determinadas escolhas e ainda se sentem superiores aos outros. Pois naquele debate, eu me senti totalmente o oposto: bem pequenina, porque só o que eu queria era dar um depoimento e mostrar que mudar de hábito-às vezes até voltando um pouco às raízes-pode não ser um retrocesso, mas uma escolha saudável. Mas não fui ouvida.

Segundo a CEDAE, Companhia Estadual de Águas e Esgotos, e a SABESP, Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, definitivamente, o seu vaso sanitário não é uma lixeira. No entanto, se você joga nele, papel higiênico, preservativos, absorventes, fio dental, cotonetes, fraldas descartáveis, filtros de cigarro e o que mais a sua imaginação alcançar, com certeza, seu vaso é uma lixeira privada (desculpe o trocadilho infame).

"Ah, mas que nojo, colocar o papel usado na lixeira!" - dirão alguns de vocês. - "Existe sistema de tratamento de esgoto para retornar a água limpa ao meio ambiente. E, manter aquela lixeirinha fétida no banheiro é anti-higiênico", retrucará mais alguém.

Bem, a questão é simples: se em seu prédio e em seu bairro há um estação de tratamento de esgoto, (No Rio e em São Paulo), jogue seu papel higiênico no vaso. Caso contrário, recolha-o, pois, se o seu "número dois" for para o esgoto sem tratamento, provocará a poluição dos rios e lagos.

A caminho do mar...

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Ao deixar sua casa, o esgoto irá para as redes coletoras, onde os resíduos sólidos (que conseguiram passar pelos canos sem entupi-los), serão separados da água por uma grade. Em seguida, o esgoto será transportado para uma caixa para retirar a areia que houver misturada nele.

A próxima parada de seu esgoto é em um sedimentador, no qual ficarão depositadas as partículas mais pesadas. Depois, no tanque de aeração, o ar faz com que os microorganismos se multipliquem e se alimentem do material orgânico, formando o lodo e diminuindo a carga poluidora do esgoto.

E não acabou ainda. Em outro decantador, o lodo vai para o fundo , e a parte líquida, livre de 90 % das impurezas, não volta para nossa casa, é óbvio, mas é lançada nos rios ou reaproveitada para limpar ruas e regar jardins.

E a parte sólida?

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O lodo vai para um outro decantador e depois passa por adensadores para que se torne mais concentrado. Em seguida, nos flotadores, a parte sólida é separada da parte líquida. Digestadores recebem o lodo e os microorganismos anaeróbicos degradam a matéria orgânica, formando o gás metano.

Agora é a vez dos filtros prensa que desidratam o lodo proveniente do condicionamento químico. E, finalmente, o lodo é armazenado e desidratado para ser disposto em aterro sanitário.

E, sem tratamento?

Agora, imagina a situação acima, sem o tratamento do esgoto: ele vai direto para os rios poluindo a natureza. Situação muito conhecida de muita gente por aqui. Quem ainda não viu aquela água preta, cheia de lodo, sem tratamento, caindo diretamente na água dos rios e lagos?

Então, jogar papel higiênico dentro do vaso sanitário é uma questão de consciência ambiental. O que é mais nojento, jogar o papel na lixeirinha ou jogá-lo diretamente na água do vaso? Pense primeiro, antes de responder: para onde vai este esgoto? Para uma estação de tratamento ou direto para a natureza? Tome a sua decisão e faça a sua parte.

O prefixo "eco" tornou-se uma das expressões de marketing de maior sucesso mundial. Estou aguardando o momento em que se tornará substantivo. Nenhum produto hoje é oferecido ao consumidor sem estar atrelado à ideia do respeito à natureza. São eletrodomésticos que consomem menos energia, carros que poluem pouco, produtos biológicos ("bio" é quase uma marca), bens produzidos com materiais reciclados, serviços que não agridem o meio ambiente...

Toda essa estratégia acaba por desenvolver, cada vez mais rápido, consumidores com uma consciência ecológica que vão aprendendo a reconhecer as armadilhas de empresas verdes de fachada, a racionar antes de usar e a questionar antes de comprar. A dizer adeus ao supérfluo. Lentamente, estão deixando de ser consumidores para voltarem a ser simplesmente pessoas. É a busca por um novo estilo de vida.

Suponho que o hábito do pic-nic ainda irá durar algumas gerações na Europa, mas tenho visto copos, talheres e pratos de plástico sendo substituídos pelos tradicionais artigos de vidro, aço e cerâmica. Apesar dos parques oferecerem cestas de lixo, muita gente prefere levar o lixo de volta e reciclá-lo em casa. São pequenas ações que, sozinhas, não mudarão o mundo, mas que contaminam o vizinho do pic-nic ao lado e irão aumentar a tal consciência ecológica coletiva. Essa, sim, capaz de mudar hábitos de consumo e obrigar à produção responsável de bens e serviços com um menor impacto ambiental.

Um guarda-roupa menos interessado na moda, mais prático e versátil, e ao mesmo tempo reduzido, começa a fazer tendência. A bicicleta ganha novos espaços assim como os lenços de tecido estão retomando bolsos que já foram seus. Viagens em lugares exóticos que metem em risco um ecossistema particular estão sendo substituídas por opções que não ponham em risco a preservação do pouco que resta. A razão começa a prevalecer sobre o consumo.

É a velha Europa dando sinais de que novos hábitos são necessários. Mesmo que seja apenas para manter o estilo de vida ocidental. Só que dessa vez com consumo responsável. Ninguém precisa de dois carros, duzentos pares de sapatos ou roupas novas a cada estação. Os escravos das novas tecnologias começam a intuir que é possível viver sem estar coligado a alguma rede social virtual, dezoito horas por dia.

Na primeira oportunidade, pegue a bicicleta; deixe o celular, mp3, note book ou qualquer outro penduricalho tequinológico em casa; em um cesto de vime, junte umas frutas da estação, um pedaço de queijo produzido localmente, uma garrafa de vinho, toalha e guardanapos de pano, copos de vidro e os pratos e talheres de todos os dias; ponha uma roupa velha e convide os amigos para um pic-nic. Se lembrar de levar um saco para trazer de volta todo o lixo produzido, você estará em sintonia com os europeus mais chiques do momento. E se descobrir que pode viver uma vida mais simples, com menos produtos mas nem por isso com menos prazer, não estranhe: provavelmente é uma fase de transição, na qual você começa a se tornar uma pessoa que consome apenas o necessário sem sentimento de culpa, deixando de ser o consumidor que as fábricas produziram. É um tipo de liberdade zen. É ecológico, é chique e você vai gostar.

País importa R$ 1 bilhão ao ano de sucata de PET - Um sistema de coleta seletiva deficiente resulta em oferta de embalagens PET menor do que a demanda.

A ilusão da reciclagem - Vejam a situação do sistema de coleta seletiva. Quando as autoridades vão se mexer e fazer uma coleta seletiva de verdade? Ajudaria a resolver a questão de importação de sucata de PET.

A sobrevivência humana ameaçada - No subtítulo "Ecossistemas em colapso", Washington Luiz Rodrigues Novaes diz que "já estamos consumindo mais de 25% além da capacidade de reposição da biosfera planetária", e compara: "Na verdade estamos nos comportando como uma família que consome mais do que seu orçamento permite - ela não tem essa disponibilidade e caminha para situações muito graves." E eu me pergunto: precisamos crescer sempre, sem parar? Ou precisamos criar uma cultura em que seja aceitável e desejável lutar para chegar num determinado patamar que ofereça conforto, para depois nos mantermos estáveis nessa posição? Tudo o que fazemos consome recursos naturais, e explorá-los à exaustão é cavar a cova da humanidade. Há muito mais no artigo, explorem e descubram dados interessantes - e alarmantes.

Reflexões sobre a experiência de quase-morte - Vitor Leal foi, no dia 7 de maio, atropelado por um ônibus enquanto pedalava a caminho do trabalho. E ele desabafa: "Para resumir, o sistema, como é, não funciona. As pessoas não cobram a mudança e, muitas vezes, nem mesmo percebem que ele precisa mudar. Nessas horas eu me sinto sobrecarregado, assim como deve se sentir você, leitor que faz o possível por uma realidade melhor. Cada pessoa que deixa de fazer sua parte, obriga quem faz a trabalhar dobrado." A Thais Saito também falou isso em um post sobre sacos plásticos: quem faz, tem que fazer por si e por quem não faz.

Calcule as emissões do carro novo - Dica da D. Joaninha, com direito a crítica a esse sistema de transporte focado em carros.

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sacolinha ou água-viva no Pacífico?

A frase é do Vitor Tagore, em seu post sobre o que sentiu após assistir a um vídeo que mostra como o Oceano Pacífico está se transformando em lixão a céu aberto. Quando terminei de ler o seu texto e assistir ao vídeo, no qual pesquisadores mostram animais que têm se alimentado de plástico e correntes marítimas que levam lixo da costa para o mar aberto, refleti um pouco e cheguei à conclusão que esta vergonha deveria ser coletiva.

No entanto, as imagens no vídeo provam que a preocupação com o destino dado ao plástico dos produtos que consumimos é, infelizmente, mais individual que geral, o que é uma lástima.

E o problema está muito mais próximo a nós do que imaginamos: está dentro de casa. É com um aperto no coração que vejo sacolinhas e mais sacolinhas chegarem da feira e do supermercado, trazidas por minha filha. "Por que não levou a ecoblog (é assim que chamo minha sacola retornável da Rede Ecoblogs)? Para quê tanto plástico, meu Deus!" Sou voto vencido.

Preciso ir mais vezes às compras. Certamente, não trago nenhuma sacola para casa, como vocês podem ver nas fotos do post que fiz sobre minhas compras em sacolas ecológicas, para divulgar a campanha Saco é um saco, do Ministério do Meio Ambiente

Gosto muito de animais e muita gente estranha essa afirmação quando descobre que não possuo nenhum animal em casa. Nessas horas é difícil convencer que "gostar", nesse caso, significa, também, respeitar. Moramos em apartamento e estamos fora o dia inteiro. Jamais deixaria um animal de estimação (vem de estimar = ter afeição) trancado dentro de casa o dia inteiro justamente por gostar dele. Não o deixaria mesmo se não gostasse, o que deveria estar implícito no meu texto, mas como a eloquência é uma qualidade que ainda não conquistei, prefiro deixar registrado.

Essa relação de suposta superioridade entre seres humanos e os outros animais sempre me chamou a atenção. Um dos pontos dessa relação se evidencia nesse período de início das férias na Europa. Começa agora a campanha contra o abandono de animais domésticos, uma praxe do verão italiano, quando milhares - milhares! - de animais são largados à própria sorte ou ao socorro de voluntários e samaritanos. Nada parece surtir efeito aos que adquirem um animal como quem compra um brinquedo, que será jogado fora não por estar quebrado, mas porque a meta das férias não aceita animais, ou o transporte é complicado, ou simplesmente porque o filho já não dá atenção ao velho brinquedo.

Nos últimos dez anos minhas filhas viveram sem um cão, um gato ou outro animal em casa. Sim, tem sempre o pai delas que morde, late e se coça como um cão, e que transmite a elas os ensinamentos adquiridos com os cães, mas não é a mesma coisa. Ah, tem as formigas, é claro, mas essas também não contam. Viver sem a companhia de um cão é, para mim, um sacrifício; mas creio que seria um sacrifício maior saber que há um cão trancado em casa. Não entendo como alguém possa ter a coragem de abandonar um animal na rua para viajar nas férias. E não são somente cães e gatos, não. Nessa época os lagos e chafarizes das cidades sofrem com a superpopulação de peixes de aquário, tartarugas, iguanas e outros répteis. Os mesmos lagos e chafarizes que estarão congelados no Inverno.

Não. Prefiro viver sem a alegria de um cão que deixá-lo trancado ou ter que me desfazer dele, como um eletrodoméstico quebrado. Vou aproveitando os momentos que os animais soltos me proporcionam, como o Caruso, um melro que mora no telhado do convento nos fundos de casa, a partir do início de cada Primavera e só parte quando o frio incomoda. Não lhe dou alpiste ou migalhas de pão; não deixo água no balcão da cozinha para matar a sede dele; não limpo o seu poleiro e sequer passo o dedo na cabecinha dele. No entanto, ele agradece e canta todas as manhãs, pouco antes do sol nascer (4, 4 e meia da manhã). Sem gaiolas, aquários, correntes ou portas fechadas. Somos felizes assim.

O Faça homenageia Michael Jackson relembrando o clip para a música Earth Song. Ele se foi. Tomara que a Terra fique!


Por Renata Frossard, do Mães Empoderadas

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Ao utilizar sacolas retornáveis, você evita o uso das sacolas plásticas, responsáveis por grande parte do lixo nos aterros (podem chegar a 18% do total!) e reduz a poluição e o efeito estufa (já que o plástico é derivado do petróleo). Para se ter uma noção do prejuízo das sacolas plásticas, estima-se que nos EUA são utilizadas 100 bilhões delas por ano, sendo que apenas 1% é reciclada. Felizmente, está havendo uma grande onda de conscientização em relação ao problema. Alguns países pretendem banir definitivamente as sacolas de seus supermercados, e a Europa já cobra pelo uso delas há alguns anos. Então, que tal se conscientizar desses danos e adquirir sua sacola retornável? Isso sem falar da praticidade que é levar toda a sua compra em uma ou duas sacolas resistentes e bonitas, ao invés de carregar aquele monte de saquinhos plásticos que vão rasgando pelo caminho.

Mais alertas em: Sacolinha ou água viva?

Para armazenar compras maiores, é possível utilizar caixas de papelão ou engradados, como aqueles que vemos na feira.

Agora, se você está pensando que não poderá viver sem as ditas sacolinhas, ou tentando imaginar onde vai colocar o seu lixo, saiba que há muitas boas soluções pra isso.

Pra começar, pegamos mais sacolinhas do que utilizamos. Elas vão se amontoando, e de vez em quando temos que jogar um tanto fora. Além disso, muitas delas nem podem ser reutilizadas, pois rasgam durante o transporte, não servindo nem para o uso a que se destinam. Um desperdício só.

"Mas onde eu vou colocar o lixo da minha casa?" Você pode utilizar as próprias embalagens dos produtos consumidos para descartar o lixo. Sacos de arroz, feijão, açúcar, pacotes de pão, sacos grandes de bolacha, etc. É só prestar atenção e ver quais podem ser utilizadas. Certamente ainda não é o ideal, visto que é plástico que continua indo para o lixo. Mas pelo menos há uma redução significativa na quantidade de plástico produzida e descartada. Falaremos abaixo sobre o que pode ser melhor que isso. Já para o lixo reciclável (lixo seco), além destas embalagens plásticas, você pode utilizar embalagens de papel: aqueles sacos de padaria, envelopes grandes de correspondência, pacotes de presente, caixas de papelão. Em último caso, utilize sacos de plástico reciclado.

Se essa ainda não é a solução ideal, o que fazer? A única maneira de reduzir o nosso impacto no meio ambiente é reduzir cada vez mais o lixo que produzimos:

- Lixo orgânico: pode retornar à natureza em forma de adubo. Se você mora em casa com quintal ou conhece alguém que more, façam uma composteira. É fácil e simples, e há sites na internet que ensinam todo o processo de montagem e utilização. Mas mesmo quem mora em apartamento, pode conversar com o síndico sobre o destino dos resíduos, repassá-los a alguém que os reutilize, ou até pensar num projeto de composteira para o condomínio.

- Outros lixos: papel higiênico e guardanapo também podem ser compostados. Já as fraldas descartáveis, que são eliminadas aos milhões e constituem um problema nos lixões, podem ser substituídas por fraldas de pano. Mas não precisam ser aquelas do tempo da vovó. Hoje já existem modelos lindos, que seguem o mesmo padrão das fraldas descartáveis, e são AIO (all in one), porque já têm, em um modelo só, a camada absorvente, a camada impermeável e por fora lindos tecidos. Podem ir pra máquina de lavar. Vale conhecer: www.babyslings.com.br.

- Lixo reciclável: a regra é reduzir. Evite embalagens desnecessárias, preste atenção naquelas que parecem recicláveis, mas não são, como isopor e plástico metalizado. Evite consumir produtos industrializados. E o restante, recicle. Verifique se o lixo que você separa está mesmo sendo destinado para a reciclagem. Roupas, brinquedos e móveis também podem ser reciclados ou doados.

Não pense que o problema também não é seu. Reflita, e faça a sua parte!

p.s: hoje o Ministério do Meio Ambiente lançou a campanha "Saco é um saco!".

Sei que a essa altura do campeonato já deve estar todo mundo sabendo do lançamento feito no último 5 de junho, em comemoração ao Dia do Meio Ambiente, do filme "Home", de Yann Arthus-Bertrand, com narração em ritmo perfeito por Glenn Close. De qualquer forma, queria deixar aqui o trailler para incentivar os que ainda não assistiram.

As imagens são belíssimas, todas aéreas de ângulos bem inusitados e criativos. Verdadeiras obras de arte, que impressionam, chocam, levam à reflexão e esfregam na nossa cara e consciência a urgência de mudarmos nossas atitudes consumistas. A mensagem que se leva para casa é simples: não temos tempo para pessimismo. Nem para politicagem, mimimis e discussões infundadas. Há uma necessidade maior em jogo, a de que cuidemos de nossa casa, o planeta Terra. Precisamos agir em prol dele já.

O filme inteiro está disponível no Youtube até dia 14 de junho, e depois dessa data, direto no site deles.

(O Alex Primo fez uma boa resenha de "Home", vale conferir.)

Cena 1:

Porto Alegre, 31 de março de 2009. 08h30min. 25 graus.

Filas, elevadores e trabalho são lugares onde, via de regra, topamos com "conhecidos" e "desconhecidos". Em comum, esses encontros têm, além do usual e educado cumprimento, pequenas conversas - no mais das vezes originadas do constrangimento - que versam sobre banalidades: futebol, tempo e um ou outro fato marcante anunciado pela mídia.

Não tem sido diferente com um colega de trabalho. Toda vez que o encontro no elevador, é bom dia pra cá, boa tarde pra lá. "E aí, como vão as coisas?" É o tempo do elevador chegar ao décimo-quinto andar, onde desço com um cordial "tchau!". Assim tem sido pelos últimos 10 anos que trabalhamos na mesma instituição.

Hoje, no entanto, foi diferente. Ao entrar no elevador e cumprimentá-lo "e aí...", ouvi, como resposta "tudo bem, mas e o aquecimento global? O que achas disso?"

Imaginem minha cara de espanto... ao ver o colega "conhecido" preocupado com o aquecimento global.

Cena 2:

Porto Alegre, 31 de março de 2009, 14 horas. 35 graus.

"Acabou a luz". Certamente pelo uso excessivo dos aparelhos de ar condicionado. Afinal, 35 graus nessa época não é o que se poderia chamar de "comum", apesar de ser época quente. Enfim, a tal da "vida moderna", toda feita em computadores, simplesmente para. Reuni a equipe para conversar enquanto a "luz" não voltava.

Faço uma perguntinha básica, como quem não quer nada e já esperando uma resposta totalmente negativa: "alguém aqui apagou as luzes da casa no sábado passado?"

Imaginem minha cara de espanto... ao ver que todos (são sete) responderam que sim, que haviam apagado as luzes. Os que têm filhos pequenos relatam que a criançada adorou. Os que moram com os pais, disseram que eles adoraram.

De ruim, restou saber que, apesar das luzes apagadas, as televisões permaneceram ligadas. Ou de bom, pois ouvi dizer que um dos canais interrompeu sua programação às 20h30min para pedir que as pessoas apagassem as luzes.

O que resta de tudo isso? Resta que as questões ligadas ao meio ambiente felizmente já são conversas de elevador, de filas e que as pessoas, mesmo que o "ecochefechato" não as pressione, lembrando dos eventos, fazem a sua parte!

As formiguinhas seguem seu caminho...

Bom, por aqui, a gente tenta refletir sobre nosso impacto sobre o meio ambiente todos os dias. E, através de um trabalho de formiguinha, tentamos fazer com que outras pessoas reflitam também.

Ontem a família se animou a apagar as luzes da casa durante uma hora. Como os planos eram de dormir cedo, adiantamos o nosso evento particular em uma hora: começamos às 19:30, hora do lanche. Comemos à luz de velas, uma diversão enorme para as crianças. Depois a família sentou junta, e resolvemos jogar cartas. Beleza, se o jogo não precisasse que diferenciássemos algumas cores: amarelo, vermelho, verde e azul. Sim, era impossível diferenciar o verde do azul à luz de velas. Partimos para a criatividade, e criamos uma nova cor: o vezul. Conclusão: apagar as luzes também estimula a criatividade.

E estimula mesmo. Já tinha passado uma hora, mas a gente decidiu continuar pela noite toda. As crianças queriam história pra hora de dormir, mas ler à luz de velas é duro. Então inventamos. Cada um inventava uma parte, e foi divertido! Rendeu boas gargalhadas e mais algumas reflexões.

A princesa Ana Elisa estava completando 15 anos, e o rei disse que ela tinha uma tarefa a cumprir: em uma festa de iniciação, deveria apresentar à corte um plano, pois havia chegado a hora da princesa começar a ajudar os pais a governarem o reino. Depois de muito pensar, com direito a fada-madrinha que se oferecia para resolver o problema num passe de mágica, a princesa, sozinha, conseguiu realizar a tarefa. No dia da festa, ela revelou o que tinha em mente: revolucionar o reino com uma nova visão. O tema do plano era a sustentabilidade (claro que essa palavra não foi usada - e juro que não fui eu que inseri o tema na história, deixei em aberto propositalmente para ver o que surgiria). Ela queria que todos produzissem menos lixo, reciclassem e cuidassem melhor do reino. Pena que eu não gravei tudo. Mas fiquei orgulhosa.

Apagar as luzes e desacelerar pode render bons frutos. Quem sabe a gente não adota a prática mais vezes? E vocês, sobre o que andaram refletindo por aí?

Em visita ao Le Jardin Éphemére, da nossa querida Maria Augusta, dei de cara com um post que precisa ser Iido. Ela fala sobre o lixo espacial, e pergunta: "Será que o espaço também deve ser considerado e tratado como 'meio ambiente'?"

Para ler e pensar.

Pois é,

Um dia: 8 de março.
As mulheres? Bem, é o dia delas!
A natureza? É o que veremos.
O desafio? Bueno, de conversas no Faça a sua parte nasceu a questão: será que mulheres e homens percebem a natureza - e, consequentemente, atuam na sua conservação - de forma diferente?

Eu e a Lucia Freitas resolvemos transformar o papo em um desafio: eu escreveria sobre as mulheres e ela escreveria sobre os homens. Tudo, claro, sob o enfoque do meio ambiente, da natureza.

Por essas coincidências, recebi esta semana o exemplar da edição especial da revista "Mente e Cérebro", "As Faces do Feminino - Dimensões Psíquicas da Mulher". É dela que tiro a inspiração para o post.

A natureza é feminina. Sobre isso não há e, que eu saiba, nunca houve discordância. Veja-se o que diz o texto "O Arquétipo da mãe", de Johann Rossi Mason:

"O conceito de Grande Mãe surgiu por volta de 7000 a.C., no Neolítico, mas traços desse culto já estão presentes no Paleolítico. Trata-se de uma figura religiosa, uma divindade feminina a quem se atribui a gênese de todas as coisas vivas: plantas, animais, homens. O culto certamente se originou em comunidades sedentárias que viviam da agricultura, em harmonia com os ciclos da Natureza e da Lua, símbolo tipicamente feminino".

Machos brigam pela oportunidade de fecundar fêmeas. Esta é uma razão, senão a única, pela qual deveríamos aceitar que a divindade suprema - se é que existe - é uma fêmea. E digo fêmea, para não dizer apenas mulher, porque o feminino está na natureza e não apenas na mulher, nome atribuido à fêmea da espécie humana.

Mas vejamos o que diz o artigo "O Arquétipo da Mãe" (referências ao final) sobre o mito de Deméter:

"Deméter é a deusa das colheitas e ícone de um instinto materno que não tem sossego. É mãe de Perséfone, cujo pai é seu irmão Zeus. Segundo a mitologia grega, certo dia, enquanto colhe flores, Perséfone é raptada por Hades (deus dos mortos e dos subterrâneos), que se apaixonara por ela. O rapto acontece graças à cumplicidade de Zeus. Ao perceber o desaparecimento da filha, Deméter a procura em vão durante nove dias e nove noites. Ao alvorecer do décimo dia, por sugestão de Hecate, Deméter pede a Hélios, o Sol, que lhe revele a identidade do responsável.

"Louca de raiva pela traição, a deusa abandona o Olimpo e, por vingança, decide impedir que a Terra dê seus frutos, para que a raça humana seja extinta na escassez. Na tentativa de aliviar a própria dor, Deméter vaga pelo mundo, surda às lamúrias dos humanos que já não tem o que comer. Assume o semblante de uma mulher idosa, ocultando seu aspecto esplendoroso, e encontra abrigo numa casa, onde se torna ama-de-leite do filho do rei de Ática. Apega-se logo ao bebê que alimenta com a divina ambrosia para torná-lo imortal. O amor pelo menino finalmente alivia a sua dor, até que a rainha a descobre e a obriga a revelar sua natureza divina.Lançada de volta a seu desespero, Deméter refugia-se no monte Calícoro, sem se importar com as súplicas dos mortais dizimados pela carestia.

"Zeus então intima Hades a devolver a filha da deusa, e o final feliz parece estar prestes a acontecer, mas, antes disso, Hades faz Perséfone comer uma semente de româ, o que a obrigará a voltar periodicamente a ele. Tamanha é a alegria da mãe que, no momento em que abraça a filha, a Terra volta a ser fértil, e os frutos recomeçam a amudurecer. Mas há um preço a pagar: nos meses em que Perséfone voltar ao marido, sobre a Terra reinarão frio e penúria. Nascem o outono e o inverno.

"Deméter é, portanto, a Terra-Mãe, o símbolo da mãe que ama a prole acima de tudo. Deusa das terras cultivadas, ela rege a abundância das colheitas. Representa o instinto materno que se realiza na gravidez e no alimento físico e psicológico. A mulher Deméter realiza-se plenamente nessa tarefa, mas corre o risco de se deprimir caso sua necessidade de se alimentar seja recusada.

" Esse senso de maternidade não se limita ao aspecto biológico, mas pode se expressar na adoção de profissões que implicam dedicação aos outros. Deméter é nutriz, mãe perseverante ao procurar o bem-estar dos filhos, generosa. Uma deusa profundamente ligada a suas origens, que dão um significado adicional à sua essência: com efeito, ela é filha de Rea e neta de Gaia, a Mãe Terra original, da qual deriva toda forma de vida
". (negritos meus)

Tantos sejam os seres humanos existentes na Terra e tantas serão as interpretações do texto. A minha? Bueno, a minha tem a ver exatamente com a retomada do mito de Deméter, a neta da Mãe Gaia.

As mulheres, diferentemente dos homens, trazem em si esse senso de proteção. Mulheres cuidam, homens descuidam; mulheres constroem, homens destroem. E é desse olhar feminino que estamos precisamos para resolver os problemas que estamos causando para a grande Mãe Gaia. Do olhar que alimenta, pois estamos deprimindo Deméter e ela está fazendo conosco o que já fez quando Perséfone foi raptada: está novamente impedindo que a terra dê seus frutos e a humanidade parece fadada a ser "extinta na escassez".

Sim, as mulheres, por serem Deméter, percebem a natureza de forma diferente dos homens.

E você, o que pensa sobre isso?

Uma animação do pessoal do Free Range Studios, que já nos deu Homeland Guantanamo (sobre as prisões de imigrantes nos EUA), The Story of Stuff (sobre sustentabilidade) e Meatrix (sobre as fazendas industriais), entre outras:






(e pensar que pra muita gente esse pescador aí é considerado um loser...)

Toda festa programada é um saco, mas o Carnaval em acréscimo, é patético. Porque tem uma origem tristíssima. Os pobres escravos pagãos da velha Roma, para que não enlouquecerem de tudo, tinham esses dias para um remendo de alegria na infinita dureza de todos os dias. Quando essa festa chega através dos séculos e dos navios até as terras brasileiras encontra terreno propicio. Cheia de escravos, avidos de um momento que fosse de libertação, se transforma pouco a pouco no que é hoje: uma festa de escravos que travestindo-se de nobres do século 19, ou dando-se é louca jóia de viver mas somente por poucos dias, acreditam que tem a grande sorte de viver ali. Além disso, como tudo no século XX, virou espetáculo, diga-se, business.
Mas...
Qual é o impacto ambiental do Carnaval? Quanto custa em termos
ecológicos a construção de carros, roupas (quando se usam) e agregados
que na maioria dos casos vai parar no lixo? Quanta energia se gasta para a produção de tudo isso e também das luzes extras que por todo lugar despontam?
Alguém já fez esse calculo?

Enquanto aguardo eventuais (esses dias?) respostas, deixo uma receita: Festa quando dà na telha e com quem se ama e alegria sempre.

Belíssimo texto de Germano Woehl Jr., publicado em O Eco:

"Eu nunca tive a ilusão de que a missão de defender a natureza seria fácil. Mas fui pego de surpresa ao encontrar tão poucas pessoas que valorizam a conservação da natureza, se orgulham e têm paixão pela extraordinária biodiversidade brasileira e se preocupam com o futuro das nossas matas preservadas. Dificilmente estas matas vão escapar da devastação se não mudarmos o rumo da história da humanidade, que há milhares de anos destrói tudo por onde passa.

Minha geração pegou o bonde andando com um movimento ambientalista que parecia estar já bem maduro aqui no Brasil. Então, eu achava que boa parte do caminho já havia sido feito e já tínhamos uma massa crítica na sociedade brasileira para salvarmos o que sobrou da Mata Atlântica e a Floresta Amazônica. Foi aí que me enganei. Achei que o jogo estava ganho. Eu havia entrado só para bater uma bola e ampliar o marcador, se possível, para consolidar a conquista. Mas que nada. Em que fria eu fui me meter! Entrei na cova dos leões achando se tratar de uma loja de bichinhos de pelúcia.

Não imaginava que fosse tão perigoso defender a natureza, ou seja, combater desmatamento e a sociedade reagisse tão friamente a esta verdadeira tragédia da humanidade, que é a aniquilação de ecossistemas inteiros, repletos de formas de vida. É frustrante constatar que estamos ainda na estaca zero em termos de conscientização da sociedade. Tem sido um grande erro ignorar o óbvio: só a sociedade pode decidir se quer ou não salvar o que resta de nossas matas."

Leia todo o artigo aqui.

Pequena, mas interessante, reflexão, que tem tudo a ver com as questões do meio ambiente:

A Sociedade da arrogância, não do conhecimento.


"Quando você compreende o valor de todas as formas de vida, você dá menos ênfase ao que é passado e se concentra mais em preservar o futuro."

Dian Fossey (1932-1985),
especialista no comportamento
dos gorilas e ativista

Update: me embananei tanto para colocar a imagem aí em cima que sumiu a fonte. Esta citação foi retirada da newsletter da Arca Brasil. Mil desculpas e obrigada pelo comentário.

Parece, e eu digo, parece, que o novo presidente dos EUA, Barack Obama, está disposto a mudar a forma de atuação do governo do maior poluidor do mundo nas questões ambientais. Pelo menos o discurso tem sido nesse sentido.

No início desta semana, Obama fez algumas declarações (segundo a BBC), quando, em clara oposição à posição do seu antecessor, "determinou que a Califórnia e outros 13 Estados americanos poderão definir seus próprios padrões de níveis de emissões de gases poluentes".

É que o estado da Califórnia há muito quer obrigar a indústria automobilística "a cortar a emissão de gases causadores do efeito estufa em novos veículos em 30%". Até agora sem sucesso, pois não contava com o apoio do ex.

Mas, como toda moeda tem dois lados, e ainda segundo a notícia da BBC, Obama teria dito:

"Agora é a hora de ir ao encontro dos desafios da encruzilhada da história, ao escolhermos um futuro mais seguro para o nosso país e mais próspero e sustentável para o nosso planeta"

e

"os Estados Unidos não podem ser mantidos reféns de recursos que estão ficando escassos, de regimes hostis e de um planeta que está esquentando".

Ponto pela menção ao fato de que o "planeta está esquentando"; outro ponto por querer um "futuro mais próspero e sustentável para o nosso planeta".

Resta agora saber o que fazer com a conjunção aditiva no período: "futuro mais seguro para o nosso país" E "mais próspero e sustentável para o nosso planeta". Todos sabem que os EUA consomem, sozinhos, algo como 30% dos recursos da terra para se manterem seguros. Pode ser que esse "E" signifique que, para terem um futuro mais seguro, eles queiram consumir mais ainda, talvez algo como 60%, sei lá.

No outro período também temos um "E": "não ser mantidos reféns de recursos que estão ficando escassos" E "de um planeta que está esquentando".

Sei não, mas tenho a impressão que vem bomba por aí. Em qualquer sentido que queiram pensar. E bomba para a natureza, pois convenhamos, querer um futuro mais seguro do jeito como eles são... Yo no creo en brujas, pero que las hay... las hay...

Pois é,

Entre os dias 7 e 18 de dezembro deste ano ocorre a 15ª Conferência das Partes (COP15), da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, na capital do Reino da Dinamarca, Copenhague.

Tri-legal, D. Afonso, que bom saber disso. Afinal, eu sequer sabia que já ocorreram outras 14 dessas tais convenções. Mentira, né? Uma pelo menos todos conhecem: a COP3. Tá, talvez conheçam mais pelo resultado dela, o tal famoso Protocolo de Quioto, ou Kyoto como é mais conhecido. Aliás, diga-se de passagem, o filho se tornou mais conhecido que a mãe (a Convenção) e que a avó (a RIO92). Da bisavó (ESTOCOLMO, 1972) seque há que falar, de tão esquecida que anda...

Dizem que quem sai aos seus não degenera. Não é o caso. Bem que o menino tentou crescer e vingar. Até contou com a ajuda de um monte de tios e amiguinhos, mas não houve jeito. Está fadado à morte por inação dos seus grandes irmãos. Ou, melhor dizendo, por asfixia causada pelos grandes.

Pensando bem, acho que o guri não degenerou. Afinal, nem  a bisa, a avó e nem mãe deram certo na vida. Só para relembrar (os menos preguiçosos podem ler o texto integral no link acima) os ensinamentos da bisa que, parece, foram para o brejo preparar o terreno para o netinho, cito o princípio 6, que tem tudo a ver com a COP15:

"Princípio 6 - Deve-se por fim à descarga de substâncias tóxicas ou de outras matérias e à liberação de calor, em quantidade ou concentrações tais que não possam ser neutralizadas pelo meio ambiente de modo a evitarem-se danos graves e irreparáveis aos ecossistemas. Deve ser apoiada a justa luta de todos os povos contra a poluição".

Uma breve pausa para uma continha elementar: 1972 - 1982 - 1992 - 2002 - 2012 = 40 anos.

Putz, metade dos meus cinco leitores - não, é melhor achar que tenho seis, senão vai dar quebrado, né? - sequer tem essa idade. E devem estar se perguntando: PQP, tiveram 40 anos para melhorar e só fizeram piorar?

É véio, a bisa falou e disse! Pena que poucos deram bola pra ela. Mas a bisa queria porque queria preservar o sangue da família. Mocinha crescida, já com seus vinte anos, casou e teve uma filhinha, a ECO92. Beleza de filha. E não poderia ter nascido em melhor lugar: a cidade maravilhosa, símbolo dos símbolos da natureza. E a filhinha, bem educada que foi, repetia os ensinamentos da mamãe Estocolmo. De tanto falar, deu à luz a mais uma mulher: a Convenção para o Clima (dentre outras maninhas: a Carta da Terra, a Convenção sobre Biodiversidade e a Convenção sobre Desertificação, além de uma filha enjeitada, a Agenda 21).

Parece que o Reino das Boas Intenções Humanas estava fadado a não ter um filho varão. Mas eis que a Convenção para o Clima, a mais rebelde das filhas da ECO92, resolveu por um fim nessa longa cadeia feminina que parecia não estar dando certo. Fuçou, fuçou com as partes até que no terceiro encontro gerou seu filho macho: o Protocolo de Quioto.

Eis a breve história do futuro defunto (se bem que alguns sempre disseram que era um nati-morto).

Querem saber a moral da história? É que para dezembro esperamos o parto do filho do Protocolo de Quioto. Ou ao menos que ele arranje uma namorada até lá e que possamos, em 2012, ter um sucessor à altura do Reino.

E que preste! Senão...

Os sinais estão aí, só não vê quem não quer. Mas mais do que ver, há que fazer. Como por exemplo, acompanhar as ações, notícias, sites, blogs e tudo o mais que estaremos divulgando por aqui.

Essa é a importância do título: COP15. Nosso futuro!


 

O comentário da Nívea Ribeiro, no post do Jubal (A Disputa da Água), "acho que a população esta sendo informada do que esta acontecendo,apenas informada.mas muita das vezes, não tem como por em pratica seu conhecimento" aponta para uma questão das mais importantes para a humanidade e que tem me intrigado muito: o que há entre o filosofar e o agir?

Dizem os entendidos que vivemos na tal da Sociedade do Conhecimento. Pura filosofia, pois como bem aponta a Nívea, nada mais temos feito do que disponibilizar informações (e, em boa parcela dos casos, apenas dados). Beira às raias do primarismo ter que diferenciá-los, mas é necessário, visto que, no caso do meio ambiente, a quantidade de informação
disponível está definitivamente dissociada da qualidade. Qualidade aqui entendida como informação realmente capaz de produzir alterações positivas na realidade do meio ambiente e não meramente qualidade no sentido de eficácia. O sentido é ideológico, sem dúvida.

A pergunta básica, então, é: por que somos capazes de produzir tanta informação e tão pouco conhecimento sobre o meio ambiente?

Transformar informações em conhecimento é um ato que implica mudança. Mas, diferentemente do que muito se divulga por aí, essa mudança é, necessariamente, interna. É somente pela mudança de nossas crenças e valores que podemos gerar conhecimento a partir das informações que recebemos. Caso contrário, as informações estão fadadas ao
esquecimento.

E como mudar as crenças e os valores das pessoas quanto ao meio ambiente?

Duas citações para começar. A primeira, do Fritjof Capra; a segunda, mais recente, do Leonardo Boff:

1. "O novo paradgma pode ser chamado de uma visão de mundo holística, que concebe o mundo como um todo integrado, e não como uma coleção de partes dissociadas. Pode  também ser denominado visão ecológica, se o termo 'ecológica' for empregado num sentido muito mais amplo e mais profundo que o usual. A percepção ecológica profunda reconhece a
interdependência fundamental de todos os fenômenos, e o fato de que, enquanto indivíduos e sociedades, estamos todos encaixados nos processos cíclicos da natureza (e, em última análise, somos dependentes desses processos).
"1

2. "Para onde iremos? Nem o Papa nem o Dalai Lama, nem Barack Obama nem muito menos os economistas nos poderão apontar uma solução. Mas pelo menos podemos indicar uma direção. Se esta estiver certa, o caminho poderá fazer curvas, subir e descer e até conhecer atalhos, esta direção nos levará a uma terra na qual os seres humanos podem ainda viver humananente e tratar com cuidado, com compaixão e com amor a Terra, Pacha Mama, Nana e nossa Grande Mãe.

Esta direção, como tantos outros já o assinalaram, se assenta nestes cinco eixos: (1) um uso sustentável, responsável e solidário dos limitados recursos e serviços da natureza; (2) o valor de uso dos bens deve ter prioridade sobre seu valor de troca; (3) um controle  democrático deve ser construído nas relações sociais, especialmente sobre os mercados e os capitais especulativos; (4) o ethos mínimo mundial deve nascer do intercâmbio  multicultural, dando ênfase à ética do cuidado, da compaixão, da cooperação e da responsabilidade universal; (5) a espiritualidade, como expressão da singularidade humana e não como monopólio das religiões, deve ser incentivada como uma espécie de aura
benfazeja que acompanha a trajetória humana, pois ancora o ser humano e a história numa dimensão para além do espaço e do tempo, conferindo sentido à nossa curta passagem por este pequeno planeta.
"2

Bonito filosofar. Mas faço com a Nívea e pergunto: e daí? Como transformar, na prática, o meu paradgima, se somos, como pais ensinados, responsáveis perante a sociedade por transmitir justamente o paradigma dominante? Se somos as pessoas que continuam a dirigir bêbados, falando ao celular e matando, no trânsito, mais do que se mata nas atuais guerras? Como mudar essas crenças e esses valores?

Por outro lado, a direção apontada por Boff também requer uma mudança mais profunda ainda, pois depende de que mais gente, além de mim, mude seu paradigma, sob pena de que querer um "controle democrático sobre os mercados e capitais especulativos" não
passe de mera ... especulação; sob pena de que o "intercâmbio multicultural" não passe, como sempre foi, de um intercâmbio de bombas... Bonito filosofar.

Num mundo onde trilhões de dólares são gastos ou perdidos tão somente para recuperar os "mercados e capitais especulativos", a miséria e a fome continuam matando crianças,
jovens e adultos.

Há muito mais entre o filosofar e o agir: existem as crenças e valores que adotamos. Devemos oferecer um caminho prático para que as pessoas primeiro acreditem que mudar é possível e que a mudança não lhes causará prejuízo (as pessoas não mudam pensando nas vantagens que poderão obter e, sim, nos prejuízos que poderão evitar); segundo, que queiram mudar, por verem que uma nova crença - esta sim, baseada em uma "ética do cuidado, da
compaixão, da cooperação e da responsabilidade universal"
é boa para todos; terceiro, que seja um exercício (agir) que se adpte facilmente a vida das pessoas e não algo radical como muito das propostas que andam por aí.

Precisamos contruir esse caminho prático, que nos fará sair do filosofar e passar para o agir.

O mundo está sendo destruído pelos que fazem e não pelos que pensam.

Notas:
1Capra, Fritjof. A teia da vida. uma nova compreensão científica dos sistemas vivos. 13ª ed. São Paulo. Cultrix. p.25.
;2Leonardo Boff. Os limites do capital são os limites da Terra. Agência Carta Maior.

Notícia veiculada na página da 15ª Regiao da Procuradoria Regional do Trabalho (Ministério Público do Trabalho), no dia 9 deste mês:

"A Justiça do Trabalho de Paulínia concedeu tutela antecipada em favor do Ministério Público do Trabalho (MPT) de Campinas, da Associação de Combate aos Poluentes (ACPO), do Instituto "Barão de Mauá" de Defesa de Vítimas e Consumidores Contra Entes Poluidores e Maus Fornecedores e da Associação dos Trabalhadores Expostos a Substâncias Químicas (Atesq), em ação civil pública ajuizada em face das empresas Shell e Basf, obrigando-as a contratar um plano de saúde vitalício para os ex-funcionários expostos a riscos de contaminação na unidade de fabricação de agrotóxicos, no bairro Recanto dos Pássaros, em Paulínia. A decisão se estende para os familiares de empregados, prestadores de serviços e trabalhadores autônomos que se ativaram no local."

Ainda,

"A exposição de seres humanos aos contaminantes presentes no local da fábrica é há anos estudada e está vastamente documentada nos autos do processo por instituições como Unicamp, MPT, Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça do Meio Ambiente, Ministério da Saúde, Cut, Cedec, Dieese, Unitrabalho e a empresa holandesa Haskoning/IWACO - a pedido da própria Shell."

Mais, "Consta da decisão a publicidade ao fato por parte das rés, ou seja, Shell e Basf devem anunciar na primeira página dos maiores jornais do país e nas três emissoras de TV de maior audiência, a fim de tornar pública a decisão aos beneficiários, alertando-os sobre seu direito adquirido."

Palavras da juíza:

"é justamente essa irregularidade que se pretende corrigir com a concessão da presente antecipação de tutela que, há tempos, diga-se, já deveria ter sido deferida, mas que ficou no aguardo das tratativas de acordo entabuladas pelas partes, sem êxito, entretanto"

"No curso desses anos, todos nós, cidadãos, pagamos pelo tratamento que hoje é concedido tão-só pelo Sistema Único de Saúde (SUS) aos trabalhadores contaminados, com as limitações que lhe são inerentes, e que não lhe permitem a realização de exames e de tratamentos necessários à manutenção de um mínimo de bem-estar e dignidade. A conta é quitada pelos cofres públicos, por recursos de cidadãos que não usufruíram dos lucros exorbitantes gerados em favor das rés, durante décadas, inclusive com a fabricação desses produtos que já se sabia tóxicos"

Negritos meus. Primeiro, a publicação da decisão. AINDA NÃO VI NADA, nem nos maiores jornais e, sequer, nas três grandes emissoras (Globo, Record e SBT, atualmente). Não se trata de que os jornais e emissoras não queiram. É matéria paga e por obrigação judicial. E na primeira página, não em qualquer cantinho escondido nos cadernos de publicidade ou nas madrugadas televisivas.

Segundo, e o mais importante, é o crime cometido contra todos nós por empresas que se dizem "socialmente responsáveis", mas que há anos, sem que saibamos, matam seres humanos e a natureza em prol dos seus lucros.

É claro que as empresas vão se safar da divulgação. E por certo tentarão se safar de pagar os planos de saúde pevistos na decisão (ainda em fase de tutela antecipada).

MAS, certamente, NÃO DEIXARÃO DE PUBLICAR SEUS BALANÇOS SOCIAIS onde aparecem como empresas preocupadas com o meio ambiente.

Este é apenas um dos tantos exemplos da piada, cujo título é "Existem empresas social e ambientalmente responsáveis".

Estou fazendo uma grande arrumação em casa e achando algumas curiosidades espalhadas em caixas. Ontem achei no Physics Today um artigo sobre desafios da ciência... em 1967. Uma foto reveladora aparece estampada na reportagem (e com uma legenda digna de nota aqui no Faça):

Poluição NY

Em 1967, o físico Albert Crewe, autor do artigo "Science and the war on...", já alertava para o problema das emissões de poluentes em excesso na atmosfera. Antes da criação do dia da Terra, ele já pedia para que os cientistas voltassem suas pesquisas com mais afinco para a resolução de problemas ambientais da sociedade como um todo. Desde então, o que fizemos para minimizar a poluição atmosférica, um dos grandes temas que ele considerava de "urgência" em 1967?

Fica a reflexão sobre este triste alerta que infelizmente continua na pauta do dia. Será que fizemos (e ainda fazemos) a nossa parte direitinho?

Agosto de 1609. Um já velho (para os padrões da época) senhor de 45 anos aponta sua luneta para o céu. E transforma o mundo. "Ocorre a mais extraordinária série de descobertas que algum homem jamais realizou em tão pouco tempo"1. "[...] o Universo medieval recebera seu golpe mortal. O triunfo épico da revolução copernicana sobre o pensamento ocidental havia começado"2.

E ainda não terminou. Quatrocentos anos depois, a ONU faz de 2009 o Ano Internacional da Astronomia. Quatrocentos anos depois de um homem ter finalmente provado, com evidências materiais, irrefutáveis, tudo quanto pairava no mar das teorias.

Por três anos da minha vida passei muitas noites - quase todas as possíveis - a olhar as estrelas pelo telescópio da UFRGS. Noites frias e solitárias. Acompanhavam-me o chimarrão e o poncho. À época, ainda "guri", havia incorporado o espírito dos grandes pioneiros da moderna ciência: Copérnico, Tycho Brahe, Kepler, Galileu e Newton. Enquanto o telescópio fazia seu trabalho, eu sonhava com grandes descobertas.

E foi nessas noites que senti algo que até hoje guardo comigo: um permanente estado de perplexidade e admiração pela natureza. E o sentido de quanto somos ínfímos, pequenos. Mínimos. Finitos, em contrapartida à grandeza do Universo. O Universo é algo maravilhoso, indescritível. Felizmente não sucumbi ao mero ato de transformá-lo em números vomitados por computadores. Por vezes, e não poucas, senti-me tentado a crer que realmente existe algo muito maior para ter criado tamanha perfeição.

Fui salvo pelo tempo. Com o tempo, "ver" o Universo torna-se "cansativo". Por maior que seja o encantamento; por mais que venhamos a saber a sua origem; a sua evolução e a sua composição, sentimos - senti - que é pouco. Afinal, são imagens de um passado ao qual não pertencemos. Sentimos - senti - vontade do presente.

E o presente se mostrou mais deslumbrante ainda. A Terra é mais infinita que o Universo, pasmem! É mais cheia de descobertas a serem descobertas que o próprio Universo. Por mais que olhemos para o Universo, jamais ele nos dirá o que há na Terra. Poderá, quem sabe, nos dizer sobre a origem da Terra e seu futuro, mas jamais nos dirá sobre a vida que há na Terra!

Um metro cúbico de qualquer oceano ocuparia a vida inteira de qualquer cientista, muito mais que qualquer ano-luz cúbico do Universo. E sequer descobrimos, ainda, o homem, esse ser mais que imperfeito; mas mais que perfeito na sua capacidade de ver todas as dimensões da vida, das dimensões do Universo: do macro ao micro; das estrelas e galáxias ao átomo e suas partículas. Infelizmente, imperfeito para ver seu próprio tamanho, o tamanho da Natureza que o cerca.

"E pour si mouve" ("eppur si muove") teria dito Galileu, baixinho, ao final da leitura do texto da abjuração que lhe impuseram os inquisidores da Igreja Católica, em 22 de junho de 1633, como a dizer "olhem para o Universo, mas não esqueçam que a vida é aqui, nessa Terra que, no entanto, se move".

Olhar para o Universo pode nos fazer olhar para a Natureza ao nosso redor. Vamos aproveitar o Ano Internacional da Astronomia para, quem sabe, aprender a dar o verdadeiro valor que a Terra tem.

E, no entanto, ela se move!


Notas:

1Dicionário dos filósofos. Diretor da publicação Denis Huisman. São Paulo: Martins Fontes, 2001. p. 420.

2Tarnas, Richard. A epopéia do pensamento ocidental: para compreender as idéias que moldaram nossa visão de mundo. 7ª ed. - Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005. p.281.

por-do-sol1

pôr-do-sol em Arraial do Cabo

Saí do Rio para romper o ano (como diz minha mãe) e comemorar o aniversário de minha filha, que nasceu no dia 31. Ficamos em um lugar sem telefone, sem televisão e sem computador. Nem o celular funcionava (maldita Vivo!). Passei mal, viu! A tecnologia me fez falta. Realmente, ela é um vício, antes de ser uma comodidade. Depois de três dias, estava louca para voltar para casa. Só a praia e a natureza justificam tamanho sacrifício.

Embora houvesse cães soltos na praia, deixando lá suas necessidades; embora houvesse também muitos copos descartáveis e sacos plásticos jogados na areia; vale a pena acreditar que o ser humano ainda vai se conscientizar de que todo este plástico um dia voltará para ele. Não sem antes causar um estrago sem tamanho para os habitantes do mar.

Então, ainda em tempo, desejo um ano novo abençoado e com muitos projetos concretizados a todos os amigos que fiz nesta blogosfera e aos visitantes que aqui vêm nos prestigiar com sua atenção. Que neste ano possamos ser mais conscientes e responsáveis em relação ao uso dos recursos que a natureza nos oferece. Que esta linda imagem possa ser preservada por muito tempo.

Interessante a notícia da BBC:

"Desastres naturais mataram 220 mil em 2008". (texto completo aqui)

A medida, na verdade, é o rombo que uma seguradora teve: nada menos que "cerca de US$ 200 bilhões (aproximadamente R$ 475 bilhões) em 2008, bem acima dos US$ 82 bilhões (R$ 195 bilhões) registrados em 2007". E mais interessante ainda é o fato do grupo afirmar "que as mudanças climáticas estão agravando o poder de destruição dos desastres naturais e diz que um acordo sobre o clima é urgente".

Certo, certo! Já ouvia, desde criança, que a parte mais sensível do corpo humano é o bolso. Hipocrisia dessa empresa à parte, o fato é que parece que a natureza está descobrindo por onde se vingar.

O maior sinal, no entanto, está no fato de que o número de "catástrofes" diminuiu: de 960, em 2007, para 750 em 2008, segundo contabilizado pela seguradora. Onde está, então, o problema?

Em 2008 Santa Catarina veio, literalmente, abaixo. Em qualquer site ou retrospectiva jornalística é possível rever, senão todos, quase todos as 750 catástrofes.

O problema é que a ação destruidora humana é irreversível, assim como a reação da natureza, também destruidora. O homem destroi a natureza para construir seu mundo; a natureza, por sua vez, destroi as construções humanas e mostra, com isso, que só existe um mundo, o seu mundo.

Queiramos ou não, a guerra final entre os homens e a natureza já começou. Não importa, para a natureza, que os homens se matem no Oriente Médio ou em qualquer parte da Terra, ou seja lá por que razão façam isso. Importa que ela sabe que sobreviverá, segundo os cânones da ciência, por no mínimo mais cinco bilhões de anos.

Não importa, para a natureza, se viverá apenas de pedras, feito Marte, ou de gases, feito Júpiter. Continuará sendo natureza. Biodiversidade é um conceito temporal. Depende de que época estamos falando. A biodiversidade no tempo dos dinossauros é tão diferente da biodiversidade dos tempos primitivos, quanto é da atual e será da futura. A dinâmica da natureza é tão dinâmica que muda conforme o "ser" predominante. Nosso fim foi decretado quando adquirimos aquilo que nos fez pensar sermos "superiores": a inteligência (entendida, aqui, como conceito que nós mesmos inventamos).

Junto com a inteligência adquirimos, também, a incrível capacidade de pensar que somos eternos. Criamos religiões, crenças, filosofias - ou seja lá que nome se queira dar - que criaram rituais que nos dizem isso. Que nos fazem pensar que não pertencemos a esse mundo. Daí podermos destuí-lo! Afinal, depois da morte teremos a vida eterna.

A quem, então, queremos "salvar" fazendo a nossa parte, se somos eternos? À natureza? Não creio! Ela não precisa de nós. Não precisou para existir por cinco bilhões de anos e não precisará pelos próximos.

Não há como salvar a natureza (que, repito, não precisa de nós para continuar existindo) se não salvarmos a nós mesmos.

Primeiro por acabar com a ilusão da eternidade. Seja aqui, seja no reino dos céus. Segundo, por entender que, assim como dinossauros e tantas outras espécies que por aqui já tiveram seu tempo, o nosso um dia acabará. O máximo que podemos fazer é prolongar esse tempo, mas não eternamente. Terceiro, por entender, finalmente, que a única coisa que podemos fazer - e aí reside, quem sabe, o sentido de "fazer a sua parte" - é buscar uma vida saudável para cada um de nós e para os nossos descendentes.

Como genealogista amador, que já descobriu antepassados nos idos de 1600, me pergunto: será que eles imaginavam como seria o mundo ao tempo da minha vida, tanto quanto eu tento imaginar como será a vida dos meus descendentes daqui a 400 anos? (e olha que já cataloguei mais de mil descendentes, nesses 400 anos, desse único casal de seres humanos! Será que nos mesmos 400 anos eu terei, também, mil descendentes?)

Não faço a minha parte por defender a natureza, mas por defender, quem sabe, uma existência digna para essas prováveis mil pessoas. E se cada um de nós tiver mil descendentes para defender?

"O homem é a medida de todas as coisas". Nada mais certo e nada mais errado. Errado, quando nos tornou o que somos; certo, quando nos faça ver que é a nós que devemos preservar. Infelizmente, pensamos quase que somente na preservação do patrimônio. Passamos a vida trabalhando para "adquirir" bens e depois deixá-los para os nossos descendentes. Todo um sistema moral-jurídico-econômico foi construído pela humanidade somente para a preservação do "ter". É recente a possibilidade de defesa jurídica do "ser". E mesmo assim voltada apenas para uma compensação material.

E é desse sistema que deriva outro. Ou melhor, esse sistema precisa que outro funcione a sua imagem e semelhança: o sistema educacional. Sistema institucionalizado pelo estado e pelas religiões, filosofias, seitas, etc. As religiões, por sinal, fariam um grande serviço à humanidade se parassem de prometer vida eterna lá fora e buscassem mostrar que devemos ter, ao menos, ou pelo menos, uma vida digna aqui mesmo. E vida digna aqui mesmo significa uma coisa muito simples de ser feita: comunhão com a natureza.

Então, adianta querer fazer a sua parte?

Adianta se pensarmos que o que mais esse modelo tem nos roubado é o tempo. O pouco tempo que temos, se comparado ao tempo que a natureza tem. O pouco tempo que temos para fazer as "pequenas" coisas que siginficam o "fazer a nossa parte".

Pensamos que o que mais nos faltará é a água, mas na verdade nossa maior falta é o tempo. Água é uma questão meramente econômica, tempo é uma questão de vida. E reproduzo, aqui, os sábios versos do Eclisiástes:

"Há um momento para tudo e um tempo para todo propósito debaixo do céu.
Tempo de nascer,
tempo de morrer;
tempo de plantar,
e tempo de arrancar a planta.
Tempo de matar,
e tempo de curar;
tempo de destruir,
e tempo de construir.
Tempo de chorar,
e tempo de rir;
tempo de gemer,
e tempo de bailar.
Tempo de atirar pedras,
e tempo de recolher pedras;
tempo de abraçar,
e tempo de se separar.
Tempo de buscar,
e tempo de perder;
tempo de guardar,
e tempo de jogar fora.
Tempo de rasgar,
e tempo de costurar;
tempo de calar,
e tempo de falar.
Tempo de amar,
e tempo de odiar;
tempo de guerra,
e tempo de paz.

Que proveito o trabalhador tira de sua fadiga? Observo a tarefa que Deus deu aos homens para que dela se ocupem: tudo o que ele fez é apropriado ao seu tempo. Também colocou no coração do homem o conjunto do tempo, sem que o homem possa atinar com a obra que Deus realiza desde o princípio até o fim." (Bíblia de Jerusalém, Eclesiastes, 3, 1-11).

E eu diria, como desejo para 2009:

Que a natureza possa ter seu tempo de nascer e seu tempo de morrer, e que possamos ser apenas seus cuidadores e não seus algozes;

que possamos plantar e arrancar as plantas na única medida da nossa irmandade com a natureza;

que possamos utilizar a natureza para curar a todos os que padecem e não apenas para matar em proveito de lucros;

que possamos chorar e rir de alegria e não de tristeza por ver a devastação da natureza;

que bailemos com o murmurar das árvores ao vento e não com o gemer das árvores que caem pelas nossas mãos;

que possamos atirar pedras apenas em lagos, para fazer felizes nossos filhos, e que possamos recolher pedras apenas para construir nossa sobrevivência;

que tenhamos a sabedoria de abraçar a tantos quantos passam por nós, pois do abraço nasce o querer; e que a vida nos ensine a separar a estupidez que destói a natureza da sabedoria que nos faz perceber unos;

que possamos buscar a harmonia da vida e que possamos perder a arrogância que nos faz sentir superiores;

que possamos guardar a flor seca entre as páginas de um livro e não apenas jogá-la fora quando pensarmos que não mais nos serve o presente;

que possamos rasgar as roupas da hipocrisia e que possamos costurar o manto da sinceridade;

que jamais calemos diante da nossa destruição e que possamos falar, sempre e enquanto tivermos voz, contra tudo e contra todos os que querem ver o fim da natureza;

que tenhamos tempo, mais do que simplesmente o tempo, para amar; amar uns aos outros. Não porque Deus assim o fez, mas por entender que só assim realizaremos a plenitude da natureza; e que possamos ter, com naturalidade, ódio de tantos quantos destróem a natureza pura e simplesmente por egoísmo;

que tenhamos paz em nossos corações para evitar as guerras.

Por fim, não saberia desejar outro 2009.

Mas de uma coisa eu sei: que 2009 seja um tempo de

amar,
falar,
costurar,
guardar,
buscar,
abraçar,
recolher pedras,
bailar,
rir,
construir,
curar,
plantar,
nascer.

Talvez isso seja fazer a sua parte.

FAÇA A SUA PARTE em 2009.

Ontem, às 21:00h, horário de verão, na "Mui Leal e Valerosa Cidade de Porto Alegre", foi realizado o sorteio do Natal do Faça!. Não foi possível filmar, conforme prometido, mas tiramos fotos de todas as etapas. Assim, aí estão todos os participantes:

Após, foram todos devidamente dobrados e colocados no gorro do Papai Noel, que, segundo consta, é pessoal da mais alta confiança:

Para tirar o vencedor, nada melhor que a inocência e a pureza de uma criança:

A alegria contagiou até mesmo a Condessa, ao abrir o nome sorteado:

Por fim, o vencedor. Na verdade, a VENCEDORA:

Taís Vinha, do blog "OMBUDSMÃE".

(Taís, por favor mande-nos um e-mail (facaasuaparte ARROBA gmail PONTO com) com o endereço para que possamos enviar o livro)

A todos os participantes nosso muito obrigado. E que este pequeno repensar o Natal se multiplique.

Eis o post que ela fez:

"Fui convidada pela Silvia Schiros a participar de um post coletivo do Faça a Sua parte promovendo o renascimento do Natal e sugerindo dicas de presentes ecológicos. Quem frequenta a blogsfera se surpreende com a quantidade de pessoas discutindo o Natal. Uma data tão significativa, que se transformou no grande mico do ano.

Acordei na madruga dando o "download" numa idéia. Acho que foge um pouco da proposta do Faça de sugerir presentes ecológicos, mas repensa o Natal. Portanto, ei-la!

A primeira coisa seria minimizar o Papai Noel da Coca-Cola. Esse velhinho obeso, gastador, que nos estimula a comprar, comprar e comprar e que está, desde o final de novembro, molhado de suor, em TODOS os shoppings centers. Desculpe, bom velhinho, mas você ficou over. Não tem mais nada a ver com os tempos que vivemos. Acabou a magia.

O que vai salvar o Natal, é voltarmos ao principal sentido da festa no mundo ocidental: celebrarmos o nascimento do Cristo. Não o Jesus religioso, que morreu pelos pecadores e que faria você parar de ler este texto bem aqui. Não é desse Jesus que falo. Temos que resgatar o Jesus revolucionário. O ecologista. O maluco beleza que, há 2000 anos, abalou as estruturas da Roma perdulária e cheia de vícios, com suas idéias de vida simples. De amor ao próximo. De comunhão com a natureza.

Temos que resgatar o barbudo que disse que somos todos uma só família. Todos habitantes do mesmo planeta Terra. Eu, você que está me lendo, o feirante, o doutor, o agricultor, o catador de papel. E que as diferenças impostas pela sociedade são cruéis e fonte da maioria dos nossos problemas.

Temos que resgatar o homem que, ao ver que a comida não dava para todos, dividiu-a. E, ao invés de uns poucos comerem muito, todos comeram um pouco. O homem magro, de modos frugais, que se satisfazia com frutas, grãos, mel, peixe (talvez) e um vinhozinho de vez em quando, porque ninguém é de ferro. E não com leitões, cabritos, tenders, chesters, lombos, picanhas - geralmente, todos juntos na mesma ceia.

Temos que reviver as idéias do sujeito que introduziu o conceito de vida simples no ocidente. E praticou-a todos os dias em que viveu. Aquele homem que vivia apenas com o necessário, pois acreditava que os únicos bens que devemos acumular, são os valores que levamos dentro de nós. Que expulsou os mercadores do templo, pois uma coisa são valores da alma. Outra são os do dinheiro. E feliz é quem consegue diferenciá-los.

Renascer a alegria de um homem que vivia rodeado de amigos, que amava os animais, que viajava, que era carinhoso e benevolente com todos. Principalmente, com aqueles que erravam (isso me dá um alento, que nem te conto!).

Neste Natal, tenho pensado muito nisso. Pensando no aniversariante que, quando estudado livre das amarras e preconceitos da religião, revela-se um grande visionário. Um líder transformador, que parecia antever a encrenca que 2000 anos depois nos enfiaríamos. Em tempos de simplicidade voluntária e consumo consciente, não vejo ninguém melhor para seguirmos.

Que este ano, a gente consiga plantar a sementinha de um Natal verdadeiramente Cristão. Um Natal "menos" em tudo o que é material. E "mais" em alegria, risadas, comunhão com aqueles que amamos, divisão e confraternização. Um Natal com menos sobras. Nas lixeiras, na geladeira e nas parcelas do cartão de crédito. Essa é a minha sugestão. Um Feliz Natal para você e para todos nós! " Taís Vinha.

Na fila da padoca, ontem à noite, fiquei na dúvida entre comprar um azeite na promoção e a última edição da Superinteressante, que traz na capa a atual situação deplorável dos oceanos do planeta. Acabei optando pela revista, o que acabou sendo uma boa escolha, não pela matéria de capa, que nada mais é do que um grande cozidão do que vem se falando sobre o tema há meses (quiçá anos). Folheando o material hoje de manhã, o que mais me chamou a atenção foi a entrevista com Tim Jackson, professor de desenvolvimento sustentável da Universidade de Surrey, em Londres, primeira instituição da Inglaterra a criar um departamento específico sobre o tema.

Jackson afirma categoricamente que o crescimento ininterrupto da economia global (um dos pilares do capitalismo moderno) é imcompatível com a sustentabilidade do planeta. Não é comunista, nem petralha, nem antiamericano, apenas mais um da crescente geração de pessoas que acredita num outro mundo possível, sob as regras da economia verde. Já foram ridicularizadas e agora são atacadas. Falta pouco para que sejam consideradas arautos do óbvio.

Enquanto governos e iniciativa privada não se mexem e continuam dando de ombros para o que se avizinha, como vimos em Poznan ou Marraquesh, cabe a nós, indíviduos tomarmos medidas diárias, pouco a pouco, pra ver se lá na frente algo muda. Alguns passos básicos, segundo Jackson, são:

Comprar menos, ser mais eficiente no uso da energia, viajar menos de carro e avião, economizar, fazer investimentos éticos e protestar!

Se for pra ir pro saco, que seja de botas calçadas!

(Este foi meu 100o. post no Ecoblogs!)

Em carta enviada à conferência da ONU sobre mudanças climáticas que aconteceu em Poznan, na Polônia (terminou domingo agora), o presidente Evo Morales, da Bolívia, propõe a criação de um novo modelo de desenvolvimento para o mundo, baseado na sustentabilidade e harmonia com a natureza. A busca incessante pelo lucro, acima de tudo, está destruindo o planeta, diz Morales.

Segue um trecho:

Tudo começou com a Revolução Industrial de 1750 que deu início ao sistema capitalista. Em dois séculos e meio, os países chamados "desenvolvidos" consumiram grande parte dos combustíveis fósseis criados em cinco milhões de séculos. A competição e a sede de lucro sem limites do sistema capitalista estão destroçando o planeta. Para o capitalismo não somos seres humanos, mas sim meros consumidores. Para o capitalismo não existe a mãe terra, mas sim as matérias primas. O capitalismo é a fonte das assimetrias e desequilíbrios no mundo. Gera luxo, ostentação e esbanjamento para uns poucos enquanto milhões morrem de fome no mundo. Nas mãos do capitalismo, tudo se converte em mercadoria: a água, a terra, o genoma humano, as culturas ancestrais, a justiça, a ética, a morte...a própria vida. Tudo, absolutamente tudo, se vende e se compra no capitalismo. E até a própria "mudança climática" converteu-se em um negócio.

A íntegra da carta pode ser lida aqui.


Morales está certo em gênero, número e grau. O que temos hoje é capitalismo no lucro, socialismo no prejuízo. A crise atual foi provocada por instituições financeiras até então tidas como acima de qualquer suspeita. E a cada novo golpe que surge, quem paga a conta somos nós.

Ou repensamos já o modo como produzimos e consumimos, ou vamos todos pro mesmo buraco.

O julgamento ainda não acabou, porque o ministro Marco Aurélio Mello que analisar melhor a questão, mas o resultado já tá definido: a demarcação da reserva indígena na Serra Raposa do Sol, em Roraima, respeitará a Constituição brasileira e será contínua. Os arrozeiros - muitos deles políticos, grileiros e afins - terão que sair. A decisão, que é mas não é ainda, acirrou os ânimos entre invasores e índios. Os primeiros dizem que não vão sair agora, que a Funai tem que rever o valor das indenizações, que o tempo lhes favorece e que eles não vão ser escurrachados de lá pelo governo. Já os índios e ONGs não gostaram do adiamento da decisão final, pedem mais segurança ao governo e, em alguns casos como no do Greenpeace, consideram que o resultado fere os direitos indígenas, porque tira dos índios a prerrogativa de serem consultados sobre as ações do governo na região.

Eu particularmente acho até que, se os índios quiserem declarar independência de seu território, se declararem jupiterianos ou descendentes dos atlântis, é justo, Isso num mundo ideal, claro. Mas sei das implicâncias geopolíticas de tal ato e que muitos países foram à guerra para evitar esse tipo de cisão. Por que não, então, trabalhar com eles, respeitar suas necessidades locais e desenvolver uma espécie de PAC indígena, em parceria? Melhor do que colocá-los em constante estado de suspeição e assim cinicamente negar-lhes o que é seu de direito, não?

Quando o caso é de farinha pouca, cada um tenta cuidar do seu pirão, e é até compreensível (nem sempre justificável...). Mas lá tem terra pra caramba - e de mais a mais os invasores são os arrozeiros e a Constituição brasileira diz que os índios têm razão. Então, qual o motivo de tanta confusão? Vão plantar arroz noutro lugar!

O Ouro Azul

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A água está se tornando cada vez mais escassa e se prevê para daqui a 20 anos uma crise na relação entre sua disponibilidade e as necessidades da humanidade. E como ela é um recurso absolutamente indispensável para a vida na Terra, ela está se tornando um produto estratégico, dizem até que deve ser criado um cartel da água como existe a OPEP para o petróleo e que esta será cotada nas Bolsas de Valores. Parece um cenário catastrófico em um filme de ficção? Não é não, neste post tentei recensear alguns dos malabarismos que alguns países já fazem para ter acesso ao "ouro azul", como ela é chamada.

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É verdade que a Terra é constituída principalmente de água. O problema é que da água existente sobre a Terra, 97,5% é salgada e dos 2,5% restantes, uma boa parte é inacessível sob a forma de geleiras e lençois freáticos muito profundos, e somente 1% é disponível para o consumo, que é a água dos rios e das fontes, que é renovada com a chuva e com a neve...finalmente somente 0,001% dos recursos em água do planeta podem ser utilizados diretamente.

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Logo realmente ela vale ouro! Pois ela não é distribuída igualmente pelo mundo. Os países que não a possuem em quantidade suficiente tentam por todos os meios obtê-la e os que a possuem em abundância procuram "vendê-la", em troca de vantagens econômicas ou políticas. Na Austrália, por exemplo, onde as vazões dos rios são altamente irregulares (variando com um fator de 1/4700) de um ano a outro), a paisagem é semeada de barragens e reservatórios, para capturar o precioso líquido e guardá-lo para a época das vacas magras. Em Singapura, a penúria obriga o país a comprar uma parte de sua água na Tailândia...imagine o que acontecerá se um dia este país fecha as torneiras ou se cobra muito caro! Nos países do Saara (Argélia, Tunisia, Libia), eles vão procurar a agua no lenço freático profundo por meio de perfurações e este está se esgotando, pois a retirada é superior à sua capacidade de renovação. Em regiões do Chile e do Equador, eles recuperam água até da neblina...na Arábia Saudita, Israel e outros países eles retiram o sal da água do mar, em processos que consomem enormemente de energia. Aliás, Israel e os outros países do "triângulo da sede" (Israel, Palestina e Jordânia), que estão em conflito no plano político são obrigadas a cooperar no dominio hídrico, dividindo as águas do rio Jordão, que abastece a todos.

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Estes exemplos mostram que as necessidades de água tem respostas diferentes para cada país, mas que elas estão presentes em todos. O que acho mais assustador é esta maneira de olhá-la como um "mero produto de barganha", com o risco de que no futuro só os que poderão pagar terão acesso à ela, seja no nível individual ou nacional.

O diaporama abaixo mostra como funcionam alguns dos meios que foram encontrados para paliar a falta de água e utilizá-la do modo mais econômico possível.

Fontes :

*O diaporama é baseado no artigo "Pas question d'en perdre une goutte" da autoria de Sylvie Rouat para a revista "Challenges". Extratos do livro "L'Avenir de L'eau" de Erik Orsenna publicados na revista "Challenges" . Artigo "La guerre de l'eau n'aura pas lieu" de Eliyahou Rosenthal publicado aqui.

Lembro de ter ficado bastante intrigado quando descobri, ao cobrir a edição de 1996 da tradicional corrida de calhambeques London-Brighton, que os primeiros automóveis do mundo - basicamente carruagens sem os cavalos - eram modelos elétricos! O primeiro foi inventado em 1830. Em 1920, 90% dos taxis de Nova Iorque eram movidos a bateria, época em que todos os bondes das cidades eram elétricos também - leia mais aqui.

Pensei: "Ora, como não desenvolveram a idéia desde então?" Bem, até desenvolveram, mas meio que em segundo plano, já que os motores a diesel e gasolina eram muito mais lucrativos. O petróleo era baratinho, fácil e abundante, e coisas como poluição do ar e doenças respiratórias, denunciadas por proto-ambientalistas ao longo do século 20, eram externalidades aceitáveis pelo bem do progresso.

Pois bem, quase um século depois, voltamos ao ponto de partida. O modelo de negócio baseado em carrões movidos a petróleo sofreu um grande baque com a crise financeira americana e o carro elétrico volta a ser uma opção - desta vez, até onde eu tenho lido, pra valer. As grandes fabricantes de carros dos EUA - Chrysler, GM e Ford - abriram o bico, estão na lona, implorando mais de US$ 30 bilhões para continuarem existindo. A população americana se diz contra o empréstimo, e muitos congressistas também. Eles sabem que, sem uma contrapardida equivalente, é jogar dinheiro no lixo. Muito dinheiro. Agora, qual seria uma contrapartida justa e viável? Certamente não estamos falando da baboseira de ver os altos executivos dessa indústria recebendo salários anuais de US$ 1...

Ou essas empresas mudam pra valer, ou têm mais que ir pro buraco. Sim, porque se continuarem a tocar o negócio da forma como o fazem hoje, vão quebrar mais dia menos dia. Por que não, então, investir no futuro? Em projetos como Better Place, de um empresário israelense, que já despertou o interesse de países como Dinamarca, Austrália e Israel, além de alguns estados americanos, como a Califórnia e Havaí.

A idéia é criar uma extensa rede elétrica para alimentar os veículos por todo o país, com ênfase no transporte público. Mas quem quiser ter seu carrinho elétrico, sem problemas. Vai ser até mais fácil: você pagará pela quantidade de eletricidade que usar. E só. O carro pode ser até dado de graça. Um sistema semelhante ao que vem sendo adotado com sucesso na telefonia celular hoje. Só compra celular quem quiser algo exclusivo. A maioria, no entanto, vai adotar os modelos mais populares. Eu não compro um celular há quatro anos e ainda assim consegui ter bons aparelhos - hoje tenho um modelo smartphone razoavelmente bom. Genial, não? E o melhor: temos toda a tecnologia necessária para por esse projeto em prática.

Aí, GM, Chrysler e Ford! Querem mesmo sair do buraco? Então pensem com a sustentável cabeça de amanhã, não com a gananciosa e poluidora de ontem. Vai ser bom pra vocês e pra gente também!

Dia desses, li um artigo interessante (e bem óbvio) lá no World Changing, sobre aquecimento global e a resposta das pessoas a ele. Mas, por mais óbvio que pareça o que a Lisa Bennett escreveu, o fato é que explica o por quê da nossa lentidão em fazer algo para resolver esse problema - em uma linguagem mais fluida. Resumirei aqui um pouco as palavras de Lisa, mas sugiro imensamente que leiam o artigo, que está mais bem colocado que minha tentativa tosca de traduzi-lo.

Lisa comenta que 2005 foi seu turning-point, ou seja, o momento em que ela tomou consciência do problema real que as mudanças climáticas eram e trariam para a vida futura. Foi quando cientistas começaram a martelar mais e mais de que se nada fizéssemos, nosso futuro como espécie estaria ameaçado. Acrescento um palpite pessoal: foi quando o Katrina destruiu Nova Orleans. As cenas que vieram à tona na mídia, a discussão sobre furacões que sucedeu, etc. trouxeram pra muito perto da nossa realidade as mudanças climáticas. Depois disso, vieram toda a farra de produtos eco-friendly que a gente conhece, muitos efetivos, muitos frutos de greenwashing.

Mas mesmo com tal iniciativa, as pessoas em geral ainda fazem muito pouco pelo ambiente, para evitar os estragos do aquecimento global. Por quê?

Ela cita que de acordo com cientistas sociais, a razão é que nós, humanos, não estaríamos hard-wired para entendermos riscos da mesma forma como os cientistas em geral vêem: uma questão de estatística, probabildiades. Para a maior parte das pessoas, risco é um sentimento, envolve emoções. "Se eu me sinto amedrontada, isto suplanta qualquer quantidade de informação estatística." É o que diz Elke Webber, uma psicóloga citada pelo World Changing.

E, é claro, as mudanças climáticas não acontecerão de uma hora pra outra - já estão acontecendo, aos poucos, lentamente. A gente não percebe os riscos, porque não há uma sensação de medo iminente. Não é um problema claro, de vida ou morte já. Isso é o que dificulta a tomada de decisão e postura das pessoas com relação ao problema.

Os cientistas, que em geral pensam em estatísticas, conseguem se balançar com os dados cada vez mais alarmantes. O que precisamos portanto, é que as campanhas e esclarecimentos desses cientistas toquem mais "ao coração" das pessoas. Apesar de eu achar particularmente complicadas campanhas muito "emotivas" (em geral elas deixam de lado os dados e apelam), entendo que essa é talvez a única maneira de espalhar uma idéia - e gerar ação contundente - para as massas. Ou, idealmente, melhor educação estatística para as pessoas, de forma que elas entendam os números que estão por trás dos cálculos de risco de forma embasada.

Trazer o problema pra bem perto também é outra forma de atingir as pessoas, mostrar os verdadeiros riscos das mudanças climáticas e com isso conscientizá-las a mudar de atitude e fazer algo. Por exemplo, se você mora no Rio, uma idéia é buscar os dados/previsões que mostram o que acontecerá com a cidade com alguns graus a mais. Mostrar também o que já está acontecendo. Com isso, as pessoas podem perceber que o problema está perto delas, não é tão abstrato quanto parece no discurso dos cientistas.

Quem sabe assim, a gente consegue conscientizar mais pessoas da realidade do aquecimento global...

(E eu não perco as esperanças, nunca, de que as pessoas farão algo pelo planeta.)

A Califórnia segue dando o exemplo. A Comissão de Proteção ao Oceano do estado americano está propondo três medidas para reduzir a quantidade de lixo que acaba poluindo o mar: banir as embalagens de isopor para alimentos, cobrança de taxas para o uso de sacolas de papel e/ou plástico, e (a principal delas, a meu ver) tornar os fabricantes responsáveis pela coleta e reciclagem das embalagens de seus produtos. É isso ou ver o mar se transformar numa imensa sopa de lixo!

Segundo a Comissão, essa última exigência já funciona em 33 países no mundo, encorajando a redução de material usado, reduzindo o peso final dos produtos, permitindo o uso de materiais recicláveis e obrigando os fabricantes a redesenharem seus produtos e embalagens. Na Alemanha, após quatro anos do início do programa, o lixo produzido por embalagens foi reduzido em 14%. É pouco ainda.

As empresas são contra, claro. Dizem que é melhor incentivar a reciclagem e ameaçam com desemprego. O velho discurso da indústria, mesquinha toda vida. Reciclar é bom, mas produzir menos lixo é ainda melhor. Reciclar gasta muita energia e recursos materiais e humanos. Ninguém em sã consciência acha confortável a quantidade de papel, plástico, isopor e quetais que acompanha um brinquedo, TV ou aparelho de som recém-comprado na loja. Repara só na pilha de lixo que se forma no Natal após a abertura dos presentes. É vergonhoso!

Lixo é um dos grandes problemas mundiais do século 21.

Pra mim, toda e qualquer empresa deveria ser responsável pela coleta e correta eliminação do produto que fabricou, seja uma embalagem, celular ou carro. Haveria exceções, claro - móveis por exemplo. Medidas como essa evitariam absurdos como a exportação de lixo eletrônico para países de Ásia, causando a intoxicação de milhares de pessoas.

O rápido avanço da tecnologia tem sido de mão-única, com o desenvolvimento de produtos cada vez mais modernos e eficientes, mas o uso de substâncias tóxicas na sua fabricação e a falta de preocupação com o seu destino final - o lixo - põe tudo a perder. Sem falar na tal obsolescência planejada...

Veja o caso dos Estados Unidos: em fevereiro do ano que vem, com a adoção da TV digital por lá, estima-se que cerca de 10 milhões de aparelhos antigos sejam dispensados no país, gerando um problema monstro. Apesar disso, poucas empresas têm programas amplos de reciclagem para atender a essa demanda e evitar que esse lixo contamine pessoas e o meio ambiente - provavelmente na Índia, China ou Paquistão. Para pressionar grandes fabricantes como Sony, Samsung, LG e Toshiba, entre outras, a evitarem essa catástrofe, ONGs americanas formaram a Electronics TakeBack Coalition e deram início à campanha Take Back My TV.

Os consumidores também têm seu papel nessa história toda. Na hora da compra, dê preferência a produtos que tenham pouca embalagem e que tenham sido fabricados de forma sustentável e responsável. Se informe na loja, ligue para o fabricante pelos serviços de atendimento ao consumidor, exija seu direito de saber o que está comprando. E questione sobre programas de reciclagem, principalmente de aparelhos eletrônicos. Quanto mais pessoas encherem os SACs (serviços de atendimento ao consumidor) das empresas, mais elas se sentirão pressionadas a tomar alguma medida. De tanto levar bica nas canelas, uma hora terão que se mexer.

A mãe natureza nos presenteou com todos estas belas paisagens para o deleite de nossos olhos, para nos fornecer alimentos, mas a partir deles tiramos também as energias térmica para nos aquecer ou a eletricidade para nosso conforto. Mas qual escolher para permitir que ela seja preservada e com ela nós também? Se pegarmos cada um dos componentes deste quebra-cabeças, e examinarmos como no quadro abaixo as vantagens (em cor de rosa!) e desvantagens (em cinza) de cada tipo, o que vai dar?

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Parece uma brincadeira de criança, né? Pois é o quebra-cabeças que todos os países do mundo estão enfrentando, compor sua matriz energética de modo a alcançar a quantidade de energia necessária para o crescimento do país e o conforto da população dentro de suas potencialidades e da disponibilidade no mercado mundial, com um olho no futuro, escolhendo a modalidade que trará menos impacto sobre o meio ambiente, para implementar uma situação sustentável.
A França optou pela energia nuclear como componente mais importante desta matriz, a Islândia pela geotermia, a China pelo carvão. O Brasil possui uma situação invejável, pois 45% de sua matriz energética é de fonte renovável.
Estas escolhas devem ser feitas sabendo que o futuro da planeta e das gerações futuras está em jogo. Você, em qual apostaria?

"Em primeiro lugar, queria agradecê-lo por ter escrito O Tao da Física. Assim que terminei de ler pensei que tinha que fazer isso e agora tenho a oportunidade. Obrigado, sr. Capra." O deslumbramento do jovem que sentava imediatamente atrás de mim no Teatro Eva Herz, da Livraria Cultura da Paulista, era evidente e, por que não, comovente. Muitos dos que o aplaudiram provavelmente queriam fazer o mesmo e rolou uma identificação imediata. O rapaz foi aplaudido por uma gente sorridente, bonita, harmoniosa, em comunhão - entre si e com com Fritjof Capra, que deu palestra sobre seu livro A Ciência de Leonardo da Vinci (lançamento da editora Cultrix).

Eu logo me identifiquei e relaxei um pouco. Estava tenso por ter que entrevistar Capra para a revista e o site do Greenpeace e também por voltar à rua depois de tempos para exercitar como se deve o ofício de jornalista. Uma coisa influênciou na outra, mas na hora H, foi que foi. Dei até sorte, porque os outros dois jornalistas que compartilhariam comigo os escassos 30 minutos disponíveis para entrevista não apareceram. Pude gravar tranquilo minhas 7 perguntas sobre ecologia, meio ambiente, sustentabilidade, as quais ele respondeu sem rodeios e com firmeza, não deixando transparecer nenhum incômodo por falar de coisas que não eram bem a razão dele estar ali. Se bem que em termos. Capra é ecologista de longa data e Da Vinci, idem.

Ao contrário da trupe do bem que enfrentou chuva e engarrafamento para ouvi-lo falar, Capra é sisudo, circunspecto, um tanto quanto impaciente, mas sempre elegante e atencioso. Conheço bem o tipo, já tive chefe austríaco no Greenpeace. Me atendeu prontamente quando fui apresentado e respondeu com calma e prestatividade às minhas indagações feitas num inglês inseguro. Da mesma forma atendeu a uma dupla de ciclistas que, pouco antes da palestra começar, entregou a ele um favo de mel, e ouvi atentamente como fazia para degustar aquilo. "É colocar na boca e mastigar de leve como chiclete. Mas dá pra engulir, sem problema, é só cera", explicou um deles. Tirou fotos com alguns, autografou dezenas de livros (com um simples "Para fulano", mas enfim...) para a legião de estudantes, artistas, leitores casuais, empresários, escritores e até uma policial militar que lotaram o teatro.

Em uma hora de palestra, com uma apresentação de slides trazendo citações e desenhos de Leonardo da Vinci, o escritor de 69 anos revelou aspectos ambientalistas no artista toscano que eu sinceramente desconhecia solenemente. O próprio Capra disse ter se surpreendido ao achar a seguinte frase nos alfarrábios consultados :

As virtudes da grama, das pedras e das árvores não se encontram em seu ser porque os seres humanos as conhecem... A grama é nobre em si própria sem a ajuda de linguagens ou letras humanas.

É bom observar que as anotações nas quase 6 mil páginas estudadas por Capra fora feitas pelo gênio renascentista em italiano da época e escritas da direita para a esquerda, como os árabes fazem - Da Vinci era canhoto e inovou até na hora de por seus pensamentos no papel. Imagina a dificuldade para quem tem que destrinchar os textos hoje.

Enfim, o que chamou a atenção de Capra foi que Da Vinci antecipou em séculos o que se chama hoje de deep ecology: todos os seres vivos fazem parte de uma grande teia de vida, vivemos numa imensa gaia, e nenhuma espécie é mais importante do que outra. A ciência deve andar em harmonia com a natureza, não dominá-la.

Para Fritjof Capra, físico teórico e escritor que há anos promove a educação ecológica, principalmente para crianças e adolescentes, foi um achado e tanto. A investigação sobre o mestre italiano lhe mostrou que os desenhos dele eram complexos diagramas científicos, porque para estudar a natureza, era preciso desenhá-la; e para desenhá-la, era preciso estudá-la. Combinou ciência, estética e ética como ninguém, quase sempre orientada por uma filosofia ecológica lato sensu. Dá o que pensar saber que Da Vinci ficou obscuro por séculos. Que seja fonte de inspiração nesses novos tempos que se avizinham, com mudanças importantes acontecendo no mundo. Obama na Casa Branca, sustentabilidade e ecologia na ordem do dia, todo mundo pensando no que pode fazer para contribuir.

As perguntas da platéia, ao final da palestra, refletiram essa consciência coletiva de que algo precisa ser feito para mudar o estado das coisas e Capra acabou discutindo ali muito do que falou em nossa entrevista: Obama, o papel da sociedade civil na consolidação desse outro mundo possível, as chances de termos um mundo realmente sustentável. Publico aqui assim que sair a revista do Greenpeace, valeu?

Enquanto isso, curta uma das aventuras do Riuston, o valente entregador da livraria Cultura. O blog é divertido também. Descobri navegando pela internet, pra juntar essa coleção de links deste blog...

A Lady Rasta postou no blog dela (com tradução e tudo), que viu no Smelly Cat e eu achei que cabia (e muito!) postar aqui no Faça também e reverberar. Assistam ao vídeo [3:44] de Mickey 3D para iniciarem a semana com uma reflexão. O desenho é muito impactante, além de belo graficamente, bem diferente do traço que pelo menos eu estou acostumada a ver.

Mas a pergunta eco que não quer calar é: será que chegaremos nesse ponto?

Tomara que não. 

Wake Up, Freak Out é uma animação bem bolada sobre a atual situação do planeta. Bem didática e com muita informação sobre aquecimento global, derretimento das geleiras, concentração de CO2 na atmosfera, perda de biodiversidade e quetais. O quadro geral que pinta não é dos melhores pra nós. Talvez já estejamos próximos demais do ponto de não-retorno das mudanças climáticas. Aí, meu caro, é se preparar pra se adaptar da melhor maneira possível ao que virá. E sabe-se lá o que vem por aí...


Wake Up, Freak Out - then Get a Grip from Leo Murray on Vimeo.

(se vc não entendeu muito bem o que é dito no vídeo, leia aqui o script)

Que o famigerado stand-by sugava energia pacas, eu já sabia. Mas não tinha idéia do quanto até ver esse vídeo. É assustador. Uma régua de energia, daquelas que tem várias tomadas e pode ser desligada quando os aparelhos não estiverem em uso, já ajuda a conter esse desperdício.



Edney deixou hoje esse link no twitter. É um dos vídeos finalistas da competição "De Olho no Clima", promovida pelo British Council. Feito por Patricia Klein, reporta as experiências "faça a sua parte" de pessoas comuns no Piauí.

Há um quê de ingenuidade (e evangelização mesmo!) na forma como as pessoas ali reportadas tratam a causa ambiental que merece reflexão. Sabemos que essa mudança de atitude é importante. Mas seria ela a única necessária?

A caixa de comentários é de vocês.

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Meus caros amigos,

Para aqueles absortos pelo período eleitoral, Parece que o sol volta a brilhar novamente.

infelizmente o céu está nublado, e uma tormenta aponta no horizonte...e atingirá a todos. Sem palavras para descrever tal horizonte de eventos, recorro para um de meus mestres mais queridos.

WWW.adital.com.br

O abalo dos muros

FREI BETTO

O programa Bolsa-Fartura de Bush reúne quantia suficiente para erradicar a fome no mundo. Mas quem se preocupa com os pobres?

NO PRÓXIMO ano, completam-se 20 anos da queda do Muro de Berlim, símbolo da bipolaridade do mundo dividido em dois sistemas: capitalista e socialista. Agora assistimos ao declínio de Wall Street (rua do Muro), na qual se concentram as sedes dos maiores bancos e instituições financeiras.
O muro que dá nome à rua de Nova York foi erguido pelos holandeses em 1652 e derrubado pelos ingleses em 1699. Nova Amsterdam deu lugar a Nova York.
O apocalipse ideológico no Leste Europeu, jamais previsto pelos analistas, fortaleceu a idéia de que fora do capitalismo não há salvação. Agora, a crise do sistema financeiro derruba o dogma da imaculada concepção do livre mercado como única panacéia para o bom andamento da economia.
Ainda não é o fim do capitalismo, mas talvez seja a agonia do caráter neoliberal que hipertrofiou o sistema financeiro. Acumular fortunas tornou-se mais importante que produzir bens e serviços. A bolha especulativa inflou e, súbito, estourou.
Repete-se, contudo, a velha receita: após privatizar os ganhos, o sistema socializa os prejuízos. Desmorona a cantilena do "menos Estado e mais iniciativa privada". Na hora da crise, apela-se ao Estado como bóia de salvamento na forma de US$ 700 bilhões (5% do PIB dos EUA ou o custo de todo o petróleo consumido em um ano naquele país) a serem injetados para anabolizar o sistema financeiro.
O programa Bolsa-Fartura de Bush reúne quantia suficiente para erradicar a fome no mundo. Mas quem se preocupa com os pobres? Devido ao aumento dos preços dos alimentos, nos últimos 12 meses, o número de famintos crônicos subiu de 854 milhões para 950 milhões, segundo Jacques Diouf, diretor-geral da FAO (Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação).
Quem pagará a fatura do Proer usamericano? A resposta é óbvia: o contribuinte. Prevê-se o desemprego imediato de 11 milhões de pessoas vinculadas ao mercado de capitais e à construção civil. Os fundos de pensão, descapitalizados, não terão como honrar os direitos de milhões de aposentados, sobretudo de quem investiu em previdência privada.
A restrição do crédito tende a inibir a produção e o consumo. Os bancos de investimentos colocam as barbas de molho. Os impostos sofrerão aumentos. O mercado ficará sob regime de liberdade vigiada: vale agora o modelo chinês de controle político da economia, e não mais o controle da política pela economia, como ocorre no neoliberalismo.
Em 1967, J.K. Galbraith chamava a atenção para a crise do caráter industrial do capitalismo. Nomes como Ford, Rockefeller, Carnegie ou Guggenheim, exemplos de empreendedores, desapareciam do cenário econômico para dar lugar à ampla rede de acionistas anônimos. O valor da empresa deslocava-se do parque industrial para a Bolsa de Valores.
Na década seguinte, Daniel Bell alertaria para a íntima associação entre informação e especulação e apontaria as contradições culturais do capitalismo: o ascetismo (= acumulação) em choque com o estímulo consumista; os valores da modernidade destronados pelo caráter iconoclasta das inovações científicas e tecnológicas; lei e ética em antagonismo quanto mais o mercado se arvora em árbitro das relações econômicas e sociais.
Se a queda do Muro de Berlim trouxe ao Leste Europeu mais liberdade e menos justiça, introduzindo desigualdades gritantes, o abalo de Wall Street obriga o capitalismo a se repensar. O cassino global torna o mundo mais feliz? Óbvio que não. O fracasso do socialismo real significa vitória do capitalismo virtual (real para apenas um terço da humanidade)?
Também não.
Não se mede o fracasso do capitalismo por suas crises financeiras, e sim pela exclusão -de acesso a bens essenciais de consumo e direitos de cidadania, como alimentação, saúde e educação- de dois terços da humanidade. São 4 bilhões de pessoas que, segundo a ONU, vivem entre a miséria e a pobreza, com renda diária inferior a US$ 2.
Há, sim, que buscar, com urgência, um outro mundo possível, economicamente justo, politicamente democrático e ecologicamente sustentável.

(CARLOS ALBERTO LIBÂNIO CHRISTO , o Frei Betto, 64, frade dominicano e escritor, é autor de "Calendário do Poder" (Rocco), entre outros livros. Foi assessor especial da Presidência da República em 2003-2004).

Fim do segundo ato.

O grande final, fica a cabo de cada um de vocês.

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Já há algum tempo, nós temos pensado em ter uma hortinha em casa, para pelo menos algumas coisas básicas. Em São Paulo, conseguimos manter em vasos manjericão, alecrim, orégano e hortelã. Há ainda no quintal uns pés de cebolinha, alguns de café, um pé de limão e um de amora, que garante boa geléia. Tentamos plantar tomate e rúcula, mas não foram pra frente - provavelmente erramos em algum passo. A idéia geral, entretanto, é no futuro ter uma horta decente.

Eis então que viajando por Bonito tive uma ótima surpresa ao me deparar em algumas das fazendas de ecoturismo com hortas próprias. As fazendas estão abraçando a sustentabilidade cada vez mais e isso é bom. Entusiasta de hortinhas, fui xeretar na horta alheia para aprender um pouco mais.

Das fazendas em que estivemos para passeios em Bonito, visitamos 2 hortas: a da Rio da Prata e da Estância Mimosa. Na horta da fazenda Rio da Prata, passamos mais tempo mallificando perguntando curiosidades ao biólogo Samuel, que nos guiou pelo que chamei secretamente de "tour da sustentabilidade" - modalidade que deveria ser incorporada ao dia-a-dia do turismo em geral. Primeiro, visitamos os montes de compostagem, onde o lixo orgânico gerado pelos turistas que frequentam a fazenda é colocado para decomposição natural. Cada monte de compostagem pode chegar a 70ºC em seu interior, indicação de alta atividade metabólica de bactérias e outros seres degradadores. Depois de um tempo, quando a temperatura abaixa, o produto da compostagem é levado ao minhocário.

No minhocário, o material orgânico é misturado ao solo e as minhocas fazem seu trabalho de aeração e adubação, tornando a terra mais fértil, fofa e preparada para o plantio. Depois que as minhocas atuaram, o solo aerado e adubado é peneirado para facilitar o manuseio e levado para a horta. É nesse solo que são plantados todas as verduras consumidas na fazenda pelos turistas e funcionários. São várias fileiras de alface, rúcula, manjericão, espinafre, beringela, tomatinho, saião, cebolinha, coentro, endro, quiabo, beterraba... e é tudo tão verde-intenso-natural, que dá vontade de comer salada imediatamente.

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Olha a qualidade dessas verduras...

A horta é toda orgânica, sem nenhum uso de agrotóxicos ou defensivos químicos. Perguntei como eles evitam pragas sem usar pesticidas. A resposta foi simples: plantam em locais estratégicos vegetais que "espantam" as pragas comuns, como a citronela, o tabaco, a arruda e a pimenta (só o sabiá come a pimenta). Além disso, plantam lado a lado vegetais que se ajudam no combate às pragas. Um sistema muito interessante e facilmente aplicável em pequena escala como ali.

As verduras da horta vão depois de crescidas para a refeição das pessoas que visitam a fazenda. E eu preciso dizer que nunca comi alface com gosto tão bom como aquela. Era alface com gosto de alface fresca de verdade, não de folha de papel como as que compramos em mercados por aí. Fora as beterrabas, super-doces e suculentas.

Mas nem só da horta orgânica vive uma fazenda sustentável. O Samuel cuida também do viveiro de mudas de espécies nativas, que são enviadas para áreas onde estão sendo reflorestadas. São centenas de potinhos com mudas de aroeiras, perobas, jaracatiás, ingás, ipês... todas grandes árvores, que daqui a algumas décadas mudarão positivamente a paisagem do local. Em linhas beeeem gerais, horta no curto prazo; floresta a longo prazo; mas sempre pensando no ambiente saudável.

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O minhocário, onde as minhocas são as trabalhadoras "braçais". No chão do minhocário, a terra já peneirada pronta para ser usada na horta. Ao lado, as mudinhas de árvores para reflorestamento.

Na fazenda da Estância Mimosa, depois de ver as mudinhas de árvores, terminei plantando uma aroeira no fundo do quintal. A aroeira é uma madeira nobre, motivo pelo qual foi bastante dizimada da região para virar móveis. Hoje é proibido matar uma aroeira nativa para coleta da madeira. Espero imensamente que meus netos, bisnetos ou afins voltem daqui a uns 100 anos na Estância e encontrem a árvore que eu plantei bonita e frondosa.

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As mudinhas de aroeira, que depois plantei no quintal da Estância Mimosa. Um dia atrasada nas homenagens práticas ao dia da árvore.

Mas Mato Grosso do Sul não é Mato Grosso do Sul se não tiver gado. A pecuária é uma das maiores fontes de renda do estado e imensas áreas de pasto são vistas em todas as fazendas da região, inclusive as dedicadas ao ecoturismo. Aliás, antes de explorarem o ecoturismo, eram todas pecuaristas - e eu chamaria o turismo nessa região de agroecoturismo, já que o ecoturismo é uma porcentagem da área total das propriedades rurais ali e já proporciona mais renda que o gado em algumas fazendas. Por lei, cada propriedade deve manter 20% de área nativa (e se não tiver mais, deve reflorestar). A maior parte das fazendas está em déficit ambiental com as regras do governo, entretanto.

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Vacas por todo o lado: eis a cena mais comum do Mato Grosso do Sul, o centro pecuarista do Brasil. Ao lado, fazendo a Cavalgada pelos pastos enquanto ouvia as histórias pantaneiras...

Como todos sabem também, gado não combina muito com sustentabilidade. Vale ressaltar que no Mato Grosso do Sul o gado não é confinado (cria-se em média 1 cabeça por hectare) e a abundância de água minimiza os impactos gerais da atividade ali - mas mesmo assim, ver tanto pasto incomoda em minha visão de ecoturista. O problema é, entretanto, muito mais complexo: a pecuária já é uma característica cultural daquela região, desde os tempos que o Paraguai ainda era o dono dessas terras. Tirar a pecuária dali é algo como tirar o samba do Rio de Janeiro, um fator gerador não só de impacto econômico como também de um impacto cultural complicado de se lidar. Há de se minimizar o impacto ambiental, portanto, sem deixar de lado questões humanas.

Com essa visão na cabeça, foi ótimo numa tarde sair para a Cavalgada pela fazenda do Rio da Prata. Confesso que eu não sou muito fã de cavalos e se dependesse de ser amazona estava no sal completo, mas é uma forma de lançar novas perspectivas a uma paisagem tão batida. Circulamos entre enormes áreas de pasto, num sobe e desce de grama sem fim, ao lado de inúmeras vaquinhas. Depois entramos num pedaço da RPPN (área de ecoturismo) e temos uma sensação muito diferente ao fazer uma trilha de mata em cima de um cavalo. A copa das árvores está mais próxima, o animal pára toda hora para comer (afinal, às vezes o bicho me controlava) e é possível ver detalhes "altos" da floresta ciliar muito interessantes.

Nosso guia de cavalgada era o Fábio, um típico pantaneiro. Conversamos bastante durante as 2 horas de cavalgada. Ele nos contou diversas histórias e estórias que envolviam pecuária e as diferentes "querelas" pecuaristas com politicagens e problemas indígenas, mostrou um lado da cultura pantaneira fascinante e suas palavras simples mas cheias de conhecimento prático deixaram um monte de novas questões sócio-ambientais para reflexão. Nem só de horta afinal vivem as atitudes ecoconscientes.

E se um "tour de sustentabilidade" não deixasse essas questões, não teria valido tanto a pena - pelo menos para mim.

O artista plástico Mark Jenkins, autor de instigantes esculturas construídas com fitas adesivas, promoveu um divertido protesto na capital americana semana passada em parceria com o Greenpeace local, para protestar contra a falta de ação do governo Bush para frear as emissões de gases do efeito estufa. Jenkins espalhou ursos polares pela cidade com cartazes pedindo ajuda, no estilo 'sem-teto' - veja abaixo a galeria de fotos:

Há outras fotos também no Flickr e um filme da atividade no Youtube:

O urso polar entrou recentemente para a lista de espécies ameaçadas de extinção por conta dos efeitos do aquecimento global em seu habitat natural que é o Pólo Norte. Mas mesmo com a Suprema Corte americana batendo o martelo em abril de 2007 para exigir que o governo americano levasse em conta o aquecimento global como grave problema climático, Bush e companhia deram de ombros para o problema. E está claro que se John McCain e Sarah Palin forem eleitos na eleição deste ano, a tendência é termos mais do mesmo - leia aqui um pouco do histórico ambiental da candidata a vice na chapa republicana. Palin foi governadora do Alasca nos últimos dois anos (justamente a terra dos ursos polares) e defende com unhas e dentes a reabertura das prospeções de petróleo no Refúgio Nacional de Vida Selvagem do Ártico - além de não acreditar que o aquecimento global seja provocado pelas atividades do homem no planeta.

Eu sinceramente não sei o que é pior: os futuros chefões do país mais poderoso do planeta fazerem pouco do aquecimento global e apoiarem a destruição de um dos últimos refúgios selvagens do planeta ou a população em geral dizer que está preocupada, mas pouco ou nada faz para mudar o status quo. E pior: coloca toda a responsabilidade em cima do governo, no bom e velho estilo de tirar o corpo fora. Os EUA e a Rússia querem explorar minérios e petróleo no Ártico, o Brasil tem o pré-sal, a França vende usinas nucleares pelo mundo como grande panacéia... é, tá difícil...

Mas vamo q vamo!

Escrevi sobre a emergência do lixo em Nápoles aqui e ali. Após algumas medidas e muita polêmica, achei que era hora de atualizar a informação.

A verdade é que o problema é antigo, com mais de 14 anos, que virou uma emergência há cinco. Sempre foi objeto das campanhas políticas locais. Sob os holofotes de Bruxelas, virou promessa da campanha deste ano, que elegeu Silvio Berlusconi como primeiro-ministro. O problema realmente ficou sério, com escolas fechadas e um delegado que temia uma revolta popular. E tudo indicava que a história acabaria mal.

A primeira reunião ministerial do novo governo, aconteceu em Nápoles, onde Berlusconi reafirmou o compromisso e garantiu que a cidade estaria limpa para a chegada dos turistas, no verão. Tomou medidas impopulares, como reabrir aterros sanitários fechados; mandar o exército às ruas para patrulhar esses mesmos aterros, bloqueados por moradores por estarem saturados (os aterros e os moradores); pressionar os governadores de outras regiões para que aceitassem receber parte do lixo da região Campania. Além disso, acertou com o governo alemão a utilização dos icineradores desativados próximos à fronteira com a Itália. Depois, voltou à cidade anunciando o sucesso da empreitada. Mas há quem afirme que a verdade não é bem assim. Como não poderia deixar de ser, há quem aprove e quem discorde, gerando uma enorme polêmica, com direito a vídeos de ambas as partes:



Mas onde está a verdade?
Partidarismo à parte, a verdade é que Nápoles está muito mais limpa, com focos resistentes do problema na periferia. A emergência está sendo resolvida, mas o verdadeiro problema, não. A região foi abandonada por anos e não é auto-suficiente para coletar e tratar os dejetos que produz. Muitas propostas foram apresentadas e devidamente esquecidas. Os napolitanos não estão habituados à coleta diferenciada pelo simples motivo que descobriram, há muito, que todo o lixo acabava indo parar no mesmo lugar. Os incineradores alemães usados no combate a emergência estavam desativados por falta de lixo: a Alemanha recicla, em média, 67% do lixo produzido, contra 5% de toda a região Campania. A diferença é que na Alemanha a coleta diferenciada serve para alimentar as indústrias de reciclagem. Ou seja: de nada adianta ensinar a população a separar o lixo se no final não existe uma estrutura que utilize tais resultados.

No momento, a única coisa a fazer é esperar - e vigiar - que o governo cumpra uma outra promessa de campanha: criar as estruturas necessárias para que o problema não tenha apenas sido varrido para baixo do tapete eleitoral.

A entrevista abaixo com Hermínia Maricato, professora, arquiteta e ex-secretária de Habitação da prefeitura de São Paulo (gestão Luiza Erundina, PT), foi feita para um jornal da grande imprensa mas acabou engavetada. Como quem tem amigo não morre pagão, caiu nas minhas mãos e faço questão de publicar. Só não entendi porque o material não foi aproveitado no site do jornalão...

Maricato vai direto ao ponto: a gente dá muita atenção para soluções cosméticas, como a Lei Cidade Limpa, enquanto coisas muito mais importantes ficam em segundo plano.

A professora lembra que, enquanto brincamos de limpar as fachadas da cidade (o que na prática é totalmente falso...), mal conseguimos nos locomover, respiramos ar poluído, bebemos água podre e ignoramos a situação de 1 milhão de pessoas que moram em favelas construídas em áreas de proteção ambiental simplesmente por não terem onde morar na cidade. Priorizar a retirada de anúncios das fachadas no meio de tudo isso é "ridículo", diz Maricato.

Como é ridícula também a falta de coragem dos políticos de tomar medidas duras para resolver alguns desses problemas. Veja o Kassab, por exemplo: ensaiou o envio de um projeto de lei à Câmara Municipal de SP instituindo o pedágio urbano na cidade, como parte da Política Municipal de Combate às Mudanças Climáticas, mas já desistiu - em ano de eleição, provavelmente ficou com medo de perder votos dos milhões de motoristas paulistanos. Faz tempo que acho que a medida é uma das melhores medidas para diminuir o tráfego de automóveis particulares pela cidade - juntamente com o rodízio ora em voga. Em Londres rola desde 2003.

Mas enfim, vamos à entrevista:

A professora e arquiteta e ex-secretária da habitação da prefeitura de São Paulo na gestão Luiza Erundina (PT), Hermínia Maricato fala nessa entrevista sobre a Lei Cidade Limpa de São Paulo. Segundo ela, é ridículo a cidade colocar essa limpeza como prioridade enquanto outras limpezas, como a do ar e da água, e outras necessidades, como a mobilidade, ficam em segundo plano.

No começo deste ano Hermínia lançou o livro "Brasil, Cidades: Alternativas para a Crise Urbana", publicado pela Editora Vozes. Ela é professora da Faculdade de Arquitetrua e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP).

Como a sra. avalia a Lei Cidade Limpa?
A questão vista isoladamente evidentemente é muito virtuosa. A lei se propõe a fazer uma despoluição visual na cidade, na paisagem urbana. E é interessante. Claro que, até mesmo olhando isoladamente, nós não deveríamos nos ater apenas aos anúncios, mas a toda instalação elétrica, que é ultra poluidora, à quantidade de fios, postes, o próprio calçamento, enfim normatizar um pouco muros, cercas, calçadas. O problema é quando, no contexto da cidade, essa lei ganha prioridade. É simplesmente ridículo.

Por que ridículo?
Porque você tem metade da cidade na ilegalidade. Então ele é um programa por excelência que segue uma orientação na gestão urbana no Brasil, que dialoga com a cidade legal, com a cidade da elite, com a cidade formal. Quando você tem metade da cidade na ilegalidade, acho que é preciso discutir como vai se aplicar a lei. Como você vai aplicar a lei só nas fachadas e numa parte da cidade? E se tenho 10% da população morando em favelas, por exemplo.

Mas aí questão não se torna mais difícil, mais complexa?
Claro que é uma tarefa complexa. Não é uma tarefa para uma gestão. Mas quando nós vamos ter uma lei efetiva em cidades como as nossas? Porque torná-la efetiva apenas nas fachadas, apenas em relação aos anúncios? Eu diria que é um governo de fachada, uma sociedade de fachada. Não que a gente não deva se preocupar com as fachadas. As fachadas são importantes em várias cidades do mundo e também no Brasil. Se você for para São Luiz do Paraitinga, existe uma recuperação que aumenta a auto-estima dos moradores, não só recuperação de fachada. A recuperação de fachada na França é matéria constitucional.

As fachadas são importantes mas há outras questões mais importantes?
Não quero dizer que isso não é importante, que não é objeto de uma política pública. Mas é ridículo quando isso é a prioridade. Principalmente em uma cidade onde os mananciais estão ocupados por uma população gigantesca, mais de 1 milhão de pessoas, morando em áreas de proteção ambiental simplesmente porque não conseguem morar na cidade. E a prefeitura está tendo uma atitude muito ruim com esses moradores porque ela está derrubando as casas e acusando-os de crime ambiental. Crime ambiental é da sociedade, que não provisionou essa população de moradia, que não tinha onde morar e acabou indo para os mananciais. Crime ambiental todas as gestões fizeram na hora que permitiram que essa população se instalasse ali. E ali o poder de polícia sobre o uso do solo é de diversas entidades dos governos federal, estadual e municipal. Então, quem cometeu o crime ambiental não é o sujeito, coitado, que está morando lá, em condições muito ruins, por sinal. A discussão, então, é um programa evidentemente classista. É uma visão da cidade de que a prioridade é cuidar das fachadas.

Nessa visão que a sra. critica a beleza, a limpeza, fala mais alto?
Não é propriamente beleza. Se você pega o exemplo do Time Square de Nova York, do qual todo mundo fala, é uma poluição bárbara. Agora, é um padrão. Um padrão que seria impossível em São Paulo com essa tolerância zero aí. Precisa ficar muito claro isso: essa lei não está sendo aplicada na cidade toda. Até porque se eu considerar uma parte da cidade, não são os anúncios que estão ilegais, são as ruas, as casas, tudo... É tudo! Se não encara essa fratura urbana, vai encarar o quê? A limpeza das fachadas? Mesmo considerando que ela é necessária. Não estou de forma alguma dizendo que ela não é importante, não é necessária. O que estou dizendo é que é um absurdo ela se tornar a prioridade e você não discutir as questões de fundo. Aliás, em uma cidade onde não se consegue nem respirar e onde a questão dos automóveis não está sendo enfrentada. E ela, sem dúvida, é uma prioridade.

Na visão da sra. a prioidade de São Paulo é outra?
Sim, a questão da mobilidade na cidade. A mobilidade por meio do automóvel é predominante. E isso novamente não é tarefa de uma gestão. Mas se essa sociedade e esses governos não encararam o problema da matriz baseada na circulação automobilística, essa cidade está absolutamente condenada. Aliás, moro aqui e está cada vez mais insuportável. Como você estabelece prioridades?

A cidade é limpa nas fachadas mas não cuida da limpeza do ar que respira?
Do ar que você respira! Da água que a gente bebe! Dos mananciais que estão ocupados por mais de 1 milhão de pessoas! É incrível essa nossa capacidade de botar a cabeça em um buraco que nem um avestruz e ignorar os problemas centrais. Incrível! E todo mundo bate palma! 'Tá bom, mas pelo menos...' Não tem pelo menos! Tem coisas que são prioritárias. São delas que nós temos que cuidar como prioridade. As fachadas nós vamos cuidar com a importância que elas têm.

A sra. acredita que o prefeito pode usar esse projeto Cidade Limpa como candidato à reeleição?
Ele usa muito. Foi um programa que fez um sucesso. E, diga-se de passagem, várias gestões tentaram aplicar a lei de anúncios e não conseguiram. Acho a lei exagerada. Não é necessário uma intolerância tão grande para que a paisagem urbana fique despoluída. Estou na rua e vejo, na mesma esquina, um poste de iluminação, um postinho que dá suporte às placas com os nomes das ruas, um outro postinho que sustenta a placa do trânsito, tudo isso na mesma esquina. E cheio de fios. Quer dizer, então está bom, vamos tentar começar um processo de despoluição não só dos anúncios. Realmente, é uma coisa de factóide mesmo e marketing. A despoluição é necessária, mas nem ela foi levada muito a sério.

Mas esse 'factóide', essa peça de 'marketing', como a sra. classifica, tem virtudes?
Não há dúvida de que há uma virtude no foco da coisa. Mas nós temos que abrir esse foco e falar: 'bom, em que nós temos que jogar nossa energia?' Diria que a questão da mobilidade em São Paulo é a número 1. Já tem técnico hoje fazendo cálculo do prejuízo para toda a sociedade. O fato é que esse prejuízo é distribuído. São as horas paradas das pessoas, profissionais, nos transportes. O preço de todo o suporte de ruas, de recapeamento, de sinalização de trânsito e, principalmente, como alguns professores da USP, meus colegas, estão apontando, o problema do custo na saúde. Nos dias piores os hospitais se enchem, principalmente de crianças e pessoas da terceira idade, porque o ar está irrespirável na cidade. Tenho um jardim com horta em casa e é impressionante. Você pega uma folha de couve, ela está coberta, negra. Se eu não regar, cuidar, aquilo vira uma casca em cima da planta. E é isso que vai para os nossos pulmões. E ainda tem os acidentes, que diminuíram mas ainda continuam muito altos... Os custos com combustíveis... Que contribuição estamos dando para o planeta? O que é mais importante? Alguém pode falar: 'mas ele está fazendo outra coisa, fez isso pelas fachadas'. Então, a lei dos anúncio adquiriu principalidade.

O pessoal da comunidade Permacultura lá do Orkut acaba de dar um presentão pra gente: a versão brasileira do filme A História das Coisas, da ativista Annie Leonard, que já foi visto por mais de 3 milhões de pessoas em mais de 200 países!

Os autores da façanha mantêm um site bem legal, o Permear, que vale a visita. Valeu, galera!

Sem mais delongas, aqui está o filme dublado!


(O pessoal da Hesperian Foundation se voluntariou para produzir DVDs do filme e distribui-los. Se você está interessado, manda um email para stuff.for.allison@gmail.com e pede o seu!)

Todo mundo já conhece (ou deveria conhecer) o desenvolvimento sustentável e o consumo consciente. Mas, será que existe um consumidor realmente consciente, daquele que busca encontrar o equilíbrio entre atender suas necessidades básicas e o impacto do seu consumo no meio ambiente?


Uma professora referiu-se a esta questão como sendo "coisa de velho gagá; besteira". Será que o fato de uma tonelada de pedacinhos de papel reciclados poderem substituir o corte de 15 a 20 árvores é besteira? Será que uma pessoa que tem consciência de que seus atos de consumo afetam não só a ela mesma, mas a todos que vivem neste mundo e, principalmente, às futuras gerações, é um "velho gagá"?

É óbvio que há consumidores engajados, que se esforçam para economizar os recursos naturais, mas não radicalmente. E eu me incluo neste grupo. Ainda não pratico amplamente o consumo consciente. Utilizo muito o carro, por força das circunstâncias, e sei que contribuo para aumentar o lançamento de gases na atmosfera. Ainda não consegui reciclar ou reaproveitar todas as embalagens que trago para casa. Mas tenho procurado diminuir o consumo de alimentos de origem animal; levo minha sacola às compras e reutilizo as que eventualmente traga para casa; não tenho eletrodomésticos, como aspirador de pó, ar condicionado; utilizo gás natural no fogão e no chuveiro; e outras atitudes relacionadas ao consumo de água e energia, por exemplo.

Há também aqueles que praticam o consumo consciente, apenas para evitar desperdícios, por economia mesmo. Esses nem têm a opção de consumir desenfreadamente. Para eles o reaproveitamento de materiais e a reciclagem é até uma questão de sobrevivência. Estão conscientes de que seus aparelhos em stand by são responsáveis por até 15% do valor da conta de luz, por exemplo. E, ao pensarem em seu bolso, beneficiam o ambiente em conseqüência de suas necessidades econômicas.

Porém, o pior de todos é o consumidor indiferente, como aquela professora, que não se importa nem um pouco em rever seus hábitos de consumo por julgar que qualquer ação seja ineficaz para diminuir o impacto nocivo de suas emissões sobre o planeta, e que tais atitudes são besteira de "velhos gagás", que acumulam cacarecos e ficam remendando as coisas para reaproveitá-las.

E você, é um consumidor consciente, que considera todas as suas práticas importantes para diminuar o impacto ambiental; ou um consumidor engajado, que se esforça para economizar, mas não é tão radical, como deixar seu carro em casa e trocar uma bela picanha por lentilhas; ou é um consumidor indiferente a questões ambientais e também nos considera "velhos gagás"?

Que tipo de consumidor é você: consciente, engajado ou indiferente?

Para aquela professora, eu sou uma velhinha bem gagá...

imagem: daqui

Já há algum tempo eu venho me debruçando sobre o efêmero mundo das ecocelebridades e o papel que elas exercem, de forma positiva e negativa, na divulgação das causas ambientais - o quão greenwashing e o quão educativos os famosos podem ser. E principalmente, o quão efetivos em amealhar pessoas para entenderem os problemas ecológicos que nosso planetinha azul vem sofrendo.

Eis então que a modelo mais famosa do Brasil, Gisele Bündchen, moveu um passo a mais na direção da coerência e lançou um blog verde. Vale ressaltar que inúmeros blogs verdes são lançados todos os dias, com os mais diferentes focos, perspectivas e intenções, e esses blogs entram naquela roda-viva comum a qualquer blogueiro iniciante, em que não sabem sequer se o que escrevem um dia servirá/será lido por alguém ou um grupo. Podem ser excelentes mas morrerem na praia, infelizmente.

Mas no caso de Gisele, seu blog, escrito por um grupo de correspondentes (a equipe "Übersite"), já nasce com repercussão num post do Huffington Post (um dos blogs mais lidos do mundo), que reverbera as menções elogiosas do Tree Hugger (talvez o site ambiental mais lido do planeta), e cimenta de uma vez sua postura de ecocelebridade "de verdade" aos olhos do Ecorazzi. Ou seja, seu blog já nasce com uma perspectiva de sucesso muito maior que a imensa maioria dos demais blogs verdes que nascem pelo mundo todos os dias. O que significa que seus posts serão provavelmente lidos por uma miríade de pessoas muito mais vasta, espalhando a mensagem ambiental talvez para uma amplitude essencial: o público geral. (Pode até morrer na praia também, que a gente nunca sabe direito como a dinâmica da web se comportará, mas terá sido lido sem dúvida por um público maior antes de encalhar que a média dos blogs verdes em geral.)

Ela (ou seu assessor..) pode até estar pensando nisso como uma grande jogada de marketing pessoal. Mas será que não é intrinsecamente interessante (e mais efetivo para a educação ambiental) que ela invista sua fortuna nesse tipo de divulgação/ação internética? Atingindo um público muito mais vasto, propagando idéias verdes em 2 línguas para uma legião de fãs que, quem sabe, seguirão seus passos ecologicamente pensados?

Fica a reflexão para o fim de semana que inicia...

"Você precisa ser a mudança que você quer ver no mundo"

Gandhi
Anda se tornando difícil a tarefa de escrever por aqui.

Enquanto propomos que cada um faça a sua parte, a produção brasileira de veiculos automotores bate recordes;

Enquanto propomos que cada um faça a sua parte, o Brasil tem o terceiro maior índice de analfabetismo da America Latina, ganhando apenas do Haiti e da Guatemala;

Enquanto propomos que cada um faça a sua parte, o desmatamento da Amazônia segue de vento em pôpa;

Por óbvio, a lista será interminavel. Culpa do mercado? Da democracia? Da classe média, sempre pronta a "colocar sobre as próprias costas toda a culpa por todos os problemas do mundo"? Da publicidade? Ou será da bolsa de luxo, que alguns defendem?

Uma coisinha básica, só para relembrar: o agir ou o não agir são sempre motivados. E motivados pelas crenças que vamos desenvolvendo ao longo da vida. O primeiro núcleo - e o mais poderoso - formador de crenças é (deveria ser), claro, a família.  E é onde  esse grande veículo do mercado, chamado de publicidade, melhor desenvolve suas técnicas. Publicidade, aqui, tomada num sentido amplo, pois uma novela que divulga "modos de vida" (alegando que estão apenas reproduzindo o que já acontece na realidade), nada mais faz do que publicidade para forçar a introdução desses conceitos na "sociedade".

Perde-se o referencial (ética) e, a partir daí, vale qualquer coisa. Da autoridade da moral, passamos para a moral da autoridade. E onde não há referencial, qualquer um é autoridade. Aí fica fácil acreditar e justificar que bolsas de luxo são benéficas ao meio ambiente, porque duram mais que as de menos qualidade. Fica fácil aceitar, como boi cornetas que viramos, que a "liberdade de informar" é o bem mais supremo e inatacável que temos.

Quem não nasceu ontem, mas anteontem, pode bem verificar como a destruição do conceito de família tem sido operada. E atinge famílias de qualquer tipo: das mais bem estruturadas em termos de renda e instrução até as mais pobres em tudo.

Pais que acreditam em bolsas de luxo, certamente criarão filhos que acreditarão em bolsas de luxo. Pais que não podem ter uma bolsa de luxo, certamente criarão filhos que vão lutar para ter uma. Não há escola que eduque, onde há pais que deseducam. Resta a pergunta: qual educação? Quais valores?

Interessante o fato de que "O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pregou hoje maior diálogo dos pais com os filhos como forma de evitar o consumo de drogas pelos jovens e classificou de "hipócritas" aqueles que atribuem o ingresso deles no mundo das drogas exclusivamente a pessoas de fora do ambiente familiar" (daqui)

E a vida? "E a vida o que é diga lá meu irmão..." A própria vida foi relegada ao esquecimento. Apenas sobrevivemos e sem dignidade alguma, diga-se de passagem, se não tivermos a nossa bolsa de luxo.

O que temos que tentar mudar é a motivação das pessoas (adultas e, por reflexo, das crianças): de agirem por uma bolsa de luxo, para agirem pela vida. Num mundo supérfluo e sem valores, é utopia querer que as pessoas defendam o meio ambiente.

O que fazer? Colocar as rédeas de volta no lugar de onde jamais deveriam ter sido retiradas: na mídia. Mídia sobre controle é publicidade sob controle. Exigir que o governo faça a sua parte e coloque limites na gandaia que virou aquilo que é, quer queiram ou não, uma concessão pública.

O "embate racional" é: que valores queremos ter? Temos sido omissos em provocar esse debate. Nada mais natural que alguém ocupe esse espaço e faça o que bem entenda.

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Volta e meia alguém vem com o papo de que o Greenpeace defende os interesses dos países ricos, europeus principalmente, e por isso fica enchendo o saco no Brasil para impedir que o país se desenvolva. O argumento é tosco per se, mas fácil de rebater. É só mostrar que o grupo atua em 41 países, vários dos quais ricos - EUA, Holanda, Alemanha, Inglaterra, Japão, etc. O cansativo é ficar catando links das páginas do Greenpeace desses países com as ações contra crimes ambientais que rolam por lá, pra mostrar que o grupo enche o saco aqui, ali, acolá, em todo lugar, pelo meio ambiente.



Pois eis que surge um site que reuniu tudo num espaço só, Greenpeace Online, criação do blogueiro Pepijn Koster. Toda notícia atualizada na página do Greenpeace EUA, Suécia, França, Canadá, México, Argentina e outros aparece nela também, graças ao tal do RSS. O Brasil ainda tá de fora, por problemas técnicos, mas já já será incluído.



Koster é editor da página My Favourite Places, dedicada a notícias sobre o mar, biodiversidade marinha, conservação e uso sustentável dos recursos do mar. É de lá essa imagem abaixo, sobre o total de reservas marinhas existentes hoje no mundo. Pouco, né?


Por falar em proteção dos mares, o Greenpeace lançou recentemente uma lista vermelha das espécies marinhas que sofrem com a pesca predatória e cujas populações podem entrar em colapso muito em breve. A idéia é conscientizar as pessoas para que não comprem esses peixes, crustáceos e afins.

Na lista estão o atum, o salmão do Atlântico, o bacalhau do Atlântico, tubarões (como bem lembrou minha colega de blogagem Lucia Malla), o peixe-espada, o marlin e o camarão tropical, entre outros. No Brasil, a corvina, badejo, sardinha e tainha são algumas das espécies que beiram o colapso.

Portanto, quando for à peixaria, supermercado ou restaurante, tente não comprar essas espécies. Se informe sobre os problemas que elas enfrentam, converse com seus amigos e familiares sobre o problema e seja consciente nas escolhas. Em vez de pastinha de atum, porque não de azeitona? O temaki não precisa necessariamente ser de salmão e o bacalhau da Páscoa pode ter sua história milenar religiosa, mas do jeito que a coisa tá, vai virar lenda rapidinho...

Sou publicitário. Pouco entendo de biologia, ecossistemas ou conservação da natureza além do que vejo e leio em textos e jornais diariamente. Contudo, através dos olhos de quem conhece a teoria da comunicação e sabe até que ponto ela pode - e, com efeito, consegue - interferir na capacidade decisória das pessoas, eu vejo a questão da degradação do planeta por um outro prisma. Fala-se muito da vontade política - ou da falta dela - como fator preponderante na conscientização das populações quanto às questões relacionadas ao meio ambiente. Tudo, sob esse aspecto, é trabalhado ao nível da macro-economia, da macro-energia, da macro-produção de alimentos... e na verdade, isso tudo é uma ilusão. Porque quem degrada o meio ambiente e o planeta não é o macro, e sim o micro. 

Por exemplo, fala-se muito na questão da poluição causada pela queima de combustíveis fósseis e em sua possível mudança para a queima de biocombustíveis, mais limpos e menos agressivos. Vamos lá, quem consome esse combustível todo? Automóveis, certo? Não, não apenas. Automóveis, caminhões, navios, trens a diesel, indústrias... tudo isso consome combustível. Tudo começou, na verdade, com trens, navios e indústrias e o consumo de carvão, na época da Revolução Industrial do século XIX. Dois séculos depois, há tecnologia suficiente para que motores à explosão não fossem mais necessários. Por que eles ainda são fabricados? Por causa do lobby da lucrativíssima indústria de petróleo, certo? Não. Quem afinal consome o que é produzido pela indústria de petróleo? Quem usa. E quem usa? Indústrias, transportadores e... donos de automóveis. Agora vem a questão primordial. Interessa à indústria ou a grandes transportadores que tipo de energia move suas máquinas? Sim, mas pelo custo. Se mover tudo à eletricidade fosse mais barato e eficiente que mover tudo a gasolina e diesel, a indústria e os transportadores mudariam de foco, é óbvio. Mas não os donos de carros. Afinal de contas, quem de nós já sonhou com uma Ferrari elétrica que chegasse a fantásticos... 110 km/h, quando uma a gasolina puríssima de alta octanagem pode chegar próximo aos 400?

Isso é um exemplo que pode ser transposto a dezenas de áreas de atuação do mercado. Roupas, equipamentos eletrônicos, material esportivo, brinquedos, alimentos. É o glamour da exclusividade, a exacerbação dos desejos incutidos na população pela publicidade o que torna quase impossível, por exemplo, que um governo se atreva a banir certos produtos e indústrias nocivos ao ambiente. O mercado colocou na cabeça do ser humano que ele pode tudo, bastando apenas pagar por isso. 

Bem, eu concordo: cerceamento de liberdade é algo abominável. Mas, falemos a verdade: ninguém precisa andar a mais de 110 km/h numa rua da cidade ou mesmo numa rodovia. A tecnologia para que os automóveis fossem limitados eletronicamente a velocidades limites em determinadas vias existe desde o tempo da primeira guerra. Porque não se usa? Por que não se faz isso e se salva milhares de vidas por ano? Ora, porque as pessoas compram carros potentes para poderem usufruir de sua potência, para deixar fluir a testosterona e a libido mostrada nos anúncios por suas veias. Queimar gasolina em grandes quantidades é um símbolo de status e poder, muito associado aos americanos e suas banheiras de oito cilindros, mas plenamente compartilhado com o resto do planeta. Ninguém quer abrir mão: quem compra o carro, quem fabrica o carro, quem constrói a rodovia e quem produz o combustível.

O mundo é movido, em grande parte, pelo desejo do luxo, pelo desejo do supérfluo, pelo desejo do conforto. Eis a China e sua nova economia como prova cabal disso. Se o planeta produzisse somente o necessário, a demanda ainda seria excessiva. Mas o que ocorre é o contrário: o planeta produz em excesso e a população é levada a querer consumir muito mais do que precisa. E isso, no final das contas, é luxo, e é o luxo que move o mundo e é o luxo que destrói cada dia mais este mundo que já não pode se dar tanto ao luxo de tamanho desperdício.

(Texto escrito pelo caríssimo Marcos VP, e enviado por email. Marcos VP também quer fazer a sua parte na disseminação da idéia de vida verde. Adoramos que ele teve a iniciativa de escrever para a gente, muito valiosa. Obrigada, Marcos! Se você quiser também enviar um texto para ser publicado no Faça, o email do blog é: facaasuaparte ARROBA gmail PONTO com. Aguardamos com carinho!) 

UPDATE: A discussão sobre esse texto está supimpa lá na caixa de comentários do Marcos. A viagem até lá é recompensadora.

Somos uma sociedade de consumo onde ter é mais importante do que ser. Uma sociedade descartável. E que será descartada se não aprender a consumir de forma mais consciente.

Este é o sétimo princípio da Carta da Terra:

"7. Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário.
a. Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos.
b. Atuar com restrição e eficiência no uso de energia e recorrer cada vez mais aos recursos energéticos renováveis, como a energia solar e do vento.
c. Promover o desenvolvimento, a adoção e a transferência eqüitativa de tecnologias ambientais saudáveis.
d. Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços no preço de venda e habilitar os consumidores a identificar produtos que satisfaçam as mais altas normas sociais e ambientais.
e. Garantir acesso universal à assistência de saúde que fomente a saúde reprodutiva e a reprodução responsável.
f. Adotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e subsistência material num mundo finito."

E o que cada um de nós pode fazer para fomentar o consumo consciente? Comecei a pensar em uma lista de regras para o consumo consciente, e adoraria que vocês dessem as suas dicas para podermos aumentá-la.

Regra 1: perguntar-se se precisa mesmo de um determinado produto antes de comprá-lo.
Regra 2: se concluir que precisa do produto (ou quer muito comprá-lo), analisar a embalagem. Há um produto semelhante que use menos matéria-prima na embalagem? Ou cuja matéria-prima seja biodegradável? Ou reciclável?
Regra 3: depois de comprar, pôr o produto na bolsa ou na sacola de compras retornável.
Regra 4: perguntar-se sobre o impacto social da produção desse item.
Regra 5: perguntar-se sobre o impacto ambiental da produção desse item.
Regra 6: não desperdiçar. Se é de comer, incremente e reaproveite. Se quebrou, veja se tem conserto. Se não tiver, pense se você não pode viver sem um novo. E não compre um novo só porque é mais bonito se o seu antigo estiver funcionando bem.

E você? No que pensa antes de comprar algo?

Este post faz parte do ciclo Debates Ambientais do Faça a Sua Parte.


Picada de cobra se cura com veneno de cobra.

Consumo consciente e atitudes eco compatíveis são fundamentais a uma necessária nova política ambiental, mas o comportamento humano é moldado aos poucos e produz uma forte resistência às mudanças. Sem o intervento da ciência será impossível reverter a atual situação de degrado e poluição.

Como instrumento, a ciência não pode ser a vilã da devastação dos recursos naturais, nem da crescente pobreza e marginalidade de boa parte da população mundial. Um crescimento que vem acompanhado de novos e equivocados padrões de consumo e produção, o que só faz aumentar o desperdício dos recursos, além de gerar resíduos e substâncias poluentes. O problema se dá porque ciência e tecnologia não são politicamente neutras. Mas não só: a atual dinâmica de competição, com ganhadores e perdedores, só faz aumentar a crise sócio-ambiental, transferindo todas as reservas e esforços à busca do crescimento econômico.

Na situação que vivemos de desigualdade social, onde uma minoria consome a maior parte dos recursos naturais, reflete uma distribuição heterogênea de renda e de ativos produtivos e acaba restringindo as políticas de desenvolvimento dos países pobres. Esse problema não pode ser resolvido com soluções tecnológicas. É preciso ação política. E é nesse ponto que podemos fazer a diferença, debatendo, propondo - exigindo! - o fluxo de tecnologia e pressionando os regimes políticos atuais, fortemente orientados na lógica do mercado e ao crescimento a qualquer preço. É necessário que o poder político retome para si a responsabilidade do crescimento, que hoje encontra-se nas mãos de agentes externos.

A ciência terá grande participação nessa nova ordem mundial que começa a se formar, aprimorando e difundindo o correto manejo dos recursos disponíveis. Para tanto, o sistema de competição deve ser substituído por um outro, o da cooperação. De pouco tem servido as intermináveis reuniões internacionais sobre o meio ambiente. A despeito da argumentação dos donos do poder econômico, de que faltam inequívocas evidências científicas do efeito da produção sobre os problemas ambientais, o meio ambiente não pode ser excluído dos conceitos econômicos, políticos e sociais. O desenvolvimento sócio-econômico depende exclusivamente de quem controla os recursos disponíveis e não do volume desses recursos. Isso está errado.

A ciência sem política é uma ciência para poucos.

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"Um pequeno passo para o homem, mas um grande passo para a humanidade"...pois é, cresci com a conquista espacial, a chegada do Concorde, do TGV, do transplante de coração, da popularização dos eletrodomésticos e com a idéia de que a ciência e sua filha a tecnologia traziam resposta a tudo e que seu objetivo bem-estar e a felicidade. Tornei-me cientista, aprendi a experimentar e analisar e principalmente manter a mente aberta...e paradoxalmente foi daí que vieram alguns sinais de alerta sobre a concepção do mundo adotada por mim e pela minha geração.

Tudo começou quando conheci a filosofia de Gandhi e sua visão sobre a educação e sobre a tecnologia. Ele apregoava que se deveria ensinar nas escolas trabalhos manuais e artesanais de forma que todas as pessoas e comunidades se tornassem autônomas em relação à própria subsistência simplesmente com o trabalho de seus próprios braços. Na época, isto foi visto como mais uma forma de resistência ao modelo econômico do ocupante ocidental e ele nunca foi adotado na Índia. Mas isto me conduziu à reflexão : "Realmente se cada um pudesse subsistir simplesmente com seu trabalho manual em seu próprio campo, não haveria fome no mundo nem tanta desigualdade".

Mas será que o ser humano se contenta em simplesmente sobreviver? Depois de satisfazer suas necessidades básicas, ele não encontrará sempre outras mais sofisticadas que, se não estão ao alcance do trabalho de suas mãos, ele vai desenvolver "máquinas" para realizá-las?  Então negar o advento da "máquina" não seria negar o próprio intelecto humano? E não é este, fruto de seu cérebro super-desenvolvido em relação aos outros animais, que a espécie humana, que não foi dotada pela natureza de força, ou de garras, ou de pelos para se proteger do frio, conseguiu sobreviver neste planeta? E no momento que pela primeira vez ele acendeu o fogo, ou utilizou a roda, ou se sedentarizou construindo habitações para se abrigar das intempéries, ele já estava usando seu intelecto e criando ciência e tecnologia. Esta criatividade é inerente ao ser humano, não podemos simplesmente impedir o cérebro de funcionar e procurar soluções...

O problema não é a tecnologia em si, mas a utilização que é feita desta, as soluções por ela proporcionadas podem se tornar problemas em função do contexto. Muitas vezes a engenhosidade se alia à sede de dominação para causar estragos enormes, como todas essas guerras que pontuam a história. E esta ânsia de poder e de prazer levou a espécie humana a não respeitar os limites existentes em relação aos recursos do planeta e ao espaço vital das outras espécies presentes nele, nem mesmo de outros seres humanos, o que criou um desequilíbrio perigoso. E se este continua no ritmo atual, a sobrevivência do homem na Terra e o seu modelo de desenvolvimento são incompatíveis. Não por causa da ciência ou da tecnologia em si, mas do modo como são empregadas. Estará então a espécie humana condenada a desaparecer?

É aqui e agora que devemos decidir isto, para as próximas gerações será muito tarde. Acredito que a solução pode vir da ciência e da tecnologia sim. Elas só precisam incorporar em suas realizações o conceito da sustentabilidade, remediar os erros  já cometidos contra o planeta (quando ainda for possível) e ter em mente que não existe outra alternativa. É uma nova equação para a ciência e para o intelecto humano e de sua solução depende o futuro da humanidade. Estaremos à altura para resolvê-la?





Não há nada mais representativo, na minha opinião, da história da humanidade do que esse trecho do livro/filme 2001: Uma Odisséia no Espaço (há, também, no clip acima, uma cena do filme Planeta dos Macacos). Historia humana que, na verdade, se resume à história da tecnologia. Muito antes da fala, e portanto muito antes da cultura (discussões sobre isso à parte, por favor), nossos ancestrais, em algum momento, aprenderam a se utilizar da natureza para transformá-la (observem a transposição que ocorre entre ciência e tecnologia, que ocorre por volta dos 5m32s do clip: o macaco olha os ossos; a cabeça volta-se de um lado para o outro, até que, num momento, decide pegar o osso e utilizá-lo. Impressionante a representatvidade da cena). Nenhum outro animal foi capaz de fazer do barro uma jarra para conter água.  Nenhum outro animal foi capaz de transformar um osso em uma nave espacial, ou, como fez o macaco, transformá-la para destruí-la..

Os faraós egípcios tinham um problema aparentemente insolúvel para resolver: tornarem-se imortais. Conservarem seus corpos e riquezas para quando retornassem. Os romanos também tinham os seus problemas e um deles era o abasteceimento de água. Os egípcios construiram pirâmides e os romanos aqüedutos (tadinho do trema, vai morrer...). Ambos, pirâmides e aqüedutos, existem e resistem até hoje. Faraós egípcios e romanos não! Apenas na história.

Mas, sejam macacos, egípcios ou romanos, em nenhuma época a espécie deparou-se com um problema tão sério: a sobrevivência daquilo que dá suporte à própria existência humana: a natureza. A tecnologia sempre resolveu o problema, desde os primórdios, daqueles que tinham poder. Junte-se qualquer adjetivo, não importa. Tecnologia sempre esteve do lado dos mais fortes.

Há uma crença de que a tecnologia resolve nossos problemas. Será? Saiam desse mundinho restrito da internet e olhem ao redor. Ao redor da vida real:

- a tecnologia médica/farmacêutica ajuda a resolver os problemas da humanidade? Não! Milhões de seres humanos morrem sem assistência médica e por falta de remédios. As patentes falam mais alto!

- a tecnologia ajudou a resolver o problema da fome? Não, bilhões de pessoas passam fome e milhões morrem diariamente por falta de alimento. E, no entanto, apregoa-se aos quatro cantos que os transgênicos vieram para salvar o mundo. As patentes falam mais alto!

- a expectativa de vida aumentou graças a tecnologia? Não! Olhem atentamente para a metade da espécie humana que não aparece nos jornais: morrem tão cedo quanto sempre morreram.

- energia renovável? Sol, ventos, nuclear, mar? Olhem para o mundo e não apenas para o próprio umbigo! Que parcela da humanidade, em pleno século XXI tem acesso a energias alternativas? Menos de 5%! É piada falar nisso. Façam as contas: quantas pessoas são beneficiadas com energia eólica, ou de qualquer outra fonte alternativa? Quanto precisaríamos para que toda a espécie humana pudesse viver de fontes renováveis? Alguém está interessado em investir nisso?

A verdade é que a tecnologia sempre foi de poucos para poucos. Poderia listar alguns milhares de exemplos em que a tecnologia só serve para resolver o problema de alguns faraós (dentre eles, nós, os que ainda podemos nos dar ao luxo de escrever/ler na internet), enquanto destrói tudo o mais. E, em meio a esse mais, o meio ambiente.

Repito: sejam macacos, egípcios ou romanos, em nenhuma época a espécie deparou-se com um problema tão sério: a sobrevivência daquilo que dá suporte à própria existência humana: a natureza.

A tecnologia não é capaz de garantir a sobrevivência de seres humanos. Será capaz de garantir a sobrevivência do meio ambiente?

Com licença, pois vou tomar meu banho com um sabonete desenvolvido com a tecnologia que destrói as florestas da Indonésia, calçar meus tênis, feitos com tecnologia que mantém milhões em regime de trabalho escravo; pegar minha garrafinha d'água, colhida e embalada com tecnologia que termina por esgotar fontes naturais... E pegar meu carro para chegar a tempo no trabalho, porque prefiro dormir mais dez minutos...

Enfim, gosto da tecnologia. Afinal, não sou daqueles que precisa acordar às quatro da manhã para pegar ônibus... E sem esquecer de, quando chegar em casa, jogar no lixo a tecnologia que minha filha deixou nas fraldas descartáveis...

Não acredito na tecnologia como salvadora do mundo. Tanto quanto ainda não vi faraó algum retornar para reclamar seu reino...

Domingo de manhã. A chuva em São Paulo nos faz lembrar que estamos na terra da garoa. Primeiro dia da semana do meio ambiente, e estou indo participar de um dos vários eventos ambientais que um político e ambientalista como eu precisa participar.

Precisa? Por que "precisa"?

Parte de mim hoje quer ficar dormindo o dia inteiro, namorando, tomando chá e vendo televisão, olhando a chuva pela janela; parte de mim quer resolver todos os problemas ambientais, sociais, econômicos e políticos do planeta.

Duas coisas impossíveis para esse domingo de manhã.

Assim como eu entro nessa crise quase todos os dias de manhã - principalmente quando está chovendo - a humanidade também vive essa questão, numa amplitude diferente: como podemos definir qual é a nossa participação nesse contexto sócio-político-econômico-ambiental-mundial-etc?

Eu já fui professor, jardineiro, mergulhador, aventureiro, fotógrafo, guia de trilhas. Trabalhei pela conservação dos recursos naturais, pela preservação da biodiversidade, pela educação ambiental. Participei de conferências nacionais e internacionais, grupos de trabalho para definições de políticas públicas municipais estaduais e federais.

Mas o que significa tudo isso? Será que para sermos "ambientalistas" precisamos de tudo isso?

Sei que esse processo autobiográfico parece ridículo, e que o texto em primeira pessoa pode ser um pouco pessoal demais.


Mas eu realmente quero usar esse momento para confessar uma coisa: a culpa é minha.


É minha culpa querer abraçar o mundo todo e não conseguir.

É minha culpa não ter conseguido como educador transmitir o real conceito da importância ambiental para meus alunos.

É minha culpa deixar que a televisão nos entretenha tanto a ponto de nos fazer pensar que está tudo bem, que o problema não é nosso;

É minha culpa eleger políticos que não estão nem um pouco preocupados com as verdadeiras questões do meu país;

É minha culpa permitir que as pessoas dêem mais valor a seus problemas pessoais que aos problemas mundiais.

Afinal, todos temos que pagar contas, não é mesmo? Temos manter nossos empregos, pagar a escola das crianças, os livros da faculdade, tomar aquela cervejinha no final do dia - que ninguém é de ferro - e, é claro, viajar final de semana ou nas férias, para descansar um pouco da nossa vida agitada.

O tempo é curto. Não dá para fazer tudo. Minha vida é mais importante, não dá para querer resolver tudo!

Eu faço coleta seletiva em minha casa; planto árvores em um sítio de uma ONG ambiental sempre que posso; alterno ir trabalhar de carro e de bicicleta; tomo cuidado com meus gastos de água, energia e com consumo de produtos em geral, sempre atento ao que é realmente necessário.

Mas também sou humano. Quero meus prazeres; gosto de ir ao cinema (se bem que atualmente a quantidade de trabalho não tem permitido...), de roupas bonitas e ouvir música; um bom vinho, é claro, e livros, muitos livros - mesmo que não os consiga ler: sou um "livromaníaco", daqueles que sente orgasmos em bibliotecas antigas (alguém já foi na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro? É de cair o queixo...)

Ou seja: onde eu quero chegar com tudo isso?

Quero dizer que é minha responsabilidade que o mundo esteja desse jeito.  Existem diversas formas de participação,  e eu tenho que escolher a minha.  e ser eficiente em minha escolha. e acompanhar de perto os processos,  as propostas e os projetos de  resolução de problemas. 

Temos oficialmente três poderes no país: o executivo, o legislativo e o judiciário. Temos já um quarto poder informalmente estabelecido: o domínio da informação.

Mas temos um que permeia todos esses: o poder da ação pessoal.

E esse é o maior de todos, e exercê-lo só depende de mim.

(PS: E já estou atrasado: este post era para ter saído ontem...)

Vivemos num mundo que vem se aquecendo. Embora haja no passado recente momentos de esfriamento detectados pelos investigadores do clima, eles não passam de "ruído de fundo" (background noise) nos gráficos de aquecimento, cuja tendência geral é de subida. É essa realidade que devemos encarar daqui pra frente, seja com 0.5˚, 1˚, 2˚ ou 5˚ C de diferença. O mundo está em aquecimento. 

Mas quais são os impactos dessa realidade na nossa vida? 

O aumento das tragédias com ciclones, furacões e afins - como em Burma e New Orleans - é talvez o mais controverso dos impactos possíveis. Se não se pode dizer com 100% de certeza que esses furacões foram causados exclusivamente pelo aquecimento global, há indícios fortes na comunidade científica de que num mundo aquecido, a força das tempestades formadas no mar e seus ventos se tornará imprevisível e potencialmente mais destruidora. Ou seja, elas poderiam até não aumentarem em quantidade, mas aumentariam em "qualidade". 

Mas existem cerca de 30,000 fenômenos registrados desde 1970 no planeta em que o impacto do aquecimento global já foi observado e medido. Esses impactos, agudos ou crônicos, irão aos poucos delinear o futuro mundo em que viveremos. É com o angariamento desses dados que a gente melhora nosso poder de previsão do que vem pela frente. 

Um bom exemplo é o derretimento do gelo nos pólos. No ano passado, o Ártico derreteu a níveis assustadores, nunca vistos antes na história das medições. (Você pode ver um mapa interativo excelente do NYTimes sobre esse vai-e-vem do gelo no Ártico para entender melhor.) Ao ponto de já haver expulsado moradores de algumas cidades no Alaska, com medo de "afundarem" pelo derretimento da camada permanente de gelo, o permafrost.

Na Antárctica, a situação não é muito diferente. Com o derretimento, vem sendo liberado para a atmosfera também quantidades inomináveis do pesticida DDT, de décadas passadas. O derretimento já é tão previsível que o Google Earth adicionou uma camada de "derretimento" ao seu programa baseado nos números amealhados pelos cientistas. Não só o gelo dos polos derrete. Nos Alpes, no Himalaia e nos Andes, há confirmação de que é visível (até do espaço!) e acelerado o derretimento das geleiras - e com isso mais água desce cordilheira abaixo. Portanto, a continuar nesse ritmo, teremos mais gelo derretido, e consequentemente, mais água nos mares, o que acarreta a grosso modo o aumento do nível dos oceanos. 

O aumento dos mares é, aliás, outro impacto já registrado. Em média, o aumento do nível do mar desde a última glaciação há alguns milhares de anos é de 1.8mm/ano. Desde 1992, o IPCC registrou um aumento médio de 2.8mm/ano - ou seja, existe um fator a mais elevando os mares. Há ilhas na Índia que já foram evacuadas por causa da elevação do mar, e outras áreas, como ilhas do Pacífico e na costa do sudeste asiático, vêm vivenciando o problema diariamente, através de perda dessa área costeira e da inundação de locais antes "em terra". No Brasil, o aumento do nível do mar já foi registrado, mas aparentemente pouco aconteceu em termos de ameaça - pela falta de dados mais robustos, diga-se de passagem. 

Os impactos que vemos, registramos e estudamos são para as temperaturas atuais de aquecimento global já medidas - ou seja, uma média de aumento de 0.25˚C por década. Entretanto, os cientistas começam a se debruçar em busca de previsões/soluções para um mundo com diferentes graus de aquecimento em poucas décadas - uma realidade que parece não estar distante se mantivermos o atual nível absurdamente alto de emissão de CO2 na atmosfera. Com 1˚, 2˚, 3˚ e até 6˚C a mais, o que acontecerão com ecossistemas, populações, cidades? 

O artigo do link acima é uma resenha do livro do Mark Lynas "Six degrees: Our future on a hotter planet". A situação que Lynas traça grau a grau por ano de aquecimento é: 

- 1 grau: enchente das áreas costeiras baixas; água doce perdida em 1/3 das regiões; polos derretidos. 

- 2 graus: europeus morrerão em ondas de calor absurdas; mais incêndios selvagens; 1/3 da biodiversidade ameaçada de extinção; as plantas começarão a emitir CO2 ao invés de absorver, devido ao stress. 

- 3 graus: morte da Amazônia como floresta; fome na África aumenta; super-tufões e super-furacões mais comuns; CO2 será liberado do solo derretido e aumentará a velocidade do aquecimento global. 

- 4 graus: Permafrost todo derretido torna aquecimento global impossível de ser administrado; enchentes severas que tornam inabitáveis áreas costeiras; região mediterrianea abandonada. 

- 5 graus: polos sem gelo totalmente; metano é liberado dos oceanos e acelera ainda mais o aquecimento; humanos migram atrás de comida em vão. 

- 6 graus: só os fungos sobrevivem. Vida humana se torna quase impraticável. (Será que a gente se adapta?)

(O detalhe é que o autor do artigo adverte para o fato de que 5 graus é o tipping point, ou seja, o ponto teórico de não-retorno do sistema. É quando não vai dar mais para reverter situação alguma.) 

Os cenários dados por esse livro em particular são catastróficos - embora eu não os considere muito longe da realidade plausível. Mas em geral, os cenários variam de acordo com a temperatura e com o foco de pesquisa de cada um que se propõe a falar sobre o tema. Esses cenários costumam ir desde amenidades a verdadeiras catástrofes e, é claro, assumem que nada faremos para evitar o problema. Cabe ressaltar aqui que diferentes problemas têm também diferentes pontos irreversíveis. Ou seja, se para os mares um aumento de 1˚C já é suficiente para um estrago no ecossistema marinho, precisam-se 3˚C de aumento para a Amazônia se tornar uma área desértica. Se lembrarmos que a chance de evitar um aumento de 1˚C na atmosfera é ZERO, ou seja, inevitavelmente isso vai acontecer nas próximas décadas, trabalhar nesse tipo de previsão de como será o mundo aquecido é simplesmente fundamental. Não só para pesquisadores, mas também para governos, instituições, populações - enfim, para todos que habitam este planetinha azul.

É preciso acumular mais dados para dar mais robustez às decisões a serem feitas. Mas é também preciso pensar em estratégias eficientes agora, mesmo sem esses dados, que evitem a piora das condições de vida das 6 bilhões de pessoas e das incontáveis espécies animais e vegetais que sofrerão com o aquecimento global. Dada a desigualdade econômica que vivemos, é preciso pensar em estratégias que desloquem recursos de áreas mais ricas para as mais pobres, que sem dúvida sofrerão mais. Num mundo globalizado, apesar da estratificação, os impactos do aquecimento também são globalizados e a gente precisa se unir para encararmos juntos, de frente, sem fuga por negação, cada um fazendo a sua parte, esse novo estilo de vida quente

Como bem disse o pesquisador Donald Brown, da Pennsylvania University, citado num post do Dot Earth

"A natureza do risco associado às mudanças climáticas é enorme, e usar a incerteza estatística como uma desculpa para nada fazer é eticamente intolerável".
Para mim, ele disse tudo. E para você? :)

Através da Portaria nº 37-N, de 3 de abril de 1992, o IBAMA tornou pública a lista oficial de espécies da flora brasileira ameaçada de extinção.

A preocupação com a intensa degradação da biodiversidade e dos ecossistemas tem  levado  você a refletir um pouco sobre o hábito, aparentemente tão inofensivo, de enfeitar as nossas casas e propriedades com as plantas da flora nativa? Preocupação, sim, pois a devastação da flora é causadora de vários problemas ambientais, como a perda de muitas, muitas mesmo (veja a lista acima), espécies de grande importância econômica, estética, científica, genética e ecológica.

Escolhi falar sobre as bromélias, tão comuns nos jardins e nas praças, e que estão ameaçadas de extinção. Elas fazem parte de uma família de cerca de 3 mil espécies. Mas, não só a ornamentação (que traz grandes lucros  aos comerciantes e estimula a coleta predatória) é responsável por esta ameaça  de extinção das bromelias. Há também a devastação de seus habitats naturais, por aqueles que a julgam proliferadora de insetos responsáveis pela transmissão de doenças como a malária e o dengue.

Felizmente, há pessoas do Bem, como o produtor Rogélio Dosouto, proprietário do Viveiro Adônis, no Parque Cerros Verdes, na região da Serra da Cantareira, em São Paulo (SP), que, além de produzir diversos tipos de plantas ornamentais e árvores nativas para reflorestamento, tem se interessado pelas bromélias. Em 1994, começou a desenvolver técnicas para a multiplicação de bromélias.

Pesquisas como estas são importantíssimas, pois, as mudas produzidas em viveiros é uma alternativa para diminuir, e , quem sabe, acabar, com a coleta predatória e desvastadora do ambiente. Assim, os paisagistas e consumidores, como nós, que desejamos proteger nosso habitat, não temos mais desculpas pela extração das espécies das matas. Isso demonstra uma atitude ecoconsciente, pois as bromélias exercem importante papel no equilíbrio ecológico, como alimento, moradia e refúgio para inúmeros seres vivos - desde protozoários até mamíferos.

Pois é, pessoal, a nossa consciência ambiental precisa estar acima da moda de fazer jardins em nossas propriedades, e nos fazer lembrar sempre que , devido à grande procura de mudas de flores, principalmente as bromélias, a mata nativa corre grave ameaça de extinção de várias de suas espécies. Por lei, apenas o comércio de bromélias cultivadas em viveiros é permitido; extraí-las da mata é ato punível com apreensão da planta e multa que pode chegar a 50.000 reais.  Será que é necessáirio medidas tão severas para que as nossa  flora seja protegida?

Vamos, sim, cultivar nossas plantinhas, mas com mudas legais, ouviram! Não há necessidade de se depredar a natureza. Casa linda e natureza preservada é algo que precisa ser bem equilibrado. Então, da próxima vez que nós formos comprar uma muda de planta, seja ela bromélia ou outra espécie, tenhamos o cuidado de observar a procedência dela, fazendo, assim, a nossa parte para preservar as plantas que estão ameaçadas de extinção, está certo?

Fonte:
Espécies da flora ameaçadas de extinção - IBAMA
Bromélias preservadas - Jardim de flores
Imagem: Bromelia

Vem aí a Blogagem Coletiva do Dia Mundial do Meio Ambiente,
promovido pelo Faça a sua parte!
Dia 5 de junho - Participe!

Fralda descartável é bom? Sem dúvida!

Fralda descartável é ruim? Sem dúvida!

Fralda de pano é bom? Sem dúvida!

Fralda de pano é ruim? Tenho minhas dúvidas. Aliás, não as tenho. Como pai que trocou, lavou e passou muitas fraldas de pano da filha, creio que falo sentado na experiência e não apenas no achismo, tão comum em algumas das mulheres de hoje. Dos homens sequer falo, pois boa parte sequer as descartáveis deve trocar.

O foco deste post não será a praticidade, o menor preço, ou sequer o mal que, comprovadamente, as fraldas descartáveis causam ao meio ambiente. O problema causado ao meio ambiente pelas fraldas descartaveis, por exemplo, é facilmente contornável a partir do momento em que a indústria se sentir pressionada, ou quando - e isso é o que importa no final das contas - a produção de fraldas descartáveis biodegradáveis tornar-se economicamente interessante para elas. Ponto. Não é a natureza que preocupa.

O que realmente preocupa é o como as pessoas se colocam diante de uma alternativa. Temos, aí, um problema muito mais sério do que se possa imaginar, pois diz respeito ao modo como as pessoas foram doutrinadas a viver. E a grande maioria sequer se dá conta de que foi doutrinada, tomando para si argumentos vendidos pela publicidade. E não falo da publicidade de produtos, mas da publicidade que vende "estilo de vida". Sim, pois por trás de cada produto, como se sabe, o que se vende é um "modo de ser", um "pertencer" a certa classe, um "colar na própria testa" uma etiqueta com os dizeres "sou moderno(a)" e, com isso, satisfazer um ego já enfraquecido pela falta de uma educação, que permita estabelecer valores próprios, e um ego necessitado de apoio social. Carência, essa, também vendida em abundância pela mídia...

Falta de tempo? Trocar uma fralda de pano gasta quase o mesmo tempo se a pessoa souber se organizar. Uma passadinha na descarga para tirar o grosso (n. 2) e molho. Depois o trabalho é das máquinas de lavar e secar. Passar é uma barbada. Sequer precisa deixar de ver a novela (é, tem gente que reclama da falta de tempo, mas passa muito tempo na frente da televisão sem fazer mais nada... como disse, o problema não está nas fraldas...).

Talvez um grande problema a ser enfrentado esteja nas creches. Mas até esse, com uma boa conversa, se resolve. O que não se resolve - ou é muito difícil de resolver - é a falta de consciência ambiental das pessoas.


A Ana Paula postou aqui e no blog dela sobre fraldas de pano. A Lucia Freitas também já postou sobre o assunto no blog da joaninha. É um assunto polêmico. Fui comentar lá no blog da Ana Paula, e resolvi trazer o comentário pra cá, na forma de post, para alimentar o debate.

 

Então, quando uma mãe fala em usar fraldas de pano nos filhos, a primeira reação é sempre essa: "Ai, que retrocesso, Deus me livre!" Mas eu sei que, depois que algo vira rotina, a gente passa a não achar tão complicado. Experiência própria.

 

Pra começar, eu acho essencial que a gente deixe de lado essa resistência a mudanças. Porque, se a gente não mudar, a verdade nua e crua é que a humanidade vai ficar sem condições de sobrevivência. É só ter bom senso para ver isso. Sério. Eu adoro um conforto, adoro consumir, adoro andar de carro e outros pecados mais. Adorava longos banhos bem quentinhos. Adorava não precisar ficar carregando sacola de feira pro mercado.

 

Hoje, o gesto de levar as minhas sacolas pra fazer compras e o de desligar o chuveiro pra tomar banho são naturais. Virou rotina. Não acho isso estranho como achava há um, dois anos. As metas pro próximo ano são usar produtos de limpeza cuja química não agrida o meio ambiente e andar menos de carro. E agora já sei que isso vai virar rotina também, aí posso definir novas metas.

 

No início, pode ser que a rotina da mamãe que optar pelas fraldas de pano fique meio confusa, mas ela vai descobrir um jeito de usar as fraldas de pano sem ficar maluca, eu tenho certeza disso. Pensem nisso: as nossas mães usaram fraldas de pano na gente! Alguém morreu por causa disso? E, olhem, as fraldas não eram práticas como as de hoje. Peçam dicas às mães e avós, aposto como elas têm truques ótimos para lavar fraldas sem enlouquecer.

 

Eu vejo as pessoas levantarem, basicamente, três tipos de problemas referentes às fraldas de pano: tempo, preço e gasto de água. Vamos lá.

 

1) Tempo. É preciso definir uma rotina (hahaha, quem lê até pensa que sou uma pessoa organizadíssima!). Qualquer coisa, depois que entra pra rotina, fica fácil. Eu, por exemplo, decidi, há uns quatro anos, que começaria a usar absorventes de pano (conheçam os aBIOsorventes aqui). Achei que tava me metendo na maior roubada, mas decidi que tinha que experimentar, afinal eu já tinha poluído o ambiente com meus absorventes nos ciclos anteriores e também com as fraldas descartáveis das meninas (eu disse que tenho meus pecados, eu sou normal, gente!). Putisgrila, lavar tudo... Mas, enfim, não é tão difícil. Pior realmente é nos 2 primeiros dias, em que o fluxo é mais forte e eu tenho cólicas. Mas deixo de molho num baldinho com tampa por um ou dois dias, depois passo para um molho com sabão em pó (e tô pesquisando sobre os ecológicos, pra não poluir sem necessidade) e bicarbonato de sódio (gente, descobri há pouquíssimo tempo que o bicarbonato é ótimo pra deixar roupas encardidas de molho: uma colher de sopa para um balde, experimentem!). Depois vai tudo pra máquina de lavar. Pronto, limpinhos pro próximo ciclo. Só não pode água sanitária, porque não é um produto bom pro ambiente nem pro pano, vai corroendo as roupas aos poucos. Quando a minha caçula fez o desfralde, o bicho pegou, porque ela fazia xixi e cocô na roupa direto. Solução? Não, eu não voltei a comprar fraldas descartáveis pra ela. Quando era xixi, ia direto de molho pra depois entrar na máquina de lavar. Quando era cocô, eu segurava a calcinha na privada e dava descarga. A calcinha já ficava sem o excesso de cocô, que ia embora (tchaaau, cocô!). Aí dava uma esfregada rápida, depois punha de molho pra ir pra máquina com o resto da roupa. Não é difícil. Mesmo. Depois, eu já estava mesmo com a consciência pra lá de pesada por ter usado fraldas descartáveis nas meninas.

 

2) Preço. Gente, eu não sou boa de matemática e tenho a maior preguiça de fazer contas, mas precisamos pôr isso na ponta do lápis! Façam as contas não referentes a um mês, mas ao período todo de uso das fraldas. As fraldas de pano representam um investimento inicial maior, mas depois você pára de comprar! É claro que sai mais barato. E é claro que uma unidade de um produto artesanal, de algodão, vai custar mais do que uma unidade de um produto industrializado. Mas imaginem quantas fraldas descartáveis uma fralda de pano substitui! O investimento tem retorno rápido. Essa questão é indiscutível. E, como eu disse, nunca fui boa de matemática.

 

3) Gasto de água. Não tenho dados concretos, mas tenho bom senso. Qualquer processo industrializado representa um gasto de água enorme. Tenho certeza de que uma fábrica de fraldas descartáveis gasta muito mais água do que a lavagem das fraldas de pano em casa, mesmo somando a água gasta na hora de dar aquela descarga básica, a água gasta pra dar uma esfregada rápida na fralda, a água gasta pra deixar de molho e a água gasta no ciclo de lavagem da máquina.

 

E, olha, numa boa: precisamos mudar nossa mentalidade! Vivemos num mundo descartável, e essa é uma situação insustentável. Em poucos anos, nós poluímos muito mais do que várias gerações de antepassados juntas. Se queremos manter um certo grau de conforto em nossas vidas, se queremos que nossos filhos e netos vivam bem, precisamos parar de pensar em soluções fáceis e imediatistas. Esqueçam esse conceito de "jogar fora", como diz o pessoal lá do Akatu. Isso não existe! Nós estamos "jogando dentro", porque o lixo está todo aqui, dentro desse nosso mundinho com espaço limitado. Só porque vai lá pro aterro sanitário e a gente não vê, não quer dizer que sumiu. Pensem nisso com carinho.

Parte um: qual o tipo de representação que queremos?

É bastante difícil resumir em poucas palavras todas as impressões deste grande encontro. Podemos dividir em três momentos: a aprovação do regimento; os grupos de trabalhos e a plenária final. O regimento é o conjunto de regras da conferência, elaborado pela comissão organizadora e que deve ser referendado em plenária. 

O primeiro conflito: aceitar ou rejeitar os critérios de aprovação de moções, da revisão das propostas, da participação e da aprovação do texto final.  Para isso, o texto é lido item por item, e discutido com toda a plenária. É um processo lento, cansativo, que demanda horas e paciência de todos os presentes - Delegados eleitos nos processos municipais e estaduais.

Com tanta diversidade, é claro que é um procedimento sujeito a problemas...  

Um exemplo: uns dos itens mais polêmicos foi o fator quórum mínimo - sempre presente no processo democrático.

O regimento apresentava como proposta de quórum mínimo 50% mais um dos inscritos na conferência. Devido ao processo extenso, nem todos conseguem permanecer até o final; o que acontece: nos momentos decisivos, apenas poucos estão presentes.

O que fazer? Por um lado, realmente não é representativo que, de 1200 delegados, menos de 50 decida pelos rumos da conferência. Por outro lado, se apenas essas poucas pessoas estão interessadas no processo, por que as outras 1000 vieram? Devemos invalidar o processo? Claro que o processo fica prejudicado, mas ele acaba sendo levado adiante, seguindo o preceito de que a "plenária é soberana".

A legitimidade é o fator mais importante a ser analisado em uma conferência. É ele que vai dizer se tudo o que está sendo feito ali deve ser levado em consideração ou não. Mesmo sendo aclamado como uns dos principais exemplos de democracia participativa, ainda são representantes eleitos em suas comunidades que participam do processo. Como não há um fator eqüitativo desse processo, cada comunidade escolhe em si os critérios de representação. Alguns parâmetros já são universalizados - como as categorias de representação: gênero, tipo de organização, unidade federativa, bacia hidrográfica; movimentos representativos - mas os procedimentos locais são independentes.

Deste modo, como podemos garantir a qualidade da representação?   

Como veremos mais adiante, esse é um dos grandes problemas e ao mesmo tempo a principal qualidade desse tipo de processo democrático...

 

Parte dois: a maravilhosa essência do processo

São cerca de mil pessoas, de todos os estados da União, eleitas democraticamente em seus municípios como representantes da sociedade civil organizada, do poder público e do setor empresarial local para decidir os caminhos da política pública de mitigação e adaptação das ações do ser humano às mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global.

Mais de 500 propostas tiradas dos estados são debatidas nos grupos de trabalho para a produção do texto a ser aprovado na plenária final. A partir daí, o processo continua com a apresentação das propostas ao governo federal, que deverá levar em consideração para a elaboração do Plano Nacional de Mudanças Climáticas.

Povos indígenas, representante de quilombos, povos caiçaras, caipiras e sertanejos de todo país; homens e mulheres de todas as cores, etnias, movimentos e ideologias imagináveis; estudantes, sindicalistas, donas de casa, lavradores, pequenos empresários, líderes comunitários, políticos e intelectuais - todos se identificando apenas como ambientalistas - deste país participando da elaboração dos caminhos ambientais do Brasil.

A sensação de poder popular exala de todas as conversas nos almoços, nos transportes, nos bares como uma ilha espaço-temporal dentro do gigantesco poder político e econômico dominante na capital da nação. A não ser por raríssimas exceções, o consenso domina todas as discussões; as votações são, em sua maioria, por aclamação; não há realmente nenhuma crítica formal ao processo; Todos estão interessados na construção coletiva e participam nesta direção.

Para compreendermos a relevância desse processo, Destaco aqui um trecho de uma nota publicada na Folha online de ontem - 10/05/2008:

 

"Brasil atrasa plano contra aquecimento global

AFRA BALAZINA
Enviada especial da Folha de S.Paulo a Brasília

O Plano Nacional de Mudanças Climáticas, aguardado para meados deste ano, só deve ser concluído em novembro. A afirmação é da secretária nacional de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Thelma Krug. O atraso contraria determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O decreto 6.263, de novembro de 2007, estabeleceu que a versão preliminar do plano deveria estar pronta até o último dia 30, o que não ocorreu.

O plano vem sendo prometido desde setembro de 2007, quando Lula anunciou nas Nações Unidas que o país o adotaria. Porém, de concreto até agora só se sabe que ele terá quatro eixos: adaptação, mitigação, pesquisa e desenvolvimento e divulgação e capacitação.

Uma de suas maiores novidades, a idéia de usar dinheiro do Fundo de Compensação do Petróleo em ações de mitigação e pesquisa, está em discussão no Executivo, mas também não tem data para ser enviada ao Congresso. Krug diz que a mudança na lei não deve ocorrer antes da conclusão do plano.

Segundo ela, para que o plano seja de fato nacional --e não federal, fruto de decisões apenas dos ministérios-- é necessário abrir espaço para a participação regional, de Estados e municípios. Com isso, o processo é mais demorado.

"Um plano federal você pode construir através dos ministérios. E é claro que vai ter essa visão no plano. Mas, para torná-lo nacional, é preciso trazer essas regionalidades", diz ela."

Atraso perfeitamente justificado - ponto para o governo.

O ambiente - e o meio ambiente também - é tomado por uma maravilhosa e impressionante sensação: a vitória da Democracia Participativa.    

 

Parte três: a lógica da desordem

O saudoso Milton Santos marcou os estudos do desenvolvimento urbano identificando de forma exemplar a dinâmica social dos agrupamentos urbanos, usando como objeto de estudo a cidade de São Paulo. Arrisco aqui cometer certos erros teóricos, mas gostaria de usar este exemplo para ilustrar o desenvolvimento da plenária final, o ponto alto de todo encontro.

Assim como é impossível controlar todos os processos de urbanização de uma cidade, devido à dinâmica social extremamente mutável, do mesmo modo não é possível controlar todos os processos de debate em torno da formulação de políticas públicas. Por quê? Porque o ser humano é uma curiosa invenção em desenvolvimento!

Muitos consideram esse processo de conferência uma farsa: um encontro de ignorantes aparelhados por entidades vinculadas a interesses políticos específicos. Há suspeitas de irregularidades de todos os tipos: pessoas que participam no lugar de outras; preferencialismo; mau uso do dinheiro público; falsificação de assinaturas em atas e moções. O regimento possui brechas que permitem desrespeitá-lo à todo momento; muitas decisões são resolvidas no grito, e debates quase se transformam em agressões físicas; a maioria dos delegados passam mais tempo passeando e se divertindo que participando das discussões - atitude até certo ponto justificada pelo fato de as discussões se tornarem verdadeiros martírios mentais intermináveis (imagina corrigir de um texto de 500 páginas junto com outras dezenas de pessoas? Até parece feito de propósito para afastar as pessoas); complementando esse fato, no final umas poucas pessoas se legitimam a decidir por todos os ausentes - claro que ignorando o quórum mínimo. Desde as conferências locais esses problemas se repetiram, assim como se repetem na esfera da democracia representativa - quando elegemos vereadores, deputados, prefeitos, governadores e presidentes.

Alguns são problemas graves; outros nem tanto. Não tenho a intenção, de forma alguma, fazer denúncias ou desqualificar o processo, até porque, mesmo que quisesse, não teria poder para tal; mas é importante fazer uma avaliação sincera do processo para se entender a origem dos problemas e se buscar a solução. Na política infelizmente não temos processos perfeitos, assim como em todas as esferas - das sociais às pessoais - está presente a corrupção. E isso inclui a todos. O diferencial está na capacidade de reconhecermos nossas falhas pessoais e sociais em busca do melhoramento constante. É assim que o ser humano evolui em sociedade - ou pelos menos poderia ser assim. Isso, por si só, já justifica e qualifica positivamente todo o processo.

A Conferência Nacional é o ponto alto do processo de conferências, que começou nas discussões locais em cada município (em alguns casos em cada bairro). A plenária final é o clímax do encontro, onde todas as qualidades positivas e negativas se tornam evidentes - como não poderia deixar de ser.

É verdade: A plenária é realmente soberana.

Para todos os participantes, são três dias de extremo cansaço, mas de uma satisfação extasiante - a relação íntima com o processo democrático. Qualquer semelhança com qualquer é mera coincidência.     



We Are What We Do é uma ONG inglesa, mas já se espalhou por outros países. Começou como um projeto de caridade e se transformou num movimento que busca inspirar as pessoas a usar seus pequenos hábitos diários para mudar o mundo.

Eu particularmente, compartilho da filosofia deles que acredita em pequenas ações que mudam não apenas o cotidiano de cada um, mas também o meio-ambiente, o bem-estar e a comunidade. Se o sistema político e econômico em que vivemos só nos decepciona, cabe a cada um buscar ser a "mudança" e contagiar todos.

Atos simples que fazem bem pra você e de quebra ajudam os outros e o planeta como escrever para um blog e espalhar a idéia, dividir um banho, ver menos TV... Algumas podem até soar meio piegas como "querer ser mais, do que ter mais", lembrar os nomes das pessoas e não ser um "assassino de idéias", mas se você parar para pensar: preocupar-se com o mundo é preocupar-se com os outros, querer que todos estejam bem num futuro não muito distante.

Pois como o nome do movimento diz, "nós somos o que fazemos" e o que adianta você ser o campeão da coleta seletiva se é um grosseiro no trânsito ou desrespeita os mais velhos?


Veja a lista completa aqui (em inglês).

Não dá para ficar parado. Você vai ficar?

Enquanto nós ficamos parados, outros planejam, sorrateiramente como sempre fazem, mais uma onda de destruição das nossas florestas. Está em votação o Projeto de Lei 6424/2005, de autoria do Deputado Flexa Ribeiro (PSDB-PA) que autoriza um dos maiores crimes ambientais a ser cometido na história do Brasil.

Você vai ficar parado?

Enquanto nós ficamos parados, outros colocam no mercado produtos contendo transgênicos sem aviso no rótulo, em total desacordo com as leis. Ferem mortalmente nosso direito a um consumo consciente.

Você vai ficar parado?

Enquanto nós ficamos parados, outros tantos sequer aceitam que o aquecimento global é uma realidade. Alegam que os estudos não são conclusivos, que "não é bem assim", e seguem, em prol do crescimento das suas economias, produzindo GEE. Afinal, o que vale é o "aqui e agora". O futuro que se dane!

Você vai ficar parado?

Quer mais exemplos? Crescimento populacional descontrolado? Roubo da nossa flora e fauna? Há uma lista interminável de exemplos...

Nós, do Faça a sua parte, não ficaremos parados. E queremos que você se mexa. Que mexa os dedos e participe da 1º edição da série "Debates Ambientais do Faça a sua parte". Todo ano, no período de 22 de maio a 14 de junho, o Faça a sua parte promoverá debates sobre as questões do meio ambiente. E, no dia 5 de junho, acontece a blogagem coletiva para comemorar o Dia Mundial do Meio Ambiente.

Uma blogagem coletiva inédita. Serão duas semanas para preparar, com debates, a blogagem coletiva para comemorar o Dia do Meio Ambiente. Participe com seus comentários ou posts em seu blog sobre algum dos temas propostos. Debata, converse, troque idéias. Participe. Mas lembre-se: no dia 5 de junho não deixe de participar da blogagem coletiva do Dia Mundial do Meio Ambiente.

Mas não pára por aí. Do dia 6 até o dia 14 continuaremos debatendo, agora com as diversas contribuições realizadas no dia 5.

Veja a programação para 2008:

MAIO

22 e 23: Biodiversidade: sem flora e sem fauna?
24 e 25: Cerrados: bioma ou necroma?
26 e 27: Florestas, até quando haverá uma?
28 e 29: Educação Ambiental: a quem educar?
30 e 31: Aquecimento Global: mito ou realidade?

JUNHO

01 e 02: De quem é a culpa: do Legislativo, do Executivo, ou nossa?
03 e 04: Meio Ambiente Humano: somos parte da natureza?
05 e 06: Blogagem coletiva sobre o Dia Mundial do Meio Ambiente
07 e 08: Mar: Origem da vida?
09 a 12: Tecnologia e Meio Ambiente: há futuro na ciência?
13 e 14: Consumo sustentável: o que e como fazer?


Participe conosco. Traga suas idéias e conhecimentos. Faça a sua parte ou...

Você vai ficar parado???

 A Guerra Perdida: O dilema  de Dona Eulália

O governo divulga a queda da taxa de desmatamento da Amazônia; a oposição contesta os dados, dizendo que são números parciais, e não absolutos. As organizações ambientais se manifestam pelo fato de existir um taxa de desmatamento e (não de reflorestamento...). E o agricultor, que retirou árvores na ignorância de ter aumento em seu sustento - afinal, são tantas por aqueles lados que ninguém vai ligar se tirar algumas - vai preso pela Polícia Federal,  enquanto  que  a madeira de lei da Amazônia  atinge altos preços no mercado internacional.

Quem detém a verdade?

Não podemos nos perder em um simples jogo de mocinhos e bandidos, e sim trabalhar para identificar e reverter um intenso e histórico processo de desinformação (intencional ou não) responsável por tão diferentes visões - oriundas de diferentes valores e formando diferentes pontos de vista.

Na cidade não é diferente. Quem nunca reclamou daquele "mato" perto de casa, fonte de vetores de doenças (animais), mal cheiro (decomposição ou lixo) e até violência (seres humanos de piores intenções)? Claro que não podemos chamar um terreno baldio de "ambiente natural", mas sabemos que esse tipo de reclamação leva a um só tipo de atitude: a eliminação do "mato", do "esgoto", daquela árvore que suja a calçada com suas frutas.

No ambiente urbano, sabemos que cada árvore faz uma diferença danada. Na Floresta Amazônica, podemos ampliar essa escala em milhares de árvores, e não sairemos do mesmo conflito: pode a preservação ambiental e o desenvolvimento dos seres humanos coexistirem?

Em primeira análise, a questão parece até simplista - até ridícula - mas é bastante complexa.
 
Veja o caso de dona Eulália:

Dona Eulália foi uma antiga vizinha, que não gostava de minhas árvores. Sempre que alguma atravessava em parte o espaço aéreo de seu quintal, lá estava a tesoura para podá-la. Ela tinha um quintal enorme, totalmente cimentado, ainda com troncos de antigas jaqueiras servindo como apoio de vazinhos de plantas. Seu gosto por flores era evidente; cuidava de uma infinidade de azaléias, jibóias, margaridas e marias-sem-vergonhas. Era super-organizada, mantinha o quintal limpo, as plantas podadas e regadas pelo menos três vezes por semana.     

Mas quanto às árvores, nenhuma sobrevivia: nem no quintal, nem na frente de sua casa. Não era maldade; simplesmente não gostava da sujeira que a arvore fazia.  

Numa bela manhã, estava saindo de casa e me deparei com Dona Eulália arrancando com as duas mãos a muda de Pata-de-vaca (nativa do cerrado, bioma do qual a cidade de São Carlos, interior de São Paulo - minha morada na época) que nascia sem pedir autorização em sua calçada. Aliás, nascida de uma semente originada da "minha" árvore.

Tive que intervir. Falei sobre a importâncias das árvores, a diferença conceitual entre "mato" e "vegetação", dentre outras coisas ambientalistas de praxe. A resposta de Dona Eulália: "Olha aqui meu lilho, sei que você trabalha nesse negócio de natureza, mas me desculpe. Morava com meu pai em uma fazenda quando essa cidade era uma grande roça; e esse tipo de planta nascia em todos os lugares. É uma praga. Nem fogo segura essa desgraça: parece que a árvore morre, mas é só chover que nasce de novo. E essas plantas atraem insetos, que atraem pássaros, que fazem cocô na minha janela! Sem cabimento. E os morcegos e ratos? Ugh, não posso nem pensar!"

Tentei argumentar com ela, no sentido de esclarecer alguns pontos de minha visão de mundo, com o intuito de transformar essa visão equivocada em relação à natureza. Foi em vão. No final, apenas pedi que me desse a muda arrancada para plantar em meu quintal.  

A Pata-de-vaca é uma árvore de crescimento rápido: dois anos depois já fazia sombra em meu quintal (a muda já era grande...).

Então, em um belo e quente dia, encontro novamente Dona Eulália na calçada, desesperada com o calor de sua casa. "Está um inferno!" bradava ela, suando em bicas e abanando-se ruidosamente. Sem hesitar, lembrei do caso da árvore e imediatamente a convidei para um suco à sombra da árvore. Ela, de pronto, aceitou.

Havia uma mesa no quintal, e nos alojamos nela. Dona Eulália comentou: "essa árvore é nova? Não havia reparado nela antes."

"É agora", pensei - já sentindo o sabor da vitória. A lembrei do ocorrido,  identificando a árvore para que ela pudesse perceber a falta que esta fazia em sua casa. Admirada, ela reconheceu que havia sido um erro arrancá-la. Expliquei sobre o aquecimento do planeta, as ilhas de calor nas cidades e da importância das ávores na manutenção de um clima fresco. Neste momento, o inusitado aconteceu. Um colorido tucano pousou em um galho acima dela. Não houve tempo de avisá-la. Algo verde e cinzento caía em seu ombro, para sua perplexidade. Gritando, Dona Eulália espantou o tucano evusivamente, e praguejando horrores deixou meu quintal sem se despedir.

Dia seguinte, a ávore em frente a minha casa foi misteriosamente cortada.

Não tenho a intenção de incentivar nehuma idéia pessimista com essa história - nem dizer sobre o certo e errado.

Em pequena ou grande escala, essa é a batalha que enfrentamos: Uma guerra de valores. Se milhões de hectares ou apenas uma, a diferença está apenas no poder de quem tem a visão: abrir mão de valores em favor do equilíbrio natural ou  privilegiar valores humanos em detrimento destes.

E sabe-se que, em uma guerra entre nós e a natureza, definitivamente perderemos.

Yu, o Grande, líder da dinastia Xia na China, disse há 4000 anos:

"Aquele que controlar o rio Amarelo, controla a China."

O rio Amarelo fornece água para um terço da população chinesa, é considerado biologicamente morto em 50% do trajeto e ironicamente, suas nascentes (e áreas mais limpas) estão... no Tibet. A National Geographic, nessa reportagem de 9 páginas indispensável e maravilhosa, mostra algumas das nuances que podem estar por trás da voracidade chinesa pelo Tibet: o controle do fornecimento de água, principal garantia de sobrevivência da potência chinesa pós-hecatombe ambiental que ela mesmo vem criando.

Uma das reportagens mais comoventes que li nos últimos tempos. É minha dica de leitura pro feriado aos que passam por aqui.

Enjoy!

selinho feito por Wagner Tamanaha


Quando o Wagner fez o selinho aí em cima para a blogagem coletiva do dia da Terra, surgiu uma discussão entre os membros do Faça a sua parte sobre o que estas imagens sugeriam. Segundo o próprio Wagner, a idéia era mostrar um contraste entre o excesso de consumo de produtos industriais (sacos plasticos) versus meio ambiente (agua viva). Lembrei-me, então, de que a Lucia Malla tem, constantemente, dado depoimentos incriveis sobre a devastação que as sacolas plásticas fazem nos mares. Pensei então, que devíamos fazer um post sobre este assunto.

O plástico é um dos lixos mais difíceis de se decompor no ambiente, e um dos que mais contribuem para a poluição de muitos ecossistemas. O plástico das sacolinhas, geralmente brancas ou transparentes, acaba, quase sempre, indo para o lixo, e, muitas vezes, termina no mar, onde flutua parecendo uma água-viva.

A tartaruga-de-couro, segunda espécie marinha brasileira mais ameaçada, de acordo com a International Union for Conservation of Nature and Natural Resources, se alimenta de águas-vivas, e, ao verem o plástico transparente flutuando, comem-no por engano e acabam morrendo 'entaladas', como descreve a própria Lucia, em sua andanças pelos mares.


É bom revermos nossas ações em relação ao destino que damos às sacolas plásticas que insistimos em levar para casa (são grátis) e usar como sacos de lixo. Já existem sacolas de lixo biodegradáveis, o que não justifica o uso destas terríveis sacolinhas. Pior ainda, é deixá-las espalhadas pelas praias, trilhas e outros ambientes em que elas, definitivamente, não deveriam estar.

imagens:
autopsia mostra tubo de plástico dentro da tartaruga
tartaruga entalada com saco plástico

eday5

O dia 22 de abril está aí. Não será apenas mais um dia de postagem coletiva do Faça a sua parte. Nem deveria. Afinal, pisamos nela todos os dias. A questão é: como pisamos?

Nesse 21 de abril, véspera do Dia da Terra, apesar de ser feriado, levante cedo, como sempre faz em dias de trabalho. Mas experimente fazer algo diferente: antes mesmo da higiene ou de tomar o café da manhã, molhe um pouco de terra, um vaso que seja. Respire fundo e sinta o aroma. Pegue um pouco da terra molhada com as mãos. Esfregue. Sinta nos dedos, na palma das mãos. Passe no rosto; sinta como se fosse um beijo.

Coloque um pouco na língua. Não tenha receio! Lembre-se da infância, de quando isso era natural; de quando nada dessa nossa cultura ainda havia sido colocada em você! De quando a natureza e você eram uma coisa só. De quando você e sua mãe eram uma coisa só!

Estranho, né? Pois é assim que somos em relação à Terra. Estranhos. Como num país cuja língua e costumes não entendemos. Nesse feriado, aproveite para sentir a Terra. E depois escreva um post sobre isso. Publique no dia 22.

Escreva sobre a Terra, o que quiser, mas tente escrever, também, sobre os seus sentimentos, sobre o quanto você se sente afastado ou integrado a ela.

Como você pisa na Terra?

Comece agora a planejar o que fará naquele dia e lembre-se de convidar seus amigos, parentes, alunos, colegas de trabalho ou de escola e a sua comunidade a fazerem o mesmo. Apresente uma pesquisa, debata o assunto, prepare uma apresentação ou escreva algo que provoque à reflexão.*

Aproveite o dia 22 de abril para economizar todo tipo de energia e evite qualquer tipo de desperdício ou poluição. Desligue os eletrodomésticos e as luzes; escove os dentes com apenas um copo d'água; não fume nem acenda fogo; alimente-se de frutas e verduras cruas; beba apenas água; não faça compras; deixe o carro na garagem e aproveite para caminhar, possivelmente descalço, sobre a Terra que nos hospeda. Aja lentamente e respire com calma, fale baixo. Use o dia para meditar e descubra as atitudes que podem ajudar a preservar a Terra. E lembre-se: Você faz parte dela.*

Consulte o Calendário Verde do Faça a sua parte. Além de farto material sobre a Terra, você encontrará os posts que foram escritos para o dia da Terra em 2007.

* colaboração do Allan.

Estão participando:

Aline (Sotaque Mix)
Allan (Carta da Itália)
Ana Cláudia Bessa (O futuro do presente)
Andréa N. (Brazil Nut e In other worlds)
Danilo (Tkgeo)
Rede Jornal de Bordo

 

indios_no_rio.jpgA região do Parque Indígena do Xingu é habitada por 14 povos indígenas: Aweti, Kalapalo, Kamaiurá, Kuikuro, Matipu, Mehinako, Nahukuá, Trumai, Wauja, Yawalapiti, Ikpeng, Kaiabi, Suyá e Yudja. Na região do Xingu, contando com a área fora do Parque, há um total de 18 povos indígenas, totalizando uma população de cerca de 10.000 índios. O Parque Indígena do Xingu foi criado em 1961, e a situação dos índios mudou um bocado de lá para cá. Hoje, sem uma gestão mais paternalista, os índios estão enfrentando a necessidade de organizar-se politicamente, em uma ação conjunta com a sociedade civil, produtos e trabalhadores rurais, assentados, movimentos sociais e governos, para poderem lidar com processos externos que afetam a vida na região.

 

Lá não habitam apenas índios, mas também cerca de 270.000 não-indígenas. E a área corre perigo. Desmatamentos e queimadas já fizeram com que várias nascentes secassem. As matas ciliares estão sendo destruídas e ameaçando um corpo d'água tão rico e importante. Se maltratamos o Xingu, morrem os peixes e as plantas, aumenta a erosão, cai a fertilidade, vem o assoreamento e cresce a poluição. É uma ameaça à biodiversidade da Amazônia.

 

Amanhã é Dia do Índio. O Dia da Terra está chegando. Não seria bom se, por um instante que fosse, tentássemos nos aproximar mais do modo de vida indígena, respeitando a terra, protegendo-a para que ela nos dê aquilo de que precisamos para sobreviver, se tentássemos buscar exemplos nas nossas raízes indígenas, aprender algo com esses povos, que já habitavam nossas terras muito antes dos portugueses chegarem?

 

Vamos tentar descobrir novas formas de contato com a natureza. Vamos lembrar que ela é a nossa mãe. E podemos até buscar grandes causas para apoiar.

 

"Quem me dera, ao menos uma vez, fazer com que o mundo saiba que seu nome está em tudo e, mesmo assim, ninguém lhe diz ao menos obrigado." (Índios, Legião Urbana)

 

Assista Índios, do Legião Urbana. 

 

Para saber mais:

http://www.socioambiental.org/pib/epi/xingu/xingu.shtm

http://www.yikatuxingu.org.br

http://www.suapesquisa.com/indios/

http://www.museudoindio.org.br/

http://www.arara.fr/BBTRIBOS.html

O livro Apocalipse Motorizado - A Tirania do Automóvel em um Mundo Poluído pode ser baixado gratuitamente no site da editora Conrad até o dia 30 de abril.

O livro traz uma coletânea de textos que discutem a dependência que nossa sociedade tem com os carros e os efeitos colaterais disso - poluição, dependência do petróleo, expropriação do espaço público comum e a exclusão social. Num dos capítulos, são propostas ações práticas para diminuir essa dependência - andar mais a pé e de bicicleta, usar transporte público, fazer passeios mais próximos de casa, e por aí vai.

O livro é ilustrado pelo cartunista americano Andy Singer, autor do livro CARtoons.

Uma proposta que não lembro se está no livro mas que é levada a cabo todos os anos pelo grupo Rebar, formado em 2004 por um grupo de ativistas, designers e artistas, é o de ocupar vagas de estacionamento nas ruas. O Rebar tenta mostrar às pessoas que não devemos simplesmente aceitar passivamente nossa vida cotidiana e suas relações sociais aparentemente auto-evidentes.

Como funciona essa ocupação? Veja o vídeo.

A iniciativa, batizada de Park(ing) Day, acontece todos os anos em São Francisco (EUA) e em outras cidades do mundo. Este ano será no dia 19 de setembro. No ano passado, Rio, São Paulo e Belo Horizonte participaram, além de outras 47 cidades de todo o mundo. A missão dessa divertida ação é repensar a forma como as ruas são usadas, chamar a atenção para a necessidade de parques urbanos e melhorar a qualidade do habitat urbano humano.

Quer saber como fazer um desses mini-parques urbanos? Clique aqui então!
  terra1

O dia 22 de abril está quase aí. Não será apenas mais um dia de postagem coletiva do Faça a sua parte. Nem deveria. Afinal, pisamos nela todos os dias. A questão é: como pisamos?

Nesse 21 de abril, véspera do Dia da Terra, apesar de ser feriado, levante cedo, como sempre faz em dias de trabalho. Mas experimente fazer algo diferente: antes mesmo da higiene ou de tomar o café da manhã, molhe um pouco de terra, um vaso que seja. Respire fundo e sinta o aroma. Pegue um pouco da terra molhada com as mãos. Esfregue. Sinta nos dedos, na palma das mãos. Passe no rosto; sinta como se fosse um beijo.

Coloque um pouco na língua. Não tenha receio! Lembre-se da infância, de quando isso era natural; de quando nada dessa nossa cultura ainda havia sido colocada em você! De quando a natureza e você eram uma coisa só. De quando você e sua mãe eram uma coisa só!

Estranho, né? Pois é assim que somos em relação à Terra. Estranhos. Como num país cuja língua e costumes não entendemos. Nesse feriado, aproveite para sentir a Terra. E depois escreva um post sobre isso. Publique no dia 22.

Escreva sobre a Terra, o que quiser, mas tente escrever, também, sobre os seus sentimentos, sobre o quanto você se sente afastado ou integrado a ela.

Como você pisa na Terra?

Comece agora a planejar o que fará naquele dia e lembre-se de convidar seus amigos, parentes, alunos, colegas de trabalho ou de escola e a sua comunidade a fazerem o mesmo. Apresente uma pesquisa, debata o assunto, prepare uma apresentação ou escreva algo que provoque à reflexão.*

Aproveite o dia 22 de abril para economizar todo tipo de energia e evite qualquer tipo de desperdício ou poluição. Desligue os eletrodomésticos e as luzes; escove os dentes com apenas um copo d'água; não fume nem acenda fogo; alimente-se de frutas e verduras cruas; beba apenas água; não faça compras; deixe o carro na garagem e aproveite para caminhar, possivelmente descalço, sobre a Terra que nos hospeda. Aja lentamente e respire com calma, fale baixo. Use o dia para meditar e descubra as atitudes que podem ajudar a preservar a Terra. E lembre-se: Você faz parte dela.*

Consulte o Calendário Verde do Faça a sua parte. Além de farto material sobre a Terra, você encontrará os posts que foram escritos para o dia da Terra em 2007.

* colaboração do Allan.
O Ibama disponibilizou a consulta pública de áreas embargadas.  Andreia Fanzeres, do site "O Eco", fez um artigo que vale a pena ler.

Políticos, empresários, governo, não sobra ninguém... Como diz Andreia "Do pequeno sitiante aos políticos, empresários, empresas multinacionais e instituições públicas. Agora ficou mais fácil verificar se os supostos compromissos de sustentabilidade anunciados por aí são mesmo confiáveis."

Apenas mais um trecho (o resto leiam nos links indicados) sobre a hipocrisia humana que acaba com o meio ambiente:

"Em Mato Grosso, a lista revela nomes bastante conhecidos por quem monitora o desmatamento na Amazônia. O senador Jaime Campos responde por três áreas embargadas em Alta Floresta, sendo uma superior a 1.200 hectares. No mesmo município o deputado estadual Ademir Brunetto é responsável por outra área, mas o sistema não informa mais detalhes. Desse mesmo jeito são registrados embargos dos deputados Humberto Bosaipo, em Porto Esperidião, e de Dilceu Dal Bosco, em Sinop. Na semana passada, aliás, este último proferiu discurso na Assembléia Legislativa defendendo que produtores ilegais precisam de punição. "Toda economia de Mato Grosso acaba sendo penalizada por causa das ações desses empresários. Vamos fazer o possível para que eles sejam punidos", falou, enquadrando-se na categoria. "


Como dizia o Chico Buarque:

" Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá"

A roda-viva está no Congresso, nas Assembléias, nos governos, nas empresas que se dizem socio-ambientalmente responsáveis...
Pois é,

O foco está errado. A natureza não vai acabar. Não assim, sem mais nem menos, depois de existir por quase cinco bilhões de anos, resistindo a tudo quanto já passou por esta Terra. Pensar que somos capazes de destruir a natureza não passa de um pensamento megalomaníaco, que nos atribui a superioridade entre os seres vivos e, quiça, à própria natureza. Algo como um Deus invertido. Se Deus a tudo pode criar, aos seres humanos a tudo é dado destruir. Nada mais errado!

Não somos deuses. Não temos essa capacidade. A única capacidade que de fato temos, é a de causar a extinção da própria espécie humana. Muito antes de derrubarmos a última árvore, seremos extintos pelas nossas próprias ações.

Por essa razão o foco está errado. Não é da natureza que devemos cuidar, mas do próprio ser humano. Nós, como espécie, é que corremos risco. E o pior dos riscos; pois, se outras espécies sucumbiram por fenômenos alheios a elas, a nossa extinção está fadada a ser causada pelos próprios seres humanos.

Se olharmos para a história, veremos que a última grande transformação da sociedade humana ocorreu no período conhecido como Renascença, período cujo mote era trazer o homem ao lugar dado a ele pelos antigos. O Humanismo, ideia central da época, teve o condão de sepultar, de vez, a longa noite medieva. Quase como por ironia, o que se seguiu foi chamado de "Século das Luzes", como que a exorcizar a escuridão anterior.

Passamos por um período muito semelhante a Renascença. Os sinais estão no ar. Vivemos a decadência de uma "civilização", com a diferença de que, até agora, não encontramos um "humanismo" que nos leve a um outro patamar de existência. Devemos procurar um humanismo, mas não um humanismo que possa resultar, como o anterior resultou, num individualismo exacerbado; num individualismo suicida, dissociado da natureza, posto que colocou o homem acima de tudo e de todos.

O foco deve retornar a ser o ser humano; mas um ser humano integro, isto é, um ser humano que saiba que é parte indissolúvel da natureza.

Se não preservarmos os seres humanos, os seres humanos não preservarão a natureza.

E se seres humanos e natureza devem ser a mesma coisa, devemos avançar para um humanismo ambiental; um humanismo que coloque seres humanos e natureza, juntos, no centro. Abandonar Protágoras e dizer: homem e natureza são a medida de todas as coisas (a construção parece deixar transparecer, ainda, uma divisão entre seres humanos e natureza, mas não é essa a idéia de um humanismo ambiental. Utilizei a frase de Protágoras apenas para contraposição).

O Humanismo Ambiental deverá buscar o desenvolvimento de uma nova espécie: o homo ambientalis. Um homo consciente de que a sua preservação é o mais importante.

Iching24.png"Ao término de um período de decadência sobrevém o ponto de mutação. A luz poderosa que fora banida ressurge. Há movimento, mas este não é gerado pela força... O movimento é natural, surge espontaneamente. Por essa arazão, a transformação do antigo torna-se fácil. O velho é descartado, e o novo é introduzido. Ambas as medidas se harmonizam com o tempo, não resultando daí, portanto, nenhum dano." (I Ching)

E o que é preservar os seres humanos? Vamos pensando...
O dia 22 de abril, Dia da Terra, deveria ser feriado mundial. Mas não é.

Sou contra esse tipo de data comemorativa. O Dia das Mães, o Dia dos Namorados, ou o Dia Mundial da Mulheres é todo dia. O Dia da Terra, também. Mas entendo que uma data fixa pode ajudar a desenvolver projetos, gerar debates e estimular as idéias. Só não precisamos esperar pelo dia 22 de abril para fazer algo. Comece agora a planejar o que fará naquele dia e lembre-se de convidar seus amigos, parentes, alunos, colegas de trabalho ou de escola e a sua comunidade a fazerem o mesmo. Apresente uma pesquisa, debata o assunto, prepare uma apresentação ou escreva algo que provoque à reflexão.

Aproveite o dia 22 de abril para economizar todo tipo de energia e evite qualquer tipo de desperdício ou poluição. Desligue os eletrodomésticos e as luzes; escove os dentes com apenas um copo d'água; não fume nem acenda fogo; alimente-se de frutas e verduras cruas; beba apenas água; não faça compras; deixe o carro na garagem e aproveite para caminhar, possivelmente descalço, sobre a Terra que nos hospeda. Aja lentamente e respire com calma, fale baixo. Use o dia para meditar e descubra as atitudes que podem ajudar a preservar a Terra. E lembre-se:Você faz parte dela.

E se desejar escrever um post sobre o Dia da Terra, faça-o no dia 21 de abril. No dia 22 deixe o seu computador desligado
Das tantas definições que o Dicionário Houaiss dá para a palavra consciência, duas nos importam:

1. "conjunto de idéias, atitudes, crenças de um grupo de indivíduos, relativamente ao que têm em comum ou ao mundo que os cerca"

2. "entendimento acerca de ou interesse por determinado tema ou idéia, esp. por problemas sociais e políticos"

Para a segunda, Houaiss utiliza o seguinte exemplo: " <a população está tomando c. da necessidade de defender o meio ambiente>"

E leio a 1ª edição, de 2001. Veja-se que a preocupação com o meio ambiente já foi dicionarizada há um bom tempo.

Isso é o Faça a sua parte: um grupo de indivíduos com um conjunto comum de crenças. idéias e atitudes em relação ao mundo que nos cerca, em especial o entendimento com relação às questões do meio ambiente.

E entendemos mais: entendemos que dentre os diversos papéis que podemos exercer como cidadãos, um deles é o de procurar "ativar" a consciência das pessoas para os problemas do meio ambiente.

Filosofia? Pode ser! Muda o mundo? Pode ser, depende apenas das pessoas entenderem que tudo começa com um pensamento, uma idéia, uma filosofia. A história nos mostra que grandes foram os homens (gênero) que pensaram e grandes foram os homens que fizeram. Maiores ainda, no entanto, foram os homens que pensaram e transformaram suas idéias em ação. E aqui, sem juízo de valor quanto ao fato de que algumas idéias tenham se transformado em más ações.

O importante é que tudo começa com a "tomada de consciência". E ter consciência é algo que dói. Sábado, por exemplo, não pude apagar todas as luzes da casa (a lâmpada de cabeceira permaneceu acesa) e tão pouco a televisão. O apagar das luzes aconteceu justamente no horário dos dois programas prediletos da minha filha de dois anos, a Condessa: "Os Backyardigans" e "Piggle Winks" (confesso: são também os meus prediletos). Tudo o mais foi desligado.

Resultado: uma hora de dor e uma hora de prazer. Dor pela dúvida da consciência; prazer por ter aproveitado essa hora para ficar com a minha filha, em vez de ficar aqui, no computador, escrevendo e gastando "luz". Dor porque durante uma hora um pensamento não saiu da consciência: fiz a minha parte? Ou sera que apenas escrevo filosofia? Terei conseguido ser um homem que pensa e faz? Ou apenas "faço de conta"?

O que aconteceu comigo, é o que gostaríamos que acontecesse com todos: a dor. A dor do pensar, a dor da conciência. Mas também o prazer; o prazer de descobrir que há vida além do consumo, do exagerado conforto, do pensar somente em si.

U'a mobilização tomará conta do planeta hoje: a "Earth Hour". Cidades de 35 países, incluindo o Brasil, e cidadãos do mundo todo apagarão as luzes e eletrodomésticos das 20h às 21h.

Reproduzo notícia do Yahoo!:

"Sydney (Austrália), 28 mar (EFE).- Cidades de 35 países de todo o mundo, incluindo o Brasil, se inscreveram até o momento para participar da "Earth Hour", uma iniciativa contra a mudança climática lançada pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF) na Austrália.


Além do Brasil, a lista do WWF inclui Espanha, Argentina, Bolívia, México, Uruguai e Venezuela, entre vários outros países.

A "Earth Hour" consiste em apagar neste sábado, das 20h às 21h, luzes e eletrodomésticos por uma hora.

"A mobilização se transformou em um acontecimento mundial muito maior do que poderíamos imaginar", disse hoje o porta-voz da organização, Andy Ridley.

"Já são quase 400 cidades, 18.876 empresas e 257.165 cidadãos que se registraram na página do evento, mas sabemos, pela experiência do ano passado, que muitas pessoas apagam as luzes sem se inscrever", disse Ridley.

Em 2007, a "Earth Hour" aconteceu somente em Sydney e reuniu mais de 2 milhões de pessoas, segundo uma pesquisa, além de 2.100 empresas, cinemas, teatros, restaurantes, bares, discotecas, clubes esportivos, escolas e igrejas.

Os organizadores acreditam que a edição deste ano vai superar os 30 milhões de pessoas na Austrália, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos, Filipinas, Israel, Irlanda e Tailândia, entre outros.

É "surpreendente como alguns países, nos quais não há nem representação do WWF, também estão preparando atos espetaculares", expressou Ridley. EFE mg/mh"


E você? Apagará as luzes nessa hora? Parece fácil? Pois não é! Devo admitir que mesmo na minha casa não será fácil descobrir o que fazer, no escuro, com uma criança pequena, justo no horário em que ela está acostumada a tomar banho.

Mas é justamente esse o desafio proposto: mais do que um simples apagar luzes, significa o desafio de repensar nossas opções de vida. Quem sabe aproveitamos essa hora (mesmo que de luz acesa) para pensar em como viveríamos, hoje em dia, sem energia elétrica? Quem sabe aproveitamos para dar a devida dimensão para algo que basta "apertar o interruptor" e ela vem?

Um dos primeiros (e grande) problemas que perceberemos com as mudanças climáticas que estão ocorrendo, é uma mudança no regime das chuvas. Ora, a energia elétrica vem da chuva, não é mesmo? Usar racionalmente a energia elétrica significa aprender a conviver com a sua possível falta. Mas a coisa toda não deve parar por aí: a "Earth Hour" deve servir para que todos os dias façamos a nossa "Earth Hour", o quem sabe alguns "Earth Minute", desligando o "stand by" da televisão, do som, a tela do computador quando não estivermos por perto, etc.

Se a natureza agradecerá, imagina o seu bolso no final do mês. FAÇA A SUA PARTE!
solidariedade.jpgHoje, pra variar, vamos falar de meio ambiente. Mas não de árvores, rios, poluição, lixo, sacolas plásticas, aquecimento global...

Vamos falar de um meio ambiente por vezes - e no mais das vezes - esquecido: o meio ambiente humano. E é a parcela do meio ambiente mais ameaçada de extinção, embora não conste de nenhuma "lista vermelha".

Desenvolvemos, ao longo da história, uma incrível habilidade para destruir tudo o que nos cerca. O ser humano é o único animal cuja existência causa desequilíbrio na natureza:
transforma elementos naturais em objetos desnecessários. Pior, somos literalmente forçados a acreditar que precisamos desses objetos. Confundimos existência digna com excesso, travestido, esse, de "conforto". E nos esquecemos de alguns bilhões que sequer água têm para beber.

Alguns mais céticos talvez possam dizer que apenas escrever em blogs não resolverá o problema. Nós, do Faça a sua parte acreditamos que sim, pois escrever e transmitir o que se escreve espalha consciência. E é de consciência sobre os problemas que causamos ao  meio ambiente que precisamos.

É com a consciência que hoje começa a se espalhar, com a colaboração de todos os que participaram da blogagem sobre o dia mundial da água, que vamos conseguir salvar o ser humano da extinção. O meio ambiente humano é isso: relação humana e consciência.

Queremos agradecer a todos os que perceberam a importância de dedicar um pouco do seu tempo para estudar, pesquisar e escrever sobre a água. Temos hoje, graças a vocês, um manancial de conhecimentos sobre a água, que estará disponível no Calendário Verde (os links estarão lá). À Meire e ao Oscar, pela divulgação ao longo da semana.

Um especial agradecimento a Luma. É graças ao meio ambiente humano que ela criou em torno de si, que podemos dizer  que essa blogagem foi um sucesso. Obrigado, Luma.

Imagem daqui.
Eis que cai na minha caixa postal um vídeo que não conhecia; antigo, mas surpreendentemente forte. Uma criança/adolescente de 13 anos discursa em plena Eco 92 sobre o futuro do mundo em que ela hoje habita. Não contive as lágrimas no final, confesso, tamanho o poder das palavras que a menina coloca. Tamanha a coerência. Tamanha reflexão. Tamanha a cara-de-pau de nossa sociedade em jogar pra debaixo do tapete o óbvio: não estamos deixando um mundo melhor no futuro pras nossas crianças com a atitude ambiental que temos como sociedade. Vejam o vídeo e se emocionem. Ou se entristeçam conosco mesmos.

Sonhos...

Encontrei na blogosfera este trecho do filme "Sonhos" de Akira Kurosawa, intitulado "O Vilarejo das Rodas d'Água" e nele reconheci reflexões sobre a mentalidade das pessoas e seus valores, que são pontos que temos discutido aqui no "Faça a Sua Parte". Acho improvável que possamos adotar ao pé da letra um modo de vida como o deste vilarejo, afinal depois do todo o "progresso" que conhecemos, é difícil renegar tudo e de repente mudar radicalmente nossa visão do mundo. Mas este extrato de filme, além de muito bonito, nos faz pensar se nossas prioridades em termos de conforto foram bem escolhidas. Adorei a frase "Se a cidade estiver muito clara não podemos ver as estrelas do céu"...

 

 

Update (13/03/08)

Tradução do diálogo (por Silvia D. Schiros)

- Bom dia.

 

- Bom dia.

 

- Como se chama este vilarejo?

 

- Não tem nome. Nós simplesmente o chamamos de "Vilarejo". Alguns o chamam de Vilarejo dos Moinhos.

 

- Todos os habitantes do vilarejo moram aqui?

 

- Não. Eles moram em outros lugares.

 

- Aqui não tem eletricidade?

 

- Não é necessário. As pessoas se acomodam demais com o conforto. Acham que quanto mais conforto, melhor. E jogam fora aquilo que há de verdadeiramente bom.

 

- Mas e as luzes?

 

- Usamos velas e óleo de linhaça.

 

- Mas é tão escuro à noite!

 

- Sim. E é assim que deve ser. Por que a noite deveria ser clara como o dia? Já imaginou se as noites fossem claras e não pudéssemos ver as estrelas?

 

- Estou vendo arrozais. Vocês não usam tratores para cultivá-los?

 

- Não precisamos deles. Temos vacas e cavalos.

 

- Que combustível vocês usam?

 

- Nosso principal combustível é a lenha. Mas não gostamos de cortar árvores; felizmente, caem árvores suficientes de forma natural. Então as cortamos e transformamos em lenha. E, ao transformarmos a lenha de umas poucas árvores em carvão, conseguimos produzir tanto calor quanto uma floresta inteira. Isso mesmo. E esterco de vaca também é um ótimo combustível.

 

(pausa - quase dá para respirar o ar puro que a imagem passa)

 

- Tentamos viver como o homem vivia no passado. Esse é o modo de vida natural. As pessoas parecem ter esquecido que, na verdade, fazem parte da natureza. Destróem a natureza da qual suas vidas dependem. Sempre acham que podem aperfeiçoar algo. Principalmente os cientistas. Eles podem ser inteligentes, mas a maioria não compreende a essência da natureza. Só inventam coisas que, no fim das contas, tornam as pessoas infelizes. E têm tanto orgulho das suas invenções! O pior é que a maioria das pessoas também sente esse orgulho. Para elas, é como se fossem milagres a serem venerados. Elas não sabem, mas estão perdendo a natureza. E não vêem que isso será fatal para elas. Para os seres humanos, as coisas mais importantes são ar e água limpos, bem como as árvores e a grama que os produzem. Mas estão sujando tudo, poluindo para sempre. Ar poluído e água poluída, poluindo os corações dos homens.

 

Vão  ver. Relato sobre uma palestra de Niles Eldredge, mais um excelente texto da Lucia Malla.

Texto de Pat Feldman, do blog Crianças na Cozinha

fazenda.jpg

Sim, uma alimentação saudável é com certeza uma alimentação "ecológica", que faz bem para o meio ambiente e para a saúde do nosso planeta.

A base de uma alimentação saudável se compõe de alimentos livres de agrotóxicos, cultivados em solos ricos em minerais e carnes de animais criados soltos, pastando, como sempre foi na natureza. Plantações tendem a cansar o solo. Plantações "regadas" a agrotóxicos esgotam o solo e tudo à sua volta. Animais criados em regime de confinamento estão condenados à falta de saúde absoluta, além de contribuírem para o desequilíbrio no meio ambiente.

O caminho para a saúde inclui a busca por esse tipo de alimento, a exigência por condições mais humanas para a criação de animais, plantações sem agrotóxicos em propriedades auto-sustentáveis - as fazendas orgânicas costumam funcionar dessa forma. O preço pode ser um pouco maior do que os alimentos produzidos com a ajuda de tantos aditivos químicos e sofrimentos, mas com certeza esse valor é muito menos do que o necessário para nos curarmos de doenças e menos ainda do que o necessário para depois tentar consertar o enorme estrago no mundo e na natureza. O fazendeiro que se preocupa com o meio ambiente, e não só com lucros cada vez maiores, merece a recompensa!

Podemos fazer a nossa parte no negócio não só buscando os orgânicos, mas também buscando muito mais os produtos artesanais, caseiros e evitando, desprezando os produtos altamente industrializados, que não fazem bem à nossa saúde e muito menos ao meio ambiente. Temos que deixar de lado o preconceito de que um alimento artesanal pode fazer mal para a saúde ou estar contaminado. Procurando um pouco, você sempre encontrará um fornecedor de confiança!

O processamento mínimo, que mantém integralmente o valor nutritivo dos alimentos, é algo que pode ser feito na própria fazenda produtora - do leite se faz o iogurte, se obtém queijos, creme de leite e manteiga. Dos grãos se obtém farinhas moídas na hora, extremamente frescas e nada oxidadas, além de integrais - completas em todos os sentidos. Com diversos legumes e verduras o fazendeiro pode artesanalmente preparar as mais variadas e saborosas conservas e caldos. Com carnes - aquelas carnes do gado feliz - o nosso fazendeiro ecológico prepara salsichas, embutidos, carnes secas e defumadas - sem nenhum aditivo, o fazendeiro é sábio e usa métodos tradicionais, não agressivos ao nosso corpo e ao nosso meio ambiente. E com a higiene que se pode ter hoje em dia, seu risco é praticamente igual a zero no que diz respeito a contaminações.

Todos os "alimentos" que vemos hoje em dia engarrafados, enlatados, congelados, disponíveis em todo lugar e em qualquer época do ano - salgadinhos, bolachas, biscoitos, misturas prontas para bolos e pães, margarinas, refrigerantes - fazem a fortuna de poucos, agridem o meio ambiente e o nosso organismo...

As nossas escolhas na mesa determinam não só o que será da nossa saúde, mas determinam fortemente a saúde do nosso planeta, do nosso meio ambiente.

A tecnologia atual facilita enormemente anossa vida diária, é verdade,e a idéia é que a tecnologia facilite cada dia mais, porém é bom lembrar que se toda essa tecnologia não for usada com sabedoria, em breve não teremos um futuro para aproveitá-la. Use a tecnologia a seu favor, mas use com sabedoria e sem desrespeitar a mãe natureza. 

Copernico.jpgO lado bom da Ciência, é que ela admite que toda moeda tem dois lados. Talvez se possa dizer o mesmo da Religião, se pensarmos em Deus e no Diabo, como lados dessa moeda. A diferença entre ambas, ciência e religião, é que para a segunda somente um lado prevalecerá. Sempre. Para a ciência, no entanto, é natural que uma teoria se contraponha a outra e acabe se tornando adotada por todos. Basta lembrar do clássico Copérnico versus Ptolomeu, vencido pelo primeiro, embora a ajuda poderosa dada para o segundo pela religião.

Estamos assistindo ao retorno dos bons e velhos tempos medievais. Talvez um neomedievalismo. Vingança? Quem sabe. Se Adão realmente comeu da Árvore do Conhecimento, nada mais fez do que ciência. E ali mesmo, diante do Criador. Um desafio inaceitável, a ser pago não com o suor do rosto, mas com a perseguição implacável - e aparentemente eterna - que a religião faz com a ciência.

A ciência não nega Deus. A religião tenta negar, ou nega em alguns casos, a ciência.Ptolomeu.jpg Cientistas, no mais das vezes, são pessoas que se deparam cotidianamente com a grandeza do universo e da vida; e aceitam que o que fazem apenas explica "um pedacinho" desse universo e dessa vida. Religiosos, no mais das vezes, são pessoas que param com a grandeza do universo e da vida; e simplesmente aceitam que esse universo e essa vida foram postos por Deus. E ponto final.

Cara e Coroa não se vêem e não se tocam. Estão em lados opostos. Não haverá diálogo possível entre ciência e religião, a menos que se funda a moeda. Mas aí será tarde!


Imagens de Copérnico e Ptolomeu copiadas da Wikipédia.

Noticia veiculada:

"OMS considera "altamente tóxico" herbicida de soja transgênica

15/02/2008


Do Brasil de Fato

A Organização Mundial de Saúde (OMS) anuncia que decidiu reclassificar o herbicida patenteado pela transnacional Monsanto de "produto que não oferece perigo" para produto "altamente tóxico".

Já a Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, em Brasília, tenta diminuir a alíquota sobre o glifosato chinês, numa tentativa de "baixar os custos do herbicida e melhorar a concorrência do produto no mercado".

A reclassificaçã o está baseada em demonstrações científicas que alertaram sobre os efeitos cancerígenos, a ação mutagênica, a contaminação de alimentos e persistência do veneno no solo e em cultivos.

Segundo a Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (ASPTA), a soja transgênica RR (Roundup Ready), também da Monsanto, foi desenvolvida para resistir à aplicação do herbicida à base de glifosato (cujo nome comercial é Roundup).

Com o uso da soja transgênica, os agricultores pulverizam o agrotóxico sobre a lavoura, eliminando todas as plantas invasoras, deixando intacta a soja transgênica - três quartos dos transgênicos produzidos no mundo foram desenvolvidos para resistir à aplicação de herbicidas.

"Se por um lado as empresas alegam que a tecnologia simplifica o trabalho de controle do mato, por outro, é evidente que o consumo do produto tende a aumentar em muito pouco tempo. Isto porque as plantas invasoras rapidamente também adquirem resistência ao produto, o que força os agricultores a usar quantidades cada vez maiores do veneno para garantir sua eficácia. Outro resultado deste fenômeno é que as alegadas vantagens econômicas da tecnologia em pouco tempo são anuladas, pois a aquisição de veneno é um dos fatores que mais pesam nos custos de produção da agricultura convencional. Mais veneno, mais custos", explica a entidade ambientalista.

A Comissão de Agricultura enviou em 8 de fevereiro um ofício à Camex (Câmara de Comércio Exterior) solicitando a não renovação da tarifa para a matéria-prima do herbicida Roundup. Do lado dos ruralistas, as movimentações em torno da diminuição de custos escondem o aumento do uso do veneno já considerado tóxico.

"Caiu a máscara dos ruralistas que falavam que o glifosato não era tóxico. Além disso, o preço elevado tanto do Roundup quanto dos royalties pagos para a Monsanto começam a inviabilizar a plantação de transgênicos. A única coisa que pode salvar os ruralistas é justamente a liberação da taxa de importação do glifosato", disse Adão Pretto (PT/RS) que faz oposição à bancada ruralista, maioria da Comissão de Agricultura da Câmara.

Contradição

A bancada ruralista da Câmara é favorável ao uso de transgênicos na agricultura brasileira. No caso da liberação da soja, a articulação desses deputados para reduzir o custo do glifosato importado jogou por terra o argumento de que a soja transgência diminui o uso de herbicidas.

Hoje, quem domina a produção das sementes de soja geneticamente motificadas e controla 80% do mercado de glifosato no País é a Monsanto. A empresa de biotecnologia, por sua vez, subiu o preço do veneno em 50%. "Os agricultores que embarcaram na onda transgênica estão agora pagando o preço duplamente: não só se vêem forçados a usar maiores quantidades de agrotóxicos, como têm que pagar mais caro por eles", registrou a ASPTA, em nota.

Estudos recente de pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente voltado a analisar os potenciais impactos da soja transgênica no Brasil já listou nove espécies de plantas capazes de driblar o glifosato. Quatro delas já desenvolveram resistência ao veneno nas lavouras brasileiras de soja transgênica e apresentam "grande potencial de se tornarem um problema". Essa pesquisa complementa dados do Ibama que indicam que para cada quilo de princípio ativo do herbicida reduzido no Rio Grande do Sul, houve um aumento de 7,5 kg de glifosato no período de 2000 a 2004, época de expansão da área da soja RR resistente ao glifosato no estado.

Em artigo publicado, semana passada, pela revista Ethical Corporation, uma porta voz do EuropaBio, um grupo de lobby da indústria biotecnológica, admitiu que "os cultivos Roundup Ready levaram as plantas invasoras a se tornarem resistentes ao Roundup, o que resultou em maiores aplicações do produto, comumente em combinação com outros químicos".
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Para pensar!
Esse é um grande problema.

Vivemos em uma cultura que privilegia - e fortemente - as diferenças de gênero. Homem é Homem, mulher é Mulher. Masculino e feminino.

Há pouco começamos a aceitar com naturalidade que opção sexual não tem nada a ver com gênero. E, se nesse aspecto já é difícil, o que imaginar quando falamos de simples comportamentos como carregar uma bolsa.

Lembro-me do iniício da minha adolescência. Quase final do movimento hippie. Apesar de ser conhecido como o tempo da libertação das mulheres, foi também o tempo de libertação dos homens. Cabelos compridos, calças "boca-de-sino", colares, pulseiras, brincos e... bolsas.

Usei tudo isso. Era permitido. Era a moda que o mundo aceitava.

Dexou de ser! Regredimos ao tempo dos nossos pais e avós. Homens de cabelos compridos são vistos como sinal de imaturidade. No máximo, se presos em um "rabo-de-cavalo", são vistos como "autênticos". Brincos tornaram-se naturais. Mas bolsas não!

As bolsas permaneceram o reduto das mulheres. Pra tentar quebrar o nosso galho, inventaram a "capanga". Nome duro, lembra os parceiros de "machareza", os capangas. Convinha ao uso dos homens. Afinal, não era uma bolsa, era uma "capanga".

Certo, não levo tudo quanto as mulheres levam numa bolsa, mas levo quase: carteira, celular, cigarro, isqueiro, chaves, moedas, caneta...

Dia desses, minha filha ao me ver, caiu em gargalhadas. Tá rindo do quê? Perguntei. É que cada vez que te vejo com essa bolsa... Na verdade, não é uma bolsa, mas uma "capanga" comprada em Fortaleza. Me acompanha há quatro anos. Menos no trabalho, pois lá ando de "pasta executivo", com todas as mesmas coisas...

Transponha-se tudo isso para um supermercado!

Não bastasse a estranheza que causaria qualquer ser humano - seja do gênero que for - ao recusar as sacolas plásticas, mais ainda se vinda de um homem carregando sacolas de pano. Pois está na hora de mudar tudo isso.

Homem também usa sacola retornável no super!

Afinal, em muitas famílias são os homens que vão ao super...

Dependendo da idade do leitor desta carta, o título lhe soará estranho: “Diachoé quitanda?” Mas a maioria ainda lembra de quando ia-se à quitanda comprar frutas, verduras e até ovos, que o açougue também vendia. “Diachoé açougue?”

 

No Brasil, a maioria das quitandas simplesmente desapareceu, assim como está acontecendo com os açougues. O ritmo da vida moderna impede desperdiçar tempo indo a açougues, quitandas e padarias e a facilidade de um supermercado sempre perto simplifica as compras e o estacionamento. As cidades brasileiras crescem rápido demais, expulsando pequenos agricultores e granjeiros. Muitas vezes o próprio quitandeiro possuía um sítio onde cultivava parte das hortaliças comercializadas, mas o transporte da zona rural ao centro das cidades se alonga e começa a influir nos preços. Vende-se o sítio para um novo loteamento, fecha-se a quitanda e a tradição vai morrendo.

 

Na Itália as quitandas ainda resistem. Os supermercados adquirem enormes quantidades dos grandes produtores e oferecem a preços menores, frutas e verduras com melhor apresentação, além de um monte de bugigangas que normalmente o consumidor não compraria, mas a compra por impulso é uma das estratégias de marketing do ramo. E funciona. Fruta e verdura nas quitandas italianas costumam ser mais caras que nos supermercados, mas normalmente são de produtores locais, que trabalham a terra de modo artesanal. A aparência não é a mesma que a dos produtos nos supermercados, mas o sabor justifica a diferença.

 

Além disso, os quitandeiros italianos contribuem para reduzir a poluição causada pelo transporte de longa distância, evitam o uso indiscriminado de pesticidas e ainda produzem menos lixo orgânico, usado como composto para baratear a produção. Os primeiros clientes dos quitandeiros são os próprios parentes, mas todos os moradores que possuem a sorte de haver uma quitanda nas proximidades prefere pagar mais caro e evitar a fila do supermercado. Isso acontece por que frutas e verduras realmente fazem parte da dieta cotidiana italiana.

 

Os supermercados oferecem mandioca, limão, manga e mamão do Brasil, couve de Bruxelas, limões espanhóis, abacaxis de Gana, pimentões holandeses que mais parecem produzidos em série – o mesmo tom de laranja, vermelho, verde ou amarelo, o mesmo cabinho torcido exatamente igual e a mesma falta de aroma – e morangos franceses. Mas as quitandas oferecem os pimentões de Cuneo, diferentes e saborosos, e as mais frescas uvas colhidas na tarde anterior na colina próxima à cidade. A festa de cores e perfumes em uma quitanda italiana é uma festa para os sentidos.

 

Se você mora em uma daquelas cidades do futuro, onde o mar de prédios impede a visão do horizonte, nãomuito a fazer. Mas se, ao contrário, você tem a sorte de morar em uma cidade pequena ou no campo, cultive uma horta, se houver espaço. Convença seus amigos a fazerem o mesmo e, quem sabe, abrirem uma quitanda comunitária. Caso contrário, preferência às quitandas – se ainda houver alguma – ou aos tradicionais “verdurões”, que também se utilizam das grandes centrais de abastecimento, mas que muitas vezes adquirem a produção dos agricultores locais. Mesmo que a sua dieta seja pobre de vegetais, você vai se sentir mais participante, vai contribuir para a manutenção dos pequenos agricultores e ajudará a reduzir os altos índices de poluição. Certamente sua consciência ecológica vai ficar mais leve, seu verdureiro mais feliz, o ar mais perfumado, a mesa mais colorida e eu terei feito a minha parte, convencendo você a readquirir hábitos mais saudáveis. E se você for o dono do supermercado, azeite.

Lili da Silva é uma menina de 10 anos que mora no Rio de Janeiro. Não muito diferente de outras meninas de 10 anos que moram no Rio de Janeiro. É, no entanto, muito diferente da maioria das meninas de 10 anos que moram no Rio de Janeiro ou em qualquer outra cidade desse mundinho chamado Brasil.

Mas o que Lili tem assim de tão diferente? Primeiro, Lili tem acesso à internet, coisa que a maioria das lilis de 10 anos desse mundinho chamado Brasil não tem. Segundo, Lili da Silva tem coragem. Sim, não é todo dia que uma menina de 10 anos resolve escrever um mail para um blog. Pois Lili nos enviou um mail dizendo que queria ser uma colaboradora do Faça a sua parte.

Perguntamos a ela como havia nos encontrado e por que gostaria de escrever num blog e ela respondeu: "minha professora falou que devemos proteger o meio ambiente e aí digitei isso na internet e esse blog apareceu. Gostaria que meus trabalhos escolares sobre o meio ambiente aparecessem aí."

Grande