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Parte um: qual o tipo de representação que queremos?

É bastante difícil resumir em poucas palavras todas as impressões deste grande encontro. Podemos dividir em três momentos: a aprovação do regimento; os grupos de trabalhos e a plenária final. O regimento é o conjunto de regras da conferência, elaborado pela comissão organizadora e que deve ser referendado em plenária. 

O primeiro conflito: aceitar ou rejeitar os critérios de aprovação de moções, da revisão das propostas, da participação e da aprovação do texto final.  Para isso, o texto é lido item por item, e discutido com toda a plenária. É um processo lento, cansativo, que demanda horas e paciência de todos os presentes - Delegados eleitos nos processos municipais e estaduais.

Com tanta diversidade, é claro que é um procedimento sujeito a problemas...  

Um exemplo: uns dos itens mais polêmicos foi o fator quórum mínimo - sempre presente no processo democrático.

O regimento apresentava como proposta de quórum mínimo 50% mais um dos inscritos na conferência. Devido ao processo extenso, nem todos conseguem permanecer até o final; o que acontece: nos momentos decisivos, apenas poucos estão presentes.

O que fazer? Por um lado, realmente não é representativo que, de 1200 delegados, menos de 50 decida pelos rumos da conferência. Por outro lado, se apenas essas poucas pessoas estão interessadas no processo, por que as outras 1000 vieram? Devemos invalidar o processo? Claro que o processo fica prejudicado, mas ele acaba sendo levado adiante, seguindo o preceito de que a "plenária é soberana".

A legitimidade é o fator mais importante a ser analisado em uma conferência. É ele que vai dizer se tudo o que está sendo feito ali deve ser levado em consideração ou não. Mesmo sendo aclamado como uns dos principais exemplos de democracia participativa, ainda são representantes eleitos em suas comunidades que participam do processo. Como não há um fator eqüitativo desse processo, cada comunidade escolhe em si os critérios de representação. Alguns parâmetros já são universalizados - como as categorias de representação: gênero, tipo de organização, unidade federativa, bacia hidrográfica; movimentos representativos - mas os procedimentos locais são independentes.

Deste modo, como podemos garantir a qualidade da representação?   

Como veremos mais adiante, esse é um dos grandes problemas e ao mesmo tempo a principal qualidade desse tipo de processo democrático...

 

Parte dois: a maravilhosa essência do processo

São cerca de mil pessoas, de todos os estados da União, eleitas democraticamente em seus municípios como representantes da sociedade civil organizada, do poder público e do setor empresarial local para decidir os caminhos da política pública de mitigação e adaptação das ações do ser humano às mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global.

Mais de 500 propostas tiradas dos estados são debatidas nos grupos de trabalho para a produção do texto a ser aprovado na plenária final. A partir daí, o processo continua com a apresentação das propostas ao governo federal, que deverá levar em consideração para a elaboração do Plano Nacional de Mudanças Climáticas.

Povos indígenas, representante de quilombos, povos caiçaras, caipiras e sertanejos de todo país; homens e mulheres de todas as cores, etnias, movimentos e ideologias imagináveis; estudantes, sindicalistas, donas de casa, lavradores, pequenos empresários, líderes comunitários, políticos e intelectuais - todos se identificando apenas como ambientalistas - deste país participando da elaboração dos caminhos ambientais do Brasil.

A sensação de poder popular exala de todas as conversas nos almoços, nos transportes, nos bares como uma ilha espaço-temporal dentro do gigantesco poder político e econômico dominante na capital da nação. A não ser por raríssimas exceções, o consenso domina todas as discussões; as votações são, em sua maioria, por aclamação; não há realmente nenhuma crítica formal ao processo; Todos estão interessados na construção coletiva e participam nesta direção.

Para compreendermos a relevância desse processo, Destaco aqui um trecho de uma nota publicada na Folha online de ontem - 10/05/2008:

 

"Brasil atrasa plano contra aquecimento global

AFRA BALAZINA
Enviada especial da Folha de S.Paulo a Brasília

O Plano Nacional de Mudanças Climáticas, aguardado para meados deste ano, só deve ser concluído em novembro. A afirmação é da secretária nacional de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Thelma Krug. O atraso contraria determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O decreto 6.263, de novembro de 2007, estabeleceu que a versão preliminar do plano deveria estar pronta até o último dia 30, o que não ocorreu.

O plano vem sendo prometido desde setembro de 2007, quando Lula anunciou nas Nações Unidas que o país o adotaria. Porém, de concreto até agora só se sabe que ele terá quatro eixos: adaptação, mitigação, pesquisa e desenvolvimento e divulgação e capacitação.

Uma de suas maiores novidades, a idéia de usar dinheiro do Fundo de Compensação do Petróleo em ações de mitigação e pesquisa, está em discussão no Executivo, mas também não tem data para ser enviada ao Congresso. Krug diz que a mudança na lei não deve ocorrer antes da conclusão do plano.

Segundo ela, para que o plano seja de fato nacional --e não federal, fruto de decisões apenas dos ministérios-- é necessário abrir espaço para a participação regional, de Estados e municípios. Com isso, o processo é mais demorado.

"Um plano federal você pode construir através dos ministérios. E é claro que vai ter essa visão no plano. Mas, para torná-lo nacional, é preciso trazer essas regionalidades", diz ela."

Atraso perfeitamente justificado - ponto para o governo.

O ambiente - e o meio ambiente também - é tomado por uma maravilhosa e impressionante sensação: a vitória da Democracia Participativa.    

 

Parte três: a lógica da desordem

O saudoso Milton Santos marcou os estudos do desenvolvimento urbano identificando de forma exemplar a dinâmica social dos agrupamentos urbanos, usando como objeto de estudo a cidade de São Paulo. Arrisco aqui cometer certos erros teóricos, mas gostaria de usar este exemplo para ilustrar o desenvolvimento da plenária final, o ponto alto de todo encontro.

Assim como é impossível controlar todos os processos de urbanização de uma cidade, devido à dinâmica social extremamente mutável, do mesmo modo não é possível controlar todos os processos de debate em torno da formulação de políticas públicas. Por quê? Porque o ser humano é uma curiosa invenção em desenvolvimento!

Muitos consideram esse processo de conferência uma farsa: um encontro de ignorantes aparelhados por entidades vinculadas a interesses políticos específicos. Há suspeitas de irregularidades de todos os tipos: pessoas que participam no lugar de outras; preferencialismo; mau uso do dinheiro público; falsificação de assinaturas em atas e moções. O regimento possui brechas que permitem desrespeitá-lo à todo momento; muitas decisões são resolvidas no grito, e debates quase se transformam em agressões físicas; a maioria dos delegados passam mais tempo passeando e se divertindo que participando das discussões - atitude até certo ponto justificada pelo fato de as discussões se tornarem verdadeiros martírios mentais intermináveis (imagina corrigir de um texto de 500 páginas junto com outras dezenas de pessoas? Até parece feito de propósito para afastar as pessoas); complementando esse fato, no final umas poucas pessoas se legitimam a decidir por todos os ausentes - claro que ignorando o quórum mínimo. Desde as conferências locais esses problemas se repetiram, assim como se repetem na esfera da democracia representativa - quando elegemos vereadores, deputados, prefeitos, governadores e presidentes.

Alguns são problemas graves; outros nem tanto. Não tenho a intenção, de forma alguma, fazer denúncias ou desqualificar o processo, até porque, mesmo que quisesse, não teria poder para tal; mas é importante fazer uma avaliação sincera do processo para se entender a origem dos problemas e se buscar a solução. Na política infelizmente não temos processos perfeitos, assim como em todas as esferas - das sociais às pessoais - está presente a corrupção. E isso inclui a todos. O diferencial está na capacidade de reconhecermos nossas falhas pessoais e sociais em busca do melhoramento constante. É assim que o ser humano evolui em sociedade - ou pelos menos poderia ser assim. Isso, por si só, já justifica e qualifica positivamente todo o processo.

A Conferência Nacional é o ponto alto do processo de conferências, que começou nas discussões locais em cada município (em alguns casos em cada bairro). A plenária final é o clímax do encontro, onde todas as qualidades positivas e negativas se tornam evidentes - como não poderia deixar de ser.

É verdade: A plenária é realmente soberana.

Para todos os participantes, são três dias de extremo cansaço, mas de uma satisfação extasiante - a relação íntima com o processo democrático. Qualquer semelhança com qualquer é mera coincidência.     
O Ibama disponibilizou a consulta pública de áreas embargadas.  Andreia Fanzeres, do site "O Eco", fez um artigo que vale a pena ler.

Políticos, empresários, governo, não sobra ninguém... Como diz Andreia "Do pequeno sitiante aos políticos, empresários, empresas multinacionais e instituições públicas. Agora ficou mais fácil verificar se os supostos compromissos de sustentabilidade anunciados por aí são mesmo confiáveis."

Apenas mais um trecho (o resto leiam nos links indicados) sobre a hipocrisia humana que acaba com o meio ambiente:

"Em Mato Grosso, a lista revela nomes bastante conhecidos por quem monitora o desmatamento na Amazônia. O senador Jaime Campos responde por três áreas embargadas em Alta Floresta, sendo uma superior a 1.200 hectares. No mesmo município o deputado estadual Ademir Brunetto é responsável por outra área, mas o sistema não informa mais detalhes. Desse mesmo jeito são registrados embargos dos deputados Humberto Bosaipo, em Porto Esperidião, e de Dilceu Dal Bosco, em Sinop. Na semana passada, aliás, este último proferiu discurso na Assembléia Legislativa defendendo que produtores ilegais precisam de punição. "Toda economia de Mato Grosso acaba sendo penalizada por causa das ações desses empresários. Vamos fazer o possível para que eles sejam punidos", falou, enquadrando-se na categoria. "


Como dizia o Chico Buarque:

" Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá"

A roda-viva está no Congresso, nas Assembléias, nos governos, nas empresas que se dizem socio-ambientalmente responsáveis...
O dilema: natureza versus ações sócio-educativas.

O que acontece quando uma personalidade famosíssima resolve cometer um crime ambiental? E se essa personalidade convida o Prefeito de uma capital também famosa para inaugurar o crime ecológico e ele aceita e comparece? E o que dizer quando o Governador do Estado comparece?

Mais, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente já havia alertado a 'famosíssima personalidade" de que estava cometendo um crime e o Chefe (Prefeito) mesmo assim comparece?

Pode parecer coisa de primeiro mundo, mas não é! Aconteceu aqui em Porto Alegre. Vejam:

"Instituto Ronaldinho Gaúcho terá que reparar danos ambientais

Por Ulisses A. Nenê, da Ecoagência

Acordo entre o Ministério Público e o Instituto determina compensações para os danos causados pelas obras da entidade, inclusive em Área de Preservação Permanente.

Porto Alegre, RS - O Instituto Ronaldinho Gaúcho e o Centro Ronaldinho Gaúcho, entidade filantrópica e empresa esportiva do jogador do Barcelona, respectivamente, terão que reparar os prejuizos ao meio ambiente causados pelas obras de suas instalações, na Zona Sul de Porto Alegre. O primeiro foi inaugurado em 27 de dezembro de 2006 (foto) e o segundo estava em obras que foram suspensas ano passado com a intervenção do Ministério Público.

Nas duas áreas, no Instituto e no Centro, ocorreram "cortes de vegetação nativa, drenagens de banhado, canalização de curso d'água, corte de vegetação exótica, tudo sem licença ambiental", relatou hoje à tarde a promotora de Justiça e Defesa do Meio Ambiente de Porto Alegre, Ana Maria Moreira Marchesan.

"A pior agressão foi o corte de mata nativa no Morro da Tapera e a construção em uma Área de Preservação Permanente (APP)", acrescentou. Meio hectare de árvores nativas e exóticas foram derrubadas no morro.

A promotora disse que Ronaldinho e seu irmão, o ex-atleta Roberto de Assis Moreira, diretor do Instituto, foram alertados pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam) de que estavam infringindo a Lei dos Crimes Ambientais. O órgão chegou a autuar o Instituto e o Centro por diversas vezes, expedindo multas que totalizaram R$ 115 mil, mas as obras prosseguiram.

O Ministério Público foi acionado por denúncia anônima, ao mesmo tempo em que recebia os autos de infração da Smam, em julho do ano passado. Foi aberto inquérito civil e procedimento investigatório que resultaram no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado hoje com os representantes de Ronaldinho.

Além da execução de projetos para reparação dos danos envolvendo cortes de vegetação nativa, drenagens e canalizações não licenciadas, o acordo prevê a doação de uma área para o município de Porto Alegre e a implantação de uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), por conta do Instituto e do Centro.

A multa ficará em 10% do valor inicial. Mas o acordo não impedirá o processo criminal na Justiça Comum, pois a promotora adiantou que apresentará a denúncia nos próximos dias com com base na Lei 9.605 (Lei dos Crimes Ambientais).

"Eles contrataram um arquiteto e um empreiteiro e com muita pressa tudo foi feito, sem qualquer licença ambiental. A Smam ainda tentou interditar mas eles continuaram a obra, mesmo com as autuações, até que o MP entrou em ação, só aí cessaram as intervenções na área", contou.

Construído em área de 12 hectares, o Instituto foi criado para oferecer a crianças carentes atividades como futebol, tênis, vôlei, vôlei de praia, atletismo e jogos de mesa, além de oficinas de teatro, línguas, música, informática, aulas de reforço escolar e cursos profissionalizantes .

Também oferece atendimento médico e odontológico e companhamento da situação familiar de cada aluno. A inauguração festiva teve a presença do próprio Ronaldinho e de muitas autoridades, como o prefieto, José Fogaça, e o então governador, Germano Rigotto.

"O meio ambiente tem que ser respeitado em qualquer situação, mesmo (a entidade) de cunho filantrópico e de grande valor socio-educativo, com envolvimento do município, tudo tem que ser feito com sustentatibilidade ambiental", alerta a promotora.

A EcoAgência tentou mas não conseguiu localizar o advogado Sérgio Queiroz, que representa os irmãos Ronaldinho e Assis Moreira no caso.
"

Gente, o que são meia dúzia de hectares de mata nativa frente a tudo de bom que estou fazendo pelas criancinhas carentes? Já imagino que a personalidade deva estar pensando isso...

O Prefeito e o ex-Governador pensam assim pelo visto...

O tema tem gerado alguma polêmica.

Consulta Pública definirá espécies da fauna como animais de estimação

Brasília (06/03/2008) - Ibama disponibilizou para Consulta Pública a lista prévia de espécies da fauna silvestre nativa que poderão ser criadas e comercializadas como animais de estimação, conforme determina o Art. 3º da Resolução Conama nº 394 de 6 de novembro de 2007.

A Consulta Pública estará disponível até o dia 6 de abril de 2008 no site do Ibama. Ao término deste prazo, o Ibama fará a análise de todo o conteúdo, objetivando editar uma lista que atenda aos anseios da sociedade brasileira.

As contribuições devem ser enviadas para o e-mail: fauna.sede@ibama.gov.br com as espécies a serem incluídas ou excluídas devidamente justificadas com base nos critérios estabelecidos pela Resolução Conama nº 394/2007. Somente serão analisadas as contribuições que estiverem dentro dos critérios estabelecidos.

Segundo o diretor de Uso sustentável da Biodiversidade e Florestas, Antônio Carlos Hummel, o Ibama utilizou os critérios indicados na Resolução para preparar a lista.

Do site do Ibama.

Nesse site há um manifesto contra.

U'a mobilização tomará conta do planeta hoje: a "Earth Hour". Cidades de 35 países, incluindo o Brasil, e cidadãos do mundo todo apagarão as luzes e eletrodomésticos das 20h às 21h.

Reproduzo notícia do Yahoo!:

"Sydney (Austrália), 28 mar (EFE).- Cidades de 35 países de todo o mundo, incluindo o Brasil, se inscreveram até o momento para participar da "Earth Hour", uma iniciativa contra a mudança climática lançada pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF) na Austrália.


Além do Brasil, a lista do WWF inclui Espanha, Argentina, Bolívia, México, Uruguai e Venezuela, entre vários outros países.

A "Earth Hour" consiste em apagar neste sábado, das 20h às 21h, luzes e eletrodomésticos por uma hora.

"A mobilização se transformou em um acontecimento mundial muito maior do que poderíamos imaginar", disse hoje o porta-voz da organização, Andy Ridley.

"Já são quase 400 cidades, 18.876 empresas e 257.165 cidadãos que se registraram na página do evento, mas sabemos, pela experiência do ano passado, que muitas pessoas apagam as luzes sem se inscrever", disse Ridley.

Em 2007, a "Earth Hour" aconteceu somente em Sydney e reuniu mais de 2 milhões de pessoas, segundo uma pesquisa, além de 2.100 empresas, cinemas, teatros, restaurantes, bares, discotecas, clubes esportivos, escolas e igrejas.

Os organizadores acreditam que a edição deste ano vai superar os 30 milhões de pessoas na Austrália, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos, Filipinas, Israel, Irlanda e Tailândia, entre outros.

É "surpreendente como alguns países, nos quais não há nem representação do WWF, também estão preparando atos espetaculares", expressou Ridley. EFE mg/mh"


E você? Apagará as luzes nessa hora? Parece fácil? Pois não é! Devo admitir que mesmo na minha casa não será fácil descobrir o que fazer, no escuro, com uma criança pequena, justo no horário em que ela está acostumada a tomar banho.

Mas é justamente esse o desafio proposto: mais do que um simples apagar luzes, significa o desafio de repensar nossas opções de vida. Quem sabe aproveitamos essa hora (mesmo que de luz acesa) para pensar em como viveríamos, hoje em dia, sem energia elétrica? Quem sabe aproveitamos para dar a devida dimensão para algo que basta "apertar o interruptor" e ela vem?

Um dos primeiros (e grande) problemas que perceberemos com as mudanças climáticas que estão ocorrendo, é uma mudança no regime das chuvas. Ora, a energia elétrica vem da chuva, não é mesmo? Usar racionalmente a energia elétrica significa aprender a conviver com a sua possível falta. Mas a coisa toda não deve parar por aí: a "Earth Hour" deve servir para que todos os dias façamos a nossa "Earth Hour", o quem sabe alguns "Earth Minute", desligando o "stand by" da televisão, do som, a tela do computador quando não estivermos por perto, etc.

Se a natureza agradecerá, imagina o seu bolso no final do mês. FAÇA A SUA PARTE!
O Greenpeace esteve na CeBIT, em Hannover, na Alemanha, blogando discussões e reflexões sobre lixo tecnológico que são suscitadas por lá. A CeBIT é uma feira digital e de telecomunicações, com novidades no setor voltadas para casa ou trabalho. As maiores empresas do ramo estão demarcando seu território na forma de stands por lá, e há uma seção inteira dedicada à "Tecnologia Verde". O Greenpeace está nessa área, e faz questão de lembrar a todas as empresas que ainda há muito a ser feito para tornar essa indústria mais verde e menos poluidora. E a própria CeBIT parece não dar o exemplo aos olhos do Greenpeace.


"Toxic chemicals, e-waste and the low recycling rate aren't a big issue there. Many "Green IT" companies are exhibiting software and hardware technologies to reduce energy consumption in data centers. There, the search for less energy consumption is of course not mainly motivated by ecological reasons, but by financial reasons. The energy needed for the operation of data centers is meanwhile an important expense factor."

Um longo caminho ainda a ser traçado. Enquanto isso, o que podemos fazer? Resta-nos reduzir o lixo tecnológico que produzimos, diminuindo consumo de frivolidades e exigindo padrões mais verdes das empresas envolvidas em tecnologia sob pena de cessarmos o consumo dos materiais não-verdes. 

Façamos nossa parte. 

Com sede no Instituto Smithsoniano de Washington, está no ar a Enciclopédia da Vida, (EOL, na sigla em inglês) um projeto que pretende disponibilizar, na internet, informações sobre todas as especies animais existes. Por enquanto disponível apenas em inglês.

O texto a seguir foi copiado da página incial da EOL:

What is EOL?

Welcome to the first release of the Encyclopedia of Life portal. This is the very beginning of our exciting journey to document all species of life on Earth.

Comprehensive, collaborative, ever-growing, and personalized, the Encyclopedia of Life is an ecosystem of websites that makes all key information about all life on Earth accessible to anyone, anywhere in the world. Our goals are to:

  • Create a constantly evolving encyclopedia that lives on the Internet, with contributions from scientists and amateurs alike.
  • Transform the science of biology, and inspire a new generation of scientists, by aggregating virtually all known data about every living species.
  • Engage a wide audience of schoolchildren, educators, citizen scientists, academics and those who are just curious about Earth's species.
  • Increase our collective understanding of life on Earth, and safeguard the richest possible spectrum of biodiversity.

In this first version of the portal, you will find:

  • About 25 exemplar species pages. These pages show the kind of rich environment, with extensive information, to which all the species pages will eventually grow. These pages have been authenticated (endorsed) by scientists.
  • Tens of thousands of additional species pages. These pages are authenticated, but do not contain the rich array of information found on the exemplar pages.
  • About 1 million minimal species pages contain the scientific and common names for a species and often have a distribution map, but lack other authenticated information.

Noticia veiculada:

"OMS considera "altamente tóxico" herbicida de soja transgênica

15/02/2008


Do Brasil de Fato

A Organização Mundial de Saúde (OMS) anuncia que decidiu reclassificar o herbicida patenteado pela transnacional Monsanto de "produto que não oferece perigo" para produto "altamente tóxico".

Já a Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, em Brasília, tenta diminuir a alíquota sobre o glifosato chinês, numa tentativa de "baixar os custos do herbicida e melhorar a concorrência do produto no mercado".

A reclassificaçã o está baseada em demonstrações científicas que alertaram sobre os efeitos cancerígenos, a ação mutagênica, a contaminação de alimentos e persistência do veneno no solo e em cultivos.

Segundo a Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (ASPTA), a soja transgênica RR (Roundup Ready), também da Monsanto, foi desenvolvida para resistir à aplicação do herbicida à base de glifosato (cujo nome comercial é Roundup).

Com o uso da soja transgênica, os agricultores pulverizam o agrotóxico sobre a lavoura, eliminando todas as plantas invasoras, deixando intacta a soja transgênica - três quartos dos transgênicos produzidos no mundo foram desenvolvidos para resistir à aplicação de herbicidas.

"Se por um lado as empresas alegam que a tecnologia simplifica o trabalho de controle do mato, por outro, é evidente que o consumo do produto tende a aumentar em muito pouco tempo. Isto porque as plantas invasoras rapidamente também adquirem resistência ao produto, o que força os agricultores a usar quantidades cada vez maiores do veneno para garantir sua eficácia. Outro resultado deste fenômeno é que as alegadas vantagens econômicas da tecnologia em pouco tempo são anuladas, pois a aquisição de veneno é um dos fatores que mais pesam nos custos de produção da agricultura convencional. Mais veneno, mais custos", explica a entidade ambientalista.

A Comissão de Agricultura enviou em 8 de fevereiro um ofício à Camex (Câmara de Comércio Exterior) solicitando a não renovação da tarifa para a matéria-prima do herbicida Roundup. Do lado dos ruralistas, as movimentações em torno da diminuição de custos escondem o aumento do uso do veneno já considerado tóxico.

"Caiu a máscara dos ruralistas que falavam que o glifosato não era tóxico. Além disso, o preço elevado tanto do Roundup quanto dos royalties pagos para a Monsanto começam a inviabilizar a plantação de transgênicos. A única coisa que pode salvar os ruralistas é justamente a liberação da taxa de importação do glifosato", disse Adão Pretto (PT/RS) que faz oposição à bancada ruralista, maioria da Comissão de Agricultura da Câmara.

Contradição

A bancada ruralista da Câmara é favorável ao uso de transgênicos na agricultura brasileira. No caso da liberação da soja, a articulação desses deputados para reduzir o custo do glifosato importado jogou por terra o argumento de que a soja transgência diminui o uso de herbicidas.

Hoje, quem domina a produção das sementes de soja geneticamente motificadas e controla 80% do mercado de glifosato no País é a Monsanto. A empresa de biotecnologia, por sua vez, subiu o preço do veneno em 50%. "Os agricultores que embarcaram na onda transgênica estão agora pagando o preço duplamente: não só se vêem forçados a usar maiores quantidades de agrotóxicos, como têm que pagar mais caro por eles", registrou a ASPTA, em nota.

Estudos recente de pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente voltado a analisar os potenciais impactos da soja transgênica no Brasil já listou nove espécies de plantas capazes de driblar o glifosato. Quatro delas já desenvolveram resistência ao veneno nas lavouras brasileiras de soja transgênica e apresentam "grande potencial de se tornarem um problema". Essa pesquisa complementa dados do Ibama que indicam que para cada quilo de princípio ativo do herbicida reduzido no Rio Grande do Sul, houve um aumento de 7,5 kg de glifosato no período de 2000 a 2004, época de expansão da área da soja RR resistente ao glifosato no estado.

Em artigo publicado, semana passada, pela revista Ethical Corporation, uma porta voz do EuropaBio, um grupo de lobby da indústria biotecnológica, admitiu que "os cultivos Roundup Ready levaram as plantas invasoras a se tornarem resistentes ao Roundup, o que resultou em maiores aplicações do produto, comumente em combinação com outros químicos".
"


Para pensar!
A Haier, 6ª maior produtora mundial de eletrodomésticos, acaba de lançar uma máquina de lavar roupa ecológica a WashH2O não precisa de sabão em pó, pois utiliza a própria coposição da água para limpar os tecidos - nem todos os tecidos, porém - com os íons negativos do oxigênio que atraem a sujeira, enquanto os íons positivos do hidrogênio esterelizam a roupa. As duas gigantes coreanas já preparam o contra-ataque com produtos que utilizam bolhas de oxigêgio e ultrasom da Daewoo e a máquina de lavar roupa com jatos de vapor da LG, já em comercialização. A Whirlpool oferece um modelo com turbo vapor, que utiliza um ciclo breve de 20 minutos, ou, no processo normal, lava e desinfeta a roupa a 40 ºC (a maioria dos italianos nemm pensa em usar uma temperatura abaixo dos 60 ºC). Já a Electrolux apresentou a Sunny, que pode utilizar a água quente já exsitente no sistema hidráulico da casa ou energia solar. [Se você não entendeu, vou explicar: as máquinas de lavar roupa na Europa utilizam uma resistência para aquecer a água. Já imaginou o consumo de energia?] A Electrolux já registrou a patente de uma máquina de lavar roupa weireless, com raios ultra-violetas, que não usa água nem sabão em pó.

Só falta, agora, convencer os europeus que lavar a roupa com água fria não provoca doenças.
Thumbnail image for Thumbnail image for CampusParty Brasil Hoje entrou no ar a programação final do Campus Verde. Esta área da Campus Party é transversal - seu conteúdo passeia pelas diversas áreas de conhecimento presentes na grande festa, que foi aberta hoje à noite no Pavilhão da Bienal, em pleno Parque do Ibirapuera.
Cercados de verde por todos os lados, os três mil campuseros serão convidados a repensar os hábitos de consumo incentivados pelas novas tecnologias.
Como sempre nos conta nosso amigo Jorge Cordeiro, muitos computadores não são nada verdes - muito pelo contrário. Seu descarte é, inclusive, um problemão. Além das palestras e debates, o Campus Verde vai promover o plantio de árvores (através do Click Árvore) e o plantio de mudas em locais escolhidos pelos participantes.
Muito além da programação, o Campus Verde quer incentivar hábitos verdes. Além de colaborar com a coleta seletiva, que será implantada nos 25 mil metros quadrados, a idéia é conscientizar a todos do impacto ecológico de nossas atividades diárias. As dicas do site são básicas, mas importantes para mostrar que é com pequenas ações que se faz a sua parte:
* Seja rápido ao tomar banho e poupe água e energia elétrica
* Comunique os organizadores do evento se encontrar algum vazamento de água em torneiras ou válvulas de descarga
* Escove os dentes e faça a barba com a torneira fechada
* Mantenha as baterias de telefones celulares e outros aparelhos nas tomadas apenas o tempo necessário para completar a carga
* Desligue os monitores e computadores quando não estiver usando ou configure-o para o modo econômico de energia
* Utilize transporte público (ônibus, metrô), bicicleta, ou caminhe para chegar à Campus Party.

O Campus Verde terá muitas competições batizadas pelo patrocinador da área, o portal Planeta Sustentável:
1. Na área de Criatividade, o desafio é criar uma peça (cartaz) que proponha a relação entre a tecnologia e um futuro sustentável. As inscrições são realizadas por internet, por meio do hotsite que deve ir ao ar no dia 11 e receberá inscrições até o dia 15, às 12h.
2. Na área de Desenvolvimento:
Equipes de até 3 pessoas deverão criar um game em plataforma web que levante algum questionamento sobre a sustentabilidade do planeta ou seja de alguma forma educativo. As inscrições também pelo hotsite, até as 12 horas do dia 15.
3. Na área de Robótica: Desenvolver em equipes de 4 pessoas um artefato robótico que seja capaz de executar as tarefas da arena de reciclagem, a partir de lixo eletrônico. Para participar, as equipes deverão comparecer às oficinas de robótica para retirar o material.

As palestras:
Terça, dia 12/2

10h - Mudanças Climáticas e Consumo Responsável (na área de Modding)
Laura Valente / ICLEI - Prefeitura de São Paulo. Qual o papel das cidades, o que podemos fazer para minimizar os impactos, consumo responsável, e as experiências que já ocorrem no Mundo.


15h - Refletindo sobre Uma Verdade Inconveniente: Do Global ao Local
Anita Fiori, idealizadora da AllWatt, uma das consultorias ambientais mais importantes do

mundo.Comenta sobre os impactos globais da emissão de carbono, aquecimento global, e o que cada cidadão e país pode fazer para reverter o processo.

20h - Blogueiros pelos direitos dos animais: Como utilizar os blogs os direitos dos animais (Campus Blog)
Maurício Kanno (blog Animao), Simone Nardi (blog Consciência Humana), Fábio Paiva (blog Pelo Fim do Holocausto Animal), Laura Kim Barbosa (blog Veganismo Brasil)

Dia 13/2
Campus Blog:
13h: De olho no Planeta: Como as novas tecnologias e a internet podem se tornar ferramentas importantes para a preservação de áreas verdes e a manutenção de espaços urbanos - Instituto Sócio-Ambiental
Maria Ines Zanchetta
Marussia Whately
Alex Piaz
Maria Martha Mota Coelho
Cícero Cardoso Augusto
Bruno Dias Weis
Enrique Svirsky
Paulo Junqueira

17h às 19h30 - No Desenvolvimento - Tecnologia Limpa: Visita Monitorada - Estação de Tratamento da Água do Lago do Parque do Ibirapuera

Na Quinta-feira, 14/02

Área Simulação
13hs às 14:30hs S.O.S Aquecimento Global
O desafio para os participantes da área será criar uma simulação de como o planeta se tornará se a temperatura aumentar + 1, + 6 e + 10 graus.

Área de Modding
16hs às 17hs Sustentabilidade e Minimização de Resíduos: passaporte responsável para os novos tempos!  Não há mais espaço para uma sociedade incapaz de assumir suas responsabilidades quanto à minimização dos desperdícios e que não realize a gestão adequada dos resíduos que gera. Maluh Barciotte - Coordenadora Geral do Programa Viva Bem no Mundo que Você Tem! Blog Maluh Barciotte e Viva Bem no Mundo que Você Tem!

Área Games
17:3

0hs às 19hs - Sustentabilidade em rede: idéias e atitudes por um mundo melhor ganham espaço e expressividade nas redes sociais - Eduardo Coutinho - Catalisa

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