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Nos Estados Unidos, a deputada democrática Rosa DeLauro apresentou uma proposta de lei ao congresso, que deverá ser analisada em breve. Conhecida como Food Safety Modernization Act of 2009 e patrocinada por lobistas dos grandes conglomerados como MONSANTO, CARGILL, ADM (Archer, Daniels e Midland) e mais 35 grandes empresas agroalimentares, na prática, se aprovada, a tal lei deverá acabar com a agricultura biológica, considerada insana. Do modo em que foi redigida a malfadada proposta os hortos caseiros também seriam banidos.
O objetivo, segundo a deputada, teria como finalidade criar uma nova agência dentro do Department of Health and Human Services, chamada Food Safety Administration (FSA), para proteger a população da gestão perigosa dos alimentos e criar um standard para a segurança alimentar que atinja, inclusive, alimentos importados. Desse modo, ao FDA restaria somente o controle de medicamentos.

Apesar de não existir no projeto de lei nenhuma indicação desfavorável à cultivação para o próprio consumo e a palavra "biológico" jamais ter sido usada, também não existe nenhuma indicação favorável. O projeto de lei foi redigido de maneira a permitir interpretações e determina que as disposições de segurança alimentar que consistem no uso de agentes químicos, serão adotados um muito genérico "mecanismo de produção de alimentos" e em "qualquer empresa agrícola, ranchos, hortos, vinhedos e qualquer instalação ou local usado para cultivar". Ou seja, presumivelmente seriam incluídos cultivações biológicas e hortos caseiros. Pobre Michelle Obama. Se a lei passar, ela terá que arrumar outro passatempo.

Para comemorar seu bicentenário, o Jardim Botânico lançou seu primeiro 1o. Festival de Cinema Ambiental. A programação (que começou no último dia 31 de outubro e vai até 9 de novembro) é bem variada e inclui 40 filmes de vários países. Destaque para um documentário sobre o ambientalista gaúcho José Lutzenberger e O Mundo Segundo a Monsanto, da jornalista francesa Marie-Monique Robin - que pode ser também visto online, aqui. E o melhor: tudo digratis!

Terça-feira que vem é o Dia T na França. Os parlamentares franceses vão decidir se mantêm ou não a proibição ao milho transgênico MON 810, da Monsanto, que tantos problemas vêm causando mundo afora. Além da França, outros sete países europeus baniram esse milho de suas terras - o último deles foi a Romênia. O MON 810 é acusado de causar problemas de sáude às pessoas, à fauna silvestre e ao meio ambiente. E a população francesa demonstrou no último fim de semana ser a favor da proibição. Vinte e cinco mil pessoas foram às ruas protestar contra a possibilidade de se dar novamente à Monsanto permissão para plantar e comercializar o milho transgênico. Os políticos franceses vão ter que decidir: ou ficam com o desejo popular (e científico, bien sur), ou se dobram ao poderoso lobby da Monsanto.

A votação na assembléia é uma prova de fogo e tanto para a França, que viveu dias de intensa mobilização ambiental na última semana. Além de protestos contra os transgênicos, o país discutiu medidas a serem tomadas para resolver problemas ambientais, promover projetos que dão ênfase ao desenvolvimento sustentável e sensibilizar as pessoas sobre a importância de se mudar hábitos na hora de se consumir produtos. 

O que me incomoda é ver tantos países e cidades se mobilizando para tomar decisões importantes e necessárias para tornar nossa vida mais sustentável e o Brasil patinando nesse assunto. Acho que as pessoas ainda não se deram conta da urgência disso tudo. Galera, o planeta tá aquecendo pacas e podemos em breve atingir o ponto de não-retorno. Aí, babau, talvez seja tarde demais pra se tomar alguma atitude. Eu sei que o Brasil é o país da fartura, da abundância, mas sempre lembro de um provérbio que minha avó dizia: "Dia de muito, véspera de pouco". 

Ah, e por falar em Monsanto, olha só que beleza (sic) essa matéria da revista Vanity Fair. Relata como a empresa pressiona e ameaça agricultores nos Estados Unidos (país onde ela reina absoluta no plantio e comercialização de sementes transgênicas) a pagar royalties de seus produtos. Só que muitas vezes esses agricultores são vítimas de contaminação genética. Como num conto de Kafka, o cara começa a ser perseguido justamente pela empresa causadora do problema! O mesmo vem ocorrendo no Brasil (com a soja transgênica e, em breve o milho, o mesmo MON 810 banido em várias partes da Europa) e em outros países. 

A matéria da Vanity Fair (cuja edição de maio é toda dedicada a temas ambientais) traz ainda um histórico da empresa, desde os tempos em que fabricava produtos químicos e tóxicos que contaminaram seriamente diversas cidades americanas (como o agente laranja usado na guerra do Vietnã). Mas isso é passado. Hoje a empresa se dedica a produtos mais modernos, como o Posilac (hormônio de crescimento dado a vacas leiteiras) e aos transgênicos. Tudo da mais alta qualidade. Se são seguros? Bom, a Monsanto diz que sim. Alguém acredita?

Conhecendo-se um pouco do perfil da Monsanto, não é de se estranhar nada disso.

E são matérias como essa da Vanity Fair que nos faz perceber que, no Brasil, o jornalismo está dando lugar cada vez mais às relações públicas. Sim, porque nas matérias publicadas recentemente por aqui em revistas como Exame e IstoÉ sobre a Monsanto, nenhuma linha sobre essas práticas da empresa, nem de seu passado atroz de poluição química, danos à saúde de populações inteiras nos EUA, promiscuidade com órgãos como a FDA americana, etc...