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Terça-feira que vem é o Dia T na França. Os parlamentares franceses vão decidir se mantêm ou não a proibição ao milho transgênico MON 810, da Monsanto, que tantos problemas vêm causando mundo afora. Além da França, outros sete países europeus baniram esse milho de suas terras - o último deles foi a Romênia. O MON 810 é acusado de causar problemas de sáude às pessoas, à fauna silvestre e ao meio ambiente. E a população francesa demonstrou no último fim de semana ser a favor da proibição. Vinte e cinco mil pessoas foram às ruas protestar contra a possibilidade de se dar novamente à Monsanto permissão para plantar e comercializar o milho transgênico. Os políticos franceses vão ter que decidir: ou ficam com o desejo popular (e científico, bien sur), ou se dobram ao poderoso lobby da Monsanto.

A votação na assembléia é uma prova de fogo e tanto para a França, que viveu dias de intensa mobilização ambiental na última semana. Além de protestos contra os transgênicos, o país discutiu medidas a serem tomadas para resolver problemas ambientais, promover projetos que dão ênfase ao desenvolvimento sustentável e sensibilizar as pessoas sobre a importância de se mudar hábitos na hora de se consumir produtos. 

O que me incomoda é ver tantos países e cidades se mobilizando para tomar decisões importantes e necessárias para tornar nossa vida mais sustentável e o Brasil patinando nesse assunto. Acho que as pessoas ainda não se deram conta da urgência disso tudo. Galera, o planeta tá aquecendo pacas e podemos em breve atingir o ponto de não-retorno. Aí, babau, talvez seja tarde demais pra se tomar alguma atitude. Eu sei que o Brasil é o país da fartura, da abundância, mas sempre lembro de um provérbio que minha avó dizia: "Dia de muito, véspera de pouco". 

Ah, e por falar em Monsanto, olha só que beleza (sic) essa matéria da revista Vanity Fair. Relata como a empresa pressiona e ameaça agricultores nos Estados Unidos (país onde ela reina absoluta no plantio e comercialização de sementes transgênicas) a pagar royalties de seus produtos. Só que muitas vezes esses agricultores são vítimas de contaminação genética. Como num conto de Kafka, o cara começa a ser perseguido justamente pela empresa causadora do problema! O mesmo vem ocorrendo no Brasil (com a soja transgênica e, em breve o milho, o mesmo MON 810 banido em várias partes da Europa) e em outros países. 

A matéria da Vanity Fair (cuja edição de maio é toda dedicada a temas ambientais) traz ainda um histórico da empresa, desde os tempos em que fabricava produtos químicos e tóxicos que contaminaram seriamente diversas cidades americanas (como o agente laranja usado na guerra do Vietnã). Mas isso é passado. Hoje a empresa se dedica a produtos mais modernos, como o Posilac (hormônio de crescimento dado a vacas leiteiras) e aos transgênicos. Tudo da mais alta qualidade. Se são seguros? Bom, a Monsanto diz que sim. Alguém acredita?

Conhecendo-se um pouco do perfil da Monsanto, não é de se estranhar nada disso.

E são matérias como essa da Vanity Fair que nos faz perceber que, no Brasil, o jornalismo está dando lugar cada vez mais às relações públicas. Sim, porque nas matérias publicadas recentemente por aqui em revistas como Exame e IstoÉ sobre a Monsanto, nenhuma linha sobre essas práticas da empresa, nem de seu passado atroz de poluição química, danos à saúde de populações inteiras nos EUA, promiscuidade com órgãos como a FDA americana, etc...

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