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Em um país tropical, com sol 365 dias ao ano, a energia solar é muito bem-vinda. Porém, apenas 50 cidades têm legislação para aplicação deste tipo de energia, entre elas São Paulo, Avaré (SP), Peruíbe (SP), Porto Alegre (RS), Juiz de Fora (MG), Belo Horizonte (MG) Campina Grande (PB). Os dados são do Cidades Solares, que fomenta a tecnologia e divulga informações sobre o tema.
Se pesarmos o valor do investimento, em torno de R$ 2 mil, a médio ou longo prazo está pago. Já nas residências populares, os programas de incentivo utilizam tecnologia barata, em torno de R$300, para montar os painéis fotovoltáicos de embalagens tetrapack, diminuindo a conta de luz em até 40%.
Dados do Procel mostram que chuveiros respondem por 24% do consumo residencial e chegam a consumir 50% da carga energética em horários de pico, entre 18h e 21h. Ao substituir a energia elétrica por solar, deixa-se de sobrecarregar a rede e economiza-se na conta.
Embora não tenha energia solar aqui em casa, aproveito o aquecimento natural da caixa-d'água e uso o chuveiro na posição "desligado". Nestes dias de calor insuportável, como hoje, a água sai morna, dispensando o aquecimento elétrico. São as vantagens de se morar em casa.
A Califórnia é o estado mais poluído dos Estados Unidos. No entanto, a chegada do preço do petróleo a $100 o barril deu um empurrãozinho na consciência ecológica e agora eles desejam ser um exemplo em termos de revolução verde.
O objetivo fixado é ambicioso, o governador Arnold Schwarznegger deseja obter uma redução de 25% das emissões de CO2 até 2020. Para indicar a firmeza de suas intenções, fez um gesto simbólico forte : apresentou queixa na justiça contra os maiores fabricantes de carros pour "atentado à saúde pública". Não se sabe no que vai resultar, mas o sinal está dado.
Os cientistas são céticos e acham as medidas adotadas por ele insuficientes, eles estão conscientes de que seria necessário uma revolução ecológica em nível nacional, passando por investimentos maciços nas infraestruturas das energias e transportes. Seria necessário reconsiderar o próprio "american way of life". Além disto, o aumento da população californiana de 14% ao ano, com todas as necessidades em moradia, transportes e produção de alimentos que isto acarreta, se constitui em um obstáculo para se atingir as metas fixadas.
Dois pontos importantes a serem tratados segundo os cientistas são o consumo de gasolina e a produção de eletricidade. Em relação ao primeiro, embora o combustível utilizado nos carros possua uma porcentagem de 4% de etanol, "os carros híbridos ainda não são suficientemente numerosos para fazer a diferença". Quanto à eletricidade, a Califórnia já apresenta campos de eólicas e uma superfície de painéis solares superior à média nacional americana. Mas existem problemas na transmissão da eletricidade gerada pelas eólicas, que necessitariam investimentos para serem resolvidos. Uma grande "fazenda solar" (foto acima)também foi implantada no deserto de Mojave, mas a produção destes 2 tipos de energia não são suficientes para responder à demanda. Muitos são adeptos da energia nuclear, que seria barata, eficiente e não produz gases que contribuem para efeito estufa. Resta o problema dos rejeitos que ainda não foi solucionado.
A população também se mobiliza e várias ONGs ecologistas apareceram visando desenvolver a consciência ecológica e são responsáveis por iniciativas como o plantio de árvores e a construção de casas sustentáveis.
Esta postura de um estado americano em relação aos problemas do meio ambiente é animadora. Será que o Terminator vai conseguir virar Hulk na terra do Zorro e torná-la verde? Tomara!
Fonte : Revista Le Point 10/01/2008
As contradições do etanol
Trecho:
"Já os impactos ao meio ambiente estão sendo ignorados pelos que defendem a substituição do peltróleo pelo álcool combustível como medida para reduzir o aquecimento global. Um dos processos de produção mais comuns é a queima da palha do canavial, para facilitar o corte manual e aumentar a produtividade do cortador de cana. Essa prática reduz custos de transporte e aumenta a eficiência das moendas nas usinas. No entanto, a queima libera gás carbônico, ozônio, gases de nitrogênio e de enxofre (responsáveis pelas chuvas ácidas) e provoca perdas significativas de nutrientes para as plantas, além de facilitar o aparecimento de ervas daninhas e a erosão. Como opção às queimadas, responsáveis por boa parte das mortes dos cortadores por meio da inalação de gazes cancerígenos, a mecanização pode ser extremamente prejudicial ao solo, pois o comprime, não permitindo a entrada de oxigênio."
leia todo o texto completo:
http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/nacional/as-contradicoes-do-biocombustivel
O mito dos biocombustíveis
Trecho:
"A propaganda do "combustível verde" ou "energia limpa" tem sido amplamente difundida no Brasil. "Usados em substituição aos derivados de petróleo, tanto o etanol quanto o biodiesel se convertem em ferramentas capazes de deter o aquecimento global", afirma texto da revista Globo Rural (Novembro, 2006).
Por outro lado, já existem diversos estudos que contradizem essa idéia. Especialista em genética e bioquímica, a professora Mãe-Wan - Ho, da Universidade de Hong Kong, explica que "os biocombustíveis têm sido propagandeados e considerados erroneamente como ´neutros em carbono´, como se não contribuíssem para o efeito estufa na atmosfera; quando são queimados, o dióxido de carbono que as plantas absorvem quando se desenvolvem nos campos é devolvido à atmosfera. Ignoram-se assim os custos das emissões de CO2 e de energia de fertilizantes e pesticidas utilizados nas colheitas, dos utensílios agrícolas, do processamento e refinação, do transporte e da infra-estrutura para distribuição". Para a pesquisadora, os custos extras de energia e das emissões de carbono são ainda maiores quando os biocombustíveis são produzidos em um país e exportados para outro."
Leia o texto completo:
http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/analise/o-mito-dos-biocombustiveis
Etanol: combustível da exploração do trabalho no campo
Trecho:
"Crescem os negócios e diminuem os direitos. O argumento dos empresários e dos países ricos para o aumento da produção do etanol é o de aliviar, de uma só vez, dois grandes males do século 21: a escassez do petróleo e o efeito estufa. Além das contradições deste discurso (leia mais aqui), essa proposta não parece nada "sustentável" do ponto de vista da situação dos "corta-cana" - trabalhadores dos canaviais. "Historicamente, a produção de açúcar está associada com o trabalho escravo de índios e negros", afirma Plácido Júnior, coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT) de Pernambuco."
Leia o texto completo:
http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/etanol-combustivel-da-exploracao-do-trabalho-no-campo
Etanol o mundo quer. O Brasil tem
Trecho:
"O álcool entrou na agenda de governantes, empresas de tecnologia e, principalmente, de investidores interessados nas grandes oportunidades que o setor tende a oferecer daqui para a frente. O homem mais rico do mundo, Bill Gates, fundador da Microsoft, comprou 25% da Pacific Ethanol para produzir álcool de milho nos Estados Unidos. Especula-se que Gates esteja prestes a concretizar a aquisição de uma usina de etanol no Brasil. Larry Page e Sergey Brin, do Google, estiveram em janeiro no interior de São Paulo para conhecer a produção local e analisar oportunidades. Outro bilionário, o investidor húngaro George Soros, fechou em fevereiro a compra da usina Monte Alegre, em Minas Gerais. Em 2006, o setor de etanol deve receber investimentos de 9,6 bilhões de dólares, entre construções de novas usinas, aquisições e expansões."
Leia o texto completo:
http://portalexame.abril.uol.com.br/revista/exame/edicoes/0870/negocios/m0082575.html
Etanol é ´ameaça disfarçada de verde´, dizem ambientalistas
Trecho:
"Metade da matéria-prima utilizada pela União Européia para produzir biocombustível é originária do Brasil, ele afirmou. Em 2005, o país exportou 50% das 538 mil toneladas de óleo de soja e palmeira que a UE comprou para este fim.
"Não entendemos o entusiasmo brasileiro em relação aos biocombustíveis, porque o Brasil tem grande experiência no tema, e conhece os efeitos negativos de uma má gestão da selva amazônica, que é um patrimônio da humanidade", disse Kucharz."
Leia o texto completo:
http://www.estadao.com.br/ciencia/noticias/2007/abr/19/124.htm
Deparei-me hoje com um post do Allan em que ele comenta a implantação de usinas de energia eólica no sul da Itália, e me lembrei de uma cena marcante que vi mês passado na Califórnia. Estávamos vindo do Parque Nacional de Yosemite em direção a San Francisco, quando num trecho da rodovia US-580 (na altura de Pleasanton) começamos a ver moinhos de vento. Não um nem dois: centenas, no topo de todos os morros ao redor. Uma cena impressionante.

O que me relembrou que eu estava no estado americano que mais tem implantado leis ambientais nos últimos anos, repensado o modelo atual e tentado minimizar os impactos ao ambiente. Investir na energia limpa dos ventos é uma excelente tentativa de amenizar o problema do aquecimento global, mas numa perspectiva mais política, uma excelente forma também de desviar um pouco o olhar do principal problema que a própria Califórnia enfrenta: o excessivo consumo de gasolina e combustíveis fósseis. A Califórnia e sua intricada profusão de highways é para mim o epíteto do modelo americano malfadado, que privilegiou o uso do automóvel e da energia termelétrica em suprimento do pensamento coletivo. (Parênteses: Imagine que, dirigindo por lá, nós tínhamos privilégios rodoviários apenas pelo fato de sermos 2 pessoas no carro - a maior parte dos motoristas está sozinho em seu mundo fechado de 4 rodas, consumindo gasolina e poluindo para o transporte somente de si próprio. Deplorável modelo.)
A energia termelétrica ainda é a fonte energética primária que sustenta a maior parte das cidades americanas (a que mais polui também, e maior responsável pelos imensos valores de CO2 na atmosfera), mas esse perfil americano pode mudar, basta que: haja mais incentivos para desenvolvimento e uso de fontes alternativas, haja mais pesquisa por novas fontes menos poluidoras e essas novas fontes não sejam tremendamente caras - embora um dia petróleo será tremendamente caro, então a opção por ele pode simplesmente se tornar mais inviável que as demais. Wishful thinking...
Gosto de pensar que, pelo menos, os californianos estão investindo em alternativas, e isso é visível. Fazendo a sua parte - pequena, mas já é algo. E nós, brasileiros, será que um dia faremos também a nossa parte nesse sentido? Quando é que deixaremos de abusar dos combustíveis fósseis, abandonando o transporte de carga rodoviário com caminhões (muito menos eficiente) e adotaremos mais intensamente as vias férreas ou náuticas, em que se gasta o mesmo combustível, mas pelo menos carrega-se muito mais volume de carga de uma vez só? Já usamos como centro de nosso modelo energético as usinas hidrelétricas, que já são mais limpas que as termelétricas (embora não menos ambientalmente problemática ao local). As usinas nucleares já estão sendo defendidas até por ambientalistas de carteirinha, e sem dúvida são, na atual conjuntura, uma melhor opção que as que queimam combustível fóssil. Mas ainda há uma longa estrada a ser trilhada nessa jornada em busca de uma energia mais limpa.
Modelos de energia limpa precisam de incentivo, mesmo dentro de nossas casas. Mas cabe também ao governo incentivar o surgimento e propagação dos mesmos, diminuindo talvez os impostos que recaem sobre quem quer colocar um painel solar e casa, por exemplo. O governo da Califórnia deu um passo inicial - minúsculo, mas deu. Vamos ver se a moda pega.
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P.S.: A Califórnia é um dos estados americanos que adotam o imposto sobre o e-lixo (o lixo dos aparelhos eletrônicos e derivados), pago em geral no ato da compra de eletrônicos e direcionado ao manejo adequado e ecocoerente desse lixo. Afinal, o que faremos com as baterias, monitores, celulares e outras maravilhas da modernidade quando estragam ou são simplesmente descartadas, ou seja, viram lixo? Na velocidade com que a tecnologia se repõe hoje em dia, essa é uma questão importante para qualquer política atual que queira ser o mínimo integrada com os problemas da sociedade.
O que deveria ser uma boa notícia perde o brilho quando se nota que a questão ambiental é somente uma moeda de troca, algo para barganhar o apoio de outros políticos. Não chega a ser uma novidade, numa época em que o governo dos Estados Unidos resolve brincar de gato e rato com os tratados sobre a redução de emissão de gases do efeito estufa, mas não deixa de chocar.
Os avanços realmente significativos resultam das iniciativas de prefeituras ou regiões, sobretudo no norte da Itália, que também registra uma maior incidência de movimentos ecológicos (educar é formar?). A província de Bolzano foi a primeira a obrigar à certificação energética, classificando cada residência em função da emissão de gases e da economia de energia, formando uma tabela bem distinta. As residências classificadas na parte alta da tabela gozam de descontos em impostos e taxas e obtêm maiores incentivos na aquisição de novos equipamentos. A cidade de Trento tem o maior percentual de painéis solares, com mais de 10 metros quadrados para cada mil habitante. Se considerarmos que as residências geram 1/3 da emissão dos gases que causam o efeito estufa, pode-se imaginar o impacto que provoca a substituição dos velhos equipamentos para aquecimento das casas e da água; a aquisição de eletrodomésticos de baixo impacto ambiental e baixo consumo; a obrigatoriedade de não superar os 19 ºC em escritórios durante o inverno e de manter o ar-condicionado em 25 ºC no verão; evitar o uso indiscriminado do transporte privado; não usar água acima dos 40 ºC para lavar roupas (na Europa todos usam máquinas de lavar que podem atingir 90 ºC de temperatura da água), e de se consumir alimentos de estação produzidos localmente ou nas proximidades. Todas essas ações tem um custo que os administradores locais estão tentando reduzir ou ressarcir. Mas o esforço vale a pena. A prefeitura de Bolzano levantou em um estudo que uma casa normal consome, em média, 200 kW/h por metro quadrado, enquanto um casa dentro dos critérios ecológicos consome apenas 15 kW/h.
Gianni Silvestrini, assessor para assuntos de energia do ministro Bersani, revelou que o objetivo fixado pelo protocolo de Kyoto era reduzir, até 2010, a emissão de monóxido de carbono em 6,5%, em relação aos níveis existentes em 1990. Ao contrário do que se esperava – e parece que esperavam de braços cruzados – a emissão aumentou em 13% desde 1990, segundo Silvestrini. Sozinhas as prefeituras estão fazendo muito, mas as chances de que objetivo seja cumprido ficam cada vez menores.
Espero muito estar enganado, mas tenho a impressão de que é o medo de fazer feio diante da comunidade internacional o que tem incentivado essa nova postura do governo.
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A Ana Roberta convida para uma visita ao site da AVAAZ que está promovendo um abaixo assinado em defesa de medidas eficazes contra o aquecimento global.
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