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Eis que a indústria do plástico parece ter começado a sentir o impacto das campanhas contra as controversas sacolinhas plásticas. Também não é pra menos. Aí investiram pesado no contra-ataque: campanha na TV, site especial, campanha em jornais e revistas de grande circulação: tudo para convencer o público de que as sacolinhas plásticas não são o problema, mas a solução. Podem até dizer que basta o uso responsável, mas quantas pessoas de fato pegam só a quantidade necessária? Eu já fiz uma pesquisa informal, perguntando a vizinhas e amigas: mas você usa mesmo todas as sacolas que pega? A resposta é sempre não. E, na melhor das hipóteses, as sacolinhas não utilizadas para embalar o lixo vão para a coleta seletiva, que todos nós sabemos que está longe de ser eficiente. Agora parece que deram carta branca para o povo pegar quantas quiser, afinal elas são tão úteis! Sim, o plástico tem muitas utilidades, mas sacolinhas plásticas talvez sejam a menos nobre delas.

Você engoliu esse circo todo? Nem eu.

Alô, alô, W/, Brasil, Plastivida! Reciclem suas idéias. Está na hora de ações de verdade, de campanhas que tragam mudanças reais, as mudanças necessárias para um futuro decente. Dizer que sacolinhas são muito úteis é uma pouca vergonha. Vamos apresentar soluções, vamos investir em algo que traga benefícios de verdade. Está na hora da indústria acordar e repensar seus processos.

E tem mais gente que não engoliu. Para saber mais, siga os links abaixo:

Em prol das sacolas plásticas? Nem pensar!

Vamos acabar com as sacolinhas plásticas

Dicas práticas para se livrar das sacolinhas plásticas

Sacolinhas plásticas na publicidade

Sobre sacolinhas plásticas e cyberativismo

Sacola, não obrigada!

Só carrega sacola plástica quem quer

sacolas de plástico

foto: blog Saco é um Saco. É isso que eles querem fazer de verdade...

Não, minha gente, não dá pra acreditar. A gente fez um trabalho de formiguinha na rede, incentivando o uso de sacolas retornáveis, criando sacolas lindas, falando dos males da sacolinha de plástico. Na última semana da novela Caminho das Índias me chamou a atenção de um anúncio da Plastivida defendendo esta verdadeira fonte de poluição.

Não, Plastivida, sacolinhas plásticas não são simpáticas e muito menos úteis. Só para começar, elas são feitas a partir de recurso não-renovável (petróleo). Dá para reutilizar? Sim. Mas vocês estão defendendo o leite das suas crianças, enquanto nós, cidadãos do mundo, estamos em luta para preservar o nosso planeta para o futuro. Dizer, literalmente,

"o plástico é hoje indispensável na vida dos seres humanos, como uma rápida olhada à nossa volta pode constatar, porém, tem sido muitas vezes apontado como vilão por danos ao meio ambiente. O motivo está atrelado à falta de conhecimento - de educação, pode-se dizer - das comunidades em relação ao descarte correto de objetos feitos com esse material, como as sacolas plásticas, mas não só, afinal, apenas 7% dos 5.564 municípios brasileiros têm coleta seletiva de lixo atualmente." (sic)

é o fim da banguelinha.

Pense comigo

Primeiro: como assim o plástico é indispensável na vida dos seres humanos? Alguém aí nasceu envolto em filme plástico? Plástico é vilão, sim, em todas as pontas, caro senhor Francisco de Assis Esmeraldo. Segundo: segundo documento do Cempre, publicado no site do Senado (arght), o Brasil reciclava, em 2007, 11% do lixo. Aliás, a Plastivida (e suas associadas) não faz parte do Cempre (Compromisso Empresarial para a Reciclagem). Terceiro: em São Paulo, em 2008, foram 40,9 toneladas de lixo reciclado recolhido, 7% do que seria possível, diz a Limpurb. Pesquisem mais, meus caros.

A campanha ficará no ar por 10 meses, com verba de R$ 7 milhões, valor rateado pela cadeia produtiva de plástico, inclusas as petroquímicas (entre elas, a Petrobras). As mensagens salientam que com uso responsável, a embalagem de plástico oferece não apenas conveniência, mas também ajuda na preservação do meio ambiente.

Se os empresários da Plastivida estão tão preocupados com o meio ambiente e sua valiosa fonte de renda porque não investem os 7 milhões de reais (trocado para eles) em usinas de reciclagem para esta caca? Porque não estudam e incentivam a adoção da técnica do garoto canadense para que elas sejam degradadas em poucos anos, em vez dos 200 anos? Por que não lançam suas próprias ecobags? E, para completar, é o fim da picadinha colocar a culpa no usuário final pelo descarte incorreto.

Tem mais: não adianta a sacolinha seguir padrão ABNT e o escambau. Sacolinha plástica é ruim de carregar. As sacolas retornáveis são sensacionais. Algumas levam a compra inteira. Outras cabem no bolso - ou na bolsa. São incrivelmente mais resistentes e confortáveis que qualquer sacolinha de plástico. E duram quase o resto da vida. Sem contar que todo mundo tem uma boa sacola de feira em casa, né, seu Francisco? Se o primeiro R é REDUZIR para quê mesmo consumir mais? Meio ambiente uma pinóia, vocês querem é dinheiro!

Pior de tudo é ver uma agência "bacana", a W, do Washington Olivetto - e o próprio - na mesma matéria, defendendo a proposta. Estão achando que vão conquistar respeito? Nem a pau, Juvenal.

Em resposta à Plastivida, à W e a esta tentativa horrível a gente repete junto com o Ministério do Meio Ambiente: Saco é um Saco. Espalhem esta idéia onde puderem, de todas as formas possíveis. Agora.

A ficha técnica da produção, para todo mundo anotar bem direitinho o nome dos malfeitores:

Criação: Fábio Saboya e Guime Davidson
Direção de criação: Washington Olivetto
Atendimento: André Rossi, Roberta Julianelli e Larissa Menescal
Planejamento: Newton Nagumo
Mídia: Gleidys Salvanha, Fabíola Sidorenko e Roberta Coimbra
Produção gráfica: Julio Coralli
Art buyer: Sônia Sanches
Produtora: Bossa Nova Films
Diretor: Willy Biondani
Diretor de fotografia: Walter Carvalho
Diretores de arte: Sidnei Biondani e Vanessa Monteiro
Produção: Equipe Bossa Nova Films
Montador: Marcola
Finalização: Bossa Nova Films
Produtora de som: Panela Produtora
Aprovação pelo cliente: Francisco Assis Esmeraldo

Sei que a essa altura do campeonato já deve estar todo mundo sabendo do lançamento feito no último 5 de junho, em comemoração ao Dia do Meio Ambiente, do filme "Home", de Yann Arthus-Bertrand, com narração em ritmo perfeito por Glenn Close. De qualquer forma, queria deixar aqui o trailler para incentivar os que ainda não assistiram.

As imagens são belíssimas, todas aéreas de ângulos bem inusitados e criativos. Verdadeiras obras de arte, que impressionam, chocam, levam à reflexão e esfregam na nossa cara e consciência a urgência de mudarmos nossas atitudes consumistas. A mensagem que se leva para casa é simples: não temos tempo para pessimismo. Nem para politicagem, mimimis e discussões infundadas. Há uma necessidade maior em jogo, a de que cuidemos de nossa casa, o planeta Terra. Precisamos agir em prol dele já.

O filme inteiro está disponível no Youtube até dia 14 de junho, e depois dessa data, direto no site deles.

(O Alex Primo fez uma boa resenha de "Home", vale conferir.)

Photobucket

Mais de quinhentos anos depois que Cristóvão Colombo chegou à América e 40 anos depois que os americanos fincaram sua bandeira na Lua, é a vez dos russos realizarem sua proeza : colocaram uma bandeira de titânio a 4261 m, nas profundezas abissais do Mar Ártico, para marcar aquele território como seu...uma nova corrida começou, desta vez não é em direção ao "far west", mas ao "far north". E esta febre de conquista desta região não é exclusiva dos russos. Os habitantes da Groenlândia estão pleiteando sua independência da Dinamarca, os canadenses criaram uma base militar na ilha de Cornwallis, os noruegueses, os americanos, enfim os paises que são "banhados" pelo Ártico, tentam reforçar sua presença na região. Até a União Européia estão procurando meios de se "posicionar" no Polo Norte.

PhotobucketMas porque será, não é mesmo? Todo estes povos estão querendo ir lá para ajudar Papai Noel? Non, non, non, non, o que acontece é que nesta região existe uma imensa reserva petrolífera e 20% das reservas energéticas da Terra, além de urânio, prata, ouro, zinco, chumbo e outras riquezas minerais que até agora eram inacessíveis devido à presença da calota polar. E com o aquecimento climático a calota regrediu de 7,5 milhões de quilômetros quadrados a 4,1 milhões de quilômetros quadrados entre 1987 e 2007, e a fusão se acelera de tal forma que se estima que antes do final deste século (alguns esperam o fenômeno para antes, por volta de 2013) ela não existirá mais no verão. Este fenômeno poderia conduzir mesmo à abertura de uma nova rota marítima comercial pelo norte nesta estação, que economizaria milhares de km de percurso aos navios que passam entre o Atlântico e o Pacífico e serviria para, entre outras coisas, evacuar o petróleo que seria produzido na região!

PhotobucketAgora, o outro lado da moeda são as consequências do aquecimento climático para os habitantes, a fauna e a flora da região. Os habitantes que viviam da caça e da pesca artesanais estão percebendo que esta ficando cada vez mais difícil encontrar suas presas. Para alcançá-las eles assumem riscos sobre as camadas de gelo que estão se tornando menos espessas e ameaçam de se quebrar. Os ursos brancos com o diminuição gradual da "banquise" estão vendo seu terreno de caça invernal desaparecer, o que já acarretou a morte de vários deles. As focas também estão sofrendo com esta redução de seu habitat de reprodução. Quanto aos pastores nômades, a mudança climática perturba suas atividades, pois tem havido mais neve nos invernos porém com as variações bruscas de temperatura esta forma uma camada de gelo que impede os animais herbívoros de alcançar o lichen com o qual se alimentam. O resultado é que as populações, sem seus meios tradicionais de subsistência começam a se aglutinar nas cidades, sem grandes perspectivas de encontrar trabalho.

PhotobucketAlém disso, apesar do fato deste degelo da calota polar ártica não conduzir ao aumento do volume dos oceanos, ele contribui para o aumento do efeito estufa pois há uma redução da superficie gelada que reflete a luz do sol (albedo) e "freia" o aquecimento.

Refletindo sobre a situação, os combustíveis fósseis contribuiram para provocar o aquecimento climático o qual por sua vez provocou a degelo do Ártico que acelerou o aquecimento climático num círculo vicioso infernal. Podem os seres humanos usar as próprias consequências deste efeito para ir procurar mais petróleo o qual vai gerar mais CO2, intensificando ainda mais o problema, comprometendo assim as condições de vida das gerações futuras? Não é uma coisa insensata? Mas...Yes, we can...e salve-se quem puder!

Toda festa programada é um saco, mas o Carnaval em acréscimo, é patético. Porque tem uma origem tristíssima. Os pobres escravos pagãos da velha Roma, para que não enlouquecerem de tudo, tinham esses dias para um remendo de alegria na infinita dureza de todos os dias. Quando essa festa chega através dos séculos e dos navios até as terras brasileiras encontra terreno propicio. Cheia de escravos, avidos de um momento que fosse de libertação, se transforma pouco a pouco no que é hoje: uma festa de escravos que travestindo-se de nobres do século 19, ou dando-se é louca jóia de viver mas somente por poucos dias, acreditam que tem a grande sorte de viver ali. Além disso, como tudo no século XX, virou espetáculo, diga-se, business.
Mas...
Qual é o impacto ambiental do Carnaval? Quanto custa em termos
ecológicos a construção de carros, roupas (quando se usam) e agregados
que na maioria dos casos vai parar no lixo? Quanta energia se gasta para a produção de tudo isso e também das luzes extras que por todo lugar despontam?
Alguém já fez esse calculo?

Enquanto aguardo eventuais (esses dias?) respostas, deixo uma receita: Festa quando dà na telha e com quem se ama e alegria sempre.

Cada vez que descartamos um produto eletrônico, estamos criando um sério problema ambiental. Pra onde vai aquela TV, aparelho de som ou computador que já não nos serve, cheia de componentes químicos e tóxicos? O Greenpeace tem pesquisado a fundo esse tema e denunciado a exportação de lixo eletrônico europeu, americano e japonês para países pobres, principalmente na África e Ásia. A organização ambientalista fez um teste: levou uma TV detonada, praticamente inútil, para ser reciclada na Inglaterra. Resultado? O aparelho foi 'exportado' para a Nigéria. Picaretagem pura. Confira abaixo:

Mais detalhes aqui.

Ou no vídeo abaixo:



Na fila da padoca, ontem à noite, fiquei na dúvida entre comprar um azeite na promoção e a última edição da Superinteressante, que traz na capa a atual situação deplorável dos oceanos do planeta. Acabei optando pela revista, o que acabou sendo uma boa escolha, não pela matéria de capa, que nada mais é do que um grande cozidão do que vem se falando sobre o tema há meses (quiçá anos). Folheando o material hoje de manhã, o que mais me chamou a atenção foi a entrevista com Tim Jackson, professor de desenvolvimento sustentável da Universidade de Surrey, em Londres, primeira instituição da Inglaterra a criar um departamento específico sobre o tema.

Jackson afirma categoricamente que o crescimento ininterrupto da economia global (um dos pilares do capitalismo moderno) é imcompatível com a sustentabilidade do planeta. Não é comunista, nem petralha, nem antiamericano, apenas mais um da crescente geração de pessoas que acredita num outro mundo possível, sob as regras da economia verde. Já foram ridicularizadas e agora são atacadas. Falta pouco para que sejam consideradas arautos do óbvio.

Enquanto governos e iniciativa privada não se mexem e continuam dando de ombros para o que se avizinha, como vimos em Poznan ou Marraquesh, cabe a nós, indíviduos tomarmos medidas diárias, pouco a pouco, pra ver se lá na frente algo muda. Alguns passos básicos, segundo Jackson, são:

Comprar menos, ser mais eficiente no uso da energia, viajar menos de carro e avião, economizar, fazer investimentos éticos e protestar!

Se for pra ir pro saco, que seja de botas calçadas!

(Este foi meu 100o. post no Ecoblogs!)

Em carta enviada à conferência da ONU sobre mudanças climáticas que aconteceu em Poznan, na Polônia (terminou domingo agora), o presidente Evo Morales, da Bolívia, propõe a criação de um novo modelo de desenvolvimento para o mundo, baseado na sustentabilidade e harmonia com a natureza. A busca incessante pelo lucro, acima de tudo, está destruindo o planeta, diz Morales.

Segue um trecho:

Tudo começou com a Revolução Industrial de 1750 que deu início ao sistema capitalista. Em dois séculos e meio, os países chamados "desenvolvidos" consumiram grande parte dos combustíveis fósseis criados em cinco milhões de séculos. A competição e a sede de lucro sem limites do sistema capitalista estão destroçando o planeta. Para o capitalismo não somos seres humanos, mas sim meros consumidores. Para o capitalismo não existe a mãe terra, mas sim as matérias primas. O capitalismo é a fonte das assimetrias e desequilíbrios no mundo. Gera luxo, ostentação e esbanjamento para uns poucos enquanto milhões morrem de fome no mundo. Nas mãos do capitalismo, tudo se converte em mercadoria: a água, a terra, o genoma humano, as culturas ancestrais, a justiça, a ética, a morte...a própria vida. Tudo, absolutamente tudo, se vende e se compra no capitalismo. E até a própria "mudança climática" converteu-se em um negócio.

A íntegra da carta pode ser lida aqui.


Morales está certo em gênero, número e grau. O que temos hoje é capitalismo no lucro, socialismo no prejuízo. A crise atual foi provocada por instituições financeiras até então tidas como acima de qualquer suspeita. E a cada novo golpe que surge, quem paga a conta somos nós.

Ou repensamos já o modo como produzimos e consumimos, ou vamos todos pro mesmo buraco.

Lembro de ter ficado bastante intrigado quando descobri, ao cobrir a edição de 1996 da tradicional corrida de calhambeques London-Brighton, que os primeiros automóveis do mundo - basicamente carruagens sem os cavalos - eram modelos elétricos! O primeiro foi inventado em 1830. Em 1920, 90% dos taxis de Nova Iorque eram movidos a bateria, época em que todos os bondes das cidades eram elétricos também - leia mais aqui.

Pensei: "Ora, como não desenvolveram a idéia desde então?" Bem, até desenvolveram, mas meio que em segundo plano, já que os motores a diesel e gasolina eram muito mais lucrativos. O petróleo era baratinho, fácil e abundante, e coisas como poluição do ar e doenças respiratórias, denunciadas por proto-ambientalistas ao longo do século 20, eram externalidades aceitáveis pelo bem do progresso.

Pois bem, quase um século depois, voltamos ao ponto de partida. O modelo de negócio baseado em carrões movidos a petróleo sofreu um grande baque com a crise financeira americana e o carro elétrico volta a ser uma opção - desta vez, até onde eu tenho lido, pra valer. As grandes fabricantes de carros dos EUA - Chrysler, GM e Ford - abriram o bico, estão na lona, implorando mais de US$ 30 bilhões para continuarem existindo. A população americana se diz contra o empréstimo, e muitos congressistas também. Eles sabem que, sem uma contrapardida equivalente, é jogar dinheiro no lixo. Muito dinheiro. Agora, qual seria uma contrapartida justa e viável? Certamente não estamos falando da baboseira de ver os altos executivos dessa indústria recebendo salários anuais de US$ 1...

Ou essas empresas mudam pra valer, ou têm mais que ir pro buraco. Sim, porque se continuarem a tocar o negócio da forma como o fazem hoje, vão quebrar mais dia menos dia. Por que não, então, investir no futuro? Em projetos como Better Place, de um empresário israelense, que já despertou o interesse de países como Dinamarca, Austrália e Israel, além de alguns estados americanos, como a Califórnia e Havaí.

A idéia é criar uma extensa rede elétrica para alimentar os veículos por todo o país, com ênfase no transporte público. Mas quem quiser ter seu carrinho elétrico, sem problemas. Vai ser até mais fácil: você pagará pela quantidade de eletricidade que usar. E só. O carro pode ser até dado de graça. Um sistema semelhante ao que vem sendo adotado com sucesso na telefonia celular hoje. Só compra celular quem quiser algo exclusivo. A maioria, no entanto, vai adotar os modelos mais populares. Eu não compro um celular há quatro anos e ainda assim consegui ter bons aparelhos - hoje tenho um modelo smartphone razoavelmente bom. Genial, não? E o melhor: temos toda a tecnologia necessária para por esse projeto em prática.

Aí, GM, Chrysler e Ford! Querem mesmo sair do buraco? Então pensem com a sustentável cabeça de amanhã, não com a gananciosa e poluidora de ontem. Vai ser bom pra vocês e pra gente também!

Dia desses, li um artigo interessante (e bem óbvio) lá no World Changing, sobre aquecimento global e a resposta das pessoas a ele. Mas, por mais óbvio que pareça o que a Lisa Bennett escreveu, o fato é que explica o por quê da nossa lentidão em fazer algo para resolver esse problema - em uma linguagem mais fluida. Resumirei aqui um pouco as palavras de Lisa, mas sugiro imensamente que leiam o artigo, que está mais bem colocado que minha tentativa tosca de traduzi-lo.

Lisa comenta que 2005 foi seu turning-point, ou seja, o momento em que ela tomou consciência do problema real que as mudanças climáticas eram e trariam para a vida futura. Foi quando cientistas começaram a martelar mais e mais de que se nada fizéssemos, nosso futuro como espécie estaria ameaçado. Acrescento um palpite pessoal: foi quando o Katrina destruiu Nova Orleans. As cenas que vieram à tona na mídia, a discussão sobre furacões que sucedeu, etc. trouxeram pra muito perto da nossa realidade as mudanças climáticas. Depois disso, vieram toda a farra de produtos eco-friendly que a gente conhece, muitos efetivos, muitos frutos de greenwashing.

Mas mesmo com tal iniciativa, as pessoas em geral ainda fazem muito pouco pelo ambiente, para evitar os estragos do aquecimento global. Por quê?

Ela cita que de acordo com cientistas sociais, a razão é que nós, humanos, não estaríamos hard-wired para entendermos riscos da mesma forma como os cientistas em geral vêem: uma questão de estatística, probabildiades. Para a maior parte das pessoas, risco é um sentimento, envolve emoções. "Se eu me sinto amedrontada, isto suplanta qualquer quantidade de informação estatística." É o que diz Elke Webber, uma psicóloga citada pelo World Changing.

E, é claro, as mudanças climáticas não acontecerão de uma hora pra outra - já estão acontecendo, aos poucos, lentamente. A gente não percebe os riscos, porque não há uma sensação de medo iminente. Não é um problema claro, de vida ou morte já. Isso é o que dificulta a tomada de decisão e postura das pessoas com relação ao problema.

Os cientistas, que em geral pensam em estatísticas, conseguem se balançar com os dados cada vez mais alarmantes. O que precisamos portanto, é que as campanhas e esclarecimentos desses cientistas toquem mais "ao coração" das pessoas. Apesar de eu achar particularmente complicadas campanhas muito "emotivas" (em geral elas deixam de lado os dados e apelam), entendo que essa é talvez a única maneira de espalhar uma idéia - e gerar ação contundente - para as massas. Ou, idealmente, melhor educação estatística para as pessoas, de forma que elas entendam os números que estão por trás dos cálculos de risco de forma embasada.

Trazer o problema pra bem perto também é outra forma de atingir as pessoas, mostrar os verdadeiros riscos das mudanças climáticas e com isso conscientizá-las a mudar de atitude e fazer algo. Por exemplo, se você mora no Rio, uma idéia é buscar os dados/previsões que mostram o que acontecerá com a cidade com alguns graus a mais. Mostrar também o que já está acontecendo. Com isso, as pessoas podem perceber que o problema está perto delas, não é tão abstrato quanto parece no discurso dos cientistas.

Quem sabe assim, a gente consegue conscientizar mais pessoas da realidade do aquecimento global...

(E eu não perco as esperanças, nunca, de que as pessoas farão algo pelo planeta.)

A Califórnia segue dando o exemplo. A Comissão de Proteção ao Oceano do estado americano está propondo três medidas para reduzir a quantidade de lixo que acaba poluindo o mar: banir as embalagens de isopor para alimentos, cobrança de taxas para o uso de sacolas de papel e/ou plástico, e (a principal delas, a meu ver) tornar os fabricantes responsáveis pela coleta e reciclagem das embalagens de seus produtos. É isso ou ver o mar se transformar numa imensa sopa de lixo!

Segundo a Comissão, essa última exigência já funciona em 33 países no mundo, encorajando a redução de material usado, reduzindo o peso final dos produtos, permitindo o uso de materiais recicláveis e obrigando os fabricantes a redesenharem seus produtos e embalagens. Na Alemanha, após quatro anos do início do programa, o lixo produzido por embalagens foi reduzido em 14%. É pouco ainda.

As empresas são contra, claro. Dizem que é melhor incentivar a reciclagem e ameaçam com desemprego. O velho discurso da indústria, mesquinha toda vida. Reciclar é bom, mas produzir menos lixo é ainda melhor. Reciclar gasta muita energia e recursos materiais e humanos. Ninguém em sã consciência acha confortável a quantidade de papel, plástico, isopor e quetais que acompanha um brinquedo, TV ou aparelho de som recém-comprado na loja. Repara só na pilha de lixo que se forma no Natal após a abertura dos presentes. É vergonhoso!

Lixo é um dos grandes problemas mundiais do século 21.

Pra mim, toda e qualquer empresa deveria ser responsável pela coleta e correta eliminação do produto que fabricou, seja uma embalagem, celular ou carro. Haveria exceções, claro - móveis por exemplo. Medidas como essa evitariam absurdos como a exportação de lixo eletrônico para países de Ásia, causando a intoxicação de milhares de pessoas.

O rápido avanço da tecnologia tem sido de mão-única, com o desenvolvimento de produtos cada vez mais modernos e eficientes, mas o uso de substâncias tóxicas na sua fabricação e a falta de preocupação com o seu destino final - o lixo - põe tudo a perder. Sem falar na tal obsolescência planejada...

Veja o caso dos Estados Unidos: em fevereiro do ano que vem, com a adoção da TV digital por lá, estima-se que cerca de 10 milhões de aparelhos antigos sejam dispensados no país, gerando um problema monstro. Apesar disso, poucas empresas têm programas amplos de reciclagem para atender a essa demanda e evitar que esse lixo contamine pessoas e o meio ambiente - provavelmente na Índia, China ou Paquistão. Para pressionar grandes fabricantes como Sony, Samsung, LG e Toshiba, entre outras, a evitarem essa catástrofe, ONGs americanas formaram a Electronics TakeBack Coalition e deram início à campanha Take Back My TV.

Os consumidores também têm seu papel nessa história toda. Na hora da compra, dê preferência a produtos que tenham pouca embalagem e que tenham sido fabricados de forma sustentável e responsável. Se informe na loja, ligue para o fabricante pelos serviços de atendimento ao consumidor, exija seu direito de saber o que está comprando. E questione sobre programas de reciclagem, principalmente de aparelhos eletrônicos. Quanto mais pessoas encherem os SACs (serviços de atendimento ao consumidor) das empresas, mais elas se sentirão pressionadas a tomar alguma medida. De tanto levar bica nas canelas, uma hora terão que se mexer.

A Bovespa acabou de anunciar que a Petrobras, Aracruz Celulose, Companhia Paranaense de Energia (Copel), CCR Rodovias, Copel, Iochpe-Maxion, Petrobras e WEG foram excluídas da lista das empresas do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bovespa. Esse índice é composto de ações de companhias que apresentam alto grau de comprometimento com a sustentabilidade e responsabilidade social. No lugar delas entraram a TIM, Telemar, Unibanco, Celesc, Duratex e Odontoprev.

No caso da Petrobras, é resultado direto do esforço de ONGs e secretarias estaduais de Meio Ambiente, que vinham há tempos denunciando a estatal por descumprir resolução de 2002 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) para diminuir a partir de 2009 a quantidade de enxofre no diesel que vende no Brasil. Apesar de ter tido sete anos para se adequar à resolução, a Petrobras e a Anfavea (da indústria de automóveis) afirmam que não tiveram tempo para tal e se recusaram a cumprir a determinação.

Apenas na cidade de São Paulo, o ar poluído mata de 12 a 14 pessoas por dia, segundo estimativa de Paulo Saldiva, professor de medicina da USP (Universidade de São Paulo) e uma das autoridades no debate sobre os efeitos da emissão de poluentes na saúde. "Embora abasteça 10% da frota do país, o diesel é responsável por 45% da emissão de partículas em São Paulo e quase metade das mortes causadas pela poluição", calcula Saldiva. (fonte: CMI)

Segundo o professor Saldiva, os dados mostram que a poluição do ar mata mais do que a aids e o trânsito juntos na cidade de São Paulo.


Arnold Schwarzenegger pode estar bem cotado para ser o homem da energia de Obama, mas não corre sozinho nessa disputa. Outro nome meio óbvio é o de Al Gore. Após a derrota pro Bush Jr. em 2000, ganhou destaque mundial explorando o tema convenientemente e hoje tem uma das propostas mais audaciosas quando o assunto é remodelação da forma como produzimos e consumimos energia para enfrentar as mudanças climáticas, o projeto Repower America. Em linhas gerais, prevê a geração de 100% da energia consumida nos EUA por meio de fontes renováveis - basicamente eólica (27%), solar (16%) e eficiência energética (28%) - num prazo de 10 anos. Biocombustíveis e energia geotérmica teriam seu espaço também, com 3% cada. Nenhuma hidrelétrica ou usina nuclear seria construída no período, ficando as atuais com 23% do novo cenário. Em 2019, nada de petróleo ou carvão. Não é fraco não.

O projeto é bem próximo ao proposto pelo Greenpeace e Conselho Europeu de Energias Renováveis, o [R]evolução Energética, tecnica e politicamente, já que vê uma imensa oportunidade na crise gigante que surfamos sabe-se lá como.

Se os americanos são bons mesmos em fazer dinheiro, mesmo quando ele é escasso, a hora é essa. As ações de empresas do setor estão fervilhando. Na ressaca da orgia do capital especulativo, talvez testemunhemos novos tempos de investimentos voltados prioritariamente à produção do bem, que permitirá gerar empregos e renda. A ONU já cantou a pedra: milhões de empregos podem ser gerados até 2030 com investimentos em energias verdes. A recessão já vem provocando o curioso movimento de deixar algumas empresas mais verdes - como tem feito com a indústria de eletrônicos.

Seja com Schwarzzie ou Gore, quero ver as doletas verdinhas salvando o planeta, não apenas depredando-o em benefício próprio. Compartilho da utopia promovida pelo pessoal do Yes Man, quero ver um NYT recheado de boas notícias - o que não significa que serão fáceis. Nem perfeitas. Que sejam honestas, já basta.

Quem quiser conferir a íntegra da edição fake do NYT, só com notícias que gostaríamos de ver publicadas, acesse nytimes-se.com.

No vídeo abaixo, vc saberá como foi engendrada essa ação genial, bem como verá um representante do NYT ficar putinho (1min22s) ao ser questionado sobre Judith Miller, quando defendia a posição do jornal na cobertura da guerra do Iraque.


New York Times Special Edition Video News Release - Nov. 12, 2008 from H Schweppes on Vimeo.


Para quem não conhece, São Francisco Xavier, distrito de S. José dos Campos, é uma Área de Proteção Ambiental. Conheci há uns cinco anos por conta de um ex-namorado. Reencontrei uma amiga de infância por lá, a Liliana. E foi ela quem me mostrou o lado escuro do "hype" ecológico de SFX, como a chamam os íntimos.

No alto da Serra da Mantiqueira, São Francisco Xavier é privilegiada com matas que cobrem seus acidentados terrenos. Haja morro - e as visões são maravilhosas (a foto acima tirei da casa da Lili, nas pequenas férias que tirei em fevereiro). Eu adoro aquele pedacinho de Brasil. Mesmo. Tanto é que já fiz post no Goitacá incentivando visitas.

Pois é. Dona Liliana, ecologista e militante desde sempre, conta lá no post a história inteirinha de como terras que deveriam ser preservadas - pois guardam o rio que abastece a cidade - foram compradas por um grupo de investidores que, claro, conseguiu autorização para retirar a madeira existente. Você também descobre que este mesmo grupo fechou o acesso à Cachoeira das Couves, para explorar a atração turística. E fica sabendo que, apesar da militância e do envolvimento desta mulher, que chegou a levar os fiscais do IBAMA no seu próprio jipe para embargar o corte assassino das árvores do terreno.

E que, apesar dos esforços, do documento feito para restringir o corte e evitar a degradação ambiental, as motoserras continuaram (como sempre) impávidas. O resultado?

Estão cortando lá em cima e desbarrancou tudo. Entrou terra nos canos e entupiu toda a caixa d'água. Acabaram com o Rio das Couves. É só terra. E agora vem a Vanguarda (TV local da Globo) fazer uma reportagem na praça.

Pois é. E onde estava a Globo quando a "Terra da Alemoa" foi vendida? Onde é que eles estavam quando foi feito o documento para minimizar o impacto ambiental? Agora há 4 mil habitantes, com centenas de cursos de água e cachoeiras em volta sem água. Bah. Isso é ecologia no Brasil.

Desmatamento gera mais perdas para economia do que mercados, diz estudo

RICHARD BLACK
da BBC News

A economia global está perdendo mais dinheiro com o desaparecimento das florestas do que com a atual crise financeira global, segundo conclusões de um estudo encomendado pela União Européia.

A pesquisa, "A Economia dos Ecossistemas e Biodiversidade" (Teeb, na sigla em inglês), foi realizada por um economista do Deutsche Bank. Ele calcula que os desperdícios anuais com o desmatamento vão de US$ 2 trilhões a US$ 5 trilhões. O número inclui o valor de vários serviços oferecidos pelas florestas, como água limpa e a absorção do dióxido de carbono.

O estudo tem sido discutido durante várias sessões do Congresso Mundial de Conservação, que está sendo realizado em Barcelona.

Em entrevista à BBC News, o coordenador do relatório, Pava Sukhdev, enfatizou que o custo com a degradação da natureza está ultrapassando o dos mercados financeiros globais. "O custo não é apenas maior, ele é contínuo", disse Sukhdev. "Enquanto Wall Street, segundo vários cálculos, tenha perdido entre US$ 1 trilhão a US$ 1,5 trilhão, estamos perdendo capital natural no valor de pelo menos US$ 2 a US$ 5 trilhões todos os anos".

Pobres

O relatório foi iniciado na Alemanha quando o país ocupava a presidência rotativa da União Européia, com fundos da Comissão Européia.

A primeira, concluída em maio, apontou que as perdas com a destruição das florestas equivalem a 7% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Segundo o economista, para entender as conclusões do estudo é preciso saber que à medida que as florestas são destruídas, a natureza pára de fornecer serviços que normalmente oferecem de graça.

Como conseqüência, o homem tem de passar a produzir tais serviços, seja pela construção de reservatórios ou de estruturas para seqüestrar dióxido de carbono ou áreas para o plantio que antes estavam disponíveis naturalmente. Ainda segundo os dados do Teeb, os gastos com a degradação do ambiente recaem mais sobre os mais pobres, que tiram boa parte de seu sustento diretamente da floresta, principalmente nas áreas tropicais.

Para as nações do Ocidente, as maiores gastos se refletiriam com as perdas dos elementos absorvedores naturais dos gases poluentes.

O relatório tomou como base o Stern Review, um estudo divulgado em 2006 na Grã-Bretanha, que analisa o impacto econômico do aquecimento global e afirma as mudanças climáticas podem causar o mais profundo e extenso dano à economia mundial já visto.

"Os dados divulgados no Stern Review fizeram com que os políticos acordassem para a realidade", afirmou Andrew Mitchell, diretor do Programa Global Canopy, uma organização que canaliza recursos financeiros para a preservação florestal. "O Teeb terá o mesmo valor, e mostrará os riscos que nós corremos se não os avaliarmos corretamente".

Alguns participantes do evento esperam que o novo estudo será uma nova forma de convencer legisladores a criar políticas que financiem a proteção da natureza em vez de permitir que o declínio de ecossistemas e espécies continue.

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Meus caros amigos,

Para aqueles absortos pelo período eleitoral, Parece que o sol volta a brilhar novamente.

infelizmente o céu está nublado, e uma tormenta aponta no horizonte...e atingirá a todos. Sem palavras para descrever tal horizonte de eventos, recorro para um de meus mestres mais queridos.

WWW.adital.com.br

O abalo dos muros

FREI BETTO

O programa Bolsa-Fartura de Bush reúne quantia suficiente para erradicar a fome no mundo. Mas quem se preocupa com os pobres?

NO PRÓXIMO ano, completam-se 20 anos da queda do Muro de Berlim, símbolo da bipolaridade do mundo dividido em dois sistemas: capitalista e socialista. Agora assistimos ao declínio de Wall Street (rua do Muro), na qual se concentram as sedes dos maiores bancos e instituições financeiras.
O muro que dá nome à rua de Nova York foi erguido pelos holandeses em 1652 e derrubado pelos ingleses em 1699. Nova Amsterdam deu lugar a Nova York.
O apocalipse ideológico no Leste Europeu, jamais previsto pelos analistas, fortaleceu a idéia de que fora do capitalismo não há salvação. Agora, a crise do sistema financeiro derruba o dogma da imaculada concepção do livre mercado como única panacéia para o bom andamento da economia.
Ainda não é o fim do capitalismo, mas talvez seja a agonia do caráter neoliberal que hipertrofiou o sistema financeiro. Acumular fortunas tornou-se mais importante que produzir bens e serviços. A bolha especulativa inflou e, súbito, estourou.
Repete-se, contudo, a velha receita: após privatizar os ganhos, o sistema socializa os prejuízos. Desmorona a cantilena do "menos Estado e mais iniciativa privada". Na hora da crise, apela-se ao Estado como bóia de salvamento na forma de US$ 700 bilhões (5% do PIB dos EUA ou o custo de todo o petróleo consumido em um ano naquele país) a serem injetados para anabolizar o sistema financeiro.
O programa Bolsa-Fartura de Bush reúne quantia suficiente para erradicar a fome no mundo. Mas quem se preocupa com os pobres? Devido ao aumento dos preços dos alimentos, nos últimos 12 meses, o número de famintos crônicos subiu de 854 milhões para 950 milhões, segundo Jacques Diouf, diretor-geral da FAO (Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação).
Quem pagará a fatura do Proer usamericano? A resposta é óbvia: o contribuinte. Prevê-se o desemprego imediato de 11 milhões de pessoas vinculadas ao mercado de capitais e à construção civil. Os fundos de pensão, descapitalizados, não terão como honrar os direitos de milhões de aposentados, sobretudo de quem investiu em previdência privada.
A restrição do crédito tende a inibir a produção e o consumo. Os bancos de investimentos colocam as barbas de molho. Os impostos sofrerão aumentos. O mercado ficará sob regime de liberdade vigiada: vale agora o modelo chinês de controle político da economia, e não mais o controle da política pela economia, como ocorre no neoliberalismo.
Em 1967, J.K. Galbraith chamava a atenção para a crise do caráter industrial do capitalismo. Nomes como Ford, Rockefeller, Carnegie ou Guggenheim, exemplos de empreendedores, desapareciam do cenário econômico para dar lugar à ampla rede de acionistas anônimos. O valor da empresa deslocava-se do parque industrial para a Bolsa de Valores.
Na década seguinte, Daniel Bell alertaria para a íntima associação entre informação e especulação e apontaria as contradições culturais do capitalismo: o ascetismo (= acumulação) em choque com o estímulo consumista; os valores da modernidade destronados pelo caráter iconoclasta das inovações científicas e tecnológicas; lei e ética em antagonismo quanto mais o mercado se arvora em árbitro das relações econômicas e sociais.
Se a queda do Muro de Berlim trouxe ao Leste Europeu mais liberdade e menos justiça, introduzindo desigualdades gritantes, o abalo de Wall Street obriga o capitalismo a se repensar. O cassino global torna o mundo mais feliz? Óbvio que não. O fracasso do socialismo real significa vitória do capitalismo virtual (real para apenas um terço da humanidade)?
Também não.
Não se mede o fracasso do capitalismo por suas crises financeiras, e sim pela exclusão -de acesso a bens essenciais de consumo e direitos de cidadania, como alimentação, saúde e educação- de dois terços da humanidade. São 4 bilhões de pessoas que, segundo a ONU, vivem entre a miséria e a pobreza, com renda diária inferior a US$ 2.
Há, sim, que buscar, com urgência, um outro mundo possível, economicamente justo, politicamente democrático e ecologicamente sustentável.

(CARLOS ALBERTO LIBÂNIO CHRISTO , o Frei Betto, 64, frade dominicano e escritor, é autor de "Calendário do Poder" (Rocco), entre outros livros. Foi assessor especial da Presidência da República em 2003-2004).

Fim do segundo ato.

O grande final, fica a cabo de cada um de vocês.

Talvez inebriado com a alta popularidade de seu chefe, que pode garantir o sucesso de qualquer empreitada - por mais absurda que seja -,o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, revelou hoje em visita à Central Nuclear de Angra, no Rio, que o governo tem planos de nos transformar definitivamente num país nuclear. Segundo Lobão, há planos de se construir 50 usinas no Brasil nos próximos 50 anos. São 50 x R$ 8 bi (preço estimado de Angra 3), o que dá R$ 400 bilhões numa fonte de energia que nos trará mais problemas do que soluções. E pior: Lobão afirmou com todas as letras que questões ambientais não terão a menor influência na decisão:

Não há hipótese de a construção ser embaraçada por exigências ambientais. Ao todo, são 60 condições (para Angra 3). A última exigência será atendida depois. As que não foram feitas serão sanadas posteriormente.

Ou seja: não importa que não há solução definitiva para o lixo radioativo, que a mineração do urânio cause tantos problemas ambientais e de saúde, que as usinas são caras e entupidas de subsídios, que a aposta nuclear atrasa o nosso avanço em tecnologias mais modernas, eficientes e limpas (eólica, geotérmica, solar, marés). Qualquer problema pode ser sanado posteriormente. É assustador a falta de responsabilidade ambiental de nossas autoridades públicas.

O ministro do Meio Ambiente está no cargo há 100 dias e nesse período já provocou muita polêmica. O Greenpeace fez uma lista com os pontos positivos e negativos da gestão do substituto de Marina Silva na pasta. Dá pra perceber que, até aqui, Minc deu mais bolas foras do que dentro...

LUZES

* Decreto de Crimes Ambientais;
* Criação do Fundo Amazônico para pagamento de serviços ambientais;
* Apoio à Moratória da Soja;
* Apreensão dos "bois piratas" em Unidades de Conservação;
* Fiscalização dos danos ambientais das usinas de cana em Pernambuco;
* Pacto da Madeira Legal assinado com a Aimex e a FIESP;
* Decisão no sentido de priorizar a implantação de Unidades de Conservação já criadas.

SOMBRAS

* Revisão do Decreto de Crimes Ambientais;
* Acordo para modificação do Código Florestal para permitir o plantio de exóticas na reserva legal;
* Licença para a construção de Angra 3;
* Licença para o asfaltamento da BR-319, sem o estabelecimento de medidas de proteção à floresta e avaliação da alternativa da ferrovia;
* Licença para o plantio de cana no Pantanal;
* Adiamento da vigência da Resolução do Conama que estabelece a redução do teor de enxofre no diesel;
* Anúncio de que o MMA não priorizará a criação de novas Unidades de Conservação;
* Submissão do Ibama às diretrizes de implantação do PAC;
* Desprezo pela ação coordenada entre o MMA e os demais Ministérios na execução do Plano de Ação de Combate ao Desmatamento;
* Aceitação da ingerência do Ministro Mangabeira Unger na formulação da política ambiental, com a defesa explícita da necessidade de se limitar a proteção ambiental no país.


O Greenpeace está no meio da floresta amazônica para transmitir ao vivo a destruição da região. Vai ser hoje, pelo site do grupo ambiental, a partir das 12h30. E às 17 horas haverá um bate-papo no portal Terra com Márcio Astrini, da campanha de Amazônia do Greenpeace.

Na página Queimadas na Amazônia, há fotos, vídeos e mapas da destruição da floresta. Em janeiro deste ano, havia 511 focos de incêndio na mata. Em julho, esse número pulou para 2.414! Não à toa quase 20% da Amazônia já virou lenda...

E o julgamento pelo STF da demarcação das terras indígenas de Raposa Serra do Sol também está sendo transmitido ao vivo lá no portal Terra - em vídeo e por texto. Começou às 9 horas e deve rolar o dia inteiro.

Notícia de hoje.

Enquanto isso, os professores continuam não sendo devidamente valorizados, outras obras de infraestrutura básica ou reforma deixam de ser feitas e o meio ambiente... Ah, quem se preocupa com isso? Gastos com obras para instalação, aumento do consumo de energia elétrica, despesas com manutenção. Por que as pessoas não aceitam que menos é mais hoje em dia? Além disso, sistemas de ar-condicionado são grandes disseminadores de doenças. Qual o bem que se faz para as crianças?

Se é difícil para os governos verem questões básicas relacionadas ao meio ambiente, que dirá para os cidadãos comuns. O governo deveria dar o exemplo, estimular práticas mais corretas, até mesmo através de incentivos fiscais. Enquanto isso, o exemplo que dá é mostrar que ar-condicionado é mais importante do que educação. Se o povo não tem pão, dê-lhe brioches!

Escrevi sobre a emergência do lixo em Nápoles aqui e ali. Após algumas medidas e muita polêmica, achei que era hora de atualizar a informação.

A verdade é que o problema é antigo, com mais de 14 anos, que virou uma emergência há cinco. Sempre foi objeto das campanhas políticas locais. Sob os holofotes de Bruxelas, virou promessa da campanha deste ano, que elegeu Silvio Berlusconi como primeiro-ministro. O problema realmente ficou sério, com escolas fechadas e um delegado que temia uma revolta popular. E tudo indicava que a história acabaria mal.

A primeira reunião ministerial do novo governo, aconteceu em Nápoles, onde Berlusconi reafirmou o compromisso e garantiu que a cidade estaria limpa para a chegada dos turistas, no verão. Tomou medidas impopulares, como reabrir aterros sanitários fechados; mandar o exército às ruas para patrulhar esses mesmos aterros, bloqueados por moradores por estarem saturados (os aterros e os moradores); pressionar os governadores de outras regiões para que aceitassem receber parte do lixo da região Campania. Além disso, acertou com o governo alemão a utilização dos icineradores desativados próximos à fronteira com a Itália. Depois, voltou à cidade anunciando o sucesso da empreitada. Mas há quem afirme que a verdade não é bem assim. Como não poderia deixar de ser, há quem aprove e quem discorde, gerando uma enorme polêmica, com direito a vídeos de ambas as partes:



Mas onde está a verdade?
Partidarismo à parte, a verdade é que Nápoles está muito mais limpa, com focos resistentes do problema na periferia. A emergência está sendo resolvida, mas o verdadeiro problema, não. A região foi abandonada por anos e não é auto-suficiente para coletar e tratar os dejetos que produz. Muitas propostas foram apresentadas e devidamente esquecidas. Os napolitanos não estão habituados à coleta diferenciada pelo simples motivo que descobriram, há muito, que todo o lixo acabava indo parar no mesmo lugar. Os incineradores alemães usados no combate a emergência estavam desativados por falta de lixo: a Alemanha recicla, em média, 67% do lixo produzido, contra 5% de toda a região Campania. A diferença é que na Alemanha a coleta diferenciada serve para alimentar as indústrias de reciclagem. Ou seja: de nada adianta ensinar a população a separar o lixo se no final não existe uma estrutura que utilize tais resultados.

No momento, a única coisa a fazer é esperar - e vigiar - que o governo cumpra uma outra promessa de campanha: criar as estruturas necessárias para que o problema não tenha apenas sido varrido para baixo do tapete eleitoral.

A entrevista abaixo com Hermínia Maricato, professora, arquiteta e ex-secretária de Habitação da prefeitura de São Paulo (gestão Luiza Erundina, PT), foi feita para um jornal da grande imprensa mas acabou engavetada. Como quem tem amigo não morre pagão, caiu nas minhas mãos e faço questão de publicar. Só não entendi porque o material não foi aproveitado no site do jornalão...

Maricato vai direto ao ponto: a gente dá muita atenção para soluções cosméticas, como a Lei Cidade Limpa, enquanto coisas muito mais importantes ficam em segundo plano.

A professora lembra que, enquanto brincamos de limpar as fachadas da cidade (o que na prática é totalmente falso...), mal conseguimos nos locomover, respiramos ar poluído, bebemos água podre e ignoramos a situação de 1 milhão de pessoas que moram em favelas construídas em áreas de proteção ambiental simplesmente por não terem onde morar na cidade. Priorizar a retirada de anúncios das fachadas no meio de tudo isso é "ridículo", diz Maricato.

Como é ridícula também a falta de coragem dos políticos de tomar medidas duras para resolver alguns desses problemas. Veja o Kassab, por exemplo: ensaiou o envio de um projeto de lei à Câmara Municipal de SP instituindo o pedágio urbano na cidade, como parte da Política Municipal de Combate às Mudanças Climáticas, mas já desistiu - em ano de eleição, provavelmente ficou com medo de perder votos dos milhões de motoristas paulistanos. Faz tempo que acho que a medida é uma das melhores medidas para diminuir o tráfego de automóveis particulares pela cidade - juntamente com o rodízio ora em voga. Em Londres rola desde 2003.

Mas enfim, vamos à entrevista:

A professora e arquiteta e ex-secretária da habitação da prefeitura de São Paulo na gestão Luiza Erundina (PT), Hermínia Maricato fala nessa entrevista sobre a Lei Cidade Limpa de São Paulo. Segundo ela, é ridículo a cidade colocar essa limpeza como prioridade enquanto outras limpezas, como a do ar e da água, e outras necessidades, como a mobilidade, ficam em segundo plano.

No começo deste ano Hermínia lançou o livro "Brasil, Cidades: Alternativas para a Crise Urbana", publicado pela Editora Vozes. Ela é professora da Faculdade de Arquitetrua e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP).

Como a sra. avalia a Lei Cidade Limpa?
A questão vista isoladamente evidentemente é muito virtuosa. A lei se propõe a fazer uma despoluição visual na cidade, na paisagem urbana. E é interessante. Claro que, até mesmo olhando isoladamente, nós não deveríamos nos ater apenas aos anúncios, mas a toda instalação elétrica, que é ultra poluidora, à quantidade de fios, postes, o próprio calçamento, enfim normatizar um pouco muros, cercas, calçadas. O problema é quando, no contexto da cidade, essa lei ganha prioridade. É simplesmente ridículo.

Por que ridículo?
Porque você tem metade da cidade na ilegalidade. Então ele é um programa por excelência que segue uma orientação na gestão urbana no Brasil, que dialoga com a cidade legal, com a cidade da elite, com a cidade formal. Quando você tem metade da cidade na ilegalidade, acho que é preciso discutir como vai se aplicar a lei. Como você vai aplicar a lei só nas fachadas e numa parte da cidade? E se tenho 10% da população morando em favelas, por exemplo.

Mas aí questão não se torna mais difícil, mais complexa?
Claro que é uma tarefa complexa. Não é uma tarefa para uma gestão. Mas quando nós vamos ter uma lei efetiva em cidades como as nossas? Porque torná-la efetiva apenas nas fachadas, apenas em relação aos anúncios? Eu diria que é um governo de fachada, uma sociedade de fachada. Não que a gente não deva se preocupar com as fachadas. As fachadas são importantes em várias cidades do mundo e também no Brasil. Se você for para São Luiz do Paraitinga, existe uma recuperação que aumenta a auto-estima dos moradores, não só recuperação de fachada. A recuperação de fachada na França é matéria constitucional.

As fachadas são importantes mas há outras questões mais importantes?
Não quero dizer que isso não é importante, que não é objeto de uma política pública. Mas é ridículo quando isso é a prioridade. Principalmente em uma cidade onde os mananciais estão ocupados por uma população gigantesca, mais de 1 milhão de pessoas, morando em áreas de proteção ambiental simplesmente porque não conseguem morar na cidade. E a prefeitura está tendo uma atitude muito ruim com esses moradores porque ela está derrubando as casas e acusando-os de crime ambiental. Crime ambiental é da sociedade, que não provisionou essa população de moradia, que não tinha onde morar e acabou indo para os mananciais. Crime ambiental todas as gestões fizeram na hora que permitiram que essa população se instalasse ali. E ali o poder de polícia sobre o uso do solo é de diversas entidades dos governos federal, estadual e municipal. Então, quem cometeu o crime ambiental não é o sujeito, coitado, que está morando lá, em condições muito ruins, por sinal. A discussão, então, é um programa evidentemente classista. É uma visão da cidade de que a prioridade é cuidar das fachadas.

Nessa visão que a sra. critica a beleza, a limpeza, fala mais alto?
Não é propriamente beleza. Se você pega o exemplo do Time Square de Nova York, do qual todo mundo fala, é uma poluição bárbara. Agora, é um padrão. Um padrão que seria impossível em São Paulo com essa tolerância zero aí. Precisa ficar muito claro isso: essa lei não está sendo aplicada na cidade toda. Até porque se eu considerar uma parte da cidade, não são os anúncios que estão ilegais, são as ruas, as casas, tudo... É tudo! Se não encara essa fratura urbana, vai encarar o quê? A limpeza das fachadas? Mesmo considerando que ela é necessária. Não estou de forma alguma dizendo que ela não é importante, não é necessária. O que estou dizendo é que é um absurdo ela se tornar a prioridade e você não discutir as questões de fundo. Aliás, em uma cidade onde não se consegue nem respirar e onde a questão dos automóveis não está sendo enfrentada. E ela, sem dúvida, é uma prioridade.

Na visão da sra. a prioidade de São Paulo é outra?
Sim, a questão da mobilidade na cidade. A mobilidade por meio do automóvel é predominante. E isso novamente não é tarefa de uma gestão. Mas se essa sociedade e esses governos não encararam o problema da matriz baseada na circulação automobilística, essa cidade está absolutamente condenada. Aliás, moro aqui e está cada vez mais insuportável. Como você estabelece prioridades?

A cidade é limpa nas fachadas mas não cuida da limpeza do ar que respira?
Do ar que você respira! Da água que a gente bebe! Dos mananciais que estão ocupados por mais de 1 milhão de pessoas! É incrível essa nossa capacidade de botar a cabeça em um buraco que nem um avestruz e ignorar os problemas centrais. Incrível! E todo mundo bate palma! 'Tá bom, mas pelo menos...' Não tem pelo menos! Tem coisas que são prioritárias. São delas que nós temos que cuidar como prioridade. As fachadas nós vamos cuidar com a importância que elas têm.

A sra. acredita que o prefeito pode usar esse projeto Cidade Limpa como candidato à reeleição?
Ele usa muito. Foi um programa que fez um sucesso. E, diga-se de passagem, várias gestões tentaram aplicar a lei de anúncios e não conseguiram. Acho a lei exagerada. Não é necessário uma intolerância tão grande para que a paisagem urbana fique despoluída. Estou na rua e vejo, na mesma esquina, um poste de iluminação, um postinho que dá suporte às placas com os nomes das ruas, um outro postinho que sustenta a placa do trânsito, tudo isso na mesma esquina. E cheio de fios. Quer dizer, então está bom, vamos tentar começar um processo de despoluição não só dos anúncios. Realmente, é uma coisa de factóide mesmo e marketing. A despoluição é necessária, mas nem ela foi levada muito a sério.

Mas esse 'factóide', essa peça de 'marketing', como a sra. classifica, tem virtudes?
Não há dúvida de que há uma virtude no foco da coisa. Mas nós temos que abrir esse foco e falar: 'bom, em que nós temos que jogar nossa energia?' Diria que a questão da mobilidade em São Paulo é a número 1. Já tem técnico hoje fazendo cálculo do prejuízo para toda a sociedade. O fato é que esse prejuízo é distribuído. São as horas paradas das pessoas, profissionais, nos transportes. O preço de todo o suporte de ruas, de recapeamento, de sinalização de trânsito e, principalmente, como alguns professores da USP, meus colegas, estão apontando, o problema do custo na saúde. Nos dias piores os hospitais se enchem, principalmente de crianças e pessoas da terceira idade, porque o ar está irrespirável na cidade. Tenho um jardim com horta em casa e é impressionante. Você pega uma folha de couve, ela está coberta, negra. Se eu não regar, cuidar, aquilo vira uma casca em cima da planta. E é isso que vai para os nossos pulmões. E ainda tem os acidentes, que diminuíram mas ainda continuam muito altos... Os custos com combustíveis... Que contribuição estamos dando para o planeta? O que é mais importante? Alguém pode falar: 'mas ele está fazendo outra coisa, fez isso pelas fachadas'. Então, a lei dos anúncio adquiriu principalidade.


Depois de muita pressão dos consumidores, de produtores de leite e de ONGs, a Monsanto entregou os pontos e vai parar de fabricar o Posilac (ou rBGH), um hormônio de crescimento geneticamente modificado para fazer as vacas produzirem mais leite. O produto foi o primeiro transgênico produzido em escala comercial pela empresa e vinha causando inúmeros problemas aos animais - e aos humanos por tabela (veja o vídeo abaixo). O hormônio provocava mastite nas tetas das vacas, gerando muito pus, que por sua vez passava ao leite, juntamente com a quantidade industria de antibióticos dados aos animais para tratar dos problemas causados pelo produto da Monsanto. Uma beleza, não?

Nos últimos anos, houve uma crescente rejeição ao Posilac no mercado americano. Empresas como Starbucks e Kraft se declaram livres do produto e outras passaram a indicar nos rótulos de seus produtos que não usavam leite de vacas tratadas com o hormônio - coisa que a Monsanto tentou impedir na Justiça.

E pensar que o produto, proibido na Europa e no Canadá, ficou no mercado americano por quase 15 anos. A Monsanto diz que vai 'descontinuar' o Posilac porque pretende focar nas sementes transgênicas. É a velha história: eles ferem o sândalo e ainda querem sair perfumados...

Confira abaixo a pressão que a Monsanto fez na Fox americana para que não veiculasse uma grande reportagem investigativa que apontava sérios problemas no produto e os riscos que ele poderia causar à saúde humana:



(trecho do documentário The Corporation, que pode ser visto na íntegra no Youtube - o próprio diretor pôs o filme lá, dividido em 23 partes.)

O pessoal da comunidade Permacultura lá do Orkut acaba de dar um presentão pra gente: a versão brasileira do filme A História das Coisas, da ativista Annie Leonard, que já foi visto por mais de 3 milhões de pessoas em mais de 200 países!

Os autores da façanha mantêm um site bem legal, o Permear, que vale a visita. Valeu, galera!

Sem mais delongas, aqui está o filme dublado!


(O pessoal da Hesperian Foundation se voluntariou para produzir DVDs do filme e distribui-los. Se você está interessado, manda um email para stuff.for.allison@gmail.com e pede o seu!)

Demorou mas Rex Weyler enfim atualizou sua série sobre as origens do ativismo, ambientalismo e do Greenpeace, publicando dois novos textos no site do grupo. E que textos!!

Estamos no limiar de grandes mudanças de paradigmas de desenvolvimento e sociais, e o que Rex faz com propriedade é nos alertar para estarmos preparados. Ou nos mexemos agora, priorizando a sustentabilidade, o consumo responsável e o respeito ao meio ambiente, ou vai ser um baita barata-voa no meio do caos.

O primeiro texto, O Fim do Preço (aqui a íntegra, em inglês), começa assim, numa tradução livre minha:

Nos anos 80, pescadores capturaram a última beluga no Mar de Azov, fonte do valioso caviar, e o peixe selvagem do Mar Cáspio fracassou em se reproduzir. A captura desse tipo de peixe despencou em 95% e o custo do caviar disparou. Tal crescimento extraordinário no preço é conhecido como 'hiperinflação', ou como o economista Eric Sprott diz, "a síndrome do caviar".

Isso pode soar trivial, mas a hiperinflação se torna crítica quando se trata de commodities como óleo, gás, cobre, zinco, água ou madeira, todas elas cada vez mais raras em escala global. A civilização industrial já prospectou o melhor e mais acessível desses recursos. Belugas podem se recuperar se deixarmos elas em paz, mas cobre e óleo não se reproduzem.

Conforme a humanidade vasculha as regiões mais inóspitas do planeta por recursos, entramos em um novo período histório em que algumas commodities vitais não mais terão seu tradicional preço de mercado ligado à demanda, mas sim ao custo do acesso a elas.


Vale ressaltar um outro trecho do primeiro texto:
Os custos ambientais e sociais de se fazer negócios nunca aparecem nos orçamentos operacionais de empresas bilionárias. Dinheiro público e lagos tóxicos não aparecem nos balanços financeiros. Por que? Porque não seria rentável. Investimentos do setor público e da natureza não ganham opções de ações, apesar dos magos do mercado livre precisem desses investimentos para evitar o choque contra a parede. A estratégia do mercado livre para evitar o muro é: socializar os custos, privatizar os lucros.

E para garantir os recursos necessários para a vida perdulária que vivemos hoje, os países estão dispostos a partir pra porrada. Ou, segundo as palavras de Zhng Wenmu, pesquisador do Instituto de Relações Internacionais Contemporâneas da China, citado por Weyler, "uma grande potência é aquela que controla mais recursos e nunca houve um caso na história onde isso é obtido por meio da paz."

E conclui:

Vemos agora que nossas economias galopantes dependem de dívidas enormes, guerra, abuso, desperdício. Os rios morrem, espécies são extintas, florestas desaparecem, desertos crescem e pessoas sofrem. Esse estado das coisas sinaliza uma disfunção social em escala global. O mundo industria revela um comportamento sociopata e 'ecopata'. Cidadãos inocentes às vezes parecem traumatizados, mesmo quando fazem o seu melhor para permanecerem otimistas e aplicam soluções criativas.

Daly, Henderson, Ayers, Mark Anielski, Nicholas Stern e muitos outros economistas descreveram teorias econômicas mais acuradas que reconhece o valor natural e a autêntica qualidade de vida. O que a sociedade tem que aprender é:

A ecologia é a economia.

Tudo que usamos, toda inovação tecnológica, todo empreendimento humano ou simples prazer depende do planeta. Economistas ignoram a ecologia, para o nosso perigo. O fim do preço convencional coloca a ecologia e a natureza em perspectiva apropriada: não tem preço.


No texto mais recente, Pico do Petróleo Muda Tudo (aqui a íntegra, em inglês), Rex discorre sobre as mudanças que teremos na moderna sociedade de consumo devido aos custos cada vez mais altos dos recursos naturais e energéticos (petróleo, por exemplo) necessários para prover economias em desenvolvimento como Brasil, China e Índia.

Ou nas palavras dele:

Pico do óleo não é uma teoria, mas uma simples observação de uma ocorrência comum natural. Pico do óleo é apenas um sintoma de um crescimento populacional exponencial, com demandas exponencialmente crescentes, alcançando os limites mundiais de todos os recursos.

"O pico do óleo tem sido uma realidade há tempos para a indústria do petróleo", afirma Anita M. Burke, ex-consultora da Shell sobre Mudanças Climáticas e Sustentabilidade. Em 2007, Dr. James Schlesinger, ex-secretário americano de Defesa e Energia, afirmou: "Se você conversa com os líderes da indústria, eles admitem... estamos enfrentando um declínio dos combustíveis líquidos. A batalha terminou."

E o que vem por aí?

A era pós-pico do óleo vai requerer novos padrões de desenvolvimento humano e estratégias que se alinhem aos limites do crescimento. A humanidade não tem novos continentes para explorar ou planetas para ocupar. Nações industriais podem perfurar o Ártico e cavar em areias sujas de alcatrão, mas nada disso vai aumentar ou mesmo equiparar a abundância passada de combustível líquido barato que já consumimos. No entanto, o atual momento em que a produção de óleo chega a um teto é menos relevante do que nossa preparação para o impacto...

... Nossas economias foram construídas com óleo barato. Desenvolvimento mal planejado deixou para trás florestas arrasadas, lagos tóxicos, erosão do solo, espécies perdidas para sempre, ar poluído, rios mortos, aquíferos contaminados e desertos em expansão.

A solução? Algumas dicas:

Relocalizar: Pensar globalmente, consumir localmente. Se vai estudar finanças internacionais, talvez seja interessante fazer alguns cursos de permacultura também.

Preservar fazendas: Cidades dependem da produção de alimentos e por isso é uma boa idéia ter fazendas por perto. Canberra, capital australiana é assim: fazendas ficam entre os bairros! Alguns parques também.

Mudança no padrão da comunidade: Toda distribuição da atividade pública, espaço público e áreas residênciais devem ser adaptadas para o uso de menos combustível e consumo de recursos.

Espaços urbanos verdes e produtivos: Mais áreas verdes, mais transporte público, mais ciclovias.

Viva o transporte público: Automóvel só para o essencial. Mesmo. Para muitas coisas, é melhor andar, ir de bicicleta, pegar um ônibus ou trem. Cidades inteligentes têm que ser planejadas para evitar ao máximo o deslocamento motorizado.

100% de reciclagem: A natureza recicla tudo. Nós também podemos. É possível viver num mundo sem lixo. Experiências nesse sentido já podem ser vistas no Japão e na Escócia, por exemplo.

A dica de leitura desse fim de semana está lá no blog do João. Ele passou a semana discutindo sobre o velho embate sacolas plásticas x sacolas de papel - na realidade sobre jornalismo científico, mas terminou esclarecendo diversas coisas desse embate ambiental...

No primeiro post, ele cita um dado completamente estranho que apareceu no NYTimes. Na caixa de comentários, vários pediram para entender melhor o que a Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos EUA realmente dizia, e aí no segundo post ele esclarece as diretrizes do EPA sobre sacolas, prós e contras de cada uma. E ainda dá a dica final de como escolher o que usar.

Sugiro a leitura fortemente.

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Na foto: Lula, Minc e Gabeira em protesto contra Angra 3 realizado em 1989. Bons tempos em que esse pessoal tava do lado verde da força.

O Ibama concedeu quarta-feira o licenciamento ambiental prévio à usina nuclear Angra 3, não sem antes condicionar a obra a 65 exigências - de cuidar de parques a obras de saneamento básico e solução definitiva para o armazenamento do lixo nuclear. Dá pra se ter uma idéia do pepino ambiental que Angra 3 representa só pela gigantesca lista de compensações ambientais. Mesmo que todas sejam atendidas - e não serão -, nada justifica a construção da usina.

Energeticamente o Brasil tem imenso potencial hídrico, solar e eólico a ser explorado. Só os ventos do Nordeste oferecem 75 gigawatts de energia ao país. O que me leva a fazer uma continha básica: levando-se em conta que Angra 3 tem potencial para 1.350 megawatts (1 gigawatt = 1.000 megawatts, só pra constar) e custo estimado de R$ 8 bilhões para ser construída, seriam necessárias 56 usinas iguais à ela, ao incrível preço de R$ 450 bilhões, para gerar esse mesmo total de energia com reatores nucleares. E ainda têm a cara-de-pau de dizer que as fontes renováveis de energia são caras...

E nessa conta aí não estou incluido o alto custo de descomissionamento das usinas nucleares, ou seja, o dinheiro que se gasta para desligar, desmontar e descontaminar as usinas e seus equipamentos ao final de sua vida útil, que é em média de 50 anos (aqui e em todo o mundo), além de armazenar adequadamente o lixo nuclear de baixa, média e alta radioatividade - o que nenhum país do mundo ainda conseguir saber como fazer. Estima-se que na França, país tido como modelo para os defensores da energia nuclear, esse custo possa chegar a US$ 90 bilhões!

Existem hoje no planeta 440 usinas nuclears, boa parte nos EUA e França. Dezenas delas serão fechadas em no máximo 10 anos. Dá pra se ter uma idéia do que isso vai custar, não? E, pasmén: esse dinheirama toda nunca é incluída na conta do que se gasta numa usina nuclear. E sabe quem paga a conta? eu, vc, todo mundo, porque a indústria nuclear é subsidiada pelos governos.

É aí que entra o X da questão: por que os governos subsidiam tanto a indústria nuclear, que é cara pra cacete e altamente perigosa? Por questões militares. A mesma tecnologia nuclear que gera energia, gera a bomba. Países que mais têm usinas são também os que mais investem em arsenal atômico - França, EUA, Rússia. No Brasil, o setor nuclear também está intimamente ligado aos militares. O presidente da Eletronuclear é o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, aquele mesmo que tocava um programa nuclear militar paralelo na década de 1990 e queria testar um artefato nuclear na Serra do Cachimbo, no Pará.

Aí vem o outro e diz: "Ah, mas seria preciso rasgar a Constituição brasileira para o Brasil desenvolver armas nucleares, porque a Carta Magna diz que o programa nuclear brasileiro tem que ser pacífico." Ora, não é preciso rasgar a Constituição, basta reformá-la, como tantas vezes se fez. E há gente da pesada que defende não só isso como também a saída do Brasil do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, como fizeram a Índia e o Paquistão, por exemplo. Gente como o chefe do Estado Maior das Forças Armadas, general Benedito Leonel, e o secretário-geral do Itamaray, Samuel Pinheiro Guimarães.

Em seu livro Desafios do Brasil na Era dos Gigantes (editora Contraponto, 2006), o embaixador Guimarães é claro: "A nação deveria se engajar na eliminação da vulnerabilidade militar que decorre da adesão do Brasil, em situação de inferioridade, a acordos de não-proliferação de armas de destruição em massa."

E teria o Brasil razões para tamanha loucura? Geopoliticamente, sim. O país anunciou recentemente a descoberta de mega-campos de petróleo e, na seqüência, os Estados Unidos anunciaram a recriação da Quarta Frota Naval, para atuar no Atlântico Sul. Uma coisa puxa a outra e há setores militares no Brasil considerando que o país tem que estar pronto para o que der e vier. Lá vem bomba.

Já há algum tempo eu venho me debruçando sobre o efêmero mundo das ecocelebridades e o papel que elas exercem, de forma positiva e negativa, na divulgação das causas ambientais - o quão greenwashing e o quão educativos os famosos podem ser. E principalmente, o quão efetivos em amealhar pessoas para entenderem os problemas ecológicos que nosso planetinha azul vem sofrendo.

Eis então que a modelo mais famosa do Brasil, Gisele Bündchen, moveu um passo a mais na direção da coerência e lançou um blog verde. Vale ressaltar que inúmeros blogs verdes são lançados todos os dias, com os mais diferentes focos, perspectivas e intenções, e esses blogs entram naquela roda-viva comum a qualquer blogueiro iniciante, em que não sabem sequer se o que escrevem um dia servirá/será lido por alguém ou um grupo. Podem ser excelentes mas morrerem na praia, infelizmente.

Mas no caso de Gisele, seu blog, escrito por um grupo de correspondentes (a equipe "Übersite"), já nasce com repercussão num post do Huffington Post (um dos blogs mais lidos do mundo), que reverbera as menções elogiosas do Tree Hugger (talvez o site ambiental mais lido do planeta), e cimenta de uma vez sua postura de ecocelebridade "de verdade" aos olhos do Ecorazzi. Ou seja, seu blog já nasce com uma perspectiva de sucesso muito maior que a imensa maioria dos demais blogs verdes que nascem pelo mundo todos os dias. O que significa que seus posts serão provavelmente lidos por uma miríade de pessoas muito mais vasta, espalhando a mensagem ambiental talvez para uma amplitude essencial: o público geral. (Pode até morrer na praia também, que a gente nunca sabe direito como a dinâmica da web se comportará, mas terá sido lido sem dúvida por um público maior antes de encalhar que a média dos blogs verdes em geral.)

Ela (ou seu assessor..) pode até estar pensando nisso como uma grande jogada de marketing pessoal. Mas será que não é intrinsecamente interessante (e mais efetivo para a educação ambiental) que ela invista sua fortuna nesse tipo de divulgação/ação internética? Atingindo um público muito mais vasto, propagando idéias verdes em 2 línguas para uma legião de fãs que, quem sabe, seguirão seus passos ecologicamente pensados?

Fica a reflexão para o fim de semana que inicia...

Eis que um termo relativamente novo (pelo menos para mim...) vem aos poucos chegando à mídia: greenwashing (Amigos publicitários: existe uma palavra em português para isso?). Seu significado é simples: a propaganda de uma empresa com o intuito de (tentar) ser ecologicamente correta mas que não o é de fato. Ou seja, propaganda ambiental enganosa, omissa ou incoerente com o valor ambiental do negócio gerido.

O greenwashing veio na cola da onda verde e do aumento médio da preocupação das pessoas por questões ambientais e da saúde do planeta. Foi a reação das indústrias ao aparecimento de um novo tipo de consumidor, o "engajado verde". Num texto da Business Ethics, encontrei um exemplo didático de greenwashing: a Ford lançou a SUV Hybrid em 2004, que usava o combustível de forma mais "verde" - mas "esqueceu" de avisar aos consumidores na propaganda que só produziria 20,000 unidades por ano, quando sua produção da nada ecológica linha das F-1000 e afins era de mais de 80,000 por ano. Ou seja, o "carro verde" da Ford era apenas uma parte da história publicitária, a parte que lhe convém mostrar e que joga para debaixo do tapete todo o péssimo posicionamento em emissão de carbono que seus carros possuem. A Ford produziu na verdade uma ação marketeira de greenwashing, pura e simples.

(Parênteses: Há quem diga que capitalismo e proteção ambiental são excludentes. Eu prefiro acreditar no caminho do meio, de que é possível se preservar e levar uma vida mais ecologicamente saudável pressionando-se o sistema a mudar um pouco. Suas bases mais profundas são insustentáveis, mas pequenas mudanças na visão capitalista podem ser feitas, em minha opinião, para abocanhar uma parcela de benfeituras verdes. Fim do parênteses.)

Devemos sempre se lembrar que o mínimo de consumo é a melhor ação ecológica atual pelo planeta, mas há momentos infelizmente em que o consumo não dá para ser evitado - pelo menos para a média da população. Por exemplo, quando você tem um bebê, é praticamente impossível não comprar fralda (de pano ou plástica). Você precisará consumir um desses 2 tipos de produto, e é aí que o melhor a fazer é verificar o comportamento da empresa que está lhe oferecendo tal produto. É exatamente nesse momento também que você precisa ficar atenta ao greenwashing que as empresas andam adotando.

Felizmente, já existem alguns sites e fóruns pela rede que auxiliam o consumidor a detectar se está sendo "greenwashed". E avisam quando não está, ou seja, quando a empresa é coerente e realmente se compromete com a questão ambiental. O primeiro que cito é o Evo.com, uma espécie de portal que avalia diferentes produtos do nosso dia-a-dia e que traz também vários guias para a compra consciente desses produtos. O Greenwashing Index , por sua vez, permite aos usuários logados avaliarem os comerciais vistos nos diversos meios de comunicação atribuindo a eles um índice, que vai de "good ad" até "totally greenwashed", além de agregar notícias sobre greenwashing. Vale ressaltar que certos nichos empresariais, como bancos, embora se esforcem com "cartões de crédito verde" e afins, parecem nunca conseguirem bons índices. ;)

No Brasil, poucos sites se dedicam a detectar buracos no discurso vazio das propagandas. Muito ainda depende da consciência crítica pessoal de cada um, e sem possuir uma ferramenta que integre toda a informação publicitária de "sustentabilidade", fica mais difícil separar o joio do trigo na publicidade. Passeando pela rede, encontrei no blog da Sustentabilidade e no portal Propaganda Sustentável um pouco dessa discussão. Mas adoraria imensamente conhecer novos endereços com a mesma finalidade, para deixar aqui como referência a todos, e aumentar o leque de opções ao consumidor que quer ser verde de verdade, e não greenwashed. Dicas são muito bem-vindas.

Sou publicitário. Pouco entendo de biologia, ecossistemas ou conservação da natureza além do que vejo e leio em textos e jornais diariamente. Contudo, através dos olhos de quem conhece a teoria da comunicação e sabe até que ponto ela pode - e, com efeito, consegue - interferir na capacidade decisória das pessoas, eu vejo a questão da degradação do planeta por um outro prisma. Fala-se muito da vontade política - ou da falta dela - como fator preponderante na conscientização das populações quanto às questões relacionadas ao meio ambiente. Tudo, sob esse aspecto, é trabalhado ao nível da macro-economia, da macro-energia, da macro-produção de alimentos... e na verdade, isso tudo é uma ilusão. Porque quem degrada o meio ambiente e o planeta não é o macro, e sim o micro. 

Por exemplo, fala-se muito na questão da poluição causada pela queima de combustíveis fósseis e em sua possível mudança para a queima de biocombustíveis, mais limpos e menos agressivos. Vamos lá, quem consome esse combustível todo? Automóveis, certo? Não, não apenas. Automóveis, caminhões, navios, trens a diesel, indústrias... tudo isso consome combustível. Tudo começou, na verdade, com trens, navios e indústrias e o consumo de carvão, na época da Revolução Industrial do século XIX. Dois séculos depois, há tecnologia suficiente para que motores à explosão não fossem mais necessários. Por que eles ainda são fabricados? Por causa do lobby da lucrativíssima indústria de petróleo, certo? Não. Quem afinal consome o que é produzido pela indústria de petróleo? Quem usa. E quem usa? Indústrias, transportadores e... donos de automóveis. Agora vem a questão primordial. Interessa à indústria ou a grandes transportadores que tipo de energia move suas máquinas? Sim, mas pelo custo. Se mover tudo à eletricidade fosse mais barato e eficiente que mover tudo a gasolina e diesel, a indústria e os transportadores mudariam de foco, é óbvio. Mas não os donos de carros. Afinal de contas, quem de nós já sonhou com uma Ferrari elétrica que chegasse a fantásticos... 110 km/h, quando uma a gasolina puríssima de alta octanagem pode chegar próximo aos 400?

Isso é um exemplo que pode ser transposto a dezenas de áreas de atuação do mercado. Roupas, equipamentos eletrônicos, material esportivo, brinquedos, alimentos. É o glamour da exclusividade, a exacerbação dos desejos incutidos na população pela publicidade o que torna quase impossível, por exemplo, que um governo se atreva a banir certos produtos e indústrias nocivos ao ambiente. O mercado colocou na cabeça do ser humano que ele pode tudo, bastando apenas pagar por isso. 

Bem, eu concordo: cerceamento de liberdade é algo abominável. Mas, falemos a verdade: ninguém precisa andar a mais de 110 km/h numa rua da cidade ou mesmo numa rodovia. A tecnologia para que os automóveis fossem limitados eletronicamente a velocidades limites em determinadas vias existe desde o tempo da primeira guerra. Porque não se usa? Por que não se faz isso e se salva milhares de vidas por ano? Ora, porque as pessoas compram carros potentes para poderem usufruir de sua potência, para deixar fluir a testosterona e a libido mostrada nos anúncios por suas veias. Queimar gasolina em grandes quantidades é um símbolo de status e poder, muito associado aos americanos e suas banheiras de oito cilindros, mas plenamente compartilhado com o resto do planeta. Ninguém quer abrir mão: quem compra o carro, quem fabrica o carro, quem constrói a rodovia e quem produz o combustível.

O mundo é movido, em grande parte, pelo desejo do luxo, pelo desejo do supérfluo, pelo desejo do conforto. Eis a China e sua nova economia como prova cabal disso. Se o planeta produzisse somente o necessário, a demanda ainda seria excessiva. Mas o que ocorre é o contrário: o planeta produz em excesso e a população é levada a querer consumir muito mais do que precisa. E isso, no final das contas, é luxo, e é o luxo que move o mundo e é o luxo que destrói cada dia mais este mundo que já não pode se dar tanto ao luxo de tamanho desperdício.

(Texto escrito pelo caríssimo Marcos VP, e enviado por email. Marcos VP também quer fazer a sua parte na disseminação da idéia de vida verde. Adoramos que ele teve a iniciativa de escrever para a gente, muito valiosa. Obrigada, Marcos! Se você quiser também enviar um texto para ser publicado no Faça, o email do blog é: facaasuaparte ARROBA gmail PONTO com. Aguardamos com carinho!) 

UPDATE: A discussão sobre esse texto está supimpa lá na caixa de comentários do Marcos. A viagem até lá é recompensadora.
Este post faz parte do ciclo Debates Ambientais do Faça a Sua Parte.




















O primeiro passo foi descer das árvores e habitar em cavernas. Depois de um longo tempo, aprendemos a construir casas. À medida que a população aumentava, aumentava o número de casas e se formaram as vilas e cidades. Para dar espaço às cidades que cresciam, as florestas foram asfaltadas, ligando cidades, vilas e zonas industriais. O retorno tornou-se impossível: não há cavernas suficientes e as árvores não oferecem o conforto a que estamos habituados. A convivência entre seres humanos e o verde das florestas parece ter se tornado um dilema: um dos dois deve diminuir para que o outro possa expandir-se. A natureza tem se ocupado em mandar-nos algumas calamidades que dizimam parte da espécie humana; os seres humanos também colaboram para a auto-destruição com a má alimentação que provoca doenças e embalagens que duram anos, trânsito assassino, criminalidade e guerras. Apesar dos esforços das duas partes, a população continua crescendo. Já há quem espera por uma hecatombe ou pela terceira guerra mundial para resolver - temporariamente - o problema. Há soluções? O dilema realmente existe? A convivência é realmente impossível?

Falar em controle da natalidade é comprar uma briga muito grande, mas algo precisa ser feito, ou o cimento também acabará. Enquanto soluções não despontam, podemos ao menos aumentar o número de árvores e preservar as que já existem. E não me refiro somente à Amazônia ou ao pouco que sobrou da Mata Atlântica. A China, por exemplo, tornou-se o maior exportador mundial de madeira; boa parte colhida ilegalmente das florestas russas. Também a Finlândia tem sido acusada de utilizar madeira das florestas primárias escandinavas e o reflorestamento de que tanto se ouve falar é basicamente de pinus, madeira utilizada ostensivamente no comércio que tem a vantagem de haver um crescimento rápido. Com a destruição da flora original perde-se, também, a fauna e a população nativa. De fato, nos 5% de florestas primárias escandinavas que restam, expreme-se a última grande população indígena europeia, os Sami. O resto do norte europeu não se encontra em situação diferente, assim como o Canadá com enormes problemas de desmatamento. Tentei informar-me sobre uma lei que transitava no congresso russo alguns anos atrás, a qual permitia o uso das florestas para projetos comerciais e de lazer (?), mas a busca obteve um resultado desestimulante. Somente 10% do desmatamento na Rússia é causado pelo comércio de madeira. O restante acontece em função dos projetos comerciais e para extração de petróleo e minérios. O problema é sempre de ordem econômica e política. Por que a imprensa internacional aponta o dedo para a Amazônia, toda vez que fala em preservação das florestas?

Recentemente, lendo uma matéria do Pedro Dória, não pude deixar de concordar quando ele fala sobre a falta de um projeto para a Amazônia. Mas por que ninguém fala, também, do Canadá, da Rússia, dos países europeus e da China, com seus desertos que crescem em ritmo jamais vistos? Não que os problemas alheios minimizem os nossos, mas não podemos nos sentir como os únicos vilões nessa história. O que você, leitor indignado com o problema da Amazônia, sabe sobre o que vem ocorrendo nos outros países?

A proposta, pois, seria de mudar o foco do discurso. Invés de falarmos de desmatamento e do fim das florestas, passássemos a falar, debater e promover o reflorestamento. O problema já existe e somos conscientes dele. Tratemos agora das soluções.

E por que não reunir todas as informações disponíveis sobre reflorestamento? A partir desse banco de dados que seria constantemente atualizado, procurar envolver o maior número de entidades para um projeto maior, que seria por em prática uma política de reflorestamento.

Se quisermos sair da esfera da utopia devemos fazer algo para mudar a situação. Algo como iniciar um projeto popular e buscar envolver todos os órgãos e entidades possíveis, para lançar uma campanha de reflorestamento. Associações de bairro, ONGs, prefeituras, escolas, universidades, pessoas famosas, os governos estaduais e o Governo Federal, a ONU, enfim, todos que pudermos atingir e estipular, digamos, o ano de 2012, como o Ano do Reflorestamento. Até lá, estudos, pesquisas, projetos e compromissos seriam elaborados.

Também parecia um sonho quando, em 1861, D. Pedro II decidiu mudar o panorama do Rio de Janeiro, que enfrentava o problema da falta d'água causado pela devastação das florestas que circundavam a cidade, para uso da madeira e para o plantio. Hoje a Floresta da Tijuca é a maior floresta artificial do mundo e a maior em área urbana. Também parecia um sonho a diminuição da poluição de Cubatão, conhecida nas décadas de 70 e 80 como a região mais poluída do mundo. Hoje Cubatão é sinônimo de recuperação de áreas poluidas. E o que dizer do projeto da Universidade Federal de Santa Catarina, que desenvolve tecnologia para recuperação de florestas degradadas? Quantos outros projetos e exemplos existem sem que se fale deles? O problema é que, isoladas, essas ações não causam o impacto que merecem.

A esse ponto deve haver alguém balançando a cabeça enquanto avalia a minha ingenuidade. Pois bem, todas as ações humanas contra ou a favor da natureza tiveram um início. Pode-se escolher entre ficar observando de camarote os acontecimentos ou fazer parte deles. Não é necessário ter que escolher entre desenvolvimento e preservação, como bem esclarece esta entrevista com o economista Lester Brown, fundador da ONG Worldwatch Institute e do instituto de pesquisas Earth Policy.

A convivência entre seres humanos e o verde das florestas não precisa continuar um dilema, mas cabe a nós mudar a situação. Sugestões, participação, idéias e propostas serão bem aceitas. As críticas, também.

Parte um: qual o tipo de representação que queremos?

É bastante difícil resumir em poucas palavras todas as impressões deste grande encontro. Podemos dividir em três momentos: a aprovação do regimento; os grupos de trabalhos e a plenária final. O regimento é o conjunto de regras da conferência, elaborado pela comissão organizadora e que deve ser referendado em plenária. 

O primeiro conflito: aceitar ou rejeitar os critérios de aprovação de moções, da revisão das propostas, da participação e da aprovação do texto final.  Para isso, o texto é lido item por item, e discutido com toda a plenária. É um processo lento, cansativo, que demanda horas e paciência de todos os presentes - Delegados eleitos nos processos municipais e estaduais.

Com tanta diversidade, é claro que é um procedimento sujeito a problemas...  

Um exemplo: uns dos itens mais polêmicos foi o fator quórum mínimo - sempre presente no processo democrático.

O regimento apresentava como proposta de quórum mínimo 50% mais um dos inscritos na conferência. Devido ao processo extenso, nem todos conseguem permanecer até o final; o que acontece: nos momentos decisivos, apenas poucos estão presentes.

O que fazer? Por um lado, realmente não é representativo que, de 1200 delegados, menos de 50 decida pelos rumos da conferência. Por outro lado, se apenas essas poucas pessoas estão interessadas no processo, por que as outras 1000 vieram? Devemos invalidar o processo? Claro que o processo fica prejudicado, mas ele acaba sendo levado adiante, seguindo o preceito de que a "plenária é soberana".

A legitimidade é o fator mais importante a ser analisado em uma conferência. É ele que vai dizer se tudo o que está sendo feito ali deve ser levado em consideração ou não. Mesmo sendo aclamado como uns dos principais exemplos de democracia participativa, ainda são representantes eleitos em suas comunidades que participam do processo. Como não há um fator eqüitativo desse processo, cada comunidade escolhe em si os critérios de representação. Alguns parâmetros já são universalizados - como as categorias de representação: gênero, tipo de organização, unidade federativa, bacia hidrográfica; movimentos representativos - mas os procedimentos locais são independentes.

Deste modo, como podemos garantir a qualidade da representação?   

Como veremos mais adiante, esse é um dos grandes problemas e ao mesmo tempo a principal qualidade desse tipo de processo democrático...

 

Parte dois: a maravilhosa essência do processo

São cerca de mil pessoas, de todos os estados da União, eleitas democraticamente em seus municípios como representantes da sociedade civil organizada, do poder público e do setor empresarial local para decidir os caminhos da política pública de mitigação e adaptação das ações do ser humano às mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global.

Mais de 500 propostas tiradas dos estados são debatidas nos grupos de trabalho para a produção do texto a ser aprovado na plenária final. A partir daí, o processo continua com a apresentação das propostas ao governo federal, que deverá levar em consideração para a elaboração do Plano Nacional de Mudanças Climáticas.

Povos indígenas, representante de quilombos, povos caiçaras, caipiras e sertanejos de todo país; homens e mulheres de todas as cores, etnias, movimentos e ideologias imagináveis; estudantes, sindicalistas, donas de casa, lavradores, pequenos empresários, líderes comunitários, políticos e intelectuais - todos se identificando apenas como ambientalistas - deste país participando da elaboração dos caminhos ambientais do Brasil.

A sensação de poder popular exala de todas as conversas nos almoços, nos transportes, nos bares como uma ilha espaço-temporal dentro do gigantesco poder político e econômico dominante na capital da nação. A não ser por raríssimas exceções, o consenso domina todas as discussões; as votações são, em sua maioria, por aclamação; não há realmente nenhuma crítica formal ao processo; Todos estão interessados na construção coletiva e participam nesta direção.

Para compreendermos a relevância desse processo, Destaco aqui um trecho de uma nota publicada na Folha online de ontem - 10/05/2008:

 

"Brasil atrasa plano contra aquecimento global

AFRA BALAZINA
Enviada especial da Folha de S.Paulo a Brasília

O Plano Nacional de Mudanças Climáticas, aguardado para meados deste ano, só deve ser concluído em novembro. A afirmação é da secretária nacional de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Thelma Krug. O atraso contraria determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O decreto 6.263, de novembro de 2007, estabeleceu que a versão preliminar do plano deveria estar pronta até o último dia 30, o que não ocorreu.

O plano vem sendo prometido desde setembro de 2007, quando Lula anunciou nas Nações Unidas que o país o adotaria. Porém, de concreto até agora só se sabe que ele terá quatro eixos: adaptação, mitigação, pesquisa e desenvolvimento e divulgação e capacitação.

Uma de suas maiores novidades, a idéia de usar dinheiro do Fundo de Compensação do Petróleo em ações de mitigação e pesquisa, está em discussão no Executivo, mas também não tem data para ser enviada ao Congresso. Krug diz que a mudança na lei não deve ocorrer antes da conclusão do plano.

Segundo ela, para que o plano seja de fato nacional --e não federal, fruto de decisões apenas dos ministérios-- é necessário abrir espaço para a participação regional, de Estados e municípios. Com isso, o processo é mais demorado.

"Um plano federal você pode construir através dos ministérios. E é claro que vai ter essa visão no plano. Mas, para torná-lo nacional, é preciso trazer essas regionalidades", diz ela."

Atraso perfeitamente justificado - ponto para o governo.

O ambiente - e o meio ambiente também - é tomado por uma maravilhosa e impressionante sensação: a vitória da Democracia Participativa.    

 

Parte três: a lógica da desordem

O saudoso Milton Santos marcou os estudos do desenvolvimento urbano identificando de forma exemplar a dinâmica social dos agrupamentos urbanos, usando como objeto de estudo a cidade de São Paulo. Arrisco aqui cometer certos erros teóricos, mas gostaria de usar este exemplo para ilustrar o desenvolvimento da plenária final, o ponto alto de todo encontro.

Assim como é impossível controlar todos os processos de urbanização de uma cidade, devido à dinâmica social extremamente mutável, do mesmo modo não é possível controlar todos os processos de debate em torno da formulação de políticas públicas. Por quê? Porque o ser humano é uma curiosa invenção em desenvolvimento!

Muitos consideram esse processo de conferência uma farsa: um encontro de ignorantes aparelhados por entidades vinculadas a interesses políticos específicos. Há suspeitas de irregularidades de todos os tipos: pessoas que participam no lugar de outras; preferencialismo; mau uso do dinheiro público; falsificação de assinaturas em atas e moções. O regimento possui brechas que permitem desrespeitá-lo à todo momento; muitas decisões são resolvidas no grito, e debates quase se transformam em agressões físicas; a maioria dos delegados passam mais tempo passeando e se divertindo que participando das discussões - atitude até certo ponto justificada pelo fato de as discussões se tornarem verdadeiros martírios mentais intermináveis (imagina corrigir de um texto de 500 páginas junto com outras dezenas de pessoas? Até parece feito de propósito para afastar as pessoas); complementando esse fato, no final umas poucas pessoas se legitimam a decidir por todos os ausentes - claro que ignorando o quórum mínimo. Desde as conferências locais esses problemas se repetiram, assim como se repetem na esfera da democracia representativa - quando elegemos vereadores, deputados, prefeitos, governadores e presidentes.

Alguns são problemas graves; outros nem tanto. Não tenho a intenção, de forma alguma, fazer denúncias ou desqualificar o processo, até porque, mesmo que quisesse, não teria poder para tal; mas é importante fazer uma avaliação sincera do processo para se entender a origem dos problemas e se buscar a solução. Na política infelizmente não temos processos perfeitos, assim como em todas as esferas - das sociais às pessoais - está presente a corrupção. E isso inclui a todos. O diferencial está na capacidade de reconhecermos nossas falhas pessoais e sociais em busca do melhoramento constante. É assim que o ser humano evolui em sociedade - ou pelos menos poderia ser assim. Isso, por si só, já justifica e qualifica positivamente todo o processo.

A Conferência Nacional é o ponto alto do processo de conferências, que começou nas discussões locais em cada município (em alguns casos em cada bairro). A plenária final é o clímax do encontro, onde todas as qualidades positivas e negativas se tornam evidentes - como não poderia deixar de ser.

É verdade: A plenária é realmente soberana.

Para todos os participantes, são três dias de extremo cansaço, mas de uma satisfação extasiante - a relação íntima com o processo democrático. Qualquer semelhança com qualquer é mera coincidência.     
Há algum tempo, escrevi sobre um email que recebi de Leonardo DiCaprio (leia o post para entender como...), enfatizando o problema da possível extinção dos ursos polares por causa do aquecimento global. O efeito colateral de escrever aquele post, na época, foi de que comecei a me interessar sobre as chamadas "ecocelebridades", artistas e wannabes que de alguma forma emprestam seu tempo e nome às causas ambientais. 

Antes de explicar meus pensamentos viajantes sobre o tema, gostaria de deixar claro que eu entendo perfeitamente o nível de jogada financeira que pode ser para uma celebridade qualquer se envolver com uma causa humanitária/filosófica/ambientalista que seja. É claro, doar dinheiro a ONGs e instituições afins permite deduções de imposto de renda substanciais, e para quem tem o salário na faixa de alguns milhões de dólares, isso pode fazer uma diferença significativa. Tira um pouco do glamour da ajuda pensar assim, mas acho que se eu fosse uma celebridade algum dia (e ganhasse todo esse dinheiro, é claro), pensaria da mesma forma: melhor enviar um montante considerável de dinheiro direto para uma obra social interessante do que esperar pelo governo para, após muita burocracia e gasto de papel, atingi-la com o dinheiro dos meus impostos. (Descontando no Brasil ainda o risco elevado de corrupção e de que seu dinheiro vá, ao final de tudo, parar numa conta de um político loser qualquer nas Ilhas Cayman.) 

Também entendo perfeitamente a grande jogada de marketing que borbulha na cabeça dos assessores de relações públicas (PR) e agenciadores das celebridades (ou na cabeça de muitas celebridades mesmo): ligar seu nome a uma causa "boa" é garantia de popularidade, boa imagem e, no final das contas, bons lucros. Quem sabe até bons contatos para uma próxima empreitada artística. Faz bem à carreira pessoal ser engajado em algo - melhor ainda se você acabou de pagar um mico bem grande nos tablóides, aí a causa "boa" se torna um diluidor certeiro de fofocas. Paris Hilton que o diga. 

Mas, descartando esses 2 aspectos, eu gostaria de comentar um pouco o papel das celebridades - mais precisamente as engajadas no âmbito ambiental. Como Leonardo DiCaprio (cujo eco-site interessantemente não exibe fotos dele, para não desviar o foco da causa ambiental que ele advoca), Pierce Brosnan, Gisele Bündchen (que "copiou" nosso lema do Faça! hehehe!), Al Gore, Daryl Hannah, Cameron Diaz, Edward Norton, Brad Pitt (cujo projeto arquitetônico para o 9th Ward de New Orleans é 100% sustentável), Jack Johnson, Angelina Jolie (que junto com Brad Pitt reportaram ao fisco americano doações de 8 milhões de dólares só no ano de 2006 para projetos humanitários e ambientais). São apenas alguns exemplos, mas que merecem reflexão, em minha opinião. 

Muitos condenam o uso da causa ambiental meramente como estratégia de PR. Para boa parte das celebridades, não passa disso mesmo - e acho que é fácil detectar quando o é (embora eu sempre pense que é melhor ajudar que fazer nada). Entretanto, há aqueles indivíduos que são verdadeiramente interessados na causa ambiental, ou porque os pais os educaram assim (caso de Gwyneth Paltrow) ou porque aprenderam com o tempo o grave risco que o planeta corre (caso de Leonardo DiCaprio, que sempre cita em entrevistas que Al Gore "abriu seus olhos") ou porque simplesmente se apaixonaram pela causa (caso de Pierce Brosnan, que defendia a ecologia e depois de conhecer a atual esposa, uma jornalista ambiental, teve seu interesse aumentado mais ainda - literalmente "caiu de amores" pelo mar). Para essas ecocelebridades, mais que marketing próprio, é uma questão de consciência mesmo. 

O movimento ambiental, no entanto, parece ainda ver com um certo preconceito a participação das ecocelebridades em suas campanhas. Greenpeace, Conservation International e WWF, por exemplo, aceitam doações com agrado, mas parecem não gostar de ter ecocelebridades estampadas em seu website - é um fato observável nessas URLs. (O WildAid tem uma página do site dedicada às celebridades que o apóiam, e parece ser nesse âmbito uma exceção entre as grandes ONGs ambientais.) Faz sentido as ONGs pensarem assim: um deslize "ecológico" de uma ecocelebridade pode ter sérias consequências de credibilidade para uma campanha perante a opinião pública. É mais fácil não arriscar. 

Entretanto, acho que esse risco poderia ser melhor administrado. Porque a figura da ecocelebridade é muito forte para a maioria da população - que dirá seus fãs. É um desperdício de luta não usar a imagem de um famoso por medo de arriscar. A probabilidade de que algo dê errado existe, mas o número de pessoas que são "educadas" sobre o ambiente (ou que pelo menos despertam para a existência daquele problema) ao ouvir uma ecocelebridade em uma entrevista na TV são tão maiores, que podem tornar a campanha muito mais eficiente no final das contas. A ecocelebridade tem a oportunidade de educar milhões em uma tacada só, apenas pelo poder da imagem que tem sobre seus admiradores.  

E a galera aqui do Faça percebeu isso na prática, dia desses. A Xará postou em fevereiro de 2007 um post no Faça a sua parte falando do projeto "Amazônia para sempre". O post, na época, teve meia dúzia de comentários e ficou nisso. Bastou semana retrasada a Christiane Torloni citar o projeto no programa do Faustão que em menos de 24h o post passou para inacreditáveis 183 comentários - and counting. Uma atriz. Uma única pessoa (!!) no rol das "celebridades" chamou a atenção de um monte de outras, e resvalou googlelateralmente num post do Faça. Imagina a página principal do projeto quanto apoio não teve... Uma bela oportunidade de mobilização amplificada que a Christiane Torloni fomentou. 

Mas para que esse efeito amplificador aconteça, é necessário um outro fator importante na equação: sinceridade. A ecocelebridade precisa ser sincera com a escolha de uma causa ambiental, vestir a camisa em seu dia-a-dia, e principalmente ser uma dessas pessoas que vivem ecologicamente - e por estar no spotlight de câmeras e paparazzis, isso pode se tornar um agente complicador difícil de controlar. Mas não impossível, como muitas ecocelebridades já demonstram. Porque só assim a defesa de uma causa vai estar efetivamente ligada ao seu nome, e com isso toda a causa se amplifica. Exemplo? Hoje não se fala em refugiados no mundo sem pensar em Angelina Jolie. Porque ela se mobilizou ativamente em prol da causa, adotando 3 crianças derivadas do problema, ou seja, ela conhece de perto a realidade da causa. Assim como Leonardo DiCaprio tenta incorporar em sua vida o ambientalismo - recicla muito em sua mansão e sua última empreitada é um ecoresort 100% sustentável numa ilha e com 0% de produção de lixo (tudo é reciclável). A ligação da imagem de uma ecocelebridade com a sua causa de forma sincera é pré-requisito básico para o sucesso da divulgação da causa ambiental. 

E tendo essa relação sincera reforçada, o movimento ambientalista ganharia muito com o apoio das ecocelebridades. Ganharia ressonância, provavelmente mais apoio e verba, e poderia expandir o campo de ação. Não é a solução final pros problemas do mundo, mas seria uma forma a mais de contribuir. Afinal, melhor fazer algo que fazer nada pelo nosso planetinha azul.
O Ibama disponibilizou a consulta pública de áreas embargadas.  Andreia Fanzeres, do site "O Eco", fez um artigo que vale a pena ler.

Políticos, empresários, governo, não sobra ninguém... Como diz Andreia "Do pequeno sitiante aos políticos, empresários, empresas multinacionais e instituições públicas. Agora ficou mais fácil verificar se os supostos compromissos de sustentabilidade anunciados por aí são mesmo confiáveis."

Apenas mais um trecho (o resto leiam nos links indicados) sobre a hipocrisia humana que acaba com o meio ambiente:

"Em Mato Grosso, a lista revela nomes bastante conhecidos por quem monitora o desmatamento na Amazônia. O senador Jaime Campos responde por três áreas embargadas em Alta Floresta, sendo uma superior a 1.200 hectares. No mesmo município o deputado estadual Ademir Brunetto é responsável por outra área, mas o sistema não informa mais detalhes. Desse mesmo jeito são registrados embargos dos deputados Humberto Bosaipo, em Porto Esperidião, e de Dilceu Dal Bosco, em Sinop. Na semana passada, aliás, este último proferiu discurso na Assembléia Legislativa defendendo que produtores ilegais precisam de punição. "Toda economia de Mato Grosso acaba sendo penalizada por causa das ações desses empresários. Vamos fazer o possível para que eles sejam punidos", falou, enquadrando-se na categoria. "


Como dizia o Chico Buarque:

" Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá"

A roda-viva está no Congresso, nas Assembléias, nos governos, nas empresas que se dizem socio-ambientalmente responsáveis...
O dilema: natureza versus ações sócio-educativas.

O que acontece quando uma personalidade famosíssima resolve cometer um crime ambiental? E se essa personalidade convida o Prefeito de uma capital também famosa para inaugurar o crime ecológico e ele aceita e comparece? E o que dizer quando o Governador do Estado comparece?

Mais, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente já havia alertado a 'famosíssima personalidade" de que estava cometendo um crime e o Chefe (Prefeito) mesmo assim comparece?

Pode parecer coisa de primeiro mundo, mas não é! Aconteceu aqui em Porto Alegre. Vejam:

"Instituto Ronaldinho Gaúcho terá que reparar danos ambientais

Por Ulisses A. Nenê, da Ecoagência

Acordo entre o Ministério Público e o Instituto determina compensações para os danos causados pelas obras da entidade, inclusive em Área de Preservação Permanente.

Porto Alegre, RS - O Instituto Ronaldinho Gaúcho e o Centro Ronaldinho Gaúcho, entidade filantrópica e empresa esportiva do jogador do Barcelona, respectivamente, terão que reparar os prejuizos ao meio ambiente causados pelas obras de suas instalações, na Zona Sul de Porto Alegre. O primeiro foi inaugurado em 27 de dezembro de 2006 (foto) e o segundo estava em obras que foram suspensas ano passado com a intervenção do Ministério Público.

Nas duas áreas, no Instituto e no Centro, ocorreram "cortes de vegetação nativa, drenagens de banhado, canalização de curso d'água, corte de vegetação exótica, tudo sem licença ambiental", relatou hoje à tarde a promotora de Justiça e Defesa do Meio Ambiente de Porto Alegre, Ana Maria Moreira Marchesan.

"A pior agressão foi o corte de mata nativa no Morro da Tapera e a construção em uma Área de Preservação Permanente (APP)", acrescentou. Meio hectare de árvores nativas e exóticas foram derrubadas no morro.

A promotora disse que Ronaldinho e seu irmão, o ex-atleta Roberto de Assis Moreira, diretor do Instituto, foram alertados pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam) de que estavam infringindo a Lei dos Crimes Ambientais. O órgão chegou a autuar o Instituto e o Centro por diversas vezes, expedindo multas que totalizaram R$ 115 mil, mas as obras prosseguiram.

O Ministério Público foi acionado por denúncia anônima, ao mesmo tempo em que recebia os autos de infração da Smam, em julho do ano passado. Foi aberto inquérito civil e procedimento investigatório que resultaram no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado hoje com os representantes de Ronaldinho.

Além da execução de projetos para reparação dos danos envolvendo cortes de vegetação nativa, drenagens e canalizações não licenciadas, o acordo prevê a doação de uma área para o município de Porto Alegre e a implantação de uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), por conta do Instituto e do Centro.

A multa ficará em 10% do valor inicial. Mas o acordo não impedirá o processo criminal na Justiça Comum, pois a promotora adiantou que apresentará a denúncia nos próximos dias com com base na Lei 9.605 (Lei dos Crimes Ambientais).

"Eles contrataram um arquiteto e um empreiteiro e com muita pressa tudo foi feito, sem qualquer licença ambiental. A Smam ainda tentou interditar mas eles continuaram a obra, mesmo com as autuações, até que o MP entrou em ação, só aí cessaram as intervenções na área", contou.

Construído em área de 12 hectares, o Instituto foi criado para oferecer a crianças carentes atividades como futebol, tênis, vôlei, vôlei de praia, atletismo e jogos de mesa, além de oficinas de teatro, línguas, música, informática, aulas de reforço escolar e cursos profissionalizantes .

Também oferece atendimento médico e odontológico e companhamento da situação familiar de cada aluno. A inauguração festiva teve a presença do próprio Ronaldinho e de muitas autoridades, como o prefieto, José Fogaça, e o então governador, Germano Rigotto.

"O meio ambiente tem que ser respeitado em qualquer situação, mesmo (a entidade) de cunho filantrópico e de grande valor socio-educativo, com envolvimento do município, tudo tem que ser feito com sustentatibilidade ambiental", alerta a promotora.

A EcoAgência tentou mas não conseguiu localizar o advogado Sérgio Queiroz, que representa os irmãos Ronaldinho e Assis Moreira no caso.
"

Gente, o que são meia dúzia de hectares de mata nativa frente a tudo de bom que estou fazendo pelas criancinhas carentes? Já imagino que a personalidade deva estar pensando isso...

O Prefeito e o ex-Governador pensam assim pelo visto...

De acordo com a Organização Mundial para a Saúde Animal, o consumo de produtos animais deverá aumentar em 50% até 2020. Tal aumento no consumo ocorre principalmente na China e na Índia, e é devido também ao comércio cada vez mais acentuado de produtos de origem animal. O que fazer quando se constata que muitas das criações de animais são de populações muito pobres do Sahel ou da Ásia Central, que dependem do gado para sobreviver? Exigir a mudança de seus hábitos alimentares?

A conseqüência do grande consumo de alimentos de origem animal é a destruição dos ecossistemas e o aquecimento global. Segundo Jean-Luc Angot, diretor-geral adjunto da OIE, "há também riscos sanitários complementares, pois os produtos circularão mais rapidamente que o tempo de incubação das doenças, como a 'febre catarral ovina' (ou doença da língua azul) surgida em regiões onde não era conhecida anteriormente, como no norte da Europa, e que era considerada até então tropical".

No final de 2006 a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) calculou que os bovinos produzem mais gases causadores do efeito estufa que os carros. O metano que expelem e o protóxido de nitrogênio de seus dejetos são muito mais nocivos para o meio ambiente que o CO². E, não podemos nos esquecer de que, quando se queima a floresta para criar gado e plantar soja para a alimentação de animais, estamos reduzindo os chamados "poços de carbono", que absorvem o CO² , conservando-o na vegetação e no solo.

Somos carnívoros a ponto de comprometer a saúde de nosso planeta? Bem, como há populações pobres como as do Sahel e da Ásia Central, que dependem do gado para sobreviver e não podem deixar de consumir carne e produtos de origem animal, é mais adequado que os países ricos façm algo para minimizar estas emissões. Em seus sistemas de criação, podem, segundo os especialistas, contribuir para diminuir as emissões de CO², otimizando seus dejetos e seus adubos, lucrando, assim, com a economia que obterão e reduzindo o risco de poluição para a água e para o ar, e, desta forma amenizando o impacto nocivo sobre a vida no planeta.

imagem: daqui

Já está virando moda as empresas associarem seus produtos a ações sociais e de defesa do meio ambiente, com o objetivo de sensibilizar os consumidores e construir uma imagem de empresa responsável. Mas será que tais empresas desenvolvem realmente ações importantes para o meio ambiente? Ou será que estão usando a questão ambiental como campanha de marketing? Esta 'maquiagem verde' aplica-se a empresas que não realizam, de fato, ações efetivamente úteis ao meio ambiente, mas 'aparentam' uma atitude sócio-ambiental. Basta observar as propagandas que tais empresas divulgam.

Há as que afirmam estarem investindo no jovem, pois este investimento gera retorno em sustentabilidade. Na realidade, algumas empresas investem em educação pública, o que é muito interessante, pois proporciona a estes jovens melhores oportunidades de qualificação para o trabalho. Mas, na prática, não há uma ação ou projeto ambiental da empresa que traga benefícios ou resultados para o meio ambiente. No entanto, a empresa transmite a imagem de que investe em sustentabilidade.

Há, também, os bancos que investem em preservação de áreas florestais para compensar o CO² emitido pelos veículos e casas de seus clientes de seguros. Ao proteger seu automóvel ou casa, o segurado passará a preservar, por meio do banco, uma determinada área de mata nativa, que irá reter o equivalente ao que foi emitido na residência ou pelo veículo. Não seria mais apropriado que tais bancos criassem incentivos para induzir o cliente a mudar seus hábitos e reduzir suas próprias emissões. Não é uma maravilha? Eu posso emitir CO² à vontade, pois estou pagando. Cômodo, não é. E todos, clientes e empresas, transmitem a bela imagem de responsabilidade e sustentabilidade.

Felizmente, porém, o 'marketing' verde é, realmente, a divulgação de atitudes socioambientais de empresas que, de fato, contribuem para a preservação dos recursos do planeta. Entre as ações de responsabilidade social, há as parcerias com a Fundação SOS Mata Atlântica, por exemplo, responsável pelo plantio de milhões de mudas nativas. Louvável também, são as atitudes de reaproveitamento e reciclagem do próprio material utilizado pelas empresas, como usar seu próprio papel reciclado em materiais de comunicação internos e externos, envelopes de correspondência ou em seu material de propaganda. Interessante também, é a atitude de empresas que promovem campanhas de uso racional de água e energia; investem em projetos de educação ambiental de forma efetiva, útil, funcional.

O ideal seria que, na prática, todas ações das empresas fossem realmente eficientes para conter a emissão de CO² e preservar o meio ambiente. Em muitos casos, infelizmente, tais ações não passam de marketing verde. Não há um incentivo para que se economize ou se use conscientemente os recursos naturais, de modo a diminuir o impacto ambiental. Parece muito cômodo: "você polui, então pague."

Fontes: Bancários do Rio , Eu cuido do Planeta
Imagem original daqui

Quem avisou foi o queridíssimo Escriba (leia o artigo original): o grupo Animal Liberation Front (ALF) atacou, durante o feriado do ano novo, o site do Institudo Pró-Carne (que demorou DIAS para descobrir o atentado). No mesmo dia à tarde, chega um e-mail do Veddas que transcrevo abaixo.

As imagens publicadas nos links abaixo mostram como estava o website na manhã do dia 3 de janeiro:

www.veddas.org.br/procarne2.jpg

www.veddas.org.br/procarne3.jpg

Quase um dia após a informação sobre a invasão ter começado a circular em comunidades eletrônicas relacionadas ao vegetarianismo e aos direitos animais, o website do Instituto Pró-Carne continua no ar mostrando imagens fortes de animais sendo abatidos e indicando pesquisas que relacionam o consumo de carne à incidência de câncer.

Os banners mostrados no website, que recomendam o consumo de carne até mesmo para o tratamento de doenças, agora contrasta com frases como “Carne: você paga com a sua saúde e nós ficamos com o seu dinheiro! O nosso lema é: quanto mais alienação, melhor!”.

Nota importante: apesar de termos sido referenciados nos links indicados, o VEDDAS declara não ter tido qualquer participação nesta ação. A notícia nos chegou por via de comentários postados em comunidades do orkut e a divulgação do fato tem caráter meramente informativo.

VEDDAS – Vegetarianismo Ético, Defesa dos Direitos Animais e Sociedade

Que feio! Nunca esperei isso de um grupo que luta pela ética. Se a nossa sociedade, marcada pela indiferença, permite, aceita e consome o fruto do sofrimento animal não é com atos terroristas e antiéticos como este que resolveremos a questão. Sim, porque me desculpem os fanáticos, a livre expressão é uma das maiores conquistas da humanidade. E, neste jogo, não vale defacear nem hackear site de quem pensa diferente da gente. Ponto final. Não cabe discussão.


A Carol Costa postou em seu blog "Guindaste" uma excelente reportagem da revista Página 22 (que eu não conhecia e parece não ter versão online) sobre o uso de sacolas plásticas atualmente. Aos interessados em fazer a sua parte, números impressionantes são lá revelados. Muito lúcida, a reportagem termina com uma conclusão infelizmente perfeita do Marcelo Coelho:

“Não dá para querer um pensamento ecológico sem pensar no bolso. Enquanto o plastiquinho não me custar nada, enquanto uma folha de papel custar centavos, ninguém vai conseguir que as pessoas levem menos sacolas para casa ou usem os dois versos do papel.”

A reportagem completa está lá no blog da Carol: parte 1 e parte 2. Visite e estimule a discussão.
Eu publiquei esse texto bem pessoal ontem no meu blog. Algumas pessoas com quem conversei acharam melhor repercuti-lo pela rede, e eu resolvi repostá-lo aqui no Faça a sua parte na íntegra.


"Quando há alguns meses saiu o relatório definitivo do IPCC sobre a situação climática e ambiental do planeta na atualidade, eu imaginava que as palavras contidas naquele documento tivessem impacto indelével sobre as pessoas, governos e corporações. Afinal, pensei eu, sugeriu-se com aqueles resultados que o aquecimento poderia destruir boa parte da economia do mundo, fazendo sofrer principalmente os países mais pobres, sem estrutura para administrar as consequências climáticas sinistras pressupostas no documento. O Príncipe de Mônaco (!) parece que ouviu bastante, e um ou outro governante com certeza prestaram atenção, principalmente ao terem acesso a visualizações das consequências imediatas. Tudo levava a crer que aquele seria um momento divisor de águas.

Quanta ingenuidade minha. Falou-se por alguns dias sobre o tema na mídia (ah, o hype da notícia fresquinha!...), houve algumas reportagens incômodas nos jornais, revistas e TV, com cenas dignas de filme de catástrofe - que provavelmente apenas levaram os telespectadores a mudarem de canal para um programa de auditório mais "leve" (não os culpo, a vida de gado não tem sido fácil nesses dias marcados). Mas depois dos primeiros dias, o assunto meio que "morreu", e voltamos a prestar mais atenção ao escândalo político do dia (pelo menos, eu estava bem-acompanhada nessa constatação). E as pessoas decidiram retornar àquele estado de eterna negação e apatia tão típico de quem tem um enorme problema em mãos e não sabe como resolver. Freud deve explicar.

Ou deve dar risadas de mim, que me preocupo diariamente com as consequências do aquecimento global. Que não consigo mais aturar o gasto tresloucado de sacola plástica, como se estivesse escrito na Declaração Universal dos Direitos Humanos que ao nascermos temos direito irredutível, irreprovável e infinito ao uso delas. Que adquiri uma asma irritante de tanto respirar o ar super-poluído das grandes cidades, principalmente na Ásia, onde a queima do carvão ainda é a maior fonte de energia - e haja enxofre para limpar essa sujeirada toda no ar e aumentar o tempo de vida do planeta... Que fico deveras estupefata ao descobrir práticas de finning de tubarão na peixaria perto da casa dos meus pais - eu que supunha iludida que aquele recanto da minha infância estava imune à invasão chinesa faminta de barbatanas.

E, para fim total da minha ingenuidade ambiental, já há os "cansados" (para usar o termo da moda) em serem abordados por causas ecológicas. E eu, que acreditava na "benevolência humana em prol do futuro apesar dos pesares", me sinto totalmente impotente. Porque esse cansaço é em minha opinião um sinal de desistência. O problema não é pequeno por natureza e a constatação de que já existem os que desistiram dele sem sequer analisarem ou tentarem fazer algo - quer desestímulo maior que esse? Pessoas (e alguns governos!) que se consideram ecoperseguidos, e querem garantir o sagrado direito (deles) de dirigirem sozinhos de SUV com o ar condicionado ligado no máximo, de saírem de férias sem apurrinhações "verdes" ou de poluírem à vontade pela saúde da sua economia (esquecendo da saúde da sua população, é claro). Ou de simplesmente não serem mais incomodados por nenhum "ecochato", que relembrará exaustivamente o problema do aquecimento na Patagônia ou das populações insulares do Pacífico, primeiros refugiados ambientais da era aquecida - migrarão para onde? Eu adoraria que os que se sentem ecoperseguidos realmente pudessem viver na deles, sem que fosse preciso gastar dinheiro com campanhas ambientais nem enchê-los a paciência para salvar a Amazônia, a África ou sei lá onde, ou sequer ter contato com eles. É muito irritante o policiamento ideológico ou de qualquer tipo, eu mesma não gosto.

Infelizmente, entretanto, por mais que queiramos ser individualistas e vivermos de acordo com nossos padrões e cultura (vide os japoneses e as baleias, os chineses e os tubarões, etc.), lembro que a dura realidade é bem mais complexa por uma razão simplérrima: vivemos todos no mesmo planeta. Toda a espécie humana, sem distinção de raça, credo, estado civil ou condição financeira, divide o mesmo endereço da via láctea, e os mesmos recursos naturais. E um fato aumenta ainda mais a complexidade desse problema: a atmosfera não entende barreiras ideológicas, políticas e nem mesmo as geográficas. A atmosfera que nos circunda é uma só, e se mistura e circula sem fronteiras, sem preconceito algum, independente do que esteja nela - razão pela qual afeta a todos sem distinção. A poluição da China chega em Los Angeles, as queimadas da Rússia afetam o ar da Escócia e não há vontade política nem dinheiro no mundo (ainda) que impeçam isso de acontecer - é um fato físico. (Esse vídeo mostra melhor isso: em dado momento de 2000 o monóxido de carbono da queima da Amazônia foi parar na Antártica. Requer Windows Media Player para assistir.) Então, hoje, o degelo no Ártico pode não alterar em nada a minha vida aqui no Brasil (pode até trazer mais lucros para alguns com o turismo ou fazer ressurgir esquecidas jazidas de petróleo), mas amanhã, quando faltar o peixe na mesa para comer, o produto vai ficar mais caro e gastaremos mais com importação - se peixes houver para importar, é claro. Pior de tudo, pode ser economicamente desvantajoso ficar nessa inanição (link em pdf), porque o custo de não ter solução para esse problema pode aumentar sem precedentes. Estamos todos navegando no mesmo barco, e ele tem um buraco na proa: uns enxergam um catastrófico naufrágio e os tubarões ao redor, outros querem tapá-lo com um durex ou, pior, abstrair que o buraco não existe, é uma invenção, blábláblá. Há de se ter o bom-senso de achar a forma correta de agir, equilibrada, para que todos consigam se salvar desse afundamento. Mas é preciso agir, olhando para todos os dados, fatos e circunstâncias ao redor. Talvez haja um pedaço de madeira encostado na popa que possa fechar o buraco da proa, e essa oportunidade não pdoe ser desperdiçada.

Ninguém nunca disse que tomar conta (e cuidar) de um planeta era fácil - pelo menos, não para mim. Não nos ensinaram quando crianças - onde fui educada, pouca coisa nesse sentido era dita, uma falha educacional lastimável. Reciclagem na escola parecia um tema alienígena. (Hoje, sei que pelo menos isso mudou, e a educação ambiental está muito mais permeada pelos colégios do mundo. Felizmente.)

Mas precisamos sair dessa hipnose coletiva marasmática que acredita piamente que um cientista genial virá daqui a um, dois ou 10 anos com uma solução de pirlimpimpim pro problema humano do aquecimento global - sim, porque já não podemos culpar o sol por isso. O milagre da idéia revolucionária que fará o planeta voltar a ter o ambiente de séculos atrás, quando havia ainda esperanças de recuperação que não afetassem a rotina humana. Desculpe-me os iludidos de todas as classes, mas o pó de pirlimpimpim cada vez mais escasseia: precisaremos sair da nossa zona de conforto se quisermos melhorar um pouco as condições para nós. E pessoalmente acho também que por respeito aos que vêm por aí. Cada um terá que fazer a sua parte, sim: hoje, amanhã e depois e muito tempo depois.

E é apenas isso que se pede: a sua parte. Não é tão difícil: o RadioHead conseguiu, a Adobe conseguiu, a Honda (uma empresa de carros!) conseguiu. Acho que até os mais cansados conseguem, não? Basta ter ânimo para querer mudar, sem se deixar distrair com o "ruído de fundo" das ecocelebridades - entenda o papel delas. Ou basta ter vontade de sonhar que o bebê de hoje seja um adulto de um mundo mais "vivível" amanhã. Não é essa a melhor herança que um pai pode dar a seu filho: um planeta melhor?

Acho que a minha ingenuidade perdida se transformou em esperança ativa... e não é a vida resultado de contínua adaptação?"
Um eco do passado. Um discurso, de uma menina canadense, de 12 ou 13 anos, que resume tudo o que a gente diz e repete e repete: cuidar do ambiente, cuidar dos nossos semelhantes é mais do que garantir o futuro. É compartilhar. Compartilhar nosso destino biológico. No meio do trabalho, do dia-a-dia enlouquecido, da competição ferrenha para sobreviver, resta uma realidade: somos um, fazemos parte do mesmo ambiente, compartilhamos os recursos.
Seu nome é Severn Suzuki. Este discurso, à vista no YouTube, tem tudo o que é necessário para disparar uma nova atitude. Quinze anos se passaram. A menina virou mulher, o planeta ainda pede socorro. Quando é que vamos cair em nós mesmos? Quando?

“Não há mais terras habitáveis neste país. Os homens andam a destruir as matas, a queimá-las, a reduzi-las a pastagens para bois e vacas. No meu tempo de menina, podíamos caminhar cem dias e cem noites sem ver o fim da floresta. Agora, quem caminha dois dias para qualquer lado que seja dá com o fim da mata. Os homens estragaram este país. A idéia do jabuti não vale grande coisa. Impossível mudar-nos, porque não temos para onde ir.”
Monteiro Lobato, Assembléia na mata, Editora Brasiliense.

Esse livro é um fragmento do Caçadas de Pedrinho, publicado pela primeira vez em 1933. E vejam só o quanto mais já estragamos desde então... A fala da capivara não poderia ser mais atual. Desde que eu li esse trecho para as minhas filhas, ele não me sai da cabeça.

E o que nós estamos fazendo para parar com isso? Nada! Continuamos destruindo como se não precisássemos da natureza para sobreviver. Continuamos agindo como se a responsabilidade pelo meio ambiente não fosse nossa, apenas dos outros. Enquanto cada um de nós não tomar essa responsabilidade para si, em breve não serão apenas os animais da mata, mas toda a humanidade que não terá para onde ir.
Mais um excelente artigo do sempre excelente Pedro Doria. Dessa vez, comentando uma coluna do New York Times sobre ser verde no mundo dominado pelos petrodólares. Confira.
Decreto no Diário Oficial do Rio de Janeiro instituiu 2007 como o Ano da Arborização, e criou o Programa Municipal de Arborização Urbana para ampliar o plantio de árvores na Cidade. A iniciativa está ligada ao Protocolo de Intenções do Rio, através do qual a Prefeitura se comprometeu a minimizar os efeitos do aquecimento global.

Entre as ações previstas estão o plantio de 25 mil árvores por ano, o reaproveitamento de resíduos de podas, e ainda campanhas de educação ambiental, concursos e outras iniciativas. Uma das primeiras ações já foi implantada: também por decreto, a Prefeitura determinou que sejam plantadas árvores em áreas públicas para compensar a desarborização causada por novas construções. A liberação do habite-se ficará condicionada ao plantio das mudas, preferencialmente nativas do Estado do Rio. Os construtores ficam responsáveis pelo plantio e deverão utilizar, nos próximos dois anos, espécies que alcançam a maior altura.

Não sei se entendi bem, mas está parecendo uma licença pra derrubar árvores nas áreas em que o construtor deseja fazer seu projeto imobiliário, desde que plante mudas em outro lugar. Quantos anos levarão até que tais mudas se transformem em árvores? Isto é, caso a lei seja cumprida. O que vocês acham? Replantio está se tornando uma licença pra desarborizar, é isso?

imagem daqui

Notícia que li no site da RBS, empresa local (Porto Alegre) de jornalismo:

Papa vai falar sobre aquecimento global durante visita ao Brasil

Tema deve ganhar espaço nos pronunciamentos de Bento XVI

O aquecimento global vai ganhar espaço nos pronunciamentos do Papa Bento XVI durante sua visita ao Brasil e nas discussões da 5ª Conferêcia Geral dos Bispos da América Latina e Caribe, que ocorre em Aparecida, a 164 quilômetros de São Paulo, entre 13 e 31 de maio. O arcebispo designado de São Paulo, Dom Odilo Scherer, ressaltou, nesta segunda, a importância do tema e disse que as agressões ao meio-ambiente “são pecados que se tornam cada vez mais evidentes”. A informação é do site G1.

Segundo Dom Odilo, que será um dos secretários da 5ª Conferência, a destruição da natureza ganhou destaque na mídia recentemente, mas também é um dos temas incluídos na fase de preparação do encontro dos bispos, que começou em 2001. (fonte: http://www.clicrbs.com.br/especiais/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&tab=00052&newsID=a1457931.htm&subTab=4400&espid=21&uf=1&local1)


Certo, religião há que se respeitar e pronto. Mas será que não dava para parar com esse negócio de "pecado"? Será que eles pensam que os católicos vão deixar de poluir e de devastar a natureza só porque um representante da Igreja disse que é "pecado"?

Quem dera tudo fosse tão fácil assim. Quem dera a Igreja fizesse algo de realmente útil em prol da preservação da natureza!


A reutilização da água nas empresas


"O Jornal Nacional do dia 22/03 - Dia Mundial da Água - mostrou, em sua matéria Combate ao desperdício, a empresa De Millus (lingeries e perfumes) antenada com as demandas ambientais do mundo atual. A empresa foi ndicada pela FIRJAN (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) como modelo de empresa na reutilização de água em suas operações industriais, a fábrica consome 20 milhões de litros d´água por mês, a maior parte no processo de tingimento. Toda a água usada para tingir os tecidos, fita elástica, bordados e meias é tratada e reutilizada integralmente.

Hoje toda água que sai da tinturaria, é despejada no canal de Irajá (bairro do Rio de Janeiro) límpida e dentro dos padrões ambientais definidos pela FEEMA. Este procedimento ajuda a reduzir custos (R$ 150 mil a menos por mês) e contribui essencialmente com a preservação do meio ambiente. A estação de tratamento de água mostrada na matéria do Jornal Nacional é da fábrica De Millus, na Av. Brasil, também no Rio de Janeiro."

Lucro e preservação ambiental

Talvez a motivação para tal atitude das empresas seja , como a própria De Millus afima, reduzir custos. O que importa é que o meio ambiente se beneficie, e toda essa poluição fique bem longe da Baía de Guanabara.. Chegamos a um ponto na trajetória do Planeta que, toda ação, seja ela por que interesse for, que tenha como conseqüência a preservação ambiental, é bem-vinda. Os lucros aumentam, os custos são reduzidos? Sim, e daí? A natureza lucra também, no caso acima, a água. E as futuras gerações também.

(A matéria me foi enviada por e-mail pela De Millus, da qual sou revendora, e dados da reportagem do Jornal Nacional)

Vídeo da reportagem

Imagem daqui
O Portal Educacional (logo e link ao lado)1, segundo a apresentação que existe no site, "é um ambiente multidisciplinar criado para que sua escola possa tirar o máximo proveito das infinitas possibilidades da internet." É, ainda segundo o portal, o "Maior portal de educação em língua portuguesa".

Dentre suas atividades, o Educacional realiza a pesquisa "Este Jovem Brasileiro", que avalia o posicionamento dos jovens frente a diversos temas. O "tema 2", recentemente publicado, é, nas próprias palavras:

"Como vocês sabem, nossa idéia é tentar entender um pouco melhor o que o jovem de hoje pensa sobre uma série de temas centrais da sua vida. Agora, na segunda fase, buscamos os valores e atitudes dos jovens em relação a assuntos como política, meio ambiente, honestidade, preconceitos, individualismo e outros. Aproximadamente 6500 alunos de diferentes partes do país responderam às questões sobre esses temas."

Vejam as demais repostas, pois mostram o "estado da arte" da nossa juventude. Por ora, interessam as respostas sobre o meio ambiente. Para a pergunta "Me preocupo realmente com o meio ambiente", vejam a análise:

"Oitenta por cento dos jovens afirmam que se preocupam com o meio ambiente, e mais de 90% acham que as pessoas poderiam se envolver mais nessa questão ou concordam que os acontecimentos atuais são absurdos...

Mas, do ponto de vista das atitudes em relação ao meio ambiente, a história é outra: Se nossos jovens dão de cara com alguém jogando lixo na rua, mais de 80% não reparam no que aconteceu ou “deixam quieto”. Apenas 20% deles, aproximadamente, têm uma postura mais ativa, como recolher o lixo jogado ou chamar a atenção do “porcalhão”.

Entre os que se consideram preocupados com o meio ambiente, não parece haver uma mudança significativa de atitude. Dos entrevistados, 87% já jogaram lixo na rua, embora mais de 75% afirmem que preferem guardá-lo na mochila ou no bolso ou, ainda, procurar uma lixeira. Só 31% se sentem culpados quando jogam lixo na rua, e 11% chegam a voltar para recolhê-lo. Também não há aqui grande diferença entre os que se consideram preocupados com o meio ambiente.

No quesito economia de água, 64% assumem que tomam banhos demorados, mas 76% dizem fechar a torneira enquanto escovam os dentes.

Muita gente parece ter aprendido que cuidar do meio ambiente é importante, mas, do ponto de vista prático, o que aparece são atitudes distantes desse ideal de cuidado com as questões ecológicas. Assim: “Fecho a torneira para escovar os dentes, mas não abro mão do prazer e conforto de um banho demorado”. Da mesma forma, “evito jogar lixo na rua, mas pouco faço para evitar a sujeira dos outros”. A pergunta final é: Será que 80% dos jovens, de fato, preocupam-se com o mundo que os cerca?
"


Não adianta querer tapar o sol com a peneira. Falta não apenas educação ambiental, mas a mais básica das educações: a que começa em casa. Como disse no post anterior, e a pesquisa é o retrato fiel do que falei, devemos começar por aí, por dentro. Esperar até quando? Até que esses jovens virem adultos inconseqüentes? Que os próximos também sejam assim?

A verdade, como diz o texto, é que as atitudes estão distantes, muitos distantes ainda do que seria necessário.

Copiei os textos e o logo sem autorização expressa do site. Espero que o simples uso para divulgação não os incomode. Se assim for, no entanto, retiro o post. Basta enviar o pedido para o mail do blog.
"Mas quem tem coragem de ouvir?/ Amanheceu o pensamento/ que vai mudar o mundo/ com seus moinhos de vento." (Frejat & Quental)

Deparei-me hoje com um post do Allan em que ele comenta a implantação de usinas de energia eólica no sul da Itália, e me lembrei de uma cena marcante que vi mês passado na Califórnia. Estávamos vindo do Parque Nacional de Yosemite em direção a San Francisco, quando num trecho da rodovia US-580 (na altura de Pleasanton) começamos a ver moinhos de vento. Não um nem dois: centenas, no topo de todos os morros ao redor. Uma cena impressionante.

Moinhos de vento©

O que me relembrou que eu estava no estado americano que mais tem implantado leis ambientais nos últimos anos, repensado o modelo atual e tentado minimizar os impactos ao ambiente. Investir na energia limpa dos ventos é uma excelente tentativa de amenizar o problema do aquecimento global, mas numa perspectiva mais política, uma excelente forma também de desviar um pouco o olhar do principal problema que a própria Califórnia enfrenta: o excessivo consumo de gasolina e combustíveis fósseis. A Califórnia e sua intricada profusão de highways é para mim o epíteto do modelo americano malfadado, que privilegiou o uso do automóvel e da energia termelétrica em suprimento do pensamento coletivo. (Parênteses: Imagine que, dirigindo por lá, nós tínhamos privilégios rodoviários apenas pelo fato de sermos 2 pessoas no carro - a maior parte dos motoristas está sozinho em seu mundo fechado de 4 rodas, consumindo gasolina e poluindo para o transporte somente de si próprio. Deplorável modelo.)

A energia termelétrica ainda é a fonte energética primária que sustenta a maior parte das cidades americanas (a que mais polui também, e maior responsável pelos imensos valores de CO2 na atmosfera), mas esse perfil americano pode mudar, basta que: haja mais incentivos para desenvolvimento e uso de fontes alternativas, haja mais pesquisa por novas fontes menos poluidoras e essas novas fontes não sejam tremendamente caras - embora um dia petróleo será tremendamente caro, então a opção por ele pode simplesmente se tornar mais inviável que as demais. Wishful thinking...

Gosto de pensar que, pelo menos, os californianos estão investindo em alternativas, e isso é visível. Fazendo a sua parte - pequena, mas já é algo. E nós, brasileiros, será que um dia faremos também a nossa parte nesse sentido? Quando é que deixaremos de abusar dos combustíveis fósseis, abandonando o transporte de carga rodoviário com caminhões (muito menos eficiente) e adotaremos mais intensamente as vias férreas ou náuticas, em que se gasta o mesmo combustível, mas pelo menos carrega-se muito mais volume de carga de uma vez só? Já usamos como centro de nosso modelo energético as usinas hidrelétricas, que já são mais limpas que as termelétricas (embora não menos ambientalmente problemática ao local). As usinas nucleares já estão sendo defendidas até por ambientalistas de carteirinha, e sem dúvida são, na atual conjuntura, uma melhor opção que as que queimam combustível fóssil. Mas ainda há uma longa estrada a ser trilhada nessa jornada em busca de uma energia mais limpa.

Modelos de energia limpa precisam de incentivo, mesmo dentro de nossas casas. Mas cabe também ao governo incentivar o surgimento e propagação dos mesmos, diminuindo talvez os impostos que recaem sobre quem quer colocar um painel solar e casa, por exemplo. O governo da Califórnia deu um passo inicial - minúsculo, mas deu. Vamos ver se a moda pega.

***************

P.S.: A Califórnia é um dos estados americanos que adotam o imposto sobre o e-lixo (o lixo dos aparelhos eletrônicos e derivados), pago em geral no ato da compra de eletrônicos e direcionado ao manejo adequado e ecocoerente desse lixo. Afinal, o que faremos com as baterias, monitores, celulares e outras maravilhas da modernidade quando estragam ou são simplesmente descartadas, ou seja, viram lixo? Na velocidade com que a tecnologia se repõe hoje em dia, essa é uma questão importante para qualquer política atual que queira ser o mínimo integrada com os problemas da sociedade.

(clique na imagem para ver em tamanho normal)

Precisa dizer mais sobre o abuso do apelo à infância como forma de vender o meio ambiente? A tirinha é parte do boletim "Notícias da Lata", n° 3, nov/dez 2006, da ABRALATAS- Associação Brasileira dos Fabricantes de Alta Reciclabilidade.

O nome da organização já é um engodo! Chamar fabricante de latinha de alumínio de "Fabricante de Alta Reciclabilidade" é pensar que somos, no mínimo, ignorantes. Daí a usar um apelo infantil para que o consumo brasileiro de produtos de "alta reciclabilidade" passe das atuais 57 unidades/ano, SEM LEVAR EM CONSIDERAÇÃO que dentro da "reciclabilidade" existe um refrigerante, que SABIDAMENTE faz mal para a saúde, é demais. E tudo por um apelo de preservação do meio ambiente?

Me poupem, como se diz por aí!

Original em: Abralatas

Jared Diamond, para quem não conhece, é professor do Departamento de Geografia da conhecida Universidade UCLA, nos Estados Unidos. Ele possui duas obras publicadas aqui no Brasil: Armas, germes e aço (1997) que foi vencedor do Pullitzer, e Colapso – como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso (2005). Mas é com seu livro mais recente que quero dialogar.

Em Colapso o autor procura levantar como e por quais motivos as sociedades entram em conflito com o ambiente e consequentemente com a natureza. Para tanto, vou transcrever dois trechos do capítulo dedicado ao colapso da civilização que ocupou a ilha de Páscoa, no Pacífico, responsável pela construção de enormes figuras de rochas chamadas moais (foto). E que, segundo o autor, acelerou o processo de degradação ambiental ao derrubar excessivamente a cobertura vegetal da ilha. O que acelerou o declínio de uma sociedade extremamente habilidosa e criativa.

“Frequentemente me pergunto: O que os insulares de Páscoa que cortaram a última palmeira disseram enquanto faziam aquilo? Será que, assim como os modernos madeireiros, terão gritado trabalho sim, árvores não? Ou: a tecnologia resolverá nossos problemas, não tema, vamos encontrar um substituto para a madeira? Ou: não temos provas de que não há mais palmeiras em algum outro lugar de Páscoa, precisamos de mais pesquisas, a proposta de proibição da atividade madeireira é prematura e movida por sentimentos alarmistas. Tais questões são levantadas por todas as sociedades que inadvertidamente danificaram seu ambiente.”

Este primeiro excerto traduz exatamente o discurso de alguns setores da sociedade contemporânea que refutam ou diminuem o impacto do quadro das mudanças climáticas porque, para eles, a crise pode ser resolvida por meio da tecnologia desenvolvida pelo homem. Ou então, para outros, tudo não passa de um alarmismo exagerado, transfigurado num autoritarismo climático, com a clara intenção de impingir um novo modelo de vida à sociedade. Como já escrevi antes, acredito que o momento pelo qual passamos seja uma crise moral, reflexo das escolhas que cada indivíduo toma e que se espraiam pela sociedade por meio de um elo cultural que em última instancia responde pelas ações humanas no globo terrestre.

No segundo trecho do mesmo capítulo, Jared Diamond escreve: “Os paralelos entre a ilha de Páscoa e o mundo moderno são assustadoramente óbvios. Graças à globalização, comércio internacional, aviões a jato e Internet, todos os países da Terra hoje em dia compartilham recursos e afetam uns aos outros, assim como fizeram os 12 clãs de Páscoa. A ilha de Páscoa estava tão isolada no oceano Pacífico quanto a Terra está hoje no espaço. Quando os insulares de Páscoa tiveram dificuldades, não havia para onde fugir, nem a quem pedir ajuda, assim como nós, modernos terráqueos, também não temos a quem recorrer caso precisemos de ajuda. Essas são as razões pelas quais as pessoas vêem o colapso da sociedade da ilha de Páscoa como uma metáfora – a pior hipótese – daquilo que pode estar nos esperando no futuro.”

É claro que se trata de uma metáfora imperfeita, dadas as diferentes condições históricas que envolvem os dos períodos. Entretanto, serve de alerta para que pensemos na hipótese de coexistência e de co-habitação de nossa única casa comum: o planeta Terra, e que, portanto, merece todo o cuidado da nossa geração para que as próximas não cometam os mesmos erros que nós cometemos. E em alguns casos insistimos em cometê-los.
“Para desenvolver a Inglaterra foi necessário o planeta inteiro. O que seria necessário para desenvolver a Índia?”, Mahatma Ghandi.


Trouxe algumas informações que pode ser úteis para a compreensão do estágio atual da relação entre homem e natureza na contemporaneidade. Devemos lembrar que os dados não são conclusivos, mas apontam inegavelmente a condição que está posta, e que foi muito bem sintetizada pelo D. Afonso: é preciso que cada um de nós, em sua individualidade, reflita sobre o que é possível fazer por um mundo melhor. Vamos aos dados:

1) A pegada ecológica, que é uma unidade de área que corresponde ao número necessário de hectares de terra biologicamente produtiva para produzir os alimentos e a madeira que a população consome, a infra-estrutura que utiliza, e para absorver o gás carbônico produzido durante a queima de combustíveis fósseis. Por conseguinte, a pegada ecológica leva em conta o impacto que a população produz sobre o meio ambiente. A elas (PNUMA, 2002):

AFRICA: 1,5 hectare per capita
ÁSIA e OCEANIA: 1,8 hectare per capita
AMERICA LATINA, CARIBE, ORIENTE MÉDIO E ÁSIA CENTRAL (incluindo CHINA): 2,85 hectares per capita, que é mais ou menos a média mundial
EUROPA CENTRAL E ORIENTAL: 5,0 hectares per capita
EUROPA OCIDENTAL: 6,0 hectares per capita
EUA: 12 hectares per capita, o que significa 425% acima da média mundial.

Mais análises sobre o relatório da Pegada Ecológica AQUI (em inglês)

2) 20% dos habitantes mais ricos do planeta consomem 80% da matéria-prima e energia produzidas anualmente. Com isso, seriam necessários CINCO planetas para oferecermos a todos os habitantes da Terra o atual estilo de vida que, vividos pelos ricos dos países ricos e pelos ricos dos países pobres. (A Questão Ambiental, por Carlos Walter Porto-Gonçalves)

3) UM BILHÃO de pessoas não têm acesso à água potável; DOIS BILHÕES E MEIO não têm qualquer forma de saneamento. Como resultado desta perversa equação SETE MILHÕES de pessoas morrem por ano. (Água, por Michael Camdessus)
Hoje, adicionarei mais cinco livros à primeira lista publicada no dia 15 de fevereiro de 2007. Espero contribuir com aquelas pessoas que desejam ir além daquilo que a grande mídia e o senso comum nos apresentam diariamente.

O primeiro título é do grande geógrafo e um dos mais importantes cientistas do Brasil: o professor Aziz Ab’ Saber. A obra Os domínios de Natureza no Brasil – potencialidades paisagísticas, editora Lazuli, é uma coletânea de textos publicados em conferências, seminários, e livros ao longo de sua extensa carreira. È uma obra que recorre a uma terminologia um pouco mais técnica, mesmo assim é um livro fundamental para quem quer conhecer os domínios morfoclimáticos e fitogeográficos do país.

Já o livro Racionalidade Ambiental, do mexicano Enrique Leff, editora Civilização Brasileira, procura firmar um diálogo entre a economia e o ambientalismo. Amparado em uma vasta lista de dados estatísticos e intensas pesquisas, Leff propõe uma reflexão acerca da eqüidistante que devemos manter entre o ambientalismo utópico e o economicismo suicida. É uma obra extensa, mas escrita com uma linguagem bastante acessível.

O filósofo australiano Peter Singer que ficou mundialmente conhecido pelo livro Animal Liberation escreveu em 2004 a obra Um só mundo – A ética da globalização,publicado no Brasil pela editora Martins Fontes. Um livro que aborda conceitos amplos do atual momento da contemporaneidade, mas que dedica um capítulo inteiro para falar sobre as mudanças climáticas e qual é o papel da ética nessa questão.

Da coleção Primeiros Passos, editora Brasiliense, o título Natureza escrito pelo meu professor Marcos Bernardino de Carvalho foi a porta de entrada que utilizei para entender as discussões que envolvem os conceitos de natureza e de sua exploração pelos homens sob a influencia dos poderes hegemônicos à época.

Outro pequeno, mas bastante informativo livro, é o Ecologia – um guia de bolso, editora Peirópolis, escrito por Ernest Callenbach e com prefácio de Lynn Margulis, co-autora da teoria Gaia. A obra é um bom guia de referencias à terminologia muito recorrente na contemporaneidade. O leitor pode usá-lo como um dicionário para facilitar a compreensão dos jargões científicos empregados pelos pesquisadores.
Recebi por e-mail o pedido de uma amiga: vote neste artigo - O Choro da Castanheira.
Claro que imediatamente fui ler a história, né? É um concurso da Central de Intercâmbio com pequenos depoimentos de viagem.
O depoimento da Carolina Tannure é contundente. Vejam só:

Estrada de Rio Branco a Xapuri – Acre, dezembro de 2006.

Ao abrir os olhos, a densa floresta desaparecia. Ao longo da planície desmatada, permanecia imponente uma solitária Castanheira. Ao indagar-me com perplexidade, deparei-me com a triste realidade sussurrada aos ouvidos: é o homem... sua ignorância e brutalidade é a causa de tal atrocidade. Explico-lhes: tendo sido decretada por lei a proibição da derrubada de Castanheiras na Amazônia, o pecuarista, bolsos cheios, mente vazia e sensibilidade rara, desmata tudo ao seu redor, deixando solitária a Castanheira. Será que ninguém disse a ele que a natureza, tal qual o homem parte dela, também teme a solidão? Não lhe ocorreu que ao presenciar a morte de todas aquelas vidas à sua volta, a Castanheira, brava seiva correndo, pereceria lenta e gradativamente sem mais aconchegante verde? Então lhes digo eu! A Castanheira está chorando porque há de morrer solitária, seus bois nenhuma sombra hão de ter e àqueles que fecham os olhos para sua desgraça, carne seca hão de comer.

E assim a estrada me levou, não apenas a Xapuri de Chico Mendes, mas à consciência reflexiva já tão extinta nos homens quanto a floresta na Amazônia.
Se gostou, entre lá no site do concurso e vote neste texto.
Muitas pessoas sabem o mal que o gás CFC (clorofluorcarboneto) causou à Camada de Ozônio (O3) que envolve o planeta Terra e filtra parte da radiação ultravioleta emitida pelo Sol. Durante anos suas principais aplicações se estenderam aos aerossóis e geladeiras, como gases para a refrigeração. O Protocolo de Montreal, assinado em 1987, exigiu cortes gradativos na emissão do CFC e de outros gases nocivos à camada de Ozônio, e foi amplamente reconhecido por diversas nações do mundo, inclusive as mais ricas. Os HCFC (hidroclorofluorcarbonetos) e os HFC (hidrofluorcarbonetos) surgiram como alternativas menos prejudiciais ao meio ambiente.

Escrevo esta introdução para justificar o debate ocorrido ontem, durante a aula de Climatologia. O Prof. Dr. Edson Cabral discutiu uma teoria que vale uma reflexão atenta. As grandes empresas que desenvolveram a tecnologia do CFC, (e.g., a corporação química DuPont) a registraram sob patente, o que, evidentemente, exige o pagamento de royalties para o uso comercial. Entretanto, depois de décadas de ampla difusão da tecnologia a patente perdeu sua validade e consequentemente sua rentabilidade. Uma vez que as pesquisas científicas comprovadamente associaram o CFC à destruição da Camada de Ozônio os países decidiram, então, diminuir a emissão deste gás. Prontamente as corporações desenvolveram as alternativas, registraram as patentes e passaram a lucrar com a nova tecnologia benfazeja.

Existe uma alternativa ecologicamente sustentável que foi desenvolvida pelo Greenpeace conjuntamente com o Instituto de Saúde Pública de Dortmund, na Alemanha, chamada Greenfreeze totalmente livre de patentes, mas que é ignorada pela grande maioria dos fabricantes de congeladores, segundo o físico Delcio Rodrigues, que é o coordenador da pesquisa do Geenpeace, por causa da pressão das empresas químicas que possuem as patentes do HFCF e do HFC. Fica a questão: até quando os interesses econômicos vão ditar as regras da sociedade e da natureza?
Nestes últimos dias tenho lido muita coisa sobre as mudanças climáticas e seus efeitos. Como acontece com qualquer assunto, existem opiniões divergentes e pontos de vista radicais. Alguns anunciam o fim do mundo enquanto outros pedem calma e acusam o alarmismo dos primeiros. Há quem espera pela materialização de uma liderança no cenário mundial, alguém dotado de qualidades carismáticas, de autoridade científica e ética suficientes para atrair todos os esforços dispersos no caos que tais mudanças vêm causando. Assim como há quem acredita que a biosfera é um organismo e que a humanidade é o câncer que deu nela.

Não sou cientista. Sou apenas um pai de família assustado com as perspectivas ambientais, que prefere participar do esforço conjunto em manter o planeta em que vivemos, em vez de cruzar os braços esperando que alguém o faça por mim. Sei que pode parecer ingenuidade, mas realmente acredito que a soma de pequenas ações podem fazer diferença. Após ler sobre as afirmações do Paul Kring, diretor da campanha “One Planet Living”, do WWF britânico, me sinto muito menos ingênuo. Aliás, vale a pena ler todas as matérias desta edição especial da BBC.

E eis que surge a questão: como conciliar a atual ordem econômica mundial com as mudanças necessárias? Se alguém tiver a resposta, deixe um comentário em letra de forma.

Para sobreviver, as empresas necessitam vender sempre e mais. Há uma guerra para descobrir novas necessidades e transformá-las em produtos, que logo serão substituídos por modelos mais inovativos, criando um ciclo vicioso e perigoso do qual não conseguimos escapar. Somos consumidores. Jamais acessei o Orkut e talvez só por isso ele não me faz falta. Mas já não sei viver sem internet, fax e celular. Tenho procurado consumir alimentos de estação produzidos localmente, pois sei que isso incentiva os agricultores locais, reduz quilômetros de transportes e poluição e ainda mantém o cinturão verde em torno da cidade. Mas é impossível agir assim com tudo. O que fazer?

As empresas não sobreviverão ao planeta, assim como é utópico projetar um mundo sem empresas. Pelo menos por mais um bocado de anos. A saída é conciliar as duas partes e buscar alternativas que reduzam o impacto do atual processo industrial. Como? Bom, a idéia das pequenas ações pode ser ampliada. Ou melhorada. O consumo responsável penaliza quem polui ou não respeita o meio-ambiente. Mas é preciso que o consumidor faça a sua parte. E o consumidor somos nós. Temos o hábito de não ler etiquetas e de dar pouca importância aos certificados de manejo sustentável dos produtos que consumimos. Exigimos das empresas responsabilidade social mas nos esquecemos de verificar como agem as empresas que produzem o pão-nosso de cada dia. Pois bem, a responsabilidade social é nossa, também. Ou as nossas exigências perdem valor. Se nos empenharmos, podemos criar as condições necessárias para uma verdadeira revolução do sistema produtivo que chamamos “modelo econômico”.

Só para citar um exemplo de que não vale a pena esperar pelo tal líder carismático, um cidadão italiano escreveu uma carta com uma sugestão ao seu deputado, após ler uma reportagem. Como a idéia não era das piores, a sugestão acabou virando lei, em 2006, e o resultado é que a partir de 2010 os sacos de compras dos supermercados italianos não poderão usar o polietileno como matéria-prima, mas deverão ser produzidos com material biodegradável a partir do milho. Outros países europeus já estão adotando a proposta. Consumidor e revolucionário.

Estou doido para começar a ler coisas mais amenas sobre o futuro da Terra.
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A bem da verdade, devemos lembrar que toda moeda tem dois lados. E não podemos bancar os ecoxiitas, com uma atitude de pura e simplesmente ignorar - ou fazer de conta que não existe - o lado da moeda que nos incomoda.

Há gente - pesquisadores e renomados cientistas, alguns nobelizados inclusive - que pensam diferente, ou melhor, oferecem uma alternativa ao pensamento único e atual do aquecimento global.

Refiro-me ao não tão conhecido e badalado "Consenso de Copenhagen". Em 2004, capitaneados por Bjorn Lomborg, um ambientalista considerado, no mínimo, "polêmico", diversos cientistas (dentre eles três detentores do prêmio Nobel de Economia, produziram um relatório onde a questão do aquecimento global aparece com última alternativa.

É de se ver e estudar os vários argumentos utilizados. Não vou detalhar, aqui, mas para quem realmente quer ser crítico, isto é, olhar os dois lados da moeda com isenção, leia mais aqui (uma entrevista com Lomborg) e aqui (site do Consenso, em inglês). Há um link nesse texto ("the full list", texto em PDF), onde são explicadas as razões.

Nele, os autores deixam claro que o critério adotado para ordenar a lista é puramente econômico ("In ordering the proposals, the panel was guided predominantly by consideration of economic costs and benefits.")

No fundo, os cientistas do Consenso de Copenhagen colocam na pauta de discussões a questão do "pensamento único". Dito de outra forma, parece que agora só existe aquecimento global.

É bom conhecer o outro lado das moedas. Quanto mais não seja, para descobrir se ela é falsa ou não...
Parece estar se tornando moda "calcular" o quanto as pessoas emitem de CO2 pelas atividades cotidianas que realizam. Três sites (que eu tenha conhecimento até agora) oferecem uma calculadora para tal. Façamos uma análise comparativa e outra das metodologias adotadas.

O primeiro site é o da Fundação SOS Mata Atlântica. Por esse link pode-se acessar a calculadora. Essa calculadora afere os seguintes três itens:

- utilização de carro por dia
- transporte coletivo por dia
- viagens de avião por ano.

Entrando com meus valores (só ando de carro e uma média de 1000Km por mês - arredondei para 40Km diários), não uso transporte coletivo e há mais de 2 anos não viajo de avião. O resultado é que emito 2,57t de CO2 e devo plantar 4 (3,92) árvores para compensar o estrago.

A metodologia (muita extenso o texto para copiar aqui) pode ser lida nesse link. Há que se observar que a metodologia refere-se apenas às emissões por transporte. Um pequeno trecho:

"É necessário entender que uma árvore cresce muita mais lentamente que as nossas emissões, por isso o que foi calculado para um ano de nossas vidas será convertido em biomassa de uma árvore em um tempo muito maior. Foi considerado que uma árvore será plantada e acompanhada por um tempo de cerca de 20 anos. É impossível estimar precisamente quanto de CO2 uma árvore é capaz de absorver neste tempo, as variáveis são inúmeras: a espécie plantada, a fertilidade do solo, temperatura do ambiente, quantidade e distribuição da chuva ao longo do ano, doenças, predadores, densidade do plantio (um reflorestamento geralmente possui de 1000 a 2000 mudas por hectare), luminosidade, dentre outros fatores.

Uma floresta clímax de Mata Atlântica é capaz de estocar cerca de 400 toneladas de biomassa (madeira) por hectare (1 hectare = 100m x 100m = 10.000 m2), desta biomassa cerca da metade é carbono, isto é, 200 ton/ha. Essa massa de carbono equivalem a cerca de 720 toneladas de CO2. Um brasileiro, estima-se, emite cerca de 0,6 toneladas de CO2, logo um hectare de floresta desmatada equivalem às emissões de 1200 pessoas/ano. Considerando que uma pessoa viva 80 anos, um hectare de floresta corresponde às emissões de 15 pessoas durante a sua vida (de 0,6 toneladas de CO2/ano)."


O segundo, The Green Iniciative, considera, além dos itens anteriores, o uso de eletricidade e de gás. Entrando com meus dados (consumo de eletricidade numa média mensal de 300KWh e 12 botijões ano - um por mês em média para a família. Considerei-me responsável pela metade desse consumo) obtenho uma emissão de 3,27t de CO2 e devo plantar 22 árvores.

O site não apresenta, apesar de dar indicações de que apresentaria, a metodologia. O link refere apenas isso:

"Cálculo de Energia Elétrica consumida:
Metodologia de Linha de Base Aprovada - AM0004 - "Grid Connected power generation that avoids uncontrolled burning of biomass" UNFCCC.
Todos os outros Cálculos: Oeko Institute - GEMIS - Global Emission Model For Integrated Systems ver. 4.2"


Aqui já começam as grandes diferenças. Ora, a emissão de CO2 é muito próxima: 2,57 para 3,27. A diferença no número de árvores é GRITANTE: 4 para 22. Questão de Metodologia? Em parte sim, pois o segundo acrescenta itens que o primeiro não considera.

O terceiro, Wired Magazine, é, sem dúvida, o mais completo em termos de coisas ue considera. Começa por estabelecer um ônus (500 pounds) pela simples existência do lixo em nossas casas. A isso ele acrescenta, além dos itens anteriores:

- o tipo de moradia
- o tipo de aquecimento utilizado
- o tipo de alimentação e o local de onde está provém
- se a gente é reciclador ou não.

Uma observação: no item alimentação, o site considera a carne, esquecendo que a agricultura (arroz e soja) são grandes emissores de GEE.

Pontuei 26824 pounds (13,41 toneladas). O que isso significa está na tabela a seguir, que copiei do site:




















Results

Whatever your score, you can help counter the effect by investing in clean energy credits. These offsets go toward renewable energy sources like wind and solar power. Each dollar donated to TerraPass, Carbonfund.org, or Climate Care buys you roughly 256 pounds of guilt-free spewing.


Up to 15,000 pounds per year: Deep Green



15,000 to 40,000 pounds per year: Fair-weather ecofriend



More than 40,000 pounds per year: CO2 addict




Way to go -- you make the rest of us look like Hummer-loving carbon bombs. You're not going to get your score much lower without serious sacrifice. Spending about $60 on carbon credits would make you a saint.


Hey, you live and work in the real world -- and that means car and air travel. With some simple adjustments you can probably cut your load quite a bit. Or you can divert about $100 from your gas money to carbon credits to help absolve you of your sins.


They can have the keys to your SUV when they break into your well-heated McMansion. But You're going to have to drop $200 or more annually to make up for the damage you're doing to the environment.



O site não converte em árvores e sequer apresenta a metodologia utilizada. Utilizando o fator explicado no texto do SOS Mata Atlântica (uma árvore retém 598 Kg de CO2) chega-se a 23 (22,42) árvores. Praticamente o mesmo valor do outro site, que leva em consideração muito menos itens.

Escrevi, no início, que faria uma análise das metodologias. Impossível, pois dois não divulgam. Ora, isso é, no mínimo, temerário. Ciência certamente não é, caso contrário apresentariam a metodologia com a maior tranqüilidade, com o fez a Fundação SOS Mata Atlântica, mesmo que com todas as hipóteses aproximativas utilizadas.

Por fim, há que se considerar estudos que apontam que as florestas também são emissoras de CO2. Um artigo na Scientific American ("Amazônia e o carbono atmosférico", ed. n. 6) relata estudos realizados sobre isso:

"Mas ainda não se sabe, em escala regional, se a floresta atua como um absorvedouro ou como uma fonte de emissão de carbono para a atmosfera (Keller et al., 1997). Os dados recentes sugerem que as emissões de CO2 dos rios, ribeirões e brejos podem ser muito maiores que se pensava até agora, contribuindo com cerca de 1 tonelada de C/ha por ano (Richey, 2002)."


Como se vê, a "coisa" é bem mais complexa do que querem fazer parecer, mesmo porque, todos os sites possibilitam o pagamento de alguma quantia em dinheiro para que eles mesmos se encarreguem de plantar as árvores por nós. Como confiar em quem sequer mostra como faz as contas?

Plantar árvores é bom e há uma maneira be segura de se fazer isso: as prefeituras, em geral, tem um programa de adoção de canteiros e outras áreas verdes. Entre em contato com a prefeitura e adote um canteiro perto da sua casa. Ali você poderá plantar não apenas árvores, mas plantas com flores, contribuindo também para embelezar a cidade. E sem o estresse de ficar calculando sua emissão de CO2.
Lembram do Kerry Emanuel? Pois ele escreveu no Boston Review um artigo para leigos, onde explica meticulosa e claramente sobre a ciência por trás do problema do aquecimento global. O artigo é longo, mas vale a pena ser lido, principalmente as 2 partes finais, onde ele disserta sobre como a política se meteu nessa história - e critica tanto a atitude da direita quanto a da esquerda. Imprescindível.

(Via Real Climate)
“A terra devastada” (”The Wasteland”) de T. S. Elliot é um dos grandes poemas do século XX. Escrito em 1922, ele descreve um mundo fragmentado, onde o homem se depara com seu próprio esvaziamento e deterioração. A natureza, tal qual Elliot a concebe, serve de metáfora para a condição humana, uma árida e desértica ilha cercada de um oceano de nadas. A expressão “the wasteland” (terra devastada), desde então, é usada também para se referir a essa condição triste e insólita.

Os escritores sempre escreveram a terra das mais diversas formas e para os mais diversos fins. A literatura, tal qual a pintura, é fundamental na função de descrever e, consequentemente, registrar a fauna e a flora dos países sobre os quais os autores escreviam. Consiste, então, em documentação importante para cientistas e interessados, sobretudo quando levamos em conta que a fotografia somente apareceu na metade do século XIX.

Grosso modo, desde a emergência dos Estudos Culturais, na década de setenta, não se estuda a literatura apenas para encontrar a estética nos textos. Críticos e estudiosos da literatura se preocupam com as ideologias que perpassam o texto literário. Diferentes teorias literárias examinam as relações entre escritores, textos e o mundo. Nos estudos femininos (ou feministas), pergunta-se, por exemplo, como a mulher é descrita na literatura? Por quem ela é descrita? Por que ela, invariavelmente, figura como musa inatingível ou perigosa sedutora? Por que ela quase sempre aparece no âmbito privado, ”fora” do âmbito público? São, essas construções do feminino, espelhos que refletem a realidade da mulher? Que problemas encontramos nessas representações?

Voltemos agora à questão inicial. Desde o final da década de oitenta e, mais marcadamente a partir da década de noventa, criou-se uma nova, digamos “categoria”, na crítica literária denominada “ecocrítica“. A ecocrítica expande a relação escritor - texto - mundo, quando considera que o ”mundo” não se refere somente à sociedade mas envolve, também, o ecosistema em sua totalidade. Como dizem Chery Glotfelty e Harold Fromm, se aceitamos que tudo está interconectado, “devemos concluir que a literatura não flutua acima do mundo material como um éter estético; ao contrário, ela tem um papel importante neste imenso e complexo sistema global, no qual, a energia, a matéria e as idéias interagem” (The Ecocriticism Reader, minha tradução)

E, de fato, a ecocrítica encontrou adeptos fervorosos, pessoas que se dedicam a questionar assuntos fundamentais para o nosso querido e valioso mundinho. Por exemplo, numa aula de literatura a pergunta chavão “como o meio-ambiente reflete a personagem / o enrêdo, etc.?”, se desdobra em “como as metáforas do meio ambiente influenciam o modo que percebemos e tratamos o meio-ambiente?”. Dessa ótica, as perguntas se tornam tão variadas quanto interessantes: “De que maneira a literariedade afeta a relação do homem com o meio-ambiente?”; “Como a literatura registra a devastação ecológica que países como o Canadá, Nova Zelândia, Brasil, Austrália, etc. sofreram com a chegada do europeu no “Novo Mundo”?

Literatura

São, ao meu ver, perguntas fundamentais, uma vez que dirigem as nossas atenções para assuntos que devem ser pensados. Um dos principais motivos de termos negligenciado o nosso meio-ambiente é auma absurda falta de ética. Superar essa crise, como sugere Al Gore em Uma verdade inconveniente, requer não somente um entendimento científico de como nossos ecosistemas funcionam, mas, sobretudo, uma verdadeira reforma ética, de conduta mesmo. A ecocrítica não vai salvar o nosso meio ambiente, é claro. Mas pode ajudar.

Para concluir, fico imaginando que textos Hemingway escreveria hoje em dia. As neves de Kilimanjaro já não exerceriam o mesmo impacto porque elas sequer existem… Green hills of Africa, seriam tão “green”? O belo romance O velho e o mar, que concedeu o prêmio nobel de literatura para Hemingway, teria sido escrito da mesma forma? Pois hoje seria muito difícil pescar um merlin do mesmo porte no Golfo do México, imagino… Joseph Conrad seria o mesmo Joseph Conrad que eu leio nas aventuras de seus personagens na África? E a Austrália que eu li, em “primeira mão”, através das penas dos primeiros diários e cartas das esposas dos colonizadores, é a Austrália de hoje? E a nossa “Canção de Exílio” de Gonçalves Dias, exemplo maior do ufanismo de nossa terra brasilis, como fica? (Minha terra tem palmeiras, / Onde canta o Sabiá; /As aves, que aqui gorjeiam, / Não gorjeiam como lá /etc.)

Parece que a resposta Mário Quintana nos dá, em Canção. Um pequeno, porém eficaz protesto ecológico sobre a nossa “terra devastada”:

Minha terra não tem palmeiras…
E em vez de um mero sabiá,
Cantam aves invisíveis
Nas palmeiras que não há.

Mundo

Temperatura: 37oC, na sombra. Um verão com temperaturas atipicamente altas.
Lat: S25o 24′ 06” Lon: W 49o 17′ 15”

(Post escrito pela convidada especialíssima Cris em seu blog Público&privado e gentilmente cedido a este blog verde.)
fonte: WWF - O futuro
De acordo com relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudança Climática, órgão das Nações Unidas), o seqüestro do gás carbônico (CO2) consiste em levar o gás para outro lugar que não a atmosfera.

Solução para diminuir o efeito estufa?

Segundo o relatório, poderia responder por pouco mais da metade do esforço necessário para impedir que ele alcance concentrações perigosas na atmosfera.

Como é feito?

Os métodos mais promissores seriam os que já estão sendo usados no Canadá, Noruega e Argélia: injetar o gás em poços cobertos por camadas de rocha.

O aquecimento não é mais problema do futuro

As concentrações de CO2 na atmosfera aumentaram em 31% desde a Revolução Industrial. E poderão atingir em 2100 o dobro dos níveis anteriores à Revolução. E é possível que esse nível seja atingido já em 2045!!
Aproximadamente 23 bilhões de toneladas de CO2 são lançados na atmosfera anualmente. São mais de 700 toneladas por segundo! O aumento da temperatura da Terra está desequilibrando seu equilíbrio natural e o clima mundial.

"Não estarei vivo, não é problema meu..."

Precisamos rever nossa postura diante da situação atual. Talvez não estejamos aqui pra morrer torrados, mas nossos filhos e netos estarão, se Deus quiser. Se há alternativas viáveis, por que não usá-las?

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