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Há algum tempo, escrevi sobre um email que recebi de Leonardo DiCaprio (leia o post para entender como...), enfatizando o problema da possível extinção dos ursos polares por causa do aquecimento global. O efeito colateral de escrever aquele post, na época, foi de que comecei a me interessar sobre as chamadas "ecocelebridades", artistas e wannabes que de alguma forma emprestam seu tempo e nome às causas ambientais. 

Antes de explicar meus pensamentos viajantes sobre o tema, gostaria de deixar claro que eu entendo perfeitamente o nível de jogada financeira que pode ser para uma celebridade qualquer se envolver com uma causa humanitária/filosófica/ambientalista que seja. É claro, doar dinheiro a ONGs e instituições afins permite deduções de imposto de renda substanciais, e para quem tem o salário na faixa de alguns milhões de dólares, isso pode fazer uma diferença significativa. Tira um pouco do glamour da ajuda pensar assim, mas acho que se eu fosse uma celebridade algum dia (e ganhasse todo esse dinheiro, é claro), pensaria da mesma forma: melhor enviar um montante considerável de dinheiro direto para uma obra social interessante do que esperar pelo governo para, após muita burocracia e gasto de papel, atingi-la com o dinheiro dos meus impostos. (Descontando no Brasil ainda o risco elevado de corrupção e de que seu dinheiro vá, ao final de tudo, parar numa conta de um político loser qualquer nas Ilhas Cayman.) 

Também entendo perfeitamente a grande jogada de marketing que borbulha na cabeça dos assessores de relações públicas (PR) e agenciadores das celebridades (ou na cabeça de muitas celebridades mesmo): ligar seu nome a uma causa "boa" é garantia de popularidade, boa imagem e, no final das contas, bons lucros. Quem sabe até bons contatos para uma próxima empreitada artística. Faz bem à carreira pessoal ser engajado em algo - melhor ainda se você acabou de pagar um mico bem grande nos tablóides, aí a causa "boa" se torna um diluidor certeiro de fofocas. Paris Hilton que o diga. 

Mas, descartando esses 2 aspectos, eu gostaria de comentar um pouco o papel das celebridades - mais precisamente as engajadas no âmbito ambiental. Como Leonardo DiCaprio (cujo eco-site interessantemente não exibe fotos dele, para não desviar o foco da causa ambiental que ele advoca), Pierce Brosnan, Gisele Bündchen (que "copiou" nosso lema do Faça! hehehe!), Al Gore, Daryl Hannah, Cameron Diaz, Edward Norton, Brad Pitt (cujo projeto arquitetônico para o 9th Ward de New Orleans é 100% sustentável), Jack Johnson, Angelina Jolie (que junto com Brad Pitt reportaram ao fisco americano doações de 8 milhões de dólares só no ano de 2006 para projetos humanitários e ambientais). São apenas alguns exemplos, mas que merecem reflexão, em minha opinião. 

Muitos condenam o uso da causa ambiental meramente como estratégia de PR. Para boa parte das celebridades, não passa disso mesmo - e acho que é fácil detectar quando o é (embora eu sempre pense que é melhor ajudar que fazer nada). Entretanto, há aqueles indivíduos que são verdadeiramente interessados na causa ambiental, ou porque os pais os educaram assim (caso de Gwyneth Paltrow) ou porque aprenderam com o tempo o grave risco que o planeta corre (caso de Leonardo DiCaprio, que sempre cita em entrevistas que Al Gore "abriu seus olhos") ou porque simplesmente se apaixonaram pela causa (caso de Pierce Brosnan, que defendia a ecologia e depois de conhecer a atual esposa, uma jornalista ambiental, teve seu interesse aumentado mais ainda - literalmente "caiu de amores" pelo mar). Para essas ecocelebridades, mais que marketing próprio, é uma questão de consciência mesmo. 

O movimento ambiental, no entanto, parece ainda ver com um certo preconceito a participação das ecocelebridades em suas campanhas. Greenpeace, Conservation International e WWF, por exemplo, aceitam doações com agrado, mas parecem não gostar de ter ecocelebridades estampadas em seu website - é um fato observável nessas URLs. (O WildAid tem uma página do site dedicada às celebridades que o apóiam, e parece ser nesse âmbito uma exceção entre as grandes ONGs ambientais.) Faz sentido as ONGs pensarem assim: um deslize "ecológico" de uma ecocelebridade pode ter sérias consequências de credibilidade para uma campanha perante a opinião pública. É mais fácil não arriscar. 

Entretanto, acho que esse risco poderia ser melhor administrado. Porque a figura da ecocelebridade é muito forte para a maioria da população - que dirá seus fãs. É um desperdício de luta não usar a imagem de um famoso por medo de arriscar. A probabilidade de que algo dê errado existe, mas o número de pessoas que são "educadas" sobre o ambiente (ou que pelo menos despertam para a existência daquele problema) ao ouvir uma ecocelebridade em uma entrevista na TV são tão maiores, que podem tornar a campanha muito mais eficiente no final das contas. A ecocelebridade tem a oportunidade de educar milhões em uma tacada só, apenas pelo poder da imagem que tem sobre seus admiradores.  

E a galera aqui do Faça percebeu isso na prática, dia desses. A Xará postou em fevereiro de 2007 um post no Faça a sua parte falando do projeto "Amazônia para sempre". O post, na época, teve meia dúzia de comentários e ficou nisso. Bastou semana retrasada a Christiane Torloni citar o projeto no programa do Faustão que em menos de 24h o post passou para inacreditáveis 183 comentários - and counting. Uma atriz. Uma única pessoa (!!) no rol das "celebridades" chamou a atenção de um monte de outras, e resvalou googlelateralmente num post do Faça. Imagina a página principal do projeto quanto apoio não teve... Uma bela oportunidade de mobilização amplificada que a Christiane Torloni fomentou. 

Mas para que esse efeito amplificador aconteça, é necessário um outro fator importante na equação: sinceridade. A ecocelebridade precisa ser sincera com a escolha de uma causa ambiental, vestir a camisa em seu dia-a-dia, e principalmente ser uma dessas pessoas que vivem ecologicamente - e por estar no spotlight de câmeras e paparazzis, isso pode se tornar um agente complicador difícil de controlar. Mas não impossível, como muitas ecocelebridades já demonstram. Porque só assim a defesa de uma causa vai estar efetivamente ligada ao seu nome, e com isso toda a causa se amplifica. Exemplo? Hoje não se fala em refugiados no mundo sem pensar em Angelina Jolie. Porque ela se mobilizou ativamente em prol da causa, adotando 3 crianças derivadas do problema, ou seja, ela conhece de perto a realidade da causa. Assim como Leonardo DiCaprio tenta incorporar em sua vida o ambientalismo - recicla muito em sua mansão e sua última empreitada é um ecoresort 100% sustentável numa ilha e com 0% de produção de lixo (tudo é reciclável). A ligação da imagem de uma ecocelebridade com a sua causa de forma sincera é pré-requisito básico para o sucesso da divulgação da causa ambiental. 

E tendo essa relação sincera reforçada, o movimento ambientalista ganharia muito com o apoio das ecocelebridades. Ganharia ressonância, provavelmente mais apoio e verba, e poderia expandir o campo de ação. Não é a solução final pros problemas do mundo, mas seria uma forma a mais de contribuir. Afinal, melhor fazer algo que fazer nada pelo nosso planetinha azul.
O Ibama disponibilizou a consulta pública de áreas embargadas.  Andreia Fanzeres, do site "O Eco", fez um artigo que vale a pena ler.

Políticos, empresários, governo, não sobra ninguém... Como diz Andreia "Do pequeno sitiante aos políticos, empresários, empresas multinacionais e instituições públicas. Agora ficou mais fácil verificar se os supostos compromissos de sustentabilidade anunciados por aí são mesmo confiáveis."

Apenas mais um trecho (o resto leiam nos links indicados) sobre a hipocrisia humana que acaba com o meio ambiente:

"Em Mato Grosso, a lista revela nomes bastante conhecidos por quem monitora o desmatamento na Amazônia. O senador Jaime Campos responde por três áreas embargadas em Alta Floresta, sendo uma superior a 1.200 hectares. No mesmo município o deputado estadual Ademir Brunetto é responsável por outra área, mas o sistema não informa mais detalhes. Desse mesmo jeito são registrados embargos dos deputados Humberto Bosaipo, em Porto Esperidião, e de Dilceu Dal Bosco, em Sinop. Na semana passada, aliás, este último proferiu discurso na Assembléia Legislativa defendendo que produtores ilegais precisam de punição. "Toda economia de Mato Grosso acaba sendo penalizada por causa das ações desses empresários. Vamos fazer o possível para que eles sejam punidos", falou, enquadrando-se na categoria. "


Como dizia o Chico Buarque:

" Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá"

A roda-viva está no Congresso, nas Assembléias, nos governos, nas empresas que se dizem socio-ambientalmente responsáveis...
O dilema: natureza versus ações sócio-educativas.

O que acontece quando uma personalidade famosíssima resolve cometer um crime ambiental? E se essa personalidade convida o Prefeito de uma capital também famosa para inaugurar o crime ecológico e ele aceita e comparece? E o que dizer quando o Governador do Estado comparece?

Mais, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente já havia alertado a 'famosíssima personalidade" de que estava cometendo um crime e o Chefe (Prefeito) mesmo assim comparece?

Pode parecer coisa de primeiro mundo, mas não é! Aconteceu aqui em Porto Alegre. Vejam:

"Instituto Ronaldinho Gaúcho terá que reparar danos ambientais

Por Ulisses A. Nenê, da Ecoagência

Acordo entre o Ministério Público e o Instituto determina compensações para os danos causados pelas obras da entidade, inclusive em Área de Preservação Permanente.

Porto Alegre, RS - O Instituto Ronaldinho Gaúcho e o Centro Ronaldinho Gaúcho, entidade filantrópica e empresa esportiva do jogador do Barcelona, respectivamente, terão que reparar os prejuizos ao meio ambiente causados pelas obras de suas instalações, na Zona Sul de Porto Alegre. O primeiro foi inaugurado em 27 de dezembro de 2006 (foto) e o segundo estava em obras que foram suspensas ano passado com a intervenção do Ministério Público.

Nas duas áreas, no Instituto e no Centro, ocorreram "cortes de vegetação nativa, drenagens de banhado, canalização de curso d'água, corte de vegetação exótica, tudo sem licença ambiental", relatou hoje à tarde a promotora de Justiça e Defesa do Meio Ambiente de Porto Alegre, Ana Maria Moreira Marchesan.

"A pior agressão foi o corte de mata nativa no Morro da Tapera e a construção em uma Área de Preservação Permanente (APP)", acrescentou. Meio hectare de árvores nativas e exóticas foram derrubadas no morro.

A promotora disse que Ronaldinho e seu irmão, o ex-atleta Roberto de Assis Moreira, diretor do Instituto, foram alertados pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam) de que estavam infringindo a Lei dos Crimes Ambientais. O órgão chegou a autuar o Instituto e o Centro por diversas vezes, expedindo multas que totalizaram R$ 115 mil, mas as obras prosseguiram.

O Ministério Público foi acionado por denúncia anônima, ao mesmo tempo em que recebia os autos de infração da Smam, em julho do ano passado. Foi aberto inquérito civil e procedimento investigatório que resultaram no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado hoje com os representantes de Ronaldinho.

Além da execução de projetos para reparação dos danos envolvendo cortes de vegetação nativa, drenagens e canalizações não licenciadas, o acordo prevê a doação de uma área para o município de Porto Alegre e a implantação de uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), por conta do Instituto e do Centro.

A multa ficará em 10% do valor inicial. Mas o acordo não impedirá o processo criminal na Justiça Comum, pois a promotora adiantou que apresentará a denúncia nos próximos dias com com base na Lei 9.605 (Lei dos Crimes Ambientais).

"Eles contrataram um arquiteto e um empreiteiro e com muita pressa tudo foi feito, sem qualquer licença ambiental. A Smam ainda tentou interditar mas eles continuaram a obra, mesmo com as autuações, até que o MP entrou em ação, só aí cessaram as intervenções na área", contou.

Construído em área de 12 hectares, o Instituto foi criado para oferecer a crianças carentes atividades como futebol, tênis, vôlei, vôlei de praia, atletismo e jogos de mesa, além de oficinas de teatro, línguas, música, informática, aulas de reforço escolar e cursos profissionalizantes .

Também oferece atendimento médico e odontológico e companhamento da situação familiar de cada aluno. A inauguração festiva teve a presença do próprio Ronaldinho e de muitas autoridades, como o prefieto, José Fogaça, e o então governador, Germano Rigotto.

"O meio ambiente tem que ser respeitado em qualquer situação, mesmo (a entidade) de cunho filantrópico e de grande valor socio-educativo, com envolvimento do município, tudo tem que ser feito com sustentatibilidade ambiental", alerta a promotora.

A EcoAgência tentou mas não conseguiu localizar o advogado Sérgio Queiroz, que representa os irmãos Ronaldinho e Assis Moreira no caso.
"

Gente, o que são meia dúzia de hectares de mata nativa frente a tudo de bom que estou fazendo pelas criancinhas carentes? Já imagino que a personalidade deva estar pensando isso...

O Prefeito e o ex-Governador pensam assim pelo visto...

De acordo com a Organização Mundial para a Saúde Animal, o consumo de produtos animais deverá aumentar em 50% até 2020. Tal aumento no consumo ocorre principalmente na China e na Índia, e é devido também ao comércio cada vez mais acentuado de produtos de origem animal. O que fazer quando se constata que muitas das criações de animais são de populações muito pobres do Sahel ou da Ásia Central, que dependem do gado para sobreviver? Exigir a mudança de seus hábitos alimentares?

A conseqüência do grande consumo de alimentos de origem animal é a destruição dos ecossistemas e o aquecimento global. Segundo Jean-Luc Angot, diretor-geral adjunto da OIE, "há também riscos sanitários complementares, pois os produtos circularão mais rapidamente que o tempo de incubação das doenças, como a 'febre catarral ovina' (ou doença da língua azul) surgida em regiões onde não era conhecida anteriormente, como no norte da Europa, e que era considerada até então tropical".

No final de 2006 a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) calculou que os bovinos produzem mais gases causadores do efeito estufa que os carros. O metano que expelem e o protóxido de nitrogênio de seus dejetos são muito mais nocivos para o meio ambiente que o CO². E, não podemos nos esquecer de que, quando se queima a floresta para criar gado e plantar soja para a alimentação de animais, estamos reduzindo os chamados "poços de carbono", que absorvem o CO² , conservando-o na vegetação e no solo.

Somos carnívoros a ponto de comprometer a saúde de nosso planeta? Bem, como há populações pobres como as do Sahel e da Ásia Central, que dependem do gado para sobreviver e não podem deixar de consumir carne e produtos de origem animal, é mais adequado que os países ricos façm algo para minimizar estas emissões. Em seus sistemas de criação, podem, segundo os especialistas, contribuir para diminuir as emissões de CO², otimizando seus dejetos e seus adubos, lucrando, assim, com a economia que obterão e reduzindo o risco de poluição para a água e para o ar, e, desta forma amenizando o impacto nocivo sobre a vida no planeta.

imagem: daqui

Já está virando moda as empresas associarem seus produtos a ações sociais e de defesa do meio ambiente, com o objetivo de sensibilizar os consumidores e construir uma imagem de empresa responsável. Mas será que tais empresas desenvolvem realmente ações importantes para o meio ambiente? Ou será que estão usando a questão ambiental como campanha de marketing? Esta 'maquiagem verde' aplica-se a empresas que não realizam, de fato, ações efetivamente úteis ao meio ambiente, mas 'aparentam' uma atitude sócio-ambiental. Basta observar as propagandas que tais empresas divulgam.

Há as que afirmam estarem investindo no jovem, pois este investimento gera retorno em sustentabilidade. Na realidade, algumas empresas investem em educação pública, o que é muito interessante, pois proporciona a estes jovens melhores oportunidades de qualificação para o trabalho. Mas, na prática, não há uma ação ou projeto ambiental da empresa que traga benefícios ou resultados para o meio ambiente. No entanto, a empresa transmite a imagem de que investe em sustentabilidade.

Há, também, os bancos que investem em preservação de áreas florestais para compensar o CO² emitido pelos veículos e casas de seus clientes de seguros. Ao proteger seu automóvel ou casa, o segurado passará a preservar, por meio do banco, uma determinada área de mata nativa, que irá reter o equivalente ao que foi emitido na residência ou pelo veículo. Não seria mais apropriado que tais bancos criassem incentivos para induzir o cliente a mudar seus hábitos e reduzir suas próprias emissões. Não é uma maravilha? Eu posso emitir CO² à vontade, pois estou pagando. Cômodo, não é. E todos, clientes e empresas, transmitem a bela imagem de responsabilidade e sustentabilidade.

Felizmente, porém, o 'marketing' verde é, realmente, a divulgação de atitudes socioambientais de empresas que, de fato, contribuem para a preservação dos recursos do planeta. Entre as ações de responsabilidade social, há as parcerias com a Fundação SOS Mata Atlântica, por exemplo, responsável pelo plantio de milhões de mudas nativas. Louvável também, são as atitudes de reaproveitamento e reciclagem do próprio material utilizado pelas empresas, como usar seu próprio papel reciclado em materiais de comunicação internos e externos, envelopes de correspondência ou em seu material de propaganda. Interessante também, é a atitude de empresas que promovem campanhas de uso racional de água e energia; investem em projetos de educação ambiental de forma efetiva, útil, funcional.

O ideal seria que, na prática, todas ações das empresas fossem realmente eficientes para conter a emissão de CO² e preservar o meio ambiente. Em muitos casos, infelizmente, tais ações não passam de marketing verde. Não há um incentivo para que se economize ou se use conscientemente os recursos naturais, de modo a diminuir o impacto ambiental. Parece muito cômodo: "você polui, então pague."

Fontes: Bancários do Rio , Eu cuido do Planeta
Imagem original daqui

Quem avisou foi o queridíssimo Escriba (leia o artigo original): o grupo Animal Liberation Front (ALF) atacou, durante o feriado do ano novo, o site do Institudo Pró-Carne (que demorou DIAS para descobrir o atentado). No mesmo dia à tarde, chega um e-mail do Veddas que transcrevo abaixo.

As imagens publicadas nos links abaixo mostram como estava o website na manhã do dia 3 de janeiro:

www.veddas.org.br/procarne2.jpg

www.veddas.org.br/procarne3.jpg

Quase um dia após a informação sobre a invasão ter começado a circular em comunidades eletrônicas relacionadas ao vegetarianismo e aos direitos animais, o website do Instituto Pró-Carne continua no ar mostrando imagens fortes de animais sendo abatidos e indicando pesquisas que relacionam o consumo de carne à incidência de câncer.

Os banners mostrados no website, que recomendam o consumo de carne até mesmo para o tratamento de doenças, agora contrasta com frases como “Carne: você paga com a sua saúde e nós ficamos com o seu dinheiro! O nosso lema é: quanto mais alienação, melhor!”.

Nota importante: apesar de termos sido referenciados nos links indicados, o VEDDAS declara não ter tido qualquer participação nesta ação. A notícia nos chegou por via de comentários postados em comunidades do orkut e a divulgação do fato tem caráter meramente informativo.

VEDDAS – Vegetarianismo Ético, Defesa dos Direitos Animais e Sociedade

Que feio! Nunca esperei isso de um grupo que luta pela ética. Se a nossa sociedade, marcada pela indiferença, permite, aceita e consome o fruto do sofrimento animal não é com atos terroristas e antiéticos como este que resolveremos a questão. Sim, porque me desculpem os fanáticos, a livre expressão é uma das maiores conquistas da humanidade. E, neste jogo, não vale defacear nem hackear site de quem pensa diferente da gente. Ponto final. Não cabe discussão.


A Carol Costa postou em seu blog "Guindaste" uma excelente reportagem da revista Página 22 (que eu não conhecia e parece não ter versão online) sobre o uso de sacolas plásticas atualmente. Aos interessados em fazer a sua parte, números impressionantes são lá revelados. Muito lúcida, a reportagem termina com uma conclusão infelizmente perfeita do Marcelo Coelho:

“Não dá para querer um pensamento ecológico sem pensar no bolso. Enquanto o plastiquinho não me custar nada, enquanto uma folha de papel custar centavos, ninguém vai conseguir que as pessoas levem menos sacolas para casa ou usem os dois versos do papel.”

A reportagem completa está lá no blog da Carol: parte 1 e parte 2. Visite e estimule a discussão.
Eu publiquei esse texto bem pessoal ontem no meu blog. Algumas pessoas com quem conversei acharam melhor repercuti-lo pela rede, e eu resolvi repostá-lo aqui no Faça a sua parte na íntegra.


"Quando há alguns meses saiu o relatório definitivo do IPCC sobre a situação climática e ambiental do planeta na atualidade, eu imaginava que as palavras contidas naquele documento tivessem impacto indelével sobre as pessoas, governos e corporações. Afinal, pensei eu, sugeriu-se com aqueles resultados que o aquecimento poderia destruir boa parte da economia do mundo, fazendo sofrer principalmente os países mais pobres, sem estrutura para administrar as consequências climáticas sinistras pressupostas no documento. O Príncipe de Mônaco (!) parece que ouviu bastante, e um ou outro governante com certeza prestaram atenção, principalmente ao terem acesso a visualizações das consequências imediatas. Tudo levava a crer que aquele seria um momento divisor de águas.

Quanta ingenuidade minha. Falou-se por alguns dias sobre o tema na mídia (ah, o hype da notícia fresquinha!...), houve algumas reportagens incômodas nos jornais, revistas e TV, com cenas dignas de filme de catástrofe - que provavelmente apenas levaram os telespectadores a mudarem de canal para um programa de auditório mais "leve" (não os culpo, a vida de gado não tem sido fácil nesses dias marcados). Mas depois dos primeiros dias, o assunto meio que "morreu", e voltamos a prestar mais atenção ao escândalo político do dia (pelo menos, eu estava bem-acompanhada nessa constatação). E as pessoas decidiram retornar àquele estado de eterna negação e apatia tão típico de quem tem um enorme problema em mãos e não sabe como resolver. Freud deve explicar.

Ou deve dar risadas de mim, que me preocupo diariamente com as consequências do aquecimento global. Que não consigo mais aturar o gasto tresloucado de sacola plástica, como se estivesse escrito na Declaração Universal dos Direitos Humanos que ao nascermos temos direito irredutível, irreprovável e infinito ao uso delas. Que adquiri uma asma irritante de tanto respirar o ar super-poluído das grandes cidades, principalmente na Ásia, onde a queima do carvão ainda é a maior fonte de energia - e haja enxofre para limpar essa sujeirada toda no ar e aumentar o tempo de vida do planeta... Que fico deveras estupefata ao descobrir práticas de finning de tubarão na peixaria perto da casa dos meus pais - eu que supunha iludida que aquele recanto da minha infância estava imune à invasão chinesa faminta de barbatanas.

E, para fim total da minha ingenuidade ambiental, já há os "cansados" (para usar o termo da moda) em serem abordados por causas ecológicas. E eu, que acreditava na "benevolência humana em prol do futuro apesar dos pesares", me sinto totalmente impotente. Porque esse cansaço é em minha opinião um sinal de desistência. O problema não é pequeno por natureza e a constatação de que já existem os que desistiram dele sem sequer analisarem ou tentarem fazer algo - quer desestímulo maior que esse? Pessoas (e alguns governos!) que se consideram ecoperseguidos, e querem garantir o sagrado direito (deles) de dirigirem sozinhos de SUV com o ar condicionado ligado no máximo, de saírem de férias sem apurrinhações "verdes" ou de poluírem à vontade pela saúde da sua economia (esquecendo da saúde da sua população, é claro). Ou de simplesmente não serem mais incomodados por nenhum "ecochato", que relembrará exaustivamente o problema do aquecimento na Patagônia ou das populações insulares do Pacífico, primeiros refugiados ambientais da era aquecida - migrarão para onde? Eu adoraria que os que se sentem ecoperseguidos realmente pudessem viver na deles, sem que fosse preciso gastar dinheiro com campanhas ambientais nem enchê-los a paciência para salvar a Amazônia, a África ou sei lá onde, ou sequer ter contato com eles. É muito irritante o policiamento ideológico ou de qualquer tipo, eu mesma não gosto.

Infelizmente, entretanto, por mais que queiramos ser individualistas e vivermos de acordo com nossos padrões e cultura (vide os japoneses e as baleias, os chineses e os tubarões, etc.), lembro que a dura realidade é bem mais complexa por uma razão simplérrima: vivemos todos no mesmo planeta. Toda a espécie humana, sem distinção de raça, credo, estado civil ou condição financeira, divide o mesmo endereço da via láctea, e os mesmos recursos naturais. E um fato aumenta ainda mais a complexidade desse problema: a atmosfera não entende barreiras ideológicas, políticas e nem mesmo as geográficas. A atmosfera que nos circunda é uma só, e se mistura e circula sem fronteiras, sem preconceito algum, independente do que esteja nela - razão pela qual afeta a todos sem distinção. A poluição da China chega em Los Angeles, as queimadas da Rússia afetam o ar da Escócia e não há vontade política nem dinheiro no mundo (ainda) que impeçam isso de acontecer - é um fato físico. (Esse vídeo mostra melhor isso: em dado momento de 2000 o monóxido de carbono da queima da Amazônia foi parar na Antártica. Requer Windows Media Player para assistir.) Então, hoje, o degelo no Ártico pode não alterar em nada a minha vida aqui no Brasil (pode até trazer mais lucros para alguns com o turismo ou fazer ressurgir esquecidas jazidas de petróleo), mas amanhã, quando faltar o peixe na mesa para comer, o produto vai ficar mais caro e gastaremos mais com importação - se peixes houver para importar, é claro. Pior de tudo, pode ser economicamente desvantajoso ficar nessa inanição (link em pdf), porque o custo de não ter solução para esse problema pode aumentar sem precedentes. Estamos todos navegando no mesmo barco, e ele tem um buraco na proa: uns enxergam um catastrófico naufrágio e os tubarões ao redor, outros querem tapá-lo com um durex ou, pior, abstrair que o buraco não existe, é uma invenção, blábláblá. Há de se ter o bom-senso de achar a forma correta de agir, equilibrada, para que todos consigam se salvar desse afundamento. Mas é preciso agir, olhando para todos os dados, fatos e circunstâncias ao redor. Talvez haja um pedaço de madeira encostado na popa que possa fechar o buraco da proa, e essa oportunidade não pdoe ser desperdiçada.

Ninguém nunca disse que tomar conta (e cuidar) de um planeta era fácil - pelo menos, não para mim. Não nos ensinaram quando crianças - onde fui educada, pouca coisa nesse sentido era dita, uma falha educacional lastimável. Reciclagem na escola parecia um tema alienígena. (Hoje, sei que pelo menos isso mudou, e a educação ambiental está muito mais permeada pelos colégios do mundo. Felizmente.)

Mas precisamos sair dessa hipnose coletiva marasmática que acredita piamente que um cientista genial virá daqui a um, dois ou 10 anos com uma solução de pirlimpimpim pro problema humano do aquecimento global - sim, porque já não podemos culpar o sol por isso. O milagre da idéia revolucionária que fará o planeta voltar a ter o ambiente de séculos atrás, quando havia ainda esperanças de recuperação que não afetassem a rotina humana. Desculpe-me os iludidos de todas as classes, mas o pó de pirlimpimpim cada vez mais escasseia: precisaremos sair da nossa zona de conforto se quisermos melhorar um pouco as condições para nós. E pessoalmente acho também que por respeito aos que vêm por aí. Cada um terá que fazer a sua parte, sim: hoje, amanhã e depois e muito tempo depois.

E é apenas isso que se pede: a sua parte. Não é tão difícil: o RadioHead conseguiu, a Adobe conseguiu, a Honda (uma empresa de carros!) conseguiu. Acho que até os mais cansados conseguem, não? Basta ter ânimo para querer mudar, sem se deixar distrair com o "ruído de fundo" das ecocelebridades - entenda o papel delas. Ou basta ter vontade de sonhar que o bebê de hoje seja um adulto de um mundo mais "vivível" amanhã. Não é essa a melhor herança que um pai pode dar a seu filho: um planeta melhor?

Acho que a minha ingenuidade perdida se transformou em esperança ativa... e não é a vida resultado de contínua adaptação?"
Um eco do passado. Um discurso, de uma menina canadense, de 12 ou 13 anos, que resume tudo o que a gente diz e repete e repete: cuidar do ambiente, cuidar dos nossos semelhantes é mais do que garantir o futuro. É compartilhar. Compartilhar nosso destino biológico. No meio do trabalho, do dia-a-dia enlouquecido, da competição ferrenha para sobreviver, resta uma realidade: somos um, fazemos parte do mesmo ambiente, compartilhamos os recursos.
Seu nome é Severn Suzuki. Este discurso, à vista no YouTube, tem tudo o que é necessário para disparar uma nova atitude. Quinze anos se passaram. A menina virou mulher, o planeta ainda pede socorro. Quando é que vamos cair em nós mesmos? Quando?

“Não há mais terras habitáveis neste país. Os homens andam a destruir as matas, a queimá-las, a reduzi-las a pastagens para bois e vacas. No meu tempo de menina, podíamos caminhar cem dias e cem noites sem ver o fim da floresta. Agora, quem caminha dois dias para qualquer lado que seja dá com o fim da mata. Os homens estragaram este país. A idéia do jabuti não vale grande coisa. Impossível mudar-nos, porque não temos para onde ir.”
Monteiro Lobato, Assembléia na mata, Editora Brasiliense.

Esse livro é um fragmento do Caçadas de Pedrinho, publicado pela primeira vez em 1933. E vejam só o quanto mais já estragamos desde então... A fala da capivara não poderia ser mais atual. Desde que eu li esse trecho para as minhas filhas, ele não me sai da cabeça.

E o que nós estamos fazendo para parar com isso? Nada! Continuamos destruindo como se não precisássemos da natureza para sobreviver. Continuamos agindo como se a responsabilidade pelo meio ambiente não fosse nossa, apenas dos outros. Enquanto cada um de nós não tomar essa responsabilidade para si, em breve não serão apenas os animais da mata, mas toda a humanidade que não terá para onde ir.

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