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Tô atrasada num desafio proposto pelo Afonso: escrever sobre a diferença de gênero no cuidado com o meio ambiente em pleno dia da mulher. Era para este post ter sido publicado no dia 8 de março. A canseira da organização do LuluzinhaCamp mais uma segunda-feira povoada de compromissos na rua me impediram de publicá-lo.

Afonso, homem culto, atendeu à sincronicidade e foi na linha da cultura - aludindo até a minha deusa grega favorita Deméter, a Terra, e o surgimento do ciclo do outono e do inverno, devido ao rapto de sua amada filha Perséfone. Texto maravilhoso, inclusive. Uma ode ao feminino e à natureza.

A lembrança de Deméter me trouxe Erisícton, descrito por Thomas Bulfinch em O Livro de Ouro da Mitologia.

Erisícton era um homem grosseiro, que desprezava os deuses. Certa ocasião, resolveu profanar um bosque consagrado a Ceres (Deméter) com o seu machado. Ali havia um venerável carvalho, tão grande que dava a impressão de ser uma floresta inteira. Em seu velho tronco, frequentemente eram colocadas guirlandas votivas e entalhadas inscrições de gratidão à ninfa da árvore. Muitas vezes as dríades dançavam em torno deste mesmo carvalho. Insensível aos fatos, o homem Erisícton tomou o machado de seus servos e, no primeiro golpe, a árvore verteu sangue. Um dos presentes impediu-o de golpear a árvore novamente e foi morto a machadadas. Nesta hora, a ninfa de Ceres que habitava a árvore avisou: Eu que moro nesta árvore sou uma ninfa amada de Ceres e, morrendo por tuas mãos, predigo o castigo que te aguarda.

Erisícton não desistiu e, afinal, a árvore caiu com estrondo e esmagou sob seu peso grande parte do bosque.

As dríades, ultrajadas, foram a Ceres, vestidas de luto e pediram que Erisícton fosse castigado. Ao curvar a cabeça, concedendo o pedido, as espigas maduras para a colheita também se inclinaram. Imaginou o castigo mais cruel de todos: entregar o malvado à Fome. Como a própria Ceres não podia aproximar-se da Fome, chamou uma Oréade e falou:

Na parte mais longínqua da Cítia, moram o Frio, o Medo, o Tremor e a Fome. Vai até lá e pede à Fome que se aposse das entranhas de Erisícton. Que a abundância não a vença, nem o poder de meus dons a afaste. Toma meu carro e vai.

A Fome obedeceu às ordens de Ceres e rapidamente chegou ao quarto do criminoso, que dormia. Envolveu-o e penetrou seu corpo pela respiração, destilando veneno em suas veias. Missão cumprida, retirou-se da terra da fartura e voltou à sua desolação costumeira. No sonho, Erisícton ansiava por alimentos e movia a mandíbula, como se estivesse comendo. Ao acordar, a fome o devorava. A todo momento queria ter iguarias de toda espécie e, mesmo quando comia, ainda sentia fome. Não lhe bastava o que teria sido bastante para uma cidade ou nação. E quanto mais comia, maior era a sua fome. Seus bens diminuíram rapidamente face ao seu apetite, mas a fome jamais era saciada. No final, restou-lhe apenas uma filha, uma filha que merecia um pai melhor. Vendeu-a também. Desesperada de ser escrava, a jovem, de pé junto ao mar, ergueu os braços numa prece a Netuno. O deus ouviu suas súplicas e, embora seu novo senhor não estivesse longe e a visse um momento antes, Netuno a transformou em um pescador.

Procurando-a e vendo-a sob a nova forma, seu dono perguntou-lhe:

- Bom pescador, onde foi a donzela que via agora mesmo, com cabelos despenteados e pobremente vestida, no lugar em que estás?

A jovem, esperta, percebeu que sua prece fora atendida e respondeu:

- Perdoa-me estrangeiro, mas estava tão ocupado com meu caniço e minha linha que nada vi. Possa eu contudo jamais pescar outro peixe se acredito que esteve por aqui, ainda há pouco, alguma mulher ou outra pessoa qualquer.

O homem tomou seu caminho, pensando que a escrava fugira. Ela, então, reassumiu a sua forma. Seu pai ficou satisfeitíssimo ao vê-la ainda consigo, juntamente com o dinheiro resultante de sua venda e tratou de vendê-la de novo. A jovem, contudo, graças a Netuno, transformou-se tantas vezes quanto as que fora vendida. Ora em cavalo, ora em ave, ora em um boi, ora em um cervo. Assim, o pai faminto conseguiu alimento, nunca o suficiente, até que a fome o obrigou a devorar a si mesmo e destruir-se. E a morte o libertou da vingança de Ceres.

Digitar este tanto de texto que eu já conhecia (resumi a história) traz muitas imagens sobre a relação dos homens com a ecologia.

Grosseria, insatisfação eterna e consumo abusivo são marcas não só dos homens, mas de nossa civilização, neste planeta. E, ao reler este mito, percebe-se claramente que os homens - que governam as nações deste planeta há tanto tempo - podem, sim, vestir a carapuça. Eu, de minha parte, tenho o prazer de conviver com homens anti-Erisicton, que fazem sua parte todos os dias e lutam para que o planeta continue vivo e pleno.

Agora quero ouvir vocês: qual é a diferença entre homens e mulheres no CUIDADO com o meio ambiente e o planeta? Entrem na roda.

Pois é,

Um dia: 8 de março.
As mulheres? Bem, é o dia delas!
A natureza? É o que veremos.
O desafio? Bueno, de conversas no Faça a sua parte nasceu a questão: será que mulheres e homens percebem a natureza - e, consequentemente, atuam na sua conservação - de forma diferente?

Eu e a Lucia Freitas resolvemos transformar o papo em um desafio: eu escreveria sobre as mulheres e ela escreveria sobre os homens. Tudo, claro, sob o enfoque do meio ambiente, da natureza.

Por essas coincidências, recebi esta semana o exemplar da edição especial da revista "Mente e Cérebro", "As Faces do Feminino - Dimensões Psíquicas da Mulher". É dela que tiro a inspiração para o post.

A natureza é feminina. Sobre isso não há e, que eu saiba, nunca houve discordância. Veja-se o que diz o texto "O Arquétipo da mãe", de Johann Rossi Mason:

"O conceito de Grande Mãe surgiu por volta de 7000 a.C., no Neolítico, mas traços desse culto já estão presentes no Paleolítico. Trata-se de uma figura religiosa, uma divindade feminina a quem se atribui a gênese de todas as coisas vivas: plantas, animais, homens. O culto certamente se originou em comunidades sedentárias que viviam da agricultura, em harmonia com os ciclos da Natureza e da Lua, símbolo tipicamente feminino".

Machos brigam pela oportunidade de fecundar fêmeas. Esta é uma razão, senão a única, pela qual deveríamos aceitar que a divindade suprema - se é que existe - é uma fêmea. E digo fêmea, para não dizer apenas mulher, porque o feminino está na natureza e não apenas na mulher, nome atribuido à fêmea da espécie humana.

Mas vejamos o que diz o artigo "O Arquétipo da Mãe" (referências ao final) sobre o mito de Deméter:

"Deméter é a deusa das colheitas e ícone de um instinto materno que não tem sossego. É mãe de Perséfone, cujo pai é seu irmão Zeus. Segundo a mitologia grega, certo dia, enquanto colhe flores, Perséfone é raptada por Hades (deus dos mortos e dos subterrâneos), que se apaixonara por ela. O rapto acontece graças à cumplicidade de Zeus. Ao perceber o desaparecimento da filha, Deméter a procura em vão durante nove dias e nove noites. Ao alvorecer do décimo dia, por sugestão de Hecate, Deméter pede a Hélios, o Sol, que lhe revele a identidade do responsável.

"Louca de raiva pela traição, a deusa abandona o Olimpo e, por vingança, decide impedir que a Terra dê seus frutos, para que a raça humana seja extinta na escassez. Na tentativa de aliviar a própria dor, Deméter vaga pelo mundo, surda às lamúrias dos humanos que já não tem o que comer. Assume o semblante de uma mulher idosa, ocultando seu aspecto esplendoroso, e encontra abrigo numa casa, onde se torna ama-de-leite do filho do rei de Ática. Apega-se logo ao bebê que alimenta com a divina ambrosia para torná-lo imortal. O amor pelo menino finalmente alivia a sua dor, até que a rainha a descobre e a obriga a revelar sua natureza divina.Lançada de volta a seu desespero, Deméter refugia-se no monte Calícoro, sem se importar com as súplicas dos mortais dizimados pela carestia.

"Zeus então intima Hades a devolver a filha da deusa, e o final feliz parece estar prestes a acontecer, mas, antes disso, Hades faz Perséfone comer uma semente de româ, o que a obrigará a voltar periodicamente a ele. Tamanha é a alegria da mãe que, no momento em que abraça a filha, a Terra volta a ser fértil, e os frutos recomeçam a amudurecer. Mas há um preço a pagar: nos meses em que Perséfone voltar ao marido, sobre a Terra reinarão frio e penúria. Nascem o outono e o inverno.

"Deméter é, portanto, a Terra-Mãe, o símbolo da mãe que ama a prole acima de tudo. Deusa das terras cultivadas, ela rege a abundância das colheitas. Representa o instinto materno que se realiza na gravidez e no alimento físico e psicológico. A mulher Deméter realiza-se plenamente nessa tarefa, mas corre o risco de se deprimir caso sua necessidade de se alimentar seja recusada.

" Esse senso de maternidade não se limita ao aspecto biológico, mas pode se expressar na adoção de profissões que implicam dedicação aos outros. Deméter é nutriz, mãe perseverante ao procurar o bem-estar dos filhos, generosa. Uma deusa profundamente ligada a suas origens, que dão um significado adicional à sua essência: com efeito, ela é filha de Rea e neta de Gaia, a Mãe Terra original, da qual deriva toda forma de vida
". (negritos meus)

Tantos sejam os seres humanos existentes na Terra e tantas serão as interpretações do texto. A minha? Bueno, a minha tem a ver exatamente com a retomada do mito de Deméter, a neta da Mãe Gaia.

As mulheres, diferentemente dos homens, trazem em si esse senso de proteção. Mulheres cuidam, homens descuidam; mulheres constroem, homens destroem. E é desse olhar feminino que estamos precisamos para resolver os problemas que estamos causando para a grande Mãe Gaia. Do olhar que alimenta, pois estamos deprimindo Deméter e ela está fazendo conosco o que já fez quando Perséfone foi raptada: está novamente impedindo que a terra dê seus frutos e a humanidade parece fadada a ser "extinta na escassez".

Sim, as mulheres, por serem Deméter, percebem a natureza de forma diferente dos homens.

E você, o que pensa sobre isso?

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Por que o ambiente fica sempre em segundo plano nas plataformas políticas?

Principalmente em período de eleição, os candidato fogem dos ambientalistas como o diabo foge da cruz. Dizem que "meio ambiente não dá voto". Poucos são os corajosos que arriscam-se a realmente propor ações em prol do desenvolvimento ambientamente sustentável.

Pronto, está exposta a dialética ambiente versus desenvolvimento.

Construir isso, ampliar aquilo - desenvolver, no sentido de políticas públicas - foi sempre considerado como sinônimos para melhor qualidade de vida da população. Isso se deve ao fato de que, com obras de infraestrutura e com desenvolvimento industrial, é possível facilmente gerar emprego e renda nas localidades mais "atrasadas" o que diretamente afeta a qualidade do meio ambiente. Naturalmente, a reação dos ambientalistas é de dificultar esse processo, resultando na tradicional denominação de inimigos do desenvolvimento.
Assim temos PAC disso, PAC daquilo, e a eterna briga entre a Casa Civil ou o Ministério do Desenvolvimento Agrário e o solitário ministro (ou ministra) do meio ambiente - por um lado, sem contar com a guerra que se trava entre governo (sempre na direção errada) e sociedade civil (sempre a paladina da justiça).

Problema: o modelo de desenvolvimento que é largamente defendido desde o inicio do processo de urbanização, este que sempre significou crescimento econômico aliado à ampliação da infraestrutura urbana das cidades. Apesar de o modelo de associar a qualidade de vida ao acesso às cidades estar assumindo - ainda que lentamente - a compreensão de que a esse crescimento econômico acelerado soma-se o uso também acelerado dos recursos naturais, a falta de informação torna insipiente o movimento de recusar o desenvolvimento a qualquer custo - considerado desde os anos 70 como contracultura (lembram-se dos "hippies"?).

.Fala-se muito em desenvolvimento sustentável, mas na prática é pouco aplicado, pois para isso seria necessário um crescimento controlado, que não convém a este modelo desenvolvimentista - lembrando que é desta forma de produzir e consumir que depende a nossa qualidade de vida.

Solução: aliar o discurso do desenvolvimento com o da proteção ambiental. os ambientalistas já têm suas respostas, desenvolvidas através de seus modelos socioambientais, sustentáveis e de garantia do equilíbrio ecológico; há mais de trinta anos têm-se discutido novos modelos de desenvolvimento; diversos documentos foram assinados estabelecendo compromissos dos países com relação à conservação. De forma geral, há consenso no meio ambiental sobre o que deve ser feito. Mas na hora das decisões, a inércia do poder público se fixa em construir estradas, investir na agricultura extensiva, na industria poluidora, no desenvolvimento dos parques tecnológicos para gerar emprego e melhorar a economia facilitando o aumento da produção.

Infezlimente, propagar o atual modelo de desenvolvimento que exaure os recursos naturais do planeta atrai mais a atenção e apoio da população. "Vitória" da população, que recebe acesso ao urbano; "vitória" dos políticos, que recebem seus votos. E, no final, perdemos todos.

Este cenário é apenas um reflexo de um modelo político mundial ainda embasado na defesa de interesses fragmentados em setores, em detrimento do interesse comum. São estudantes, metroviários, bancários, engenheiros, médicos, músicos, empresários, sem-terras e...ambientalistas: cada um defendendo para si uma parte do bolo do poder, estabelecendo seus argumentos de que seu setor é um dos mais importantes para o desenvolvimento do país. Essa fragmentação se reflete nos políticos, que buscam representar um desses setores - quando muito - e não conseguem atingir um consenso ao bem comum tanto almejado.

Do mesmo modo, países disputam entre si o direito de poluir mais, comprando créditos ambientais de outros como se isso diminuísse o impacto da poluição.

Assim, meio ambiente (e educação, cultura, saúde) que deveria ser de interesse comum e consenso de todos, passa a ser tema de disputa política onde cada lado quer impor sua forma de resolver o problema, que de tão complexo acaba por não ser resolvido de forma nenhuma e é empurrado de um lado para o outro como problema de ninguém.

E continuamos perdendo.

Todas essas perspectivas levam a seguinte conclusão: sabe-se da necessidade de mudar esse modelo, mas esse processo passa necessariamente por uma mudança interna nos valores da sociedade, na visão estabelecida de qualidade de vida e desenvolvimento. A sociedade mostra aos políticos o que é realmente importante ser defendido e propagado: ambiente e desenvolvimento, não ambiente x desenvolvimento. Não pode haver antagonismo num contexto de necessidade comum, assim como não pode haver interesses pessoais em detrimento do interesses de todos.

Esse é contexto da cidadania planetária: estabelecer a idéia de cooperação e co-responsabilidade para um futuro comum.

Isso significa questionar: qual o modelo de indústria que utilizamos? E de agricultura? Como podemos adaptar esses modelos tradicionais ao contexto de desequilíbrio ambiental vivido atualmente? É pela busca destes novos modelos que o movimento ambientalista direciona seus esforços.

É claro que, aparentemente, se coloca contra o modelo desenvolvimento vigente - é o trabalho de quem tem que reduzir o ritmo da destruição e ao mesmo tempo encontrar alternativas em tempo hábil. Mas, em essência, a luta não é contra do desenvolvimento, é contra a ignorância que perdura em considerar a questão ambiental como um setor separado - propriamente um obstáculo - e não como a base que sustenta o todo. Em analogia com o corpo humano: que capacidade social, econômica e política pode ser desenvolvida se este corpo não for mantido alimentado e descansado? Desta mesma forma nenhuma sociedade pode desenvolver-se sem considerar a sua sustentabilidade ambiental. É como esgotar todos os alimentos disponíveis e começar a comer a própria carne...
Ano que vem será novamente um ano eleitoral, e podemos todos começar a fazer a nossa parte: cobrar de nossos candidatos como aliar desenvolvimento com sustentabilidade sem hipocrisia. Este será o momento em que as plataformas ambientais passarão a ser obrigatórias e servirão como base a todo e qualquer desenvolvimento - pondo fim a essa irresponsabilidade evitável.


E por esse processo de mudança de visão somos todos - inevitavelmente - responsáveis.


Há dias que tento preparar um desabafo ambiental.
Estava, na verdade, procurando um "mote" para tal.
Acabei encontrando dentro de minha vida.
Dia desses saí pra jantar com uma companhia e, ao passar em frente ao posto de combustível do qual me denominaram "gerente ambiental" (mas sem receber nada por isso) deparei com uma cena inusitada.

Flashback
: no domingo anterior preparamos, juntamente com o Corpo de Bombeiros local, um treinamento de combate a incêndios e primeiros socorros aos funcionários, com aulas teóricas e práticas sobre o assunto. Todos participaram.

Continuando o papo. No posto, bem em frente às bombas e tanques, um cidadão, tranquilamente fumava seu cigarrinho e batia um papo legal com o "bombeiro", que mais havia pegado no fogo. Olhei pra ele e fiz um sinal clássico com as mãos: "E agora"? Ele havia esquecidos das instruções anteriores! O rapaz, ao ser advertido, rapidamente apagou o cigarro e ficou encabulado.

O caso, apesar de gravíssimo, por colocar em risco a vida deles e o empreendimento reflete como anda nossa preocupação com o que acontece diariamente.

Ninguém se preocupa com o que está ao nosso redor. E, se tentamos nos incomodar (aqueles que valorizam a sua vida e a de seus pares) as pessoas ao redor nos olham com desdém e achando que somos "big-brother" da vida.

Bem diz o Chato neste post "Há muito mais entre o filosofar e o agir, do que ousamos sonhar!" Descobrimos, aos poucos, que é mais fácil ser uma sombra na multidão do que mostrar a cara e tentar mudar a posição "não tô nem aí" dos nossos. Ser diferente se incomodando!

Mas como fazer isso? Como mudar a forma de agir das pessoas que sentem vergonha em mudar?
O final do post do Chato nos chama atenção para isso:

"Há muito mais entre o filosofar e o agir: existem as crenças e valores que adotamos. Devemos oferecer um caminho prático para que as pessoas primeiro acreditem que mudar é possível e que a mudança não lhes causará prejuízo (as pessoas não mudam pensando nas vantagens que poderão obter e, sim, nos prejuízos que poderão evitar); segundo, que queiram mudar, por verem que uma nova crença - esta sim, baseada em uma "ética do cuidado, da compaixão, da cooperação e da responsabilidade universal" é boa para todos; terceiro, que seja um exercício (agir) que se adpte facilmente a vida das pessoas e não algo radical como muito das propostas que andam por aí.

Precisamos contruir esse caminho prático, que nos fará sair do filosofar e passar para o agir.

O mundo está sendo destruído pelos que fazem e não pelos que pensam."

Radicalmente contra? Nem pensar!
Sempre a favor? Negativo!
Há de se encontrar o ponto de equilíbrio entre o agir sem vontade e o filosofar sem pensar. E a educação ambiental diuturna é o caminho mais indicado.

Na fila da padoca, ontem à noite, fiquei na dúvida entre comprar um azeite na promoção e a última edição da Superinteressante, que traz na capa a atual situação deplorável dos oceanos do planeta. Acabei optando pela revista, o que acabou sendo uma boa escolha, não pela matéria de capa, que nada mais é do que um grande cozidão do que vem se falando sobre o tema há meses (quiçá anos). Folheando o material hoje de manhã, o que mais me chamou a atenção foi a entrevista com Tim Jackson, professor de desenvolvimento sustentável da Universidade de Surrey, em Londres, primeira instituição da Inglaterra a criar um departamento específico sobre o tema.

Jackson afirma categoricamente que o crescimento ininterrupto da economia global (um dos pilares do capitalismo moderno) é imcompatível com a sustentabilidade do planeta. Não é comunista, nem petralha, nem antiamericano, apenas mais um da crescente geração de pessoas que acredita num outro mundo possível, sob as regras da economia verde. Já foram ridicularizadas e agora são atacadas. Falta pouco para que sejam consideradas arautos do óbvio.

Enquanto governos e iniciativa privada não se mexem e continuam dando de ombros para o que se avizinha, como vimos em Poznan ou Marraquesh, cabe a nós, indíviduos tomarmos medidas diárias, pouco a pouco, pra ver se lá na frente algo muda. Alguns passos básicos, segundo Jackson, são:

Comprar menos, ser mais eficiente no uso da energia, viajar menos de carro e avião, economizar, fazer investimentos éticos e protestar!

Se for pra ir pro saco, que seja de botas calçadas!

(Este foi meu 100o. post no Ecoblogs!)

Em carta enviada à conferência da ONU sobre mudanças climáticas que aconteceu em Poznan, na Polônia (terminou domingo agora), o presidente Evo Morales, da Bolívia, propõe a criação de um novo modelo de desenvolvimento para o mundo, baseado na sustentabilidade e harmonia com a natureza. A busca incessante pelo lucro, acima de tudo, está destruindo o planeta, diz Morales.

Segue um trecho:

Tudo começou com a Revolução Industrial de 1750 que deu início ao sistema capitalista. Em dois séculos e meio, os países chamados "desenvolvidos" consumiram grande parte dos combustíveis fósseis criados em cinco milhões de séculos. A competição e a sede de lucro sem limites do sistema capitalista estão destroçando o planeta. Para o capitalismo não somos seres humanos, mas sim meros consumidores. Para o capitalismo não existe a mãe terra, mas sim as matérias primas. O capitalismo é a fonte das assimetrias e desequilíbrios no mundo. Gera luxo, ostentação e esbanjamento para uns poucos enquanto milhões morrem de fome no mundo. Nas mãos do capitalismo, tudo se converte em mercadoria: a água, a terra, o genoma humano, as culturas ancestrais, a justiça, a ética, a morte...a própria vida. Tudo, absolutamente tudo, se vende e se compra no capitalismo. E até a própria "mudança climática" converteu-se em um negócio.

A íntegra da carta pode ser lida aqui.


Morales está certo em gênero, número e grau. O que temos hoje é capitalismo no lucro, socialismo no prejuízo. A crise atual foi provocada por instituições financeiras até então tidas como acima de qualquer suspeita. E a cada novo golpe que surge, quem paga a conta somos nós.

Ou repensamos já o modo como produzimos e consumimos, ou vamos todos pro mesmo buraco.

O julgamento ainda não acabou, porque o ministro Marco Aurélio Mello que analisar melhor a questão, mas o resultado já tá definido: a demarcação da reserva indígena na Serra Raposa do Sol, em Roraima, respeitará a Constituição brasileira e será contínua. Os arrozeiros - muitos deles políticos, grileiros e afins - terão que sair. A decisão, que é mas não é ainda, acirrou os ânimos entre invasores e índios. Os primeiros dizem que não vão sair agora, que a Funai tem que rever o valor das indenizações, que o tempo lhes favorece e que eles não vão ser escurrachados de lá pelo governo. Já os índios e ONGs não gostaram do adiamento da decisão final, pedem mais segurança ao governo e, em alguns casos como no do Greenpeace, consideram que o resultado fere os direitos indígenas, porque tira dos índios a prerrogativa de serem consultados sobre as ações do governo na região.

Eu particularmente acho até que, se os índios quiserem declarar independência de seu território, se declararem jupiterianos ou descendentes dos atlântis, é justo, Isso num mundo ideal, claro. Mas sei das implicâncias geopolíticas de tal ato e que muitos países foram à guerra para evitar esse tipo de cisão. Por que não, então, trabalhar com eles, respeitar suas necessidades locais e desenvolver uma espécie de PAC indígena, em parceria? Melhor do que colocá-los em constante estado de suspeição e assim cinicamente negar-lhes o que é seu de direito, não?

Quando o caso é de farinha pouca, cada um tenta cuidar do seu pirão, e é até compreensível (nem sempre justificável...). Mas lá tem terra pra caramba - e de mais a mais os invasores são os arrozeiros e a Constituição brasileira diz que os índios têm razão. Então, qual o motivo de tanta confusão? Vão plantar arroz noutro lugar!

A Bovespa acabou de anunciar que a Petrobras, Aracruz Celulose, Companhia Paranaense de Energia (Copel), CCR Rodovias, Copel, Iochpe-Maxion, Petrobras e WEG foram excluídas da lista das empresas do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da Bovespa. Esse índice é composto de ações de companhias que apresentam alto grau de comprometimento com a sustentabilidade e responsabilidade social. No lugar delas entraram a TIM, Telemar, Unibanco, Celesc, Duratex e Odontoprev.

No caso da Petrobras, é resultado direto do esforço de ONGs e secretarias estaduais de Meio Ambiente, que vinham há tempos denunciando a estatal por descumprir resolução de 2002 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) para diminuir a partir de 2009 a quantidade de enxofre no diesel que vende no Brasil. Apesar de ter tido sete anos para se adequar à resolução, a Petrobras e a Anfavea (da indústria de automóveis) afirmam que não tiveram tempo para tal e se recusaram a cumprir a determinação.

Apenas na cidade de São Paulo, o ar poluído mata de 12 a 14 pessoas por dia, segundo estimativa de Paulo Saldiva, professor de medicina da USP (Universidade de São Paulo) e uma das autoridades no debate sobre os efeitos da emissão de poluentes na saúde. "Embora abasteça 10% da frota do país, o diesel é responsável por 45% da emissão de partículas em São Paulo e quase metade das mortes causadas pela poluição", calcula Saldiva. (fonte: CMI)

Segundo o professor Saldiva, os dados mostram que a poluição do ar mata mais do que a aids e o trânsito juntos na cidade de São Paulo.

Para comemorar seu bicentenário, o Jardim Botânico lançou seu primeiro 1o. Festival de Cinema Ambiental. A programação (que começou no último dia 31 de outubro e vai até 9 de novembro) é bem variada e inclui 40 filmes de vários países. Destaque para um documentário sobre o ambientalista gaúcho José Lutzenberger e O Mundo Segundo a Monsanto, da jornalista francesa Marie-Monique Robin - que pode ser também visto online, aqui. E o melhor: tudo digratis!

Desmatamento gera mais perdas para economia do que mercados, diz estudo

RICHARD BLACK
da BBC News

A economia global está perdendo mais dinheiro com o desaparecimento das florestas do que com a atual crise financeira global, segundo conclusões de um estudo encomendado pela União Européia.

A pesquisa, "A Economia dos Ecossistemas e Biodiversidade" (Teeb, na sigla em inglês), foi realizada por um economista do Deutsche Bank. Ele calcula que os desperdícios anuais com o desmatamento vão de US$ 2 trilhões a US$ 5 trilhões. O número inclui o valor de vários serviços oferecidos pelas florestas, como água limpa e a absorção do dióxido de carbono.

O estudo tem sido discutido durante várias sessões do Congresso Mundial de Conservação, que está sendo realizado em Barcelona.

Em entrevista à BBC News, o coordenador do relatório, Pava Sukhdev, enfatizou que o custo com a degradação da natureza está ultrapassando o dos mercados financeiros globais. "O custo não é apenas maior, ele é contínuo", disse Sukhdev. "Enquanto Wall Street, segundo vários cálculos, tenha perdido entre US$ 1 trilhão a US$ 1,5 trilhão, estamos perdendo capital natural no valor de pelo menos US$ 2 a US$ 5 trilhões todos os anos".

Pobres

O relatório foi iniciado na Alemanha quando o país ocupava a presidência rotativa da União Européia, com fundos da Comissão Européia.

A primeira, concluída em maio, apontou que as perdas com a destruição das florestas equivalem a 7% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Segundo o economista, para entender as conclusões do estudo é preciso saber que à medida que as florestas são destruídas, a natureza pára de fornecer serviços que normalmente oferecem de graça.

Como conseqüência, o homem tem de passar a produzir tais serviços, seja pela construção de reservatórios ou de estruturas para seqüestrar dióxido de carbono ou áreas para o plantio que antes estavam disponíveis naturalmente. Ainda segundo os dados do Teeb, os gastos com a degradação do ambiente recaem mais sobre os mais pobres, que tiram boa parte de seu sustento diretamente da floresta, principalmente nas áreas tropicais.

Para as nações do Ocidente, as maiores gastos se refletiriam com as perdas dos elementos absorvedores naturais dos gases poluentes.

O relatório tomou como base o Stern Review, um estudo divulgado em 2006 na Grã-Bretanha, que analisa o impacto econômico do aquecimento global e afirma as mudanças climáticas podem causar o mais profundo e extenso dano à economia mundial já visto.

"Os dados divulgados no Stern Review fizeram com que os políticos acordassem para a realidade", afirmou Andrew Mitchell, diretor do Programa Global Canopy, uma organização que canaliza recursos financeiros para a preservação florestal. "O Teeb terá o mesmo valor, e mostrará os riscos que nós corremos se não os avaliarmos corretamente".

Alguns participantes do evento esperam que o novo estudo será uma nova forma de convencer legisladores a criar políticas que financiem a proteção da natureza em vez de permitir que o declínio de ecossistemas e espécies continue.

O artista plástico Mark Jenkins, autor de instigantes esculturas construídas com fitas adesivas, promoveu um divertido protesto na capital americana semana passada em parceria com o Greenpeace local, para protestar contra a falta de ação do governo Bush para frear as emissões de gases do efeito estufa. Jenkins espalhou ursos polares pela cidade com cartazes pedindo ajuda, no estilo 'sem-teto' - veja abaixo a galeria de fotos:

Há outras fotos também no Flickr e um filme da atividade no Youtube:

O urso polar entrou recentemente para a lista de espécies ameaçadas de extinção por conta dos efeitos do aquecimento global em seu habitat natural que é o Pólo Norte. Mas mesmo com a Suprema Corte americana batendo o martelo em abril de 2007 para exigir que o governo americano levasse em conta o aquecimento global como grave problema climático, Bush e companhia deram de ombros para o problema. E está claro que se John McCain e Sarah Palin forem eleitos na eleição deste ano, a tendência é termos mais do mesmo - leia aqui um pouco do histórico ambiental da candidata a vice na chapa republicana. Palin foi governadora do Alasca nos últimos dois anos (justamente a terra dos ursos polares) e defende com unhas e dentes a reabertura das prospeções de petróleo no Refúgio Nacional de Vida Selvagem do Ártico - além de não acreditar que o aquecimento global seja provocado pelas atividades do homem no planeta.

Eu sinceramente não sei o que é pior: os futuros chefões do país mais poderoso do planeta fazerem pouco do aquecimento global e apoiarem a destruição de um dos últimos refúgios selvagens do planeta ou a população em geral dizer que está preocupada, mas pouco ou nada faz para mudar o status quo. E pior: coloca toda a responsabilidade em cima do governo, no bom e velho estilo de tirar o corpo fora. Os EUA e a Rússia querem explorar minérios e petróleo no Ártico, o Brasil tem o pré-sal, a França vende usinas nucleares pelo mundo como grande panacéia... é, tá difícil...

Mas vamo q vamo!

A entrevista abaixo com Hermínia Maricato, professora, arquiteta e ex-secretária de Habitação da prefeitura de São Paulo (gestão Luiza Erundina, PT), foi feita para um jornal da grande imprensa mas acabou engavetada. Como quem tem amigo não morre pagão, caiu nas minhas mãos e faço questão de publicar. Só não entendi porque o material não foi aproveitado no site do jornalão...

Maricato vai direto ao ponto: a gente dá muita atenção para soluções cosméticas, como a Lei Cidade Limpa, enquanto coisas muito mais importantes ficam em segundo plano.

A professora lembra que, enquanto brincamos de limpar as fachadas da cidade (o que na prática é totalmente falso...), mal conseguimos nos locomover, respiramos ar poluído, bebemos água podre e ignoramos a situação de 1 milhão de pessoas que moram em favelas construídas em áreas de proteção ambiental simplesmente por não terem onde morar na cidade. Priorizar a retirada de anúncios das fachadas no meio de tudo isso é "ridículo", diz Maricato.

Como é ridícula também a falta de coragem dos políticos de tomar medidas duras para resolver alguns desses problemas. Veja o Kassab, por exemplo: ensaiou o envio de um projeto de lei à Câmara Municipal de SP instituindo o pedágio urbano na cidade, como parte da Política Municipal de Combate às Mudanças Climáticas, mas já desistiu - em ano de eleição, provavelmente ficou com medo de perder votos dos milhões de motoristas paulistanos. Faz tempo que acho que a medida é uma das melhores medidas para diminuir o tráfego de automóveis particulares pela cidade - juntamente com o rodízio ora em voga. Em Londres rola desde 2003.

Mas enfim, vamos à entrevista:

A professora e arquiteta e ex-secretária da habitação da prefeitura de São Paulo na gestão Luiza Erundina (PT), Hermínia Maricato fala nessa entrevista sobre a Lei Cidade Limpa de São Paulo. Segundo ela, é ridículo a cidade colocar essa limpeza como prioridade enquanto outras limpezas, como a do ar e da água, e outras necessidades, como a mobilidade, ficam em segundo plano.

No começo deste ano Hermínia lançou o livro "Brasil, Cidades: Alternativas para a Crise Urbana", publicado pela Editora Vozes. Ela é professora da Faculdade de Arquitetrua e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP).

Como a sra. avalia a Lei Cidade Limpa?
A questão vista isoladamente evidentemente é muito virtuosa. A lei se propõe a fazer uma despoluição visual na cidade, na paisagem urbana. E é interessante. Claro que, até mesmo olhando isoladamente, nós não deveríamos nos ater apenas aos anúncios, mas a toda instalação elétrica, que é ultra poluidora, à quantidade de fios, postes, o próprio calçamento, enfim normatizar um pouco muros, cercas, calçadas. O problema é quando, no contexto da cidade, essa lei ganha prioridade. É simplesmente ridículo.

Por que ridículo?
Porque você tem metade da cidade na ilegalidade. Então ele é um programa por excelência que segue uma orientação na gestão urbana no Brasil, que dialoga com a cidade legal, com a cidade da elite, com a cidade formal. Quando você tem metade da cidade na ilegalidade, acho que é preciso discutir como vai se aplicar a lei. Como você vai aplicar a lei só nas fachadas e numa parte da cidade? E se tenho 10% da população morando em favelas, por exemplo.

Mas aí questão não se torna mais difícil, mais complexa?
Claro que é uma tarefa complexa. Não é uma tarefa para uma gestão. Mas quando nós vamos ter uma lei efetiva em cidades como as nossas? Porque torná-la efetiva apenas nas fachadas, apenas em relação aos anúncios? Eu diria que é um governo de fachada, uma sociedade de fachada. Não que a gente não deva se preocupar com as fachadas. As fachadas são importantes em várias cidades do mundo e também no Brasil. Se você for para São Luiz do Paraitinga, existe uma recuperação que aumenta a auto-estima dos moradores, não só recuperação de fachada. A recuperação de fachada na França é matéria constitucional.

As fachadas são importantes mas há outras questões mais importantes?
Não quero dizer que isso não é importante, que não é objeto de uma política pública. Mas é ridículo quando isso é a prioridade. Principalmente em uma cidade onde os mananciais estão ocupados por uma população gigantesca, mais de 1 milhão de pessoas, morando em áreas de proteção ambiental simplesmente porque não conseguem morar na cidade. E a prefeitura está tendo uma atitude muito ruim com esses moradores porque ela está derrubando as casas e acusando-os de crime ambiental. Crime ambiental é da sociedade, que não provisionou essa população de moradia, que não tinha onde morar e acabou indo para os mananciais. Crime ambiental todas as gestões fizeram na hora que permitiram que essa população se instalasse ali. E ali o poder de polícia sobre o uso do solo é de diversas entidades dos governos federal, estadual e municipal. Então, quem cometeu o crime ambiental não é o sujeito, coitado, que está morando lá, em condições muito ruins, por sinal. A discussão, então, é um programa evidentemente classista. É uma visão da cidade de que a prioridade é cuidar das fachadas.

Nessa visão que a sra. critica a beleza, a limpeza, fala mais alto?
Não é propriamente beleza. Se você pega o exemplo do Time Square de Nova York, do qual todo mundo fala, é uma poluição bárbara. Agora, é um padrão. Um padrão que seria impossível em São Paulo com essa tolerância zero aí. Precisa ficar muito claro isso: essa lei não está sendo aplicada na cidade toda. Até porque se eu considerar uma parte da cidade, não são os anúncios que estão ilegais, são as ruas, as casas, tudo... É tudo! Se não encara essa fratura urbana, vai encarar o quê? A limpeza das fachadas? Mesmo considerando que ela é necessária. Não estou de forma alguma dizendo que ela não é importante, não é necessária. O que estou dizendo é que é um absurdo ela se tornar a prioridade e você não discutir as questões de fundo. Aliás, em uma cidade onde não se consegue nem respirar e onde a questão dos automóveis não está sendo enfrentada. E ela, sem dúvida, é uma prioridade.

Na visão da sra. a prioidade de São Paulo é outra?
Sim, a questão da mobilidade na cidade. A mobilidade por meio do automóvel é predominante. E isso novamente não é tarefa de uma gestão. Mas se essa sociedade e esses governos não encararam o problema da matriz baseada na circulação automobilística, essa cidade está absolutamente condenada. Aliás, moro aqui e está cada vez mais insuportável. Como você estabelece prioridades?

A cidade é limpa nas fachadas mas não cuida da limpeza do ar que respira?
Do ar que você respira! Da água que a gente bebe! Dos mananciais que estão ocupados por mais de 1 milhão de pessoas! É incrível essa nossa capacidade de botar a cabeça em um buraco que nem um avestruz e ignorar os problemas centrais. Incrível! E todo mundo bate palma! 'Tá bom, mas pelo menos...' Não tem pelo menos! Tem coisas que são prioritárias. São delas que nós temos que cuidar como prioridade. As fachadas nós vamos cuidar com a importância que elas têm.

A sra. acredita que o prefeito pode usar esse projeto Cidade Limpa como candidato à reeleição?
Ele usa muito. Foi um programa que fez um sucesso. E, diga-se de passagem, várias gestões tentaram aplicar a lei de anúncios e não conseguiram. Acho a lei exagerada. Não é necessário uma intolerância tão grande para que a paisagem urbana fique despoluída. Estou na rua e vejo, na mesma esquina, um poste de iluminação, um postinho que dá suporte às placas com os nomes das ruas, um outro postinho que sustenta a placa do trânsito, tudo isso na mesma esquina. E cheio de fios. Quer dizer, então está bom, vamos tentar começar um processo de despoluição não só dos anúncios. Realmente, é uma coisa de factóide mesmo e marketing. A despoluição é necessária, mas nem ela foi levada muito a sério.

Mas esse 'factóide', essa peça de 'marketing', como a sra. classifica, tem virtudes?
Não há dúvida de que há uma virtude no foco da coisa. Mas nós temos que abrir esse foco e falar: 'bom, em que nós temos que jogar nossa energia?' Diria que a questão da mobilidade em São Paulo é a número 1. Já tem técnico hoje fazendo cálculo do prejuízo para toda a sociedade. O fato é que esse prejuízo é distribuído. São as horas paradas das pessoas, profissionais, nos transportes. O preço de todo o suporte de ruas, de recapeamento, de sinalização de trânsito e, principalmente, como alguns professores da USP, meus colegas, estão apontando, o problema do custo na saúde. Nos dias piores os hospitais se enchem, principalmente de crianças e pessoas da terceira idade, porque o ar está irrespirável na cidade. Tenho um jardim com horta em casa e é impressionante. Você pega uma folha de couve, ela está coberta, negra. Se eu não regar, cuidar, aquilo vira uma casca em cima da planta. E é isso que vai para os nossos pulmões. E ainda tem os acidentes, que diminuíram mas ainda continuam muito altos... Os custos com combustíveis... Que contribuição estamos dando para o planeta? O que é mais importante? Alguém pode falar: 'mas ele está fazendo outra coisa, fez isso pelas fachadas'. Então, a lei dos anúncio adquiriu principalidade.

Demorou mas Rex Weyler enfim atualizou sua série sobre as origens do ativismo, ambientalismo e do Greenpeace, publicando dois novos textos no site do grupo. E que textos!!

Estamos no limiar de grandes mudanças de paradigmas de desenvolvimento e sociais, e o que Rex faz com propriedade é nos alertar para estarmos preparados. Ou nos mexemos agora, priorizando a sustentabilidade, o consumo responsável e o respeito ao meio ambiente, ou vai ser um baita barata-voa no meio do caos.

O primeiro texto, O Fim do Preço (aqui a íntegra, em inglês), começa assim, numa tradução livre minha:

Nos anos 80, pescadores capturaram a última beluga no Mar de Azov, fonte do valioso caviar, e o peixe selvagem do Mar Cáspio fracassou em se reproduzir. A captura desse tipo de peixe despencou em 95% e o custo do caviar disparou. Tal crescimento extraordinário no preço é conhecido como 'hiperinflação', ou como o economista Eric Sprott diz, "a síndrome do caviar".

Isso pode soar trivial, mas a hiperinflação se torna crítica quando se trata de commodities como óleo, gás, cobre, zinco, água ou madeira, todas elas cada vez mais raras em escala global. A civilização industrial já prospectou o melhor e mais acessível desses recursos. Belugas podem se recuperar se deixarmos elas em paz, mas cobre e óleo não se reproduzem.

Conforme a humanidade vasculha as regiões mais inóspitas do planeta por recursos, entramos em um novo período histório em que algumas commodities vitais não mais terão seu tradicional preço de mercado ligado à demanda, mas sim ao custo do acesso a elas.


Vale ressaltar um outro trecho do primeiro texto:
Os custos ambientais e sociais de se fazer negócios nunca aparecem nos orçamentos operacionais de empresas bilionárias. Dinheiro público e lagos tóxicos não aparecem nos balanços financeiros. Por que? Porque não seria rentável. Investimentos do setor público e da natureza não ganham opções de ações, apesar dos magos do mercado livre precisem desses investimentos para evitar o choque contra a parede. A estratégia do mercado livre para evitar o muro é: socializar os custos, privatizar os lucros.

E para garantir os recursos necessários para a vida perdulária que vivemos hoje, os países estão dispostos a partir pra porrada. Ou, segundo as palavras de Zhng Wenmu, pesquisador do Instituto de Relações Internacionais Contemporâneas da China, citado por Weyler, "uma grande potência é aquela que controla mais recursos e nunca houve um caso na história onde isso é obtido por meio da paz."

E conclui:

Vemos agora que nossas economias galopantes dependem de dívidas enormes, guerra, abuso, desperdício. Os rios morrem, espécies são extintas, florestas desaparecem, desertos crescem e pessoas sofrem. Esse estado das coisas sinaliza uma disfunção social em escala global. O mundo industria revela um comportamento sociopata e 'ecopata'. Cidadãos inocentes às vezes parecem traumatizados, mesmo quando fazem o seu melhor para permanecerem otimistas e aplicam soluções criativas.

Daly, Henderson, Ayers, Mark Anielski, Nicholas Stern e muitos outros economistas descreveram teorias econômicas mais acuradas que reconhece o valor natural e a autêntica qualidade de vida. O que a sociedade tem que aprender é:

A ecologia é a economia.

Tudo que usamos, toda inovação tecnológica, todo empreendimento humano ou simples prazer depende do planeta. Economistas ignoram a ecologia, para o nosso perigo. O fim do preço convencional coloca a ecologia e a natureza em perspectiva apropriada: não tem preço.


No texto mais recente, Pico do Petróleo Muda Tudo (aqui a íntegra, em inglês), Rex discorre sobre as mudanças que teremos na moderna sociedade de consumo devido aos custos cada vez mais altos dos recursos naturais e energéticos (petróleo, por exemplo) necessários para prover economias em desenvolvimento como Brasil, China e Índia.

Ou nas palavras dele:

Pico do óleo não é uma teoria, mas uma simples observação de uma ocorrência comum natural. Pico do óleo é apenas um sintoma de um crescimento populacional exponencial, com demandas exponencialmente crescentes, alcançando os limites mundiais de todos os recursos.

"O pico do óleo tem sido uma realidade há tempos para a indústria do petróleo", afirma Anita M. Burke, ex-consultora da Shell sobre Mudanças Climáticas e Sustentabilidade. Em 2007, Dr. James Schlesinger, ex-secretário americano de Defesa e Energia, afirmou: "Se você conversa com os líderes da indústria, eles admitem... estamos enfrentando um declínio dos combustíveis líquidos. A batalha terminou."

E o que vem por aí?

A era pós-pico do óleo vai requerer novos padrões de desenvolvimento humano e estratégias que se alinhem aos limites do crescimento. A humanidade não tem novos continentes para explorar ou planetas para ocupar. Nações industriais podem perfurar o Ártico e cavar em areias sujas de alcatrão, mas nada disso vai aumentar ou mesmo equiparar a abundância passada de combustível líquido barato que já consumimos. No entanto, o atual momento em que a produção de óleo chega a um teto é menos relevante do que nossa preparação para o impacto...

... Nossas economias foram construídas com óleo barato. Desenvolvimento mal planejado deixou para trás florestas arrasadas, lagos tóxicos, erosão do solo, espécies perdidas para sempre, ar poluído, rios mortos, aquíferos contaminados e desertos em expansão.

A solução? Algumas dicas:

Relocalizar: Pensar globalmente, consumir localmente. Se vai estudar finanças internacionais, talvez seja interessante fazer alguns cursos de permacultura também.

Preservar fazendas: Cidades dependem da produção de alimentos e por isso é uma boa idéia ter fazendas por perto. Canberra, capital australiana é assim: fazendas ficam entre os bairros! Alguns parques também.

Mudança no padrão da comunidade: Toda distribuição da atividade pública, espaço público e áreas residênciais devem ser adaptadas para o uso de menos combustível e consumo de recursos.

Espaços urbanos verdes e produtivos: Mais áreas verdes, mais transporte público, mais ciclovias.

Viva o transporte público: Automóvel só para o essencial. Mesmo. Para muitas coisas, é melhor andar, ir de bicicleta, pegar um ônibus ou trem. Cidades inteligentes têm que ser planejadas para evitar ao máximo o deslocamento motorizado.

100% de reciclagem: A natureza recicla tudo. Nós também podemos. É possível viver num mundo sem lixo. Experiências nesse sentido já podem ser vistas no Japão e na Escócia, por exemplo.

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Estamos na reta final das eleições americanas e o mundo está atento ao que os dois candidatos têm proposto para o meio ambiente. Afinal, os EUA são o maior poluidor do planeta e passaram os oito anos da administração Bush ignorando os apelos mundiais por respostas diretas ao desafio das mudanças climáticas. Mas vendo as propostas dos dois candidatos, está claro que isso deve mudar.

O que diz Barak Obama?

Seu plano está totalmente focado no estabelecimento de metas. Quer redução de 10% nas emissões de CO2 dos veículos até 2020 e mais 1% por ano a partir daí. Todas as empresas terão que comprar permissões de CO2, para levantar recursos a serem investidos em energia limpa. Prevê a redução das emissões de CO2 do país em 80% até 2050 (que é a mesma posição dos cientistas do IPCC da ONU). As empresas terão também que usar 25% de energia renovável (solar, eólica e geotérmica, entre outras) até 2025, prevendo investimento de US$ 150 bilhões por parte do governo nos próximos 10 anos nessa área (Al Gore acha que dá pra ser mais ambicioso).

E McCain?

Evita falar em metas e muito menos em novas taxas para empresas, deixando praticamente tudo nas mãos do mercado. Em vez de impôr mudanças aos fabricantes de carros e produtores de energia, propõe redução de taxas para consumidores de carros com baixa emissão de CO2 e pretende oferecer um prêmio de US$ 300 milhõespara quem inventar a bateria de carro do futuro, que não polua. Não cita, em seu programa de governo, qualquer incentivo às energias renováveis. Mas aposta na icógnita do carvão limpo e adora nuclear: quer mais subsídios a essa indústria, propondo a construção de 45 novas usinas até 2030.

As cartas estão na mesa.

Chegamos ao fim do Ciclo de Debates Ambientais do Faça a sua parte. Em 24 dias, procuramos pensar e debater sobre as questões do meio ambiente. Uma proposta que esperamos possa ter contribuido, junto a tantas outras, para despertar a consciência sobre a necessidade de preservarmos nosso lar, esse planetinha que ainda é o único que temos nesse imenso universo.

Ao falar sobre mar, agricultura, consumo, aquecimento, educação, florestas, tecnologia, cerrado, política, biodiversidade, culpa, e tantas outras preocupações (os posts podem ser acessados na categoria "Debates Ambientais"), uma única certeza nos resta: seja com que intensidade for, o fato é que estamos destruindo a natureza. 

A proposta do Faça a sua parte é simples: é pelo somatorio das pequenas ações individuais que conseguiremos, se não anular, ao menos minimizar os impactos do homem na natureza. Daí a razão da blogagem coletiva no Dia Mundial do Meio Ambiente: quanto mais pessoas escrevendo em seus blogs, maior o número de pessoas que vão sendo tocadas pela necessidade de fazerem a sua pequena, porém importante, parte.

A equipe de colaboradores do Faça a sua parte agradece a todos pela leitura e participação nos comentários.

Mas não paramos por aqui. Continue nos visitando, lendo e comentando.

Somos uma sociedade de consumo onde ter é mais importante do que ser. Uma sociedade descartável. E que será descartada se não aprender a consumir de forma mais consciente.

Este é o sétimo princípio da Carta da Terra:

"7. Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário.
a. Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos.
b. Atuar com restrição e eficiência no uso de energia e recorrer cada vez mais aos recursos energéticos renováveis, como a energia solar e do vento.
c. Promover o desenvolvimento, a adoção e a transferência eqüitativa de tecnologias ambientais saudáveis.
d. Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços no preço de venda e habilitar os consumidores a identificar produtos que satisfaçam as mais altas normas sociais e ambientais.
e. Garantir acesso universal à assistência de saúde que fomente a saúde reprodutiva e a reprodução responsável.
f. Adotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e subsistência material num mundo finito."

E o que cada um de nós pode fazer para fomentar o consumo consciente? Comecei a pensar em uma lista de regras para o consumo consciente, e adoraria que vocês dessem as suas dicas para podermos aumentá-la.

Regra 1: perguntar-se se precisa mesmo de um determinado produto antes de comprá-lo.
Regra 2: se concluir que precisa do produto (ou quer muito comprá-lo), analisar a embalagem. Há um produto semelhante que use menos matéria-prima na embalagem? Ou cuja matéria-prima seja biodegradável? Ou reciclável?
Regra 3: depois de comprar, pôr o produto na bolsa ou na sacola de compras retornável.
Regra 4: perguntar-se sobre o impacto social da produção desse item.
Regra 5: perguntar-se sobre o impacto ambiental da produção desse item.
Regra 6: não desperdiçar. Se é de comer, incremente e reaproveite. Se quebrou, veja se tem conserto. Se não tiver, pense se você não pode viver sem um novo. E não compre um novo só porque é mais bonito se o seu antigo estiver funcionando bem.

E você? No que pensa antes de comprar algo?

Estava assistindo a este filminho muito lindo e emocionante, com trilha sonora de Fábio Júnior, cantando 'Imagine" (adoooro!!! Tudo!!!), feito por um grupo de alunos para um trabalho sobre o meio ambiente, e, ao ver as imagens das crianças com fome, lembrei-me de minha netinha e de meus filhos, que sempre tiveram alimentos saudáveis e à vontade. Pensei em quanta comida já desperdiçamos, estragada, jogada ao lixo. E chorei.

Doeu muito pensar que há tanta fome no mundo enquanto nos damos ao luxo de jogar fora alimentos que sobram, em vez de reaproveitá-los. Já disse aqui que me chamam de 'pão dura' por minhas ações 'ecoconscientes', mas, se pensarmos com o coração ('o essencial é invisível para os olhos'), veremos que não se trata de 'sovinice', mas de consciência de que a fome é uma realidade no mundo.

Fazer um delicioso risoto ou um molho incrementado para o macarrão com as sobras do frango, peixe ou mesmo da carne (para aqueles que ainda a consomem) é um ato de consciência de que os recursos naturais e os alimentos não estão disponíveis para todo o mundo. Eu mesma reaproveito tudo que é nutritivo e que, na maioria das vezes, é descartado quando se prepara um alimento. Por exemplo, os talos e as folhas de espinafre e brócolis, se bem picadinhos, podem incrementar um ensopado ou colorir um arroz branco.

Vejam o almoço ecoconsciente que preparei para minha Princesinha :

arroz branco com espinafre picadinho e proteína de soja com folhas de brócolis picadinhas

As receitinhas:

Arroz branco com espinafre
 
- Refogue alho e cebola (a gosto) em azeite
- Acrescente um copo (100 ml) de arroz branco (sem lavar) e mexa bem.
 - Pique bem fininhas, umas seis folhas de espinafre e acrescente-as ao arroz. - Coloque dois copos de água e deixe ferver
- Abaixe o fogo e tampe a panela.
- Deixe cozinhar até o arroz ficar macio.
- Sirva bem quentinho, com a proteína de soja com folhas de brócolis.

Proteína de soja com folhas de brócolis

- Ferva bem um copo (100 ml) de proteína de soja granulada para hidratá-la.
 - Escorra a água da soja em uma vasilha (ao esfriar, usei para regar minhas plantinhas)
- Refogue a proteína de soja com azeite, alho e cebola picadinhos e sal a gosto.
- Acrescente um tomate grande bem picadinho (ou molho de tomate, se preferir)
- Pique as folhas e os talos do brócolis (que iriam para o lixo) bem miudinhos e acrescente ao refogado.
- Cozinhe em fogo brando até ficar um molho bem consistente.
- Acrescente azeitonas verdes (ou pretas, se preferir).
- Sirva com o arroz branco com folhas de espinafre.

A fome é uma realidade que não podemos ignorar

Embora a Terra tenha recursos suficientes para alimentar a humanidade inteira. Estudos dizem que a Terra suportaria bem até 7,5 bilhões de pessoas. No entanto, há lugares, como a África e a Bolívia, onde as pessoas sofrem com a fome! No mundo há terras suficientes que, infelizmente, são cultivadas para fornecer alimentos aos países ricos! E os pobres, morrem de fome.

Pense nisso, e faça a sua parte! Não desperdice os alimentos: reaproveite-os!
Vídeo Yotube - daqui
Este post faz parte do ciclo Debates Ambientais do Faça a Sua Parte.


Picada de cobra se cura com veneno de cobra.

Consumo consciente e atitudes eco compatíveis são fundamentais a uma necessária nova política ambiental, mas o comportamento humano é moldado aos poucos e produz uma forte resistência às mudanças. Sem o intervento da ciência será impossível reverter a atual situação de degrado e poluição.

Como instrumento, a ciência não pode ser a vilã da devastação dos recursos naturais, nem da crescente pobreza e marginalidade de boa parte da população mundial. Um crescimento que vem acompanhado de novos e equivocados padrões de consumo e produção, o que só faz aumentar o desperdício dos recursos, além de gerar resíduos e substâncias poluentes. O problema se dá porque ciência e tecnologia não são politicamente neutras. Mas não só: a atual dinâmica de competição, com ganhadores e perdedores, só faz aumentar a crise sócio-ambiental, transferindo todas as reservas e esforços à busca do crescimento econômico.

Na situação que vivemos de desigualdade social, onde uma minoria consome a maior parte dos recursos naturais, reflete uma distribuição heterogênea de renda e de ativos produtivos e acaba restringindo as políticas de desenvolvimento dos países pobres. Esse problema não pode ser resolvido com soluções tecnológicas. É preciso ação política. E é nesse ponto que podemos fazer a diferença, debatendo, propondo - exigindo! - o fluxo de tecnologia e pressionando os regimes políticos atuais, fortemente orientados na lógica do mercado e ao crescimento a qualquer preço. É necessário que o poder político retome para si a responsabilidade do crescimento, que hoje encontra-se nas mãos de agentes externos.

A ciência terá grande participação nessa nova ordem mundial que começa a se formar, aprimorando e difundindo o correto manejo dos recursos disponíveis. Para tanto, o sistema de competição deve ser substituído por um outro, o da cooperação. De pouco tem servido as intermináveis reuniões internacionais sobre o meio ambiente. A despeito da argumentação dos donos do poder econômico, de que faltam inequívocas evidências científicas do efeito da produção sobre os problemas ambientais, o meio ambiente não pode ser excluído dos conceitos econômicos, políticos e sociais. O desenvolvimento sócio-econômico depende exclusivamente de quem controla os recursos disponíveis e não do volume desses recursos. Isso está errado.

A ciência sem política é uma ciência para poucos.

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"Um pequeno passo para o homem, mas um grande passo para a humanidade"...pois é, cresci com a conquista espacial, a chegada do Concorde, do TGV, do transplante de coração, da popularização dos eletrodomésticos e com a idéia de que a ciência e sua filha a tecnologia traziam resposta a tudo e que seu objetivo bem-estar e a felicidade. Tornei-me cientista, aprendi a experimentar e analisar e principalmente manter a mente aberta...e paradoxalmente foi daí que vieram alguns sinais de alerta sobre a concepção do mundo adotada por mim e pela minha geração.

Tudo começou quando conheci a filosofia de Gandhi e sua visão sobre a educação e sobre a tecnologia. Ele apregoava que se deveria ensinar nas escolas trabalhos manuais e artesanais de forma que todas as pessoas e comunidades se tornassem autônomas em relação à própria subsistência simplesmente com o trabalho de seus próprios braços. Na época, isto foi visto como mais uma forma de resistência ao modelo econômico do ocupante ocidental e ele nunca foi adotado na Índia. Mas isto me conduziu à reflexão : "Realmente se cada um pudesse subsistir simplesmente com seu trabalho manual em seu próprio campo, não haveria fome no mundo nem tanta desigualdade".

Mas será que o ser humano se contenta em simplesmente sobreviver? Depois de satisfazer suas necessidades básicas, ele não encontrará sempre outras mais sofisticadas que, se não estão ao alcance do trabalho de suas mãos, ele vai desenvolver "máquinas" para realizá-las?  Então negar o advento da "máquina" não seria negar o próprio intelecto humano? E não é este, fruto de seu cérebro super-desenvolvido em relação aos outros animais, que a espécie humana, que não foi dotada pela natureza de força, ou de garras, ou de pelos para se proteger do frio, conseguiu sobreviver neste planeta? E no momento que pela primeira vez ele acendeu o fogo, ou utilizou a roda, ou se sedentarizou construindo habitações para se abrigar das intempéries, ele já estava usando seu intelecto e criando ciência e tecnologia. Esta criatividade é inerente ao ser humano, não podemos simplesmente impedir o cérebro de funcionar e procurar soluções...

O problema não é a tecnologia em si, mas a utilização que é feita desta, as soluções por ela proporcionadas podem se tornar problemas em função do contexto. Muitas vezes a engenhosidade se alia à sede de dominação para causar estragos enormes, como todas essas guerras que pontuam a história. E esta ânsia de poder e de prazer levou a espécie humana a não respeitar os limites existentes em relação aos recursos do planeta e ao espaço vital das outras espécies presentes nele, nem mesmo de outros seres humanos, o que criou um desequilíbrio perigoso. E se este continua no ritmo atual, a sobrevivência do homem na Terra e o seu modelo de desenvolvimento são incompatíveis. Não por causa da ciência ou da tecnologia em si, mas do modo como são empregadas. Estará então a espécie humana condenada a desaparecer?

É aqui e agora que devemos decidir isto, para as próximas gerações será muito tarde. Acredito que a solução pode vir da ciência e da tecnologia sim. Elas só precisam incorporar em suas realizações o conceito da sustentabilidade, remediar os erros  já cometidos contra o planeta (quando ainda for possível) e ter em mente que não existe outra alternativa. É uma nova equação para a ciência e para o intelecto humano e de sua solução depende o futuro da humanidade. Estaremos à altura para resolvê-la?

É fato. O preço do barril do petróleo só cresce. Aqui na América do Norte a população já começa a sentir no bolso as consequências do alto preço dos combustíveis. Agora, todos só falam de buscas para alternativas de combustíveis, carros híbridos, etc. Os biocombustíveis fazem parte dessa discussão também.

Os biocombustíveis são combustíveis feitos de plantas ou resíduos, materiais que podem ser renováveis, ao contrário do petróleo, que é um recurso que um dia vai acabar. Biocombustíveis podem ser feitos de madeira, gases originados de excremento animal ou líquidos extraídos de plantas, como milho ou cana de açúcar, entre outros.

Teoricamente, os biocombustíveis são mais amigáveis para o meio ambiente porque sua matéria-prima é renovável. Porém o processamento do biocombustível pode ser tão poluidor como o combustível fóssil, dependendo de como é feito. Entretanto, estudos britânicos revelam que a redução de emissões dos biocombustíveis é de 50% a 60% menor que os combustíveis a base de petróleo.

A grande controvérsia é que o estímulo ao uso de biocombustíveis pode ter um impacto negativo na agricultura e no preço dos alimentos no mundo todo. Há também a questão da biodiversidade, da monocultura de grãos, da redução de habitats para animais e plantas.

A recente discussão na cúpula da ONU sobre a crise alimentar ressaltou que os biocombustíveis devem ser controlados, para não agravar a crise dos alimentos. O Brasil foi categórico ao defender que a tecnologia dos biocombustíveis não deve afetar o mercado dos alimentos no mundo. O pessoal do Talk Climate não concorda com isso. Eles acham que é uma solução muito simplista para um problema muito maior, cuja solução estaria na mudança de hábitos de cada indivíduo.

E você, o que acha dos biocombustíveis?





Não há nada mais representativo, na minha opinião, da história da humanidade do que esse trecho do livro/filme 2001: Uma Odisséia no Espaço (há, também, no clip acima, uma cena do filme Planeta dos Macacos). Historia humana que, na verdade, se resume à história da tecnologia. Muito antes da fala, e portanto muito antes da cultura (discussões sobre isso à parte, por favor), nossos ancestrais, em algum momento, aprenderam a se utilizar da natureza para transformá-la (observem a transposição que ocorre entre ciência e tecnologia, que ocorre por volta dos 5m32s do clip: o macaco olha os ossos; a cabeça volta-se de um lado para o outro, até que, num momento, decide pegar o osso e utilizá-lo. Impressionante a representatvidade da cena). Nenhum outro animal foi capaz de fazer do barro uma jarra para conter água.  Nenhum outro animal foi capaz de transformar um osso em uma nave espacial, ou, como fez o macaco, transformá-la para destruí-la..

Os faraós egípcios tinham um problema aparentemente insolúvel para resolver: tornarem-se imortais. Conservarem seus corpos e riquezas para quando retornassem. Os romanos também tinham os seus problemas e um deles era o abasteceimento de água. Os egípcios construiram pirâmides e os romanos aqüedutos (tadinho do trema, vai morrer...). Ambos, pirâmides e aqüedutos, existem e resistem até hoje. Faraós egípcios e romanos não! Apenas na história.

Mas, sejam macacos, egípcios ou romanos, em nenhuma época a espécie deparou-se com um problema tão sério: a sobrevivência daquilo que dá suporte à própria existência humana: a natureza. A tecnologia sempre resolveu o problema, desde os primórdios, daqueles que tinham poder. Junte-se qualquer adjetivo, não importa. Tecnologia sempre esteve do lado dos mais fortes.

Há uma crença de que a tecnologia resolve nossos problemas. Será? Saiam desse mundinho restrito da internet e olhem ao redor. Ao redor da vida real:

- a tecnologia médica/farmacêutica ajuda a resolver os problemas da humanidade? Não! Milhões de seres humanos morrem sem assistência médica e por falta de remédios. As patentes falam mais alto!

- a tecnologia ajudou a resolver o problema da fome? Não, bilhões de pessoas passam fome e milhões morrem diariamente por falta de alimento. E, no entanto, apregoa-se aos quatro cantos que os transgênicos vieram para salvar o mundo. As patentes falam mais alto!

- a expectativa de vida aumentou graças a tecnologia? Não! Olhem atentamente para a metade da espécie humana que não aparece nos jornais: morrem tão cedo quanto sempre morreram.

- energia renovável? Sol, ventos, nuclear, mar? Olhem para o mundo e não apenas para o próprio umbigo! Que parcela da humanidade, em pleno século XXI tem acesso a energias alternativas? Menos de 5%! É piada falar nisso. Façam as contas: quantas pessoas são beneficiadas com energia eólica, ou de qualquer outra fonte alternativa? Quanto precisaríamos para que toda a espécie humana pudesse viver de fontes renováveis? Alguém está interessado em investir nisso?

A verdade é que a tecnologia sempre foi de poucos para poucos. Poderia listar alguns milhares de exemplos em que a tecnologia só serve para resolver o problema de alguns faraós (dentre eles, nós, os que ainda podemos nos dar ao luxo de escrever/ler na internet), enquanto destrói tudo o mais. E, em meio a esse mais, o meio ambiente.

Repito: sejam macacos, egípcios ou romanos, em nenhuma época a espécie deparou-se com um problema tão sério: a sobrevivência daquilo que dá suporte à própria existência humana: a natureza.

A tecnologia não é capaz de garantir a sobrevivência de seres humanos. Será capaz de garantir a sobrevivência do meio ambiente?

Com licença, pois vou tomar meu banho com um sabonete desenvolvido com a tecnologia que destrói as florestas da Indonésia, calçar meus tênis, feitos com tecnologia que mantém milhões em regime de trabalho escravo; pegar minha garrafinha d'água, colhida e embalada com tecnologia que termina por esgotar fontes naturais... E pegar meu carro para chegar a tempo no trabalho, porque prefiro dormir mais dez minutos...

Enfim, gosto da tecnologia. Afinal, não sou daqueles que precisa acordar às quatro da manhã para pegar ônibus... E sem esquecer de, quando chegar em casa, jogar no lixo a tecnologia que minha filha deixou nas fraldas descartáveis...

Não acredito na tecnologia como salvadora do mundo. Tanto quanto ainda não vi faraó algum retornar para reclamar seu reino...
Hoje é o dia Mundial dos Oceanos, esse pedaço líquido do planeta pelo qual eu sou descaradamente apaixonada com todo o azul que uma paixão pode deixar transparecer. No ano passado, eu deixei em meu blog pessoal que os habitantes marinhos "gritassem" por ajuda. Tudo bem que meu blog representa uma nanomarola no verdadeiro mar virtual que é a internet, mas, lendo as notícias do último ano, a sensação que tive foi de ninguém escuta o desesperado pedido dos animais marinhos, seja em que formato for feito. O ambiente deles continua sendo a lata de lixo do mundo, as mudanças climáticas só vem piorando a situação da sobrevivência no mar para a maioria das espécies, e eles, animais marinhos, continuam morrendo em quantidades assustadoras

Então, para tentar ser mais eficiente, esse ano eu decidi fazer algo mais prático para comemorar o dia dos Oceanos, aproveitando a data e a deixa dos debates ambientais aqui do Faça. Vamos à idéia. 

Já há algum tempo que eu venho matutando que preciso pôr no papel uma lista prática sobre consumo de peixe. A princípio para mim apenas, para ter pregado na geladeira ou distribuir pra família. Mas, como tenho plena noção de que toda lista falha em algum ponto, principalmente por (in)adequação individual, essa idéia sempre era deixada de lado. 

Até que outro dia, conversando com o Inagaki sobre alimentos, ele me perguntou que tipo de peixe era mais adequado (ecologicamente falando) de se consumir. Eu respondi que na página do Aquário de Monterey estava a melhor lista disponível na web sobre consumo consciente de peixes e frutos do mar, inclusive com opções de acordo com a região dos EUA em que a pessoa mora, e que eu já indicara inúmeras vezes o link da lista aqui no blog. Entretanto, o Seafood Watch está em inglês, para o consumidor americano médio. Inagaki aí fez o contraponto que me levou a escrever esse post e publicá-lo na semana do Meio Ambiente: "Se não há nada em português, adaptado ao padrão de consumo brasileiro, escreva a sua própria lista. E compartilhe com as pessoas." 

Decidi então compilar aqui, sem a permissão oficial de todos os membros do Faça (portanto qualquer asneira que existir é responsabilidade minha), as minhas dicas pessoais sobre consumo de peixes e frutos do mar, baseadas em diferentes aspectos: como e quando é pescado, onde vive, se é importado, se está quase extinto ou não, se é nutricionalmente importante. Vale ressaltar que eu evito consumir peixes e frutos do mar sempre que possível porque sei da situação caótica que os mares do mundo estão e da enorme pressão que os peixes vêm sofrendo, principalmente aqueles utilizados para o "consumo humano" - que só aumenta. Também sei que peixe faz bem à saúde e que sua carne está entre as mais saudáveis fontes de proteína animal - e para certos nutrientes, nenhum vegetal suplanta em eficiência de absorção para o nosso organismo. Tenho plena consciência também de que para a maior parte das pessoas simplesmente parar de comer peixe não é uma opção prática - então querendo ser prática, acho melhor deixar algumas dicas que fazer nada e continuar saindo da peixaria com crise histérica por ver pessoas comprando cação. Na linha do "é melhor fazer algo que nada", se é que vocês me entendem. 

Então, vamos lá. 

Com vocês, o "Guia Malla para consumo ecoconsciente de peixes e frutos do mar":

1) NUNCA compre cação. NUNCA coma cação, independente de onde você more. Tubarões ou cações são peixes ameaçadíssimos de extinção no mundo inteiro e ao comê-los, você incentiva o tenebroso comércio de barbatanas pra China. Além do mais, tubarão/cação, como animal do topo da cadeia ecológica, é um dos peixes que mais acumula mercúrio na sua carne, o que é péssimo para a saúde humana. Tubarão não é saudável. 
2) Abuse das tilápias no seu cardápio. Tilápias são mais sustentáveis e fáceis de serem criadas para consumo, e geram menos problemas para o ambiente. Como tilápia é uma "marca" de peixe que as pessoas acham "inferior" por sua carne ter naturalmente um gosto de terra, criaram o "St. Peter", que nada mais é que uma variedade de tilápia melhorada criada em cativeiro com carne mais branca e alimentada com ração, o que não deixa que a carne fique com o gosto da terra. 
3) Evite bacalhau sempre que possível. O bacalhau consumido no país é todo importado de longe. Além disso, seus estoques nos locais onde pode ser encontrado estão à míngua. O preço do bacalhau é assustadoramente caro, e isso é um indicativo da sua raridade cada vez maior - o bacalhau já está extinto em diversas áreas. 
4) Só compre lagostas entre maio e dezembro. De janeiro a abril é a época de reprodução desses animais, e se alguém está vendendo lagosta recém-pescada nesse período, está burlando a lei, que proíbe em todo o território brasileiro a pesca da lagosta no período reprodutivo. 
5) Evite camarões e consuma-os apenas no período não-reprodutivo. No geral, a pesca do camarão ainda é feita com arrasto, atividade destruidora que joga fora muitos quilos de peixe não-consumível para cada pratinho de camarão coletado. Portanto, é um "desserviço" ao ambiente. Sendo o maior exportador de camarão o nordeste brasileiro, consumi-los por lá é ecologicamente mais adequado que em outras regiões do país. E, apesar de todos os pesares ecológicos, camarão é cultivável, o que facilita seu consumo (o desgaste ecológico da região onde são feitos esses tanques é outro papo mais complicado...) No mar selvagem, há diferentes espécies de camarão que são pescados para consumo e cada uma delas possui um período reprodutivo específico nas diferentes regiões do país. Nesse período a sua pesca é proibida pelo IBAMA. Para o camarão-rosa no extremo nordeste, o período reprodutivo é de março a maio, enquanto na Bahia e Espírito Santo é de setembro a novembro. Os pescadores que dependem dessa atividade para viver são autorizados pelo governo a pedir seguro-desemprego no período reprodutivo, que cobre as perdas por não pescar. Já o camarão-sete-barbas se reproduz entre novembro e meados de dezembro no sudeste do país, sendo essa portanto a época para se evitá-lo. Não achei na internet uma lista clara do período reprodutivo de cada espécie consumida, portanto se alguém souber de tal informação, fico deveras agradecida. 
6) Evite salmão cultivado. E se possível, evite salmão em geral, já que ele já se extinguiu em muitas áreas do mundo. Sendo o salmão um peixe de águas gélidas, o salmão selvagem que se consome no Brasil é em sua maioria importado do Chile, o que requer transporte refrigerado em longas distâncias, o que aumenta a emissão de CO2 via queima de combustível fóssil, etc. O preço reflete a dificuldade logística da sua pesca, e por isso, as fazendas de salmão parecem tentadoras. Mas não se engane: o dano que uma fazenda de salmão causa ao ambiente é insano
7) Consuma preferencialmente os peixes e frutos do mar da sua região. Se você mora perto de rio, consuma peixes de água doce. Se mora perto do mar, consuma peixes de água salgada, de preferência comuns no seu litoral e pescados de forma artesanal, por pescadores de comunidades não envolvidos com pesca em escala industrial. Procure essa informação no órgão do governo estadual ou municipal da sua área que lida com questões de pesca, e vá à peixaria munido da lista adequada de peixes e frutos do mar da sua região. 
8) Verifique a espécie de atum ao comprá-lo. Nem todas as espécies de atum estão igualmente ameaçadas de extinção. Infelizmente, o atum azul (blue fin tuna, em inglês), espécie migratória presente apenas em alto-mar e preferido pelos grandes chefs de sushi do mundo, é uma das mais ameaçadas, exatamente pelo alto consumo de sushi no Japão. O Brasil, entretanto, parece ter atum em abundância suficiente para garantir o mercado interno - embora a reportagem linkada não diga que espécies exatamente. E eu, na dúvida da procedência real, prefiro evitar atum. 
9) Preste atenção especial aos congelados. Principalmente animais sazonais, que congelados se tornam difíceis de identificar sua data de pesca - ou seja, em tese, você não sabe se o fulano da indústria pescou aquele camarão no período reprodutivo ou não. Dê preferência ao produto fresco e congele em casa, para consumo posterior. Assim você pelo menos sabe de quando o peixe realmente é.
Mas o guia carece da interatividade. Porque é baseado nas minhas visitas a peixarias espalhadas pelo Brasil (nem que seja só pra fotografar...) Como eu tenho certeza absoluta que deixei alguma informação valiosa de fora, gostaria de ouvir as dicas de vocês, principalmente de outras partes do país, sobre consumo de peixe e frutos do mar. À medida que dicas relevantes forem surgindo, vou fazendo updates no post. Combinado? 

Amanhã é o Dia Internacional dos Oceanos. Quase três quartos do nosso planeta são cobertos por essa linda imensidão azul. Portanto, não é de surpreender que os oceanos tenham grande importância para o equilíbrio ambiental na Terra. Entre tantas outras coisas, os mares regulam o clima e a temperatura, além de serem uma fonte de alimentos. Cerca de metade da população mundial vive às margens dos oceanos, a menos de 100 km do litoral. Infelizmente, isso significa mais poluição e destruição do habitat marinho.

Bem, vocês já ouviram isto antes: só porque a gente não vê, não quer dizer que o lixo que jogamos "fora" sumiu. Onde vai parar esse lixo?

Boa parte vai parar no mar. O Aquário de Aparecida distribui aos seus visitantes um folder falando sobre alguns tipos de lixo e o tempo que levam para se decompor no mar.

O plástico, pra variar, é o grande vilão. Os cientistas apelidaram de "sopa de plástico" uma região que vai do Havaí ao Japão. Essa área tem duas vezes o tamanho da porção continental dos Estados Unidos. Estima-se que haja três quilos de plástico para cada quilo de plâncton. O plástico constitui cerca de 90% do lixo encontrado nos oceanos, causando a morte de mais de um milhão de aves marinhas e mais de cem mil mamíferos marinhos por ano. Esses animais ingerem os resíduos pensando tratar-se de comida.

Além de ter tomado o mar - segundo o Programa Ambiental das Nações Unidas, estima-se que cada metro quadrado do oceano contenha cerca de 46 mil pedaços de plástico - o material ainda pode funcionar como uma esponja química. Portanto, mesmo que estejam ingerindo "apenas" pequenos pedaços de plástico, os animais marinhos ingerem, junto, produtos químicos tóxicos, como hidrocarbonetos e pesticidas.

E, antes que você pense que o problema é só dos animais, esqueça: eles fazem parte da cadeia alimentar humana, e esses produtos químicos tóxicos vão parar em nossas mesas.

Dê uma olhadinha aqui. Uma foto pode falar mais do que mil palavras. Vai uma sacolinha plástica aí?



"A gente quer ter voz ativa
no nosso destino mandar"
(Chico Buarque)

Muito se fala sobre comemorar datas. Qual a diferença entre uma data específica e todos os demais dias do ano, principalmente no que diz respeito aos cuidados com o meio ambiente? Uma, e muito importante: é nesse dia que fazemos com mais intensidade algo que nos demais dias nem sempre fazemos, envolvidos que estamos no "tocar" a vida: refletir. Concentramos esforços de reflexão.

E é esse, também, o sentido de uma blogagem coletiva: concentrar as reflexões espalhadas por ai. Formar "massa crítica" sobre um tema. Por essa razão, convidamos a todos a que participem desse esforço de reflexão sobre o meio ambiente.

A gente quer ter voz ativa e voz ativa só teremos com informação e conhecimento. Só mandaremos no destino do meio ambiente quando esse conhecimento "concentrado" virar ação também concentrada, conjunta, compartilhada.

Participe da blogagem coletiva do Faça a sua parte. Deixe nos comentários o link para o seu post. Faremos uma lista de todos.

Faça a sua parte. PARTICIPE!

A equipe do Faça agradece.

Estão participando:

Denise Rangel - Todo dia  é dia do Meio Ambiente
Georgia - Meio Ambiente
Lucia Malla - O valor do ambiente
Planeta Sustentável - Dia Mundial do Meio Ambiente
Julio Moraes - Envolva-se
Felipe (Projeto Jogo Limpo) - Preserve o meio ambiente urbano
Marisa Lopes - Dia do Meio Ambiente


"A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, está viva com uma comunidade de vida única. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. A capacidade de recuperação da comunidade da vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todas as pessoas. A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado." (Carta da Terra)

Fazemos parte de algo grande, complexo e belo. Mas hoje, parece que, para o homem, a natureza é uma propriedade-um objeto que pertence a ele, a um semelhante ou ao governo. Hoje, a natureza é dinheiro. O homem se pergunta: o que posso tirar dela para produzir algo que me dê retorno financeiro?

Já sabemos que todas as nossas ações têm impacto sobre o meio ambiente. E precisamos acordar para o fato de que necessitamos da natureza para sobreviver. Temos que aprender a não só querer receber, mas também a dar. A relação precisa ser de troca, não de dominância, nem de antagonismo. Não tem que ser "homem x natureza". Pode ser "homem e natureza".

Porque nos esquecemos, com uma naturalidade assustadora, de que somos parte da natureza, não seus senhores. Precisamos nos unir à natureza e procurar entendê-la para que nossa sobrevivência seja possível. Precisamos parar de achar que somos o centro do universo e que fauna e flora foram feitos para nos servir. Compreender a natureza e vê-la em toda a sua grandeza para torná-la nossa aliada. Porque, se não descobrirmos como ser aliados da natureza, o caminho da raça humana pode ser a extinção precoce.

Temos que mudar a nossa perspectiva, aprender a olhar a vida de outra forma. Tarefa difícil, mas não impossível. E como vamos chegar lá?

Lester Brown e Hugo Penteado, por exemplo, acreditam que é preciso mudar o paradigma econômico em que nossas vidas se baseiam. A economia tradicional vê os recursos como ilimitados, mas já estamos cansados de saber que nossos recursos são limitados. Se forem usados sem que sejam repostos, logo acabarão. Esse novo paradigma, onde natureza e pessoas são importantes, exige uma reestruturação do pensamento econômico e cultural. Trabalho difícil, considerando o quão arraigados estão os conceitos de exploração à exaustão em prol do crescimento econômico e de consumo desenfreado, já que hoje vemos os bens como facilmente descartáveis.

Como podemos viver em harmonia e equilíbrio com a natureza? Como podemos fazer a nossa parte?

Segundo a Declaração sobre o Meio Ambiente Humano (Conferência de Estocolmo, 1972, já citada ontem pelo Afonso): "O homem é ao mesmo tempo criatura e criador do meio ambiente, que lhe dá sustento físico e lhe oferece a oportunidade de desenvolver-se intelectual, moral, social e espiritualmente."

Se melhoramos o meio ambiente que nos cerca, melhoramos nossa qualidade de vida. Se o que acontece em nosso entorno nos afeta, alguém ainda tem dúvidas de que fazemos parte da natureza?

Finalizo com mais um trecho da Carta da Terra:

"A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros, ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida."

Qual a sua escolha?

A humanidade parece ter memória curta e adora gastar tempo criando convenções para serem esquecidas e não seguidas. Os exemplos são inúmeros. Uma das convenções mais esquecidas, talvez por ter sido a primeira grande convenção a tratar globalmente sobre as questões do meio ambiente,em especial do "meio ambiente humano", foi a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, ocorrida em Estocolmo, 1972.Trinta e seis anos após (e, pensando bem, já é muito tempo para um mundo que vive tão rápido quanto o nosso) e garanto que poucos se recordam da Declaração assinada pelos países.

Recordo, aqui, a Proclamação 6:

"6. Chegamos a um momento da história em que devemos orientar nossos atos em todo o mundo com particular atenção às consequências que podem ter para o meio ambiente. Por ignorância ou indiferença, podemos causar danos imensos e irreparáveis ao meio ambiente da terra do qual dependem nossa vida e nosso bem-estar. Ao contrário, com um conhecimento mais profundo e uma ação mais prudente, podemos conseguir para nós mesmos e para nossa posteridade, condições melhores de vida, em um meio ambiente mais de acordo com as necessidades e aspirações do homem. As perspectivas de elevar a qualidade do meio ambiente e de criar uma vida satisfatória são grandes. É preciso entusiasmo, mas, por outro lado, serenidade de ânimo, trabalho duro e sistemático. Para chegar à plenitude de sua liberdade dentro da natureza, e, em harmonia com ela, o homem deve aplicar seus conhecimentos para criar um meio ambiente melhor. A defesa e o melhoramento do meio ambiente humano para as gerações presentes e futuras se converteu na meta imperiosa da humanidade, que se deve perseguir, ao mesmo tempo em que se mantém as metas fundamentais já estabelecidas, da paz e do desenvolvimento econômico e social em todo o mundo, e em conformidade com elas." (negrito meu).


Um conceito relativamente novo e muito interessante: antroma.

Segundo a Enciclopédia da Terra (The Encyclopedia of Earth), no artigo "Anthropogenic biomes", de Erle Ellis e Navin Ramankutty:

"The biosphere has long been described using global ecosystem units called biomes, which are vegetation types like tropical rainforests and grasslands that are identified in relation to global patterns of climate.  Now that humans have fundamentally altered global patterns of ecosystem form, process, and biodiversity, it is time to remap the terrestrial biosphere to include ecological patterns produced by humans.  Anthropogenic biomes, also known as "anthromes" or "human biomes", describe the terrestrial biosphere in its contemporary, human-altered form using global ecosystem units defined by global patterns of sustained direct human interaction with ecosystems, offering a new way forward for ecological research and education."

"A biosfera vem há muito tempo sendo descrita por meio de unidades globais do ecossistema , denominadas biomas, que correspondem a tipos de vegetação, como no caso das florestas tropicais e pastagens , identificados em correlação ao modelo global de clima. Agora que os humanos fundalmentamente alteraram o modelo, o processo e a biodiversidade dos modelos globais, é hora de remapear a biosfera terrestre para que sejam incluidos os modelos ecologicos produzidos pelos humanos. Biomas antropogênicos tambem conhecidos como " antromas" ou " biomas humanos" descrevem a biosfera terrestre na sua forma contemporânea conforme alteradas pelos humanos, usando-se unidades globais do ecossistema definidos pelos padrões globais de interação humana direta com os os ecossistemas, disponibilizando- se uma nova forma para a pesquisa e a educação ecologicas"(1)

no site "Laboratory for Anthropogenic Landscape Ecology", na aba "Projects" há mais sobre antromas, incluindo um mapa muito interessante mostrando os biomas antropogênicos no mundo.


(1) Em tradução de Serrano Neves, que li no GEAI (Grupo de Educação Ambiental da Internet, vinculada ao PROJETO APOEMA - EDUCAÇÃO AMBIENTAL)
Pois é,

Também me pergunto a razão de um tema desses fazer parte de um ciclo de debates sobre questões de meio ambiente. Vivemos sob a égide da culpa e sempre procuramos por ela, seja para encontrar outro responsável, que não sejamos nós, ou para encontrar a desculpa perfeita, caso sejamos nós os responsáveis.

É de todos conhecida a fama que temos de sempre culpar o governo e o legislativo, seja por deixar de fazer aquilo que julgamos que deveria ter feito, seja por fazer de forma diferente daquela que queríamos. Não importa. Si hay gobierno, soy contra!

Da forma como lidamos com a culpa depende a solução para os atuais e futuros problemas do meio ambiente. "A culpa não é minha" é uma frase que muita gente ainda diz. A falta de culpa também tem ajudado muita gente a manter um padrão de consumo inconseqüente, valorizando soluções industrializadas em detrimento daquelas mais ecológicas.

Mas será que deveríamos agir apenas para sufocar a culpa ou para compensar a sua falta?

Domingo de manhã. A chuva em São Paulo nos faz lembrar que estamos na terra da garoa. Primeiro dia da semana do meio ambiente, e estou indo participar de um dos vários eventos ambientais que um político e ambientalista como eu precisa participar.

Precisa? Por que "precisa"?

Parte de mim hoje quer ficar dormindo o dia inteiro, namorando, tomando chá e vendo televisão, olhando a chuva pela janela; parte de mim quer resolver todos os problemas ambientais, sociais, econômicos e políticos do planeta.

Duas coisas impossíveis para esse domingo de manhã.

Assim como eu entro nessa crise quase todos os dias de manhã - principalmente quando está chovendo - a humanidade também vive essa questão, numa amplitude diferente: como podemos definir qual é a nossa participação nesse contexto sócio-político-econômico-ambiental-mundial-etc?

Eu já fui professor, jardineiro, mergulhador, aventureiro, fotógrafo, guia de trilhas. Trabalhei pela conservação dos recursos naturais, pela preservação da biodiversidade, pela educação ambiental. Participei de conferências nacionais e internacionais, grupos de trabalho para definições de políticas públicas municipais estaduais e federais.

Mas o que significa tudo isso? Será que para sermos "ambientalistas" precisamos de tudo isso?

Sei que esse processo autobiográfico parece ridículo, e que o texto em primeira pessoa pode ser um pouco pessoal demais.


Mas eu realmente quero usar esse momento para confessar uma coisa: a culpa é minha.


É minha culpa querer abraçar o mundo todo e não conseguir.

É minha culpa não ter conseguido como educador transmitir o real conceito da importância ambiental para meus alunos.

É minha culpa deixar que a televisão nos entretenha tanto a ponto de nos fazer pensar que está tudo bem, que o problema não é nosso;

É minha culpa eleger políticos que não estão nem um pouco preocupados com as verdadeiras questões do meu país;

É minha culpa permitir que as pessoas dêem mais valor a seus problemas pessoais que aos problemas mundiais.

Afinal, todos temos que pagar contas, não é mesmo? Temos manter nossos empregos, pagar a escola das crianças, os livros da faculdade, tomar aquela cervejinha no final do dia - que ninguém é de ferro - e, é claro, viajar final de semana ou nas férias, para descansar um pouco da nossa vida agitada.

O tempo é curto. Não dá para fazer tudo. Minha vida é mais importante, não dá para querer resolver tudo!

Eu faço coleta seletiva em minha casa; planto árvores em um sítio de uma ONG ambiental sempre que posso; alterno ir trabalhar de carro e de bicicleta; tomo cuidado com meus gastos de água, energia e com consumo de produtos em geral, sempre atento ao que é realmente necessário.

Mas também sou humano. Quero meus prazeres; gosto de ir ao cinema (se bem que atualmente a quantidade de trabalho não tem permitido...), de roupas bonitas e ouvir música; um bom vinho, é claro, e livros, muitos livros - mesmo que não os consiga ler: sou um "livromaníaco", daqueles que sente orgasmos em bibliotecas antigas (alguém já foi na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro? É de cair o queixo...)

Ou seja: onde eu quero chegar com tudo isso?

Quero dizer que é minha responsabilidade que o mundo esteja desse jeito.  Existem diversas formas de participação,  e eu tenho que escolher a minha.  e ser eficiente em minha escolha. e acompanhar de perto os processos,  as propostas e os projetos de  resolução de problemas. 

Temos oficialmente três poderes no país: o executivo, o legislativo e o judiciário. Temos já um quarto poder informalmente estabelecido: o domínio da informação.

Mas temos um que permeia todos esses: o poder da ação pessoal.

E esse é o maior de todos, e exercê-lo só depende de mim.

(PS: E já estou atrasado: este post era para ter saído ontem...)

Vivemos num mundo que vem se aquecendo. Embora haja no passado recente momentos de esfriamento detectados pelos investigadores do clima, eles não passam de "ruído de fundo" (background noise) nos gráficos de aquecimento, cuja tendência geral é de subida. É essa realidade que devemos encarar daqui pra frente, seja com 0.5˚, 1˚, 2˚ ou 5˚ C de diferença. O mundo está em aquecimento. 

Mas quais são os impactos dessa realidade na nossa vida? 

O aumento das tragédias com ciclones, furacões e afins - como em Burma e New Orleans - é talvez o mais controverso dos impactos possíveis. Se não se pode dizer com 100% de certeza que esses furacões foram causados exclusivamente pelo aquecimento global, há indícios fortes na comunidade científica de que num mundo aquecido, a força das tempestades formadas no mar e seus ventos se tornará imprevisível e potencialmente mais destruidora. Ou seja, elas poderiam até não aumentarem em quantidade, mas aumentariam em "qualidade". 

Mas existem cerca de 30,000 fenômenos registrados desde 1970 no planeta em que o impacto do aquecimento global já foi observado e medido. Esses impactos, agudos ou crônicos, irão aos poucos delinear o futuro mundo em que viveremos. É com o angariamento desses dados que a gente melhora nosso poder de previsão do que vem pela frente. 

Um bom exemplo é o derretimento do gelo nos pólos. No ano passado, o Ártico derreteu a níveis assustadores, nunca vistos antes na história das medições. (Você pode ver um mapa interativo excelente do NYTimes sobre esse vai-e-vem do gelo no Ártico para entender melhor.) Ao ponto de já haver expulsado moradores de algumas cidades no Alaska, com medo de "afundarem" pelo derretimento da camada permanente de gelo, o permafrost.

Na Antárctica, a situação não é muito diferente. Com o derretimento, vem sendo liberado para a atmosfera também quantidades inomináveis do pesticida DDT, de décadas passadas. O derretimento já é tão previsível que o Google Earth adicionou uma camada de "derretimento" ao seu programa baseado nos números amealhados pelos cientistas. Não só o gelo dos polos derrete. Nos Alpes, no Himalaia e nos Andes, há confirmação de que é visível (até do espaço!) e acelerado o derretimento das geleiras - e com isso mais água desce cordilheira abaixo. Portanto, a continuar nesse ritmo, teremos mais gelo derretido, e consequentemente, mais água nos mares, o que acarreta a grosso modo o aumento do nível dos oceanos. 

O aumento dos mares é, aliás, outro impacto já registrado. Em média, o aumento do nível do mar desde a última glaciação há alguns milhares de anos é de 1.8mm/ano. Desde 1992, o IPCC registrou um aumento médio de 2.8mm/ano - ou seja, existe um fator a mais elevando os mares. Há ilhas na Índia que já foram evacuadas por causa da elevação do mar, e outras áreas, como ilhas do Pacífico e na costa do sudeste asiático, vêm vivenciando o problema diariamente, através de perda dessa área costeira e da inundação de locais antes "em terra". No Brasil, o aumento do nível do mar já foi registrado, mas aparentemente pouco aconteceu em termos de ameaça - pela falta de dados mais robustos, diga-se de passagem. 

Os impactos que vemos, registramos e estudamos são para as temperaturas atuais de aquecimento global já medidas - ou seja, uma média de aumento de 0.25˚C por década. Entretanto, os cientistas começam a se debruçar em busca de previsões/soluções para um mundo com diferentes graus de aquecimento em poucas décadas - uma realidade que parece não estar distante se mantivermos o atual nível absurdamente alto de emissão de CO2 na atmosfera. Com 1˚, 2˚, 3˚ e até 6˚C a mais, o que acontecerão com ecossistemas, populações, cidades? 

O artigo do link acima é uma resenha do livro do Mark Lynas "Six degrees: Our future on a hotter planet". A situação que Lynas traça grau a grau por ano de aquecimento é: 

- 1 grau: enchente das áreas costeiras baixas; água doce perdida em 1/3 das regiões; polos derretidos. 

- 2 graus: europeus morrerão em ondas de calor absurdas; mais incêndios selvagens; 1/3 da biodiversidade ameaçada de extinção; as plantas começarão a emitir CO2 ao invés de absorver, devido ao stress. 

- 3 graus: morte da Amazônia como floresta; fome na África aumenta; super-tufões e super-furacões mais comuns; CO2 será liberado do solo derretido e aumentará a velocidade do aquecimento global. 

- 4 graus: Permafrost todo derretido torna aquecimento global impossível de ser administrado; enchentes severas que tornam inabitáveis áreas costeiras; região mediterrianea abandonada. 

- 5 graus: polos sem gelo totalmente; metano é liberado dos oceanos e acelera ainda mais o aquecimento; humanos migram atrás de comida em vão. 

- 6 graus: só os fungos sobrevivem. Vida humana se torna quase impraticável. (Será que a gente se adapta?)

(O detalhe é que o autor do artigo adverte para o fato de que 5 graus é o tipping point, ou seja, o ponto teórico de não-retorno do sistema. É quando não vai dar mais para reverter situação alguma.) 

Os cenários dados por esse livro em particular são catastróficos - embora eu não os considere muito longe da realidade plausível. Mas em geral, os cenários variam de acordo com a temperatura e com o foco de pesquisa de cada um que se propõe a falar sobre o tema. Esses cenários costumam ir desde amenidades a verdadeiras catástrofes e, é claro, assumem que nada faremos para evitar o problema. Cabe ressaltar aqui que diferentes problemas têm também diferentes pontos irreversíveis. Ou seja, se para os mares um aumento de 1˚C já é suficiente para um estrago no ecossistema marinho, precisam-se 3˚C de aumento para a Amazônia se tornar uma área desértica. Se lembrarmos que a chance de evitar um aumento de 1˚C na atmosfera é ZERO, ou seja, inevitavelmente isso vai acontecer nas próximas décadas, trabalhar nesse tipo de previsão de como será o mundo aquecido é simplesmente fundamental. Não só para pesquisadores, mas também para governos, instituições, populações - enfim, para todos que habitam este planetinha azul.

É preciso acumular mais dados para dar mais robustez às decisões a serem feitas. Mas é também preciso pensar em estratégias eficientes agora, mesmo sem esses dados, que evitem a piora das condições de vida das 6 bilhões de pessoas e das incontáveis espécies animais e vegetais que sofrerão com o aquecimento global. Dada a desigualdade econômica que vivemos, é preciso pensar em estratégias que desloquem recursos de áreas mais ricas para as mais pobres, que sem dúvida sofrerão mais. Num mundo globalizado, apesar da estratificação, os impactos do aquecimento também são globalizados e a gente precisa se unir para encararmos juntos, de frente, sem fuga por negação, cada um fazendo a sua parte, esse novo estilo de vida quente

Como bem disse o pesquisador Donald Brown, da Pennsylvania University, citado num post do Dot Earth

"A natureza do risco associado às mudanças climáticas é enorme, e usar a incerteza estatística como uma desculpa para nada fazer é eticamente intolerável".
Para mim, ele disse tudo. E para você? :)

Esse texto faz parte dos "Debates Ambientais do Faça a sua parte".


Muito se fala hoje do efeito estufa. Vozes contraditórias que refletem muitas vezes o quanto a informação e a desinformação andam juntas, por culpa da influencia dos interesses. Lendo aqui e ali pode parecer que o efeito estufa seja um vilão misterioso que vai nos destruir, ou de outro lado, algo inofensivo e sem conseqüências. Pois não é nem uma coisa nem outra. O efeito estufa é um dos responsáveis pela existência da vida na terra com sua ação reguladora do calor que nos chega do sol e é natural. Existe há milênios. Mas porque se chama efeito estufa?

Porque as estufas, aquelas casas feitas de vidro feitas para se conservar plantas durante o período frio, se utilizam do mesmo processo que ocorre na atmosfera.

Na terra chegam mais ou menos 1366 watt de energia por metro quadrado proveniente do sol. Isso na parte alta da atmosfera. Toda essa energia vem na forma de ondas eletromagnéticas, na verdade um espectro constituído de ondas com praticamente todos os comprimentos de ondas possíveis. A atmosfera, feita de camadas com densidades e composições diferentes, deixa passar apenas parte da radiação, ou seja as ondas mais longas que penetram e chegam até o solo, enquanto que as ondas mais curtas são refletidas e se disperdem. Uma dessas ondas é a chamada infravermelho que transporta nada mais nada menos que calor. Pois bem, uma parte de tudo o que chega ao solo é absorvida, entre elas o calor e outra parte volta ao alto, refletida. A parte refletida no entanto já tem muito menos energia e as ondas são sempre as mais longas. Quando atingem camadas da atmosferas que tem a capacidade de refleti-las de novo, praticamente quase nada consegue atravessar essa barreira. Em outras palavras, o calor do sol atravessa a atmosfera, aquece a terra e parte desse calor quando está voltando pra cima, encontra uma camada que o retêm. Essa camada no caso da estufa é o vidro, no caso da atmosfera é a dos gases estufa. Tudo isso simplificando muito, mas é mais ou menos assim.

Se não existisse esse fenômeno a temperatura média seria tremendamente menor e o planeta seria uma enorme bola congelada. A temperatura média de todo o planeta é de mais ou menos 15 graus e sem o efeito estufa, seria de 20 graus negativos. O efeito estufa garante uma média de temperatura que permite que exista água em estado liquido e de conseqüência, garante simplesmente a vida na terra. Porém, dentro de parâmetros tao estreitos e em um equilibro tão precário que pequenas variações no sistema, comportam em enormes mudanças.

Uma dessas variações é a da quantidade dos gases estufa presentes na atmosfera. Mas quais são esses gases? Os principais são vapor de água, gás carbônico, o oxido nitroso, hidrofluorocarbonetos e o metano. Todos esses gases são presentes na atmosfera em uma determinada concentração. Medições feitas nos últimos cem anos, detectaram um aumento de presença de todos estes gases. Analogamente, a esse aumento correspondeu um aumento da temperatura média do planeta, conseqüência logica em função do processo descrito acima.

O metano é liberado por animais, aos quais nos incluímos. Se levarmos em conta que somos já quase 7 bilhões e que ainda criamos inúmeros animais que superam esse número, fica fácil avaliar, ainda que intuitivamente, o quanto aumentou a emissão desse gás nos últimos anos. Outro dos grandes responsáveis pelo aumento da temperatura é o gás carbônico.

O CO2 é presente na atmosfera em uma concentração de mais ou menos 0,03%, que varia de acordo com o período do ano em mais ou menos 5 partes por milhão. Parecem números ínfimos. Mas considere-se que o limite aceitável para um local de trabalho é de 0,05% e que com 0,4% já se corre risco para a saúde, começa-se a entender como nosso corpo e nosso planeta são sensíveis a esse gás. Considere-se também o seguinte: com 5% de gás carbônico no ar a morte é certa e que o ar que sai de nossas narinas contém 4,5% do mesmo.

Sim, nós também somos fábricas de CO2, assim como todos os animais que respiram, além de ser produzido em toda e qualquer combustão. E disso, combustão, é o que não falta em nosso mundo moderno. Quantos são os fogões, as indústrias, automóveis, queimadas, caminhões, trens, cigarros, aviões, navios e churrasqueiras emitindo CO2 nesse momento?

Teríamos uma bela esperança de resolução desse quadro, visto que as plantas são gulosas de gás carbônico e o absorvem. Mas o triste de tudo isso é que ao mesmo tempo que aumenta a produção, elimina-se sempre mais as áreas cobertas de verde, diminuindo com isso a absorção. Um movimento com mesma direção mas sentidos divergentes. Um desastre.

Segundo estudos, a concentração de Co2 na atmosfera aumentou de 35 % desde a revolução industrial e uma grande parte desse aumento é muito recente, coisa dos últimos 50 anos. Essa elevação sempre maior corresponde em igual trend de aumento, à temperatura media global.

O problema, é que isso não é uma prova cientifica. Nos estudos climáticos globais, uma das maiores dificuldades é determinar uma certeza cientifica, pela complexidade e magnitude do material de laboratório, no caso todo o planeta terra. Mas as evidências baseadas nos dados disponíveis nos aproximam tanto da certeza, que não são outra coisa além de ridículas as tentativas dos poderes fortes e dos interesses econômicos em criar com a contra-informação um pseudo movimento que questiona a origem antropica desses eventos.
O problema do aquecimento que estamos assistindo não é o aumento da temperatura em si, mas sim a velocidade com que o fenômeno está se produzindo. Mudanças climáticas sempre ocorreram e ocorrerão, porém o metabolismo planetário é ritmado aos milhões de anos, enquanto que nossa atividade produziu em menos de 200 anos, o que os sistemas teriam levado milênios para se adaptar. Dentro desse sistema, estamos também nós. Teremos que enfrentar notáveis esforços de adaptação de agora em diante. Mas temos muitos problemas adjuntivos a resolver.

Porque as medidas para se minimizar o problema são até que simples na sua essência. Teríamos que simplesmente reduzir drasticamente o crescimento da população, deixar de produzir e consumir de acordo com os padrões atuais, eliminar a pobreza e também a riqueza e a especulação, mudar todos os sistemas de produção de energia baseados em queima de hidrocarbonetos e... vamos ver... recuperar ao menos 50 por cento das florestas originais destruídas. Uf, foi bem fácil escrever a frase com as soluções. Mas ela contém um mundo em uma dimensão paralela à nossa. Um mundo utópico, impossível e mágico. Tristemente mágico pela distancia que nos separa dele.

Uma das primeiras tentativas de se limitar os danos, foi o protocolo de Kioto, onde vários países se comprometeram a reduzir suas emissões de gases estufa na atmosfera. Mas é pouco. Até porque o acordo não contou com a adesão dos EUA, um dos maiores responsáveis por emissões. Alegaram que existem estudos que poe em dúvida a atividade humana como causa do aumento desses gases e a relação deles com o aumento de temperatura. Mais tarde, como esse argumento era facilmente destrutível, mudaram registro e aí a alegação foi de que a economia americana não estaria pronta a uma transição para a baixa emissão.

Além disso, o protocolo isentou dois dos outros maiores países, as superpovoadas China e Índia, como uma moratória para que se adequassem sem comprometimento de suas economias. Nesse caso a medida causou o efeito contrário que se pretendia. Como esses países estavam, vamos dizer, liberados, muitos dos países que assinaram o protocolo transferiram para lá suas atividades produtoras de gases estufa, medida que livra a cara de quem fez pose de bonzinho e ainda por cima aumenta ainda mais o problema.

Em 2005, esses países, EUA, China, Índia e mais Coreia do Sul e Austrália, que juntos representam 40% de todo o Co2 que vai pra atmosfera, assinaram em Camberra um pacto alternativo ao protocolo de Kioto, prevendo a limitação das emissões a partir do desenvolvimento de novas tecnologias e formas de energia a impacto zero.

Como se vê, aquilo que a comunidade cientifica reputa como uma emergência, considerando que já passamos da linha de retorno, tem como respostas praticas apenas um conjunto de intenções a longo prazo e ainda assim, sem muito consenso ou boa vontade.

Nós como espécie superamos inúmeros períodos difíceis. Soubemos nos adaptar a infindáveis mudanças e cataclismos. Saberemos também reordenar nossa vida, quem sabe plantando cana na Sibéria e na Patagônia e povoando a Groenlândia. Mas o que nos move a clamar por ações mais concretas é a consciência do preço que se pagará por isso. O maior deles é o sofrimento de inteiras populações, a morte de milhões pela fome que já aumenta, pela falta de agua, pelas enchentes ou outros fenômenos e mesmo pelas guerras, que parece são inevitáveis em períodos de escassez. Sofrimento, dor e desespero que não podem fazer parte do horizonte de quem sabe o quanto nos deu a natureza e do quanto brutalmente inútil, alucinado, injusto e pernicioso é esse desprezo que alimentamos pela nossa mãe.

Aproveitando o gancho que a Luz deixou no post anterior, minha aposta também é nas crianças, e adolescente também, porque estão na fase de ir contra o sistema. Então, quando realizamos ações que visem a conscientizá-los  da importância de cuidar da natureza, a probabilidade de resultados é infinitamente mais eficiente do que se tentarmos educar os adultos (certo, Afonso?).

A conscientização sobre a necessidade de conservação e defesa do meio ambiente para presentes e futuras gerações é prevista na Lei 9.795/99, inciso VI do parágrafo 1º do art. 225 da Constituição Federal de 1988que instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental: "promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente".

É possível, de forma criativa, mudar o comportamento dos pequenos estudantes e torná-los agentes de defesa do meio ambiente ecologicamente equilibrado e saudável. Projetos que explorem fatos do cotidiano dos aluno e que possam ser desenvolvidos contínua e profundamente ao longo do ano letivo, são eficientes porque permitem que o aluno perceba como ele pode interferir crítica e responsavelmente sobre sua realidade ambiental. A aprendizagem será mais efetiva se a atividade estiver adaptada às situações da vida real da cidade, ou do meio em que vivem aluno e professor.

As imagens ao lado mostram a realização de um projeto de conscientização sobre a responsabilidade de combate à dengue. Crianças, bem pequenas, participaram da confecção de cartazes e de máscaras dos "mosquitinhos' da dengue, usando material reciclado. Foram em todas as salas de aula do colégio e deram seu recado para os colegas. Certamente seus pais estarão cientes de que fazer a coisa certa depende deles, pois as crianças são bem pequenas e não têm o poder de decidir sobre a organização da casa e da familia. Mas o recado está dado, não acham?

Certamente não vamos, sozinhos, resolver os problemas do nosso planeta, mas podemos contribuir para que as próximas gerações, as dos nossos filhos e netos, encontrem uma Terra melhor. Nos próximos 50 anos, muitos de nós terão descendentes próximos ainda vivos, pois muitas das pessoas que nasceram hoje, ainda estarão vivas. Portanto, que cada um faça a sua parte e da melhor forma possível. Pelos nossos filhos e pelos filhos de nossos filhos.

Imagens: Alunos do Ensino Fundamental -Colégio SEPLER - RJ
Referências: Educação Ambiental Urbana - uma alternatiava de ensino nos grandes centros urbanos
Ambiente Brasil - Educação Ambiental


Muitas vezes, quando pensamos em educação, pensamos no modelo formal, aquele tradicional, do professor, sala de aula, alunos sentados. Fico feliz que o termo educação ambiental remete a contato com a natureza, sensibilização, e coisas do gênero.

Mas será que esse é o caminho, me pergunto. É um dos, mas atualmente acredito mais na sensibilização das pessoas para os hábitos cotidianos urbanos, como eles interferem na questão climática de forma incisiva. Claro que a pegada de carbono está relacionada com o nível de consumo do indivíduo, além de outros aspectos, como locomoção, moradia, e por aí vai.

Bem, vale lembrar que o Relatório Brundtland (Nosso Futuro Comum), completou a maioridade em abril. E 21 anos depois ainda estamos discutindo como incorporar os princípios em políticas públicas e diretrizes ambientais, como Agenda 21.

Aqui em Santos (Litoral de SP), uma zona costeira com nível de adensamento urbano altíssimo, pouco se discute esse processo violento de urbanização, os impactos reais que os empreendimentos imobiliários de alto padrão estão trazendo para a região.

Então, já que não dá pra evitar que novos prédios sejam erguidos, dá pra elaborar programas de educação ambiental que provoquem os cidadãos, para que percebam o quanto contribuem para o agravamento do aquecimento global com seu modus vivendi, consumo e descarte de resíduos, transporte, e escolhas não-sustentáveis.

A essa altura do campeonato, minha aposta é nos pequenos, adolescente também, porque estão na fase de ir contra o sistema. Contra tudo, diga-se de passagem. Mas nem só de rebeldia viva a juventude. Tem um pessoal aqui no Litoral Sul, em Itanhaém, que tem um trabalho de educação ambiental muito bacana, o Ecosurfi. O João Malavolta, que faz parte da trupe e se intitula ecobservador, é jovem engajado e talentoso que conheci nas agendas 21 da vida. Malavolta fez do surfe sua paixão e, a partir dele, mobiliza a população para as questões ambientais.

"Sendo Homens do mar, os surfistas devem compactuar na incessante busca da preservação das praias, mares e oceanos ao redor do nosso Planeta". Esse é o norte do Ecosurfi, realizando várias ações de limpeza das praias, chamando a atenção para os impactos dos resíduos deixados nas praias. Com a missão de contribuir para o enraizamento de uma Educação Ambiental crítica emancipatória e participativa sob a perspectiva transversal na sociedade brasileira, a galera do Ecosurfi vai dando seu recado de forma direta e envolvente, falando de igual pra igual.

Que tal repensarmos os modelos de educação ambiental e começarmos a falar de igual pra igual com os diversos públicos? Afinal, se o objetivo é formar (ou transformar), é preciso falar direto ao coração. Aloha!



Engana-se quem pensa que estamos longe da Idade Média.

Faço uma conta simples, baseada numa observação de dois meses: 90% do meu lixo é não-orgânico. Isso mesmo, de cada dez sacolas plásticas jogadas no lixo, apenas um contém lixo orgânico.

Faço outra contra simples: a cada dois dias (período do caminhão do lixo) entrego de três a quatro sacolas contendo lixo não-orgânico e uma, não totalmente cheia, de lixo orgânico. Traduzindo em termos mensais, coloco na natureza algo em torno de 60 sacolas plásticas (leve-se em consideração que são utilizadas duas sacolas, de cada vez, para acondicionamento do lixo orgânico, pois as sacolas ou estão furadas ou não suportam o peso).

Faço mais outra conta simples: o mesmo conteúdo de lixo pode ser acondicionado, a cada dois dias, em um saco de 30 litros, para o não-orgânico, e em um de 15 litros, para o orgânico. Meu despejo mensal de plástico na natureza reduz-se, então, para exatamente a metade, com a vantagem que os sacos são biodegradáveis (conforme anuncia a marca que compro). Ora, um pacote de sacos de 30 litros custa algo em torno de R$15,00 e o de 15 litros, R$ 12,00. Cada pacote contém 20 unidades. Simples. Os sacos custam R $0,75 e R$ 0,60. Logo, meu gasto mensal, com sacos plásticos, é de R$ 24,00.

A última conta, essa não tão simples: sou um tipo "classe média"; família de consumo médio; trabalho e almoço fora todos os dias da semana. Tomo um refrigerante no almoço. Todos os dias. A R$ 2,00 cada um. Fizeram as contas? Pois é, R$ 44,00 por mês só de refrigerante.

E alguém aí ainda tem coragem de dizer que sacos de plástico são caros e que por isso vai continuar usando as sacolas de supermercado?

Quem tem coragem, cara pálida? Quem não se importa em pagar mais caro para carregar o nome de um qualquer, na roupa, na boca, ou na bolsa, só porque é "moda"?

Quem vive de superficialidades e depois se esconde atrás do "preço" de um saco de plástico? Tenham ao menos vergonha na cara de assumir e de dizer: não faço porque estou me lixando pro resto do mundo. Mas não venham dizer que vinte e quatro reais são a causa da hipocrisia.

A quem devemos educar?

Uma pequena história real para ilustrar:

Local: escola da minha filha. Uma creche, como se dizia antigamente.

Protagonistas: auxiliar de cozinha, recentemente contratada, e uma mãe, profissional liberal.

Mote 1: a escola adotou um programa de educação ambiental que inclui a participação ativa dos funcionários.

Mote 2: a escola desenvolveu um projeto de criar sacolas ecológicas a partir de jeans doados pelos pais, com motivos desenvolvidos pelas crianças.

Cena 1: Diretora conversa com a mãe.

Diretora: Fulana, não vais trazer uns jeans para fazer as tuas sacolas?
Mãe: Nem me vem com essa história de sacolas de pano. Uso há muito tempo as do super e me servem muito bem. Além do mais, como vou fazer com o lixo? Elas são de graça e os sacos custam caro. [e termina a conversa com uma frase lapidar] Essa história de aquecimento, de cuidar do meio ambiente é tudo bobagem [repito: a história é verdadeira e trata-se de uma pessoa de "nível superior"].

A quem devemos educar?

Cena 2: Diretora conversa com a auxiliar de cozinha.

Diretora: Fulana, aqui na escola temos um programa de educação ambiental, no qual todos os funcionários participam. Queria saber o que pensas sobre os problemas do meio ambiente...
Auxiliar: Olha, Dona ..., eu não sei muita coisa. Escuto muito o pessoal falar disso por aqui, umas coisas meio complicadas, mas o que eu acho é que é tudo a mesma coisa, gente, bichos, plantas e que se a gente não cuidar, vai fazer mal pra gente também...

A quem devemos educar?

As crianças, felizmente - e a par de algumas terem mães como essa "de nível superior" - estão sendo formadas pelas escolas numa nova visão de mundo. Mesmo com todas as dificuldades que as escolas enfrentam, no que diz respeito a pedagogia da educação ambiental (e em muitos casos o próprio desconhecimento de como fazer educação ambiental) elas estão fazendo a sua parte. Ou procurando fazer.

O problema está na educação dos adultos. No caso da auxiliar, apenas de uma educação formal, conceitual, que traga para ela um pouco mais de explicações para algo que nela é natural.

No caso da mãe? Deu vontade de dizer "desisto!", quando a diretora me pediu para conversar com ela. Fiquei pensando: a quem devemos educar? E lembrei-me da parábola so semeador:

"Eis que o semeador saiu para semear. E ao semear, uma parte da semente caiu à beira do caminho e as aves vieram e a comeram. Outra parte caiu em lugares pedregosos, onde não havia muita terra. Logo brotou, porque a terra era pouco profunda. Mas, ao surgir o sol, queimou-se e, por não ter raiz, secou. Outra ainda caiu entre os espinhos. Os espinhos cresceram e a abafaram. Outra parte, finalmente, caiu em terra boa e produziu fruto, um cem, outra sessenta e outra trinta." (O resto todos conhecem...)

A quem devemos educar?
BXK13856_cerrado800 cópia.gifNa narrativa da Arca de Nóe, por ocasião do dilúvio, em determinado dia êle soltou uma pomba e a mesma retornou com um ramo de uma árvore. Era a vida de volta ao mundo!
Na história geológica, só houve surgimento de vida após um período de evolução química, quando surgiram os microorganismos e as primeiras rochas sedimentares. Era o início da vida? Não se sabe, pois na época em que estes primeiros organismos apareceram não havia nenhum oxigênio livre, como há agora, mas uma atmosfera composta de metano, gás carbônico, e hidrogênio. Os microorganismos deste período utilizaram metano ou hidrogênio no lugar do oxigênio no metabolismo, estes então eram organismos de metabolismo anaeróbico; eram heterótrofos, apenas tempos depois apareceram os organismo autótrofos.
Mas vamos deixar estes "bichos" estranhos de lado.
 E daí? O que tem a ver com florestas? Ufa! Tudo!
Pesquisadores já concluiram que há 20 milhões de anos não existia a Floresta Amazônica, nos padrões atuais. Tudo por aqui era um clima árido demais para suportar uma exuberante floresta tropical. Então, ela só foi existir há 6 milhões de anos, após idas e vindas do mar e com as bençãos da pródiga natureza.
Significaria que por ela não existir anteriormente, os exploradores e moradores locais tem o direito de desflorestar e transformar o ambiente amazônico em um local árido e de futuro restrito?
Não acredito que esta seja a melhor solução. Esta floresta é um depósito de energia mundial. É o nosso "sumidouro de carbono".
Mas, mesmo que tentem transformar esta região em um imenso cerrado, a ação intempestiva demoraria alguns milhões de anos para se transformar nessa catástrofe. E se chegar a ser um cerrado degradado, não teria as mesmas condições de biodiversidade que um cerrado original, uma savana riquíssima em biodiversidade.
As oportunidades de exploração devem ser iguais para todos os que habitam e usam as florestas para fins comerciais, esportivos, de lazer, agropecuários ou conservacionista.
Então,  se eu quicopaiba1.jpgser "ceder" minha parte de floresta para alguém explorar está correto? E se eu não der a permissão e um explorador usar isto indevidamente ele deveria ser punido?
Infelizmente, o nosso processo democrático permite que deixemos nas mãos (nem sempre limpas) dos parlamentares (que muitas vezes nem elegemos ou votamos) e dos executivos deste país, o desejo e a satisfação de poucos.
'Tá certo que necessitamos satisfazer as necessidades e, por isso apelamos para as florestas para explorar as riquezas naturais. Agropecuária, mineração, exploração florestal são alguns dos itens que são extremamente importantes e economicamente disputados pelos homens.
Mas, com o olhar desenfreado de cobiça dos exploradores acontece a devastação das riquezas naturais das florestas. E ela se "vinga" com o desaparecimento de rios e córregos, com  a "invasão" dos animais selvagens nas zonas urbanas, com o excesso de chuvas ou secas demoradas...
garimpo.jpg Os garimpeiros, para alcançar  o aluvião  aurífero, promovem o desmatamento desenfreado ao redor dos igarapés e, sem se preocupar com o seu e nosso amanhã, por desconhecimento ou por ambição vão "matando" suas fontes de subsistências naturais. Nas associações garimpeiras existem poucos técnicos dedicados a usar seus conhecimentos em prol da causa ambiental. Assim, ainda não conseguimos transmitir os programas de sustentabilidade ambiental para a classe. Mas já existe a preocupação sobre este tema e está sendo desenvolvido paulatinamente em Itaituba, pela AMOT.
Um pesquisador (meu irmão) florestal me mostrou que os gestores municipais nunca se preocuparam em adornar as avenidas e ruas com os espécimes bonitos que ocorrem na floresta amazônica. Preferem trazer palmeiras imperiais aos taxizeiros ou samaumeiras, plantam acácias ao invés de visgueiros, deixam de trazer conhecimento (pela plantação) ao povo urbano sobre mogno, ipê,  louro e tantas outras espécies amazônicas. Misturar estas a palmeiras amazônicas, como tucumã, inajá, buritirana, pupunha, açaí e outras espécies de classificação desconhecida foram muito pouco ou nada utilizadas para o paisagismo, que traria a beleza natural ao ambiente amazônico urbano.
Os indígenas mais velhos sabem que uma floresta em pé gera mais recursos naturais que se ela for derrubada para criação de pastos, mas os mais novos, com o aumento da população indígena promovem a derrubada de árvores para aumentar os pastos de bovinos e a agricultura de subsistência.
E à medida que aumenta a população indígena, seus valores de sustentabilidade vão diminuindo. Muitos já se dedicam a garimpagem aurífera, sem estudo geológico ou planejamento mineral, vão destruindo as matas ciliares e sua fonte de vida (os igarapés) vão diminuindo paulatinamente. E alguém poderia argumentar que antes do "domínio branco" existiam milhões de indígenas no Brasil e não havia a destruição das florestas? Não podemos esquecer que eram milhões de indígenas e nenhum branco por aqui. Também não existia um desejo irremediável de usufruir das atuais benesses da civilização: rádio, televisão, geladeira, fogão a gás, celulares etc. Para isso tem que fazer parceria com os civilizados, que detém o poderio economico para comprar equipamentos de alto poder escariante (no caso de garimpagem em rios) ou equipamentos de desflorestamento contínuo e rápido.
E seus valores também vão pelo ralo...
A biodiversidade da floresta amazônica, que responde por quase 40% das reservas de florestas tropicais úmidas ainda existentes no planeta, corresponde a mais de 20% de todas as espécies vivas do planeta. Mas avançamos demais na devastação e ainda há tempo de reverter este quadro preocupante.
No entanto, pFloresta3.jpgor ser um ecosistema extremamente frágil necessita de atenção redobrada na sua exploraçã o, uma vez que a retirada de sua vegetação, que retém os nutrientes, transformaria, provavelmente, a floresta em uma área desertificada, que afetaria  o equilíbrio ecológico e aumentaria o efeito estufa.
Então, quando vamos começar a nos preocupar seriamente com a preservação equilibrada de nossos recursos naturais  finitos? Quando juntaremos os cacos e faremos um belo adorno em torno do desenvolvimento? Da vida?
E pra não esquecer: hoje  deveríamos celebrar o Dia da Mata Atlântica. Existe razão para festejar sobre aquela que cobria todo o litoral brasileiro e hoje está reduzida a 7% da porção original?
Faça a sua parte!

Fontes de pesquisa:
http://www.brasilescola.com/geografia/floresta-amazonica.htm
http://www1.folha.uol.com.br/folha/publifolha/ult10037u351813.shtml
Este post faz parte do ciclo Debates Ambientais do Faça a Sua Parte.




















O primeiro passo foi descer das árvores e habitar em cavernas. Depois de um longo tempo, aprendemos a construir casas. À medida que a população aumentava, aumentava o número de casas e se formaram as vilas e cidades. Para dar espaço às cidades que cresciam, as florestas foram asfaltadas, ligando cidades, vilas e zonas industriais. O retorno tornou-se impossível: não há cavernas suficientes e as árvores não oferecem o conforto a que estamos habituados. A convivência entre seres humanos e o verde das florestas parece ter se tornado um dilema: um dos dois deve diminuir para que o outro possa expandir-se. A natureza tem se ocupado em mandar-nos algumas calamidades que dizimam parte da espécie humana; os seres humanos também colaboram para a auto-destruição com a má alimentação que provoca doenças e embalagens que duram anos, trânsito assassino, criminalidade e guerras. Apesar dos esforços das duas partes, a população continua crescendo. Já há quem espera por uma hecatombe ou pela terceira guerra mundial para resolver - temporariamente - o problema. Há soluções? O dilema realmente existe? A convivência é realmente impossível?

Falar em controle da natalidade é comprar uma briga muito grande, mas algo precisa ser feito, ou o cimento também acabará. Enquanto soluções não despontam, podemos ao menos aumentar o número de árvores e preservar as que já existem. E não me refiro somente à Amazônia ou ao pouco que sobrou da Mata Atlântica. A China, por exemplo, tornou-se o maior exportador mundial de madeira; boa parte colhida ilegalmente das florestas russas. Também a Finlândia tem sido acusada de utilizar madeira das florestas primárias escandinavas e o reflorestamento de que tanto se ouve falar é basicamente de pinus, madeira utilizada ostensivamente no comércio que tem a vantagem de haver um crescimento rápido. Com a destruição da flora original perde-se, também, a fauna e a população nativa. De fato, nos 5% de florestas primárias escandinavas que restam, expreme-se a última grande população indígena europeia, os Sami. O resto do norte europeu não se encontra em situação diferente, assim como o Canadá com enormes problemas de desmatamento. Tentei informar-me sobre uma lei que transitava no congresso russo alguns anos atrás, a qual permitia o uso das florestas para projetos comerciais e de lazer (?), mas a busca obteve um resultado desestimulante. Somente 10% do desmatamento na Rússia é causado pelo comércio de madeira. O restante acontece em função dos projetos comerciais e para extração de petróleo e minérios. O problema é sempre de ordem econômica e política. Por que a imprensa internacional aponta o dedo para a Amazônia, toda vez que fala em preservação das florestas?

Recentemente, lendo uma matéria do Pedro Dória, não pude deixar de concordar quando ele fala sobre a falta de um projeto para a Amazônia. Mas por que ninguém fala, também, do Canadá, da Rússia, dos países europeus e da China, com seus desertos que crescem em ritmo jamais vistos? Não que os problemas alheios minimizem os nossos, mas não podemos nos sentir como os únicos vilões nessa história. O que você, leitor indignado com o problema da Amazônia, sabe sobre o que vem ocorrendo nos outros países?

A proposta, pois, seria de mudar o foco do discurso. Invés de falarmos de desmatamento e do fim das florestas, passássemos a falar, debater e promover o reflorestamento. O problema já existe e somos conscientes dele. Tratemos agora das soluções.

E por que não reunir todas as informações disponíveis sobre reflorestamento? A partir desse banco de dados que seria constantemente atualizado, procurar envolver o maior número de entidades para um projeto maior, que seria por em prática uma política de reflorestamento.

Se quisermos sair da esfera da utopia devemos fazer algo para mudar a situação. Algo como iniciar um projeto popular e buscar envolver todos os órgãos e entidades possíveis, para lançar uma campanha de reflorestamento. Associações de bairro, ONGs, prefeituras, escolas, universidades, pessoas famosas, os governos estaduais e o Governo Federal, a ONU, enfim, todos que pudermos atingir e estipular, digamos, o ano de 2012, como o Ano do Reflorestamento. Até lá, estudos, pesquisas, projetos e compromissos seriam elaborados.

Também parecia um sonho quando, em 1861, D. Pedro II decidiu mudar o panorama do Rio de Janeiro, que enfrentava o problema da falta d'água causado pela devastação das florestas que circundavam a cidade, para uso da madeira e para o plantio. Hoje a Floresta da Tijuca é a maior floresta artificial do mundo e a maior em área urbana. Também parecia um sonho a diminuição da poluição de Cubatão, conhecida nas décadas de 70 e 80 como a região mais poluída do mundo. Hoje Cubatão é sinônimo de recuperação de áreas poluidas. E o que dizer do projeto da Universidade Federal de Santa Catarina, que desenvolve tecnologia para recuperação de florestas degradadas? Quantos outros projetos e exemplos existem sem que se fale deles? O problema é que, isoladas, essas ações não causam o impacto que merecem.

A esse ponto deve haver alguém balançando a cabeça enquanto avalia a minha ingenuidade. Pois bem, todas as ações humanas contra ou a favor da natureza tiveram um início. Pode-se escolher entre ficar observando de camarote os acontecimentos ou fazer parte deles. Não é necessário ter que escolher entre desenvolvimento e preservação, como bem esclarece esta entrevista com o economista Lester Brown, fundador da ONG Worldwatch Institute e do instituto de pesquisas Earth Policy.

A convivência entre seres humanos e o verde das florestas não precisa continuar um dilema, mas cabe a nós mudar a situação. Sugestões, participação, idéias e propostas serão bem aceitas. As críticas, também.
O feio não tem vez.

Neste país de estéticas importadas, onde todos sabem o que é e o que come um coala, mas ninguém sequer ouviu falar na cuíca - a não ser como instrumento de carnaval; no qual seus infantes ainda desenham "natureza" com graminha aparada, uma casinha, uma árvore de tronco liso e reto, um jardim florido, elefantes, ursos e gatinhos; Onde seus habitantes entendem Meio ambiente como um lugar "sem nada", a ser ocupado com "alguma coisa".

Neste contexto, o  que será do nosso seco, torto e feio cerrado?

Esta é a paisagem mais característica deste ambiente: árvores pequenas de troncos ásperos e tortos devido à presença de alumínio no solo; Ambundante vegetação gramínea e arbustiva, que grande parte do ano permanece ressecada pela ausência de chuvas característica do clima da região; solo vermelho-amarelado quase sempre exposto e poerento, alternando com emaranhados de arbustos espinhosos quase intransponiveis.

A primeira vista, nada elegante.

Ou seja: é realmente mato! Foi assim que os primeiros habitantes europeus o chamavam: Mato sujo ou campo sujo, que depois passou parra campos cerrados e mata cerrada. Isso explica por que o estado de Mato Grosso Chama-se "mato grosso"!
     
O Cerrado é ambundante como a Amazônia, mas destruído como a Mata Atlântica; Foi incluído recentemente no rol dos ecossistemas de maior biodiversidade do planeta. E ainda assim é o espaço vazio para onde se expandiu a nossa pecuária e mais recentemente - nos últimos dois séculos - a agricultura.


Mas voltando ao assunto: O fato de o cerrado não o mesmo apelo ambiental de outros tipos de vegetação faz com ele seja destruído descriminadamente. E, por incrível que possa parecer, ele naturalmente já fazia isso com ele mesmo...

Uma das mais controversas características desse ambiente é a ocorrência natural do fogo como um dos fatores mais importantes desse processo de regeneração. muitas sementes e plantas só se desenvolvem depois que o fogo queima suas grossas cascas e o solo é "adubado" com os sais minerais remanescentes nas cinzas. Isso quer dizer que há um cilco natural de fogo, assim como há um  ciclo natural de chuva. Com esse pressuposto, como pode ele sobreviver?

Segundo alguns especialistas, deixando como está. Com intenso processo regenerativo, apenas parando com a destruição já seria possível ter um retorno de até 80% da vegetação. Possui uma curiosidade, um processo bem interessante e fácil de se verificar.

Querem ver? É só deixar o terreno vazio sem cortador de grama por uns...15 anos. Inicialmente, o primeiro "mato" represetado pelas gramíneas cresce até atingir mais ou menos meio metro e frutifica - isso mesmo! - nos vulgarmente conhecidos "carrapichos" que prendem nas nossas roupas e nos pêlos dos animais ou são levados pelo vento; a grama se multiplica e cresce, criando uma região de humidade entre o solo e a vegetação favorecendo o desenvolvimento do segundo "mato": as plantas arbustivas. A maioria absoluta de todos os chás, remédios e temperos do mundo inteiro vem desse "mato" (também chamado de erva daninha, é aquele que, mais adaptado à região, ocupa e elimina nosso jardim florido...). Por sua vez, os arbustos fazem sombra abaixo, o que impede o crescimento da grama. o solo exposto favorece o crescimento do terceiro tipo de mato: a vegetação arbórea, que cresce e ocupa alguns dos espaços. E todo essa mato estava apenas "adormecido" ou dormente, esperando as condições certas para acordar...

Esse é o processo que chamamos de sucessão ecológica, no qual o cerrado é craque.

Esse seria o quintal observado por matogrossenses, goianos, brasilienses, mineiros, baianos do sul e paulistas do noroeste. Infelizmente, cada vez mais amazoninos estão presenciando esse efeito (com as mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento do globo somado ao desmatamento intensivo, muitas regiões de floresta amazônica estão se transformando em cerrado...).

E isso seria possível se pudéssemos considerá-lo como o vemos - feio, torto e sujo -  e, ao valorizarmos a cultura nacional transformá-lo como realmente é - com a beleza dos Ipês, quaresmeiras, e guapuruvus floridos, uns no início, outros no final da época das chuvas.

E se parássemos de vê-lo como lugar vazio, pronto para o desenvolvimento energético e alimentício do país.

Esse é o desafio.     

Este post faz parte do Ciclo de Debates Ambientais do Faça a sua parte, iniciativa que decide estender as discussões do 5 de junho, dia mundial do meio ambiente, para além da data - por 3 semanas, até 15 de junho. Neste período iremos tratar diferentes tópicos do ambientalismo atual e tentar levantar um debate saudável sobre esses tópicos - muitos deles polêmicos. Se você quiser participar, discutir, comentar, compartilhar informações, medos, ações, idéias... a caixa de comentários do Faça está à disposição!


Difícil continuar com a bola que a Xará Lucia tão bem levantou e a querida Denise seguiu tão bem (vale ler, leiam). E optei por colocar na roda a tal da agricultura sustentável...
Fato: desde 1960, a produção agrícola cresceu 160%, enquanto a população dobrou - somos quase 7 bilhões de almas no planeta azul. Alguns muitos comem menos do que devem, enquanto outros sofrem com o pepino da obesidade - fruto de má dieta e industrialização.

Claro que vencemos um enorme desafio, mas sabemos que a produção degrada, sim ecossistemas. Haja visto o grande caso, aqui no Brasil, da soja no Mato Grosso, que se transforma em tantas manchetes.

Para que a produção de alimentos seja suficiente para todos, sem degradar o meio ambiente - fundamental para que ela exista, a adoção de medidas sustentáveis precisa ser global, geral e irrestrita. No site da Convenção pela Diversidade Biológica, encontrei um trecho interessante:

Políticos e consumidores precisam fazer a sua parte para assegurar que os produtores tenham os incentivos para adotar práticas sustentáveis. Individualmente, a educação sobre as consequências das escolhas alimentares é um passo importante para atingir esta meta. No macro, planejamento da paisagem (e sua preservação) tende a conservar a diversidade.

Se conseguirmos criar um sistema agrícola sustentável, que preserve a biodiversidade e os ecossistemas globalmente, vamos conseguir alimentar o mundo e garantir que seus recursos cheguem às próximas gerações.

De lá, também:

A Agricultura Sustentável procura usar os recursos naturais para produzir a safra ideal de forma economia, ambiental e socialmente lucrativa, sem esgotar os recursos de que necessita. Fazer a transição é um processo.
A administração sustentável objetiva:
- usar água, terras, nutrientes e outros recursos naturais eficientemente, ou num nível que possam ser recuperados de forma que sejam preservados. Um exemplo: usar água levando em consideração todos os outros ecossitemas de que participa (rios, ciclos, água potável e sistema sanitário).
- manejo da biodiversidade de forma que os recursos sejam preservados. Exemplo: manter as espécies selvagens dentro das plantações, bem como matas e vegetação ciliar.
- diminuir o impacto da agricultura no ambiente, reduzindo o uso de químicos, principalmente os que são resultado de fontes não-renováveis.

Aqui no Brasil isso não passa de sonho distante. Fiquei horas navegando em sites:

Enquanto lia, virava, pensava, lembrei de algumas manchetes dos últimos dias:


  • Blairo Maggi e a questão da soja no Mato Grosso - que desmata furiosamente, inclusive floresta amazônica.

  • A transposição do rio São Francisco - que é vendida como a salvação da lavoura

  • A matéria do Jornal Nacional sobre o assoreamento do mesmo rio

  • A matéria também do Jornal Nacional sobre o uso de hidrogênio na Islândia - que permite, por exemplo, ver as baleias de pertinho sem assustá-las, sem falar na não-poluição...

  • os comentários que tenho recebido nos últimos dias lá no post sobre o movimento Amazônia para sempre, em que algumas pessoas juram que é impossível preservar e comer.

  • O comentário de uma colega blogueira dizendo que orgânico é impossível de comprar, porque é caro.

  • O rosto do povo no supermercado quando abro a mochila e tiro a minha sacola de compras de dentro.

E fico pensando: quando é que a humanidade vai realmente aprender a fazer a sua parte? com o tanto de conhecimento que a gente já tem será que não dava pra fazer mais?
Quer dar seu palpite? Provar que a humanidade merece salvação e sobrevivência? Comente!


Através da Portaria nº 37-N, de 3 de abril de 1992, o IBAMA tornou pública a lista oficial de espécies da flora brasileira ameaçada de extinção.

A preocupação com a intensa degradação da biodiversidade e dos ecossistemas tem  levado  você a refletir um pouco sobre o hábito, aparentemente tão inofensivo, de enfeitar as nossas casas e propriedades com as plantas da flora nativa? Preocupação, sim, pois a devastação da flora é causadora de vários problemas ambientais, como a perda de muitas, muitas mesmo (veja a lista acima), espécies de grande importância econômica, estética, científica, genética e ecológica.

Escolhi falar sobre as bromélias, tão comuns nos jardins e nas praças, e que estão ameaçadas de extinção. Elas fazem parte de uma família de cerca de 3 mil espécies. Mas, não só a ornamentação (que traz grandes lucros  aos comerciantes e estimula a coleta predatória) é responsável por esta ameaça  de extinção das bromelias. Há também a devastação de seus habitats naturais, por aqueles que a julgam proliferadora de insetos responsáveis pela transmissão de doenças como a malária e o dengue.

Felizmente, há pessoas do Bem, como o produtor Rogélio Dosouto, proprietário do Viveiro Adônis, no Parque Cerros Verdes, na região da Serra da Cantareira, em São Paulo (SP), que, além de produzir diversos tipos de plantas ornamentais e árvores nativas para reflorestamento, tem se interessado pelas bromélias. Em 1994, começou a desenvolver técnicas para a multiplicação de bromélias.

Pesquisas como estas são importantíssimas, pois, as mudas produzidas em viveiros é uma alternativa para diminuir, e , quem sabe, acabar, com a coleta predatória e desvastadora do ambiente. Assim, os paisagistas e consumidores, como nós, que desejamos proteger nosso habitat, não temos mais desculpas pela extração das espécies das matas. Isso demonstra uma atitude ecoconsciente, pois as bromélias exercem importante papel no equilíbrio ecológico, como alimento, moradia e refúgio para inúmeros seres vivos - desde protozoários até mamíferos.

Pois é, pessoal, a nossa consciência ambiental precisa estar acima da moda de fazer jardins em nossas propriedades, e nos fazer lembrar sempre que , devido à grande procura de mudas de flores, principalmente as bromélias, a mata nativa corre grave ameaça de extinção de várias de suas espécies. Por lei, apenas o comércio de bromélias cultivadas em viveiros é permitido; extraí-las da mata é ato punível com apreensão da planta e multa que pode chegar a 50.000 reais.  Será que é necessáirio medidas tão severas para que as nossa  flora seja protegida?

Vamos, sim, cultivar nossas plantinhas, mas com mudas legais, ouviram! Não há necessidade de se depredar a natureza. Casa linda e natureza preservada é algo que precisa ser bem equilibrado. Então, da próxima vez que nós formos comprar uma muda de planta, seja ela bromélia ou outra espécie, tenhamos o cuidado de observar a procedência dela, fazendo, assim, a nossa parte para preservar as plantas que estão ameaçadas de extinção, está certo?

Fonte:
Espécies da flora ameaçadas de extinção - IBAMA
Bromélias preservadas - Jardim de flores
Imagem: Bromelia

Vem aí a Blogagem Coletiva do Dia Mundial do Meio Ambiente,
promovido pelo Faça a sua parte!
Dia 5 de junho - Participe!

É com alegria suprema que escrevo aqui hoje, dia em que se inicia o grande Ciclo de Debates Ambientais do Faça a sua parte, iniciativa que decide estender as discussões do 5 de junho, dia mundial do meio ambiente, para além da data - por 3 semanas, mais especificamente. Nossos posts até 15 de junho têm o intuito de abordar diferentes tópicos do ambientalismo atual e de preferência trazer um debate saudável sobre esses tópicos - muitos deles polêmicos. Vai ter de aquecimento global a meio ambiente humano. Portanto se você quiser participar, discutir, comentar, compartilhar informações, medos, ações, idéias... a caixa de comentários do Faça está à disposição! 

A escolha da data de hoje para começar não foi aleatória. Dia 22 de maio comemora-se o dia mundial da Biodiversidade. O tema para a data desse ano é "Biodiversidade e Agricultura" - afinal, eu não sabia, mas estamos no Ano Internacional da Batata (?!?!). Acima de tudo, o tema é o reconhecimento de que tal atividade humana, que nos deu tanta vantagem adaptativa perante as outras espécies e se tornou imprescindível para a nossa sobrevivência, também oferece impactos ao ambiente e principalmente, à diversidade. 

Se pararmos para pensar, nada é mais "biologicamente monótono" que uma fazenda de plantação em escala, seja banana, batata ou tomate. É irônico, aliás, unir os dois termos, biodiversidade e agricultura, numa frase só - principalmente para mim, que estou acostumada com biodiversidade marinha, com dilemas de extinção da fauna selvagem e afins. Porque nada está mais longe da diversidade para mim que uma fazenda de qualquer coisa - eu estudei em universidade agrícola, tive aulas de melhoramento genético de plantas, e sempre a monotonia da agricultura me incomodava, mesmo quando o professor insistia em suas "benesses". Mesmo quando há um rodízio de culturas na fazenda (o que em geral acontece em fazendas de hortaliças), o impacto visual continuava sendo deprimente. Vocês se sentem assim, também, tomados por um desconforto intermitente perante a visão de uma cultura? Pois sabemos que uma boa nutrição humana requer variedade de alimentos, muito mais que qualidade. E é exatamente no quesito variedade que a agricultura peca, por razões econômicas, culturais ou até ambientais. Se você for no mercado ou na feira aqui no Brasil, por exemplo, o máximo que você encontra são 4 variedades de tomate: caqui, cereja, Santa Cruz e saladinha (ressalto que os nomes das variedades mudam de região para região; em São Paulo, na feira do Ceagesp, eu vejo italiano, débora, cereja e tomatão, mas não sei se correspondem com as variedades acima ou não). Quando existem na realidade 9 variedades plantadas no Brasil (tirando o longa-vida, que vai a maior parte pra indústria de ketchup) e mais de 50 sendo testadas. Onde estão essas variedades nas prateleiras dos mercados? Por que a qualidade do tomate ainda não é satisfatória, o gosto ainda deixa a desejar? Mais importante: onde estão as variedades selvagens, fundamentais para a manutenção do estoque gênico da espécie? E o tomate é apenas um exemplo, porque a ausência da variedade selvagem faz-se clara em qualquer outro vegetal utilizado para alimentação humana... 

Qualquer biólogo sabe (ou deveria saber...) que dentro de uma espécie, quanto maior variabilidade genética, maior capacidade de adaptação às intempéries, e maior probabilidade de que a espécie sobreviva em situações limites - como as que enfrentaremos em futuro próximo com o aquecimento global e quetais. Iniciativas como o recente Seed Vault na Noruega são importantes para a manutenção dos estoques da biodiversidade, mas funcionam meio que como um museu ou herbário, estaticamente. E a diversidade no ambiente natural, quando as espécies se entrelaçam e o sistema se torna altamente dinâmico, como fica? E a diversidade de culturas agrícolas? Estamos mantendo a biodiversidade agrícola e garantindo assim nossa passagem pelas intempéries que virão? Qual o papel dos transgênicos nesse cenário todo? E o velho melhoramento genético, em que difere em relação a impactos ao ambiente da introdução de transgênicos? 

Quando penso nessas questões, passa a fazer todo sentido terem escolhido o tema "Agricultura" para o dia da Biodiversidade esse ano, com ênfase especial na prática da biodiversidade nos agro-ecossistemas e na interface deles com ecossistemas selvagens. Porque há de manter a diversidade genética de cada espécie cultivada, para evitarmos impactos negativos no futuro, e garantindo de tabela potencialmente comida para todos. Há de se pensar no ambiente como um todo, humanos e animais selvagens, plantas cultivadas e peixes para consumo, e como todos eles interagem entre si. Não é pouco trabalho, admito, mas é essencial que entendamos essa rede de conexões para tomarmos medidas o menos impactantes possíveis, que deixem o menor nível de preocupações para as gerações futuras - os meus, os seus, os nossos netos e bisnetos. 

Ainda me faço outras questões: qual é o impacto direto real que as agriculturas geram no ambiente selvagem ao redor? Será que os grandes plantadores se perguntam isso antes de tomarem a decisão sobre o quê plantar em suas fazendas? E a biodiversidade que está ao redor, é analisada? Será que se tivéssemos maior diversidade de escolhas de frutas, hortaliças e afins para plantar e comer, estaríamos melhor ou pior economicamente? O ambiente geral, selvagem e humano, estaria menos impactado? A biodiversidade agrícola é enfim praticada? Há esforços nessa direção?

São questões, que eu deixo em aberto para discussão na 1ª caixa de comentários do nosso ciclo de debates. Sintam-se à vontade para opinar. 

(E não se esqueçam da blogagem coletiva no dia 05 de junho, dia mundial do meio ambiente, aqui no Faça, em meio aos debates!)