A
Paula recentemente nos convidou a comentar sobre
ciclovias e nós aqui do "Faça a sua parte" decidimos fazer então um post coletivo, dada a pertinência ambiental do tema. A Paula iniciou falando sobre a situação das
ciclovias de São Paulo em seu blog. Para enriquecer o bojo de informações sobre o tema, escolhemos então mostrar o que vem sendo falado/visto sobre pedalagens em alguns locais do mundo, na saudável tentativa de gerar mais "bicicleteiros". A bicicleta é um dos meios de transporte mais verdes que existem. Ao trocarmos o carro por bicicleta (principalmente nas grandes cidades), evita-se a emissão de boas quantidades de CO2 para a atmosfera, e o meio ambiente, no fim das contas, agradece o gesto.
Começando pelas vizinhanças de São Paulo, em São José dos Campos, a Silvia nos informou:
"Existe uma lei municipal de 1992, a lei 4319, que prevê a implantação de ciclovias em São José dos Campos, SP, nas novas vias construídas. Entretanto, a cidade possui diversas vias construídas e reformadas desde então, porém sem contemplar as tais ciclovias. Diversas organizações e os próprios ciclistas já fizeram muitos abaixo-assinados e protestos pedindo que a lei seja cumprida, mas há diversos
interesses políticos e econômicos envolvidos (como os das empresas de ônibus), e até o momento essas forças têm vencido na briga por mais segurança e mais qualidade de vida. O uso de bicicletas como meio de transporte é muito comum em São José dos Campos, entretanto os usuários, em sua maioria trabalhadores das classes menos abastadas e estudantes, têm que enfrentar carros, motos, vans e ônibus em seus trajetos. Há um forte movimento também por parte de pessoas que pedalam por lazer e esporte, entretanto a lei não sai do papel.
Eu escrevi para a ONG Vale Verde, para a Secretaria de Transportes e para um blog de ciclistas para ver se consigo mais informações, pois a Vale Verde tem alguns textos, mas estão sem data e parecem ser antigos. Sei que a ONG tem um movimento chamado CicloVida, mas parece que as coisas estão meio paradas, pois desde o início de 2007 eu vejo só os mesmos textos lá no site."
Continuando na Via Dutra, a Denise nos oferece mais explicações sobre a situação do transporte ciclístico na Cidade Maravilhosa:
"O projeto
"Ciclovias Cariocas", criado em agosto de 1993, tem como principal
objetivo viabilizar o uso da bicicleta para deslocamentos de pequenas e médias
distâncias na cidade . Estima-se que existam no Rio de Janeiro cerca de três
milhões de bicicletas, mais que o dobro da frota de automóveis.
Faz também parte do
conjunto de programas da Secretaria Municipal de Meio Ambiente voltados para a
melhoria da qualidade do ar enquanto meio de transporte não poluente e
saudável. As rotas cicloviárias permitem a ligação entre os centros de
bairro e a conexão com os meios de transporte de massa.
A implantação dos
sistemas cicloviários compreende a implantação das ciclovias, ciclofaixas,
faixas compartilhadas, bicicletários, sinalização adequada e a elaboração de
normas, regras e campanhas educativas para a utilização segura deste veículo
não motorizado no sistema de transporte."
Das vezes que estive no Rio, pelo menos na Zona Sul, é impressionante o número de pessoas que efetivamente usam as ciclovias para deslocamento pro trabalho. Animador de se ver.
Indo na direção sul do Brasil, o Afonso nos conta como andam as ciclovias por Porto Alegre:
"O Plano Diretor
Cicloviário de Porto Alegre deverá ser concluído até o final de outubro, quando
poderá ser encaminhado à Câmara Municipal para análise. O andamento do Plano
Diretor foi abordado no evento Quartas Temáticas, da Secretaria Municipal do
Meio Ambiente (Smam), ontem, 12/janeiro. O projeto é uma parceria entre o Núcleo
Amigos da Terra/Brasil e a Smam, viabilizado pelo Fundo Municipal do Meio
Ambiente (FMMA).
Segundo levantamentos realizados, o trecho prioritário
contempla os ramos Sertório, Assis Brasil, Avenida Ipiranga e Restinga. Num
primeiro momento, deverão ser implantados 18 Km de ciclovias. O traçado de uma
rede ideal é de 400 Km. O custo da ciclovia é de R$ 100 mil por Km em vias
já existentes. Na oportunidade, o titular da Smam, Beto Moesch, salientou que a
EPTC deve incluir as ciclovias nas contrapartidas de grandes empreendimentos."
E a situação fora do país? Comento sobre a Alemanha:
"Minha experiência na Alemanha é muito positiva. Potsdam, a cidade onde morei, possui uma malha cicloviária de dar inveja. Não há rua que não tenha faixa de bicicletas, com sinalização adequada. Mas o ciclista também tem leis para seu tráfego no trânsito. As bicicletas precisam ter buzinas (e eles buzinam a cada curva fechada que fazem no trajeto) e luzes traseiras e dianteiras, caso queira pedalar à noite. Todos os meus colegas de trabalho pedalavam até o instituto, e mesmo no inverno rigoroso, muitos ainda se aventuravam em meio à neve.
Em Berlim, não é diferente - aliás, a situação até melhora. A cidade possui 130km de ciclovias, e o metrô permite o embarque de bicicletas sem maiores empecilhos como catracas e afins. Menos da metade dos residentes têm carro, tornando fácil ver pessoas usando bicicletas para irem de um lado a outro - até para sair à noite: lembro de várias discotecas onde as pessoas chegavam de bike. As benesses de ser ciclista por lá são tantas, que a cidade foi eleita a 9ª melhor do mundo para se deslocar de bicicleta."
No mote "cidade grande & cidade pequena" na Europa, a Maria Augusta relata direto da França sobre Nancy e Paris:
"Na Grande Nancy, cidade onde moro no leste da França (266000 habitantes), existem 120 km de
pistas cicláveis, além dos circuitos propostos ao longo das margens do rio
Meurthe, que atravessa a cidade. Possui também um serviço de aluguel de
bicicletas por algumas horas ou contratos de longa duração. O plano das pistas cicláveis pode ser visto aqui."
"Existem
em Paris 197 Km de ciclovias, e 23 km suplementares nos bosques de Boulogne e
Vincennes. Um primeiro eixo atravessa Paris de norte a sul, da Porte de Pantin
à Porte de Vanves, passando pelo Chatêlet. E um segundo se estende de leste a
oeste, do Bois de Vincennes ao Bois de Boulogne, passando pela Concorde.
Em julho e agosto as vias que margeiam o rio Sena (à direita indo do subterrâneo Albert I ao cais henri IV e à esquerda, do cais Anatole France ao cais Branly) são inteiramente reservadas às bicicletas, mas também aos pedestres e "rollers" nos domingos e dias feriados das 9 às 17h."
(Fonte: Portal da Juventude da Prefeitura de Paris, com mapa das ciclovias da cidade-luz.)
E conta também como é visto o sistema cicloviário na Holanda:
"A Holanda é o único país no mundo onde existem mais bicicletas (17 milhões) que habitantes (16 milhões).
As crianças, mesmo as menores, vão à escola de bicicleta, e um terço dos holandeses vão trabalhar usando este veiculo. Estudantes, advogados, professores: a bicicleta está na moda em todas as classes sociais. Nos últimos anos, os chuveiros se multiplicaram nos escritórios e alguns funcionários deixam no trabalho uma muda de roupa limpa que eles vestem ao chegar. A bicicleta é tão banal quanto uma caneta...Nos Países Baixos, existem 19000 km de ciclovias, nas cidades e entre elas. Geralmente, as ciclovias são verdadeiras ruas, separadas daquelas dos carros, que protegem perfeitamente os ciclistas. As pistas, aliás, não param nas cidades : elas percorrem toda a Holanda e margeiam as estradas. Os ciclistas passam sobre o alto dos diques, aproveitando a vista sobre o mar, enquanto os automobilistas passam pela parte mais baixa destes e só vêem o campo."
Na Italia, a situação nao difere muito do resto da Europa. O Flavio nos deixa então uma série de links para interessados em pedalar pela Italia:
"Pela
ordem - ciclovias da Italia, ciclovias do Trentino, onde moro, Ciclovias da
Europa e um outro site italiano dos amigos da bicicleta. Faço parte de um grupo
do Yahoo que agenda encontros e passeios pelas ciclovais e é bem legal:
- Bicitalia (Rede Nacional Ciclavel)
- Trentino
- De bicicleta pela Europa
- Federação Italiana dos Amigos da Bicicleta "
Saindo da Europa em direção à Ásia, minha experiência do que presenciei na Coréia do Sul:
"Há estacionamentos de bicicletas em muitas estações de metrô de Seul, principalmente aquelas próximas a universidades. Apesar do esforço de se aumentar o número de usuários de bicicleta, ainda não há muitas ciclovias pela cidade, as bikes se misturam ao trânsito e/ou as calçadas e o risco de acidentes é grande. Também não via muitos jovens de bike, e sim os mais adultos, principalmente as "ajumas" (coreanas na faixa entre 40-50 anos), que carregavam desde compras aos filhos/netos na garupa."
E no meio do Pacífico, um paradoxo:
"No Havaí, supostamente o paraíso da geração saúde e local repleto de contato com a natureza, infelizmente pouco se usa bicicleta como meio de locomoção. O meio de transporte mais comum em Oahu (depois do carro, é claro) são as mobiletes, que queimam combustível e não contribuem para a melhoria da qualidade do ar. Há poucas ciclovias pela cidade de Honolulu, só na zona turística você as encontra mais facilmente. Mas foi no Havaí também que vi a invenção mais criativa pra bikes: um "suporte" lateral para carregar prancha de surf. Assim o surfista não precisa guiar com uma mão só. Ele coloca a prancha nesse suporte da bicicleta e pedala com as duas mãos no guidão, evitando acidentes. Um barato." (Foto dessa engenhoca aqui.)
São exemplos. Acho que há uma tendência mundial a incorporar melhor o trânsito de bikes pelas cidades, primordialmente para melhorar o tráfego geral, e colateralmente para uma melhoria da qualidade do ar e de vida das pessoas - quem pedala, exercita-se e mantém a forma, afastando de si problemas cardiovasculares e metabólicos comuns aos sedentários. Aguardamos que mais iniciativas favoráveis às pedaladas surjam pelo mundo e sejam abraçadas por governos interessados na melhoria do planeta.