Barreiras culturais impedem mudança de paradigmas

Eis a primeira barreira cultural: falta infra-estrutura para apoiar as mudanças. Precisamos de ciclovias, metrô, sistemas confiáveis de certificação, incentivos (talvez até fiscais) para reduzir a produção de lixo, para captar água da chuva, para usar energias alternativas. Precisamos de leis que obriguem fabricantes a reutilizarem ou reciclarem suas embalagens para evitar a extração de matéria-prima para produzir embalagens novinhas em folha. Precisamos mudar nosso modo de pensar. Essa é a segunda barreira: as pessoas resistem a mudanças. Aquilo com que estão acostumadas (carros estacionados nas ruas, tomando o lugar que poderia ser de pedestres, ciclistas, praças e árvores) está OK, não atrapalha. Faz parte do dia-a-dia. Mas um ciclista "atrapalha" o trânsito. Enfim, há um longo caminho pela frente. Espero que consigamos mudar nossos hábitos e nossas idéias a tempo.

O post que inspirou esta nota é antigo, do Colin Beavan. Uma vizinha reclamou que as bicicletas da família dele estacionadas na calçada criavam um problema estético, deixando o bairro feio e consequentemente reduzindo o valor de mercado dos imóveis.

Enquanto as pessoas não abrirem suas mentes, fica difícil mudar de verdade.

Recentemente entrei num debate sobre absorventes reutilizáveis para contar a minha experiência, porque um blog fez um post falando sobre os absorventes de pano e o retrocesso que representavam. Falei sobre minha experiência e apresentei também os coletores menstruais. Não só não adiantou como uma revista de grande circulação fez uma matéria falando sobre os radicalismos dos movimentos pelo meio ambiente e de proteção animal, usando o depoimento da autora do blog para ilustrar o quanto eles são irracionais. Disseram que as pessoas que fazem escolhas ecológicas não respeitam aqueles que preferem não fazer determinadas escolhas e ainda se sentem superiores aos outros. Pois naquele debate, eu me senti totalmente o oposto: bem pequenina, porque só o que eu queria era dar um depoimento e mostrar que mudar de hábito-às vezes até voltando um pouco às raízes-pode não ser um retrocesso, mas uma escolha saudável. Mas não fui ouvida.

9 Comments

PS: Deixa a menina ser perua! Ela é fofa assim! Hahahaha. Perua com bicho-grilo dá caldo, vai! Prometo que me esforço para transformá-la em perua orgânica. A outra já está no caminho do bem, até reclama se alguém põe carros a mais na rua à toa. kkkkk

Taís, está havendo uma redução no consumo de sacolas, sim. De tanto todo mundo falar. No supermercado mesmo eu vejo isso. Até pouco tempo atrás, eu ai ao mercado e não via NINGUÉM saindo sem sacolinhas plásticas - só eu. Hoje em dia eu vejo cada vez mais gente usando as caixas de papelão que o pessoal do mercado deixa junto dos caixas, e muita gente levando as sacolas de casa também. É coisa bem recente, mas tenho visto. O comportamento acaba contagiando.

A gente precisa continuar plantando sementes, porque em alguns solos férteis elas germinam e vão se tornando hábitos. Se tudo der certo, em breve não seremos mais nós os ETs, mas quem não faz.

Você falou tudo a mudança depende das pessoas e por isso é taão difícil.

Oi Sil, eu não acho que está havendo redução do consumo de sacolinhas. Acho que está havendo um barulho tão grande, e uma imagem tão negativa delas, que a indústria teme que acabem proibindo o uso de sacolinhas. Isso já aconteceu em Belô. Parece que em x anos, elas não poderão mais ser usadas por lá. O Serra, pseudo verde que quer aterrar mangue, já falou em proibi-las por aqui. Isso sim, seria catastrófico pra indústria. Daí eles fazerem essas campanhazinhas safadas pra neutralizar o ruido das formiguinhas e evitar que aprovem tais leis.

Acredito piamente no poder das palpiteiras e dos palpiteiros anônimos. 5 mil formiguinhas incomodam muita gente.

Meninos reservados. Mas temos que antes desperuar a Ca. hahahahahah

Bjs

Cat (fica mais fácil te chamar assim), eu acho que leis são necessárias porque o dinheiro ainda é o que faz o mundo girar (money makes the world go round). Se uma grande indústria ou empresa não tiver uma preocupação real com sustentabilidade, na hora de tomar decisões ela tomará aquela que irá gerar mais lucros, deixando em desvantagem outra que talvez fosse optar pela decisão que fosse mais sustentável, e acaba se vendo pressionada a fazer o que gera mais lucro para não fechar as portas. Claro, a segunda empresa também não tem sustentabilidade como prioridade, e é por isso que precisamos de incentivos e dispositivos que obriguem todo mundo a fazer o que certo - ao menos até que se acostumem.

Taís, eu vejo muitas reações às campanhas de formiguinha, sim, porque elas estão dando certo. Vê o lance da indústria de plásticos, por exemplo, que pôs comercial em horário nobre pra convencer as pessoas de que sacolinhas plásticas são maravilhosas. Para mim, serve para mostrar que a coisa está funcionando, e está havendo mesmo uma redução no consumo de sacolinhas. E assim vai. Só que não deixa de ser uma concorrência desleal. ;-) Ai, que meninos lindos. Deixa dois aí reservados pra meus genros, tá?

Ai, Silvia, hoje é um dia ruim pra eu ler seu artigo. Acabo de voltar do litoral norte de São Paulo, Caraguatatuba, e estou ABISMADA com a sujeira generalizada, na praia e no bairro onde fiquei. Lixo jogado pra todo lado, não só de consumo, mas de entulho de obra. Daí vejo um cartaz no mercadinho local alertando contra um surto de escorpiões e aranhas!!!!!! Tb voltei desanimada. Me sentindo pequena. Derrotada.

Eu acho que estes debates anti-ecológicos, inclusive com matéria em revista de grande circulação, só servem para tentar reverter um comportamento que está assustando indústria, mercado e economistas, que é viver comprando menos. Comprar é o grande mantra da nossa sociedade e quem se recusa a repeti-lo merece ser banido. Na idade média, seríamos queimadas vivas. Agora só se queima virtualmente, e a mídia ajuda a atear fogo. Lembre-se que eles vivem de anúncios. O que assusta mais (eles) é que este comportamento é tão transformador que, uma vez colocado em prática, não há volta. Não é modismo. É viver com menos, andar mais, respirar melhor.

Sobre o maridon usar caixas, eu tb quase explodi de orgulho quando, na praia, pedi aos meninos para comprarem pão, no mercadinho ali perto. Eles demoraram a beça. Qdo. voltaram disseram que o mercadinho não tinha pão, então eles andaram até o outro (que fica há cerca de 1km de distância) por iniciativa própria. Além de irem e voltarem a pé, trouxeram as compras NA SACOLA RETORNÁVEL!!!!!!

Bjs!


Silvia, concordo com a maioria das coisas que você listou. Só não acho que precisamos necessariamente de leis para obrigar tudo isso. Precisamos é disso que você está fazendo: gente apoiando, gente falando sobre o assunto, gente apontando alternativas. Não podemos exigir que os outros mudem se não mudarmos a nós e àqueles próximos a nós. E quanto mais gente mostrar que é possível, mais a cultura vai se espalhando...

Claro que uma lei ou outra seriam interessantes para chamar a atenção e tentar mudar "à força". Mas o fato é que, se colocarmos a responsabilidade dessa mudança nas mãos dos outros, ela nunca vai acontecer. Se tomarmos ela para nós, ao menos temos alguma chance!

A propósito, eu adoro meu coletor (uso um Lunette), e consegui encomendar do Brasil cinco absorventes reutilizáveis lindíssimos e super confortáveis, feitos por uma empresa de Brasília, a ModSer. Altamente recomendado :)

Lucia, eu sei, eu também demoro até conseguir mudar de verdade. Mas sei também que há esperança: se até o maridon parou de trazer sacos plásticos do supermercado! :-) Agora as compras, quando ele vai fazer, vêm em caixas de papelão. Não é lindo? :-)

Silvia, não desanime. Mudar um comportamento é MUITO mais complicado q parece, principalmente qdo já se está "confortável" nele. Mas é de passinho em passinho q aos poucos a coisa anda. :)

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Esta página contém um post de Silvia D. Schiros publicado em outubro 22, 2009 11:44 AM.

Seminário Internacional discute os desafios da habitação de interesse social no Brasil é a postagem anterior.

O lixo transformado em luxo! é a próxima postagem.

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