Um dos dilemas no mundo surfista é o fato de que, em geral, os praticantes deste esporte têm uma relação com a natureza muito íntima (muitos são defensores do meio ambiente fervorosos), mas para conseguirem se manter de pé em suas pranchas e cortarem perfeitamente as ondas, precisam se "grudar" sobre a prancha com parafina, um material derivado do petróleo e altamente tóxico ao ecossistema marinho.

Surfistas protegem e poluem ao mesmo tempo; uma contradição, certo?

Não mais. A empresa brasileira Go Green Surf desenvolveu a "parafina ecológica", feita basicamente com cêra de abelha e extratos florais, numa embalagem feita de papel reciclado e com cola de mandioca. Em 4 versões, de acordo com a temperatura da água em que você vai cair: água quente, água morna, água fria e água gelada. Mas há no site da empresa dicas de uso para que ela fique ainda mais firme em qualquer condição de água.

Já dá pra garantir altos cutbacks na próxima temporada de ondas sem poluir o mar. Surfe verde, aloha!

(Vi a notícia lá no blog Alohapaziada, do Maurio Borges, num post que comentava também sobre a parafina ecológica americana Matunas, feita com mel, baunilha, melancia, jasmim e morango. Não interessa a nacionalidade, o que importa é surfar verde.)

2 Comments

Mahai, acho que a proposta é encontrar novas maneiras, menos impactantes, de fazermos as coisas. Claro, o primeiro mandamento da sustentabilidade é reduzir. Coisa difícil, né? Eu, por exemplo, me propus, este ano, a andar menos de carro. Confesso que não reduzi as minhas viagens tanto quanto gostaria, mas reduzi. Ainda não há infraestrutura na maioria das cidades brasileiras para podermos abrir mão dos carros. Meu sonho de consumo: vender meu carro e comprar um riquixá, mas cadê que tenho coragem de pôr minhas filhas dentro de um riquixá no meio desse trânsito doido? (E olha que aqui nem é tão feroz quanto no Rio ou em Sampa!)

Volta e meia me pego pensando em tudo de que teríamos que abrir mão (e que não faria a menor falta para a nossa sobrevivência), e vejo o quanto a situação é complicada. A gente vai mudando aos poucos, mas será que adianta mudar a passos lentos? E a gente acredita na necessidade de mudar, e o que fazer com aqueles que acham esse papo uma grande besteira?

E a prancha? Feita de resinas e fibras?
E as roupas de neoprene?
E o fluxo de jet-skis em algumas praias?
E a invasão de áreas com flora e fauna?
Surfe verde? Alivia um pouco mas e se todos nos tornássemos surfistas verdes? A natureza nos aguentaria?

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Esta página contém um post de Lucia Malla publicado em dezembro 7, 2008 3:15 PM.

A última chance da indústria automobilística é a postagem anterior.

Coletor de pilhas e baterias usadas é a próxima postagem.

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