dezembro 2008 Archives

Interessante a notícia da BBC:

"Desastres naturais mataram 220 mil em 2008". (texto completo aqui)

A medida, na verdade, é o rombo que uma seguradora teve: nada menos que "cerca de US$ 200 bilhões (aproximadamente R$ 475 bilhões) em 2008, bem acima dos US$ 82 bilhões (R$ 195 bilhões) registrados em 2007". E mais interessante ainda é o fato do grupo afirmar "que as mudanças climáticas estão agravando o poder de destruição dos desastres naturais e diz que um acordo sobre o clima é urgente".

Certo, certo! Já ouvia, desde criança, que a parte mais sensível do corpo humano é o bolso. Hipocrisia dessa empresa à parte, o fato é que parece que a natureza está descobrindo por onde se vingar.

O maior sinal, no entanto, está no fato de que o número de "catástrofes" diminuiu: de 960, em 2007, para 750 em 2008, segundo contabilizado pela seguradora. Onde está, então, o problema?

Em 2008 Santa Catarina veio, literalmente, abaixo. Em qualquer site ou retrospectiva jornalística é possível rever, senão todos, quase todos as 750 catástrofes.

O problema é que a ação destruidora humana é irreversível, assim como a reação da natureza, também destruidora. O homem destroi a natureza para construir seu mundo; a natureza, por sua vez, destroi as construções humanas e mostra, com isso, que só existe um mundo, o seu mundo.

Queiramos ou não, a guerra final entre os homens e a natureza já começou. Não importa, para a natureza, que os homens se matem no Oriente Médio ou em qualquer parte da Terra, ou seja lá por que razão façam isso. Importa que ela sabe que sobreviverá, segundo os cânones da ciência, por no mínimo mais cinco bilhões de anos.

Não importa, para a natureza, se viverá apenas de pedras, feito Marte, ou de gases, feito Júpiter. Continuará sendo natureza. Biodiversidade é um conceito temporal. Depende de que época estamos falando. A biodiversidade no tempo dos dinossauros é tão diferente da biodiversidade dos tempos primitivos, quanto é da atual e será da futura. A dinâmica da natureza é tão dinâmica que muda conforme o "ser" predominante. Nosso fim foi decretado quando adquirimos aquilo que nos fez pensar sermos "superiores": a inteligência (entendida, aqui, como conceito que nós mesmos inventamos).

Junto com a inteligência adquirimos, também, a incrível capacidade de pensar que somos eternos. Criamos religiões, crenças, filosofias - ou seja lá que nome se queira dar - que criaram rituais que nos dizem isso. Que nos fazem pensar que não pertencemos a esse mundo. Daí podermos destuí-lo! Afinal, depois da morte teremos a vida eterna.

A quem, então, queremos "salvar" fazendo a nossa parte, se somos eternos? À natureza? Não creio! Ela não precisa de nós. Não precisou para existir por cinco bilhões de anos e não precisará pelos próximos.

Não há como salvar a natureza (que, repito, não precisa de nós para continuar existindo) se não salvarmos a nós mesmos.

Primeiro por acabar com a ilusão da eternidade. Seja aqui, seja no reino dos céus. Segundo, por entender que, assim como dinossauros e tantas outras espécies que por aqui já tiveram seu tempo, o nosso um dia acabará. O máximo que podemos fazer é prolongar esse tempo, mas não eternamente. Terceiro, por entender, finalmente, que a única coisa que podemos fazer - e aí reside, quem sabe, o sentido de "fazer a sua parte" - é buscar uma vida saudável para cada um de nós e para os nossos descendentes.

Como genealogista amador, que já descobriu antepassados nos idos de 1600, me pergunto: será que eles imaginavam como seria o mundo ao tempo da minha vida, tanto quanto eu tento imaginar como será a vida dos meus descendentes daqui a 400 anos? (e olha que já cataloguei mais de mil descendentes, nesses 400 anos, desse único casal de seres humanos! Será que nos mesmos 400 anos eu terei, também, mil descendentes?)

Não faço a minha parte por defender a natureza, mas por defender, quem sabe, uma existência digna para essas prováveis mil pessoas. E se cada um de nós tiver mil descendentes para defender?

"O homem é a medida de todas as coisas". Nada mais certo e nada mais errado. Errado, quando nos tornou o que somos; certo, quando nos faça ver que é a nós que devemos preservar. Infelizmente, pensamos quase que somente na preservação do patrimônio. Passamos a vida trabalhando para "adquirir" bens e depois deixá-los para os nossos descendentes. Todo um sistema moral-jurídico-econômico foi construído pela humanidade somente para a preservação do "ter". É recente a possibilidade de defesa jurídica do "ser". E mesmo assim voltada apenas para uma compensação material.

E é desse sistema que deriva outro. Ou melhor, esse sistema precisa que outro funcione a sua imagem e semelhança: o sistema educacional. Sistema institucionalizado pelo estado e pelas religiões, filosofias, seitas, etc. As religiões, por sinal, fariam um grande serviço à humanidade se parassem de prometer vida eterna lá fora e buscassem mostrar que devemos ter, ao menos, ou pelo menos, uma vida digna aqui mesmo. E vida digna aqui mesmo significa uma coisa muito simples de ser feita: comunhão com a natureza.

Então, adianta querer fazer a sua parte?

Adianta se pensarmos que o que mais esse modelo tem nos roubado é o tempo. O pouco tempo que temos, se comparado ao tempo que a natureza tem. O pouco tempo que temos para fazer as "pequenas" coisas que siginficam o "fazer a nossa parte".

Pensamos que o que mais nos faltará é a água, mas na verdade nossa maior falta é o tempo. Água é uma questão meramente econômica, tempo é uma questão de vida. E reproduzo, aqui, os sábios versos do Eclisiástes:

"Há um momento para tudo e um tempo para todo propósito debaixo do céu.
Tempo de nascer,
tempo de morrer;
tempo de plantar,
e tempo de arrancar a planta.
Tempo de matar,
e tempo de curar;
tempo de destruir,
e tempo de construir.
Tempo de chorar,
e tempo de rir;
tempo de gemer,
e tempo de bailar.
Tempo de atirar pedras,
e tempo de recolher pedras;
tempo de abraçar,
e tempo de se separar.
Tempo de buscar,
e tempo de perder;
tempo de guardar,
e tempo de jogar fora.
Tempo de rasgar,
e tempo de costurar;
tempo de calar,
e tempo de falar.
Tempo de amar,
e tempo de odiar;
tempo de guerra,
e tempo de paz.

Que proveito o trabalhador tira de sua fadiga? Observo a tarefa que Deus deu aos homens para que dela se ocupem: tudo o que ele fez é apropriado ao seu tempo. Também colocou no coração do homem o conjunto do tempo, sem que o homem possa atinar com a obra que Deus realiza desde o princípio até o fim." (Bíblia de Jerusalém, Eclesiastes, 3, 1-11).

E eu diria, como desejo para 2009:

Que a natureza possa ter seu tempo de nascer e seu tempo de morrer, e que possamos ser apenas seus cuidadores e não seus algozes;

que possamos plantar e arrancar as plantas na única medida da nossa irmandade com a natureza;

que possamos utilizar a natureza para curar a todos os que padecem e não apenas para matar em proveito de lucros;

que possamos chorar e rir de alegria e não de tristeza por ver a devastação da natureza;

que bailemos com o murmurar das árvores ao vento e não com o gemer das árvores que caem pelas nossas mãos;

que possamos atirar pedras apenas em lagos, para fazer felizes nossos filhos, e que possamos recolher pedras apenas para construir nossa sobrevivência;

que tenhamos a sabedoria de abraçar a tantos quantos passam por nós, pois do abraço nasce o querer; e que a vida nos ensine a separar a estupidez que destói a natureza da sabedoria que nos faz perceber unos;

que possamos buscar a harmonia da vida e que possamos perder a arrogância que nos faz sentir superiores;

que possamos guardar a flor seca entre as páginas de um livro e não apenas jogá-la fora quando pensarmos que não mais nos serve o presente;

que possamos rasgar as roupas da hipocrisia e que possamos costurar o manto da sinceridade;

que jamais calemos diante da nossa destruição e que possamos falar, sempre e enquanto tivermos voz, contra tudo e contra todos os que querem ver o fim da natureza;

que tenhamos tempo, mais do que simplesmente o tempo, para amar; amar uns aos outros. Não porque Deus assim o fez, mas por entender que só assim realizaremos a plenitude da natureza; e que possamos ter, com naturalidade, ódio de tantos quantos destróem a natureza pura e simplesmente por egoísmo;

que tenhamos paz em nossos corações para evitar as guerras.

Por fim, não saberia desejar outro 2009.

Mas de uma coisa eu sei: que 2009 seja um tempo de

amar,
falar,
costurar,
guardar,
buscar,
abraçar,
recolher pedras,
bailar,
rir,
construir,
curar,
plantar,
nascer.

Talvez isso seja fazer a sua parte.

FAÇA A SUA PARTE em 2009.

Ontem, às 21:00h, horário de verão, na "Mui Leal e Valerosa Cidade de Porto Alegre", foi realizado o sorteio do Natal do Faça!. Não foi possível filmar, conforme prometido, mas tiramos fotos de todas as etapas. Assim, aí estão todos os participantes:

Após, foram todos devidamente dobrados e colocados no gorro do Papai Noel, que, segundo consta, é pessoal da mais alta confiança:

Para tirar o vencedor, nada melhor que a inocência e a pureza de uma criança:

A alegria contagiou até mesmo a Condessa, ao abrir o nome sorteado:

Por fim, o vencedor. Na verdade, a VENCEDORA:

Taís Vinha, do blog "OMBUDSMÃE".

(Taís, por favor mande-nos um e-mail (facaasuaparte ARROBA gmail PONTO com) com o endereço para que possamos enviar o livro)

A todos os participantes nosso muito obrigado. E que este pequeno repensar o Natal se multiplique.

Eis o post que ela fez:

"Fui convidada pela Silvia Schiros a participar de um post coletivo do Faça a Sua parte promovendo o renascimento do Natal e sugerindo dicas de presentes ecológicos. Quem frequenta a blogsfera se surpreende com a quantidade de pessoas discutindo o Natal. Uma data tão significativa, que se transformou no grande mico do ano.

Acordei na madruga dando o "download" numa idéia. Acho que foge um pouco da proposta do Faça de sugerir presentes ecológicos, mas repensa o Natal. Portanto, ei-la!

A primeira coisa seria minimizar o Papai Noel da Coca-Cola. Esse velhinho obeso, gastador, que nos estimula a comprar, comprar e comprar e que está, desde o final de novembro, molhado de suor, em TODOS os shoppings centers. Desculpe, bom velhinho, mas você ficou over. Não tem mais nada a ver com os tempos que vivemos. Acabou a magia.

O que vai salvar o Natal, é voltarmos ao principal sentido da festa no mundo ocidental: celebrarmos o nascimento do Cristo. Não o Jesus religioso, que morreu pelos pecadores e que faria você parar de ler este texto bem aqui. Não é desse Jesus que falo. Temos que resgatar o Jesus revolucionário. O ecologista. O maluco beleza que, há 2000 anos, abalou as estruturas da Roma perdulária e cheia de vícios, com suas idéias de vida simples. De amor ao próximo. De comunhão com a natureza.

Temos que resgatar o barbudo que disse que somos todos uma só família. Todos habitantes do mesmo planeta Terra. Eu, você que está me lendo, o feirante, o doutor, o agricultor, o catador de papel. E que as diferenças impostas pela sociedade são cruéis e fonte da maioria dos nossos problemas.

Temos que resgatar o homem que, ao ver que a comida não dava para todos, dividiu-a. E, ao invés de uns poucos comerem muito, todos comeram um pouco. O homem magro, de modos frugais, que se satisfazia com frutas, grãos, mel, peixe (talvez) e um vinhozinho de vez em quando, porque ninguém é de ferro. E não com leitões, cabritos, tenders, chesters, lombos, picanhas - geralmente, todos juntos na mesma ceia.

Temos que reviver as idéias do sujeito que introduziu o conceito de vida simples no ocidente. E praticou-a todos os dias em que viveu. Aquele homem que vivia apenas com o necessário, pois acreditava que os únicos bens que devemos acumular, são os valores que levamos dentro de nós. Que expulsou os mercadores do templo, pois uma coisa são valores da alma. Outra são os do dinheiro. E feliz é quem consegue diferenciá-los.

Renascer a alegria de um homem que vivia rodeado de amigos, que amava os animais, que viajava, que era carinhoso e benevolente com todos. Principalmente, com aqueles que erravam (isso me dá um alento, que nem te conto!).

Neste Natal, tenho pensado muito nisso. Pensando no aniversariante que, quando estudado livre das amarras e preconceitos da religião, revela-se um grande visionário. Um líder transformador, que parecia antever a encrenca que 2000 anos depois nos enfiaríamos. Em tempos de simplicidade voluntária e consumo consciente, não vejo ninguém melhor para seguirmos.

Que este ano, a gente consiga plantar a sementinha de um Natal verdadeiramente Cristão. Um Natal "menos" em tudo o que é material. E "mais" em alegria, risadas, comunhão com aqueles que amamos, divisão e confraternização. Um Natal com menos sobras. Nas lixeiras, na geladeira e nas parcelas do cartão de crédito. Essa é a minha sugestão. Um Feliz Natal para você e para todos nós! " Taís Vinha.

Este é um post coletivo. Fruto do debate, aqui no Faça a sua parte, sobre como poderíamos pensar em um Natal que nos aproximasse da natureza e ao mesmo tempo valorizasse a confraternização, com o resgate de valores talvez sublimados pelo consumo de presentes industrializados.

Vinte e cinco de dezembro não é uma data do Calendário Verde do Faça. Mas deveria ser. Até não muito tempo, essa época era admirada e comemorada pela humanidade como um símbolo do renascimento, momento em que o Sol, em seu ponto mais longínquo de nós, retornava de sua longa caminhada pelo céu. Parte da natureza, enquanto isso, aproveitava para descansar, para proteger-se do frio; para proteger suas sementes. A outra parte colhia a transbordante energia de um Sol que estava bem acima de nós. E parte da humanidade também se recolhia, e no recolhimento integrava-se, regojizava-se confraternizando. E parte da humanidade também transbordava, integrava-se, regojizava-se confraternizando. E os homens do norte e os homens do sul davam-se presentes da natureza, para lembrar que era uma época de alegria, de estarem próximos, uns aos outros, no frio ou no calor, confraternizando.

Hoje estamos afastados desse tempo. Vivemos no tempo do consumo, do consumo desenfreado de produtos industrializados, do consumo do 1,99 e dos produtos importados que trazem em si um enorme prejuízo para a natureza. Onde o ostensivo tem mais valor que o simples, o simples feito com as próprias mãos, com materiais que estão bem ali, na nossa frente.

Esse post não é um convite para uma blogagem coletiva. É um convite para um renascimento. Renascimento da confraternização como símbolo da nossa união com a natureza; com o frio e com o calor, com os presentes feitos da natureza. Queremos, sim, como ate não muito tempo se fazia, dar presentes da natureza. Presentes que digam a todos os que nos rodeiam o quanto ainda devemos ser gratos a esse Sol que vai e vem; a essa natureza, sempre exuberante, tanto no recolhimento das sementes quanto esplendor das suas flores e folhas.

Queremos saber que sugestões você teria para presentear seus parentes, amigos, colegas, enfim, a todas aquelas pessoas que você costuma presentear no Natal.

A campanha do Natal do Faça é bem simples: escreva um post no seu blog com dicas de como presentear de forma ecológica. Se não tiver blog, deixe a sua dica nos comentários.

seisgraus.gif

Os participantes concorrerão ao sorteio do livro "Seis Graus: o aquecimento global e o que você pode fazer para evitar uma catástrofe", do renomado ambientalista Mark Lynas. (veja aqui detalhes sobre o livro e, inclusive, um trecho).

O sorteio é aberto a todos, inclusive aos membros do Faça a sua parte. No dia 24 de dezembro, os nomes dos participantes serão escritos em pedaços de papel e colocados em um recipiente. Um será retirado. O sorteio será filmado e o filme disponibilizado para quem quiser. No dia 25 faremos um post anunciando o vencedor e republicaremos o seu post. No mesmo dia 25 entraremos em contato para enviar o livro.

ATENÇÃO: sorterio realizado. Amanhã, 25, publicaremos o resultado.

Já estão participando do sorteio:

Estão participando, mas não do sorteio:

Na fila da padoca, ontem à noite, fiquei na dúvida entre comprar um azeite na promoção e a última edição da Superinteressante, que traz na capa a atual situação deplorável dos oceanos do planeta. Acabei optando pela revista, o que acabou sendo uma boa escolha, não pela matéria de capa, que nada mais é do que um grande cozidão do que vem se falando sobre o tema há meses (quiçá anos). Folheando o material hoje de manhã, o que mais me chamou a atenção foi a entrevista com Tim Jackson, professor de desenvolvimento sustentável da Universidade de Surrey, em Londres, primeira instituição da Inglaterra a criar um departamento específico sobre o tema.

Jackson afirma categoricamente que o crescimento ininterrupto da economia global (um dos pilares do capitalismo moderno) é imcompatível com a sustentabilidade do planeta. Não é comunista, nem petralha, nem antiamericano, apenas mais um da crescente geração de pessoas que acredita num outro mundo possível, sob as regras da economia verde. Já foram ridicularizadas e agora são atacadas. Falta pouco para que sejam consideradas arautos do óbvio.

Enquanto governos e iniciativa privada não se mexem e continuam dando de ombros para o que se avizinha, como vimos em Poznan ou Marraquesh, cabe a nós, indíviduos tomarmos medidas diárias, pouco a pouco, pra ver se lá na frente algo muda. Alguns passos básicos, segundo Jackson, são:

Comprar menos, ser mais eficiente no uso da energia, viajar menos de carro e avião, economizar, fazer investimentos éticos e protestar!

Se for pra ir pro saco, que seja de botas calçadas!

(Este foi meu 100o. post no Ecoblogs!)

Em carta enviada à conferência da ONU sobre mudanças climáticas que aconteceu em Poznan, na Polônia (terminou domingo agora), o presidente Evo Morales, da Bolívia, propõe a criação de um novo modelo de desenvolvimento para o mundo, baseado na sustentabilidade e harmonia com a natureza. A busca incessante pelo lucro, acima de tudo, está destruindo o planeta, diz Morales.

Segue um trecho:

Tudo começou com a Revolução Industrial de 1750 que deu início ao sistema capitalista. Em dois séculos e meio, os países chamados "desenvolvidos" consumiram grande parte dos combustíveis fósseis criados em cinco milhões de séculos. A competição e a sede de lucro sem limites do sistema capitalista estão destroçando o planeta. Para o capitalismo não somos seres humanos, mas sim meros consumidores. Para o capitalismo não existe a mãe terra, mas sim as matérias primas. O capitalismo é a fonte das assimetrias e desequilíbrios no mundo. Gera luxo, ostentação e esbanjamento para uns poucos enquanto milhões morrem de fome no mundo. Nas mãos do capitalismo, tudo se converte em mercadoria: a água, a terra, o genoma humano, as culturas ancestrais, a justiça, a ética, a morte...a própria vida. Tudo, absolutamente tudo, se vende e se compra no capitalismo. E até a própria "mudança climática" converteu-se em um negócio.

A íntegra da carta pode ser lida aqui.


Morales está certo em gênero, número e grau. O que temos hoje é capitalismo no lucro, socialismo no prejuízo. A crise atual foi provocada por instituições financeiras até então tidas como acima de qualquer suspeita. E a cada novo golpe que surge, quem paga a conta somos nós.

Ou repensamos já o modo como produzimos e consumimos, ou vamos todos pro mesmo buraco.

O julgamento ainda não acabou, porque o ministro Marco Aurélio Mello que analisar melhor a questão, mas o resultado já tá definido: a demarcação da reserva indígena na Serra Raposa do Sol, em Roraima, respeitará a Constituição brasileira e será contínua. Os arrozeiros - muitos deles políticos, grileiros e afins - terão que sair. A decisão, que é mas não é ainda, acirrou os ânimos entre invasores e índios. Os primeiros dizem que não vão sair agora, que a Funai tem que rever o valor das indenizações, que o tempo lhes favorece e que eles não vão ser escurrachados de lá pelo governo. Já os índios e ONGs não gostaram do adiamento da decisão final, pedem mais segurança ao governo e, em alguns casos como no do Greenpeace, consideram que o resultado fere os direitos indígenas, porque tira dos índios a prerrogativa de serem consultados sobre as ações do governo na região.

Eu particularmente acho até que, se os índios quiserem declarar independência de seu território, se declararem jupiterianos ou descendentes dos atlântis, é justo, Isso num mundo ideal, claro. Mas sei das implicâncias geopolíticas de tal ato e que muitos países foram à guerra para evitar esse tipo de cisão. Por que não, então, trabalhar com eles, respeitar suas necessidades locais e desenvolver uma espécie de PAC indígena, em parceria? Melhor do que colocá-los em constante estado de suspeição e assim cinicamente negar-lhes o que é seu de direito, não?

Quando o caso é de farinha pouca, cada um tenta cuidar do seu pirão, e é até compreensível (nem sempre justificável...). Mas lá tem terra pra caramba - e de mais a mais os invasores são os arrozeiros e a Constituição brasileira diz que os índios têm razão. Então, qual o motivo de tanta confusão? Vão plantar arroz noutro lugar!

O Vaticano acaba de inaugurar um sistema de captação de energia solar. O projeto de 1.200.000 euros foi desenvolvido e doado pelas empresas alemãs SolarWorld e Sma Solar Technology, consentirá uma economia de 80 toneladas de petróleo por ano, evitando a produção de aproximadamente 225 toneladas de CO2.

São 2.400 painéis instalados no telhado da sala Paulo VI, onde ocorrem as audiências oficiais e os concertos, uma área de 5.000 metros quadrados e produzirá 300 megawatts/ano de energia limpa e renovável.

O sistema instalado não é capaz de produzir toda a energia de que o Vaticano necessita, mas a ideia é não parar por aqui. Espero que o exemplo repercuta por todo o mundo e que seja muito, muito copiado.

O Ouro Azul

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A água está se tornando cada vez mais escassa e se prevê para daqui a 20 anos uma crise na relação entre sua disponibilidade e as necessidades da humanidade. E como ela é um recurso absolutamente indispensável para a vida na Terra, ela está se tornando um produto estratégico, dizem até que deve ser criado um cartel da água como existe a OPEP para o petróleo e que esta será cotada nas Bolsas de Valores. Parece um cenário catastrófico em um filme de ficção? Não é não, neste post tentei recensear alguns dos malabarismos que alguns países já fazem para ter acesso ao "ouro azul", como ela é chamada.

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É verdade que a Terra é constituída principalmente de água. O problema é que da água existente sobre a Terra, 97,5% é salgada e dos 2,5% restantes, uma boa parte é inacessível sob a forma de geleiras e lençois freáticos muito profundos, e somente 1% é disponível para o consumo, que é a água dos rios e das fontes, que é renovada com a chuva e com a neve...finalmente somente 0,001% dos recursos em água do planeta podem ser utilizados diretamente.

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Logo realmente ela vale ouro! Pois ela não é distribuída igualmente pelo mundo. Os países que não a possuem em quantidade suficiente tentam por todos os meios obtê-la e os que a possuem em abundância procuram "vendê-la", em troca de vantagens econômicas ou políticas. Na Austrália, por exemplo, onde as vazões dos rios são altamente irregulares (variando com um fator de 1/4700) de um ano a outro), a paisagem é semeada de barragens e reservatórios, para capturar o precioso líquido e guardá-lo para a época das vacas magras. Em Singapura, a penúria obriga o país a comprar uma parte de sua água na Tailândia...imagine o que acontecerá se um dia este país fecha as torneiras ou se cobra muito caro! Nos países do Saara (Argélia, Tunisia, Libia), eles vão procurar a agua no lenço freático profundo por meio de perfurações e este está se esgotando, pois a retirada é superior à sua capacidade de renovação. Em regiões do Chile e do Equador, eles recuperam água até da neblina...na Arábia Saudita, Israel e outros países eles retiram o sal da água do mar, em processos que consomem enormemente de energia. Aliás, Israel e os outros países do "triângulo da sede" (Israel, Palestina e Jordânia), que estão em conflito no plano político são obrigadas a cooperar no dominio hídrico, dividindo as águas do rio Jordão, que abastece a todos.

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Estes exemplos mostram que as necessidades de água tem respostas diferentes para cada país, mas que elas estão presentes em todos. O que acho mais assustador é esta maneira de olhá-la como um "mero produto de barganha", com o risco de que no futuro só os que poderão pagar terão acesso à ela, seja no nível individual ou nacional.

O diaporama abaixo mostra como funcionam alguns dos meios que foram encontrados para paliar a falta de água e utilizá-la do modo mais econômico possível.

Fontes :

*O diaporama é baseado no artigo "Pas question d'en perdre une goutte" da autoria de Sylvie Rouat para a revista "Challenges". Extratos do livro "L'Avenir de L'eau" de Erik Orsenna publicados na revista "Challenges" . Artigo "La guerre de l'eau n'aura pas lieu" de Eliyahou Rosenthal publicado aqui.

O texto a seguir é do Jubal, nosso companheiro do Faça, que está com problemas de acesso à plataforma do MT:

A LEI Nº 4.771, DE 15 DE SETEMBRO DE 1965 (Código Florestal) estabelece no artigo 2, quais são as faixas de terra reservadas como Área de Preservação Permanente (APP), cuja função é a de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas, etc. e tal.

Em nossa região, onde os rios são bastante largos (entre 200 metros e mais de 600 metros), a faixa reservada deveria ser entre 200 e 500 metros, desde o seu nível mais alto em faixa marginal. Como dizem os caboclos daqui: "Mas quando, sumano...Nada disso acontece..."

Ocorrem construções (residenciais e comerciais) marginais aos rios, que lançam todos os dejetos diretamente em seu leito. Se eles soubessem que a água é coletada pela COSANPA pra distribuir entre os moradores...iriam chorar de ódio por estarem bebendo o "xarope".

Existem estaleiros (primitivos ou profissionais) que jogam todas as sobras de material não reciclável no rio. E o entulho aumenta consideravelmente.

Está claro também, que nos perímetros urbanos, definidos por lei municipal e incluídos nos planos diretores e leis de uso do solo, observar-se-á o que está escrito lá, desde que respeitados os princípios e limites da lei federal. Respeitar o quê?

A atividade garimpeira, que se desenvolve há mais de 50 anos lança todos os resíduos (sedimentos e produtos altamente tóxicos) no rio Tapajós. Uma carga pesadíssima que está assoreando o leito do rio, paulatina e continuamente. Aliás, para determinar a verdade dos fatos, desde os seus formadores, rios Teles Pires e Juruena, onde dragas escariantes e balsas realizam o trabalho garimpeiro existe o desmonte e assoreamento dos canais de navegação nos leitos destes rios.

A cidade de Itaituba e as demais ao longo do Tapajós sofrem com os mais diversos sintomas de degradação ambiental por ar, por terra e pelo rio.

Durante o dia, os "maratonistas vocais" brigam para ver quem faz mais barulho nos ouvidos dos prováveis compradores (se eu fosse um deles não entrava naquela loja) e à noite, os carrões e os bares ligam os sons e mandam ver a barulheira infernal na orla da cidade. Na terra, os tabuleiros na parte comercial impedem a passagem dos pedestres que vão dividir a rua com os mal-educados motoristas e motoqueiros, correndo o risco de um acidente. No rio, uma carga de dejetos provenientes de lixão, de bares da cidade, de moradores transforma o Tapajós numa lixeira aquática.

Existe salvação para nós? Sim, desde que passemos a discutir (desde 2007 já rogo pra que haja esse debate) os nossos problemas às claras; desde que o poder público passe a olhar com mais calor para a urbanização da cidade, através de saneamento básico e organização habitacional ou, como gostam, da urbanização; desde que a educação ambiental saia das escolas, com suas centenas de alunos e passe a participar ativamente da educação da população em geral; desde que o direito ambiental seja
implementado, através de lei de responsabilidade ambiental, da jurisprudência (melhor que fosse pela prudência) e pela doutrina ambiental; desde que os governantes municipais se unam em torno de uma discussão local (não em
Belém do Pará, que não sabe nada daqui) para verificar os problemas comuns e encontrar as soluções conjuntas, sem o estrelismo ou o coronelismo marcante nestas bandas.

E como as festas natalinas se avizinham vou pedir de presente que todos por aqui, por lá e por todos os lugares se juntem e passem a minimizar a agressão com o ambiente!

papapilhas.jpg



Fiquei muito feliz em saber que a agência do Banco Real próxima à minha casa tem o Programa Real de Reciclagem de Pilhas e Baterias: o Papa-Pilhas.


Eu já estava preocupada com a quantidade de pilhas usadas que mantinha em casa, por não encontrar um lugar adequado para descartá-las, embora os estabelecimetos comerciais tenham, por Resolução Conama 257 de 30/06/1999, de disponibilizar pontos para o recolhimento deste material. Este material, se exposto ao calor excessivo ou à umidade, podem vazar ou explodir.


Todo o resíduo recebido pelo Papa-pilhas deverá receber destino ambientalmente adequado pelos fabricantes e importadores, que se encarregarão de sua reciclagem. O Banco é responsável pelos custos de coleta, transporte e reciclagem dos materiais.


Gostei muito de chegar à agência e encontrar este coletor de pilhas e baterias portáteis usadas. Assim, juntos, empresa e clientes,
contribuem para um adequado descarte desses materiais, cujos resíduos tóxicos representam um risco ao meio ambiente e à saúde publica.


O importante é que cada cidadão crie o hábito de levar a pilha ou bateria velha ao ponto de coleta mais próximo de sua casa ou trabalho. Ou, como eu já fiz, utilize pilhas recarregáveis que podem ser reaproveitadas o máximo possível.

Não estou fazendo apologia ao banco, nem este post é patrocinado, é óbvio, né. Mas, sim, à disponibilidade de se encontrar pontos de coleta mais acessíveis por qualquer cidadão.

Imagem: coletor de pilhas e baterias usadas do Banco Real

Um dos dilemas no mundo surfista é o fato de que, em geral, os praticantes deste esporte têm uma relação com a natureza muito íntima (muitos são defensores do meio ambiente fervorosos), mas para conseguirem se manter de pé em suas pranchas e cortarem perfeitamente as ondas, precisam se "grudar" sobre a prancha com parafina, um material derivado do petróleo e altamente tóxico ao ecossistema marinho.

Surfistas protegem e poluem ao mesmo tempo; uma contradição, certo?

Não mais. A empresa brasileira Go Green Surf desenvolveu a "parafina ecológica", feita basicamente com cêra de abelha e extratos florais, numa embalagem feita de papel reciclado e com cola de mandioca. Em 4 versões, de acordo com a temperatura da água em que você vai cair: água quente, água morna, água fria e água gelada. Mas há no site da empresa dicas de uso para que ela fique ainda mais firme em qualquer condição de água.

Já dá pra garantir altos cutbacks na próxima temporada de ondas sem poluir o mar. Surfe verde, aloha!

(Vi a notícia lá no blog Alohapaziada, do Maurio Borges, num post que comentava também sobre a parafina ecológica americana Matunas, feita com mel, baunilha, melancia, jasmim e morango. Não interessa a nacionalidade, o que importa é surfar verde.)

Lembro de ter ficado bastante intrigado quando descobri, ao cobrir a edição de 1996 da tradicional corrida de calhambeques London-Brighton, que os primeiros automóveis do mundo - basicamente carruagens sem os cavalos - eram modelos elétricos! O primeiro foi inventado em 1830. Em 1920, 90% dos taxis de Nova Iorque eram movidos a bateria, época em que todos os bondes das cidades eram elétricos também - leia mais aqui.

Pensei: "Ora, como não desenvolveram a idéia desde então?" Bem, até desenvolveram, mas meio que em segundo plano, já que os motores a diesel e gasolina eram muito mais lucrativos. O petróleo era baratinho, fácil e abundante, e coisas como poluição do ar e doenças respiratórias, denunciadas por proto-ambientalistas ao longo do século 20, eram externalidades aceitáveis pelo bem do progresso.

Pois bem, quase um século depois, voltamos ao ponto de partida. O modelo de negócio baseado em carrões movidos a petróleo sofreu um grande baque com a crise financeira americana e o carro elétrico volta a ser uma opção - desta vez, até onde eu tenho lido, pra valer. As grandes fabricantes de carros dos EUA - Chrysler, GM e Ford - abriram o bico, estão na lona, implorando mais de US$ 30 bilhões para continuarem existindo. A população americana se diz contra o empréstimo, e muitos congressistas também. Eles sabem que, sem uma contrapardida equivalente, é jogar dinheiro no lixo. Muito dinheiro. Agora, qual seria uma contrapartida justa e viável? Certamente não estamos falando da baboseira de ver os altos executivos dessa indústria recebendo salários anuais de US$ 1...

Ou essas empresas mudam pra valer, ou têm mais que ir pro buraco. Sim, porque se continuarem a tocar o negócio da forma como o fazem hoje, vão quebrar mais dia menos dia. Por que não, então, investir no futuro? Em projetos como Better Place, de um empresário israelense, que já despertou o interesse de países como Dinamarca, Austrália e Israel, além de alguns estados americanos, como a Califórnia e Havaí.

A idéia é criar uma extensa rede elétrica para alimentar os veículos por todo o país, com ênfase no transporte público. Mas quem quiser ter seu carrinho elétrico, sem problemas. Vai ser até mais fácil: você pagará pela quantidade de eletricidade que usar. E só. O carro pode ser até dado de graça. Um sistema semelhante ao que vem sendo adotado com sucesso na telefonia celular hoje. Só compra celular quem quiser algo exclusivo. A maioria, no entanto, vai adotar os modelos mais populares. Eu não compro um celular há quatro anos e ainda assim consegui ter bons aparelhos - hoje tenho um modelo smartphone razoavelmente bom. Genial, não? E o melhor: temos toda a tecnologia necessária para por esse projeto em prática.

Aí, GM, Chrysler e Ford! Querem mesmo sair do buraco? Então pensem com a sustentável cabeça de amanhã, não com a gananciosa e poluidora de ontem. Vai ser bom pra vocês e pra gente também!

Dia desses, li um artigo interessante (e bem óbvio) lá no World Changing, sobre aquecimento global e a resposta das pessoas a ele. Mas, por mais óbvio que pareça o que a Lisa Bennett escreveu, o fato é que explica o por quê da nossa lentidão em fazer algo para resolver esse problema - em uma linguagem mais fluida. Resumirei aqui um pouco as palavras de Lisa, mas sugiro imensamente que leiam o artigo, que está mais bem colocado que minha tentativa tosca de traduzi-lo.

Lisa comenta que 2005 foi seu turning-point, ou seja, o momento em que ela tomou consciência do problema real que as mudanças climáticas eram e trariam para a vida futura. Foi quando cientistas começaram a martelar mais e mais de que se nada fizéssemos, nosso futuro como espécie estaria ameaçado. Acrescento um palpite pessoal: foi quando o Katrina destruiu Nova Orleans. As cenas que vieram à tona na mídia, a discussão sobre furacões que sucedeu, etc. trouxeram pra muito perto da nossa realidade as mudanças climáticas. Depois disso, vieram toda a farra de produtos eco-friendly que a gente conhece, muitos efetivos, muitos frutos de greenwashing.

Mas mesmo com tal iniciativa, as pessoas em geral ainda fazem muito pouco pelo ambiente, para evitar os estragos do aquecimento global. Por quê?

Ela cita que de acordo com cientistas sociais, a razão é que nós, humanos, não estaríamos hard-wired para entendermos riscos da mesma forma como os cientistas em geral vêem: uma questão de estatística, probabildiades. Para a maior parte das pessoas, risco é um sentimento, envolve emoções. "Se eu me sinto amedrontada, isto suplanta qualquer quantidade de informação estatística." É o que diz Elke Webber, uma psicóloga citada pelo World Changing.

E, é claro, as mudanças climáticas não acontecerão de uma hora pra outra - já estão acontecendo, aos poucos, lentamente. A gente não percebe os riscos, porque não há uma sensação de medo iminente. Não é um problema claro, de vida ou morte já. Isso é o que dificulta a tomada de decisão e postura das pessoas com relação ao problema.

Os cientistas, que em geral pensam em estatísticas, conseguem se balançar com os dados cada vez mais alarmantes. O que precisamos portanto, é que as campanhas e esclarecimentos desses cientistas toquem mais "ao coração" das pessoas. Apesar de eu achar particularmente complicadas campanhas muito "emotivas" (em geral elas deixam de lado os dados e apelam), entendo que essa é talvez a única maneira de espalhar uma idéia - e gerar ação contundente - para as massas. Ou, idealmente, melhor educação estatística para as pessoas, de forma que elas entendam os números que estão por trás dos cálculos de risco de forma embasada.

Trazer o problema pra bem perto também é outra forma de atingir as pessoas, mostrar os verdadeiros riscos das mudanças climáticas e com isso conscientizá-las a mudar de atitude e fazer algo. Por exemplo, se você mora no Rio, uma idéia é buscar os dados/previsões que mostram o que acontecerá com a cidade com alguns graus a mais. Mostrar também o que já está acontecendo. Com isso, as pessoas podem perceber que o problema está perto delas, não é tão abstrato quanto parece no discurso dos cientistas.

Quem sabe assim, a gente consegue conscientizar mais pessoas da realidade do aquecimento global...

(E eu não perco as esperanças, nunca, de que as pessoas farão algo pelo planeta.)

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