De acordo com nosso calendário verde, hoje, 27 de agosto, é o dia da Limpeza Urbana. O Allan foi muito feliz em postar anteontem sobre a situação de Nápoles, porque sinceramente quando ouço falar em limpeza urbana, é para lá que minha cabeça viaja triste, devido a situação escalafobética que virou a coleta de lixo urbano em tal encanto turístico. Para entender melhor o vergonhoso caso todo, recomendo ler o outro post dele.
Mas eu moro numa cidade que também deixa muito a desejar em questões de limpeza urbana. Apesar da lei do Kassab para retirar todos os outdoors e propagandas das ruas ter feito sucesso pelo mundo - poluição visual também é poluição, afinal - é pouco ainda, se comparado com a sujeira geral que vemos ao andar por aí.
Das questões de limpeza urbana na cidade, acho que a que mais me incomoda é até menor, mas uma velha conhecida de todos: a limpeza de calçadas com água. Minha vizinha faz isso e não adianta reclamar, porque na cabeça dela, só jogando baldes de água/mangueiradas você consegue tirar toda a sujeira que uma árvore faz - pois é, ela também acha que folhas de árvore que caem são "sujeiras", para meu desespero. É uma situação que me toca especialmente, porque penso: "Se não consigo educar meu vizinho, como faremos para melhorar a cidade toda?" Há um quê de reveladora impotência nessa situação que me incomoda. Mas, apesar de tudo, eu falo, comento, embora tenha a nítida noção de que cai no vazio. Uma porta falando talvez fosse mais eficiente.
Para quem não sabe, há um calendário de varrição das ruas da cidade. Se funciona? Eu particularmente nunca vi na minha ruazinha, mas imagino que deva funcionar nas ruas e avenidas maiores.
Mas mesmo se a prefeitura não varresse, qual a dificuldade em usar uma vassoura? Água é um bem tão precioso, por que gastar limpando a rua? Por que as pessoas acham que varrer com vassoura é "menos limpante" que com água?
São questões que eu me levanto agora, ao som da irritante mangueira d'água da vizinha. Vocês têm a resposta?
Lavar as calçadas pode não ser um pecado enorme. Como já disse a varrição levanta poeira e não é tão eficiente.
Em Barcelona a prefitura construiu mega-cisternas para poder lavar as ruas. Só pode lavar com a água estocada e em épocas de oferta. Havendo seca, a água fica reservada unica e exclisivamente para regar parque e jardins.
A lavagem pelo orgão público, em horarios e equipe treinad pode ser uma alternativa, desde que feita com água NAO tratada, só filtrada, de reuso ou acumulada.
Lavar a calçada com a água de descarte d máquina de lavar a roupa pode ser excelente idéia, mas tem ressalvas.
1) Esta água lavaria a calçada, tirando pó muito fino. Este pó iria para a rede pluvial, SEM TRATAMENTO (a ressalva).
2) A água residual, umidade das pedras, evaporaria mais facilmente, destilaria, voltando ao ciclo hidrológico. Ficaria sabao na calçada (ressalva).
Enfim, o que pode ser questionado é a maneira excessiva e descuidada de lavar as claçadas e rua. Não o ato, que pode ser necessario.
Morei uns tempos em Poços de Caldas. Fiquei abismada logo na primeira semana, quando acordei de madrugada com uma barulheira na rua. Todas as ruas do centro estavam sendo lavadas! E isso se repetia a cada 15 dias...
Me disseram que o procedimento é padrão em cidades turísticas. Totalmente absurdo!
Morei uns tempos em Poços de Caldas. Fiquei abismada logo na primeira semana, quando acordei de madrugada com uma barulheira na rua. Todas as ruas do centro estavam sendo lavadas! E isso se repetia a cada 15 dias...
Me disseram que o procedimento é padrão em cidades turísticas. Totalmente absurdo!
Morei uns tempos em Poços de Caldas. Fiquei abismada logo na primeira semana, quando acordei de madrugada com uma barulheira na rua. Todas as ruas do centro estavam sendo lavadas! E isso se repetia a cada 15 dias...
Me disseram que o procedimento é padrão em cidades turísticas. Totalmente absurdo!
Acho q um excelente ponto levantado pelo João e pelo Mahai é a questão do exercício, ou melhor, da preguiça humana. Varrer cansa, e muitos escolhem o caminho menos árduo para realizar qqer tarefa.
Mas mesmo assim, eu ainda acho q há um componente cultural enraizado nas pessoas. Se fosse meramente preguiça, veríamos o mesmo comportamento nas ruas de Seul ou nas Filipinas - e lá eu pelo menos não vi nada disso. Existe um inconsciente coletivo do brasileiro q diz q "limpar só com água". (Por isso muitos se desesperam qdo chegam nos EUA ou Europa e percebem q não há ralo no banheiro p/ lavar com água...)
"Lavar" a calçada é uma expressão deprimente ao ambiente desse inconsciente q está pela terra brasilis. (Freud explica, hehehehe)
Agora, já a questão q o Chico e a Luciana levantam é o caminho mais sensato: votar melhor. Só q infelizmente o pool de candidatos, no geral, não colabora. Além do básico de q muitos, depois de eleitos, mudam completamente suas "plataformas"... Há muito eleitorismo e pouca política.
(Mahai, adorei seu sistema de captação de água p/ lavar a garagem.)
Nossa, eu não sei nem se vale a pena continuar falando com as pessoas. Eu economizo água em tudo, absolutamente tudo, morrendo de medo da falta dela e a vizinha conversando com a outra, as duas com a mangueira aberta, sem nem estar usando. Quando reclamei, ainda ouvi um "ai, espera! Inferno.". Hehehhehehe.
Devia ter multa pra isso. Eu ia viver ao telefone denunciando. Ha ha ha ha....
Por aqui a limpeza das ruas tem hora marcada e funciona. Existem placas de trânsito informando os dias e horários em que é proibido estacionar para não impedir a varrição. Por outro lado, ainda vejo gente que lava a calçada com água como se fosse a coisa mais normal do mundo. E não é.
Ando participando de todas as datas do calendário. Cada um dá seu enfoque diferente a um mesmo tema e isso é precioso. Dei o meu enfoque para este Dia da Limpeza Urbana. Tão trivial quanto o seu Lucia, não estamos conseguindo nem fazer o básico ainda!!! Alguém está lembrando das eleições que se aproximam? Não vai adiantar fazer sua parte se continuamos errando na hora de eleger o poder público.
No prédio onde resido, no finais de semana, somos 32 unidades.
Fiz um estudo da área, da precipitação anual, de uma reforma no sistema de calhas, de duas caixas de água de 5.000 l, de uma bomba de 1/2 hp para recalque e tubulação para levar de uma para outra caixa.
O investimento viria do fundo de reserva. Como químico eu poderia tratar esta água para uso, eventualmente para consumo humano numa situação extrema.
Minha idéia era simplesmente usar esta água para regar e limpeza do prédio. Fui voto vencido.
Nem mostrando uma possivel economia, um retorno em 5 anos, convenci meus vizinhos.
Agora estou com outra idéia. Uma cisterna pessoal.
Tenho um terraço, 40 m2, a pluviometria da região chega a 100 mm/mes,0,10 m/mes, isto daria 4 m3/mês!
Vou armazenar na minha garagem, usarei a água para lavar o carro, dentro da garagem. A sobra se usará para lavar a garagem. Coisa impensável agora. Deixarei a [agua a disposiçao do predio, para regarem os canteiros.
assim espero convercer os vizinhos. Quem sabe se libere a lavagem de carros com água da chuva e a sobra desta lavagem se lave a garagem. lembrar que uma garagem é um espaço confinado, a varrição levanta poeira, pode causr desconforto a enfermos.
Hoje nem pensar em lavar carros, quem sabe a possibildiade de economia de lavagem fora viabilize a idéia da cisterna.
Lucia, também postei sobre este assunto no Ecoblogs, e penso que se as pessoas parasssem para pensar perceberiam que a água que utilizam para lavar carros e calçadas é tratada, clorada, água que deveria ser usada para se beber e não para se jogar fora.
Mas, você fez sua parte, avisando-a ou alertando-a do desperdício.
beijo,menina
Oi...
Confesso não lembrar a última vez em que vi alguém na rua sequer limpando a calçada. Não que elas sejam sujas, ao contrário. È uma característica do bairro.
A coleta funciona bem, uma equipe passa varrendo a cada dois meses em média.
Raramente se vê alguém nas ruas. Só portões dando acesso aos carros que entram e saem. Esses sim, sempre limpos e polidos. Talvez uma explicação para os lava-jatos - mestres no desperdício de água - sempre lotados
No entanto, outra característica notável é uma mancha branca ao pé das calçadas. Sinal claro que bairro elitista...De onde ela vem? Das águas de piscinas... Talvez o cloro seja a explicação para o fato de não brotar capim na rua.
E para onde essa água toda vai? Para a chamada "área verde". Triste não?
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Como você bem pontuou, limpeza urbana também significa redução da poluição visual, sonora... cuidar do ar, da mobilidade, da regulamentação predial e dos projetos urbanos capazes de efetivamente definir para onde e como as cidades devem crescer.
Pq não dizer que a solução para isso tudo começa com educação e termina com o estado exercendo seu poder de fiscalização e punição através de medidas que invariavelmente serão impopulares em um certo momento.
Infelizmente, em mais um período pré-eleições vemos os muros, postes, placas de trânsito e novos outdoors sendo emporcalhados e temos nossos ouvidos bombardeados com os jingles de gosto duvidoso em carros de som que em nada se adequam a qualquer limite de poluição sonora.
Piada é ver candidatos municipais desperdiçando a oportunidade de mostrar o quão antenados estão com tudo isso...
Ridulamente, eles são os primeiros a dar o péssimo exemplo.
Vou uma vassourada a mais.
Varrer e recolher. Tem quem varra para os bueiros.
na cidade onde trabalho existe vassoura mecanica para grandes ruas e aveniadas. O Material aspirado é levado para a área do antigo lixão formando pilhas. Neste local pretende-se montar uma unidade de compostagem de restos de poda, picotados, o material de varrição (areia) seria incorporado a este compostado para dar carga. A varrição manual, terceirizada, junta tudo em sacos que sao levados ao mesmo local.
Tudo peneirado, pois junto virão tocos de cigarro, clips,...
Já vi gente chamando atenção pelo uso de água na limpeza de calçadas e acho que esta prática pode ser proibida.
Acho interessante que muitas pessoas obesas, gordas,... gastam horas em academias mas nao querem gastar calorias na limpeza.
Pois é, Lúcia... Mas mesmo se a prefeitura não varresse, qual a dificuldade em usar uma vassoura? O esforço físico... a chamada "vassoura hidráulica" exige muito menos esforço físico (existem até aquelas lavadoras de jato d'água de alta pressão que arrancam até tinta, sem ser preciso lixar manualmente...)
A resposta já apareceu neste Blog em uma postagem antiga: todos estão preocupados com o meio-ambiente... ninguém acha que é sua própria responsabilidade fazer algo. E, enquanto cada um não fizer a sua parte, nada muda para melhor.
Um certo sujeito colocou, lá no "Roda de Ciência", uma observação muito a propósito: ninguém se toca dos custos envolvidos em, por exemplo, aumentar a capacidade de abastecimento de água em uma grande cidade. Aquele velho ditado: "onde come um, comem dois", não funciona quando enunciado: "onde tem água para um milhão, bebem dois milhões".
Se você for reclamar, ou ela vai dar de ombros, ou vai dizer "a Prefeitura é que é culpada"... Pegar na vassoura que é bom, ninguém pega...