Quando acabei meus estudos fui pro aprendizado prático nos confins de Rondônia. Lá encontrei minha primeira malária.
Depois resolvi, com a ambição de me tornar rico antes dos 40 anos, participar de uma sociedade garimpeira lá pelas bandas de Jacareacanga. Pedi demissão do emprego estável e fui para a batalha, que não durou 6 meses. Outra malária.
Desisti e voltei a ser um geólogo. Mais malárias.
Anos depois, já dobrando a esquina dos 50, me matriculei em um curso de pós-graduação em Gestão Ambiental, frequentei as aulas/palestras, participei das discussões, mas desisti na reta final.
Não importa, pois o que aprendi na teoria tentei desenvolver em um outro garimpo de ouro. Mesmo com a desconfiança dos habitantes locais - garimpeiros, mateiros, mecânicos e trabalhadores avulsos - coloquei em prática as mais simples soluções por lá.
Quando chegamos no Butica, todos os que precisavam fazer suas necessidades fisiológicas escolhiam um "trono" no meio da mata fechada. Qualquer pedaço de pau servia. Não demorou muito e todos estavam pisando nas próprias "cácas".
O material descartável era jogado de qualquer maneira em qualquer lugar possível. A água para consumo (banho e cozinha) era retirada de um igarapé com águas barrentas e suja.
Ia ser uma d ureza transformar aquilo em lugar habitável.
Reunimos com os moradores e a primeira pergunta foi: "Onde voces moram?" Todos deram um endereço na cidade mais próxima. E lhes dei a informação: "Errado. Vocês moram aqui.
É aqui que vocês passam a maior parte do tempo. Só vão na cidade uma vez ou outra". Não haviam pensado nisso até aquela ocasião.
Então, com a concordância de todos, foram construídas as latrinas, os depósitos de lixo, abertas valas para escoamento de água pluvial, limpeza de cozinhas e, principalmente, a limpeza do iga rapé de onde era retirada a água para consumo. No mês seguinte, a diminuição de medicamentos para diarréia e malária foi acentuada. Quem reclamou foi o cantineiro que passou a vender menos.
As latas de cerveja e refrigerantes foram armazenadas e levadas para a cidade para recicladores.
As garrafas vazias de "pinga" transformaram-se em muros, cercas e arranjos.
As peças inservíveis de motores foram colocadas em locais adequados.
Construímos uma barragem de contenção de material sedimentar, produto da lavagem de material aurífero nos moinhos, que seria aproveitado mais tarde.
As queimadas foram proibidas, apesar da resistência dos garimpeiros mais antigos.
As castanheiras e outros produtos nobres não foram mais derrubados.
Os óleos, graxos e combustíveis líquidos estaiveram sendo acondicionados em locais apropriados.

Conseguimos limpar o garimpo. O mérito foi dos garimpeiros de lá.
Então, quem disse que não dá pra mudar a visão e o modo de tratar com o meio ambiente errou completamente.
Na verdade só precisamos de pessoas que se habilitem a colocar seus conhecimentos a serviço daqueles que não olham para o seu lado e transformar as suas vidas.
Depois resolvi, com a ambição de me tornar rico antes dos 40 anos, participar de uma sociedade garimpeira lá pelas bandas de Jacareacanga. Pedi demissão do emprego estável e fui para a batalha, que não durou 6 meses. Outra malária.
Desisti e voltei a ser um geólogo. Mais malárias.
Anos depois, já dobrando a esquina dos 50, me matriculei em um curso de pós-graduação em Gestão Ambiental, frequentei as aulas/palestras, participei das discussões, mas desisti na reta final.
Não importa, pois o que aprendi na teoria tentei desenvolver em um outro garimpo de ouro. Mesmo com a desconfiança dos habitantes locais - garimpeiros, mateiros, mecânicos e trabalhadores avulsos - coloquei em prática as mais simples soluções por lá.
O material descartável era jogado de qualquer maneira em qualquer lugar possível. A água para consumo (banho e cozinha) era retirada de um igarapé com águas barrentas e suja.
Ia ser uma d ureza transformar aquilo em lugar habitável.
Reunimos com os moradores e a primeira pergunta foi: "Onde voces moram?" Todos deram um endereço na cidade mais próxima. E lhes dei a informação: "Errado. Vocês moram aqui.
Então, com a concordância de todos, foram construídas as latrinas, os depósitos de lixo, abertas valas para escoamento de água pluvial, limpeza de cozinhas e, principalmente, a limpeza do iga rapé de onde era retirada a água para consumo. No mês seguinte, a diminuição de medicamentos para diarréia e malária foi acentuada. Quem reclamou foi o cantineiro que passou a vender menos.
As latas de cerveja e refrigerantes foram armazenadas e levadas para a cidade para recicladores.
As garrafas vazias de "pinga" transformaram-se em muros, cercas e arranjos.
As peças inservíveis de motores foram colocadas em locais adequados.
Construímos uma barragem de contenção de material sedimentar, produto da lavagem de material aurífero nos moinhos, que seria aproveitado mais tarde.
As queimadas foram proibidas, apesar da resistência dos garimpeiros mais antigos.
As castanheiras e outros produtos nobres não foram mais derrubados.
Os óleos, graxos e combustíveis líquidos estaiveram sendo acondicionados em locais apropriados.
Conseguimos limpar o garimpo. O mérito foi dos garimpeiros de lá.
Então, quem disse que não dá pra mudar a visão e o modo de tratar com o meio ambiente errou completamente.
Na verdade só precisamos de pessoas que se habilitem a colocar seus conhecimentos a serviço daqueles que não olham para o seu lado e transformar as suas vidas.
Colega Geólogo, Parabéns!!
Que bom que temos pessoas como vc em lugares ermos como esses!! :)
Muito bem!!
Jubal! Encheu meus olhos de água. Parabéns, parabéns, parabéns.
obrigada por dizer, no fim deste dia, que a esperança é algo possível.
beijo