Consumo sustentável: o que e como fazer?

Somos uma sociedade de consumo onde ter é mais importante do que ser. Uma sociedade descartável. E que será descartada se não aprender a consumir de forma mais consciente.

Este é o sétimo princípio da Carta da Terra:

"7. Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário.
a. Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos.
b. Atuar com restrição e eficiência no uso de energia e recorrer cada vez mais aos recursos energéticos renováveis, como a energia solar e do vento.
c. Promover o desenvolvimento, a adoção e a transferência eqüitativa de tecnologias ambientais saudáveis.
d. Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços no preço de venda e habilitar os consumidores a identificar produtos que satisfaçam as mais altas normas sociais e ambientais.
e. Garantir acesso universal à assistência de saúde que fomente a saúde reprodutiva e a reprodução responsável.
f. Adotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e subsistência material num mundo finito."

E o que cada um de nós pode fazer para fomentar o consumo consciente? Comecei a pensar em uma lista de regras para o consumo consciente, e adoraria que vocês dessem as suas dicas para podermos aumentá-la.

Regra 1: perguntar-se se precisa mesmo de um determinado produto antes de comprá-lo.
Regra 2: se concluir que precisa do produto (ou quer muito comprá-lo), analisar a embalagem. Há um produto semelhante que use menos matéria-prima na embalagem? Ou cuja matéria-prima seja biodegradável? Ou reciclável?
Regra 3: depois de comprar, pôr o produto na bolsa ou na sacola de compras retornável.
Regra 4: perguntar-se sobre o impacto social da produção desse item.
Regra 5: perguntar-se sobre o impacto ambiental da produção desse item.
Regra 6: não desperdiçar. Se é de comer, incremente e reaproveite. Se quebrou, veja se tem conserto. Se não tiver, pense se você não pode viver sem um novo. E não compre um novo só porque é mais bonito se o seu antigo estiver funcionando bem.

E você? No que pensa antes de comprar algo?

6 Comments

Afonso, acho que a Denise não quis dizer que prefere privar a Princesinha dos morangos, mas prefere esperar encontrar em outro lugar, com uma embalagem com impacto menor. (Ah, agora que li, acertei!)

Eu concluí que fazer feira pode ser muito melhor neste sentido - se levarmos nossos saquinhos, potinhos e sacolas retornáveis. Eu levo, não carrego nem um saco a mais das barracas. E os feirantes agradecem. Não é um desperdício só de recursos naturais, é de recursos financeiros também. Cada barraca gasta uns mil reais por mês em sacos plásticos, acreditam? Um absurdo. Vejo muita gente com carrinho e sacola retornável na feira, mas se esquecem dos saquinhos para acondicionar os produtos comprados.

Eu gostaria muito de eliminar algumas coisas, estou me esforçando neste sentido, mas sei lá se chego lá. E acho que há coisas que, se eliminadas, só trazem mais qualidade de vida pra gente. Produtos industrializados, por exemplo.

Mahai, a gente fala sobre essas coisas porque são pequenas coisas que podem ser feitas. Não é difícil ir à feira em vez de ir ao supermercado, e não é difícil levar suas próprias embalagens (reutilizadas, não adianta levar saquinhos novos que serão jogados fora a cada compra). E a gente precisa também aprender a não consumir aquilo de que não precisa - tarefa difícil, porque ter algo novo (algo que te dê prazer, claro) é gostoso. Temos um longo caminho pela frente.

Thais, legal saber que os produtores reaproveitam as embalagens. Aqui em São José dos Campos ainda não cheguei lá, moro há quase um ano, mas não cheguei nos produtores ainda, só esquemas de entrega. E muitas vezes é só por telefone, e confesso que gostaria de ir até o local, ao menos a primeira vez, para conhecer.

Eu sou super impulsiva. Várias vezes, me vi pagando e pensando "pra quê?". Mas, enfim, estou melhorando. Já deixei de comprar várias coisas por causa da embalagem. Mas bandeja de isopor, a gente devolve pro produtor de orgânicos que eles reutilizam. As de frutas e legumes, né, não as de carne.
beijo,

Afonso, eu tenho a opção de comprá-los na feira, em bandejas de papelão (menos mal que o isopor), ou em lotes , a varejo. Não é radicalismo, é observar as opções menos agressivas ao ambiente.
A quantidade de bandejas de isopor que tenho, e que reaproveito é claro, até para a Princesinha comer os morangos, ou biscoitos, é enorme. e acabam indo para o lixo depois de algum tempo.
Beijo na Condessa!
abraço, garoto


Exato, reduzir não significa eliminar.
Não podemos privar as novas gerações de certos sabores por causa das embalagens. Nem entro no mérito da falta de sabor de certos produtos, os morangos são um grande exemplo.
Devemos pensar que certas embalagens mantem-se estruturados, evitando roçamento, esmagamento e com isto aumentando a vida útil "natural" do produto.
Compre morango a granel (para usar um exemplo do debate-comentários) e coloque em uma sacola reutilizavel (lavada? Bem lavada? Quanta água usada para higienizar?) depois coloque os morangos dentro da sacola de pano> amassou? esmagou?
Eu tenho a oportunidade de comprar morangos diretamente do produtor. Durante a safra tenho a oportunidade ímpar de comprar morangos dentro de caixas de papelão reciclado ou mesmo a granel.
Eu tenho a chance, quem mora num grande centro pode, tranquilamente para mim, adquirir numa embalagem plástica e consumir sem sensação de pecado, desde que encaminhe tudo destino correto (urbano).
Concordo com Afonso. Não podemos privar nossas Condessas, Princesinhas e demais nobres de consumir e experimentar sabores por culpa da sociedade. Devemos sim estimular o consumo do fruto in natura, mesmo que mal embalado, frente ao já processado (quiça menos embalado por estar concentrado).
COmo já disse, eu tenho a oportunidade de comprar muita coisa, não tudo, in natura, do produtor, por viver entre duas cidades medianas (120.000 e 250.000, trabalho e residencia familiar), para mim é fácil respeitar as "regras" mais naturalistas, porem a batalha é diária. A facilidade dos supermercados, a velocidade do dia-a-dia atrapalham muito.
Imagino o dilema de viver em grandes centros e pregar o consumo consciente num entorno cinza.

Acho que este é o debate, como ensinar a exercer um consumo conciente em grandes centros. O que é este consumo é fácil saber (cartilhas), fazer que é o cerne de qualquer debate.

PS.: Cidades de 100.000-300.000 são médias no Brasil. Sei o que é ser consuimdor em grandes centros. Já morei em duas cidades de ~1.500.000. E conheço algumas megalópoles.

Nem tanto a gregos, nem tanto a corintianos... Acabo de comprar duas bandejinhas de morangos, que a Condessa, assim como a Princesinha, tanto adora. O que fazer, se os morangos que plantei ainda vão demorar a dar frutos? Lembrar que os 3R's não são mutuamente excludentes e, sim, holísticos: se não podemos reduzir, tentemos reutilizar; caso não seja possível, aí sim, reciclar.

Mas, reduzir não significa, necessariamente, eliminar. É o caso dos morangos. Não há porque deixar de consumí-los por causa da bandeja onde estão acondicionados (outra coisa seria justificar o não consumo pela quantidade de produtos tóxicos que jogam nele - alguns, inclusive, já proibidos em diversos países e, também, no Brasil).

Estaremos privando nossas filhas e netas de um prazer, além de uma enorme fonte de nutrientes. E tudo em prol do quê? Em prol de um radicalismo que não resolverá o problema.

Reduzir, ou até eliminar, para não precisar reutilizar ou reciclar não é a solução.

Reduzir ao que se possa reutilizar; reduzir ao que se possa reciclar.

Reduzir ao que se possa reutilizar significa consumir na medida exata e suficiente das nossas necessidades. Difícil tarefa, pois estamos acostumados ao "os olhos enchem a barriga". Reduzir ao que se possa reciclar significa que, ante ao consumo inevitável e necessário à sobrevivência, devemos optar por embalagens recicláveis.

Escolhas, desde que Adão fez a sua, têm sido a maior tarefa do ser humano. Por isso reciclar é mais fácil, pois não precisamos escolher o que fazer: joga-se no lixo adequado e pronto (quando fazemos isso!). Difícil é a escolha entre reduzir e eliminar.

Daí o surgimento do segundo "R". Reaproveitar até que possamos reduzir ao necessário e suficiente. Mas sempre lembrando que reduzir não significa eliminar.

Tudo isso, na minha opinião, claro.

Adorei, menina! Para mim, estas regras são tão naturais que nem podem ser chamadas de regra, eu diria que já são hábitos. Já deixei de comprar os morangos que a Princesinha tanto gosta porque estavam na bandeja de isopor envolvida em filme plástico. Radical? Não. Consciente.
beijo, menina

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Esta página contém um post de Silvia D. Schiros publicado em junho 14, 2008 12:01 AM.

Reaproveitem os alimentos! é a postagem anterior.

Ciclo de Debates Ambientais do Faça a sua parte: um dos possíveis resumos. é a próxima postagem.

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