Minha Casa Sustentável

Moro na Amazônia. Tenho orgulho de ir e vir por vários destes Brasis e voltar sempre para este cantinho tão aconchegante.
Aqui é minha rua, minha casa e meu lar. Não quero estar em outro lugar por mais belo que possa existir.
Por isso sonho em que cada um dos que habitam por aqui irá cuidar de seu pedaço com carinho e atenção como cuidam de sua saúde.
Epa! Que cuida de sua saúde como ela merece?
Nem podemos fazer isso regularmente, com o nível de atendimento médico nesta região abandonada pelos governos irresponsáveis? Assim, por aqui nascem crianças sem que os pais saibam se ela é sã ou se vai sobreviver às agruras da vida. Sempre se usa o proverbial "Se Deus quiser!" como se ele fosse o responsável pela vida e morte de todos os que não querem assumir suas responsabilidades.
Que se alimenta conscientemente com alguns dos ingredientes que fazem parte da postagem do Jorge Cordeiro? Não faltou a foto onde os indígenas vão apresentar o "kurap", a farinha e a mandioca?
E, quando estou nos rios da região amazônica lembro dos versos dos poetas:

(1)
Esse rio é minha rua,

minha e tua mururé,
piso no peito da lua,
deito no chão da maré.

e penso que este corredor que me leva da sala para a cozinha, passa pelo banheiro e pela minha geladeira. E onde está a limpeza desta de minha casa? Os meus visitantes diários, quando passam por aqui, largam o lixo em qualquer lugar: jogam cascas de bananas na geladeira, pontas de cigarros nas salas, restos de comida no corredor, roupas velhas no banheiro, latas e plásticos no telhado...enfim, promovem um fuá indiscritível.
Minha casa fica mais triste quando meus hóspedes entram nela.
Meu trabalho aumenta quando estes visitantes vem aqui e demonstram seu despreparo ou descaso com minha casa.
Pior ainda é quando os outros membros desta república acham que eu e uns poucos preocupados temos que limpar a sujeira que eles produzem. Aquelas que eles jogam na rua constantemente: sacos plásticos, copos descartáveis, latas de refrigerantes e cervejas, embalagens de sucos.
Muito pior é quando eles resolvem queimar este lixo e provocam a poluição do ar.
Realmente o caminho é longo. Mas vai ser gratificante.

(2)
Antes que matem os rios,

e as matas por onde andei,
antes que cubram de lixo,
o lixo da nossa lei,
deixa que cante contigo,
debruçado em peito amigo,
as coisas que tanto amei,
as coisas que tanto amei.
PS: os versos aqui postados são de Ruy Paranatinga e Paulo André Barata nas músicas Esse Rio é minha Vida (1) e Paranatinga (2)

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This page contains a single entry by Jubal published on maio 10, 2008 12:50 PM.

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