Educando no meio ambiente urbano


Muitas vezes, quando pensamos em educação, pensamos no modelo formal, aquele tradicional, do professor, sala de aula, alunos sentados. Fico feliz que o termo educação ambiental remete a contato com a natureza, sensibilização, e coisas do gênero.

Mas será que esse é o caminho, me pergunto. É um dos, mas atualmente acredito mais na sensibilização das pessoas para os hábitos cotidianos urbanos, como eles interferem na questão climática de forma incisiva. Claro que a pegada de carbono está relacionada com o nível de consumo do indivíduo, além de outros aspectos, como locomoção, moradia, e por aí vai.

Bem, vale lembrar que o Relatório Brundtland (Nosso Futuro Comum), completou a maioridade em abril. E 21 anos depois ainda estamos discutindo como incorporar os princípios em políticas públicas e diretrizes ambientais, como Agenda 21.

Aqui em Santos (Litoral de SP), uma zona costeira com nível de adensamento urbano altíssimo, pouco se discute esse processo violento de urbanização, os impactos reais que os empreendimentos imobiliários de alto padrão estão trazendo para a região.

Então, já que não dá pra evitar que novos prédios sejam erguidos, dá pra elaborar programas de educação ambiental que provoquem os cidadãos, para que percebam o quanto contribuem para o agravamento do aquecimento global com seu modus vivendi, consumo e descarte de resíduos, transporte, e escolhas não-sustentáveis.

A essa altura do campeonato, minha aposta é nos pequenos, adolescente também, porque estão na fase de ir contra o sistema. Contra tudo, diga-se de passagem. Mas nem só de rebeldia viva a juventude. Tem um pessoal aqui no Litoral Sul, em Itanhaém, que tem um trabalho de educação ambiental muito bacana, o Ecosurfi. O João Malavolta, que faz parte da trupe e se intitula ecobservador, é jovem engajado e talentoso que conheci nas agendas 21 da vida. Malavolta fez do surfe sua paixão e, a partir dele, mobiliza a população para as questões ambientais.

"Sendo Homens do mar, os surfistas devem compactuar na incessante busca da preservação das praias, mares e oceanos ao redor do nosso Planeta". Esse é o norte do Ecosurfi, realizando várias ações de limpeza das praias, chamando a atenção para os impactos dos resíduos deixados nas praias. Com a missão de contribuir para o enraizamento de uma Educação Ambiental crítica emancipatória e participativa sob a perspectiva transversal na sociedade brasileira, a galera do Ecosurfi vai dando seu recado de forma direta e envolvente, falando de igual pra igual.

Que tal repensarmos os modelos de educação ambiental e começarmos a falar de igual pra igual com os diversos públicos? Afinal, se o objetivo é formar (ou transformar), é preciso falar direto ao coração. Aloha!

5 Comments

Daiane

Muitos cursos que históricamente nunca tiveram disciplinas relacionadas área ambiental, começam a ter.
Cursos técnicos em Agricultura, Zootecnia, Agroindustria,... já contam com uma disciplina de Gestão Ambiental em seu currículo.
Em algumas universidades, em alguns estados.
A mesma gestão ambiental merece(ria) atenção em cursos das humanas (administração, direito,...) e mesmo nas de saúde (medicina, odonto, enfermagem,...) é essencial que profissionais desta área saibam de seus resíduos, efluentes e emissões.
Gestão Ambiental (ou algo semelhante) deveria ser obrigatório em todas matrizes curriculares. Em alguns cursos aspectos mais técnicos, porém todos poderiam saber o que se faz com RSU (Resíduo Sólido urbano), para onde vai, que se pode fazer, reciclar, como dispor,... alem dos aspectos legais e administrativos (licenças, processos).
O copnhecimento levaria a compromisso e poderia levar a exigência de respeito ao ambiente por partes dos gestores.
Comunidades esclarecidas podem exigir coleta seletiva no seu bairro, por exemplo.

Luz, está ótima esta abordagem. Dá para fazer um gancho com o post que pretendo colocar em seguida:
também acredito que esta 'revolução' dos jovens pode ser direcionada para as causas nobres, como esta.
beijo, menina

Luz, acho que é por aí mesmo, isto vai na continuidade do que comentei, para cada público existe uma abordagem diferente. Para as dondocas (que aliás são grandes consumidoras), a linguagem das celebridades, para os surfistas a linguagem dos surfistas. Como você disse, não se trata de uma escola tradicional, todos os meios são válidos para trazer uma conscientização e uma mudança de hábitos, o que não é fácil.

Luiz

Eu transito entre os ambientes urbanos e rurais diariamente. Num dia numa cidade de com mais de um milhão de pessoas e no outro estou numa roça de milho. O problema da educação ambiental urbana é a falta de referência, há pessoas que não conhecem um ambiente natural. Estão acostumados as cores da cidade grane. Vi uma reportagem onde pediram para crianças desenharem galinha, todas desenharam galinhas assadas. Associavam a palavra galinha ao prato servido, não conseguiram nem associar a algum desenho animado ou imagem da TV.
Seguidamente dou palestras em ambos meio, rurais e urbanos, e é mais fácil no ambiente rural. Há um apego a terra, referências históricas e familiares e há um compromisso. Pequenos proprietários andam se preservando pois notam que manejos incorretos resulta em perda de produtividade, perda de solo e inclusives de glebas (erosão).
Um testemunho, nesta semana fui licenciar algumas propriedades rurais, suino e avicultura, em três eram aumentos de capacidade. Pais investindo em aumentar a produção para fixar seus filhos em casa. Trocam salários baixos da cidade pela produção agrícola.
Orgulho para os pais, manutenção de pequenas propriedades dando renda e trabalho a pessoas e qualidade de vida. Nestas hora incentivo fortemente a iniciativa. As vezes comentando que seus filhos podem ter todos confortos tecnológicos na propriedade, que não precisam abrir mão de nada. Que a vida urbana, em alguns casos, dispende mais horas de transito para irem a uma festa, que morar no interior e ir a uma festa na cidade próxima. Enveredo pela segurança, deslocamento, afinal educação ambiental é tudo... e mais um pouco.

Saudações...

Que belíssimo texto, enxuto, direto e com um leve toque indignação.

Arrepiei quando você começou a falar sobre o projeto de "re-educação-ambiental" (digo assim por pensar que na verdade todos tem dentro de si um carisma pelo meio ambiente, mas isto é uma longa história diga-se de passagem rs) dos garotos do Itanhaêm.

Na verdade penso que a educação ambiental "deve" estar em todas as partes envolventes, afinal falamos de um meio. Mas isto que é o complicado para se "colocar" na cabeça das pessoas.

Necessita-se de mais debates, espaços e mais mobilizações (não precisa ser de mega escala) para que se haja uma sensibilização e que não venham dizer que já se fala de mais em meio ambiente. Para que não tenha que vir acontecer o pior e o "ser" conseguir abrir os olhos. O problema é que este, é mal-acostumado, digo até por mim! :D

Parabéns pelo poste e principalmente pelo site.

Att: Daiane Santana.
Acadêmica do curso de Engenharia Ambiental - UFT.
http://vivoverde.blogspot.com

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Esta página contém um post de Luz Fernández publicado em maio 29, 2008 12:05 AM.

Debates do Faça - Educação Ambiental: a quem educar? O paradigmático caso das sacolas plásticas é a postagem anterior.

Crianças a serviço da causa ambiental é a próxima postagem.

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