Através da Portaria nº 37-N, de 3 de abril de 1992, o IBAMA tornou pública a lista oficial de espécies da flora brasileira ameaçada de extinção.

A preocupação com a intensa degradação da biodiversidade e dos ecossistemas tem  levado  você a refletir um pouco sobre o hábito, aparentemente tão inofensivo, de enfeitar as nossas casas e propriedades com as plantas da flora nativa? Preocupação, sim, pois a devastação da flora é causadora de vários problemas ambientais, como a perda de muitas, muitas mesmo (veja a lista acima), espécies de grande importância econômica, estética, científica, genética e ecológica.

Escolhi falar sobre as bromélias, tão comuns nos jardins e nas praças, e que estão ameaçadas de extinção. Elas fazem parte de uma família de cerca de 3 mil espécies. Mas, não só a ornamentação (que traz grandes lucros  aos comerciantes e estimula a coleta predatória) é responsável por esta ameaça  de extinção das bromelias. Há também a devastação de seus habitats naturais, por aqueles que a julgam proliferadora de insetos responsáveis pela transmissão de doenças como a malária e o dengue.

Felizmente, há pessoas do Bem, como o produtor Rogélio Dosouto, proprietário do Viveiro Adônis, no Parque Cerros Verdes, na região da Serra da Cantareira, em São Paulo (SP), que, além de produzir diversos tipos de plantas ornamentais e árvores nativas para reflorestamento, tem se interessado pelas bromélias. Em 1994, começou a desenvolver técnicas para a multiplicação de bromélias.

Pesquisas como estas são importantíssimas, pois, as mudas produzidas em viveiros é uma alternativa para diminuir, e , quem sabe, acabar, com a coleta predatória e desvastadora do ambiente. Assim, os paisagistas e consumidores, como nós, que desejamos proteger nosso habitat, não temos mais desculpas pela extração das espécies das matas. Isso demonstra uma atitude ecoconsciente, pois as bromélias exercem importante papel no equilíbrio ecológico, como alimento, moradia e refúgio para inúmeros seres vivos - desde protozoários até mamíferos.

Pois é, pessoal, a nossa consciência ambiental precisa estar acima da moda de fazer jardins em nossas propriedades, e nos fazer lembrar sempre que , devido à grande procura de mudas de flores, principalmente as bromélias, a mata nativa corre grave ameaça de extinção de várias de suas espécies. Por lei, apenas o comércio de bromélias cultivadas em viveiros é permitido; extraí-las da mata é ato punível com apreensão da planta e multa que pode chegar a 50.000 reais.  Será que é necessáirio medidas tão severas para que as nossa  flora seja protegida?

Vamos, sim, cultivar nossas plantinhas, mas com mudas legais, ouviram! Não há necessidade de se depredar a natureza. Casa linda e natureza preservada é algo que precisa ser bem equilibrado. Então, da próxima vez que nós formos comprar uma muda de planta, seja ela bromélia ou outra espécie, tenhamos o cuidado de observar a procedência dela, fazendo, assim, a nossa parte para preservar as plantas que estão ameaçadas de extinção, está certo?

Fonte:
Espécies da flora ameaçadas de extinção - IBAMA
Bromélias preservadas - Jardim de flores
Imagem: Bromelia

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5 Comments

Denise, realmente o equilíbrio ecológico é frágil e nossas manipulações como no caso das plantas ornamentais que você citou pode afetá-lo de forma imprevisível.
Além desta e das perturbações citadas pela Lucia Malla, existe também o caso das algas "assassinas" do mar Mediterrâneo (Culerpa Taxifol), que foram introduzidas nele acidentalmente e proliferaram de tal maneira que hoje comprometem seriamente o ecossistema marinho.
Parece que estamos descobrindo agora que nossas ações podem ser nocivas para o meio ambiente...tomara que a conscientização se generalize e que cada ação seja avaliada em função de seu impacto ambiental.

Taí, Allan, uma questão que a gente poderia explorar mais:os hortos e jardins botânicos e outros viveiros de plantas nativas. Bela e nobre atitude de sua mãe. Se cada um fizesse isto. Gosto muito de plantas naturais em casa, e , como moro em apartamento, cultivo-as em vasos. E já estou preocupada com o destino delas daqui a algum tempo.Talvez tenha de transferi-las para o quintal de minha mãe, ou usar vasos cada vez maiores.É delicada esta questão.
abraço, garoto

Tinha o hábito de buscar plantas nas matas que rodeavam a cidade de Embu, para ornamentar o antiquário e atelier da minha mãe, nos anos 70. Minha mãe me obrigava a repor duas pequenas mudas para cada planta que colhia. Hoje as matas da cidade desapareceram e aprendi a frequentar hortos que produzem as próprias mudas.

Então, Lucia, a planta ñão é nociva, mas apenas está fora de seu habitat, certo/
De qualquer forma, as pessoas continuarão usando as plantas nativas. Que pelo menos, usem as dos viveiros, não acha?
Fiquei espantada com a lista imensa de espécies ameaçadas de extinção!
beijo, menina

Sem contar as plantas legalmente introduzidas para ornamentação e urbanismo (como as palmeiras australianas q enfeitam a USP, aqui em SP), e que causam diversas perturbações ecológicas desnecessárias pro sistema, principalmente com relação a insetos.

Outro exemplo de flora invasora q vem causando problemas na Mata Atlântica é a jaca. Originalmente, é da Indonésia, essa fruta. Mas facilmente se adaptou aqui, e tirou o nicho de diversas outras. Em alguns lugares de mata no Rio, já há quase uma "pseudo-monocultura" de jaqueiras.

É muito complicada essa questão, pq às vezes até plantas "legais" interferem de forma que ainda não sabemos.

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Esta página contém um post de Denise Rangel publicado em maio 23, 2008 12:01 AM.

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