Somos carnívoros?

De acordo com a Organização Mundial para a Saúde Animal, o consumo de produtos animais deverá aumentar em 50% até 2020. Tal aumento no consumo ocorre principalmente na China e na Índia, e é devido também ao comércio cada vez mais acentuado de produtos de origem animal. O que fazer quando se constata que muitas das criações de animais são de populações muito pobres do Sahel ou da Ásia Central, que dependem do gado para sobreviver? Exigir a mudança de seus hábitos alimentares?

A conseqüência do grande consumo de alimentos de origem animal é a destruição dos ecossistemas e o aquecimento global. Segundo Jean-Luc Angot, diretor-geral adjunto da OIE, "há também riscos sanitários complementares, pois os produtos circularão mais rapidamente que o tempo de incubação das doenças, como a 'febre catarral ovina' (ou doença da língua azul) surgida em regiões onde não era conhecida anteriormente, como no norte da Europa, e que era considerada até então tropical".

No final de 2006 a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) calculou que os bovinos produzem mais gases causadores do efeito estufa que os carros. O metano que expelem e o protóxido de nitrogênio de seus dejetos são muito mais nocivos para o meio ambiente que o CO². E, não podemos nos esquecer de que, quando se queima a floresta para criar gado e plantar soja para a alimentação de animais, estamos reduzindo os chamados "poços de carbono", que absorvem o CO² , conservando-o na vegetação e no solo.

Somos carnívoros a ponto de comprometer a saúde de nosso planeta? Bem, como há populações pobres como as do Sahel e da Ásia Central, que dependem do gado para sobreviver e não podem deixar de consumir carne e produtos de origem animal, é mais adequado que os países ricos façm algo para minimizar estas emissões. Em seus sistemas de criação, podem, segundo os especialistas, contribuir para diminuir as emissões de CO², otimizando seus dejetos e seus adubos, lucrando, assim, com a economia que obterão e reduzindo o risco de poluição para a água e para o ar, e, desta forma amenizando o impacto nocivo sobre a vida no planeta.

imagem: daqui

6 Comments

Parabens a todos que participaram da campanha

Já estou participando da campanha sobre o Dia Mundial da Água, dedicado ao saneamento. Por favor, peço-lhes que inscrevam o "Oficina de Gerência" entre os sites participantes da blogagem coletiva.
Profissionalmente trabalhei muitos anos construindo, operando e mantendo os grande projetos públicos de irrigação no Vale do Rio São Francisco e sei bem o que é usar mal (e bem, também) a água.

olá

gostaria de escrever meu blog na blogagem coletiva sobre o dia internacional da água, apesar de há dias já estar postando!
um abraço
fátima queiroz

Agatha said:

Como em todo relacionamento que se preze, para que seja saudável, deve-se abrir mão de uma ou outra coisa...

Mas educação e informação serão peças fundamentais para contribuir em uma mudança...


Bjos

Reciclar os dejetos para a utilização como adubo seria uma solução, mas impedir as vacas de "soltarem seus gases" é mais difícil, né? Mas acho bem complicado mudar os hábitos alimentares, principalmente nas regiões onde não há muita escolha, resolver este problema não vai ser fácil.

Mah said:

Muito bem falado...
Talvez os animais e outras coisas podem gerar uma grande contribuição pro efeito estufa...mas antes de criticar os outros, pq não mudar?
É mais fácil jogar a culpa nos outros países, sendo que se ao invéz de falar agir para parar com a nossa contribuição nisto tudo já iria ajudar bastante!

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This page contains a single entry by Denise Rangel published on março 15, 2008 11:59 PM.

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