De como tudo começou...

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Em 1895, aos 40, King Gillette era um inventor frustrado, que ganhava a vida vendendo rolhas de cortiça para a indústria cervejeira. King também era um anti-capitalista amargo, que culpava o mercado competitivo por não ter conseguido mostrar seu talento. Ele chegou até a publicar um livro "The Human Drift", em que dizia que a indústria devia ser dominada por uma única corporação, de propriedade do povo . A despeito de suas idéias malucas, seu chefe deu apenas o seguinte conselho: "Invente algo que as pessoas usem e joguem fora".

Em um belo dia, enquanto se barbeava com uma navalha, percebeu que a lâmina estava tão gasta que não dava mais para ser afiada. Então ele pensou, ao invés de perder tempo mantendo as lâminas, porque não fazê-las mais finas e descartáveis? Assim, ela poderia ser usada, jogada fora e comprada novamente. Depois de longos anos de experimentação para desenvolver um sistema de barbear eficiente, King patenteou o modelo com pequenas lâminas descartáveis apoiadas num suporte recarregável em 1901. Bom, o resto da história vocês já devem conhecer...

Essa é uma de muitas histórias do início da indústria do descartável, que produz coisas feitas para durar pouco tempo e nos fazer comprar novamente, como as inúmeras versões dos eletrônicos; que torna tudo mais prático, como as embalagens descartáveis dos restaurantes fast-food; que nos deixa sempre tão atualizados e modernos, como as várias coleções da indústria da moda que produz roupas, sapatos e acessórios aos montes, e que transformou o planeta em uma montanha de plástico, isopor, tecido e muito, muito lixo...

Se considerarmos a vida como um ciclo, será que podemos acreditar que o sistema irá regredir e que iremos perceber que não precisamos da maioria das coisas que produzimos? E serão os movimentos ambientais que têm surgido com tanta força um indício disso?

Daqui pra frente, apenas um conselho: Inventemos algo que as pessoas usem e guardem, troquem ou reciclem... não temos mais pra onde "jogar fora".


PS: A parte inicial sobre o King das lâminas, foi traduzida de um artigo do Chris Anderson, e não tem nada a ver com o tema, mas me fez pensar bastante sobre a indústria dos descartáveis...


6 Comments

jojo said:

uma das coisas mais básicas quando nos preocupamos com lixo e sustentabilidade é controle populacional. infelizmente esse é um assunto que ofende muita gente, seja por crenças religiosas ("crescei e multiplicai") ou por total falta de noção mesmo (muitas famílias ricas têm muitos filhos).
cada boquinha que nasce é uma boquinha que consome e uma criatura que vai gerar toneladas de lixo ao longo da vida.

João Carlos said:

Com o meu notório pessimismo (de quem lia na década de 1960 "Estratégia do Desperdício" de Vance Packard), eu pergunto como vamos conscientizar o povo a não usar "descartáveis", se as "otoridades" são as primeiras a promover o uso destes "em nome da Saúde Pública"?...

Quem aqui nunca usou um "Band-Aid"?... Quer coisinha mais porca?...

Allan said:

Tenho ensinado às minhas filhas a se questionarem antes de comprar algo. "Preciso MESMO disso ou é algo que será deixado num canto até a próxima primavera?"*

O efeito está sendo muito positivo e elas estão aprendendo a economizar a própria mesada.

*Quando chega a primavera, os italianos fazem o que se chama "limpeza de primavera", aproveitando para pintar a casa, arrumar armários e jogar fora ou se desfazer de tudo o que não tem utilidade.

Afonso said:

Não é a solução perfeita, mas troquei meus aparelhos de barbear descartáveis por um elétrico. Só há uma maneira de acabar com isso - e levará umas duas ou três gereções (que foi exatamente o tempo que o descartável levou para "vingar") -: educar as crianças para que desejem coisas que durem. É uma tarefa dificílima, visto que o ícone dessa geração - e das futuras - são dois produtos descartáveis por excelência: o computador e a internet. Não há nada mais descartável que um link. Mas seguimos na luta. Belo texto.

"Se considerarmos a vida como um ciclo, será que podemos acreditar que o sistema irá regredir e que iremos perceber que não precisamos da maioria das coisas que produzimos? E serão os movimentos ambientais que têm surgido com tanta força um indício disso?"

Agatha, espero que a resposta a essas perguntas seja um belo de um SIM, em alto e bom tom. :-) Porque foi o que a Luz disse outro dia: esse conceito de "jogar fora" é um engano. A gente joga é dentro, dentro do mundo em que vivemos.

Claudia said:

Jogar fora é um mito q nao existe, nao jogamos nada fora, só mudamos o lugar das coisas. Tem um amigo que diz: Transformamos o Planeta numa lixeira e o que é pior: com nós dentro.

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