Diga "bù"* às sacolas plásticas
Eis que há alguns dias, a China decidiu banir de vez todas as sacolas plásticas finas em lojas do país. Não é o primeiro país a fazê-lo: Uganda, Coréia do Sul e Irlanda já são também áreas livres de sacolas gratuitas no comércio. Nos Estados Unidos, a rede Whole Foods Market também decidiu acabar com as sacolas plásticas dadas no ato da compra e pede a seus clientes que tragam suas próprias sacolas. Já é um bom começo de conscientização por aquelas bandas.
Mas devido às proporções populacionais e consumistas da China, o impacto da decisão na terra de Mao é marcante. A partir de 1º de junho, todas as lojas da China, pequenas e grandes, não mais poderão fornecer sacolas plásticas com seus produtos Atitude radical (como quase tudo que vem de lá), mas fundamentada num currículo de poluição deprimente que precisa ser melhorado - principalmente às vésperas das Olimpíadas de Beijing. O país não quer que o mundo saiba o quão sujas as cidades chinesas estão, e quer dar o melhor de si para apagar essa imagem da sujeira.
É claro, a maior parte da poluição chinesa é atmosférica ou da água, e para lidar com esse problema, trazer sua própria sacola de casa não ajudará muito. Mas, mesmo não sendo a maior questão poluidora da China, a medida para banir sacolas plásticas já é um primeiro passo numa boa direção, porque demonstra preocupação por parte de um governo com um tipo de poluente que abunda e não se degrada. Pior: acumula-se em lixões, praias, cidades, matas e qualquer outro lugar que se pode imaginar. Gera poluição visual e prejudica o ambiente de diversas formas. Com a proibição, estima-se que a China economizará 37 milhões de barris de petróleo por ano, já que é o país que mais consome sacolas plásticas no mundo. É muita economia, mesmo para um gigante econômico.
Se os chineses vão mesmo acatar a medida, é outra história. Mas a mensagem do governo chinês que fica é clara: que o mundo saiba que nós estamos pelo menos tentando fazer a nossa parte para um planeta mais limpo e melhor de se viver. Jogada política ou não, o ambiente no final das contas, agradece a consideração.
Banir ajuda sim.
Também discordo em partes com o Afonso. A sacola plástica oferecida "gratuitamente" nos supermercados são de um material muito fino, o que dificulta, quase impossibilita a reciclagem.
Em algumas regiões daqui da China, como o oeste tibetano e partes da província de Yunnan, ao sul, as sacolas de plásticos já foram substituídas por sacolas de pano, e em qualquer birosquinha. De certa maneira aqui não teria/tem muito o lance de uma lei dessas "não pegar" pois neguinho (el gobierno, y hay gobierno!) marca em cima. Mas há também leis para gringo ver, como as de pirataria, e aquelas que são de difícil fiscalização + de forte contexto social, como a de cuspir no chão. O que pega aqui é quando não há alternativa possível – que interesse ao governo, entenda-se bem. É o caso da pirataria de dvds e de roupas, que geram empregos aos montes em diversos níveis (mão de obra que fabrica, transporta, comercializa), e esse pessoal precisa comer (bilhão e meio de bocas)! Pra que que o governo chinês vai ficar enchendo os cofres das warnerbrothers e hugobosses da vida quando tem que lidar com bilhão e meio de bocas que precisam comer hoje? Como o que se propoe é uma troca (plástico por papel ou pano), acredito que deva ocorrer uma migração de empregos, e não uma extinção – o que seria um fator decisivo para a aplicação da lei.
Em algumas regiões daqui da China, como o oeste tibetano e partes da província de Yunnan, ao sul, as sacolas de plásticos já foram substituídas por sacolas de pano, e em qualquer birosquinha. De certa maneira aqui não teria/tem muito o lance de uma lei dessas "não pegar" pois neguinho (el gobierno, y hay gobierno!) marca em cima. Mas há também leis para gringo ver, como as de pirataria, e aquelas que são de difícil fiscalização + de forte contexto social, como a de cuspir no chão. O que pega aqui é quando não há alternativa possível – que interesse ao governo, entenda-se bem. É o caso da pirataria de dvds e de roupas, que geram empregos aos montes em diversos níveis (mão de obra que fabrica, transporta, comercializa), e esse pessoal precisa comer (bilhão e meio de bocas)! Pra que que o governo chinês vai ficar enchendo os cofres das warnerbrothers e hugobosses da vida quando tem que lidar com bilhão e meio de bocas que precisam comer hoje? Como o que se propoe é uma troca (plástico por papel ou pano), acredito que deva ocorrer uma migração de empregos, e não uma extinção – o que seria um fator decisivo para a aplicação da lei.
Esta questão levantada pelo Afonso é a mesma de muita gente: 'onde acondicionar o lixo?'.
João, vou copiar a minha resposta de lá tbm, para aproveitar os 2 links, hehehehe:
"Sobre essa neurose de esterilidade que assola o país (e o mundo!), a Carol escreveu super-bem no ano passado:
http://www.interney.net/blogs/guindaste/2007/09/15/embalagens1/
Eu vi o post do Caio agora há pouco, depois de ter escrito o meu. Aliás, q fique o link aqui, para q as pessoas também o leiam:
http://caisdegaia.blogspot.com/2008/01/plstico-no-obrigado.html
Vale a pena."
Afonso, discordo em partes. Pq mesmo reciclando, o fato de termos em demasia sacolas plásticas circulando no mercado já gera um lixo basal muito alto. Reciclar é uma alternativa boa, mas no nível em q chegamos, banir pode ser uma boa opção. Pelo menos por um tempo.
(Repetindo o comentário que eu fiz no Blog da Lúcia):
Outro dia, mesmo, a moça da caixa da padaria da esquina ficou me olhando, como se eu fosse um ET, porque eu recusei a sacolinha plástica para colocar o saco de pães (já acondicionados em uma de papel...)
O Caio de Gaia está com um excelente artigo (Plástico não, obrigado) sobre a poluição que os plásticos estão causando nos mares.
E aí, eu pergunto: e como fica a "moda", tão ao gosto de nossas "Autoridades Sanitárias" de usar embalagens e outros "descartáveis" de plástico, a título de "evitar contaminações"??? :(
Lucia,
Só para ser um pouquinho chato, mas o que me preocupa é que divulga-se por aí que essas sacolas são "grátis", quando na realidade já pagamos por elas. Qualquer lojista, desde uma grande rede se supermercados até o pequeno armazém da esquina, considera isso como item de "custo"; portanto, está embutido no preço final das mercadorias. CErtamente não pagaremos menos por usar outro tipo de sacolas.
E há outra questão: existem leis que determinam que o lixo seja acondicionado em sacos plásticos apropriados. Ora, esses sacos (pretos, azuis... de 50 ou 100 litros) custam milhares de vezes mais caro, além de não permitirem a separação do lixo, pois para um melhor aproveitamento, vai tudo ali mesmo.
Por incrível que possa parecer, as sacolinhas de super ainda são a melhor solução para a separação do lixo.
O que é pior: separar mas usar sacolinhas de plástico, ou não separar o lixo? Complicada a coisa... Resta saber o quanto dessas sacolinhas são separadas nas cooperativas e reaproveitadas. De repente pode valer mais a pena mantê-las e, paralelo a isso, fazer uma campanha para que aumente o reaproveitamento delas.
Talvez a questão não seja de eliminar, mas de dar um uso final mais racional. Sei lá....
Tá aberto o tema, hehehe
Como você disse, uma medida como esta na escala da China, é considerável. Aqui na França há pelo menos 2 anos já aboliram as sacolas plásticas nas caixas dos supermercados, e se você não trouxe a sua eles vendem as biodegradáveis. O povo reclamou, dizendo que se usavam os sacos plásticos como saco de lixo, e agora teriam que comprar estes últimos. Logo para o meio ambiente tudo ficaria na mesma, e os supermercados ganhariam, por não ter que fornecê-los e também por vender mais dos outros. Em todo caso, a moda pegou, todos vão aos supermercados com suas sacolas.
Abraços.