Agricultura Urbana

Na França, em muitas cidades, principalmente as mais industrializadas, são colocados à disposição das famílias os chamados "Jardins Familiares". Trata-se de parcelas de terreno pertencendo às prefeituras, geralmente sem valor comercial, que são alugados às famílias por um preço simbólico, para que elas possam cultivá-los (não para morar) por prazer e/ou para enriquecer o dia a dia com os produtos obtidos. Estes devem servir exclusivamente à utilização familiar, sendo proibida a venda ou qualquer tipo de uso comercial. Em geral, a administração e a distribuição das parcelas é assegurada por associações sem finalidade lucrativa.

A iniciativa é antiga, eles existem desde o fim do século XIX , e eram inicialmente chamados "Jardins Operários". Nesta época tinham finalidade unicamente social, permitindo aos trabalhadores de obter produtos para o próprio sustento. Atualmente, algumas parcelas são usadas para este fim de inserção social, outras simplesmente para permitir às pessoas de fugir do ambiente urbano e plantar para o próprio prazer. Existem também as que são alugadas a grupos de pessoas, para incentivar a comunicação entre vizinhos.

Em geral as parcelas possuem aproximadamente 250 m2, uma cabana e um dispositivo para recolher a água da chuva e são limitadas por cercas. Algumas associações impõem o tipo de construções e instalações das parcelas, outras deixam completa liberdade para a realização das melhorias. Nelas se plantam árvores frutíferas, legumes e alguns fazem criações de galinhas, coelhos ou mesmo de abelhas para obter o mel. Há os que plantam flores, todos os anos acontece o concurso da parcela mais bonita da região. Os inquilinos são orientados para que limitem ao máximo a utilização de pesticidas e para praticar a agricultura bio.

Esta iniciativa não é limitada somente à França, mas vários países como a Inglaterra, a Alemanha, a República Tcheca, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Finlândia e outros colocam à disposição da população estes "jardins familiares", e a procura tem aumentado nos últimos anos, com filas de espera para obtê-los.

Acredito que esta iniciativa seria oportuna no Brasil, nas periferais das grandes ou médias aglomerações, principalmente para enriquecer o dia a dia das classes mais carentes. Será que seria viável no nosso país? Em todo caso, estaria de acordo com os itens "ecológico" e "social" do desenvolvimento sustentável.

4 Comments

João Carlos said:

Abusus non tolit usus... Mesmo correndo os riscos de servir de negociata (e as filas de espera, mencionadas no artigo, me fazem crer que isso pode acontecer na Europa, também...) seria um excelente remédio para diversos terrenos baldios (Observação pessoal: em Araruama, RJ, é comum ver "plantações clandestinas" em loteamentos não totalmente construídos. Normalmente, são feitas pelos moradores das casas adjacentes, para impedir seu uso como pasto para cavalos. Eu mesmo me vali desse recurso).

Quanto aos moradores de rua, certamente eles iam preferir seus "dormitórios" atuais: as vias públicas. Nessas, a Polícia faz vista grossa. Uma família "jardineira" nunca iria permitir uma invasão.

O maior problema que eu vejo na Cidade do Rio de Janeiro é a falta de locais para esses lotes.

Flavio Prada said:

O problema do Brasil é quase sempre verbal. Quando não é verbal por falta de verbas, o é porque o verbo está no condicional: "seria". Seria mesmo perfeito para um país que tem terra abundante e muita gente precisando de um pedaço que seja pra ajudar na própria manutenção. Os espaços poderiam ser bem maiores que os Europeus, mas falta algo para que se mude o tempo de verbo. Em todo caso, voce fez tua parte, divulgando essa ótima idéia.

Afonso said:

O problema aqui no Brasil, Maria Augusta, é que não faltariam "vivaldinos" para fazer negócio com os espaços. Ou, ainda, com a quantidade de moradores de rua que temos, certamente eles iriam "ocupar" os jardins familiares.

Jenny Horta said:

Olá pessoal! Gosto muito dos assuntos abordados aqui e sempre gostei de quem não fica só no discurso quando o assunto é o meio ambiente!
Sou professora e venho tentando fazer a minha parte, mesmo que bem pequenininha!

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