Política e Ecologia
Na semana passada o ministro do desenvolvimento italiano, Pierluigi Bersani, anunciou haver um projeto sobre energia alternativa, que ainda não foi apresentado ao congresso. Trata-se da redução de 55% no imposto de renda às pessoas que adotarem o uso de energia alternativa nas próprias casas. Quem instalar painéis solares, por exemplo, terá um duplo incentivo fiscal. O primeiro incentivo, já existente, permite abater o custo de instalação dos equipamentos nos impostos dos anos sucessivos. Com a criação de um segundo incentivo o cidadão italiano ecologicamente responsável passa a ser premiado financeiramente.
O que deveria ser uma boa notícia perde o brilho quando se nota que a questão ambiental é somente uma moeda de troca, algo para barganhar o apoio de outros políticos. Não chega a ser uma novidade, numa época em que o governo dos Estados Unidos resolve brincar de gato e rato com os tratados sobre a redução de emissão de gases do efeito estufa, mas não deixa de chocar.
Os avanços realmente significativos resultam das iniciativas de prefeituras ou regiões, sobretudo no norte da Itália, que também registra uma maior incidência de movimentos ecológicos (educar é formar?). A província de Bolzano foi a primeira a obrigar à certificação energética, classificando cada residência em função da emissão de gases e da economia de energia, formando uma tabela bem distinta. As residências classificadas na parte alta da tabela gozam de descontos em impostos e taxas e obtêm maiores incentivos na aquisição de novos equipamentos. A cidade de Trento tem o maior percentual de painéis solares, com mais de 10 metros quadrados para cada mil habitante. Se considerarmos que as residências geram 1/3 da emissão dos gases que causam o efeito estufa, pode-se imaginar o impacto que provoca a substituição dos velhos equipamentos para aquecimento das casas e da água; a aquisição de eletrodomésticos de baixo impacto ambiental e baixo consumo; a obrigatoriedade de não superar os 19 ºC em escritórios durante o inverno e de manter o ar-condicionado em 25 ºC no verão; evitar o uso indiscriminado do transporte privado; não usar água acima dos 40 ºC para lavar roupas (na Europa todos usam máquinas de lavar que podem atingir 90 ºC de temperatura da água), e de se consumir alimentos de estação produzidos localmente ou nas proximidades. Todas essas ações tem um custo que os administradores locais estão tentando reduzir ou ressarcir. Mas o esforço vale a pena. A prefeitura de Bolzano levantou em um estudo que uma casa normal consome, em média, 200 kW/h por metro quadrado, enquanto um casa dentro dos critérios ecológicos consome apenas 15 kW/h.
Gianni Silvestrini, assessor para assuntos de energia do ministro Bersani, revelou que o objetivo fixado pelo protocolo de Kyoto era reduzir, até 2010, a emissão de monóxido de carbono em 6,5%, em relação aos níveis existentes em 1990. Ao contrário do que se esperava – e parece que esperavam de braços cruzados – a emissão aumentou em 13% desde 1990, segundo Silvestrini. Sozinhas as prefeituras estão fazendo muito, mas as chances de que objetivo seja cumprido ficam cada vez menores.
Espero muito estar enganado, mas tenho a impressão de que é o medo de fazer feio diante da comunidade internacional o que tem incentivado essa nova postura do governo.
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A Ana Roberta convida para uma visita ao site da AVAAZ que está promovendo um abaixo assinado em defesa de medidas eficazes contra o aquecimento global.
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O que deveria ser uma boa notícia perde o brilho quando se nota que a questão ambiental é somente uma moeda de troca, algo para barganhar o apoio de outros políticos. Não chega a ser uma novidade, numa época em que o governo dos Estados Unidos resolve brincar de gato e rato com os tratados sobre a redução de emissão de gases do efeito estufa, mas não deixa de chocar.
Os avanços realmente significativos resultam das iniciativas de prefeituras ou regiões, sobretudo no norte da Itália, que também registra uma maior incidência de movimentos ecológicos (educar é formar?). A província de Bolzano foi a primeira a obrigar à certificação energética, classificando cada residência em função da emissão de gases e da economia de energia, formando uma tabela bem distinta. As residências classificadas na parte alta da tabela gozam de descontos em impostos e taxas e obtêm maiores incentivos na aquisição de novos equipamentos. A cidade de Trento tem o maior percentual de painéis solares, com mais de 10 metros quadrados para cada mil habitante. Se considerarmos que as residências geram 1/3 da emissão dos gases que causam o efeito estufa, pode-se imaginar o impacto que provoca a substituição dos velhos equipamentos para aquecimento das casas e da água; a aquisição de eletrodomésticos de baixo impacto ambiental e baixo consumo; a obrigatoriedade de não superar os 19 ºC em escritórios durante o inverno e de manter o ar-condicionado em 25 ºC no verão; evitar o uso indiscriminado do transporte privado; não usar água acima dos 40 ºC para lavar roupas (na Europa todos usam máquinas de lavar que podem atingir 90 ºC de temperatura da água), e de se consumir alimentos de estação produzidos localmente ou nas proximidades. Todas essas ações tem um custo que os administradores locais estão tentando reduzir ou ressarcir. Mas o esforço vale a pena. A prefeitura de Bolzano levantou em um estudo que uma casa normal consome, em média, 200 kW/h por metro quadrado, enquanto um casa dentro dos critérios ecológicos consome apenas 15 kW/h.
Gianni Silvestrini, assessor para assuntos de energia do ministro Bersani, revelou que o objetivo fixado pelo protocolo de Kyoto era reduzir, até 2010, a emissão de monóxido de carbono em 6,5%, em relação aos níveis existentes em 1990. Ao contrário do que se esperava – e parece que esperavam de braços cruzados – a emissão aumentou em 13% desde 1990, segundo Silvestrini. Sozinhas as prefeituras estão fazendo muito, mas as chances de que objetivo seja cumprido ficam cada vez menores.
Espero muito estar enganado, mas tenho a impressão de que é o medo de fazer feio diante da comunidade internacional o que tem incentivado essa nova postura do governo.
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A Ana Roberta convida para uma visita ao site da AVAAZ que está promovendo um abaixo assinado em defesa de medidas eficazes contra o aquecimento global.
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Nao sei por que apareceu Rich, mas fui eu, a Andrea N. quem agradeceu aih em cima e assinou a peticao. Estranho, isso.
Obrigada, Allan, já assinei a petição, tambem.
Nao consegui abrir o link, Allan.
O racionamento fatalmente acabará acontecendo, mas, enquanto isso, vamos continuar nossa luta pela conscientização ambiental.Já havia participado do abaixo-assinado, por duas vezes, com emails diferentes.abraço, garoto
Muito interessante essa iniciativa das prefeituras, Allan. É muito mais fácil o envolvimento das pessoas quando as ações são locais e visíveis. Tens algum material, links ou qualquer outra coisa a mais sobre o assunto? Podes me mandar por mail? (luizafonsoe@yahoo.com.br)
Já assinei a petição.Sobre o fato de você ter a impressão de que o governo está tomando essas medidas movido principalmente pelo medo de fazer feio perante a comunidade internacional, confesso que não sei se acho isso ruim. Ao menos estão fazendo, não é? E as pessoas começam a criar novos hábitos, que em alguns anos serão rotineiros.Às vezes fico me perguntando se, aqui no Brasil, não funcionaria uma medida como um racionamento compulsório. Muita gente aprendeu a economizar luz depois do racionamento de energia elétrica. Será que, como medida emergencial, não seria interessante? Racionamento de energia elétrica e água. Acompanhados de uma campanha educativa.Às vezes eu acho que o radicalismo é necessário.