Em grandes cidades, o carro é um produto inevitável para a maioria das pessoas, embora não seja o meio de transporte ecologicamente mais correto. Usá-lo com moderação é um exercício necessário, eu diria que , obrigatório, para quem não pode, ou não quer, abrir mão deste conforto, a fim de diminuir os impactos ambientais provocados pelos veículos.

Sempre que possível, em trajetos curtos, faço um esforço para ir a pé ou utilizar o transporte coletivo. Confesso que estou viciada no carro e obrigo-me a deixá-lo em casa nestas ocasiões. Quem possui uma bicicleta está em melhor situação que eu, pois não me arriscaria a pedalar pelas ruas do Rio de Janeiro. Ah, se eu pudesse voar...

Compartilhar o carro e praticar a carona solidária é uma iniciativa que depende da boa vontade do dono do carro. Tenho procurado fazer isto, sempre que surge uma oportunidade: combinar com amigos e familiares, passeios ou viagens, e até mesmo trabalho, quando o itinerário é comum.

Já possui um carro? Ainda não? Parabéns! Pretende comprá-lo? Então, atenção! Na hora da compra, procure um veículo de pequeno porte, que não consuma tanto combustível e polua menos. Opte por modelos flex, mais adequados às normas de proteção ao meio ambiente.

Lembre-se de que seu carro requer manutenção constante e muitas despesas também. As regulagens periódicas, as trocas do óleo nos prazos adequados, a verificação dos filtros de óleo e de ar, e outras medidas, contribuem para economizar combustível, diminuir a quantidade de CO2 no ambiente e aumentar o rombo em seu orçamento mensal. Penso muito em ficar sem carro, a cada vez que vou ao mecânico.

E na hora de lavar o carro? Existem diversas opções de lavagem a seco, que economizam uma quantidade considerável de água. Caso a opção seja esta última, pense na possibilidade de lavar menos o carro. Aliás, com tanta chuva, lavar o carro torna-se um desperdício de dinheiro e de água, pois, infelizmente, no Brasil, ainda se lava carros com água tratada.

Uma mangueira aberta consome, em média, seiscentos litros de água; e um balde, aproximadamente sessenta litros. Segundo a Sabesp, calcula-se que, no Estado de São Paulo, perde-se diariamente 40% da água tratada, cerca de 1,3 bilhão de litros por dia!

Conscientize-se de que o problema do aquecimento global é grave. No entanto, se todos fizerem sua parte, dispostos a cuidar melhor do planeta, e convictos de que suas atitudes, somada à de milhões de outras pessoas, podem contribuir para reverter tal situação, certamente deixaremos um mundo melhor para as gerações futuras.

Se ainda assim, você achar que tudo é inútil e que não vale a pena lutar por uma situação que considera irreversível, mesmo assim, faça a sua parte! Se optar por carros menos poluentes, ou por caminhar mais e usar o carro menos, você lucrará economicamente, e sua saúde vai melhorar um bocado.

Com carro ou sem carro, ande sustentavelmente. Pense nisto!

imagem:sergeicartoons.com

Li primeiro via twitter do FiNS Magazine e confesso que achei de cara que era um hoax. Afinal, água elástica? A combinação de palavras tinha toda pinta de lenda de web. Retwittei pela curiosidade, mas com várias pulgas atrás da orelha, já esperando aparecer o primeiro para zoar da minha barrigada.

Mas aí eu mesma não resisti. E fui atrás para saber se era verdade. E era.

Saiu na Nature da semana passada o artigo de um grupo de pesquisadores japoneses e coreanos (Wang e colaboradores) contando como produziram gel de água (hidrogel) com propriedades elásticas. Meus conhecimentos patéticos de tecnologia de materiais me impediram de captar 100% da mensagem do artigo (tenho certeza que a Fernanda pode falar melhor sobre), mas o que li e entendi me impressionou. Afinal, o grupo diz que o hidrogel pode vir a ser um substituto super-ambientalmente correto pro plástico!

Seria o paraíso verde, se pensarmos bem. Imagine tudo que hoje é feito de plástico (que leva séculos para degradar) ser substituído por um hidrogel, basicamente água (96-97%) misturado com 2 a 3% de nanoplacas de argila, uma macromolécula "ligadora" e poliacrylato de sódio (menos de 0.4%)? Aí me veio à cabeça o 1º delírio: será que o hidrogel resistiria ao microondas? Ou derreteria? (Pensei nos potinhos usados para a gente esquentar comida.) Os próprios autores respondem no artigo: acima de 80ºC, começam a se formar bolhinhas dentro do material, o que gera a sensação de "cerâmica quente".

hidrogel
Como faz o hidrogel. Repare na figura com o material na ponta dos dedos de uma pessoa, como se dobra bem.

Enfim, viagens à parte, a idéia de um hidrogel não é nova. Mas em geral, fazem-se hidrogéis com ligações covalentes, mais fortes, cujo lado negativo é exatamente esta força: dificulta a capacidade de se "moldar" o gel, ou de, uma vez endentado, voltar ao formato original (uma certa auto-correção). Este é exatamente a vantagem do hidrogel dos japoneses, a auto-correção. E foi conseguida por usarem ligações não-covalentes, mais maleáveis e rápidas de voltarem ao original.

Há inúmeras vantagens no uso do hidrogel. Dentre as que mais me impressionaram, está a capacidade de fazê-lo à temperatura ambiente. Outra bacana é que é baratíssimo: água e argila, basicamente. Mas também é interessante que o gel não é fácil de se misturar com outros materiais uma vez feito. Pensando nos potinhos de comida, sua marmita da manhã não "passaria" pra dentro da parede do pote. Abaixo, a figura do artigo em que eles colocaram o corante azul de metileno em pedaços do hidrogel. Tanto na horizontal como na vertical, o azul não se dilui com a parte transparente. E fizeram um coração de hidrogel, mergulharam todo num solvente orgânico, e perceberam que depois de um tempo, o solvente ocupava o lugar da água na estrutura, mas não a modificava.

hidrogel2
Bacana, não?

Vale ressaltar também que o grupo, para provar o uso biológico (mais?) do gel, colocou moléculas da proteína mioglobina por uma semana dentro do hidrogel à temperatura ambiente. A proteína reteve 70% de sua atividade catalítica. (E tenho quase certeza que foi esse experimento específico que permitiu o artigo sair na Nature. Porque aí cobre todas as grandes frentes.)

Uma invenção bacana dessas dá mais uma pontinha de esperança num futuro verde de verdade, não? A tecnologia à serviço do ambiente, um sonho ainda possível.


*Todas as figuras sob licença CC da Nature.

Nos Estados Unidos, a deputada democrática Rosa DeLauro apresentou uma proposta de lei ao congresso, que deverá ser analisada em breve. Conhecida como Food Safety Modernization Act of 2009 e patrocinada por lobistas dos grandes conglomerados como MONSANTO, CARGILL, ADM (Archer, Daniels e Midland) e mais 35 grandes empresas agroalimentares, na prática, se aprovada, a tal lei deverá acabar com a agricultura biológica, considerada insana. Do modo em que foi redigida a malfadada proposta os hortos caseiros também seriam banidos.
O objetivo, segundo a deputada, teria como finalidade criar uma nova agência dentro do Department of Health and Human Services, chamada Food Safety Administration (FSA), para proteger a população da gestão perigosa dos alimentos e criar um standard para a segurança alimentar que atinja, inclusive, alimentos importados. Desse modo, ao FDA restaria somente o controle de medicamentos.

Apesar de não existir no projeto de lei nenhuma indicação desfavorável à cultivação para o próprio consumo e a palavra "biológico" jamais ter sido usada, também não existe nenhuma indicação favorável. O projeto de lei foi redigido de maneira a permitir interpretações e determina que as disposições de segurança alimentar que consistem no uso de agentes químicos, serão adotados um muito genérico "mecanismo de produção de alimentos" e em "qualquer empresa agrícola, ranchos, hortos, vinhedos e qualquer instalação ou local usado para cultivar". Ou seja, presumivelmente seriam incluídos cultivações biológicas e hortos caseiros. Pobre Michelle Obama. Se a lei passar, ela terá que arrumar outro passatempo.

Entrevista com Bjorn Lomborg no Planeta Sustentável.

Apesar de não concordar com a fala do "consumo" (subtítulo da matéria: "O principal representante dos céticos, Bjorn Lomborg, diz que o combate ao aquecimento global tem de se basear em tecnologia, e não em mudanças no consumo"), o resto aqui.

Biodiversidade é vida. Biodiversidade é a sua vida.

Dia 11 de janeiro de 2010, em Berlim, será aberto oficialmente o Ano Internacional da Biodiversidade, estabelecido pela ONU em 2006. Em outubro ocorrerá a COP10 - 10º Conferência da Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica.

Site oficial do Ano Internacional da Biodiversidade. (em Inglês, Espanhol e Francês)

"A Convenção sobre Diversidade Biológica - CDB é um dos principais resultados da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento - CNUMAD (Rio 92), realizada no Rio de Janeiro, em junho de 1992. É um dos mais importantes instrumentos internacionais relacionados ao meio-ambiente e funciona como um guarda-chuva legal/político para diversas convenções e acordos ambientais mais específicos. A CDB é o principal fórum mundial na definição do marco legal e político para temas e questões relacionados à biodiversidade (168 países assinaram a CDB e 188 países já a ratificaram, tendo estes últimos se tornado Parte da Convenção).

A CDB tem definido importantes marcos legais e políticos mundiais que orientam a gestão da biodiversidade em todo o mundo: o Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança, que estabelece as regras para a movimentação transfronteiriça de organismos geneticamente modificados (OGMs) vivos; o Tratado Internacional sobre Recursos Fitogenéticos para a Alimentação e a Agricultura, que estabelece, no âmbito da FAO, as regras para o acesso aos recursos genéticos vegetais e para a repartição de benefícios; as Diretrizes de Bonn, que orientam o estabelecimento das legislações nacionais para regular o acesso aos recursos genéticos e a repartição dos benefícios resultantes da utilização desses recursos (combate à biopirataria); as Diretrizes para o Turismo Sustentável e a Biodiversidade; os Princípios de Addis Abeba para a Utilização Sustentável da Biodiversidade; as Diretrizes para a Prevenção, Controle e Erradicação das Espécies Exóticas Invasoras; e os Princípios e Diretrizes da Abordagem Ecossistêmica para a Gestão da Biodiversidade. Igualmente no âmbito da CDB, foi iniciada a negociação de um Regime Internacional sobre Acesso aos Recursos Genéticos e Repartição dos Benefícios resultantes desse acesso." (daqui)

Texto da Convenção sobre Diversidade Biológica.

Interessante notar que essa é mais uma das convenções que envolvem meio ambiente não assinada pelos Estados Unidos.

E, lembrando, dia 22 de maio é o "Dia Internacional da Biodiversidade"

Lembram da lagarta que virou crisálida (aqui) no meu terraço?. Pois nasceu!


Revendo as etapas:



Pena que isso aconteceu quando estava fora de casa. Mas parece que ela estava me esperando, pois pouco depois que fotografei, ela foi embora. De qualquer forma, me senti recompensado pela natureza. Afinal, não é sempre que podemos acompanhar um espetáculo desses.

Com esse título, Leonardo Boff faz uma análise da COP15 (aqui). O texto foi publicado no portal da ADITAL - Agência de Informação Frei Tito para América Latina.

Algumas frase pinçadas (leiam o texto todo):

"E que agora somos também responsáveis, cada um em sua medida, do controle do aquecimento para que não seja catastrófico para a natureza e para a humanidade. A consciência da humanidade nunca mais será a mesma depois de Copenhague. Se houve essa consciência coletiva, por que não se chegou a nenhum consenso acerca das medidas de controle das mudanças climáticas?"

Parece que reforça nosso argumento: faça a sua parte, "cada um em sua medida".

"Por isso que ecologia e capitalismo se negam frontalmente. Não há acordo possível. O discurso ecológico procura o equilíbrio de todos os fatores, a sinergia com a natureza e o espírito de cooperação. O capitalismo rompe com o equilíbrio ao sobrepor-se à natureza, estabelece uma competição feroz entre todos e pretende tirar tudo da Terra, até que ela não consiga se reproduzir. Se ele assume o discurso ecológico é para ter ganhos com ele."

Competição capitaneada pelo consumismo exacerbado (é redundante, eu sei!). Tenha mais e troque mais rápido. Você já está fora de moda desde ontem. Vai ficar assim até amanhã? Concordo com Boff: não há acordo possível. Ou nos colocamos frontalmente contra o consumismo, fazendo campanhas mais acirradas pelo consumo consciente, ou ...

Bom, leiam todo o texto no site original, aqui.

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