Há quem diga que fraldas de pano é coisa do passado. Eu mesma as usei quando bebê, e, antes de ser mãe, a idéia que eu tinha das tais fraldas era o trabalho incansável da minha mãe, lavando dezenas de fraldas de xixi e cocô e aquele varal cheio de fraldas brancas. Naquela época, e no meu caso, o motivo era alergia à fralda descartável, que se mostrou a grande amiga das mães desde meados do século XX.

Acontece que essa "grande amiga" tem trazido consequências muito sérias para o meio ambiente. Pesquisas mostram que uma criança usa, em média, mais de cinco mil fraldas descartáveis nos primeiros dois anos de vida. Pra isso, são derrubadas 5 árvores por criança. Multiplique pelas milhares de crianças que usam fraldas descartáveis e você vai ter um número alarmante de desmatamento. Somado a isso, a fralda descartável leva quase 500 anos para de decompor.

Se o apelo ambiental não é suficiente, com certeza o econômico pode ajudá-lo a ponderar sobre a questão. Uma família gasta entre 3 e 4 mil reais em fraldas descartáveis, para cada filho, nos primeiros 2 anos de vida. E aí, já te convenci?

Grávida do meu segundo filho (ou filha, ainda não sei), estou pesquisando sobre o uso de fraldas de pano. As de hoje são muito mais fáceis de usar do que aquelas que a minha mãe usou comigo. Não precisa mais de alfinete, nem curso de origami pra aprender a fazer a dobra da fralda.

Existem vários modelos de fralda, que são fáceis de serem lavadas e duram muitos anos, podendo ser usadas por mais de uma criança da família. No Reino Unido, o uso dessas fraldas quadruplicou nos últimos anos, devido a famílias preocupadas em diminuir seu impacto no meio ambiente.

No Brasil, o site Baby Slings vende as fraldas de pano. Vale a pena dar uma passada no blog do site pra ver os depoimentos das mães que estão optando por uma escolha mais consciente na criação dos seus filhos.

Parte um: qual o tipo de representação que queremos?

É bastante difícil resumir em poucas palavras todas as impressões deste grande encontro. Podemos dividir em três momentos: a aprovação do regimento; os grupos de trabalhos e a plenária final. O regimento é o conjunto de regras da conferência, elaborado pela comissão organizadora e que deve ser referendado em plenária. 

O primeiro conflito: aceitar ou rejeitar os critérios de aprovação de moções, da revisão das propostas, da participação e da aprovação do texto final.  Para isso, o texto é lido item por item, e discutido com toda a plenária. É um processo lento, cansativo, que demanda horas e paciência de todos os presentes - Delegados eleitos nos processos municipais e estaduais.

Com tanta diversidade, é claro que é um procedimento sujeito a problemas...  

Um exemplo: uns dos itens mais polêmicos foi o fator quórum mínimo - sempre presente no processo democrático.

O regimento apresentava como proposta de quórum mínimo 50% mais um dos inscritos na conferência. Devido ao processo extenso, nem todos conseguem permanecer até o final; o que acontece: nos momentos decisivos, apenas poucos estão presentes.

O que fazer? Por um lado, realmente não é representativo que, de 1200 delegados, menos de 50 decida pelos rumos da conferência. Por outro lado, se apenas essas poucas pessoas estão interessadas no processo, por que as outras 1000 vieram? Devemos invalidar o processo? Claro que o processo fica prejudicado, mas ele acaba sendo levado adiante, seguindo o preceito de que a "plenária é soberana".

A legitimidade é o fator mais importante a ser analisado em uma conferência. É ele que vai dizer se tudo o que está sendo feito ali deve ser levado em consideração ou não. Mesmo sendo aclamado como uns dos principais exemplos de democracia participativa, ainda são representantes eleitos em suas comunidades que participam do processo. Como não há um fator eqüitativo desse processo, cada comunidade escolhe em si os critérios de representação. Alguns parâmetros já são universalizados - como as categorias de representação: gênero, tipo de organização, unidade federativa, bacia hidrográfica; movimentos representativos - mas os procedimentos locais são independentes.

Deste modo, como podemos garantir a qualidade da representação?   

Como veremos mais adiante, esse é um dos grandes problemas e ao mesmo tempo a principal qualidade desse tipo de processo democrático...

 

Parte dois: a maravilhosa essência do processo

São cerca de mil pessoas, de todos os estados da União, eleitas democraticamente em seus municípios como representantes da sociedade civil organizada, do poder público e do setor empresarial local para decidir os caminhos da política pública de mitigação e adaptação das ações do ser humano às mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global.

Mais de 500 propostas tiradas dos estados são debatidas nos grupos de trabalho para a produção do texto a ser aprovado na plenária final. A partir daí, o processo continua com a apresentação das propostas ao governo federal, que deverá levar em consideração para a elaboração do Plano Nacional de Mudanças Climáticas.

Povos indígenas, representante de quilombos, povos caiçaras, caipiras e sertanejos de todo país; homens e mulheres de todas as cores, etnias, movimentos e ideologias imagináveis; estudantes, sindicalistas, donas de casa, lavradores, pequenos empresários, líderes comunitários, políticos e intelectuais - todos se identificando apenas como ambientalistas - deste país participando da elaboração dos caminhos ambientais do Brasil.

A sensação de poder popular exala de todas as conversas nos almoços, nos transportes, nos bares como uma ilha espaço-temporal dentro do gigantesco poder político e econômico dominante na capital da nação. A não ser por raríssimas exceções, o consenso domina todas as discussões; as votações são, em sua maioria, por aclamação; não há realmente nenhuma crítica formal ao processo; Todos estão interessados na construção coletiva e participam nesta direção.

Para compreendermos a relevância desse processo, Destaco aqui um trecho de uma nota publicada na Folha online de ontem - 10/05/2008:

 

"Brasil atrasa plano contra aquecimento global

AFRA BALAZINA
Enviada especial da Folha de S.Paulo a Brasília

O Plano Nacional de Mudanças Climáticas, aguardado para meados deste ano, só deve ser concluído em novembro. A afirmação é da secretária nacional de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Thelma Krug. O atraso contraria determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O decreto 6.263, de novembro de 2007, estabeleceu que a versão preliminar do plano deveria estar pronta até o último dia 30, o que não ocorreu.

O plano vem sendo prometido desde setembro de 2007, quando Lula anunciou nas Nações Unidas que o país o adotaria. Porém, de concreto até agora só se sabe que ele terá quatro eixos: adaptação, mitigação, pesquisa e desenvolvimento e divulgação e capacitação.

Uma de suas maiores novidades, a idéia de usar dinheiro do Fundo de Compensação do Petróleo em ações de mitigação e pesquisa, está em discussão no Executivo, mas também não tem data para ser enviada ao Congresso. Krug diz que a mudança na lei não deve ocorrer antes da conclusão do plano.

Segundo ela, para que o plano seja de fato nacional --e não federal, fruto de decisões apenas dos ministérios-- é necessário abrir espaço para a participação regional, de Estados e municípios. Com isso, o processo é mais demorado.

"Um plano federal você pode construir através dos ministérios. E é claro que vai ter essa visão no plano. Mas, para torná-lo nacional, é preciso trazer essas regionalidades", diz ela."

Atraso perfeitamente justificado - ponto para o governo.

O ambiente - e o meio ambiente também - é tomado por uma maravilhosa e impressionante sensação: a vitória da Democracia Participativa.    

 

Parte três: a lógica da desordem

O saudoso Milton Santos marcou os estudos do desenvolvimento urbano identificando de forma exemplar a dinâmica social dos agrupamentos urbanos, usando como objeto de estudo a cidade de São Paulo. Arrisco aqui cometer certos erros teóricos, mas gostaria de usar este exemplo para ilustrar o desenvolvimento da plenária final, o ponto alto de todo encontro.

Assim como é impossível controlar todos os processos de urbanização de uma cidade, devido à dinâmica social extremamente mutável, do mesmo modo não é possível controlar todos os processos de debate em torno da formulação de políticas públicas. Por quê? Porque o ser humano é uma curiosa invenção em desenvolvimento!

Muitos consideram esse processo de conferência uma farsa: um encontro de ignorantes aparelhados por entidades vinculadas a interesses políticos específicos. Há suspeitas de irregularidades de todos os tipos: pessoas que participam no lugar de outras; preferencialismo; mau uso do dinheiro público; falsificação de assinaturas em atas e moções. O regimento possui brechas que permitem desrespeitá-lo à todo momento; muitas decisões são resolvidas no grito, e debates quase se transformam em agressões físicas; a maioria dos delegados passam mais tempo passeando e se divertindo que participando das discussões - atitude até certo ponto justificada pelo fato de as discussões se tornarem verdadeiros martírios mentais intermináveis (imagina corrigir de um texto de 500 páginas junto com outras dezenas de pessoas? Até parece feito de propósito para afastar as pessoas); complementando esse fato, no final umas poucas pessoas se legitimam a decidir por todos os ausentes - claro que ignorando o quórum mínimo. Desde as conferências locais esses problemas se repetiram, assim como se repetem na esfera da democracia representativa - quando elegemos vereadores, deputados, prefeitos, governadores e presidentes.

Alguns são problemas graves; outros nem tanto. Não tenho a intenção, de forma alguma, fazer denúncias ou desqualificar o processo, até porque, mesmo que quisesse, não teria poder para tal; mas é importante fazer uma avaliação sincera do processo para se entender a origem dos problemas e se buscar a solução. Na política infelizmente não temos processos perfeitos, assim como em todas as esferas - das sociais às pessoais - está presente a corrupção. E isso inclui a todos. O diferencial está na capacidade de reconhecermos nossas falhas pessoais e sociais em busca do melhoramento constante. É assim que o ser humano evolui em sociedade - ou pelos menos poderia ser assim. Isso, por si só, já justifica e qualifica positivamente todo o processo.

A Conferência Nacional é o ponto alto do processo de conferências, que começou nas discussões locais em cada município (em alguns casos em cada bairro). A plenária final é o clímax do encontro, onde todas as qualidades positivas e negativas se tornam evidentes - como não poderia deixar de ser.

É verdade: A plenária é realmente soberana.

Para todos os participantes, são três dias de extremo cansaço, mas de uma satisfação extasiante - a relação íntima com o processo democrático. Qualquer semelhança com qualquer é mera coincidência.     

we are what we do



We Are What We Do é uma ONG inglesa, mas já se espalhou por outros países. Começou como um projeto de caridade e se transformou num movimento que busca inspirar as pessoas a usar seus pequenos hábitos diários para mudar o mundo.

Eu particularmente, compartilho da filosofia deles que acredita em pequenas ações que mudam não apenas o cotidiano de cada um, mas também o meio-ambiente, o bem-estar e a comunidade. Se o sistema político e econômico em que vivemos só nos decepciona, cabe a cada um buscar ser a "mudança" e contagiar todos.

Atos simples que fazem bem pra você e de quebra ajudam os outros e o planeta como escrever para um blog e espalhar a idéia, dividir um banho, ver menos TV... Algumas podem até soar meio piegas como "querer ser mais, do que ter mais", lembrar os nomes das pessoas e não ser um "assassino de idéias", mas se você parar para pensar: preocupar-se com o mundo é preocupar-se com os outros, querer que todos estejam bem num futuro não muito distante.

Pois como o nome do movimento diz, "nós somos o que fazemos" e o que adianta você ser o campeão da coleta seletiva se é um grosseiro no trânsito ou desrespeita os mais velhos?


Veja a lista completa aqui (em inglês).



Para que as cenas chocantes desse pequeno vídeo não aconteçam mais nos oceanos do planeta, é preciso manter a moratória à caça comercial de baleias, instituída em 1987 na Comissão Internacional de Baleias (CIB) e criar santuários de baleias, como os já existentes no Oceano Índico (criado em 1970) e na Antártica (1994). Esses santuários protegem diversas espécies que estão ameaçadas de extinção, como as jubartes, segundo a lista da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (CITES).

Muita gente pergunta por que temos que proteger as baleias, pra que elas servem, que mal tem caçá-las? Basicamente, as baleias são ícones da biodiversidade dos oceanos, são seres vivos mágicos, com complexa organização social e não fazem parte da cadeia alimentar humana - com exceção de povos tradicionais como os esquimós e alguns vilarejos mais afastados no Japão, Islândia e quetais. Mais interessante apostar no turismo de observação, atividade que vem crescendo e já movimenta mais de US$ 1 bilhão por ano no mundo.

Em 1998, o Brasil propôs na CIB a criação do Santuário do Atlântico Sul, mas nunca se empenhou de verdade por sua criação. Por outro lado, países baleeiros como Japão e Noruega fazem lobby pesado para evitar a criação de santuários e derrubar a moratória à caça comercial. Agora em junho, haverá uma decisiva reunião da CIB em Santiago do Chile. O santuário do Atlântico Sul pode enfim sair do papel, mas para isso o Brasil tem que jogar todo seu peso político nesse sentido.

É para tal que o Greenpeace está com uma campanha online para o envio de uma carta pedindo que o presidente Lula convide outros países em desenvolvimento a apoiarem a idéia durante a reunião da CIB. O objetivo é chegar a 10 mil cartas. Até o momento, já foram enviadas 3.500 - e a data limite é 26 de maio, uma semana antes da reunião no Chile.

Peço 10 minutos do seu tempo para assinar a carta. É só clicar aqui, preencher o pequeno formulário e pronto.

Quem tiver blog e quiser ajudar, participe da blogagem coletiva que o blog Meu Veneno está articulando. A blogagem já tem até selinho de divulgação, esse aí debaixo. Bela iniciativa!

Não dá para ficar parado. Você vai ficar?

Enquanto nós ficamos parados, outros planejam, sorrateiramente como sempre fazem, mais uma onda de destruição das nossas florestas. Está em votação o Projeto de Lei 6424/2005, de autoria do Deputado Flexa Ribeiro (PSDB-PA) que autoriza um dos maiores crimes ambientais a ser cometido na história do Brasil.

Você vai ficar parado?

Enquanto nós ficamos parados, outros colocam no mercado produtos contendo transgênicos sem aviso no rótulo, em total desacordo com as leis. Ferem mortalmente nosso direito a um consumo consciente.

Você vai ficar parado?

Enquanto nós ficamos parados, outros tantos sequer aceitam que o aquecimento global é uma realidade. Alegam que os estudos não são conclusivos, que "não é bem assim", e seguem, em prol do crescimento das suas economias, produzindo GEE. Afinal, o que vale é o "aqui e agora". O futuro que se dane!

Você vai ficar parado?

Quer mais exemplos? Crescimento populacional descontrolado? Roubo da nossa flora e fauna? Há uma lista interminável de exemplos...

Nós, do Faça a sua parte, não ficaremos parados. E queremos que você se mexa. Que mexa os dedos e participe da 1º edição da série "Debates Ambientais do Faça a sua parte". Todo ano, no período de 22 de maio a 14 de junho, o Faça a sua parte promoverá debates sobre as questões do meio ambiente. E, no dia 5 de junho, acontece a blogagem coletiva para comemorar o Dia Mundial do Meio Ambiente.

Uma blogagem coletiva inédita. Serão duas semanas para preparar, com debates, a blogagem coletiva para comemorar o Dia do Meio Ambiente. Participe com seus comentários ou posts em seu blog sobre algum dos temas propostos. Debata, converse, troque idéias. Participe. Mas lembre-se: no dia 5 de junho não deixe de participar da blogagem coletiva do Dia Mundial do Meio Ambiente.

Mas não pára por aí. Do dia 6 até o dia 14 continuaremos debatendo, agora com as diversas contribuições realizadas no dia 5.

Veja a programação para 2008:

MAIO

22 e 23: Biodiversidade: sem flora e sem fauna?
24 e 25: Cerrados: bioma ou necroma?
26 e 27: Florestas, até quando haverá uma?
28 e 29: Educação Ambiental: a quem educar?
30 e 31: Aquecimento Global: mito ou realidade?

JUNHO

01 e 02: De quem é a culpa: do Legislativo, do Executivo, ou nossa?
03 e 04: Meio Ambiente Humano: somos parte da natureza?
05 e 06: Blogagem coletiva sobre o Dia Mundial do Meio Ambiente
07 e 08: Mar: Origem da vida?
09 a 12: Tecnologia e Meio Ambiente: há futuro na ciência?
13 e 14: Consumo sustentável: o que e como fazer?


Participe conosco. Traga suas idéias e conhecimentos. Faça a sua parte ou...

Você vai ficar parado???
Um comichão nos dedos indicadores teve início logo após efetuar a postagem anterior.
Não podia deixar passar a oportunidade de continuar escrevendo sobre o assunto, antes que alguém fizesse um comentário.
Parece que joguei a culpa da degradação ambiental, de todas as formas, simplesmente nos moradores e visitantes dos ambientes naturais. E não é nada disso que acontece por aqui.
Vejam bem: a gente mora em locais inóspitos, de precário desenvolvimento escolar e de menor interesse público, então não devemos simplesmente nos culpar sobre o que acontece por aqui.
Se fazemos as coletas de latas descartáveis, de sacos plásticos, de embalagens, de papéis ou de qualquer item reciclável não podemos encaminhar aos centros de reaproveitamento.
As ONG's vem de fora e por aqui fazem movimentos de pirotecnia, mas não desenvolvem nenhum trabalho de logística para que os materiais possam ser reutilizados pelos habitantes locais.
Os órgãos de treinamento passam pelas aldeias indígenas e deixam um montão de cursos e nada de continuidade empresarial. São cursos de apicultura (mas as aldeias não tem abelhas produtoras ou é tão longe da cidade que o mel não pode ser vendido), piscicultura (em uma aldeia levaram os alevinos híbridos e os índios comeram e ...acabou), manejo de resíduos alimentares (como fazer reaproveitamento de sobras que não existem?) etc.
Enfim, tudo o que se pode fazer é estimular para que sejam desenvolvidos produtos locais (artesanato, criação de peixes, criação de caprinos e de bovinos, agricultura de subsistencia) que tratem do corpo, do moral dos que ouvem palavras bonitas e pouquíssimas atitudes.
De tanto ver porcarias sendo lançadas no leito do rio Tapajós (outrora cantado como o mais belo do mundo) lancei uma campanha "Salvem o Tapajós!". Mas ninguém se habilitou a contribuir.
No entanto, nada fará com que eu pare de chamar a atenção de meus pares, gritar neste deserto de emoções ambientais e me esgoelar para ter um futuro mais agradável para meus descendentes (por enquanto são só  mulheres...)

Minha Casa Sustentável

Moro na Amazônia. Tenho orgulho de ir e vir por vários destes Brasis e voltar sempre para este cantinho tão aconchegante.
Aqui é minha rua, minha casa e meu lar. Não quero estar em outro lugar por mais belo que possa existir.
Por isso sonho em que cada um dos que habitam por aqui irá cuidar de seu pedaço com carinho e atenção como cuidam de sua saúde.
Epa! Que cuida de sua saúde como ela merece?
Nem podemos fazer isso regularmente, com o nível de atendimento médico nesta região abandonada pelos governos irresponsáveis? Assim, por aqui nascem crianças sem que os pais saibam se ela é sã ou se vai sobreviver às agruras da vida. Sempre se usa o proverbial "Se Deus quiser!" como se ele fosse o responsável pela vida e morte de todos os que não querem assumir suas responsabilidades.
Que se alimenta conscientemente com alguns dos ingredientes que fazem parte da postagem do Jorge Cordeiro? Não faltou a foto onde os indígenas vão apresentar o "kurap", a farinha e a mandioca?
E, quando estou nos rios da região amazônica lembro dos versos dos poetas:

(1)
Esse rio é minha rua,

minha e tua mururé,
piso no peito da lua,
deito no chão da maré.

e penso que este corredor que me leva da sala para a cozinha, passa pelo banheiro e pela minha geladeira. E onde está a limpeza desta de minha casa? Os meus visitantes diários, quando passam por aqui, largam o lixo em qualquer lugar: jogam cascas de bananas na geladeira, pontas de cigarros nas salas, restos de comida no corredor, roupas velhas no banheiro, latas e plásticos no telhado...enfim, promovem um fuá indiscritível.
Minha casa fica mais triste quando meus hóspedes entram nela.
Meu trabalho aumenta quando estes visitantes vem aqui e demonstram seu despreparo ou descaso com minha casa.
Pior ainda é quando os outros membros desta república acham que eu e uns poucos preocupados temos que limpar a sujeira que eles produzem. Aquelas que eles jogam na rua constantemente: sacos plásticos, copos descartáveis, latas de refrigerantes e cervejas, embalagens de sucos.
Muito pior é quando eles resolvem queimar este lixo e provocam a poluição do ar.
Realmente o caminho é longo. Mas vai ser gratificante.

(2)
Antes que matem os rios,

e as matas por onde andei,
antes que cubram de lixo,
o lixo da nossa lei,
deixa que cante contigo,
debruçado em peito amigo,
as coisas que tanto amei,
as coisas que tanto amei.
PS: os versos aqui postados são de Ruy Paranatinga e Paulo André Barata nas músicas Esse Rio é minha Vida (1) e Paranatinga (2)

Todas as nossas ações têm impacto sobre nossas vidas, as vidas dos que nos cercam e o meio ambiente. Parir também. O nascimento natural, além de bom para mãe e bebê, também é ecológico. Nada de remedinhos, luzinhas piscando, desperdício de material descartável, luzes fortes acesas. Basta o vínculo da mulher com a natureza, com as suas raízes, com o seu bebê.

Hoje, dia 10 de maio, começa a exposição de fotografias "O bebê é nosso!", organizada pela rede de mulheres Parto do Princípio, que ocorre em várias partes do Brasil, em comemoração à Semana Mundial pelo Respeito ao Nascimento. Procure a sua cidade - ou a mais próxima de você - e venha ver de perto como é lindo o resultado de um parto natural.

 

Danielle & Felipe 3.JPG
Foto: Danielle e Felipe, parto domiciliar, RJ
 
Brasília
Contatos: Clarissa Kahn (61) 3201.0069 / 8139.0099 / 3877.0225, Clarice Andreozzi (61) 9209.7471 e Janaina Mamede (61) 8114.4602
- Brasília Shopping - 10 a 26/05/08
 
Belém
Contato: Thayssa (91) 8884.0209
- HANGAR - Centro de Convenções e Feiras da Amazônia - 21 a 24 de Maio, durante o ENAM (Encontro Nacional de Aleitamento Materno)
 
Belo Horizonte
Contatos: Pollyana (31) 9312.7399 e Alessandra (31) 9102.0042 / 3283.7011
- Minas Shopping - 10 a 18/05/08
- SMSA - Encontro de Humanização do Parto e Nascimento - 12/05/08
- Estande BH pelo Parto Normal - Praça da Liberdade - 17/05/08
- Roda Bem Nascer - Parque das Mangabeiras - 31/05/08
 
Campinas
Contatos: Renata Olah (19) 9132.9621 / 3236.0608 e Bernadete (19) 9601.0489
- Saraiva MegaStore do Shop. Iguatemi - 26/06 a 14/07/08
- Sesc Campinas - 2ª quinzena de julho
 
Divinópolis
Contato: Rebeca (37) 8404.9860 / (31) 8508.9130
- Terra Parque Shopping - 10 a 24/05/08
 
Juiz de Fora
Contato: Malu Machado - (32) 8861.8102
- Independência Shopping - 10 a 18/05/08

Maringá
Contato: Patricia - (44) 3025.3219 / 9927.7298
- Maringá Park Shopping Center - 10 a 25/05/2008
 
Porto Alegre
Contatos: Alessandra (51) 9685.2114 e Zezé (51) 9123.6136
- Mercado Público Municipal - 12 a 17/05/08
 
Recife
Contatos: Júlia Morim (81) 9258.7457 e Ana Katz (81) 9964.8212
- Livraria Cultura, Rua Madre de Deus s/n, Bairro do Recife - 10 a 18/05/2008
 
Santo André
Contato: Débora (11) 9201-5245
- Centro Hospitalar Municipal -  12 a 18/05/08
 
São José dos Campos
Contato: Flavia Penido (12) 39481858 / 91249820
- Hospital Antoninho da Rocha Marmo -  10 a 18/05/2008
 
São Paulo
Contato: Roberta (11) 3554.8246 / 8208.2119
- Amparo Maternal - 10 a 18/05/08
- GAMA (Grupo de Apoio à Maternidade Ativa) - A partir de 19/05/08
 

Lindo e ecológico.

Em jornalismo, não é incomum a gente ver títulos de matérias que pouco ou nada têm a ver com seu conteúdo. Muitas vezes, o texto não traz informação que renda um bom título, ou o editor tem uma grande sacada e resolve dar o que chamamos de esquentada no título, pra atrair a atenção do leitor. Foi o que fizeram com a pesquisa da revista National Geographic, o Greendex 2008: Escolha do Consumidor e Meio Ambiente

O tal Greendex consultou, pela internet, consumidores de 14 países sobre seus hábitos de consumo, transporte, habitação e  alimentação, e apontou brasileiros e indianos como os mais verdes do mundo, seguidos dos chineses, mexicanos, húngaros, russos, ingleses, alemães, australianos, espanhóis, japoneses, franceses, canadenses e, por fim, americanos.

A impresa, com aquela profundidade de um pires que lhe é característica, cravou: brasileiros e indianos são os que mais respeitam o meio ambiente. Nada mais falso. Ora, está claro que países em desenvolvimento aparecem na frente não porque seus habitantes têm maior consciência ecológica, mas pelo simples fato de que eles não têm o mesmo padrão de consumo dos países desenvolvidos. Um indiano não gasta menos energia elétrica que um japonês, um chinês não come menos produtos industrializados que um inglês, um brasileiro não compra menos bugigancas que um americano por ser mais ambientalmente responsável. Essa afirmação é falsa. Eles, isso sim, causam é menos impacto ambiental com seus hábitos de consumo, porque seu atual nível sócio-econômico não lhes permite ter o mesmo padrão de vida que os europeus, americanos e japoneses. Se lhes for dada a chance - e a tal globalização vive pregando isso - consumirão tanto ou mais. E o planeta que se vire para sustentar tudo isso! A questão não é apenas a quantidade do que se consome, mas a qualidade desse consumo.

O site Story of Stuff, da ativista Annie Leonard, traz um dado interessante: 99% do que o americano compra vai pro lixo após apenas seis meses de uso! Não é de se estranhar. A base da economia americana é diretamente ligada ao consumo - tanto que, para resolver o problema da atual recessão, o presidente Bush está enviando cheques de até US$ 600 para cada americano que ganha até um X por mês para que ele gaste em compras. O padrão lá é: compre o quanto puder para que a economia americana não afunde. Não tá funcionando a contento e, pior, vai acabar afundando o planeta inteiro!

A propósito: recebi por email uma série de fotos que revelam de maneira bem interessante como é o consumo alimentar em uma semana de famílias típicas de nove países diferentes - Alemanha, Estados Unidos, Itália, México, Polônia, Egito, Equador, Butão e Chade. Não sei de onde veio essa série, mas as (belas) fotos falam por si:

image0011.jpg
(Alemanha: Família Melander de Bargteheide. Despesa com alimentação em 1 semana: 375.39 Euros / $500.07 dólares)

image002.jpg
(Estados Unidos da América: Família Revis da Carolina do Norte. Despesa com alimentação em 1 semana: $341.98 dolares)

image003.jpg
(Italia: Família Manzo da Secília. Despesa com alimentação em 1 semana: 214.36 Euros / $260.11 dolares)

image004.jpg
(México: Família Casales de Cuernavaca. Despesa com alimentação em 1 semana: 1,862.78 Pesos / $189.09 dólares)

image005.jpg
(Polónia: Família Sobczynscy de Konstancin-Jeziorna. Despesa com alimentação em 1 semana: 582.48 Zlotys / $151.27 dólares)

image006.jpg
( Egito: Família Ahmed do Cairo. Despesa com alimentação em 1 semana: 387.85 Egyptian Pounds / $68.53 dólares )

image007.jpg
(Equador: Família Ayme de Tingo. Despesa com alimentação em 1 semana: $31.55 dólares )

image008.jpg
( Butão: Família Namgay da vila de Shingkhey. Despesa com alimentação em 1 semana: 224.93 ngultrum / $5.03 dólares )

image009.jpg
( Chade: Família Aboubakar do campo de refugiados de Breidjing. Despesa com alimentação por semana: 685 Francos / $1.23 dólares)

Eu não conheço a Fernanda Coronado pessoalmente. Gostei da re-apresentação que ela fez de si quando voltou ao radinho, há algum tempo atrás. Hoje, ela compartilhou uma história que fala tudo sobre a atitude das pessoas, coletivos e "empresas" lá na lista.
Há algumas semanas, tenho sofrido com o barulho de uma Lavadora de Pressão WAP do prédio atras do meu. Moro no segundo andar e minha varanda é de frente pro fundo desse prédio. O responsável pela limpeza liga todos os dias a wap - às vezes umas 10hs, às vezes as 13hs e fica até as 16h/17hs. Hoje então eu contei o tempo...foram 5 horas com ela ligada. Pedi para desligarem, pois o barulho é audivel pelas pessoas que me ligam, pelos meus clientes. Sem contar que chega um momento que o barulho já fica martelando na cabeça. O zelador/porteiro se negou a me fornecer um contato do síndico ou responsável, alegando que no horário era permitido. Sem alternativa, apelei pro 190. O policiais foram até lá e pediram pros funcionários me passarem os contatos do síndico. Um deles ainda avisou que a norma para barulho não é so das 22hs as 7 da manhã. Vale para qualquer barulho contínuo acima de 50 decibéis em bairros residenciais. Claro que assim que eles viraram as costas, a Wap foi religada. A situação, no entanto, é muito pior: A Wap do predio gasta 600 litros de agua por hora!!!!! Liguei na Sabesp e pedi informações sobre o desperdício do "Ouro Liquido". A moça pediu o endereço e consultou o consumo de água. Em poucos segundos ela respondeu: Nossa! E ai me explicou: "Eles consomem 2000 m3 de água por mês. Eles precisam receber uma notificação urgentemente sobre desperdício e reduzir radicalmente o consumo". Para completar, ela avisou: é importante este tipo de vigilância.
A Fê fez uma verdadeira maratona hoje. Contato com o prédio, PSIU (não funciona), Polícia, Sabesp. E aproveitou pra fazer uma conta rápida. No seu prédio (13 andares, com 4 ap's/andar) são consumidos 339 m3/mês, ao custo de R$ 1.218,14. No vizinho de trás? (12 andares, 4 ap's/andar) 2.000 m3... cerca de R$ 4.000,00/mês. Eles gastam, nas contas da Fernanda, a mesma coisa que o prédio dela só com a WAP.
Servição da dona Joaninha: Sabesp: 195 : Para emergências, como falta d'água, vazamentos e esgoto entupido. Funciona 24 horas todos os dias. 0800-0119911 (somente para RMSP) (ligação gratuita) - Para informações sobre contas, solicitação de segunda via (em caso de perda ou não recebimento), pedidos de serviços, endereços, telefones úteis e folhetos explicativos. Horário de funcionamento: segunda à sexta-feira: das 7 às 21 horas sábado: das 8 às 17 horas domingo : das 10 às 16 horas Interior e Litoral Para solicitar serviços emergenciais ou comerciais, o usuário deve ligar para o 195 ou contatar a agência de atendimento do município. O número do telefone aparece na conta de água enviada mensalmente pela Sabesp.
A Fernanda me passou um link superhiperextrabacana com boas informações sobre o assunto: Ama Natureza.
Para reclamar de poluição recorra à CETESB: Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental 0800-113560.

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