Como escrevi antes, acredito que esteja próximo o momento em que o petróleo deixará de ser utilizado como combustível. Pelo menos como combustível para automóveis. E se, por um lado, o fim das bombas de gasolina e diesel nos postos será uma boa notícia, pois representará a utilização de combustíveis e tecnologias menos agressivas ao meio ambiente, por outro lado o incentivo à individualidade, com um sistema que privilegia o transporte privado em substituição à uma política séria de transporte coletivo, parece ser um caminho sem volta.

Existem animais que vivem em sociedades, como os lobos, por exemplo, assim como existem animais independentes, como os ursos, que se encontram somente para o acasalamento. O ser humano dos tempos atuais encontra-se entre essas duas espécies, mas cada vez mais próximo dos ursos, traindo as próprias raízes antropológicas e se acasalando muito mais do que ursos e lobos juntos, procriando, educando e inserindo os próprios filhos nesse caminho irreversível rumo à individualidade que estamos construindo. Sentimo-nos seguros, protegidos e confiantes nas nossas - cada vez menores - gaiolas móveis ou imóveis. Vamos, aos poucos, reduzindo voluntariamente o contato com outros seres da nossa espécie. A mudança de experiências coletivas por atividades solitárias ou restritas ao grupo familiar, como no caso da substituição do cinema e do teatro pela televisão, somadas ao advento da Internet, vai nos transformando em membros de guetos e tribos cada vez menores e mais seletivas, quando não em isolados habitantes metropolitanos. Uma multidão de solitários ursos urbanos distribuindo e-mails invés de abraços.

Não, não acredito que o problema da superpopulação ou do incentivo ao individualismo em detrimento da sociabilidade seja culpa do petróleo, mas do sistema criado e incentivado pelo imenso volume de dinheiro proporcionado por toda essa engrenagem. A cada duas semanas é lançado um novo modelo de computador, automóvel, celular, máquina de café expresso ou qualquer outro objeto de uso individual, convidando, seduzindo, incentivando, constringindo o consumidor a fazer o que ele sabe fazer melhor: consumir o produto de uso pessoal, dando uma importância à privacidade muito superior que ao convívio social. Depois de termos perdidos a harmonia e o contato com a natureza, estamos abrindo mão de uma característica fundamental da nossa espécie, o hábito da convivência em grupo. A segurança, o conforto, o stress do dia a dia, a necessidade de trabalhar cada vez mais... Qualquer argumento serve para justificar esse comportamento anormal à espécie humana, apesar de coletivo.

Tampouco penso que a modificação do transporte urbano seja prioridade de algum governo, nem mesmo que o desenvolvimento de um sistema eficiente possa reverter o processo de individualização da sociedade, mas a expansão e a adequação de um sistema de transporte com foco na coletividade ajudaria muito as classes mais baixas, que atualmente dispõem de meios de locomoção de massa que só contribuem para o aniquilamento da dignidade dos usuários, diminuindo cada vez mais a autoestima. Uma revolução no transporte público eliminaria esse aviltamento social e a consequência poderia ser a redução do uso de automóveis privados. Mas melhorar o sistema de transporte de massa pode não bastar. Seria necessário uma forte pressão (uma assustadora carga tributária?) contra automóveis e combustíveis forçando a migração para o transporte público, gerando a necessidade de adequá-lo velozmente. Uma honesta mudança na ótica no transporte de pessoas poderia contribuir, isso sim, na formação de uma consciência do indivíduo como parte da coletividade. O transporte público ideal deveria ser como a praia, onde classes sociais diferentes dividem o mesmo espaço e recebem o mesmo tratamento. E Se divertem e relaxam.

Em resumo, infelizmente o fim do petróleo como combustível não deverá causar nenhum impacto sobre o nosso cotidiano. Haverá apenas a troca de um combustível por outro, menos poluente e sustentável, o que não deixa de ser um passo monstruoso de enorme. Mas essa inversão de valores, com a coletividade que deixa de ser prioridade e um insistente estímulo à individualidade, é algo que acabará por definir a sobrevivência da nossa espécie. Nada substituirá a nossa necessidade de viver "em sociedade". Sei que o grande entrave no sistema de transportes é o inchamento das cidades, que, sem planejamento, crescem desorganizadamente e se tornam cada vez mais impessoais; assim como tenho consciência de que o problema da superpopulação há muito deixou de ser mera estatística para transformar-se no maior desafio deste milênio que está iniciando. Tudo isso só confirma a necessidade de uma mudança radical - e oposta à atual - na filosofia do transporte de pessoas.

Quanto a você, caro leitor, que ri, que dá de ombros ou que desperta para uma nova preocupação; a você, caro leitor, que sacode o teclado recém-comprado para liberá-lo das migalhas, que sonha ou que possui um carrão na garagem com medo de ser roubado; a você, que sacode a cabeça com superioridade ou que sacode todas as manhãs dentro de um ônibus ou vagão lotado; a você, leitor que discorda das minhas opiniões ou que se solidariza com as minhas preocupações, faço-lhes um pedido: comecem a buscar e propor soluções. Eu não as tenho, sou apenas aquele que faz as perguntas. Sou como o lobo que vê crescer o número de ursos e me sinto ameaçado. Para evitar que me questionem se eu já imaginei um mundo sem computador, automóvel, celular ou máquina de café expresso, adianto: sim, já imaginei. E você?


As multinacionais começam a travar uma guerra surda, quase sem barulho e que poucos têm notícias: a guerra do potássio. Trata-se de um metal muito leve, segundo em ordem de leveza depois do lítio. É menos denso que a água e tão macio que se pode cortar facilmente com uma faca e cujos principais produtores são o Canadá, a Bielo-Rússia e a Rússia, com 95% da produção utilizada em fertilizantes.


Como a população mundial não pára de crescer, cresce também a necessidade de produzir alimentos e a demanda por fertilizantes só aumenta. Na Rússia, Anatoly Skurov, Suleiman Kerimov e Zelymkhan Mutsoyev conseguiram o controle de 69% da Silvinit, o maior produtor russo deste que está virando um metal tão preciosos quanto o ouro. A representação da Silvinit na produção de potássio na Rússia é tão grande que a situação se caracteriza como monopólio. Para não ficar atrás, a anglo-australiana Bhp Billiton fez uma oferta irrecusável pelo controle da canadense Potash Corp, a maior produtora mundial de potássio. A proposta não deve ter sido tão irrecusável assim, pois foi rejeitada. Mas a guerra continua, incluindo o fósforo, outro componente dos fertilizantes.

Permitir a concentração da produção mundial de potássio e fósforo nas mãos de uns poucos é um risco que não podemos permitir, pois isso levaria à formação de cartel que determinaria preços e controlaria fornecimentos. O simples boato de um possível exaurimento das reservas naturais elevaria os preços dessas matérias-primas às estrelas, colocando toda a cadeia agrícola sob controle dos fornecedores de potássio e fósforo. Mas somos impotentes diante dessa guerra.

A saída é investir na produção de fertilizantes alternativos, como vem fazendo a Embrapa há anos, com diversos programas desenvolvidos, em desenvolvimento e divulgando, para que essa tecnologia seja disponível e acessível ao agricultor brasileiro. Celeiros do mundo?


Via La Stampa.

Recebemos, com frequência, releases para publicação aqui no Faça. Alguns sucitam debate interno. Publicamos? Não publicamos? Esse, que publicamos, merece uma pequena reflexão:

é possível conciliar a fabricação de produtos nocivos ao meio ambiente com um programa ambiental para jovens? Pesquise, informe-se, debata!

"Estudantes engajados em projetos socioambientais podem se inscrever até 27 de agosto e concorrer a um intercâmbio na Alemanha

As inscrições para a 7ª edição do Programa Bayer Jovens Embaixadores Ambientais terminam na sexta-feira, dia 27. Em uma parceria mundial entre a empresa alemã e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), os vencedores dos quatro melhores projetos socioambientais irão representar o Brasil no Encontro Internacional de Jovens Embaixadores Ambientais na Alemanha, em novembro deste ano. O programa possibilitará o intercâmbio com os vencedores de outros 17 países da América Latina, Ásia e África, além de palestras e visitas a instituições com as melhores práticas ambientais germânicas. Todas as despesas da viagem serão pagas pela Bayer.

Para se inscrever, o jovem deve acessar o site bayer.com.br/bayerjovens e descrever o projeto ambiental ou de responsabilidade social do qual participa, incluindo quais atividades realiza, os benefícios da iniciativa e quais resultados já alcançados. O projeto pode ser uma iniciativa própria ou conduzida por intermédio da iniciativa privada, de associações, entidades e/ou Organizações Não Governamentais (ONGs). Também é necessário que o jovem esteja regularmente matriculado no ensino médio, cursos universitários ou de pós-graduação reconhecidos pelo MEC, além de ter entre 18 e 24 anos de idade e falar inglês.


Acesse nossas Redes Sociais e conheça mais sobre o Bayer Jovens:

Site: www.bayer.com.br/bayerjovens

Blog: http://portaldovoluntario.org.br/blogs/83968

Orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=104503165

Twitter: http://twitter.com/bayerjovens

Facebook: http://www.facebook.com/bayerjovens"

Oceans-book

Vi este livro numa vitrine de livraria. Já tinha visto o filme e pensei que o livro teria várias imagens que apareceram no filme - ledo engano. Quando folheei o dito e percebi que era um apanhado de textos relacionados ao mar, organizado por Jon Bowermaster, que não tinha quase foto nenhuma, decidi que comprar na versão digital era mais jogo. E li.

"Oceans" tecnicamente é escrito para complementar o filme da Disney que resenhei há alguns meses. Imaginei também que comentaria detalhes das filmagens - outro ledo engano. Apenas no primeiro capítulo, quando o responsável pelo filme é entrevistado, a gente aprende um pouco sobre o filme homônimo. E ele confirma minha suspeita, quando diz:

"Oceans não é um documentário; é uma ópera da vida selvagem, e cada animal fez a sua parte, contribuindo com algumas notas para a partitura completa. [...] O espectador deve sentir esta emoção. "Oceans" não teve a intenção de explicar padrões de comportamento ou dar informações sobre as espécies. Não foi programado para ensinar, mas para fazer a audiência sentir. [...] Nós tivemos todo tipo de ajuda, mas os cientistas não ditaram como fazer certas coisas. A gente simplesmente seguiu os animais; os animais nos guiaram, meio que dizendo o quê filmar, o que não filmar e como nós deveríamos nos sentir."

Agora, se você acha que, porque o livro não é o que eu esperava, daqui pra frente minha resenha será negativa... ledo engano seu. O fato de não se segurar no filme dá mais força ao livro, engrandece-o. E eu terminei apelidando o livro carinhosamente de "MAR 101". Porque é uma introdução às grandes questões sobre o mar que temos hoje em dia, sejam elas científicas, políticas, sociais, econômicas, artísticas... você escolhe o viés. Há capítulos para todo gosto - inclusive um escrito por um chef especialista em frutos do mar, que dá dicas de onde e como comprar peixes sem destruir (demais) os estoques dos oceanos.

(E se um ET aparecesse na minha frente hoje e me pedisse para explicar os oceanos, eu daria este livro de presente para ele ler.)

Nenhum capítulo é escrito em linguagem demasiado científica, pelo contrário: o público-alvo são todos nós, humanos com polegar opositor e telencéfalo desenvolvido - basta vontade para lê-lo. Um dos capítulos iniciais é escrito por "Her Deepness" Sylvia Earle, a oceanógrafa que quando fala, todos os apaixonados pelo mar escutam. Com a sensibilidade que lhe é peculiar, ela nos conta:

"Parado na praia e olhando para o mar, o menino diz: "Tem muuuuita água aí". E o velho sábio oceanógrafo responde: "E isto é apenas o topo."

E nos relembra:

"Nós devemos tomar conta dos oceanos como se nossa vida dependesse deles - porque, na verdade, ela depende."

Oceans

Mas nem só de Sylvia Earle se sustenta o livro "Oceans". Há dados interessantíssimos da interface política/ciência/ambiente trazidos pela diretora-mor do NOAA, a Agência Ambiental Americana que cuida das questões oceânicas e atmosféricas, que comenta:

"Embora eu seja uma cientista por formação, há muito tempo eu abandonei a busca pura e simples de conhecimento em prol de combinar minha experiência com a campanha de defesa [dos mares] e talvez um pouco de marketing social para conseguir avançar a causa maior da conservação. Nós simplesmente não temos mais tempo para esperar "consenso científico" em tudo antes de fazer algo perante o que está acontecendo com nosso planeta." [grifo meu]

Há explicações sobre a ameaça atual aos golfinhos, aos tubarões, aos atuns, às tartarugas marinhas, aos recifes de corais, feita por estudiosos dos mesmos. Há análises recheadas de facetas sobre aquacultura, sobre sobrepesca. Há explicações sobre o processo de acidificação dos oceanos e sobre a fauna das profundezas. Há a história de como o Vórtex de Lixo do Pacífico foi descoberto e o que tem sido feito para gerenciá-lo. Há ponderações sobre o futuro dos mares na era das mudanças climáticas e da poluição desenfreada. Há também o engajamento hollywoodiano-ambiental de Leonardo Di Caprio, num capítulo curtíssimo cheio de frases fortes (ideal para vendas); e de Paul Watson, o controverso poderoso chefão do Sea Shepherd. Há o depoimento tocante do Presidente das Maldivas sobre o que deveríamos procurar como política adequada para o mar, cujas palavras que mais se destacaram para mim foram:

"Somente quando as pessoas começarem a pressionar seus líderes, quando políticos começarem a perder eleições por causa de questões ambientais, é que os mesmos políticos tratarão as mudanças climáticas com a seriedade merecida. [...] Políticos raramente agem a não ser que seu eleitorado empurre-os a fazer algo. [...] Culpar os outros por terem causado as mudanças climáticas não é necessariamente a melhor forma de solucionar este problema. O que foi feito, foi feito. Nós queremos focar no futuro, não no passado."

Mas há também inúmeros capítulos com histórias pessoais de amor ao mar: pescadores, velejadores, surfistas, nadadores de longa distância. Há as curiosidades de criança da neta de Jacques Cousteau, e como seu avô a inspirou a ser oceanofílica. Há o que levou Pierce Brosnan, o (para mim eterno) James Bond, a se engajar pelas questões do mar. Há a inspiração para se mergulhar e descobrir esse enorme desconhecido azul em cada página, em cada linha. O livro termina aliás, com um convite providencial, típico da nossa realidade de quem está na chuva, ou melhor, na tempestade:

"Seu oceano. Você quer protegê-lo? Então você tem que se molhar."

Se molhando

******************

- Selecionei algumas frases simples, quiçá até simplórias, mas que me emocionaram ou me fizerem parar, respirar e refletir:

"It struck me at that moment [...] that I truly need the ocean. Not like one needs food or shelter, but more like one needs love."

"We humans tend to live with an illusion of separateness, thinking that we are separate from each other as individuals and that we are separate nations, divided by oceans, all separate from nature. But the reality is that we are all united by our dependence on this planet, on this ocean."

"If 'more is better' and that's the only mantra we have, we're doomed."

"The plastic water bottle epitomizes the absurdity of our throwaway society. It takes 2 liters of water to manufacture a one-liter plastic bottle."

"We need to give the ocean a rest."

"For anyone who insists that the marine conservation situation isn't really as bad as we might make it out to be, they probably haven't been to the coast of Taiwan."

"Mitigation is really about avoiding the unmanageable and adaptation is about managing the unavoidable." (ADOREI!)

"I believe one of the best ways to get a message out to the public and to influence decision makers is to use the power of celebrity and the media to deliver the message. My experience is that you can put the brightest scientist or the world's greatest expert on any given subject in front of people and more often than not, the audience will get glassy-eyed and lose attention. But put a passionate celebrity in front of them delivering exactly the same message, someone the listeners believe they know and relate to, and they will pay attention."

"The biggest threat of all? Human indifference. The ocean seems a remote place to many people, but it is the life-support system of the entire planet."

"The world can certainly afford marine reserves. What it can't afford is to be without them any longer."

Hoje todo mundo sabe que as viagens provocam impacto ambiental; ainda que pequenas, quando comparadas com as verdadeiras catástrofes ambientais. Mas a soma de pequenas ações geram um resultado muito maior. Portanto, programe suas férias.

Evite viajar ao hemisfério Norte durante o período de 15 de Julho a 15 de Setembro, quando a alta estação aumenta muito os preços, todos os pontos turísticos estão lotados e o serviço acaba gerando frustração. Fora desse período, o ar-condicionado não será necessário, mesmo que faça um pouco de calor. Prefira um quarto com ventilador no teto, que produz dez vezes menos CO2 que o ar-condicionado. Lembre-se, ao preparar as malas, de tirar das embalagens os shampoos, cremes e outros produtos: em casa você sabe como e onde promover a coleta diferenciada.

Se a viagem for em avião, prefira os voos diurnos, pois eles provocam menos danos à atmosfera que os voos noturnos. O mesmo vale para os meses mais frios, quando a emissão de gases nocivos à atmosfera dos aviões é muito superior que nos meses mais quentes ou na meia-estação. Decolagens e aterragens são os momentos em que o avião consome a maior parte do combustível, assim, voos diretos são preferíveis aos voos com escalas. Quanto mais escalas, maior o consumo de combustível e de emissão de gases nocivos. Além disso, considere que os trajetos superiores a 6 horas emitem somente dois terços de CO2 por km em relação aos voos mais breves. Por fim, aproveite para usar os serviços higiênicos dos aeroportos e evite os dos aviões. Acionar a descarga em voo produz a mesma quantidade de CO2 emitida por um automóvel em 10 km.

Praias, montanhas, parques e fazendas nem sempre têm um sistema de coleta do lixo eficiente. Levar um saco para trazer o lixo produzido - ou encontrado - vai causar boa impressão à natureza. Tire fotos e compre o artesanato local, se produzido de modo sustentável. Animais e "souvenirs" retirados da natureza são de péssimo gosto e influem negativamente na fauna e flora local.

Seja ecológico e boas férias!


Cecilia Nord, vice-presidente da Electrolux: "Existem ilhas de plásticos [...] que flutuam nos nossos oceanos. No entanto, em terra, se luta para apoderar-se de suficiente matéria plástica para satisfazer a demanda de aspiradores de pó sustentáveis."

Teria sido a necessidade de suprir a demanda aliada a constatação das ilhas de plástico nos oceanos a dar vida a um novo projeto de sensibilização, com o objetivo de transformar essas imensas ilhas de lixo flutuante em matéria-prima para a produção de eletrodomésticos. "Vac from the sea" - o aspirador que vem do mar - é o projeto "ético" da Electrolux que prevê a coleta de detritos plásticos das águas do mundo inteiro para produzir 5 modelos de aspiradores de pó.



Ramsvik, uma reserva natural da Suécia, é um dos primeiros lugares onde a Electrolux iniciou a coleta de plástico. Há alguns dias a comunidade local aderiu à iniciativa recolhendo o lixo no mar. O problema é grande, na região, pois uma enorme quantidade de detritos atinge as costas da Suécia através das marés e dos ventos. Quando o lixo atinge a praia é recolhido e queimado, apesar de 80% desse material ser plástico. Parte do lixo acaba contaminando a flora marinha, entre algas e fendas de rochas. Quando inicia o processo de deterioração, o plástico se divide em partes menores, que podem ser ingeridos pelos peixes.

Outro problema a ser enfrentado e que a Electrolux se propõe a fazer, é a separação dos diversos tipos de material, o que dificulta muito o processo de reciclagem. Além dos aditivos químicos, corantes, etc. Ou seja: cada plástico deve ser reciclado separadamente. Mas a reciclagem do plástico tornou-se crucial para a produção de aparelhos sustentáveis, cada vez mais exigidos pelos consumidores europeus. A versatilidade do material, o custo relativamente baixo e a possibilidade de reutilizá-lo diversas vezes, faz com que a Electrolux busque novas fontes de matéria-prima ao mesmo tempo em que promove um projeto "ético" de porte mundial. No final das contas, o impacto será positivo, mas se todo o material plástico dos principais vórtices de lixo dos oceanos for recolhido, é prudente que a Electrolux produza os aspiradores com baterias recarregáveis com energia solar, ou vai faltar eletricidade para tanto aspirador.
A empresa tem uma conta no Twitter sobre o projeto, um blog no site, uma página no Facebook e dá dicas de como participar.

As imagens são do site da própria empresa.


Segundo uma pesquisa da Ernest&Young, intitulada "Action amid uncertainty: the business response to climate change", 70% das empresas prevêem aumentar os investimentos em iniciativas que visam amenizar as mudanças climáticas, entre 2010 e 2012. Segundo a pesquisa, que avaliou 300 top managers do mundo inteiro, os efeitos desses investimentos acabariam por gerar riqueza, economizar dinheiro e responder às expectativas de consumidores e - principalmente - dos analistas que avaliam as empresas, que têm se demonstrado cada vez mais sensíveis a um business sustentável.

A notícia deixa clara uma inversão de rota, onde a pressão do consumidor começa a fazer diferença e, quem sabe, pode mudar o destino do planeta. Basta que as novas empresa façam investimentos preventivos, que custam menos que os corretivos e não causam impacto sobre o ambiente.

A ação formiginha, com cada um procurando fazer o que for possível pela preservação ambiental, não cria apenas uma consciência coletiva, mas começa a produzir resultados práticos. Mais do que nunca: Faça a sua parte!

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