Main

irmãos em armas Archives

agosto 26, 2007

Cinco contra um

Alexandre Inagaki habita a categoria irmão-em-armas em minha consideração. Tenho este sujeito em alta conta; não porque ele tem uma mente privilegiada, um raciocínio arguto, está sempre de bom humor, é bem relacionado e um dos caras mais bem-informados que eu conheço. Assim o considero porque ele é um amigo - estes são raros. E me dei conta, na última sexta-feira, que faz cinco anos que o conheço. Isso ocorreu quando ele anunciou que seu blog estava completando exatos cinco anos de existência. Cinco anos "aqui na Internet" podem representar muito tempo. Leitura constante para mim desde então, Inagaki passou desta condição de sujeito a ser observado de longe, com admiração, a uma pessoa com a qual se pode até mesmo trocar algumas malditas piadas internas de longa duração. É uma amizade que não tem contato constante - para que ele não me aborreça muito, é claro -, mas que sintoniza respeito e confiança, elementos sempre demonstrados a cada vez em que nos falamos. E a passagem da data comemorativa fez com que eu parasse um tanto - algo cada vez mais dificíl de acontecer - e olhasse que caminhos minda vida andou tomando nestes últimos cinco anos. Olha aí, Inagaki, como teu blog é perigoso. Você é muito suspeito. Mãos na parede !

janeiro 12, 2008

A hora e a vez do cabelo descer

Inconformado - "até o último fio de cabelo", diria algum oportunista metido a engraçadinho - com a falta de alguns nomes na lista dos 15 carecas mais fodões de todos os tempos, resolvi eu mesmo retificar esta injustiça histórica. Apresento-lhes minha própria lista de carequinhas brasileiros que se destacam na multidão:


Marcelo Tas.jpg

Marcelo Tas tem motivos de sobra pra ser o primeiro da lista. A começar pelo fato de que, encarnando o repórter Ernesto Varela - numa época em que ainda tinha cabelo - disparou para Paulo Maluf - desculpem o palavreado chulo -: "Muitas pessoas não gostam do senhor, dizem que o senhor é corrupto. É verdade isso, deputado?". Tal fato, por si só, deveria ser o suficiente para colocá-lo na lista acima desdenhada. E como esquecer do Professor Tibúrcio - conheço gente que vai querer redublar esse vídeo - e do irriquieto personagem do "Porque sim não é resposta", do Castelo Rá-Tim-Bum ? E de quando ele apresentava Vitrine, na TV Cultura ? E do Saca-Rolha, que comandava junto com Lobão e Mariana Weickert ? São motivos como estes que me fazem tirar o chapéu para ele.


Gabriel-Priolli.jpg

Nem mesmo fatos como ter trabalhado em campanha de gente como Roseana Sarney e ter "cuidado da imagem" de Fernando Henrique Cardoso puderam diminuir a admiração que tenho pela postura jornalística profissional de Gabriel Priolli. Conhecedor dos meandros televisivos tupiniquins como poucos, preside a Associação Brasileira de Televisão Universitária e dirige a TV PUC-SP - sujeito essencial para ser ouvido em todo esse blá blá blá a respeito da TV digital. Priolli foi um dos primeiros a escutar, em 2004, na única vez em que consegui conversar com ele, o fatídico mantra "o jornalismo morreu".


gugaschultze.jpg

Este aqui figura na lista dos sujeitos cujo trabalho admiro e que, por conta dessas terríveis simetrias da vida, acabo ficando amigo. Conheci o trabalho do quadrinista carioca/mineiro Guga Schultze muito antes de me mudar para BH, quando amigos inescrupulosos mostraram-me a revista Grafitti [76% quadrinhos], produzida nas alterosas e que contava com histórias deste grande sujeito. Arrendatário - dono não; propriedade é roubo - de traços por vezes nervosos, por vezes precisos até a medula, Guga ainda bate ponto no Digestivo Cultural, escrevendo e ilustrando. Como se não bastasse, ainda bebe uísque e ouve Johnny Cash.

exucarecacover.jpg

Para finalizar - por hoje, por hoje -, permito-me a cabotinagem. Olhem o semblante calvo deste nada simpático exucaveiracover que vos escreve. Percebam a expressão de quem está com as engrenagens cerebrais a todo vapor, triturando referências obscuras para escrever contos e bolar música, pesquisando Jornalismo Colaborativo e ainda encontra fôlego pra resmungar que o jornalismo morreu. Alguém ainda duvida de que se trata de um bad motherfucker bald guy ? Reparem a carade desdém e enfado: nenhum cabeludo consegue fazer igual.

Correndo risco

cartum flavio.jpg

Entrei 2008 falando sobre pessoas que admiro e tenho - por que não ? - como referência. Uma delas é o Flávio de Almeida, que agora também faz parte do condomínio verbeat - a senhora, minha amiga dona de casa, o senhor, meu irmão trabalhador, alguns posts abaixo, poderão ver a primeira parceria que executei com ele. Tremenda honra para este escriba blefador neste fim de 2007 - em meio a turbulências e atravancos que só fizeram com que eu perdesse mais cabelo - e começo de 2008 - quando realmente compreendo de que material os amigos são compostos.

Seja bem-vindo, mestre. O trote verbeater te espera.

janeiro 13, 2008

"Eu falo porque gastei minha alma da redação."

Você lê jornal?

Xico Sá - Eu leio pra enganar os próprios jornais, mas eu não aconselho pra nenhuma família (risos)... afaste o seu filho da faculdade de jornalismo porque é emburrecedor. É melhor ser Marcola do PCC do que ser um jornalista. O jornalista não vai ter uma grande narrativa, não vai ser um escritor. Também não vai poder contar uma grande história, não vai poder porque o dono não vai deixar. Ele vai ser merda.


janeiro 30, 2008

No seu devido lugar

querosercony.jpg

Não se deixe enganar pela cara de vilipendiador do rapaz da foto. Conheço-o há mais de 20 anos e sei do que estou falando. O sujeito, além de ser jornalista e escritor, tem o desplante de lançar um livro - e manter o ar blasé ao mesmo tempo, para desespero dos detratores [de plantão e em potencial]. A prova de tanta galhardia chama-se "Daqui desse lugar - 100 artigos sobre Jornalismo, Política e Pertencimento" e veio à luz agora, pela E-papers Editora. O livro é uma seleta [variedade de pêra suculenta e aromática ou variedade de laranja] de artigos publicados em jornais fluminenses e sites, sempre com o tom opinativo ponderado, porém incisivo e irônico que caracteriza os melhores textos de Vitor Menezes. E posso afirmar isso com irremovível conhecimento de causa: já trabalhamos no mesmo jornal, em editorias diferentes. Também contei com o privilégio de ler antes de todos suas colunas, no espaço que implantei no segundo caderno de outro jornal para o qual ele escrevia. Portanto, não é de hoje que esperava que um livro dele fosse publicado.

Os três eixos de "Daqui desse lugar" não poderiam ser outros - são temas preciosos para Vitor Menezes. Arrisco a dizer que talvez o último até se encontre em posição de certo destaque em relação aos outros. Conheço um tanto acerca dos sentimento deste meu amigo em relação a Campos (RJ), nossa cidade natal, pois compartilho alguns deles. E sei que há, nesse livro, uma visão apaixonada - tanto para o bem quanto para o mal - acerca do que se vê ao redor. Talvez seja possível encontrar a mesma inquietação que acomete um arqueiro no instante em que faz a mira perfeita e está pronto para disparar.

Quer tirar a prova ? Coloque uma maçã no topo de sua cabeça.

junho 25, 2008

"Eu tão somente e cada vez mais prezo os meus amigos"


JR e Ayala cinza

Mais de uma vez** ouvi a reclamação: "você só sabe falar mal de tudo, não gosta de nada !". O pobrema, mizifios, é que não sou chegado à mistificação. Tanto é que não tenho ídolos; sempre procurei travar amizade com as pessoas que realmente admiro - o que me dá até mesmo oportunidades de xingá-los com mais propriedade. Até onde a vista alcança, nunca tive que ceder um milímetro à babação de ovo, puxação de saco ou congêneres para isso. Um tanto de cara-de-pau e mais um punhado de pequenas estratégias a compensar minha afamada rabugice garantiram-me sucesso em alguns destes casos. Claro, ser jornalista possibilitou conhecer algumas das pessoas que se encaixam na categoria citada acima e tê-las - até este momento, pasmem ! - como amigas. E todo esse intróito é apenas para dizer que hoje eu posso chamar de amigo o sujeito que tem uma parcela considerável de culpa pelo jornalista reclamão que eu sou. Seu nome: Sylvio Ayala.

Verdadeiro culpado apontado. Débitos dirigidos. Hail to the thief.

Por cortesia de Alessandra Nahra Leal, a autora da foto que ilustra este post e que também está na lista, estive cara a cara com Sylvio Ayala, num local tenebroso e mal-frequentado, cuja localização não posso revelar***. A função: colocar uns quinze anos - pelo menos - de conversa em dia. Tremenda satisfação finalmente conhecê-lo pessoalmente e poder culpabilizá-lo por sua participação em minha formação intelectual - atenção, Bródi Negão, é a primeira vez que uso o termo em benefício próprio !

Detalho o crime: no começo dos famigerados anos 90, ele editou dois números do jornal libertário chamado O Bobo da Corte, que tratava de política, literatura e subversões a granel. A qualidade do material - gráfico, editorial, textual, etc, etc, etc - acachapou-me de primeira. Dois pensamentos estribaram-se em minha cachola assim que tive o primeiro número em mãos. O primeiro, evidentemente, foi um palavrão. O segundo foi: quero escrever como esse malaco. Era o que faltava para que eu decidisse embicar de vez em direção ao jornalismo - e do tipo em que eu acredito desde sempre.

Mas o ato hediondo de Sylvio Ayala não se concentra apenas nisso. Não satisfeito com a bagunça que havia armado, tratou ainda de colaborar para que eu compreendesse a necessidade de uma auto-definição política. Que me orgulho de manter inflexível até hoje. Aprendi com ele, seguindo a uma distância calculada suas produções com o passar o tempo, um bocado sobre como ser este exucaveiracover que incorporo ao batucar textos de qualquer espécie.

E pensar, seu Sylvio, que o senhor havia escapado incólume todo esse tempo de ter esta culpa pesando sobre tua carcaça.

Conversar com ele fez com que eu lembrasse de outras conversas representativas que ocorreram nos últimos cinco anos - quando eu envelheci sobremaneira - com pessoas com as quais sempre aprendo bastante. Há a lembrança de uma conversa com o malacomano João Filho numa noite de 2004, em Salvador, fumando cigarrilhas baratas e proseando sobre tridentes, grand guignol, estética do perrengue e outros assuntos menos cotados na tabela periódica de elementos. Há a atenção prestimosa do casal Tadeu Sarmento e Patrícia Gondreck, acompanhada por Jack Daniels, Leonard Cohen e John Coltrane, contando histórias de família. Há as histórias de Löis Lancaster, outro desses culpados, camaradagem que rendeu parcerias das quais me orgulho com empáfia****. São pessoas como estas que mantêm a minha fé na humanidade. Em honra e glória a esses amigos distantes - e outros mais -, bebi umas Devassas e umas doses de uísque dia desses. Santifiquei-os.


* o título desse post veio - apropriadamente - de uma conversa com tadeu sarmento

** duas ? três ? cadê as estatísticas ?

*** merchandising é proibido aqui na verbeat. ordem dos donos.

**** empáfia: fato corriqueiro.


agosto 7, 2008

Recriando o cachorro louco

[enquanto finalizo o terceiro post sobre o tema ensino de jornalismo x mercado de trabalho, deixo vocês com a resenha que fiz sobre à espera de tom para a paradoxo. como foi publicada sem os links que selecionei, coloco-os aqui neste blog-blefe.]

No encarte de Pesadelo na Discoteca, da banda carioca Zumbi do Mato, o vocalista Löis Lancaster vislumbrava um futuro onde o estilo de cantar de Tom Waits, que era ouvido com ressalvas pelos ocidentais, acabaria agradando os servos do Islã. Carlos Careqa talvez não queira chegar a este ponto, mas é indiscutível que À espera de Tom acertou em cheio os fãs de Tom Waits, costumeiramente viscerais quando se trata de defender o universo idiossincrático deste. Um exemplo: se isso não tivesse acontecido, eu não estaria agora, escrevendo estas palavras a respeito desta homenagem realizada por um artista ímpar para outro. Ahá!

[update: como os devidos links foram colocados na resenha publicada pela paradoxo, tirei o texto que estava aqui na íntegra, para que possa ser lido em seu habitat natural - obrigado, renata d´elia e marcus cardoso, editora de música e editor-chefe. fica, neste blog, apenas um aperitivo da resenha.]

About irmãos em armas

This page contains an archive of all entries posted to exu caveira cover in the irmãos em armas category. They are listed from oldest to newest.

eventos is the previous category.

jornalismo is the next category.

Many more can be found on the main index page or by looking through the archives.

Creative Commons License
This weblog is licensed under a Creative Commons License.