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abril 5, 2009

Diploma em tempos de crise do jornalismo ?

A data escolhida para o julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), da obrigatoriedade do diploma em Jornalismo deu o tom de piada pronta em relação a como este assunto está sendo comumente debatido junto à sociedade. Acredito que fazer com que o defunto Jornalismo transmute-se em Lázaro passa longe de concentrar esforços em campanhas pró-diploma, como se esta ação representasse a cura para todos os males. Penso, em casos como esse, em visão estratégica. Como jornalista que nunca deixei de ser, tive oportunidades de acompanhar de perto estrategistas políticos que considero brilhantes - mesmo estando em lado oposto a alguns deles, inúmeras vezes - e nunca os vi abordar nenhum caso com que lidavam apenas em um front.

Daí que deste meu bunker, vejo que um ataque a esta crise aborda vários pontos: uma revisão das diretrizes curriculares dos cursos de Jornalismo - que está em andamento -, análise e execução de modelos de negócios envolvendo conteúdo web e fiscalização das relações de trabalho em redações. Um amigo sindicalista, sintetizando o cenário de batalha, uma vez me disse: "é um jogo de política e business". Se é realmente assim, então coço meu cavanhaque - imaginário há um tempinho -, alertando metaforicamente a audiência sobre a inexistência de um pensamento estratégico menos tacanho que não coloque a obrigatoriedade do diploma em Jornalismo como um ponto nevrálgico no cenário de crise midiática. Ainda aproveito a deixa e olho para a câmera, comentando em cumplicidade, que já fui menos sutil sobre o tema em outras ocasiões.

Defender cegamente o diploma de Jornalismo como condição sine qua non para a qualidade do fazer jornalístico em tempos de revisão de diretrizes para o curso e imputar uma provável culpa qualitativa à "produção da audiência", produção que é estimulada pelo Jornalismo Colaborativo, soa como ferocidade autoritária. É querer negar os rumos da história, é querer perpetuar um modelo cristalizado de jornalista, como se este agente social não merecesse uma revisão constante de seu papel junto à sociedade da qual faz parte e deve ser um observador/comentarista atento, para dizer o mínimo. É deixar de lado até mesmo análises de modelos de negócios que estão sendo colocados em prática, em resposta ao fechamento de portas que atinge os jornalões, como a criação do Printcasting.com, do mesmo grupo que gerencia o Bakersfield Californian. O que me deixa menos preocupado é encontrar ponderações mais equilibradas em relação a este tema.

Como professor de Jornalismo, Publicidade e de uma pós em Produção em Mídias Digitais, não dou um tiro no pé quando digo que não defendo o diploma obrigatório para a prática jornalística. Do mesmo modo, não defendo a existência de um órgão regulamentador da profissão - como a OAB é para os advogados. Sou franco-atirador, não kamikaze. Em minha defesa - como se precisasse, hah, chupins ! -, que não consigo compreender uma universidade pelo prisma de uma vendedora de diplomas, mas sim como um espaço de capacitação plena do exercício desta ou daquela profissão, imbuindo um estudante - no nosso caso, de Jornalismo - de uma formação humanista e de pensamento estratégico que o permita analisar seu campo de atuação. Parece simplista ? Não mesmo. Ter esse conjunto de valores em mente pode propiciar uma formação que capacite o jornalista diplomado a ter, por exemplo, argumentos que rebatam a opinião de diretores de conteúdo de jornalões que atrelam a morte do jornalismo ao acesso livre à informação na web.

Purista, eu ? Nem. Prefiro acreditar em coerência.

abril 10, 2009

À sua imagem e semelhança

Faz um tempinho que eu fui convidado por Gisele Jota, apresentadora do progama Caleidocóspio, da TV Horizonte, daqui de BH, para gravar uma participação no quadro "Se liga". A idéia era indicar quatro blogs para um público adolescente, que é o alvo do programa. O primeiro foi o do jornalista Sérgio Léo. Agora, a produção do programa disponibilizou - eita verbo ! - os outros três vídeos. Eis aí as bagaças.

Tudo o que eu penso sobre Arnaldo Branco - não recomendado à pessoas sensíveis:


Tirando o chapéu para Cristiana Soares:


Sendo socialmente aceitável ao falar de Raquel Recuero:


Uma grande sacada foi colocar um ator para ler um post escolhido pela produção do programa. De minha parte, apreciei bastante o resultado deste quadro, apesar de constatar que, em vídeo, pareço uma cruza de Artur Dapieve, Tom Waits e Rocky Balboa.

E o pior é que possivelmente repetirei a dose. Tremam.

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