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dezembro 2008 Archives

dezembro 23, 2008

Cuidado ! Há um abismo na porta principal

Em um esforço de reportagem, este exucaveiracover que vos digita traz até vocês, meu irmão trabalhador, minha amiga dona-de-casa, uma historinha de fim de ano. Uma historinha sobre conspirações orquestradas para o domínio mundial, onde a blogosfera é o campo de batalha, assim transformada por conta de uma invasão alienígena. O que mostraremos aqui é fruto de um trabalho de atenta observação, análise, ponderação e discussões entre vários estudiosos da Comunicação Digital, que preferiram manter seus nomes no anonimato, por motivos de segurança.

Não é de hoje que este grupo têm observado estranhas movimentações e manobras na blogosfera brasileira - ah, termos abstratos ... -, no intuito de estipular um padrão comportamental inusual. Cruzando informações e provas - a mais recentes serão apresentadas aqui, acalmem-se - a respeito de processos comunicativos e cognitivos, chegamos à conclusão de que está operando por estas plagas a raça alienígena conhecida como alfacentaurianos da Cruz Vermelha de Red Sonja. Afamados por atuarem quase sempre em dupla, em uma espécie de cover de Han Solo e Chewbacca - basta consultar a Enciclopédia Galáctica para aferir isso - os alfies têm realizado um mapeamento genético de blogueiros, identificando semelhanças em seus códigos. O motivo ? Chama-se "fusão de dnas correlatos de unificação opinativa". Evitando o cientifiquês exarcebado, podemos dizer que trata-se da junção de dois ou mais blogueiros em um só, facilitando assim a dominação. Não é um plano fascinante ?

Há quem já tenha desvendado essa parte do plano e dado um toque ou outro, como é o caso do André Dahmer e sua mais recente criação, o SurfHype e seu blog. Mas há de se tomar todo cuidado. O próprio Dahmer não aparenta ser muito confiável, como uma simples busca no google images pode demonstrar. Há ainda mensagens de status no gtalk de alguns blogueiros que nos dão pistas sobre esta situação - como "i have a number", "alive and kicking", "não há distâncias intransponíveis para quem porta uma pistola de raios desintegradores" ou "ué, cade a opinião que tava aqui ?". Mas o crème de la crème da SIO [Search Invasion Optimization] dos alfies está na nova novela da Globo, onde haverá um personagem blogueiro. A expectativa é alta, o que já demonstra que os alfies estão mesmo lidando com afinco em relação aos seus planos de dominação da blogosfera.

O alerta foi dado. Assumo os riscos. Somente espero que não chegue o dia em que eu seja carregado gritando "Soylent green is bloggers!".

dezembro 27, 2008

Eu canto as canções que o Senhor me ensinou

murder ballads capa
Fecho o ano com Murder Ballads, meu primeiro livro virtual, lançado por uma editora cujo trabalho reconheço, admiro e aposto bastante. Meu contato inicial - e decisivo - com a MojoBooks ocorreu no ano passado, em uma palestra a respeito de "literatura depois da Internet", promovida pelo Digestivo Cultural, em São Paulo. Na ocasião, conheci Ricardo Giassetti, um dos editores, e apreciei bastante seu modo de pensar a produção editorial e suas argumentações. Cansado de ouvir as mesmas chorumelas do - aham - mercado editorial, foi reconfortante prestar atenção em alguém falando com propriedade sobre formas de produção literária que valem-se realmente da Internet. Sim, porque estamos falando de livros que podem ser baixados direto do site, sem quaisquer custos. A graça disso tudo ? Algumas respostas podem estar no segundo link desse parágrafo. Te vira.

Após a palestra, eu e Ana Elisa Ribeiro conduzimos um interrogatório sobre a MojoBooks. Aproveitei ainda para exercitar um dos meus esportes prediletos: falar mal de iniciativas, projetos, editoras, autores e outras patacadas do mundico literário. Malandramente, no meio da verborréia, Giassetti convidou a mim e Ana Elisa para escrever livros para a MojoBooks. Lembro de ter pensado algo como "desgraçado, pegou-me na ratoeira" - na verdade, pensei algo um tantinho mais chulo. Ainda bem que ele não entrou para a política.

Não me furto a dizer que a idéia de recontar um disco de um cantor ou grupo de minha predileção - a proposta que a MojoBooks faz aos autores - agradou-me desde o início. Como bom músico frustrado que sou, expio um tanto disso nos contos. Um dos músicos que tenho como referência é, inegavelmente, Nick Cave - os temas com os quais trabalha, as ambientações que constrói, a prática narrativa e blablablá. A escolha não poderia então ser mais óbvia; faltava somente definir qual disco recontar. Teria que ser um disco que trabalhasse um determinado tema. Cujas canções estivessem intrinsecamente ligadas. Que lidasse com aspectos humanamente perversos e doentios. Que fosse - e aí vai o fator decisivo: o modo como escrevo - entrecruzado por referências. Bingo: Murder Ballads era a escolha perfeita.

Meu ponto de partida para escrever esse livro foi um conto desenvolvido a partir de três músicas desse disco e ilustrado por Nelson Provazi. A ilustração nunca foi à público - o que lamento até hoje - e, se ainda tivéssemos o arquivo com a resolução devida, seria a capa deste livro. Mas Provazi era um cara que não poderia faltar nesse livro - eu disse que há referências ali. Além de ser um ilustrador [coloque aqui seu adjetivo elogioso clichezento predileto], pela Editora Baleia, ele lançou João Filho e Jorge Cardoso - ambos também estão presentes no livro. Dessa forma, ele é o culpado pela ilustração da capa - que tem atormentado alguns de meus pesadelos desde então.

Eescrevi tudo isso só para dizer que sinto-me paranoicamente satisfeito com esse livro, desde sua elaboração até seu lançamento. O músico frustrado que sou pensa agora em sair em turnê.

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