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Redes sociais sob o símbolo da samsara

Não é só discurso de pequeno-empreendedor-web-emulando-balcão-sebrae-way-of-life que faz meu fígado azedar sobremaneira. Época de campanha eleitoral dá uma forte contribuição para o azedume da minha bílis, sobrecarregando meu duodeno - esse pobre coitado. Para se ter uma idéia, não posso ver o cartaz de um certo candidato a vereador aqui em Belo Horizonte proclamando que "roqueiro vota em roqueiro" sem reagir com engulho. Não há anti-ácido que dê conta, mizifio. E tudo se complica quando, no tabuleiro político, mixa-se oportunismo travestido de camaradagem e conversação "sem compromisso" sobre internet, formação de opinião e chá das cinco com blogueiros. Lembro de um amigo, frasista exemplar sempre inspirado pelo Piritas Siderais, de Guilherme Kujawski, dizendo que "político conversa com poste encenando discurso pros holofotes e ensejando holodeck". De imediato, passo a escarafunchar as seguintes idéias: e se rolar um mashup da proposta do candidato mineiro com esta estratégia paulista, possivelmente teremos o slogan "blogueiro vota em blogueiro" ? Seria esta aproximação - tal caso merece o termo ? - um desses próximos passos evolutivos sobre os quais já ouvi falar ?

São vários os fatores que dão um ar de Twilight Zone a este momento específico. Além do beija-mão e morde-assopra deste período eleitoral, junta-se à equação o fato de que o termo "relevância" se encontra ... eeerrr ... bem ... em relevância. Eu avisei que são tempos bicudos. Redes sociais se encontram em evidência e é claro que o assim chamado mainstream está de olho nisso - até aí nenhuma novidade; ah, a "antropofagia enquanto fenômeno cultural e mercadológico" ... A questão é que, em relação à redes sociais, a relevância - esta bandeira levantada pelos adeptos da cauda longa e afins - não deveria seguir preceitos semelhantes àqueles que formam o status quo onde a mídia tradicional/convencional atua. O que é possível observar em casos como esse da "aproximação política" em plena campanha eleitoral - potencializada para pior se deslumbramento substituiu racionalidade no modo de pensar de certos players - é que parece haver necessidade de aprovação de, digamos, majors para que esta relevância tenha sentido.

O que soa, para dizer o mínimo, estapafúrdio.

Isso tudo parece acenar com mais força de que há um desvio no fluxo estratégico relativo à natureza das redes sociais. Em suma, há o risco de cair na esparrela de repetir conceitos e práticas de mídia de massa em meios digitais - o que iria de encontro ao que se apregoa de ... aham ... revolucionário nas redes sociais. Trata-se de evidenciar a samsara: de novo de novo de novo de novo. O que me leva a concordar - quem diria, hein ? - com Wagner Martins/Mr Manson, quando este fala sobre o mais do mesmo que acometeu certas redes, que parecem ciosas em funcionar nos mesmos moldes de conglomerados de comunicação. Assim como Alessandra Nahra Leal - cujas análises me mantém são - também não acredito em chiqueirinhos ou cercadinhos digitais num mundo de porteiras abertas. Ainda mantenho-me adepto da idéia de abrir caminhos.

É em momentos como esse que eu penso em apelar pro Velho Zuza.

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