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Sobre jornalistas, diplomas e "a ameaça da cibercultura"

Quieto estava no meu canto, quando uma conjunção de fatores espicaçou-me. Em recente artigo publicado no site do SJPMRJ, Muniz Sodré imbuiu-se do afã de defender a obrigatoriedade do diploma em Jornalismo e juntou a produção webjornalística neste imbróglio, como base validadora para sua argumentação. Uma estratégia equivocada, pontuada por alguns desvios conceituais e de interpretação. O principal deles: repercutir a cantilena pseudo-nemésica de que os processos comunicacionais desenvolvidos pela - para, através, entre, de viés, na - Internet representam a extinção dos jornalistas. Lembrei-me, nesse momento, das Senhoras de Santana e todo aquele discurso de livrai-nos do mal, amém. Valei-me, meu São Marcelo Nova !

Apesar da frase que intitula este blog, nunca considerei a extinção dos jornalistas como algo factível - não sei se isso é bom ou ruim. Fazer da produção webjornalística uma crônica de morte anunciada do "jornalismo clássico como mediação discursiva e como funcionalidade específica de um grupo profissional", conforme estabelece Muniz Sodré, para justificar a necessidade de jornalistas profissionais formados por escolas de Comunicação não é algo meritório. É querer opor jornalistas e audiência em much ado about nothing, esquecendo de realmente dar tratos à bola do valor público da informação, uma das características que me ensinaram a ver como essencial para o Jornalismo. Digam que sou o último romântico e contra-atacarei dizendo que somente consigo compreender a Internet como comunicação interpessoal, interação, redes sociais, participação e colaboração, só para ficar em alguns tópicos.

Mas pensando dessa forma e aplicando esses valores aos papéis dos jornalistas, além de clamar por opiniões a respeito de formação acadêmica que supere a contenda escolas de jornalismo versus mercado, posso também ser enquadrado da mesma forma que "um arauto da chamada cibercultura" citado, porém não identificado no artigo. Se isso acontecer, posso dizer que prováveis respostas a esta questão que tal "arauto" apresenta e é repetida no artigo podem ser encontradas aqui. Ou aqui. Ou - quem sabe ? - aqui.

Muniz Sodré diz que uma resposta a esta questão é dada pela "progressiva conversão empresarial do papel à eletrônica", sustentando ainda que a natureza técnica desta transposição por si só pode delimitar as potencialidades de produção. Tal análise me assusta, porque é associada à idéia de que o jornal "pode trocar de suporte técnico, pode mesmo existir na complementação dos suportes (papel e eletrônica), mas continua impelido, como forma moderna e democrática da comunicação, pela ideologia humanista que garante a cidadania". Então uma delimitação técnica - cujo modelo de mera transposição/adequação de conteúdos não é o único a ser seguido, uma vez que pensamos em um caráter hipermidiático e colaborativo para o webjornalismo - poderia ser responsável pela falta de abordagem humanista em produções jornalísticas ? Socorro, Beth Saad !

Todas estas opções alinhavadas aqui, neste post, pressupõem esforço conjunto entre jornalistas e audiência, sempre apontando exemplos práticos e funcionais. O que me leva a pensar que talvez caiba às entidades acadêmicas que costumam manifestar-se de maneira lúcida em relação à exigência da formação superior para o exercício do jornalismo ponderar em relação a argumentações baseadas em uma contenda jornalistas versus audiência que não tem razão de existir.

Comments (5)

Não suporto mais esse assunto (essa polêmica nunca morre), mas vou dar meu pitaco: os pesquisadores deveriam usar mais a visão periférica deles. Que inferno esse negócio de olhar só numa direção.

Ei-lo, meu post, que ficou gigante: http://www.tainalon.com/2008/07/30/diploma-pra-quem-jornalista-pra-que/

Sim, uma contribuição para o debate, embora a qualidade do texto tenha ficado lamentável.

O jornalismo morreu e Sodré é uma múmia.

vim lendo e te acompanhando no raciocínio do texto: a desmistificação do papel do jornalista (além do próprio) e das empresas de jornalismo vem causando um embate pra ver quem tem mais direito a produção da informação - quando na verdade essa disputa não tem necessidade alguma de haver. e só coloca produtor, receptor e informação em antagonismo, quando ele não existe naturalmente.

WAN e jornalões por aí parecem ser os principais fomentadores dessa briga. tentam dizer que audiência, jornalismo e informação não podem estar reunidos sem uma hierarquia rígida organizando essa relação. o valor público da informação é deixado de lado - ou vai servindo pra justificar um CNPJ bem gordo.

Será que acertei o captcha? ai ai ai...
Agora entendi o link que tu mandastes!
Sério, Jorge, é impressionante como a rede é "ameaçadora" não? Ameaça os jornalistas, ameaça as crianças, é um meio realmente perigoso!
Será que tem jeito de colocar juízo na cabeça deste moço aí (confesso, ignoro) e do Azeredo junto? Acho que a solução é clamar ao velho Hércules!

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