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1) Toda vez em que falarem "e agora as notícias do dia" leve sua mão ao coldre.
2) Esmurre os próprios olhos antes de assistir telejornais. Dificilmente o que vier depois lhe será mais doloroso.
3) Entre um e outro vício reserve tempo para a caridade. Desconfie.
4) A revolução não será televisionada, downloadeada, printscreenizada ou efecincozada.
5) Colecione chatos (Pthirus pubis, bem entendido). Indique-os como referência quando lhe perguntarem sobre credibilidade.
6) Na dúvida se jornalismo pode ou não ser entretenimento, responda sempre: achei tendência.
7) Borrife spray de pimenta ao redor ao ouvir o termo "quarto poder". Atrai bons fluidos.
8) Nunca pergunte a um jornalista para qual lado o vento sopra.
9) "Somos os cavaleiros que dizem Wii" não associa-se às Novas Tecnologias de Informação e Comunicação.
10) O jornalismo morreu ? Apele para o Cabôco Mamadô.
Verdadeiro culpado apontado. Débitos dirigidos. Hail to the thief.
Por cortesia de Alessandra Nahra Leal, a autora da foto que ilustra este post e que também está na lista, estive cara a cara com Sylvio Ayala, num local tenebroso e mal-frequentado, cuja localização não posso revelar***. A função: colocar uns quinze anos - pelo menos - de conversa em dia. Tremenda satisfação finalmente conhecê-lo pessoalmente e poder culpabilizá-lo por sua participação em minha formação intelectual - atenção, Bródi Negão, é a primeira vez que uso o termo em benefício próprio !
Detalho o crime: no começo dos famigerados anos 90, ele editou dois números do jornal libertário chamado O Bobo da Corte, que tratava de política, literatura e subversões a granel. A qualidade do material - gráfico, editorial, textual, etc, etc, etc - acachapou-me de primeira. Dois pensamentos estribaram-se em minha cachola assim que tive o primeiro número em mãos. O primeiro, evidentemente, foi um palavrão. O segundo foi: quero escrever como esse malaco. Era o que faltava para que eu decidisse embicar de vez em direção ao jornalismo - e do tipo em que eu acredito desde sempre.
Mas o ato hediondo de Sylvio Ayala não se concentra apenas nisso. Não satisfeito com a bagunça que havia armado, tratou ainda de colaborar para que eu compreendesse a necessidade de uma auto-definição política. Que me orgulho de manter inflexível até hoje. Aprendi com ele, seguindo a uma distância calculada suas produções com o passar o tempo, um bocado sobre como ser este exucaveiracover que incorporo ao batucar textos de qualquer espécie.
E pensar, seu Sylvio, que o senhor havia escapado incólume todo esse tempo de ter esta culpa pesando sobre tua carcaça.
Conversar com ele fez com que eu lembrasse de outras conversas representativas que ocorreram nos últimos cinco anos - quando eu envelheci sobremaneira - com pessoas com as quais sempre aprendo bastante. Há a lembrança de uma conversa com o malacomano João Filho numa noite de 2004, em Salvador, fumando cigarrilhas baratas e proseando sobre tridentes, grand guignol, estética do perrengue e outros assuntos menos cotados na tabela periódica de elementos. Há a atenção prestimosa do casal Tadeu Sarmento e Patrícia Gondreck, acompanhada por Jack Daniels, Leonard Cohen e John Coltrane, contando histórias de família. Há as histórias de Löis Lancaster, outro desses culpados, camaradagem que rendeu parcerias das quais me orgulho com empáfia****. São pessoas como estas que mantêm a minha fé na humanidade. Em honra e glória a esses amigos distantes - e outros mais -, bebi umas Devassas e umas doses de uísque dia desses. Santifiquei-os.
** duas ? três ? cadê as estatísticas ? *** merchandising é proibido aqui na verbeat. ordem dos donos. **** empáfia: fato corriqueiro.
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