Mentiras sinceras me interessam
[*no twiiter, a tag da campanha é #dedureumblogueiro]
DÚVIDA FILOSÓFICA: Caminho natural: será que, após esta ação no Twitter, a 5Clicks vai investir em ARG para a(o?) InterMinas ?
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[*no twiiter, a tag da campanha é #dedureumblogueiro]
DÚVIDA FILOSÓFICA: Caminho natural: será que, após esta ação no Twitter, a 5Clicks vai investir em ARG para a(o?) InterMinas ?
Você acredita que conteúdos colaborativos podem substituir o jornalismo tradicional?
O que você chama de jornalismo tradicional ? Os jornais impressos buscaram um verniz diferente em sua produção textual quando "ameaçados" pela fetiche da velocidade informacional propalada pelos idiotas tecnológicos, estes crentes discípulos de Lévy. A televisão estratificou-se em regurgitações insossas em sua programação aberta e prostrações ao hollywood way of life na "tv paga". Rádio ? Mais do mesmo. A Internet suplantou as velhas mídias ou estas iriam acabar mesmo em um "processo de estupidificação", independente da entrada da tecnologia de comunicação não-massiva no cenário midiático ? Trabalho com a idéia fixa de recombinação, nunca suplantação ou substituição. Se você preferir, posso dizer que os conteúdos colaborativos podem suplementar as práticas do jornalismo tradicional. Isso significa que as práticas colaborativas não precisam estar atreladas às corporações jornalísticas - portais, por exemplo - para terem relevância. E é preciso sempre bater nesta tecla aqui no Brasil. Penso que o Jornalismo Colaborativo - assim como toda e qualquer social media - pode incrementar qualitativamente a comunicação, a forma de pensar e relacionar-se com a informação. Acredito também que o pensamento webjornalístico, compreendendo sua função ligada à cartografia de informação e modos de interação, necessita ainda contemplar questões referentes às novas configurações do espaço público observadas com o advento das Novas Tecnologias de Informação e Comunicação para um desempenho adequado de sua função.
Quais são as maiores dificuldades encontradas no jornalismo colaborativo?
Primeiro problema: fugir da afirmação falaciosa de que o Jornalismo Colaborativo vai acabar com o papel do jornalista diplomado. Torna-se quase impossível não ouvir esta afirmação - ou variações desta, mas com o mesmo teor - quando se fala em Jornalismo Colaborativo. Particularmente encontro-me enfadado em repetir que tal prática jornalística não prescinde dos jornalistas diplomados - eu sou um deles, ora bolas -, mas sim pensa em integrá-los a um processo interacional, que pode enriquecer as rotinas produtivas jornalísticas. Desde que estes jornalistas - ou as empresas para qual trabalham - estejam dispostos a realizar alterações/adaptações em seu modus operandi. E é nesse exato ponto que tudo começa a degringolar. Segundo problema: os portais brasileiros apenas dizem abrir espaço para Jornalismo Colaborativo quando não o praticam de fato. Adaptam práticas colaborativas neste ou naquele espaço, moldando-o como mais um fator agregador ao seu modelo de negócios. Complementando este cenário, não temos hoje, no Brasil, uma audiência "acostumada" a lidar com práticas colaborativas - embora minhas análises me façam pensar que ainda estamos "construindo" essa audiência. Junte estes dois pontos - e estou referindo-me "apenas" ao Brasil - e temos um certo campo de batalha em que o Jornalismo Colaborativo prefere combater com as armas da conversação e investidas hiperlocais.
Como você vê o jornalismo colaborativo daqui a cinco anos?
Não sou um futurist-in-residence como Michael Rogers, mas daqui do meu terreiro hipermidiático esboço dois cenários possíveis, ao menos para o Brasil. Se o Jornalismo Colaborativo continuar sendo tratado como mero fator agregador em uma cadeia de modelo de negócios, prática comum em portais, que distorcem e subjugam sua rotina produtiva - de caráter relacional e interpessoal -, então possivelmente os prognósticos que se podem captar a partir do relatório The State of News Media 2008 serão confirmados. Ou seja, teremos um decréscimo na produção colaborativa - mas um decréscimo no "campo de atuação" dos jornalões, é bom ressaltar. Poderia-se perguntar nesse caso: "o Jornalismo Colaborativo não ´é atraente´ ou ´possível de realmente ser implementado ?´". Uma resposta plausível para agora mesmo: portais não implementam Jornalismo Colaborativo. Ponto. Caminhando para outra direção, podemos conjecturar: e se a idéia de que o Jornalismo Colaborativo não pode ou deve ser atrelado à corporações para - aham - ganhar notoriedade encontrar terreno fértil no imaginário comunicacional interacional brasileiro ? A resposta não é tão óbvia assim quanto possa soar. Para realizar-se, é claro, este cenário depende também - não vou aqui e nesse momento quantificar isso - da atuação dos players envolvidos com o Jornalismo Colaborativo para constituir redes e explicitar - preferencialmente de maneira prática - de que a estratégia hiperlocal constitui-se algo de valor exeqüível e imprescindível. E com isso me dou conta que estou bancando Morpheus, oferecendo a Neo a escolha entre a pílula vermelha e a azul. Gosto disso.
Não tardou para que a solidariedade de outros jornalistas - há quem fale em espírito corporativo em um momento desses - ganhasse corpo, expondo idéias semelhantes as que defendo. No site do Luiz Carlos Azenha, tomei conhecimento do texto escrito por Hélio Sassen Paz sobre esta demissão - cujo teor endosso. Trechos inteiros deste texto soam familiares para mim; venho escarafunchando idéias similares desde que cunhei o bordão que dá nome a este blog. Por conta disso, fico pensando, metido a fazer análises que sou, quais serão os próximos passos que Mário Magalhães irá tomar agora. Defenderá impiedosamente a bandeira de que a Internet é o único território realmente isento que temos quando os tópicos são crítica e pluralidade de opiniões ? Investirá em termos próprios, como fez Paulo Henrique Amorim após sua "saída" do IG, ou outros antes dele que não quero listar aqui e agora ? E a blogosfera tupiniquim, tão envolvida em debates midiáticos - cof cof cof -, repercutirá o caso assaz prontamente ? Sei não, Tiagón e Gejfin, mas vocês deveriam convidar o Mário Magalhães para a Verbeat.
O poeta Fabrício Marques, que assina o prefácio de Fresta por onde olhar, faz uma cartografia do modo poético da autora. Em suas palavras, traça que "a respeito das ´obsessões´de Ana Elisa Ribeiro - as relações amorosas, a própria poesia, um eu lírico tentando definir-se -, pode-se dizer que a poeta as desdenha com muita ironia e humor, ora inclinando-se para o erotismo, ora para o lirismo, ora para uma coloquialidade sem-vergonha, ora para tudo isso ao mesmo tempo". E eis que temos algumas pistas a respeito de onde a poesia de Ana Elisa Ribeiro costuma andar.
Fresta por onde olhar é ainda uma obra plenamente autoral, imbuída de espírito self made, o que faz com seja alvo de maior apreço por parte da poeta. Para lançar este livro, a autora criou um selo próprio, chamado InterDitado, e controlou todas as etapas de produção, da elaboração conceitual até a impressão gráfica. Por tudo isso, as pistas que Fresta por onde olhar lança ao leitor podem conduzi-lo a inúmeras portas. O que pode e deve ser natural à poesia.
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