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fevereiro 2008 Archives

fevereiro 3, 2008

É carnaval, é carnaval 2x

Balacobaco telecoteco ziriguidum porra nenhuma.

fevereiro 10, 2008

The songs remains the shame

Sou um desses caras que costumeiramente escreve - seja lá o que for - ouvindo música*. A contaminação é evidente; ao menos assim quero crer. Depois que coloquei w.a.a.d - "reunião de esquizóides" da qual participo - no MySpace, voltei a fazer algo no qual não me aventurava desde o começo dos 90: estender rede em bandas**. E, ó glória, infiéis, não tenho me decepcionado, pois encontro bandas que já encalacrei em meus set lists prediletos - algumas realmente me salvaram nesses dias carnavalescos.

A primeira da leva é a davidlynchiana Laura Palmer, do amigo André Mansur (guitarra + baixo + programação + voz + letra + teclado). O que esperar de uma banda que dispara uma música chamada Menina Infinito visita a Estação das Brumas, que remete à personagem apresentada na revista em quadrinhos Mosh! adentrando o universo de Sandman ? E como não apreciar um grupo no qual orbitam figurinhas carimbadas no underground carioca como Löis Lancaster (Zumbi do Mato), De Leve, Tatá Aeroplano (Jumbo Elektro), Larry Antha (Sex Noise) e Pedro Selector, só para citar alguns ? E ainda me mata de inveja com um título para o EP que eu poderia muito bem colocar em um livro: Três lugares imagináveis. Maldito Mansur !

Private Dancers vem na sequência. O EP "Music for special occasions" pode mesmo ser traduzido como "Carmen Miranda playing Lady Macbeth", conforme os próprios dancers - irão me odiar por isso; oba ! - colocaram em sua página no My Space. Experimente tirar After Party ou Ragtime for Easy Guitar da cabeça depois de ouvi-las. Não, não adianta sacudi-la ou batê-la contra a parede.

E a terceira dessa leva é a belo-horizontina Em Dias de Surto - que adicionou w.a.a.d. a lista de contatos, coitados. O mais recente trabalho chama-se No caminho da quietude (2007) - os malacos compõem e despejam intervenções, música e improvisos desde 2002. Olha por cima do muro, garota, com seu vocal bebum e levada cadenciada, está em non-stop motion por aqui. Os caras ainda esticam-se em pesquisas sobre a influência musical africana por estes lados e incursões em canções bregas, respectivamente em No Terreiro É Assim e Rascunhos Etílicos.

Tudo isso coloca uma questão: se eu virar dj - ó Deus ... - e colocar essa moçada nas pistas, será que cola ?***

* E que também adora começar um texto - qualquer texto - falando de si mesmo. Problemas com ego ? Rá.

** Coloque aí a interpretação que achar mais cabível. Eu vou ali na esquina.

*** Você acha isso realmente necessário ?

fevereiro 18, 2008

Campus Party: Exu talks



"a idéia de você informar de maneira multimidiaticamente ..."
[isso é o que acontece após gravar a quinta entrevista depois de uma mesa rechonchuda]


Discretamente, assim como quem não quer nada, chegando de mansinho como um bom exu, também estive na primeira edição do Campus Party em terras brasilis. Fui como "convidado" para participar da mesa Jornalismo e Nova Economia, que aconteceu no dia 14, reunindo jornalistas e blogueiros. As aspas, neste caso, ficam por conta de uma certa consternação acerca da forma como a mesa foi conduzida desde o início. Prevista para começar às 19:30, a mesa foi adiantada para 17h - fui comunicado dessa alteração de supetão, assim como vários blogueiros, assim que cheguei ao prédio da Bienal. Apressei-me a contactar Ana Maria Brambilla, a única que eu sabia ter confirmado participação na "ala dos blogueiros" - somente soube quem eram os demais quando fomos reunidos momentos antes da mesa iniciar -, para alertá-la sobre a troca. Infelizmente, tal mudança fez com que ela não participasse deste debate. O que lamento até agora.

O que sabia da mesa até então: jornalistas de renome no Brasil falariam sobre o tema e, logo após, aconteceria uma desconferência reunindo os blogueiros. Encasquetei: Roda Vida upgraded ? Depois dos 15 minutos extended mode de Suzana Apelbaum, que abriu os serviços, subiram à mesa Pedro Dória, Heródoto Barbeiro, Ethevaldo Siqueira e Fabiana Zanni. Os blogueiros convidados - além deste exucaveiracover, estavam Paulo Bicarato, Solon Brochado, Henrique Martin, Carlos Cardoso, Pollyana Ferrari e Carla Schwingel - ficaram ao lado da escadinha de acesso ao palco, confabulando e conspirando. Até que decidimos subir também.

Ânimos já um tanto exaltados por conta de "como fica ? pra onde vai ? qual é a dinâmica disso tudo ?", o que se viu foi mais uma vez a rixa jornalistas versus blogueiros sendo colocada novamente em debate. Tivemos então um bate-boca sobre uma discussão que já nasceu morta - e como não tenho vocação para re-animator, deixo isso de lado. Acredito que o vídeo ali em cima - cortesia de Carol Thomé, que teve a paciência de esperar passar a avalanche de câmeras e microfones que assolou os palestrantes ao final do debate, para falar comigo - sintetiza bem minhas impressões a respeito dessa pendenga.

Mas foi tão ruim assim, seu Rocha ?, perguntaria-me o grande Tadeu Sarmento. Não de todo, eu replicaria, soltando baforadas de charuto. Além de (re)encontrar amigos como Tadeu e sua esposa Patrícia Gondreck - maravilhosas conversas sobre filmes, Leonard Cohen e Zé do Caixão -, ainda pude gravar, a convite de Ian Black, uma conversa com Pedro Dória para o documentário que a Live Ad e Cazé Pecini estão realizando sobre o atual momento comunicacional dos blogs. Saldo final: muitas confabulações, prospecções, sondagens, propostas e otras cositas más encaminhadas. Afinal, de redes sociais é que estamos falando ! Não é mesmo, Tiagon e Gejfin ?

[Em tempo: Edney Souza está convocando blogueiros de todos os cantos deste Brasil varonil para o Dia da Blogagem Inédita, a se realizar no dia 17 de março. Bandeira levantada depois de encher o saco - assim como eu - com a questão "jornalistas versus blogueiros" sendo debatida - valha o termo - pela enésima vez. Ok, Edney, grande levantada de bola; mas penso que algo no modelo da Ciranda de Textos seria um tantinho mais funcional e prática. Porque, afinal, é sobre formação de redes e interação - sem punhetagem pseudo-intelectual - que estamos falando, não ?]

fevereiro 26, 2008

Apenas surubim

Discussões sobre a natureza da suruba, no meio do melelê, em pleno confessionário. Uma pesquisadora da importância de orgias turbinadas por psicotrópicos que se torna habitat para 12.625 demoniozinhos da high society dos infernos. Uma freira em processo de auto-contenção de neurose e que foi hostess dum clube de BDSM. Acabei de descrever a tua idéia de felicidade plena na Terra ? Então você está devidamente convocado - pela otoridade que me cabe nesta coluna - a intumescer sua visão com "Apenas surubim", filme dirigido e co-roteirizado por Carlos Aníbal Ossomani, um temerário cafajeste apreciador de infâmias, cerveja preta com ovo de codorna e imagens de garotas com metralhadoras. Não me perguntem qual é a relação, faz favor.

A bagaça, que está em fase final de filmagem, é uma livre versão de "O Exorcista" - se foi ou não autorizada a equipe de reportagem não sabe e, na verdade, está cagando e andando a respeito desta informação; top top procês. O que quer que essa refilmagem pretenda passar pode assim ser sintetizado: uma dúvida filosófica a respeito da quantidade de pessoas necessárias para começar uma suruba faz com que um padre, acometido de priapismo, convoque uma consultora sobre o assunto. À medida em que ela vai se envolvendo com os assuntos da Igreja, começa a chamar a atenção de um clube de espíritos demoníacos, cujos integrantes estão planejando onde irão passar as férias. Os mefistofelizildos - que não são bobos nem nada; bando de sacanetas babões - escolhem logo o corpinho da pesquisadora como estância de lazer. E vão chegando, se acomodando e gritando "peladinho, peladão, todo mundo nu". Até que o padreco, travado pelos efeitos adversos do priapismo, resolve acabar com todo aquele furdunço e convoca os exorcistas. Saravá !

- Capaz do Christopher Walken fazer uma ponta, como um dos demônios exorcizados, é claro. E eu tô querendo colocar o Pereio como um dos exorcistas. Ou o Mário Bortolotto. Ou até você mesmo, cabrón. - explica o diretor.

Mas whoddafucka is Carlos Aníbal Ossomani ? E por que ele quer meter o autor deste texto nessa estória ? Se o primeiro parágrafo te deixou sem sacar qual é a desse sujeito, então acompanhar as filmagens ou as idéias dele para "Apenas surubim" vai te deixar ainda mais de olhos esbugalhados. Osso - como a equipe de roteiristas o chama - é um destes diretores que grita "gravando !" e depois resmunga "essa merda !" ou "essa porra !". Em seguida, pode enfiar o dedo no ouvido de quem estiver mais perto, fazer barulhos inomináveis com a boca ou simplesmente jogar o que estiver à mão nos atores, caso não esteja gostando da interpretação. Também é capaz de sair abraçando e beijando todo o elenco, caso uma cena tenha saído exatamente como ele queria. Nesses casos, as cenas costumam ser as mais trash possíveis.

Foi exatamente esta demonstração de afeto descabido que a equipe de reportagem presenciou, no momento da gravação de uma "cena de metalinguagem" - termo usado insistentemente por Ossomani para convencer-nos a assistir esses takes. A tal cena parte de um dos pontos focais do filme: a suruba realizada no confessionário, onde três pessoas se enfiam - eita conotação ! - naquela casinhola para começar as safardanices. É possível ouvir, num crescendo, o coro dos belzebus taradões: "suruba ! suruba ! suruba !". Até que um deles, sempre em off, pergunta: "peraí, três pessoas já é suruba ?". A câmera se desloca para um casal em seu lar doce lar. Ela, uma das roteiristas do filme, está confabulando com a equipe em um destes programas de conversação. Sem tirar os olhos do computador, pergunta para o marido, que está arrumando discos numa prateleira: "tutti-frutti, três pessoas já é suruba ?". Sem tirar os olhos dos discos, o marido responde: "não inventa, pô !".

As cenas tiveram o tom desejado pelo diretor já no primeiro take. Assim que a parte do casal foi finalizada, Ossomani deu duas cambalhotas e saiu pulando em direção aos atores, gritando "suruba, surubão, surubim". Agarrado ao casal, anunciou que haveria uma pausa de dez minutos e em seguida, filmariam a cena onde mais pessoas entram no confessionário para participar da suruba. Os atores desta parte - um casal de corretores de seguro, uma ponygirl, dois bombeiros e quatro sósias da Aldine Muller quando jovem - repassavam suas falas (??!!) ali por perto. Era a deixa para que saíssemos dali, ainda sem seqüelas.

Depois de sair da nuvem atordoante do set de filmagem, uma constatação: faltava ainda algum ponto chave para compreender porque pessoas como Carlos Aníbal Ossomani cometem atos deste tipo. Nem careceu voltar para dirimir - eita, Rocha, você tá chato hoje, hein ! - a dúvida. A resposta, bem ao gosto da metalinguagem apreciada pelo diretor, veio de um grito de um dos atores participantes da cena da suruba no confessionário:

- É a putaquepariuzação da sociedade que faz isso ! Ahhhhhh !!!


[publicado originalmente aqui]

fevereiro 28, 2008

Hay hype? soy contra!

Desde siempre fui un espirito de puerco. E nunca deixei de me sentir bem com isso. Este salutar hábito é que me faz, por exemplo, torcer o nariz - de porco, é claro - quando sujeito enche a boca para falar em redes sociais, micropúblicos e interação, mas é afeito mesmo à contemplação do espelho de Narciso. Tal prática pra mim é hype e hype tem que ser tratado com admoestação pública, execração e vara de gurumbumba. Nessa ordem. Mas dá gosto quando vejo que há pessoas realmente interessadas em colocar em prática o que a rede tem de melhor: conexão e colaboração, só para ficar em dois termos. Exemplos disso eu tenho na rede de blogs que está se formando na região norte-fluminense a partir da campanha Dia do Abandono, catapultada pelo Urgente! e na segunda rodada da Ciranda de Textos, que teve como host blog o Meio Digital. É com pessoas assim que vivenciam conexões e que espicaçam a contenda necessária - redes sociais x sociedade do espetáculo - que eu prefiro interagir. Pleased to meet you. Hope you guess my name.

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