É carnaval, é carnaval 2x
Balacobaco telecoteco ziriguidum porra nenhuma.
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Balacobaco telecoteco ziriguidum porra nenhuma.
A primeira da leva é a davidlynchiana Laura Palmer, do amigo André Mansur (guitarra + baixo + programação + voz + letra + teclado). O que esperar de uma banda que dispara uma música chamada Menina Infinito visita a Estação das Brumas, que remete à personagem apresentada na revista em quadrinhos Mosh! adentrando o universo de Sandman ? E como não apreciar um grupo no qual orbitam figurinhas carimbadas no underground carioca como Löis Lancaster (Zumbi do Mato), De Leve, Tatá Aeroplano (Jumbo Elektro), Larry Antha (Sex Noise) e Pedro Selector, só para citar alguns ? E ainda me mata de inveja com um título para o EP que eu poderia muito bem colocar em um livro: Três lugares imagináveis. Maldito Mansur !
Private Dancers vem na sequência. O EP "Music for special occasions" pode mesmo ser traduzido como "Carmen Miranda playing Lady Macbeth", conforme os próprios dancers - irão me odiar por isso; oba ! - colocaram em sua página no My Space. Experimente tirar After Party ou Ragtime for Easy Guitar da cabeça depois de ouvi-las. Não, não adianta sacudi-la ou batê-la contra a parede.
E a terceira dessa leva é a belo-horizontina Em Dias de Surto - que adicionou w.a.a.d. a lista de contatos, coitados. O mais recente trabalho chama-se No caminho da quietude (2007) - os malacos compõem e despejam intervenções, música e improvisos desde 2002. Olha por cima do muro, garota, com seu vocal bebum e levada cadenciada, está em non-stop motion por aqui. Os caras ainda esticam-se em pesquisas sobre a influência musical africana por estes lados e incursões em canções bregas, respectivamente em No Terreiro É Assim e Rascunhos Etílicos.
Tudo isso coloca uma questão: se eu virar dj - ó Deus ... - e colocar essa moçada nas pistas, será que cola ?***
* E que também adora começar um texto - qualquer texto - falando de si mesmo. Problemas com ego ? Rá.
** Coloque aí a interpretação que achar mais cabível. Eu vou ali na esquina.
*** Você acha isso realmente necessário ?
O que sabia da mesa até então: jornalistas de renome no Brasil falariam sobre o tema e, logo após, aconteceria uma desconferência reunindo os blogueiros. Encasquetei: Roda Vida upgraded ? Depois dos 15 minutos extended mode de Suzana Apelbaum, que abriu os serviços, subiram à mesa Pedro Dória, Heródoto Barbeiro, Ethevaldo Siqueira e Fabiana Zanni. Os blogueiros convidados - além deste exucaveiracover, estavam Paulo Bicarato, Solon Brochado, Henrique Martin, Carlos Cardoso, Pollyana Ferrari e Carla Schwingel - ficaram ao lado da escadinha de acesso ao palco, confabulando e conspirando. Até que decidimos subir também.
Ânimos já um tanto exaltados por conta de "como fica ? pra onde vai ? qual é a dinâmica disso tudo ?", o que se viu foi mais uma vez a rixa jornalistas versus blogueiros sendo colocada novamente em debate. Tivemos então um bate-boca sobre uma discussão que já nasceu morta - e como não tenho vocação para re-animator, deixo isso de lado. Acredito que o vídeo ali em cima - cortesia de Carol Thomé, que teve a paciência de esperar passar a avalanche de câmeras e microfones que assolou os palestrantes ao final do debate, para falar comigo - sintetiza bem minhas impressões a respeito dessa pendenga.
Mas foi tão ruim assim, seu Rocha ?, perguntaria-me o grande Tadeu Sarmento. Não de todo, eu replicaria, soltando baforadas de charuto. Além de (re)encontrar amigos como Tadeu e sua esposa Patrícia Gondreck - maravilhosas conversas sobre filmes, Leonard Cohen e Zé do Caixão -, ainda pude gravar, a convite de Ian Black, uma conversa com Pedro Dória para o documentário que a Live Ad e Cazé Pecini estão realizando sobre o atual momento comunicacional dos blogs. Saldo final: muitas confabulações, prospecções, sondagens, propostas e otras cositas más encaminhadas. Afinal, de redes sociais é que estamos falando ! Não é mesmo, Tiagon e Gejfin ?
A bagaça, que está em fase final de filmagem, é uma livre versão de "O Exorcista" - se foi ou não autorizada a equipe de reportagem não sabe e, na verdade, está cagando e andando a respeito desta informação; top top procês. O que quer que essa refilmagem pretenda passar pode assim ser sintetizado: uma dúvida filosófica a respeito da quantidade de pessoas necessárias para começar uma suruba faz com que um padre, acometido de priapismo, convoque uma consultora sobre o assunto. À medida em que ela vai se envolvendo com os assuntos da Igreja, começa a chamar a atenção de um clube de espíritos demoníacos, cujos integrantes estão planejando onde irão passar as férias. Os mefistofelizildos - que não são bobos nem nada; bando de sacanetas babões - escolhem logo o corpinho da pesquisadora como estância de lazer. E vão chegando, se acomodando e gritando "peladinho, peladão, todo mundo nu". Até que o padreco, travado pelos efeitos adversos do priapismo, resolve acabar com todo aquele furdunço e convoca os exorcistas. Saravá !
- Capaz do Christopher Walken fazer uma ponta, como um dos demônios exorcizados, é claro. E eu tô querendo colocar o Pereio como um dos exorcistas. Ou o Mário Bortolotto. Ou até você mesmo, cabrón. - explica o diretor.
Mas whoddafucka is Carlos Aníbal Ossomani ? E por que ele quer meter o autor deste texto nessa estória ? Se o primeiro parágrafo te deixou sem sacar qual é a desse sujeito, então acompanhar as filmagens ou as idéias dele para "Apenas surubim" vai te deixar ainda mais de olhos esbugalhados. Osso - como a equipe de roteiristas o chama - é um destes diretores que grita "gravando !" e depois resmunga "essa merda !" ou "essa porra !". Em seguida, pode enfiar o dedo no ouvido de quem estiver mais perto, fazer barulhos inomináveis com a boca ou simplesmente jogar o que estiver à mão nos atores, caso não esteja gostando da interpretação. Também é capaz de sair abraçando e beijando todo o elenco, caso uma cena tenha saído exatamente como ele queria. Nesses casos, as cenas costumam ser as mais trash possíveis.
Foi exatamente esta demonstração de afeto descabido que a equipe de reportagem presenciou, no momento da gravação de uma "cena de metalinguagem" - termo usado insistentemente por Ossomani para convencer-nos a assistir esses takes. A tal cena parte de um dos pontos focais do filme: a suruba realizada no confessionário, onde três pessoas se enfiam - eita conotação ! - naquela casinhola para começar as safardanices. É possível ouvir, num crescendo, o coro dos belzebus taradões: "suruba ! suruba ! suruba !". Até que um deles, sempre em off, pergunta: "peraí, três pessoas já é suruba ?". A câmera se desloca para um casal em seu lar doce lar. Ela, uma das roteiristas do filme, está confabulando com a equipe em um destes programas de conversação. Sem tirar os olhos do computador, pergunta para o marido, que está arrumando discos numa prateleira: "tutti-frutti, três pessoas já é suruba ?". Sem tirar os olhos dos discos, o marido responde: "não inventa, pô !".
As cenas tiveram o tom desejado pelo diretor já no primeiro take. Assim que a parte do casal foi finalizada, Ossomani deu duas cambalhotas e saiu pulando em direção aos atores, gritando "suruba, surubão, surubim". Agarrado ao casal, anunciou que haveria uma pausa de dez minutos e em seguida, filmariam a cena onde mais pessoas entram no confessionário para participar da suruba. Os atores desta parte - um casal de corretores de seguro, uma ponygirl, dois bombeiros e quatro sósias da Aldine Muller quando jovem - repassavam suas falas (??!!) ali por perto. Era a deixa para que saíssemos dali, ainda sem seqüelas.
Depois de sair da nuvem atordoante do set de filmagem, uma constatação: faltava ainda algum ponto chave para compreender porque pessoas como Carlos Aníbal Ossomani cometem atos deste tipo. Nem careceu voltar para dirimir - eita, Rocha, você tá chato hoje, hein ! - a dúvida. A resposta, bem ao gosto da metalinguagem apreciada pelo diretor, veio de um grito de um dos atores participantes da cena da suruba no confessionário:
- É a putaquepariuzação da sociedade que faz isso ! Ahhhhhh !!!
[publicado originalmente aqui]
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