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A hora e a vez do cabelo descer

Inconformado - "até o último fio de cabelo", diria algum oportunista metido a engraçadinho - com a falta de alguns nomes na lista dos 15 carecas mais fodões de todos os tempos, resolvi eu mesmo retificar esta injustiça histórica. Apresento-lhes minha própria lista de carequinhas brasileiros que se destacam na multidão:


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Marcelo Tas tem motivos de sobra pra ser o primeiro da lista. A começar pelo fato de que, encarnando o repórter Ernesto Varela - numa época em que ainda tinha cabelo - disparou para Paulo Maluf - desculpem o palavreado chulo -: "Muitas pessoas não gostam do senhor, dizem que o senhor é corrupto. É verdade isso, deputado?". Tal fato, por si só, deveria ser o suficiente para colocá-lo na lista acima desdenhada. E como esquecer do Professor Tibúrcio - conheço gente que vai querer redublar esse vídeo - e do irriquieto personagem do "Porque sim não é resposta", do Castelo Rá-Tim-Bum ? E de quando ele apresentava Vitrine, na TV Cultura ? E do Saca-Rolha, que comandava junto com Lobão e Mariana Weickert ? São motivos como estes que me fazem tirar o chapéu para ele.


Gabriel-Priolli.jpg

Nem mesmo fatos como ter trabalhado em campanha de gente como Roseana Sarney e ter "cuidado da imagem" de Fernando Henrique Cardoso puderam diminuir a admiração que tenho pela postura jornalística profissional de Gabriel Priolli. Conhecedor dos meandros televisivos tupiniquins como poucos, preside a Associação Brasileira de Televisão Universitária e dirige a TV PUC-SP - sujeito essencial para ser ouvido em todo esse blá blá blá a respeito da TV digital. Priolli foi um dos primeiros a escutar, em 2004, na única vez em que consegui conversar com ele, o fatídico mantra "o jornalismo morreu".


gugaschultze.jpg

Este aqui figura na lista dos sujeitos cujo trabalho admiro e que, por conta dessas terríveis simetrias da vida, acabo ficando amigo. Conheci o trabalho do quadrinista carioca/mineiro Guga Schultze muito antes de me mudar para BH, quando amigos inescrupulosos mostraram-me a revista Grafitti [76% quadrinhos], produzida nas alterosas e que contava com histórias deste grande sujeito. Arrendatário - dono não; propriedade é roubo - de traços por vezes nervosos, por vezes precisos até a medula, Guga ainda bate ponto no Digestivo Cultural, escrevendo e ilustrando. Como se não bastasse, ainda bebe uísque e ouve Johnny Cash.

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Para finalizar - por hoje, por hoje -, permito-me a cabotinagem. Olhem o semblante calvo deste nada simpático exucaveiracover que vos escreve. Percebam a expressão de quem está com as engrenagens cerebrais a todo vapor, triturando referências obscuras para escrever contos e bolar música, pesquisando Jornalismo Colaborativo e ainda encontra fôlego pra resmungar que o jornalismo morreu. Alguém ainda duvida de que se trata de um bad motherfucker bald guy ? Reparem a carade desdém e enfado: nenhum cabeludo consegue fazer igual.

Comments (3)

JR:

cê nao perde por esperar, vitor. lembra daquela montagem q jules rimet fez ? eu a encontrei novamente !!!

guga, esqueci de falar q vc ainda é companheiro de presepadas do homem-aranha. lembre-se q tenho fotos q provam isso. [malditas piadas internas]

Guga Schultze:

ahahah... mantenha o lustro e ela brilhará na escuridão. Tô falando da careca. Ela brilhará nas trevas, conduzindo, como um farol, as naus dos insensatos, perdidas no nevoeiro capilar. É só uma questão de mutação genética evolutiva, nada menos que isso. Sorry, periferia de neandertais. Huahuahua

Se eu fosse careca, seria candidato a entrar na sua lista. Ainda bem que minha vasta cabeleira impede a minha candidatura.

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