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janeiro 2008 Archives

janeiro 12, 2008

A hora e a vez do cabelo descer

Inconformado - "até o último fio de cabelo", diria algum oportunista metido a engraçadinho - com a falta de alguns nomes na lista dos 15 carecas mais fodões de todos os tempos, resolvi eu mesmo retificar esta injustiça histórica. Apresento-lhes minha própria lista de carequinhas brasileiros que se destacam na multidão:


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Marcelo Tas tem motivos de sobra pra ser o primeiro da lista. A começar pelo fato de que, encarnando o repórter Ernesto Varela - numa época em que ainda tinha cabelo - disparou para Paulo Maluf - desculpem o palavreado chulo -: "Muitas pessoas não gostam do senhor, dizem que o senhor é corrupto. É verdade isso, deputado?". Tal fato, por si só, deveria ser o suficiente para colocá-lo na lista acima desdenhada. E como esquecer do Professor Tibúrcio - conheço gente que vai querer redublar esse vídeo - e do irriquieto personagem do "Porque sim não é resposta", do Castelo Rá-Tim-Bum ? E de quando ele apresentava Vitrine, na TV Cultura ? E do Saca-Rolha, que comandava junto com Lobão e Mariana Weickert ? São motivos como estes que me fazem tirar o chapéu para ele.


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Nem mesmo fatos como ter trabalhado em campanha de gente como Roseana Sarney e ter "cuidado da imagem" de Fernando Henrique Cardoso puderam diminuir a admiração que tenho pela postura jornalística profissional de Gabriel Priolli. Conhecedor dos meandros televisivos tupiniquins como poucos, preside a Associação Brasileira de Televisão Universitária e dirige a TV PUC-SP - sujeito essencial para ser ouvido em todo esse blá blá blá a respeito da TV digital. Priolli foi um dos primeiros a escutar, em 2004, na única vez em que consegui conversar com ele, o fatídico mantra "o jornalismo morreu".


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Este aqui figura na lista dos sujeitos cujo trabalho admiro e que, por conta dessas terríveis simetrias da vida, acabo ficando amigo. Conheci o trabalho do quadrinista carioca/mineiro Guga Schultze muito antes de me mudar para BH, quando amigos inescrupulosos mostraram-me a revista Grafitti [76% quadrinhos], produzida nas alterosas e que contava com histórias deste grande sujeito. Arrendatário - dono não; propriedade é roubo - de traços por vezes nervosos, por vezes precisos até a medula, Guga ainda bate ponto no Digestivo Cultural, escrevendo e ilustrando. Como se não bastasse, ainda bebe uísque e ouve Johnny Cash.

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Para finalizar - por hoje, por hoje -, permito-me a cabotinagem. Olhem o semblante calvo deste nada simpático exucaveiracover que vos escreve. Percebam a expressão de quem está com as engrenagens cerebrais a todo vapor, triturando referências obscuras para escrever contos e bolar música, pesquisando Jornalismo Colaborativo e ainda encontra fôlego pra resmungar que o jornalismo morreu. Alguém ainda duvida de que se trata de um bad motherfucker bald guy ? Reparem a carade desdém e enfado: nenhum cabeludo consegue fazer igual.

Correndo risco

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Entrei 2008 falando sobre pessoas que admiro e tenho - por que não ? - como referência. Uma delas é o Flávio de Almeida, que agora também faz parte do condomínio verbeat - a senhora, minha amiga dona de casa, o senhor, meu irmão trabalhador, alguns posts abaixo, poderão ver a primeira parceria que executei com ele. Tremenda honra para este escriba blefador neste fim de 2007 - em meio a turbulências e atravancos que só fizeram com que eu perdesse mais cabelo - e começo de 2008 - quando realmente compreendo de que material os amigos são compostos.

Seja bem-vindo, mestre. O trote verbeater te espera.

janeiro 13, 2008

"Eu falo porque gastei minha alma da redação."

Você lê jornal?

Xico Sá - Eu leio pra enganar os próprios jornais, mas eu não aconselho pra nenhuma família (risos)... afaste o seu filho da faculdade de jornalismo porque é emburrecedor. É melhor ser Marcola do PCC do que ser um jornalista. O jornalista não vai ter uma grande narrativa, não vai ser um escritor. Também não vai poder contar uma grande história, não vai poder porque o dono não vai deixar. Ele vai ser merda.


janeiro 24, 2008

"Bloguear no te va a hacer rico y famoso"

Desde a realização do BlogCamp MG aqui em Belo Horizonte eu ando encafifado com “casos e descasos”, como diria um ex-aluno meu, relativos a uma preocupação que deveria ao menos cutucar a massa cinzenta da moçada conectada. Trata-se de ver que, no meio de tanta discussão sobre o futuro da comunicação digital - ou seja lá como você queira chamar isso que estamos fazendo por aqui -, o valor da informação está relegado a um plano muito abaixo daquele onde deveria centrar-se. Entretidos com discussões acirradas acerca de posts patrocinados, monetização (ainda isso !) e modelos de negócios – valei-me, Beth Saad ! - alguns probloggers (e outros nem tanto) parecem agir como se tudo não passasse de algo montado para Pequenas Empresas, Grandes Negócios. É esse tipo de pensamento que me apoquenta. Ouvi aqui, no BlogCamp MG, alguém dizendo algo como "os blogs monetizados são o próximo passo evolutivo da blogosfera". Nesse momento, algo nos meus intestinos revirou-se e soltou um grunhido.

Temi pelo meu futuro.

O que ocorrerá com aqueles que preferem manter suas atividades blogueiras sem um enquadramento empresarial ? Coloco nessa listagem jornalistas que pensam - pasmem ! - "apenas" em lidar com a informação, fazendo com que seu valor e credibilidade se mantenham firmes, sem perder escala, ao mesmo tempo que em que recombinam um modus operandi que atenda a um "ambiente" que privilegia a formação de redes - para dizer apenas o mínimo. Escaparemos, homens de neanderthal da era digital, dessa toada "x-men: generations" ? A coexistência não é uma opção plausível e salutar ?

Questões que são taxativas em suas formulações quanto à natureza e futuro da comunicação (e que, consequentemente, também podem ser aplicadas ao jornalismo online) me aborrecem sobremaneira. Podem gerar confusão, podem gerar desentendimentos em um meio comunicacional que deve(ria) estimular a interação e processos de colaboração, descambando até mesmo em uma improvável aproximação conceitual entre formação de redes e panelê desmesurado. Parece que se está construindo um consenso que mixa estes dois conceitos e isso está sendo levado adiante como uma dessas verdades absolutas que se vê de onda em onda. O que é bastante perigoso, devido a fúria com que isso se propaga, evitando até mesmo que se mantenha ou recupere, vá lá, a "arte perdida da divergência de idéias". E lá vai, mais uma vez, o valor da informação, tema que é caro e estimado para mim, ralo abaixo.

Confesso que isso me deixa abatido.

Mas daí acesso Urgente !, blog que reúne jornalistas de Campos (RJ) e do qual participei, e vejo Vitor Menezes convocando leitores e blogueiros do Norte Fluminense a participar do Dia do Abandono, para denunciar a quantas anda a terra natal de José Cândido de Carvalho - e minha também, ora bolas. Cerca de 20 blogs entraram na campanha, publicando textos e fotos contundentes, em um processo de interação inédito até então naquela cidade, em qualquer meio de comunicação. Pool de empresas, dirão vocês ? Quá. Vitor Menezes dá o tom, mostrando que se trata de algo um tantinho diferente: "Há quem menospreze o potencial de mobilização da comunicação democrática e descentralizada. Desde Gutenberg tem sido assim”. É assim que me animo novamente. E ainda renovo meu aprendizado nesse troço que vivo repetindo que morreu ao ler profissionais como Sérgio Leo, que dá – mesmo não sendo intencional – verdadeiras aulas de jornalismo em cada um de seus posts.

É com esse pessoal que eu sigo.


[Este post deveria participar da primeira rodada da Ciranda de Textos – versão brasileira do Blogs Carnival – convocada por André Deak. Mas – ó vida, ó azar – perdeu o timming, coitado, e só encontrou o caminho de casa agora. O que só foi possível após deparar-se com a frase que ostenta como título, dignamente chupinhada daqui - atenção para a página 4, faz favor]


janeiro 30, 2008

No seu devido lugar

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Não se deixe enganar pela cara de vilipendiador do rapaz da foto. Conheço-o há mais de 20 anos e sei do que estou falando. O sujeito, além de ser jornalista e escritor, tem o desplante de lançar um livro - e manter o ar blasé ao mesmo tempo, para desespero dos detratores [de plantão e em potencial]. A prova de tanta galhardia chama-se "Daqui desse lugar - 100 artigos sobre Jornalismo, Política e Pertencimento" e veio à luz agora, pela E-papers Editora. O livro é uma seleta [variedade de pêra suculenta e aromática ou variedade de laranja] de artigos publicados em jornais fluminenses e sites, sempre com o tom opinativo ponderado, porém incisivo e irônico que caracteriza os melhores textos de Vitor Menezes. E posso afirmar isso com irremovível conhecimento de causa: já trabalhamos no mesmo jornal, em editorias diferentes. Também contei com o privilégio de ler antes de todos suas colunas, no espaço que implantei no segundo caderno de outro jornal para o qual ele escrevia. Portanto, não é de hoje que esperava que um livro dele fosse publicado.

Os três eixos de "Daqui desse lugar" não poderiam ser outros - são temas preciosos para Vitor Menezes. Arrisco a dizer que talvez o último até se encontre em posição de certo destaque em relação aos outros. Conheço um tanto acerca dos sentimento deste meu amigo em relação a Campos (RJ), nossa cidade natal, pois compartilho alguns deles. E sei que há, nesse livro, uma visão apaixonada - tanto para o bem quanto para o mal - acerca do que se vê ao redor. Talvez seja possível encontrar a mesma inquietação que acomete um arqueiro no instante em que faz a mira perfeita e está pronto para disparar.

Quer tirar a prova ? Coloque uma maçã no topo de sua cabeça.

janeiro 31, 2008

Furando o olho do ciclope

O maior fenômeno de anti-jornalismo dos últimos anos foi o que ocorreu com a revista Veja. Gradativamente, o maior semanário brasileiro foi se transformando em um pasquim sem compromisso com o jornalismo, recorrendo a ataques desqualificadores contra quem atravessasse seu caminho, envolvendo-se em guerras comerciais e aceitando que suas páginas e sites abrigassem matérias e colunas do mais puro esgoto jornalístico.
Luiz Nassif, que figura na lista de jornalistas que eu respeito, abre fogo contra a Veja - de maneira merecida e lúcida, diga-se de passagem. No primeiro bloco, aborda o "estilo neocon" - a porrada pela porrada, a truculência e linguagem ofensiva que foram usadas como estratégia de funcionamento - e os mecanismos que faziam a revista girar em torno de um e outro lobby.

O segundo bloco - o meu predileto - é reservado para dar nomes aos bois e modus operandi que levou à queda de padrão da revista. A parte seguinte diz respeito às levantadas de bola realizadas na seção Radar durante a guerra das cervejas. E, até o momento, há um quarto bloco: o caso André Esteves.

A abordagem de Nassif, além dos méritos óbvios, vem ainda em um momento oportuno. Dia desses, durante uma dessas conversas acaloradas naturais à divergências de opiniões, me perguntaram como eu sabia distinguir, em termos jornalísticos, quando a História estava sendo construída. Preciso apontar ?

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