A hora e a vez do cabelo descer
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Seja bem-vindo, mestre. O trote verbeater te espera.
Você lê jornal?Xico Sá - Eu leio pra enganar os próprios jornais, mas eu não aconselho pra nenhuma família (risos)... afaste o seu filho da faculdade de jornalismo porque é emburrecedor. É melhor ser Marcola do PCC do que ser um jornalista. O jornalista não vai ter uma grande narrativa, não vai ser um escritor. Também não vai poder contar uma grande história, não vai poder porque o dono não vai deixar. Ele vai ser merda.
Temi pelo meu futuro.
O que ocorrerá com aqueles que preferem manter suas atividades blogueiras sem um enquadramento empresarial ? Coloco nessa listagem jornalistas que pensam - pasmem ! - "apenas" em lidar com a informação, fazendo com que seu valor e credibilidade se mantenham firmes, sem perder escala, ao mesmo tempo que em que recombinam um modus operandi que atenda a um "ambiente" que privilegia a formação de redes - para dizer apenas o mínimo. Escaparemos, homens de neanderthal da era digital, dessa toada "x-men: generations" ? A coexistência não é uma opção plausível e salutar ?
Questões que são taxativas em suas formulações quanto à natureza e futuro da comunicação (e que, consequentemente, também podem ser aplicadas ao jornalismo online) me aborrecem sobremaneira. Podem gerar confusão, podem gerar desentendimentos em um meio comunicacional que deve(ria) estimular a interação e processos de colaboração, descambando até mesmo em uma improvável aproximação conceitual entre formação de redes e panelê desmesurado. Parece que se está construindo um consenso que mixa estes dois conceitos e isso está sendo levado adiante como uma dessas verdades absolutas que se vê de onda em onda. O que é bastante perigoso, devido a fúria com que isso se propaga, evitando até mesmo que se mantenha ou recupere, vá lá, a "arte perdida da divergência de idéias". E lá vai, mais uma vez, o valor da informação, tema que é caro e estimado para mim, ralo abaixo.
Confesso que isso me deixa abatido.
Mas daí acesso Urgente !, blog que reúne jornalistas de Campos (RJ) e do qual participei, e vejo Vitor Menezes convocando leitores e blogueiros do Norte Fluminense a participar do Dia do Abandono, para denunciar a quantas anda a terra natal de José Cândido de Carvalho - e minha também, ora bolas. Cerca de 20 blogs entraram na campanha, publicando textos e fotos contundentes, em um processo de interação inédito até então naquela cidade, em qualquer meio de comunicação. Pool de empresas, dirão vocês ? Quá. Vitor Menezes dá o tom, mostrando que se trata de algo um tantinho diferente: "Há quem menospreze o potencial de mobilização da comunicação democrática e descentralizada. Desde Gutenberg tem sido assim”. É assim que me animo novamente. E ainda renovo meu aprendizado nesse troço que vivo repetindo que morreu ao ler profissionais como Sérgio Leo, que dá – mesmo não sendo intencional – verdadeiras aulas de jornalismo em cada um de seus posts.
É com esse pessoal que eu sigo.
[Este post deveria participar da primeira rodada da Ciranda de Textos – versão brasileira do Blogs Carnival – convocada por André Deak. Mas – ó vida, ó azar – perdeu o timming, coitado, e só encontrou o caminho de casa agora. O que só foi possível após deparar-se com a frase que ostenta como título, dignamente chupinhada daqui - atenção para a página 4, faz favor]

Os três eixos de "Daqui desse lugar" não poderiam ser outros - são temas preciosos para Vitor Menezes. Arrisco a dizer que talvez o último até se encontre em posição de certo destaque em relação aos outros. Conheço um tanto acerca dos sentimento deste meu amigo em relação a Campos (RJ), nossa cidade natal, pois compartilho alguns deles. E sei que há, nesse livro, uma visão apaixonada - tanto para o bem quanto para o mal - acerca do que se vê ao redor. Talvez seja possível encontrar a mesma inquietação que acomete um arqueiro no instante em que faz a mira perfeita e está pronto para disparar.
Quer tirar a prova ? Coloque uma maçã no topo de sua cabeça.
O maior fenômeno de anti-jornalismo dos últimos anos foi o que ocorreu com a revista Veja. Gradativamente, o maior semanário brasileiro foi se transformando em um pasquim sem compromisso com o jornalismo, recorrendo a ataques desqualificadores contra quem atravessasse seu caminho, envolvendo-se em guerras comerciais e aceitando que suas páginas e sites abrigassem matérias e colunas do mais puro esgoto jornalístico.Luiz Nassif, que figura na lista de jornalistas que eu respeito, abre fogo contra a Veja - de maneira merecida e lúcida, diga-se de passagem. No primeiro bloco, aborda o "estilo neocon" - a porrada pela porrada, a truculência e linguagem ofensiva que foram usadas como estratégia de funcionamento - e os mecanismos que faziam a revista girar em torno de um e outro lobby.O segundo bloco - o meu predileto - é reservado para dar nomes aos bois e modus operandi que levou à queda de padrão da revista. A parte seguinte diz respeito às levantadas de bola realizadas na seção Radar durante a guerra das cervejas. E, até o momento, há um quarto bloco: o caso André Esteves.
A abordagem de Nassif, além dos méritos óbvios, vem ainda em um momento oportuno. Dia desses, durante uma dessas conversas acaloradas naturais à divergências de opiniões, me perguntaram como eu sabia distinguir, em termos jornalísticos, quando a História estava sendo construída. Preciso apontar ?
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