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julho 2007 Archives

julho 26, 2007

Entrevista: Daniela Bertocchi

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No Intermezzo, você está fazendo um acompanhamento a respeito da cobertura midiática sobre o desastre com o airbus da TAM. E os portais agora enveredaram pelo o que seus produtores de conteúdo acreditam que seja Jornalismo Colaborativo. Em várias listas de discussão, a fotomontagem que UOL não notou e publicou, no esquema de conteúdo colaborativo, tem sido foco de críticas e acirrados embates. A pergunta é: a partir das análises desta cobertura, o que falta para os produtores de conteúdo realmente lidarem com o Jornalismo Colaborativo ?

Apontamento 1 - Pelos poderes de Grayskull, quem tem a força?

Bem, em primeiro lugar, até para as pessoas entenderem o que quero dizer, faço uma distinção bem clara entre o que seja o "jornalismo colaborativo" e o "jornalismo cívico". Baseio-me nas definições de 2003 do grupo norte-americano The Media Center.

Resumida e simplificadamente (e peço também desculpas pelo tom professoral), a distinção é essa: o colaborativo pressupõe uma interferência mínima ou nula por parte de jornalistas no conteúdo gerado pelos usuários; no cívico, ao contrário, é suposto um controle desta interação através da edição, da filtragem de informações e da moderação da participação dos usuários.

Assim, o “jornalismo participativo” (colaborativo) ocorre quando um cidadão, ou grupo de cidadãos, assume uma função ativa no processo de recolha, reportagem, análise e divulgação de notícias e informações. O objetivo desta participação é fornecer aquilo que um sistema democrático exige: informação independente, confiável, acurada e variada.

O “jornalismo cívico”, por outro lado, procura encorajar a participação, mas as organizações noticiosas mantêm um elevado nível de controle através da determinação da agenda temática, da seleção dos participantes e da moderação das conversas.

Note-se que o que direi a seguir só faz sentido partindo desta diferenciação, tal como enunciada acima. Sei que muita gente não vai por este caminho, mas os divergentes pontos de vista são sempre bem-vindos para melhorarmos o pensamento, além do que eu acho que falta criar um conceito novo pra um novo tipo de jornalismo intermédio entre o que se chama de colaborativo e cívico.

Apontamento 2 - Batata quente, quente, quente… queimou!

A partir do que eu digo acima, é completamente natural não encontrarmos a prática do jornalismo colaborativo nos grandes portais brasileiros, uma vez que sabemos que estes são projetos de tradição jornalística que claramente defendem o jornalista profissional como aquele capaz de editar, filtrar, checar etc. as informações com mais propriedade e melhor rigor do que qualquer um outro profissional ou cidadão.

Assim, o leitor não é percebido como jornalista profissional. Torna-se um colaborador importante, mas não essencial para o funcionamento da máquina jornalística.

É por isso que o UOL errou ao publicar uma foto de leitor sem antes passar um olhar atento sobre a imagem. E acertou em assumir o erro. Este processo revelou exatamente como as coisas são entendidas pelos portais: deve ser exercido o controle do jornalista através da edição, da filtragem de informações e da moderação da participação dos usuários. Fundamental é mesmo o corpo de jornalistas presentes da redação, profissionais com habilidades e competências para desempenhar as suas funções com qualidade. Ou seja, não existe jornalismo colaborativo nos portais brasileiros.

Se existisse, não haveria a lógica do “erro”. Em vez do “filtro, logo publico”, ficaríamos com o “publico, logo filtro” e tudo bem (processo de construção conjunto entre comunidades). Aí reside a diferença fundamental.

Apontamento 3 – O problema

Se a questão for entendida por uma perspectiva do controle, a intervenção dos usuários na produção noticiosa é realmente uma batata quente nas mãos dos media online. A beleza e o encanto democrático do jornalismo participativo parecem se apagar precisamente quando o assunto esbarra na questão da autonomia profissional (e da autoria). Até que ponto as empresas de comunicação e os jornalistas querem perder o controle e, portanto, o poder do discurso noticioso, e até que ponto podem resistir a um fenômeno emergente de participação, figura-se como uma encruzilhada que não se resolveu ao longo dos últimos anos.

Apontamento 4 - A palavra convence, o exemplo arrasta

Ocorre que o discurso em torno do jornalismo colaborativo está em voga. Existe todo um discurso pró-participação do usuário a ser repercutido por especialistas dos media, estudiosos do jornalismo e simpatizantes do assunto. E então os portais entram nesta onda. E pedem a colaboração de seus leitores. Sem entender o que isso significa. E depois não sabem o que fazer com essa colaboração.

Apontamento 5 - A liberdade aparente

Aqui vou evocar uma idéia que trabalhei em meu mestrado.

Do leitor online, esperamos uma cooperação em três níveis: 1) interpretativa (isso ocorre com qualquer tipo de leitor, seja de romance ou telenovela), 2) exploratória (clicar no mouse, navegar) e 3) intervencionista (interferir, participar, colaborador, ser co-autor).

Relativamente ao item 3, que mais importa aqui nesta discussão, sabemos que no ciberespaço jornalista e leitor poderiam trabalhar juntos para o bem comunicar uma história.

Perguntas delicadas: O jornalista precisa/quer abrir mão de suas estratégias autorais no ciberespaço? Se sim, como dividir entre autor e leitor, na prática, a responsabilidade do “bem narrar” uma notícia? Quando ambos querem narrar uma mesma história, num mesmo espaço, ou então quando o leitor, já na posição de autor, quer interferir na estratégia do autor, agora na posição de leitor? Se a retórica é toda ela uma negociação da distância entre sujeitos, como efetuar a aproximação?

O que sustento é que no ciberjornalismo existe, na verdade, uma “liberdade simulada” do leitor, e não propriamente uma “liberdade real”.

O jornalista do cibermeio - lembremos que estamos aqui a falar dos portais jornalísticos - continua a ter controle retórico da narrativa, e ao leitor é conferida a possibilidade de escolher caminhos para completar a sua leitura da narrativa (coisa que a literatura já faz há muito tempo) e, eventualmente, dada a ele a chance de participar de alguma forma (submeter sugestões, informações etc.), mas mais raro será permiti-lo intervir em nível estruturalmente profundo da narrativa. Quando isso acontece (participação), é sob o olhar atento de jornalistas.


Lidar com redes sociais, com termos como web 2.0, além de ferramentas como Google Maps, Twitter, Pownce, entre outras mais – a lista sempre cresce – é uma atividade que tem ocupado a cabeça de quem está “imerso” nas mídias digitais. Você acha que o webjornalista está preparado para absorver e lidar com tudo isso ?

Apontamento 6 - Perdidos no espaço

O que sustento aqui não deve ser percebido como um movimento de crítica ou louvor, como o julgamento em termos de “bom” ou “mau” procedimento ciberjornalístico, conservador ou não.

Isso é tão-somente um esforço pra entender a dificuldade em equacionar e amalgamar um modelo de práxis “antigo” com um “novo”, procurando um equilíbrio nesta corda bamba, tentando não abrir mão de técnicas, estratégias e premissas conhecidas há séculos e as novas técnicas, estratégias e premissas do meio digital.

Muitos ainda estão perdidos no meio deste bolo. Incluindo leitores.

Por vezes tenho essa impressão de que ainda não se alcançou a compreensão – valha o termo – a respeito do que um webjornalista, um profissional que pensa as especificidades da comunicação digital, pode fazer. Você acredita que, nesse caso, é cabível investir em uma discussão – seja na academia, seja no campo profissional – a respeito da deontologia do webjornalista ?

Apontamento 7 – O ciberjornalista

Não posso deixar de citar alguma coisa sobre o perfil do jornalista que trabalha com a web porque isso também tem ligações com a minha prática docente. Respondendo diretamente: a) não, o webjornalista (ou ciberjornalista, como prefiro) não está preparado para absorver e lidar com a web 2.0; b) os estudos acadêmicos são pouco considerados nas redações on-line; c) sim, naturalmente que é cabível investir em uma discussão – seja na academia, seja no campo profissional – a respeito da deontologia do webjornalista. Espero que esta nossa conversa renda frutos neste sentido.

São quatro anos de atividades do Intermezzo. Eu venho dizendo, há mais tempo, que o jornalismo morreu. Com o que você tem visto nestes quatro anos, como uma observadora privilegiada, é possível concordar com este meu mantra ?

Apontamento 8 – O jornalismo morreu?

Quando você pergunta o que falta para os produtores de conteúdo realmente lidarem com o Jornalismo Colaborativo? então a resposta está ai: transformar radicalmente o entendimento do que seja fazer jornalismo.

E entender que ele pode ser feito de várias formas não-excludentes, com e sem colaboração de cidadãos. Desta forma, uma palavra que não serve aqui é “dicotomia” e outra que vem bem a calhar é “co-existência”. Particularmente, penso que o jornalismo precisa de profissionais que se dediquem à prática de informar em tempo integral e não somente de cidadãos-repórter nas horas livres.

Penso que o jornalismo homogêneo e único (e unissonante) está morrendo. E começam a nascer jornalismos, no plural, heterogêneos e mais coloridos.


Apontamento 9 – Qual futuro?

Mas o que resta saber mesmo é como o jornalismo vai transcender o seu atual papel nas sociedades contemporâneas…

julho 25, 2007

O meio (digital) é a mensagem

Meio Digital nasceu de uma mensagem que rodou a lista Jornalistas da Web por uns dias, até ser respondida. Esta mensagem dizia: “Existe algum blog colaborativo? Se não, vamos criar um?”. Em alguns dias outros interessados apareceram e resolveu-se então tentar manter tal tipo de blog. Meio Digital contará com a participação de jornalistas, especialistas e pesquisadores brasileiros que pretendem dar um pouco mais de forma e traçado à essa coisa chamada de Comunicação Colaborativa.

Vi o o blog Meio Digital nascer. Portanto, sou testemunha. Mas só falo bem se o cachê for bom.

Perdemos Quetzalcóatl

Mais tarde, numa outra conversa, sobre outros assuntos, Antonio, meu amigo jornalista, veio com a frase lapidar: "Cara, de um lado as rotativas. Rodando. Do outro, um leitor, redondamente enganado". Estávamos numa conversa em que ele me contava alguns casos, presenciados ou vividos por ele, no interior das salas de redação, onde "sumiam" originais; onde o copidesque de um texto era outro texto, com outra idéia; onde a informação, dependendo da fonte, do momento, do humor, do clima, era sabiamente dosada em conta gotas ou mesmo sumariamente alterada – mas sempre no sentido do "bem comum", é claro. "Jornalista é um sujeito coberto de vaselina, meu chapa" – outra coisa que ele me disse e que, por ter sido um sujeito bom de papo, a gente não esquece.

O ilustrador, sujeito bom de papo e grande bebedor de uísque Guga Schultze* escreve sobre a experiência em publicar em jornais e outras atividades ilícitas.


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* "Chama o Sílvio". Sim, esta é uma Maldita Piada Interna (MPI).

julho 24, 2007

Marcha, soldado cabeça de papel

Cantarole com este ExuCaveiraCover a musiquinha que encima este post. Inevitável fazê-lo após ler o artigo que Ana Maria Brambilla escreveu para Jornalistas da Web a respeito da “barriga” que UOL tomou após publicar fotomontagem – recebida em um sistema de conteúdo colaborativo – sobre o desastre com o airbus da TAM. Este caso, para desgosto dos detratores do Jornalismo Colaborativo, não abalou esta prática webjornalística, tampouco colocou-a em xeque ou iniciou/estimulou um processo de crise. Serviu sim, ao menos, para realmente clarificar dois importantíssimos pontos: 1) o que os portais têm praticado não é Jornalismo Colaborativo e 2) definitivamente, os webjornalistas – se assim quiserem ser considerados – precisam deixar de pensar com “cabeça de papel”. O que Ana Maria Brambilla* escreveu estimulou-me a defender meu ponto de vista a respeito destas e outras questões sobre Jornalismo Colaborativo, tema que pesquiso há um ano e meio. A idéia inicial era escrever um artigo inteiro, formatadinho, todo enquadradinho. Mas chutei pro alto**. Passei a destacar alguns trechos do artigo e comentá-los.Vamos numa espécie de brainstorm em ping-pong. Siga a bolinha.

É preciso que haja o olhar do jornalista antes de um conteúdo ser veiculado. Olhar esse que consiste em checagem de informações e edição. É simples! São duas funções que qualquer jornalista deve - ou deveria - saber desempenhar. Principalmente quando se trata de UGC (user generated content ou, no português, conteúdo gerado pelo usuário). Esses dois processos justificam a importância e a necessidade do profissional no jornalismo colaborativo. E foram esses dois processos que, claramente, foram negligenciados pela redação nesta trapalhada do UOL.


Coloquemos as cartas na mesa, correndo o risco de soar óbvio e repetitivo – mas a repetição, por vezes, me parece necessária***. Operar em um sistema colaborativo não significa automaticamente trabalhar em um modelo webjornalístico colaborativo. Uma vez que um webjornalista, em um sistema colaborativo, não leva em conta as especificidades da comunicação interpessoal, não mantém ou estimula conversação entre as pessoas que estão produzindo material informativo, não compreende que opera, em seu cotidiano profissional, em um espaço relacional, então não está seguindo alguns pressupostos básicos do Jornalismo Colaborativo. Eis aqui algo que deveria, a esta altura, ser de fácil compreensão: estes pressupostos reconfiguram o modo de apurar, organizar, produzir e publicar informação; não tornam estes pontos desnecessários ou relegados a segundo plano neste processo.

O fato de que um portal – que é o caso que estamos abordando aqui, espertinhos ! – solicita à audiência que envie textos, fotos e/ou vídeos sobre determinado assunto em pauta não configura prática intrínseca do Jornalismo Colaborativo. Sendo mais condescendente: ao menos, não deveria configurar. Voltando ao normal: tentar atrelar o Jornalismo Colaborativo a um simples “envie que será publicado – toma uns tapinhas nas costas, quando muito” parece reduzir a potencialidade desta prática informacional, castrar seu alcance, depauperar sua importância no campo da Comunicação Social. Ou então, atesta um desconhecimento de suas nuances, ocasionando assim um modus operandi perigoso, porque equivocado no trato de apuração, produção e publicação de material. Temos então, um cenário reducionista que precisa ser confrontado. Às armas, pois !

Quando falamos em Jornalismo Colaborativo, é preciso compreender que há um trabalho em conjunto entre jornalistas e audiência a ser feito para viabilizar sua prática. Ora, colaboração não pressupõe parceria ? A colaboração, nesta prática jornalística, pode e deve alcançar várias etapas de uma produção informacional. Um trabalho de co-organização, onde o webjornalista não mais se encaixa no papel de gatekeeper, devendo compreender que sua função pode ser sintetizada como a de cartógrafo da informação – conceito que defendo em minha pesquisa. Tentando simplificar: o cartógrafo da informação é o profissional que deve, basicamente, além de selecionar, enquadrar e personalizar notícias, portar-se como um elemento de ligação entre comunidades ou agentes conversacionais.

Desculpe o ar professoral que este parágrafo vai assumir – creia-me: é passageiro. Imagino que seja momento de explicar um tanto mais o que significam esses três verbos que listei ali em cima e que devem ser utilizados de forma complementar. O conceito de seleção associa-se à análise do armazenamento do conteúdo, aos sistemas de buscas e ao trabalho de rankeamento – uma ferramenta utilíssima em sites colaborativos. O enquadramento – um possível “substituto” para o conceito de hierarquização de informações em mídias massivas – diz respeito à definição de pautas e valores-notícia de acordo com as preferências da comunidade participante de sistemas colaborativos. A personalização possibilita que as informações – ou aspecto gráfico de um site – sejam recombinadas de diversas maneiras – neste quesito encontram-se, por exemplo, agregadores de conteúdo como RSS e até mesmo a utilização de sistemas em mashup. Tais verbos são eficazes em demonstrar a seguinte premissa: a voz do jornalista colaborativo não pode ser única.

E falando nisso ...

Pensar papel é manter como norte a arrogância do jornalista como dono absoluto do poder de fala. É não reconhecer no público o potencial de melhorar o nível de jornalismo, seja enviando conteúdos de qualidade, seja aguçando a capacidade do jornalista gerenciar um espaço editorial. É ver o cidadão repórter como concorrente, não como aliado.

Reitero as duas facetas básicas do webjornalista que atua em sistemas colaborativos: organizador de sentido e significado, além de agente interacional junto a outros participantes do processo comunicacional. Para que possa cumprir a contento estes dois pontos, é preciso saber atuar em relação às estratégias cognitivas de publicação, às competências discursivas, aos processos de co-enunciação, aos elementos de organização de significados, às atividades em espaços relacionais e compreender como se dá a configuração do que podemos chamar de espaço público relacional. Ufa! Calminha aí que não vamos ficar muito tempo no modo professoral. Estas categorias de análise apontam, em linhas gerais, que o webjornalista colaborativo deve utilizar práticas discursivas que incentivem/estimulem a participação da audiência, sempre em um trabalho de co-gerenciamento, de participação – o que implica em respeitar a natureza da comunicação digital.

Como cartógrafo da informação, o webjornalista precisa ser mais do que um “organizador” de caminhos, de conteúdos. Em termos de Jornalismo Colaborativo, podemos encarar este conceito como uma espécie de “atualização” – valha o termo – do jornalista. Sabemos**** que a prática jornalística é um “ofício de fronteira” e esta “fronteira” consiste, na verdade, em uma anexação de outras atividades ligadas a novos meios de comunicação. E quando falo em anexação, também estou falando em constituição de redes, de um “pensamento em rede”. Este é o território em que nós, webjornalistas, pisamos. Essa é a nossa geografia a lidar.

Longe de mim achar correta a atitude deste cidadão-repórter-zombeteiro. Mas, infelizmente, espíritos de porcos estão por toda a parte. E no ciberespaço também. Quero dizer, com isso, que não apenas noticiários colaborativos online estão suscetíveis a receber informações falsas.

Em listas de discussão, foram lembradas as pegadinhas que o Cocadaboa costuma fazer com os “jornalistas patos”, questionando assim o porque de tanto auê por conta da “barriga” que UOL tomou, uma vez que sempre haverá quem caia numa dessas. Tais considerações pareceram conformistas e isso me preocupa bastante – porque foram considerações de jornalistas que podem vir a julgar este um fato normal simplesmente “porque é corriqueiro”. Nestas mesmas listas, li que iniciativas como esta da UOL deveriam ser elogiadas porque a empresa aceitou correr o risco de lidar com Jornalismo Colaborativo. Então o jornalismo pode ser reduzido a tentativa e erro ? O Jornalismo Colaborativo é algo que deve ser experimentado pelos jornalões como um “projeto de risco” ? Então é guerra ?

Não percam os próximos capítulos deste raciocínio em desenvolvimento.


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* Ela é uma das duas pessoas nascidas no Rio Grande do Sul que eu respeito. A outra é Tiago Casagrande, capo deste condomínio de blogs; perceba que há realmente um motivo para tê-lo em alta conta.
** Normal ...
*** Mas a repetição, por vezes, me parece necessária.
**** Sabemos ? Mas o jornalismo não morreu ?

julho 18, 2007

Acompanhem

Não pretendia falar algo - pelo menos, não no momento - sobre a queda do airbus da TAM. Mas não posso deixar de destacar as análises que Daniela Bertochi está realizando a respeito da cobertura midiática e o infográfico feito por José Antonio Meira da Rocha.

julho 17, 2007

Engulam isto ! E isto ! E mais isto !

Confesso que nunca tive saco pra Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) - desde a primeira edição. Nunca fui e não tenho a menor vontade de ir - tenho dois outros eventos mais importantes para estar presente em julho. Tenho que dizer que afetação demais enche minha paciência. Mas sou jornalista e escritor - dizem que tem cura, sei lá -; para não me isentar totalmente, acompanho cousa ou outra. E agora me vejo concordando com o que Júlio Daio Borges escreveu, a respeito da necessidade de se "encontrar" um outro formato para o festival.

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Para não dizer que estou implicando com a Flip: eis aqui uma entrevista com Pedro Markun, diretor do Jornal de Debates, a respeito da cobertura móvel realizada no festival.

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Costumo assinar embaixo de tudo que Ana Maria Brambilla escreve. Continuo fazendo isso. Leiam isso aqui e entendam os motivos.


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Eu cuspo em vocês.

julho 6, 2007

Similia Similibus Curantur

Jesus built my hot rod - Ministry

Nitrato de speed racer me alimenta: go. A placa do bólido para colisão leva a assinatura de Peirce. Acabo de iniciar sessão. Karma quebra-queixos. Sou a anti-ajuda, mas ainda assim. Te abençôo. Jesus built my hot rod. Me chamo God 1313: kreator-reator em ascensão bulímica. Santo agora. Beatficado ? Engato desdém e cerro os dentes e piso no acelerador. Go. Sapatos bicolores e marcapasso. Personalidade magnética ? No maxilar, dois parafusos. Milagres dependem da verba. Me chamo God 1313: ouro, incenso e mirra nos pneus. Nos alto-falantes. Coltrane. Depois Pascoal. Go. Arrume suas malas, persona non-stop-motion. A insatisfação gera o comer pelas beiradas. O enxotar de preguiças. O upload de neuroses. Soy God 1313, muchacha: tratado de tordesilhas v8, roto-rootter de liquefação. Go. O tempo, sendo ilusão, é infinitamente maleável. É o que me confidencia, rouco de fumaça, Ichabod Crane. A cabeça pendendo para dentro do motor. Combustível. Fosfato a queimar. Dependurada entre as orelhas a idéia: observe o vão entre o vagão e a plataforma.

julho 1, 2007

De omni re scibili

Mack the Knife performed by Nick Cave in September songs: a tribute to Kurt Weill

Antes da Hora da Ave-Maria, Déontos deitou o cadáver de Devo, a mais querida do putal, na pedra branca-amarelada do morgue – assim mesmo por ele referido, sem piadas, comprovando que havia realmente abandonado toda sua tendência patológica para gracejos. Logo que foi deixado no aparador post-mortem, o cadáver da branquela passou a ser secado pelos olhos de exu circunspecto do legista Danario, capataz de exutórios desse arrazoado do qual eu, Ector, dou fé e ciência – desbanque-se, calhorda! eu sou o motor aqui; as engrenagens funcionam tão somente sob minha ex vi legis. Foi diante destes olhos míopes de pré-coveiro que se operou transubstanciação de santa sangre. Como se dotado da capacidade que têm certos animais de mudar de pele, o cadáver amarfinado de Devo ebanizou-se. A pecaminosa é exuviável, cuspiu Danario. Em pensamento. Ciente, por antecipação, desta transformação de semelhança, Déontos lanhava as costas com um chicote de tiras, como se sangrasse seringueiras, recordando práticas da época em que se trancafiou em um mosteiro lisboeta. É bom observar: a autoflagelação ocorria do lado de fora do morgue – ao menos, esta integridade deve ser mantida. Eu, Ector, a essa altura, já me comportava como figura psicobiográfica – você já se deu conta de que esse bafafá de babuíno nunca se enquadraria num esquema de pane lucrando, animal seboso ? Varei a madrugada junto com o bater de pernas da notícia, observando o reforço nas talagadas de lasca-peito, ocasionada mais pela proibição de Danario do que pelo esfriamento de Devo. Cambonada pela saia de Habena, irmã de Déontos, as ordens do legista determinavam a constatação da frieza da pedra branca-amarelada para quem se aproximasse do morgue enquanto não fossem encontradas respostas através do exame das vísceras. Quieto estava, quieto fiquei: eu, Ector, estava ciente de que não havia ninguém para aplacar a minha dor – aplacar a sua dor ? e quem você pensa que é, mondrongo do cão ? eu cansei disso. assuma o seu lugar! submeta-se ao seu papel! Como se fosse movido por um ancinho de arrastar estrume, não resisti à vontade de olhar por cima dos ombros de Danario. Fé cega estalando de novo nas minhas costelas de padroeiro, apesar de todo Invisível que vaga no mundo. Conhecimento é dor: essa foi minha danação.

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