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Eles vão longe - ainda mais se tiverem dinheiro pro táxi

"De acordo com uma pesquisa realizada pelo jornal colombiano El Tiempo, a maioria dos veículos tradicionais teme o ´jornalismo cidadão´ e a participação dos usuários da Internet em suas empresas. O que o senhor acha disso?

Isso pode ter sido verdade alguns anos atrás, mas acredito que agora a maioria dos grandes grupos de mídia está tentando abarcar e incluir aspectos do jornalismo cidadão e do conteúdo gerado pelo usuário. A BBC está muita ativa nesta área e, recentemente, nos Estados Unidos, o USA Today lançou uma nova homepage que é mais ou menos organizada segundo os gostos e a preferência dos usuários. O Washington Post tem comentários dos usuários na maioria de suas histórias. Mas temos que estar certos de que quando usamos a contribuição de nossos leitores, ela vai, de alguma forma, acrescentar valor ao nosso jornalismo. E temos que assegurar a manutenção da exatidão, assim como a nossa credibilidade."


A prospecção valorativa - mas você é chato, hein, Rocha ? - é de Michael Rogers, o futurist-in-residence do Grupo de Pesquisa e Desenvolvimento do New York Times Company em entrevista para o site-laboratório Ponto Eletrônico. O que eu quero mostrar com isso é algo que vocês nem de longe se perguntam - seja nesse momento ou em qualquer outro. E não, não é nada - diretamente - ligado ao tio Rogers aí de cima, como vocês poderiam calcular. Não se antecipem. Sigam a bolinha.

A produção textual deste site está a cargo dos alunos do 7º período de Jornalismo da Universidade Fumec, onde dou aulas de Jornalismo Digital I e II. O grupo responsável por esta entrevista - Larissa Soares, Felipe Torres, Amanda Vidigal, Rafael Barbosa e Daniel Denisson - tem chamado a minha atenção pelas pautas escolhidas e pelo tratamento jornalístico demonstrado. O que eu poderia falar de uma matéria com o título "O jornalismo (ainda) não morreu", uma anunciada provocação com o autor deste blog ? E como não se envolver com a produção e publicação de "Libertem Kareen !", que utilizou à risca, em sua elaboração, a idéia sempre oportuna da Internet com fonte de produção e escoamento de informação ?

Este blog não é chegado a fazer elogios públicos. E este não é um post encomiástico - avisei para vocês não se anteciparem.Trata-se apenas de mostrar, em um blog cujo imprimatur sempiterno é "o jornalismo morreu !", a disposição dessa moçada em rebater provocações com apuro - o que deveria ser uma das funções essenciais de qualquer jornalista. Eis aí o fato.


[em tempo: aproveito o post para parabenizar peremptoriamente pedro penido e fernanda abras. os dois apresentaram o artigo "de gatekeeper a cartógrafo da informação: reconfiguração do papel do jornalista na web" na intercom regional sudeste. o artigo sintetiza a monografia defendida pela dupla no semestre passado. tive o prazer e a espinhosa tarefa - tudo ao mesmo tempo agora - de orientar este trabalho.]

Comments (4)

Jorge Rocha:

tadeu, nao olhe agora, mas há um bando de zumbis se aproximando. lembre-se as lições de pai mei: mire sempre na cabeça, desmembre o corpo.


gabriela, o problema nao é mesmo o leitor. o problema está nos jornalistas - jurássicos e/ou que tentam desvirtuar o jornalismo colaborativo. seja desmerecendo-o, seja deturpando a idéia de colaboraçao e participaçao.

fernanda, este ainda é um blog de malditas piadas internas.

O jornalismo morreu, a literatura morreu, Deus morreu, Marx morreu, eu mesmo não ando me sentindo muito bem e a prefeitura até o momento não abriu concurso público para vagas de coveiro.

O problema não é dar espaço para o leitor. O problema é quando o leitor é protagonista: escreve a matéria toda e ainda dispensa o papel do jornalista.
A entrevista é de fato muito interessante :)
Parabéns pelos alunos-prodígio.

E bem-vindo à Verbeat :)

Fernanda Abras:

Acho que ninguém, além de mim e do Pedro, entendeu o título... rs
By the way, o prazer de termos sido [des]orientados por vossa excelência é todo nosso. Ainda mais quando chegamos - pela primeira vez - a um congresso como esses e percebemos a superioridade do nosso trabalho em relação aos demais. Acho que já fomos longe, mesmo com o dinheiro do táxi contadinho. Hehehehe!

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