Main | junho 2007 »

maio 2007 Archives

maio 30, 2007

III Seminário sobre Convergência Digital e Cibercultura

Entre os dias 11, 12 e 13 de junho, o projeto de extensão Seminários sobre Convergência Digital e Cibercultura - coordenado por este que vos digita - irá realizar sua terceira edição. A idéia central do evento é colocar a tal da convergência digital contra a parede - sem chamá-la de lagartixa -, espremê-la como um limão e ver o que realmente se pensa e produz a respeito disso. Para enfrentar este bom combate - ando meio apostólico esses dias -, convocamos uns players para comparecer ao Auditório Phoenix, no prédio da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Fumec, para dar seus testemunhos de fé, sempre a partir das 9:20. Importante ainda dizer que o evento é 0800 e qualquer pessoa - ô termo - pode assistir.

A inscrição pode ser feita aqui.

Programe-se:

Dia 11

Programas geográficos e tridimensionais aplicados em webjornalismo
José Antonio Meira da Rocha

Webjornalismo em portais
Joana Ziller

Dia 12

Visualidade, animação e o jogo da poesia em ambientes digitais
Rogério Barbosa

Semiose webjornalística
Geane Alzamora

Dia 13

Tudo pode ser mídia
Gilberto Pavoni Jr.

Software livre e a extinção dos dinossauros
Frederico Goncalves Guimaraes


Quem é quem:

Joana Ziller
Professora universitária, mestre em Ciência da Informação pela UFMG com a pesquisa "Qualidade de Informação em Webjornais: a demanda e a tradução intersemiótica". Em curso na mesma instituição, seu doutorado é uma continuidade dessa pesquisa.

José Antonio Meira da Rocha
Jornalista, professor de Jornalismo Online e Planejamento Gráfico e pesquisador de mídias digitais. Já lecionou nos cursos de Comunicação da Unisinos (São Leopoldo, RS), Univates (Lajeado, RS), Uniritter (Porto Alegre), UCS (Caxias do Sul, RS). Atualmente leciona em cursos online pelo site Aulas.pro.br, além de editar seu próprio veículo online em meiradarocha.jor.br . É especialista em Informática na Educação e mestre em Mídias pela Unisinos.

Rogério Barbosa
Graduado em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (1991), mestrado em Estudos Literários - Literatura Brasileira pela Universidade Federal de Minas Gerais (1997) e doutorado em Estudos Literários - Literatura Comparada pela Universidade Federal de Minas Gerais (2005). Atualmente é professor do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais. Participa de grupo de pesquisa em literatura portuguesa contemporânea na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, estudos de poesia portuguesa contemporânea na UFMG e, no CEFET-MG, pesquisa a relação linguagem e tecnologia a partir da poesia digital e das infopoéticas.

Geane Alzamora
Doutora em Comunicação e Semiótica (PUC SP), com a tese "Comunicação e Cultura na Internet - em busca de outros jornalismos culturais" (Prêmio Freitas Nobre - Intercom, 2006), professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social - Interações Sociais (FCA/PUC Minas) e coordenadora do Grupo de Pesquisa (CNPq/PUC Minas) Comunicação e Redes Hipermidiáticas. Co-organizou a coletânea Cultura em Fluxo - novas mediações em rede (Editora PUC Minas, 2004).

Gilberto Pavoni Jr
Jornalista especializado em negócios digitais, comportamento do consumidor e cibercultura. Formado em Publicidade e Jornalismo, ambos pela FIAM (SP) e com especialização em Economia, Negócios e Marketing. Passou pela bolha das pontocom. Trabalhou no endomarketing de várias grandes empresas. Foi editor-chefe por cinco anos das revistas B2B Magazine (Negócios e economia) e Consumidor Moderno (Marketing, varejo e consumo). Atualmente participa de projetos em mídias digitais inovadoras.
[nota de exucaveiracover: isso ele não escreveu em sua mini-bio, mas eu entrego o serviço: gilberto despacha neste blog é mediador da comunidade orkutiana cibercultura/cyberculture.]

Frederico Goncalves Guimaraes
Biólogo formado pela UFMG em 1994 e trabalha como professor de biologia/ciências desde época. Conheceu o software livre em 1998. Em 2004 começou a trabalhar, na prefeitura de Belo Horizonte, em um projeto de implementação de software livre na rede pública municipal de educação, onde atua na formação de professores e prospecção de novas tecnologias em software livre utilizáveis na educação. Também está envolvido em projetos de tradução, como o Sylpheed-Claws e o Celestia. Coordena o projeto brasileiro de utilização/localização do software educacional GCompris.

maio 26, 2007

Eles vão longe - ainda mais se tiverem dinheiro pro táxi

"De acordo com uma pesquisa realizada pelo jornal colombiano El Tiempo, a maioria dos veículos tradicionais teme o ´jornalismo cidadão´ e a participação dos usuários da Internet em suas empresas. O que o senhor acha disso?

Isso pode ter sido verdade alguns anos atrás, mas acredito que agora a maioria dos grandes grupos de mídia está tentando abarcar e incluir aspectos do jornalismo cidadão e do conteúdo gerado pelo usuário. A BBC está muita ativa nesta área e, recentemente, nos Estados Unidos, o USA Today lançou uma nova homepage que é mais ou menos organizada segundo os gostos e a preferência dos usuários. O Washington Post tem comentários dos usuários na maioria de suas histórias. Mas temos que estar certos de que quando usamos a contribuição de nossos leitores, ela vai, de alguma forma, acrescentar valor ao nosso jornalismo. E temos que assegurar a manutenção da exatidão, assim como a nossa credibilidade."


A prospecção valorativa - mas você é chato, hein, Rocha ? - é de Michael Rogers, o futurist-in-residence do Grupo de Pesquisa e Desenvolvimento do New York Times Company em entrevista para o site-laboratório Ponto Eletrônico. O que eu quero mostrar com isso é algo que vocês nem de longe se perguntam - seja nesse momento ou em qualquer outro. E não, não é nada - diretamente - ligado ao tio Rogers aí de cima, como vocês poderiam calcular. Não se antecipem. Sigam a bolinha.

A produção textual deste site está a cargo dos alunos do 7º período de Jornalismo da Universidade Fumec, onde dou aulas de Jornalismo Digital I e II. O grupo responsável por esta entrevista - Larissa Soares, Felipe Torres, Amanda Vidigal, Rafael Barbosa e Daniel Denisson - tem chamado a minha atenção pelas pautas escolhidas e pelo tratamento jornalístico demonstrado. O que eu poderia falar de uma matéria com o título "O jornalismo (ainda) não morreu", uma anunciada provocação com o autor deste blog ? E como não se envolver com a produção e publicação de "Libertem Kareen !", que utilizou à risca, em sua elaboração, a idéia sempre oportuna da Internet com fonte de produção e escoamento de informação ?

Este blog não é chegado a fazer elogios públicos. E este não é um post encomiástico - avisei para vocês não se anteciparem.Trata-se apenas de mostrar, em um blog cujo imprimatur sempiterno é "o jornalismo morreu !", a disposição dessa moçada em rebater provocações com apuro - o que deveria ser uma das funções essenciais de qualquer jornalista. Eis aí o fato.


[em tempo: aproveito o post para parabenizar peremptoriamente pedro penido e fernanda abras. os dois apresentaram o artigo "de gatekeeper a cartógrafo da informação: reconfiguração do papel do jornalista na web" na intercom regional sudeste. o artigo sintetiza a monografia defendida pela dupla no semestre passado. tive o prazer e a espinhosa tarefa - tudo ao mesmo tempo agora - de orientar este trabalho.]

maio 21, 2007

“E as pessoas ? Estão preparadas para se tornarem usuárias da máquina ?”.

Este intrigante questionamento talvez possa sintetizar toda a preocupação com os caminhos do aprendizado relativo às novas tecnologias de informação e comunicação abordados no livro “Letramento Digital – aspectos sociais e possibilidades pedagógicas”. A coletânea organizada pelas professoras Carla Viana Coscarelli e Ana Elisa Ribeiro tem um objetivo simples e direto: pensar o ensino em um contexto onde a informática reconfigura e modula os papéis informacionais do produtor e do leitor.

Carla Coscarelli e Ana Elisa Ribeiro não se acanham em buscar uma resposta para a pergunta formulada logo acima – afinal, esta é uma seara com qual estão acostumadas a lidar. A primeira autora é professora na Faculdade de Letras da UFMG e vem, há vários anos, desenvolvendo projetos sobre leitura de hipertextos e ensino à distância, além de ministrar cursos relativos ao tema junto ao Centro de Alfabetização e Escrita da UFMG (Ceale) e a outras instituições. Ana Elisa Ribeiro, em 2003, defendeu dissertação de mestrado sobre a leitura de jornais em tela e defenderá, em breve, tese de doutorado sobre o mesmo tema. Ambas as pesquisadoras têm se preocupado em conhecer e explicar as novas posturas do leitor de telas em relação ao leitor dos outros meios e suportes de leitura e escrita.

E para tratar deste assunto, com a devida atenção que merece, as organizadoras reuniram vários pesquisadores que tratam o tema em suas práticas acadêmicas cotidianas. Os onze artigos selecionados para esta publicação – que faz parte da Coleção Linguagem e Educação, uma parceria do Ceale com a editora mineira Autêntica – buscam evidenciar as maneiras com as quais os professores devem repensar a sala de aula e as estratégias de ensino/aprendizagem. Ou, conforme aponta Luiz Antonio Marcuschi, na orelha do livro, melhor avaliar o fato de que “a comunicação digital consegue hoje com mais rapidez aquilo que a escolaridade compulsória vem penosamente tentando há mais de dois mil e quinhentos anos: estimular a comunicação escrita”.

Tal observação pode tomar como ponto de partida o próprio texto de Marcuschi, intitulado “A coerência no hipertexto”. Nele, o autor aponta que a idéia de deslocamento do centro produtor e controlador de sentido, atribuída como uma das mais importantes características percebidas na utilização de hiperlinks em contraponto ao texto impresso – e até mesmo oral – não é de todo nova. Para ele, tal deslocamento modifica o conceito de coerência, uma vez que afeta elementos como centração temática e continuidade de sentido, motivando uma forma diferenciada de interpretá-lo.

Concentrando o foco na escola, Carla Coscarelli, no texto “Alfabetização e letramento digital”, evidencia a importância da informática em relação à educação. Em um texto leve, ela dialoga com os professores, no sentido de enfatizar a importância de uma escolha acertada a respeito da concepção de ensino-aprendizagem que se pretende adotar.

A relação entre novos processamentos de informação e ensino-aprendizagem também é discutida por Cecília Goulart, em “Letramento e novas tecnologias: questões para a prática pedagógica”. Ela concentra suas considerações em dois tópicos: “Letramento: discutindo aspectos da escrita na cultura, na história e na prática pedagógica” e “Novas tecnologias, novos gêneros discursivos: novos e antigos saberes em tensão”. No primeiro, Goulart toma como base os estudos de Mikhail Bakhtin a respeito da linguagem na perspectiva da enunciação e dos usos sociais para lidar com a questão complexa da constituição dos sujeitos. “Nessa perspectiva, sugerimos a noção de letramento como horizonte ético-político para a ação pedagógica nos espaços educacionais”, aponta.

Preocupação semelhante com a entrada e uso dos computadores na sala de aula pode ser percebida também no texto “Alfabetização digital: problematização do conceito e possíveis relações com a pedagogia e com a aprendizagem inicial do sistema de escrita”, de Isabel Cristina Frade. O foco deste texto mantém-se em apontamentos sobre o impacto cultural e cognitivo da utilização das novas tecnologias de informação e comunicação na sala de aula, apoiando-se em autores como Roger Chartier e Pierre Lévy. Para Frade, estes estudos buscam evidenciar a vinculação do uso do computador – principalmente nos processos de alfabetização – com gêneros híbridos de diálogo.

Este processo, segundo a autora, ocasiona uma reconfiguração conceitual e prática, complementando a ação de ensinar/aprender a ler com o sentido de entender ainda “seus modos de circulação e distribuição na sociedade”. Sobre este segundo ponto, Frade recorre ainda aos estudos de Magda Soares, objetivando conhecer e compreender a construção de um processo interativo entre leitor e escritor. Neste ponto, podemos considerar que se estabelece um aprofundamento de questões como instabilidade/estabilidade dos textos na tela, controle de qualidade para publicação e reformulação do conceito de autor.

Ana Elisa Ribeiro concorda em parte com o ponto de vista de Isabel Cristina Frade, mas defende que não é tão difícil trazer este analfabeto digital para a leitura na tela. Com o texto “Ler na tela – letramento e novos suportes de leitura e escrita”, ela parte de uma revisão histórica das práticas de leitura e dos suportes de ler e escrever, tentando desmistificar considerações apocalípticas ou integradas. “Todas as novas formas de ler parecem vilãs de um tempo sem calor, quando, na verdade, são apenas novas possibilidades para algo que já se fazia e já se fez na história das interfaces de leitura, interfaces homem/objeto de leitura”, define a autora.

Neste texto, ela aponta a existência de uma ação recíproca entre leitor e novo suporte de leitura, onde o primeiro se adapta às condições diferenciadas oferecidas pelo segundo e este se refina, durante este processo interativo. Esta ação, que podemos denominar como leitura híbrida, é também marcada pela recombinação, ou seja, pelo fato de que os suportes digitais apresentam características de tecnologias de leituras que os antecederam.

E a soma de experiências arquitetada para esta coletânea não deixa sombra de dúvidas: trata-se, conforme o desejo das organizadoras, de um hipertexto conectado ao aprendizado de caminhos diferenciados de leitura, apontando múltiplas possibilidades de recombinações do conhecimento.

[resenha - aqui editada - feita para a revista presença pedagógica]

About maio 2007

This page contains all entries posted to exu caveira cover in maio 2007. They are listed from oldest to newest.

junho 2007 is the next archive.

Many more can be found on the main index page or by looking through the archives.

Creative Commons License
This weblog is licensed under a Creative Commons License.