quase onze e ainda não acordei. persigo o dia inexistente. vontade de não ter cabelos, pernas, corpos, unhas. dia de não pertencimento. ando achando que morri e tudo que vivo é um grande sonho. vontade de beliscar meu próprio braço como num desenho gigante. sou a branca de neve, a cinderela, todos dos setes anões. a mente ocupada trabalha, e o corpo, este não me responde. sigo deitada na minha cama enquanto o ilusionista digita num teclado de ordens os pedidos do dia. minha cabeça organiza sem mim as células inteiras. eu não resisto. nem insisto. não estou presente hoje no que me refere. longe, em algum lugar que ainda não conheço. longe daqui.
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