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Dessas palavaras que cabem

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não posso escrever. palavras cabem pouco para o que sinto. tudo junto e misturado. uma vontade louca de qualquer coisa que ande. tudo se move. eu que me sinto parada na estação esperando o bonde. é o corpo vazando, querendo, desejante. é uma ansiedade constante que paira em mim, incapaz de reverter esses trilhos. não posso escrever. palavras cabem pouco para as explosões que têm saído da minha boca enquanto meu peito bate. a vida me lateja. grita alto. tenho tido medo de morrer de repente. de infarto. é esse meu coração batendo torto dentro do peito fechando minha garganta impedindo de sair as palavras certas que me cabem pouco. eu me caibo um pouco. ajustada dentro dessa roupa fantasia que eu criei. do corpo que olho e não mais reconheço, estranho a mim mesmo, cuspindo fogo. eu só queria dizer que eu te amo, sou grata e eternamente carente. que se você sair por aquela porta, de repente, eu vou chorar uns dias, não dormir uns meses, te lembrar pra sempre. que a angustia dos seus me apavora mais do que aparento e tenho um tanto de medo de ficar adulta, sem graça, pesada, emaranhada em fios. que eu ainda não sei morrer e carrego um redemoinho de pensamentos escondidos atrás da orelha soprando em minhas pernas. sou frágil e aparento força porque em algum lugar tenho ossos de aço e só preciso de carinho. que resolvi querer resolver minha vida desde dos 30 anos e quanto mais corro, mas ela me persegue. que meu sonho é passear em paris, ter um filho e conhecer meus netos.

Vagando pertencimento

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todo dia busco um pouquinho mais de silêncio. barulhinho bom. silêncio. essa palavra que escapa e sai correndo hoje não quero mais deixar vazar. fui mal interpretada. derrubei todo o pó de café no chão. sinto muita culpa sem porquê. a verdade é que eu já me aponto demais pra que você venha me mostrar os erros. também tenho medo. não carregue pra mim as suas decisões. ora bolas, vocês são adultos. eu sou apenas um ente ainda vagando pertencimento.

Controle

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melhor. menos ansiedade e pensamento capaz de ver outras coisas além de mim. passei semana passada toda em volta do meu umbigo, querendo olhar pra dentro. inútil. já disse que não é. ainda. não é e pronto. sossega, mulher. acalma essa vontade de mudança. segue. deixa o vento se configurar sozinho e abraça a surpresa. abrir mão do controle. sempre ele. o aprendizado maior: eu preciso abrir mão do controle.
quase onze e ainda não acordei. persigo o dia inexistente. vontade de não ter cabelos, pernas, corpos, unhas. dia de não pertencimento. ando achando que morri e tudo que vivo é um grande sonho. vontade de beliscar meu próprio braço como num desenho gigante. sou a branca de neve, a cinderela, todos dos setes anões. a mente ocupada trabalha, e o corpo, este não me responde. sigo deitada na minha cama enquanto o ilusionista digita num teclado de ordens os pedidos do dia. minha cabeça organiza sem mim as células inteiras. eu não resisto. nem insisto. não estou presente hoje no que me refere. longe, em algum lugar que ainda não conheço. longe daqui.

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