quando criança. minha boca fala coisas que nem sei de onde vem. cabeça que pensa demais. tem dias que não reconheço meu corpo. minha cabeça olha meus pés e acha que aquele pedaço longe não lhe pertence. sou intensa demais. nesse rádio relógio falante sem controle o dia inteiro. a língua corre solta, sozinha, descontrolada em volta de si mesma. um dia vou me dar um nó e acabar em um hospício enrolada no fio dos meus pensamentos. desejo ânsia de morrer louca vazando sem contorno pelas paredes. minha voz transcorre como passatempo e estranho o que ela diz. não tenho medos de palavras. e sou capaz de empenhar uma arma cruel sem travas.
estou cansada das consequências desse rádio que não pára.
quero trocar de estação, diminuir o volume, silenciar o silêncio.
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