agosto 2008 Archives

Dorothy

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to dormindo demais. acho que quero acordar amanhã, daqui alguns muitos dias. caí na cilada de mim mesma e não consigo sair. não quero mais fazer nada daquilo que sei. mas me acho inadequada para tudo de novo. nem escrever sei mais. e sigo aqui, amarrando as linhas, vivendo a mediocridade do meu dia a dia, dormindo, até chegar amanhã, no pote de ouro no final do arco íris.

A Maior idade

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depois de um amor chato, veio a chamada nova geração sem nada de novo pra falar. textos fracos. e eu me pergunto como que bereteando não ganha dinheiro? porque ele tinha muito mais brilho pra lustrar o palco. palmas para tá doido, segunda apresentação de luxo que assisto. mais música. um gordinho sissi que ainda tem muito feijão pra comer com uma banda boa... mas o cantor meio melamed demais pro meu gosto. é querido, não foi bom pra mim. a diversão ficou por conta do final velha guarda e do sorriso aberto do mais maluco e querido de todos. aquele que acredita na arte. pena que naquele dia, ela faltou. toca raul!

Perdão

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comecei a inventar minhas próprias regras, mas tenho medo que descubram. é que no fundo não sei se estou certa. em algum lugar, acho justo satisfazer minhas vontades. a vida é curta. por outro lado, me sinto passando a perna nos outros, malandra, sem vergonha. é que andam passando a perna em mim. no lugar de dois fica um e esse um tem que dar conta e ainda lidar com dois doidos pra te derrubar. a cama fica enorme e a vontade de pular pro futuro gigante. mas em algum lugar meu lado caxias acha tudo isso um absurdo. não tenho respostas. que eu me permita e volte a ser o que era. força e paciência. inté.

Nome Próprio

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por 15 segundos, quis parar de escrever. me odiei pela falta de originalidade em empregar palavras na campanha por um nome próprio no mundo do espetáculo. achei sem graça ter um blog por aí, como todo mundo, e sonhar em escrever um livro. taí, esse não é meu sonho. escrevo porque minha mão o faz desde sempre que o corpo parece que vai estourar. muito antes de escrever ser moda. não quero fazer parte da "inteligência" do país, nem ser imortalizada pela minha obra, nem produzir nada que diga algo a alguém. meu texto é um vômito, um suspiro, um escarro, um alento. é o catarro verde que você coloca pra fora antes de entupir e ter que operar de sinusite, com as vias todas congestionadas. mesmo o que é doce e feliz no texto, é minha vazão do tesão atacando as artérias e sugando as mitocôndrias. não tô aqui pra que você goste de mim. e sim pra que eu me aceite. amém.

Eu engoli um rádio

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quando criança. minha boca fala coisas que nem sei de onde vem. cabeça que pensa demais. tem dias que não reconheço meu corpo. minha cabeça olha meus pés e acha que aquele pedaço longe não lhe pertence. sou intensa demais. nesse rádio relógio falante sem controle o dia inteiro. a língua corre solta, sozinha, descontrolada em volta de si mesma. um dia vou me dar um nó e acabar em um hospício enrolada no fio dos meus pensamentos. desejo ânsia de morrer louca vazando sem contorno pelas paredes. minha voz transcorre como passatempo e estranho o que ela diz. não tenho medos de palavras. e sou capaz de empenhar uma arma cruel sem travas.

estou cansada das consequências desse rádio que não pára.

quero trocar de estação, diminuir o volume, silenciar o silêncio.

 

 

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