abri os olhos para a minha vida dourada. foi iemanjá quem me disse pra ser menos organizada, seguir flauteando. desde domingo dei adeus a rotina e sigo leve, carregada do peso de quem não deve nada a niguém. tão leve que quase culpada, quase com medo, em algum lugar, em pânico. a gente é tão acostumado a carregar o mundo nas costas...que quando ele escorrega um minutinho...parece que vai cair junto. e sufocar. porque a leveza é altamente inebriante. e as vezes dá vontade de largar tudo e ir viver pro santo. eu seria buda, crente, espirita; se assim o fosse permitido. mas a cabeça que veio nesse corpo pesa demais. e hoje eu quero o peso da leveza. o pavor do andar descalça com toda a sola do pé pisando o chão. os dedos conquistando cada espaço do terreno frio quente. apoderando-se. entronada. rainha no seu próprio solo. feliz demais. agradecida. quase apavorada.
quem tem muito. e se apega. teme perder.
que eu saiba morrer com gosto,
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