junho 2008 Archives
ele disse que você é louco por mim. acho estranho. te amo tanto que chego a ficar enjoada, ter repulsa, vontade de te arremessar longe, perdido de ti.
é que esse amor me levou e as vezes acho que me perdi. eu gosto demais de ser pra você. imensamente quando tá frio. cadê vontade de sair pra encontrar qualquer um? só quero teu corpo esquentando o meu debaixo dessas cobertas.
medo ridículo de ficar isolada e deixar de ser sexy. mulher tem essa coisa do olhar do outro. e eu gosto sim quando me reparam na rua. naquele dia no bar, quando fui ao banheiro, levei uma pseudo cantada. é me saber viva que eu preciso, pra não derreter de te amar demais.
talvez seja esse cenário "somos pais" se aproximando nos seus olhos a cada dia. sim, eu quero ter filhos. mas ainda me assusto ao me ver mãe, tão rápido, nos seus olhos.
três dias sem ver as próprias pernas. que saudade dos pés descalços pisando o chão e o corpo livre. que saudade de você. da sua mão passando em mim, enquanto eu passo. do tirar, tirar, tirar até juntar de novo. de ficar horas ali perdida no umbigo do quarto. da sala. da parede estendida até o chão, enquanto eu passo. que saudade de você. do nosso riso perdido ecoando morto pelo edredom amassado de ti. lamber, beijar, casar, de novo. vontade de ouvir seu cheiro de luz acesa. ficar sua no sofá da sala. apagar de tudo, enquanto passa.
abri os olhos para a minha vida dourada. foi iemanjá quem me disse pra ser menos organizada, seguir flauteando. desde domingo dei adeus a rotina e sigo leve, carregada do peso de quem não deve nada a niguém. tão leve que quase culpada, quase com medo, em algum lugar, em pânico. a gente é tão acostumado a carregar o mundo nas costas...que quando ele escorrega um minutinho...parece que vai cair junto. e sufocar. porque a leveza é altamente inebriante. e as vezes dá vontade de largar tudo e ir viver pro santo. eu seria buda, crente, espirita; se assim o fosse permitido. mas a cabeça que veio nesse corpo pesa demais. e hoje eu quero o peso da leveza. o pavor do andar descalça com toda a sola do pé pisando o chão. os dedos conquistando cada espaço do terreno frio quente. apoderando-se. entronada. rainha no seu próprio solo. feliz demais. agradecida. quase apavorada.
quem tem muito. e se apega. teme perder.
que eu saiba morrer com gosto,
no dia dos namorados, o acaso resolveu me colocar de volta ao lugar onde tudo começou. mais do que isso, a esse frio na barriga que não passa e ao mau estar dentro daquela gaiola. foi por você que encarei o medo do tempo de frente. é, talvez de lado. mas a gente faz o que pode. e hoje vamos de novo para esse meu medo juntos, de mãos dadas. aliás, acho que tem sido sempre assim. encontrei o braço que eu procurava. :)
"sex and the city" é um filme extremamente feminino e para mulheres. bolsas, sapatos, vestidos de noiva, jóias, acessórios, homens sem roupa... um grande parque de diversões para meninas adultas.
talvez por isso, apesar de vários momentos divertidos, eu tenha saído do cinema com a sensação de que as meninas do seriado ficaram mais velhas. e burras.
as quatro amigas giram em torno do mundo fashion e masculino. não existem conflitos de trabalho, carreira, como criar os filhos, questionamentos existenciais. o que importa é quantas vezes por semana se faz sexo, depois de casada. e nem isso parece ser levado a sério. o filme é por demais superficial. e o seriado era tão bom, mas tão bom, que sem dúvida o filme merecia um roteiro melhor.
acho que eu esperava um filme de mulheres "modernas" adultas falando de questões maduras. e vi mulheres de cabeça muito antiquada vestindo roupas da moda. ter dúvida se perdoa o marido por uma traição é tão "démodé" quanto uma alma libertina que não consegue levar uma vida dupla. e a tristeza de assistir um casamento onde só a noiva existe? gente, não tem coisa mais antiga do que isso... senti falta do retrato de conflitos das novas relações. a dificuldade da rotina do dia-a-dia de um casal que se ama, mas atravessa problemas por conta de carreira, dinheiro, filhos, crenças ou hábitos.
"love and the city" que me perdoe. mas era muito mais divertido quando elas davam pra geral.
sonhei com as minhas andreas sabado e domingo. uma tinha ressuscitado e ajudava cadeirantes, num vestido preto colado, com botas altas e jaleco branco. a outra, também viva, comia. meu pai carregava uma menina no colo.
no dia seguinte, pela segunda vez, dormia numa cama que não era a que eu queria. uma cama no chão, sobra do resto da familia já ocupada. e vinha você, me arrastando o corpo, me abraçando. eu ouvi a palavra carinho. e senti nossa energia se misturando...até entrar em pânico. queria acordar. sair dali. bati a cabeça várias vezes com violência. joguei aquele corpo de um lado pro outro. tentei dormir. dominar aquela angústia do sono que não se acorda. fechei o olho no sonho. e vi você morta com a sua camisola e os cabelos brancos suados na cama. acordei molhada.
minhas meninas vieram me visitar esse final de semana. e eu não soube recebê-las.
maldisse minha vida bendita. te odiei pela sua falta de surpresas e romantismo. dormi irritada sem enconstar na tua pele. adentrei esse local errante pra ouvir critica sem merecimento. maldisse minha vida bendita. por não ter dinheiro pra viajar de cruzeiro e morar numa cobertura. a cada economia não feita pra uma viagem promessa que adia meus filhos. enquanto respiro esse ar e me pergunto de onde virá a mudança. maldisse minha vida bendita. ao te ver cansado e doente num espelho torto. são minhas faces que estão retorcidas. cheias desse hormônio que me entorpece o sangue, me dói a cabeça, me coça. maldisse minha vida bendita. e sou eu a mais maldita de todas por não enxergar o quão passageiro é tudo isso. vou me recolher aos meus múrmurios. namastê.