meu vazio de você é hoje ausência que acompanha. se sua presença só não é mais forte porque meu corpo ainda anseia pelo seu toque, cheiro, barulho. eu sinto falta de todos os seus sons. até do borbulho da bolsinha que você odiava. e teria de volta tudo de novo, se assim o pudesse. ausência preenche. não totalmente porque hoje queria tanto de dar um abraço e te dizer eu te amo. fazer nada. chegar na sua casa pra assistir tv com você. ou escutar "fala" ao atender uma ligação. você sabe que eu te amo. tanto quanto pra mais do que antes. e nem me importa onde você mora agora. ou o que você se tornou. com quem você caminha. e aqueles te receberam, que eu também amo. meu vazio de você é hoje ausência que acompanha. feliz aniversário!!!
maio 2008 Archives
meu marido não lê meu blog.
pronto, eu disse.
ele não lê = não tem tempo = não acha importante = não tenho importância = ego
é, eu disse.
também não sei o que ele ia encontrar aqui.
nem que merda de ego inflado que eu tenho doida por atenção.
mas eu disse. melhor que terapia.
meu marido ignora, simplesmente, o lado oculto dessas letras.
e é ridiculo. mas dói.
meus homens nunca pagaram a conta. mentira, alguns pagaram sim. mas eu os achava extremamente chatos. ainda assim, volto e meia, me pego pensando o quão maravilhoso deve ser sair pra jantar como convidada. mulheres que não colocam a mão na carteira nunca, homens motoristas, viagens e jóias de presente. nunca tive. além do meu pai. só ele até hoje me deu jóias, viagens e jantares de presente. e idéias machistas de que homens devem sustentar mulheres. apesar da insistência pra que eu tivesse personalidade (que hoje vejo como um bom argumento, de pai, pra que eu não fumasse maconha). e a criação voraz de uma mulher independente. comprei e levei meu primeiro carro ao mecânico, briguei pra andar de elevador e ir ao cinema sozinha, fui morar fora de casa. mas também tenho minha parte. aos dois anos fiquei dias sem falar com meu pai por causa de uma briga, fui a única a dar um presente diferente na escola quando nem sabia ler, troquei minha chupeta por um sapato de salto. vai ver que é por isso que eu escolho homens que não pagam minha conta. e em algum lugar romântico repleto de conceitos da sociedade ocidental, eu me resinto. ridiculamente fracassada ou menos amada por ser uma fêmea que atrai machos não tão bem sucedidos financeiramente. ou conservadores de menos. mas a fêmea muderna ao lado ri e acha lindo ser diferente. infla o peito num discurso to nem aí pro apego material, sou foda, pago minhas contas e não dependo de nada. só que eu dependo sim. mas não é de dinheiro. fico abalada por gentileza, cuidado, amor ao próximo, respeito, conhecimento. arrasto um bonde por uma cabeça cheia de idéias e tesão de palavra. ah, eu tenho muito tesão de palavra. e por homens que lavam louça, preparam sanduíche no final do dia e dão risada da minha tpm. esses sim valem ouro.
mas não sei porque, as vezes ainda me pego agarrada, na fantasia do homem provedor.
existe paz além da fúria. e foi pra você que hoje eu acordei mulher. sua falta me corta. acorda o bicho que não consegue ser rejeitado. tudo que eu disse foi porque passei quilos de hidratante e você nem viu minha calcinha nova.
mulheres. só pensam em sexo.
cabeça explodindo miolos nesse corpo casado de pensamento. ir além do que preenche essa massa até saturar meus hormônios. levitar acima da dor que parece uma televisão implodida. vazar esses complexos químicos até a morte de mim. ser partícula que acaricia o seu corpo, em contato suave com a pele, silêncio. esquecer desse ego inflado e pairar você. é que eu te amo tanto que nada mais faz sentido ventre. e eu sou mulher bicho. não nego paixão. mesmo quando a vida me espreme em questões. cabeça miolos. corpo casado. de nesse explodindo. pensamento.
e muda a vida. pra sempre. de novo. tanto que se pensar muito. nem faz. nem tem. e é o resultado de dois. bom quando é do amor de dois. quando ainda assim, pode ser diferente.
filho.
a afirmação de que a ordem da vida é o caos. controle nenhum. só a força sem sentido devastando gentilmente. nada mais te pertence ao caber ali. vazia por um corpo pulsante. imagina o vácuo de parir. nove meses escorrendo de você. de repente. assim. foi.
sublime.
ao gerar vida o homem se rende ao que é. ao animal perdido e orientado diante da magnitude. não há entendimento. só o fazer parte. arrebatamento. roleta russa.
não sei quem inventou essa porra de pais e filhos perfeitos, bochechudos e sorridentes de olhos azuis. vejo filhos sem perna, visão, fala, inteligência e eles não estão em um circo. são crianças especiais, excepcionais, anormais, anomalia, diferença, marginal. filhos que os pais aceitam ao ver o sonho quebrado de uma saúde normal.
nimguém me ensinou na escola. e eu vou te amar ainda mais.
modernos também gostam de promessas de amor.
ontem tive vergonha do trabalho. fiquei horas ouvindo um papo mala capitalista sobre padronização, redução de defeitos e não conformidade. uma tal coisa chamada de produtividade. aumento da produção.
e eu lá... entediada.
tem dias que eu simplesmente não quero fazer nada disso. me dá uma vontade louca de sair por aí transgredindo tudo. passando o rodo em geral. sendo eu mesma, fora do padrão, defeituosa e com não conformidades.
mas eu lá... entediada.
acho que eu vou é subir na mesa e gritar bem alto. dar um soco na cara desse bando de machistas machinhos que me cercam, todos com pau pequeno ou ejaculação precoce.
e eu... ah... entediada!
tive que refazer o trabalho dos olhos. e aguentar firme a ressaca pra mandar aquele monte de email que prova minha inteligência. na verdade, ando rindo de quem se acha foda nesse mundinho produtivo. sou super a favor de trabalhar pra comprar sapato. mas daí a achar que isso é a vida...
ai, que coisa entediada.
tanta coisa pra fazer... e eu me apaixonei. nada mais piegas do que aquela que não fica bem sem o homem ao lado. mas foi dessas aí que me tornei. com gosto. sim, como viciado, eu poderia te largar a qualquer momento. não quero. me saber sua demais é contagiante. mesmo quando me pego sentindo sua falta feito um vento penetrante no osso. e as cores, envergonhadas, seguem lentas no meu dia. tudo sem você tem menos graça. e eu sigo assim, mulher atordoada de você.
mesmo quando o dia grita meu nome.