Cem anos

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o desejo não tem data. fato. ouso afirmar que não há ser vivo sem desejo.

desejo, logo existo. já diria meu descartes deleuziano.

e foi assim, no auge do seu um século, e com promessas de um novo começo, que ele mostrou que não existe um tempo onde se fica velho e tudo que te espera é a morte.

lá estava ela, batom vermelho, tão pulsante quanto ele. incansáveis. sem vergonha. no melhor dos sentidos que a essa altura, se não há liberdade, o que será.

e eles estão encantaram-se. tinha tanta libido naquelas mãos, olhares, palavras. o corpo envelhece, mas a alma... essa não desiste nunca.

não sei como é querer ao cem anos de idade. mas sei que ele é possível.

amém.

Lugares

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e de repente eu me vi ali gritando, louca, descontrolada perante a felicidade. foi minha cauda invejosa que passou abanando, babando, lustrando o piso de mármore que eu acho que enfeita a entrada. de te ver ao me ver assim tão triste, dormi o dia todo. vontade de apagar todo aquele circo até cair. vontade. foi disso que morreu o gato.

ando tão cansativamente metafísica.

...

começar. abandonar o que foi dito e partir de novo. clichê como a novela, minha vida é feita de pequenos recomeços. não sou tão importante. o mar entrega tudo do que preciso. e não há. deixa. feliz pela chance. qualquer que seja. ficar triste por muito tempo não é mesmo comigo.

eu sorri. ela parou e piscou de volta. estamos. meu coração enfim liberto festeja as demais presenças. fiz as pazes comigo. a solidão me acompanha.

 

 

 

 

Inteiro

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a gente troca o prazer das sensações de estar aqui pelo sonho de um prazer ainda maior em um futuro que nunca estará aqui. a cada ar que entra pela narina, esse futuro desejante dá um passo pra frente enquanto o presente vira passado. não é sábia a troca de sentir o presente pela navegação no futuro, ou passado, mas é quase automática. poucas vezes estamos inteiros naquele micro segundo de presente. e é só isso que eu preciso agora. estar inteira nos meus micros segundos de presente.

como juntar esse monte de gente vagando pra tudo que é lado?

 

SorteAmorSaúde

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andei tão mulher nos últimos dias, que to cansada de mim. enlouquecida na trilha dos meus pensamentos vagando por aí. meu corpo não absorve mais, ele emana. é tanto tanto dentro de mim condensado que não cabe mais, sufoca, e escorre. não é derramar lento e controlado, prazeroso. é um vazar frouxo, babando, irritante. tudo tão misturado que já nem sei mais se minha cabeça cansou do meu corpo ou se o corpo que se entrega a uma mente enlouquecida e presa no eixo do tempo. é esse correr sem sair do lugar que te mata e te deixa toda babada perguntando quem e onde. não há nem tempo para a culpa, vergonha, arrependimento. não há retorno. nem o ir.

e sim, tudo isso pode ser maravilhoso. assim que eu aprender a andar nesse eixo sem me perguntar para onde e soltar da direção. tirar os papéis e cordas da gaveta, soltar o cabelo, pisar sem sapato e existir por aí.

resistir.

2010 ainda é uma caixa vazia na minha mente. desejo forte de amor, sorte e saúde.

e em algum lugar, a doida está adorando.

 

2010

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para o meu novo ano, desejos simples e poderosos. amor e saúde. que você continue comigo, apaixonados, e que eu continue também, todos com saúde.

desejo o mesmo aos meus amigos. inclusive familia-amigos e amigos-familia.

2010 se aproxima misterioso, depois de um 2009 tão programado e tão diferente. nada do que se sonhou aconteceu. ainda assim, até agora, correu tudo maravilhosamente bem.

 

Multi

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eu, igual a mim mesma, mudei sem sair do lugar. várias vezes. de opinião, de lado, de frente, de costas. absolutamente diferente em micro segundos até cansar.

as emoções, em sombra, andam dançando pela minha pele. paciência para quem me acompanha. menos critica para que eu me aguente.

tenho me olhado demais, multifacetada.

 

Venha

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dei o primeiro passo em direção a você. estou pronta. tudo continua sem ser resolvido, confuso, voando. mas é assim mesmo. e eu entendi. quero que você venha para alegrar nossa casa, tão cheia de vontade dos seus risos pelas paredes. para acalmar meus pesadelos, temores, crises de ansiedade. para nos ver ficando mais velhos a cada dia enquanto você permanece. que você nos escute, fale, ande, olhe e tenha muita saúde. planejei tudo por tanto tempo, que agora só tenho, nesse micro segundo em que escrevo, só tenho um querer gigante de que você venha. não demore. seu lugar já está aqui.

ando com vontade de fazer tudo. mas os pensamentos tem atravessado meus pés. não me sinto caminhando e ando o tempo todo. aqui. parada realmente no meio do caminho, olho no meu olho e me vejo com muito medo da vida, disfarçado de receio da morte. voltei a ter visões violentas nos lugares mais obscuros. acho que alguém vai metralhar o cinema no meio do filme, vejo arrastão no tunel, escuto tiroteio e meu apartamento (e o dos outros) sendo invadido e assaltado. tenho medo de dormir, de acordar, de janela aberta, da vida. meus medos são reais. tudo infelizmente acontece o tempo todo na porta da minha casa, na minha cidade caótica e violenta. penso em ir embora. mas essa possibilidade é remota e confusa. cogito recomeçar a terapia, mas não quero falar de mim pra nimguém.

a solução é desistir do medo da vida e aceitar que parte dela é a morte.

Ele não merece

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porque ele não dá bola enquanto eu entro em pânico dentro do túnel.

porque ele ri se eu me acho feia.

porque ele liga a música pra me fazer dançar.

porque ele me convida a beber se meu olho parece sem brilho.

porque ele finge que não vê enquanto os hormônios cometem suicídio.

porque ele me elogia sem motivo especial.

porque ele se preocupa com pequenos detalhes de vez em quando.

porque ele lembra do que eu gosto e me surpreende.

porque ele senta no sofá enquanto eu arrumo e reclamo que nem louca.

porque ele me faz sentir gostosa nos dias em que to mais inchada.

porque ele me olha apaixonado mesmo com cabelo tosco e roupa descombinada.

porque ele acha graça das minhas loucuras.

porque ele acredita que eu sou inteligente sem ter lido um livro até o fim.

porque ele realmente me abraça enquanto nada lá fora importa.

Aquilo que em mim não para

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tecendo os fios à sua espera as vezes me pergunto se você vem. imagino o meu sorriso abrindo enquanto o peito salta e os olhos derramam. é tão cinematográfico e bonito que dói de ausência por ainda não ser. por enquanto, acho que são os fios que me entrelaçam. ando dominada impaciente observando. à espera de estar a sua espera, e eu sei que você vem. mas será quando? curvada sobre o tear tento encontrar outras tramas coloridas que me alegrem enquanto me sinto oca e repleta de espaços vazios dentro do corpo. porque tudo em mim é tão gigante, latente, ridiculo?

as pessoas seguem suas vidas sem pensar tanto. sem sentir tanto. na maré.

e eu sigo tentanto controlar o incessante.