tudo acontece e nada tem muita importância. sigo na espera. é um brilho azul infinito. já nem sei. porque vago desejante até. inté. e o mundo me rodeia em versos.
tentar não pensar em. esquece. voltar a viver o presente como se nada fosse já não é possivel. me volto. envolta. sigo na espera. de um tudo em bolinhas. que será?
já que nada acontece e tudo tem importância. a espera me segue. infinito que brilho é azul. seijánem. até vago porque desejante. inté versos rodeia-me o mundo.
em não tentar pensar. esqueci. viver possível nada já não é voltar como o presente. envolta-me volta. a espera me segue. bolinhas um de tudo em. será que?
prefiro versões imperfeitas do mundo. e digo isso com dor. muita dor. mas se tudo pode ser controlado por nós, que poesia há nisso? eu nunca teria sonhado com meu marido exatamente como ele é e, no entanto, tudo que não previ me adorna. além das surpresas surpreendentes, quase trágicas, que mudam nossa trajetória de rumo até nos encaixar no nosso verdadeiro lugar. eu sou romântica. tenho muita dificuldade em aceitar o injusto. talvez ingênua em acreditar que pode existir beleza no triste. algo em mim sente repudio a crença de felicidade que depende de nós vendida de forma fácil nas prateleiras. será que sempre foi uma meditação, um remédio, uma programação genética? quero acreditar que dançamos com o cosmos como damas, conduzidas por algum tipo de força, chamada cavalheiro. e por melhor que você dance, é sempre ele quem conduz.
suspensa. com algum pensamento incubado que ainda não posso me revelar. algo em mim já vive, ou melhor, renasce. eu sigo, escutando ao longe as sombras do meu próprio segredo.
dei sorte. cada dia me vejo mais apaixonada pelo homem que me escolheu. é, eu gosto mais assim. ter sido escolhida. as vezes tenho medo que o dia a dia e as imagens banais estraguem a nossa mágica. mas as vezes acho que é aí que ela está, no tirar a sombrancelha, no cabelo preso sem maquiagem e glamour, no compartilhar a pia do banheiro, no cansada de tudo sem vontade de existir amparada pelo sofá. no ser mulher comum que pode se transformar em mulher namorada e arrumada num piscar de olhos. no ser nua. cada vez mais sua. sem medo de perder o tesão. louca pra gente viajar e sermos só nós namorando a vida enquanto é. cheia de sonhos. casada com você.
ontem mais um foi se juntar a sua festa no céu. imagino sua felicidade em revê-la por aí. este ano seu aniversário vai ser mais animado com alguém tocando piano todo arrumado de salto alto e maquiagem. as saudades ainda são muitas. e quero acreditar que as vezes nos visitamos. sinto menos sua presença. acho que seus afazeres estão maiores aí do outro lado. apesar de que nossas mãos ainda entrelaçadas desenham vontades no meu travesseiro. acredito que você sabe mais do que eu do meu futuro e está feliz. a vida me dá um marido maravilhoso, saúde e nossa família continua linda. somos mesmo abençoadas. dá um oi em deus por mim. te amo. abraços para a mais nova convidada da festa do céu.
http://oglobo.globo.com/blogs/cuenca/
"Novamente, acho que não me fiz entender. É o menor dos pecados: deveríamos nos ajoelhar em agradecimento à nossa cotidiana incapacidade de expressar com precisão o que queremos dizer, seja numa conversa, num texto ou numa fotografia. Pois é justamente essa inexatidão que nos move a continuar tentando, rumo a um novo ponto de desconforto, e a outro, e a um próximo, na mais ou menos longa sequência de fracassos que reconheceremos como a nossa vida - quando terminar."
hoje o último parágrafo disse o que eu queria.
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