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setembro 1, 2008

Atonement foi idiotamente traduzido para o português como Desejo e Reparação. A tradução mais exata seria "expiação", uma palavra pouco conhecida em português. Ela é mais familiar na expressão "bode expiatório" e remete ao ritual do dia da expiação, do Israel antigo. Expiação significa purgar um pecado, sofrer para limpar uma mancha. A escolha por "desejo e reparação" decerto foi para surfar na onda de relativo sucesso dos filmes baseados em obras de Jane Austen, como "Orgulho e Preconceito" (com a mesma Keira Knightley) e "Razão e Sensibilidade", mas a trama de Atonement não tem absolutamente nada que ver com as histórias morais de Austen - de quem eu gosto bastante, aliás.

O filme é belíssimo como um todo, mas existe uma seqüência em especial que é absolutamente antológica. Acontece mais ou menos no meio do filme, quando o protagonista chega ao fim de uma caminhada gigantesca pelo interior da França até as praias da Normandia. Ali, as tropas aliadas que combateram os alemães estão se reunindo de forma anárquica aguardando uma forma de voltar pra casa. A seqüência é longa, a câmera o acompanha sem cortes, faz volteios, personagens somem e reaparecem enquanto ele anda e a moldura mistura cenas fortes de cavalos sendo sacrificados, soldados cantando hinos cristãos, alguns aboletados em brinquedos de parques de diversão, caminhões virados, bêbados cambaleantes, brigas e outras cenas impactantes acompanhadas de uma trilha sonora inspirada.

Nem queria falar de mais nada, Essa sequência merece espaço em antologias e vale o filme por si só. Mas o mote do roteiro é digno de uma pensata. Um ato, um julgamento sem base ou com bases frágeis, podem impactar as vidas de outras pessoas de forma irremediável. Não importa depois o que você faça, aquele mal não tem expiação.

Existe uma diferença vital entre perdão e desculpa. A desculpa é uma tentativa de justificar o ato e, por conseqüência reflexa, diminuir o tamanho do dano. O perdão existe quando não há o que mitigar no terror do mal cometido. Um caso como o exemplificado no filme só tem cura mediante o perdão.

Mar perdão, você e eu sabemos bem, é produto deveras raro...

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Uma tentativa de início de mestrado e uma enxurrada de trabalho me põem longe deste blog. Não sobriu um só nequinho de tempo para falar de Olimpíada, por exemplo. Que seja. A vida continua pulsando por aqui, espero que baste.

Posted by marcol at setembro 1, 2008 10:11 AM

Comments

Você escreveu "Mar perdão". Não seria "mas"?

Belíssimo filme e belíssima história. Talvez o melhor que vi este ano.

Posted by: Milton Ribeiro at setembro 1, 2008 2:26 PM

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