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fevereiro 7, 2008
O que eu [não] tenho em comum com Arnaldo Jabor, Luis Fernando Verissimo e Carlos Drummond de Andrade
É que, assim como eles, eu também sou vítima de textos apócrifos creditados a mim. Sim, sim, vejam a minha importância.
Um amigo outro dia me perguntou se escrevi um poema chamado "Jesus pintou com a mão". Uéu, não sou muito dado a poemas desde a adolescência, quando, aliás, a temática religiosa não era muito recorrente.
Fiquei todo pimpão (como esse mesmo amigo costuma dizer). Estão creditando a mim textos alheios pra eles terem mais visibilidade, serem mais lidos, serem emoldurados com anjinhos e florzinhas e distribuídos por aí em apresentações de powerpoint.Uau, é quase uma realização artística.
Aí ele me mandou o arquivo, em mp3. Trata-se de um poema do tipo seresteiro, com uma viola tocando ao fundo e declamado cheio de emoção parnasiana.
Enfim, nada de atribuição indevida a mim. Deve ser só um caso de homonímia. Afinal de contas, se existe um Marco Brasil narrador de rodeio, bem pode ter um seresteiro também, uai.
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Sobre esse negócio de textos apócrifos, o Jabor é um caso dos mais interessantes. Atribuem a ele um monte de textos pé de chinelo que ele não escreveu. Ele diz que algumas pessoas não acreditam quando ele diz que não é o autor da pérola. Mas ele escreveu um texto inventando uma entrevista com um membro do PCC e muita gente tomou a coisa como uma entrevista verdadeira. Ou seja, o que ele não escreve, dizem que foi ele que escreveu, o que ele escreve dizem que não foi ele que escreveu.
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Este não foi o melhor carnaval de todos os tempos. O melhor mesmo foi o de 2001, quando passei sem ouvir um tamborim, sem ver uma pena de pavão, uma bunda sacolejante e sem ouvir nem uma única vezinha o bordão: "aqui em xxxx a festa não tem hora pra acabar!"
Sendo um total avesso à festa da carne, pra quem bonecos de Olinda, trios elétricos, desfiles de escola de samba, maracatus e frevos são coisas alienígenas, o melhor mesmo seria pular a data. Dessa vez não foi possível, acabei vendo alguma coisa.
Chamou a atenção um carro alegórico, não lembro o nome da escola. Foi a primeira escola a desfilar na segunda à noite, no Rio. Eles falavam do Brasil como o quinto império mundial, um delírio de um monarca português. O interessante foi tratarem os quatro primeiros impérios utilizando o texto de Daniel 7. Nesse capítulo da Bíblia, Daniel tem uma visão profética em que vê quatro animais saindo do mar, um leão alado, um urso com três costelas na boca, um leopardo de quatro cabeças e um animal terrível que ele não conseguiu aproximar de nada que conhecia. O leão alado é identificado pelos estudiosos como Babilônia (que tem no leão o objeto mais freqüente de seus baixos-relevos e cujas asas simbolizam a rapidez com que ela conseguiu hegemonia na Mesopotâmia), o urso como a Medo Pérsia (as 3 costelas são os três reinos que eles tiveram de derrotar pra mandar no pedaço: Egito, Lídia e Babilônia), o leopardo como o império Greco-Macedônico (as 4 cabeças são símbolos dos 4 generais que sucederam Alexandre) e o quarto animal é, obviamente, Roma.
O estudo é muito interessante mas muito pouco feito, infelizmente, daí porque vê-lo numa escola de samba me surpreendeu bastante.
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Esse carnaval me rendeu um resfrado. Decerto foi porque eu tomei um ventinho depois de perder meu tapa-sexo na avenida. Melhor sorte no futuro...
Posted by marcol at fevereiro 7, 2008 9:56 AM
Comments
Pois eu consegui não ver nada de carnaval, Marco! Tudo bem que ouvi alguns batuques, porque minha mãe insistiu em ligar a TV na hora dos desfiles do Rio, mas não fiquei na "frente da tela da Globo". Quanto aos animais da profecia de Daniel, realmente deve ter sido curioso observar isso numa escola de samba. Sou fascinada pelas professias de Daniel e pela exatidão delas ao descrever a sucessão das potências mundiais.
Posted by: Claudia Lyra at fevereiro 7, 2008 3:43 PM