janeiro 31, 2008
Culturais
Eu sou a Lenda e outras lástimas
A temporada em Ubatuba-SP não estava das mais entusiasmantes. Sol mesmo, só no primeiro dia. O resto do tempo permaneceu o céu nublado, um mormaço razoável, mas períodos de garoa, chuva ou até mesmo frio. Precisávamos ir a um banco e a sogra nos encorajou a deixar os dois garotos com ela e irmos só a Tatiana e eu.
Chegando lá, vimos que estava passando Eu sou a lenda num horário razoável. Eu havia visto muito pouco sobre o filme, só um pedaço do trailer que mostrava Will Smith caçando veados pelas ruas desertas e cobertas de mato de New York. Eu sabia também que a sobrinha da Sonia Braga aparecia lá pelas tantas. Vi um pedaço da entrevista do ator com a Patrícia Poeta no Fantástico, o cara lá, todo engraçado. Bom, botando tudo num caldo, achei que fosse um filme leve e instigante, ao estilo O Náufrago. Consideramos por um momento ver o filme. Fazia séculos que a gente não fazia isso, lembramos da sugestão da sogra e acabamos por comprar os ingressos.
Antes da sessão traçamos um excelente açaí com maracujá ali perto. O céu tinha aberto finalmente, mostrando uma lua cheia. Parecia a noite perfeita.
Imagine, portanto, a frustração com o filme se desenrolando. No fim das contas, nada mais é que um filmeco de zumbis ou mortos-vivos à la Sergio Romero, só com que com um super astro de Hollywood e com milhões e milhões de dólares para dar autenticidade à New York deserta depois de uma epidemia viral. Isso, na verdade, é a única virtude do filme. O roteiro tem mais furos que uma peneira (já esqueci boa parte, porque dá vontade de deletar a informação no instante seguinte, mas lembro do fato de o cara ter energia elétrica na casa dele - deve ter um gerador mega ultra super duper, porque a ação se passa três anos depois da tal epidemia; a brasileira salva o herói usando uns holofotezinhos sabe-se lá da onde; os carros estão sempre limpinhos e brilhantes; apesar de 90% da população mundial haver morrido, 9% ter-se tornado zumbis comedores de carne humana e apenas 1% ter apresentado imunidade ao vírus, sendo que Will Smith passa o filme todo tentando se comunicar com algum sobrevivente, não se sabe como é que ele sabe de tudo isso. De onde veio tanta informação?; isso tudo para não mencionar o desfecho absolutamente implausível).
Estou pedindo perdão à Tatiana até hoje por haver proposto o programa. Se servir de aviso, evite o programa, a não ser que você seja um super fã de A noite dos mortos vivos e coisas do gênero.
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No mais, apesar do tempo instável, é demais ver o filho mais velho ficar bronzeadaço em tão pouco tempo (herdou a melanina meio árabe de antepassados longínquos) e o caçula ficar douradinho. É ótimo poder botar o pé na areia e mergulhar naquele mar sempre verde.
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Conclamo, contudo, a ciência deste mundo a encontrar uma vacina contra a "depressão pós férias"!
Posted by marcol at janeiro 31, 2008 9:33 AM
Comments
Do filme não sei, agora depressão pós férias, ou sem férias, ou sem praia...pra qualquer uma dessas eu apoio a pesquisa..
Posted by: Keiko at fevereiro 13, 2008 12:18 AM
Salve, Marco! Primeiro, valeu pelas boas-vindas!
Segundo, Eu Sou a Lenda é um exemplo do que falávamos lá no pós-estranho. O filme é uma versão muito malfeita de um livro clássico de FC do Richard Matheson, que foi um dos pincipais roteiristas da série clássica Além da Imaginação (a classicona mesmo, das décadas de 1950-60, não os remakes), e, mesmo tendo escrito o livro há uns 50 anos, ele ainda consegue ser muito mais revolucionário que esse filme. Confira se puder: a Novo Século acabou de lançar uma tradução nova do livro.
Posted by: fábio at janeiro 31, 2008 4:14 PM