janeiro 2, 2008
Crónicas
Passagem
Este ano juntamo-nos a uma prima e seu maridão, o ex-blogueiro Helio Serafino - que veio ao Brasil só pras festas e já está voltando para seu posto avançado no Peru - em seu apartamento novo, na chiquetérrima Vila Clementino, nas cercanias do Parque do Ibirapuera, em São Paulo. A cidade estava melancólica que só. Da sacada, víamos os prédios em volta e o cenário era o mesmo: aquelas torres enormes, com luzes acesas num só andar. Dois no máximo. Pra não dizer que não vi nem ouvi fogos nenhuns, havia no desvão entre dois prédios um espacinho por onde dava pra ver o estouro dos fogos de algum lugar com almas vivas.
Lá dentro, contudo, tudo ótimo. Um dos circunstantes atacou de chef e saiu-se maravilhosamente bem. Além de comida, abraços calorosos e sinceros, conversa farta e risadas.
2008 chegou sem grandes comoções. Confesso que bateu uma moderada nostalgia do tempo em que eu dava grande valor a essas datas. Geralmente eu estava na praia da Lagoinha, em Ubatuba-SP, assistindo à movimentação com o coração apertado, olhando pro mar e tentando identificar na velha cantilena repetida dele alguma dica do que me aguardaria ao longo do novo ano. Dessa vez, contudo, nada de cantilenas, só o sorriso banguela do meu caçula batendo palminhas. Já basta.
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No dia primeiro liguei a TV desinteressadamente. A idéia era só aguardar a chegada da patroa. Mas estava passando Um bom ano, do Ridley Scott com Russel Crowe, no Telecine Premium. O filme foi um fracasso retumbante de bilheteria e a temática, que eu sabia vagamente ter a ver com um cara que tem uma vinícula em Provence, na França, não me atraía em nada; nem vinho eu bebo, oras.
Mas acontece que o filme é ótimo. O fracasso decerto tem a ver com seu tempero europeu demais para os paladares tratados na base do fast food dos EUA. A fotografia é ótima, os atores estão muito bem, os diálogos são inteligentes. E o final é manjado.
Você pode dizer que só têm qualidade os filmes de final surpreendente ou estudadamente frustrante, mas nisso discordo. O cara egoísta que ganha rios de dinheiro mas percebe que isso não é vida pode ser clichê, mas é o tipo de coisa que vale a pena ser tratada como moldura pra uma obra de arte. E pode ser repetida à exaustão.
Depois de fazer Cruzada, Ridley Scott mostra que nem só de épicos vive um diretor hollywoodiano. De fracassos de bilheteria prazeirosos de se fazer também, omessa. Um bom ano é pra mim o verdadeiro bom filme que ciranda em torno de vinhos e vinícolas, já que achei Sideways só razoável.
Posted by marcol at janeiro 2, 2008 2:14 PM
Comments
vi um banner da previdencia social na seu blog, vc tambem trabalha em uma agencia?
abraços !!!
Posted by: beto at janeiro 10, 2008 2:52 PM
Feliz Ano Novo, amigão! Sinto-me precisamente da mesma maneira com relação às festas, particularmente o ano novo. Não mais nostalgia, mais pé no chão, satisfação plena com a vida atual (principalmente os sorrisos e abraços dos nossos pequenos).
Fiquei curiosa sobre o filme... ODIEI Sideways, achei desprezível...
Posted by: Lilian at janeiro 4, 2008 11:27 PM
devo à vossa antiga empreitada com dr. Serafino minhas últimas gargalhadas descontroladas na blogosfera. sempre foi uma grande perda. transmita-lhe amplexos!
Posted by: tiagón at janeiro 2, 2008 3:07 PM